PSTU- RJ
Rio de Janeiro, 7 de outubro. Uma multidão se aglutina pelo Centro da cidade e segue em passeata pela Av. Rio Branco. A passeata é tão grande que não é possível ver seu início nem seu final. Naquele dia, mais de 50 mil pessoas saíram às ruas para defender os profissionais da educação contra os ataques de Sérgio Cabral e Eduardo Paes.
Acuados, o governador e o prefeito são forçados a desistir momentaneamente da repressão. A polícia permaneceu em grande parte aquartelada, e as ruas por algumas horas foram apenas dos trabalhadores, demonstrando a força das massas. Já ao final, ocorre o episódio que ganharia destaque nos telejornais e nas conversas dos trabalhadores: Black Blocs (BBs) e PMs se enfrentam isoladamente em frente à Câmara Municipal. Começam a repressão e o quebra-quebra
Uma tática a serviço de qual objetivo?
Antes de tudo, reafirmamos que nossa crítica política aos grupos Black Blocks não muda em nada a defesa que fazemos destes ativistas e grupos contra a repressão da polícia e da justiça burguesa. São lutadores, que muitas vezes se equivocam, mas são lutadores. E para nós é um princípio defender todos os lutadores contra a repressão dos governos burgueses.
Antes de tudo, reafirmamos que nossa crítica política aos grupos Black Blocks não muda em nada a defesa que fazemos destes ativistas e grupos contra a repressão da polícia e da justiça burguesa. São lutadores, que muitas vezes se equivocam, mas são lutadores. E para nós é um princípio defender todos os lutadores contra a repressão dos governos burgueses.
Contudo, não confundimos essa defesa com o acordo com as ações dos Black Blocs. Quem defende que a esquerda não pode debater/criticar a ela própria foi, historicamente, o stalinismo.
Muitos companheiros honestos argumentam conosco que o Black Bloc é uma tática de defesa das passeatas. No entanto, esta não tem sido a realidade no Rio.
Temos acordo de que é necessário organizar a defesa das manifestações. Esta é uma necessidade que surge da ação violenta da polícia, a mando dos governos. Queremos organizar a defesa das passeatas para proteger fisicamente os que estão nelas e derrotar as pretensões dos governos em desatar a repressão.
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| O que é mais eficaz na luta contra Cabral e Paes? A ação isolada de uma minoria ou a presença de 50 mil pessoas marchando pelas ruas de centro? |
Nosso grande objetivo deve ser trazer um número cada vez maior de pessoas às ruas. Na passeata do dia 7 de outubro, a PM se retirou das ruas não por conta da presença do Black Blocks, mas porque havia 50 mil pessoas na Av. Rio Branco. Quanto mais massivas forem as passeatas, mais dificuldades a PM terá em reprimir o movimento. Mas as ações dos Black Blocs acabam por esvaziar as futuras mobilizações.
Os BBs devem explicar por qual motivo a mídia não mostra uma só imagem dos 50 mil em marcha, mas gasta horas de seus telejornais para exibir as depredações e ações isoladas. A mídia seleciona essas imagens com dois objetivos: amedrontar a classe trabalhadora para que não se some às mobilizações; e para criminalizar a luta dos educadores.
A tônica da atuação do Black Bloc no Rio é o enfrentamento permanente com a polícia e a depredação por meio da ação individual ou de pequenos grupos. Achamos isso completamente errado. Tais ações poderiam ser corretas se realizadas com o conjunto dos trabalhadores e não com um grupo pequeno de vanguarda.
Alguns grupos anarquistas (não todos eles, é importante que se diga) acham que isso serve de exemplo para a juventude oprimida, que os seguirão em suas ações rumo ao fim do capitalismo e do Estado burguês. Isso é um equívoco e só acaba afastando as massas.
Muito longe de serem fruto da “revolta popular”, estas ações conscientemente organizadas tentam substituir a ação das massas na rua. Por isso não estão preocupados com a mobilização crescente da classe trabalhadora e sim com suas próprias ações.
Não estamos discutindo a ação espontânea de trabalhadores perante uma injustiça. Por exemplo, os moradores de uma favela quando descem e quebram o comércio de luxo diante da morte de um jovem negro da comunidade. Estamos discutindo a ação política consciente de grupos que organizam os Black Blocks. E estes grupos erram ao fazer política sem se levar em conta o que a classe pensa, mesmo discordando dela. Tomando como um exemplo, se a grande maioria dos trabalhadores acha que a greve não é o melhor instrumento de luta, não podemos fazer a greve sem eles, mesmo que queiramos.
A repressão dos movimentos sociais é política de Estado no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. A polícia e o governo sabem que tem superioridade militar sobre nós, por isto, sempre que possível, buscam a repressão. Se não podemos por hora derrotar militarmente a repressão, existem momentos em que é possível derrotá-la politicamente, forçando o governo e a polícia a recuarem. O dia 7 de outubro foi emblemático neste sentido. A maioria da população havia sido ganha para defender os educadores contra Paes e Cabral. O repúdio aos governos era tamanho que a PM foi orientada a não intervir, nem sequer um efetivo militar considerável foi mobilizado. Diante desta retumbante vitória um grupo Black Bloc resolveu destruir a Câmara Municipal e seus arredores, provocando a repressão. Ao organizarem uma ação contrária às deliberações do Sindicato e da categoria, esse grupo Black Bloc contribui para enfraquecer as entidades dos trabalhadores.
Esta ação poderia ter jogado no lixo todo o trabalho político da categoria e do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação) em ganhar a população para o seu lado e colocar o governo na defensiva. Cada trabalhador que é ganho pelo governo contra a greve dos professores significa uma bala a mais que o governo consegue disparar sobre nós.
Queremos chamar os militantes que estão construindo a luta cotidianamente, inclusive aqueles que organizam o Black Bloc no Rio, a fortalecer a luta dos educadores. Chamamos também a organizar coletivamente a defesa das manifestações e planejar as ações dos atos em conjunto com a categoria e sua entidade, o Sepe, e a não fazer nenhuma ação contrária as deliberações dos professores.
✔ Lutar não é crime, lutar é direito! Contra a repressão aos movimentos sociais;
✔ Em defesa de todo ativista atacado pela repressão ou perseguido pelo Estado;
✔ Construir a autodefesa dos trabalhadores em luta;
✔ Pela desmilitarização da Polícia Militar, pelo fim da PM;
✔ Pela construção de uma polícia de caráter civil, eleita democraticamente e controlada pela comunidade.
