Trabalhadores protestam contra leilão do Campo de Libra em dia de greve dos petroleiros



por Rodrigo Barrenechea


Foi realizado nesta quinta um protesto contra o leilão do campo petrolífero de Libra, na bacia de Santos, no centro do Rio. Com cerca de 700 pessoas, a passeata se iniciou na Candelária, onde seguiu pela Avenida Rio Branco, até se encerrar na Cinelândia. Diversas categorias profissionais, assim como vários movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos, fizeram-se presentes no ato.
A militância do PSTU Rio presente
no ato do Rio de Janeiro.
Foto: RB


Durante todo o dia, desde a madrugada de quarta, os petroleiros se mobilizaram, paralisando a produção tanto nas refinarias quanto em terminais e na administração da Petrobrás. Estão parados os trabalhadores das refinarias de Duque de Caxias (Reduc/RJ), Manaus (Reman/AM), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Mataripe (Rlam/BA), Gabriel Passos (Regap/MG), Paraná (Repar), Alberto Pasqualine (Refap/RS), Abreu e Lima (PE), além da SIX (unidade de Xisto/PR), da FAFEN (fábrica de fertilizantes/BA), Termorio (Duque de Caxias), usinas de Biodiesel e termoeletricas.

Na Bacia de Campos, o Sindicato informa que a greve teve adesão de pelo menos 39 plataformas, que foram entregues pelos trabalhadores às equipes de contingência que a Petrobras embarcou. Destas, 15 unidades foram entregues com a produção de petróleo parada. Durante a manhã, foi realizado trancaço na sede da UO-Rio, em Macaé. No Terminal de Cabiúnas houve corte de rendição à zero hora.

Ninguém entrou na Reduc, em Duque de Caxias, Terminal de Campos Elíseos e na Termorio. Agora pela manhã, o sindicato realizou uma grande mobilização na Rodovia Washignton Luiz, que está fechada no sentido Petrópolis.

Petroleiros protestam em frente ao prédio da Petrobrás em Macaé.
 Foto: PSTU Macaé
Desde o início da madrugada de hoje (17), em Macaé, os petroleiros do Norte Fluminense das 43 plataformas da Bacia de Campos aprovaram adesão ao movimento grevista. A direção da Petrobras utilizou equipes de contingência, formada por gestores da empresa, para continuar a operar diversas unidades. São muitas as denúncias de assédio moral das chefias junto aos trabalhadores grevistas.

No terminal de Cabiúnas, o maior em processamento de gás natural da América Latina, diversas entradas foram bloqueadas na manhã de hoje. A direção da empresa utilizou de artimanhas para tentar desmobilizar a paralisação, mas os trabalhadores resistiram e estão demonstrando muita disposição para lutar contra o leilão do campo de Libra e por melhores condições de trabalho. Houve concentração de petroleiros também em Campos, no Heliporto de Farol de São Tomé.

A tarde os petroleiros foram para a frente do TRT 1ª Região para denunciar o interdito proibitório concedido à Petrobras para manter os trabalhadores embarcados nas plataformas de extração de petróleo. A decisão impõe uma multa de R$100 mil por dia, caso haja descumprimento à decisão, configurando assim um claro ataque ao direito constitucional de greve. No início da noite a Oposição Petroleira do NF, juntamente com a CSP-Conlutas e a Intersindical organizaram em Macaé um debate sobre o leilão do campo de Libra. 
No Rio de Janeiro, houve paralisação no Cenpes, na Ilha do Fundão, e um acampamento na frente do Edifício Sede da Petrobrás. Nesta segunda, dia 21, quando vai ocorrer o leilão, o SindiPetro-RJ e diversas entidades dos movimentos sociais, populares e estudantis irão se concentrar na Barra da Tijuca, onde está marcado o leilão.

O PSTU Rio, assim como a CSP-Conlutas, a Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (ANEL), o Movimento Luta Popular e várias outras organizações, estará presente nessa luta contra a entrega dessa importante riqueza, que deve pertencer aos trabalhadores e trabalhadoras do país e não às transnacionais do petróleo.

Cyro Garcia fala no ato da Rio Branco

e ouça a entrevista de Zé Maria à rádio PSTU, do RS, sobre a venda de Libra.