Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro.
A presidenta Dilma convocou o exército; marinha (havia duas fragatas patrulhando as imediações do Hotel Windsor e mergulhadores atentos aos banhistas); Força Nacional; e a PM do Cabral para garantir que ninguém se aproximasse do Hotel Windsor e dessa forma a venda do Campo de Libra pudesse ser feita através do leilão.
Dilma entra para a história como a maior traidora dos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro. É autêntica Quinta Coluna dos interesses do imperialismo, das multinacionais. Mas ela não está sozinha. O PT está com ela.
O Partido dos Trabalhadores - que compõe os governos de Sergio Cabral e Eduardo Paes - é quem encabeçou a venda do Campo de Libra. Contou com apoio do PCdoB que desde a ANP - Agência Nacional do Petróleo - deu os passos necessários para permitir o Leilão. Carregarão até seu desaparecimento a mácula da venda das riquezas do solo brasileiro.
Dilma usa forças armadas contra os que defendem os interesses dos trabalhadores e do povo brasileiros
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| Artefatos em bandeira manchada de sangue |
As fotos realizadas pelas mais distintas mídias e entidades mostram a quantidade e a terrível e malévola qualidade das armas usadas contra os manifestantes. Lançadores de bombas capazes de disparar granadas de gás a metros e metros de altura e distância; armas de fogo disparando cartuchos com várias balas de borracha de grosso calibre ao mesmo tempo. Os ativistas recolheram, ainda, centenas de projetis plásticos semelhantes a munição de armas automáticas manuais. O aparato repressivo montado por Dilma contava ainda com caminhonetes ligeiras, dotadas de tanques de água e máquinas de alta pressão que poderiam ser lançadas a qualquer momento contra os ativistas.
Não só o arsenal bélico, mas milhares e milhares de homens treinados em causar desconforto, dor, e sofrimento em outros seres humanos. A exemplo da tal força nacional ou dos motociclistas da PM do Rio de Janeiro, dotados de armas de fogo capazes de disparar balas de borracha de grosso calibre, que se dedicam a caçar e atirar contra manifestantes quando recebem a ordem. Não foram poucas às vezes que se viu durante a manifestação policiais da força nacional usando manifestantes como alvos para treinar pontaria, em momentos de nítida calmaria, ou seja, autênticos provocadores.
Não contente em usar fortíssimo aparato de destacamentos de polícias especiais, a Presidenta Dilma, em demonstração de força, deslocou também tropas do exército para o birro da Barra da Tijuca, onde fica o Hotel Windsor.
De outro lado os petroleiros presentes mostraram aos manifestantes - que entoaram juntos - as armas da classe trabalhadora: “A nossa munição é parar a produção."
Entre os manifestantes muita garra e disposição e a certeza de estarem travando a batalha justa. As palavras de ordem não poupavam a Presidente a seu partido, o PT. Cariocamente cantavam “Ei Dilma já deu pra ver. Tu ‘privatiza’ igualzinho FHC”
Entre as canções, paródias e palavras de ordem também se pôde ouvir “Nem a direita nem o PT, trabalhadores no poder.” De forma retumbante, como a apontar o almejado futuro, também ouviu-se: “É pra lutar, é pra valer, trabalhadores no poder!”
Dirigente petroleiro anuncia ruptura com o PT
Já com a perspectiva do leilão acontecer, desde o carro de som levado pelos petroleiros organizou-se o encerramento da participação no dia. Aí anunciou-se que Emanoel Cancela (um dos dirigentes dos petroleiros do Rio de Janeiro) estava desfiliando-se do PT. Tal notícia foi usada como exemplo para convocar outros petistas, e também a membros do PCdoB, a romper com as organizações que estão vendendo as riquezas brasileiras. A romper com partidos que se mantém aliados a governos como Cabral e Paes no Rio de Janeiro.
São anos e anos semeando ilusões entre os trabalhadores, os estudantes, e a juventude, entre sem terras e sem teto, entre o povo pobre de nosso país. Com discursos hipócritas de defesa dos interesses nacionais, salpicados de 'defesa’ do socialismo, de ameaças de volta da direita, de denuncias de inventados e fantasiosos golpes, PT e PCdoB colocam a cereja envenenada no amargo bolo da traição: o leilão do Campo de Libra. Bilhões de barris de petróleo não pertencem mais aos trabalhadores e ao povo brasileiros.
Fortalecer as organizações de luta dos trabalhadores da juventude e do povo pobre
Seguirão fazendo coro com esses que, aliados à mais virulenta direita do país como Collor, Renan Calheiros, Maluf, José Sarney, Cabral e Paes, estão vendendo as riquezas nacionais?
Seguirão fortalecendo estas organizações políticas que governam para os ricos e poderosos, que estão a serviço dos interesses das multinacionais?
Onde está a reforma agrária? Onde está a universalização de serviços como saúde e educação públicas gratuitas e de qualidade? Onde estão salários dignos para os trabalhadores?
Após mais de uma década de governo por que tantas famílias continuam sem um teto para morar?
Por que banqueiros e empreiteiros lucraram e lucram tanto em governos do PT/PMDB, governos apoiados e sustentados pelo PCdoB?
Por que a Avenida Paulista está tão feliz com estes governos?
Por que tanta violência e repressão contra os que lutam por direitos? Por que criminalizar os que lutam por direitos e em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro, se lutar não é crime?
Buscar respostas a estas perguntas é o que está colocado para estas e estes companheiros. Mas não apenas para aqueles e aquelas que tem referências no PT e no PCdoB. Tais questionamentos também estão colocados para militantes e simpatizantes do MST, da CUT, da CTB, e da UNE. De toda e qualquer organização do campo dos movimentos sociais que, desde suas direções, ajudaram o PT e o PCdoB a semear suas ilusões. Aqui e agora não cabem mais as surradas desculpas de ser minoria nas entidades, ou de conformar uma ala esquerda.
Com algumas dessas organizações trata-se de reorientar o rumo, com outras, em especial as citadas entidades sindicais e estudantis, trata-se de romper com elas e ajudar a construir alternativas de luta dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre como são a CSP/Conlutas - Central Sindical e Popular, e a ANEL - Assembleia Nacional de Estudantes Livre.
Tais reflexões não são fáceis de serem feitas, em especial para as gerações que ajudaram a construir estas organizações. Para muitas e muitos ativistas trata-se de ajustar contas com a própria história de vida, mas é necessário fazê-lo.
Para os que são das gerações mais jovens cabe romper bruscamente com os semeadores de ilusões e ajudar aquelas e aqueles que tenham dificuldades em prestar contas com o próprio passado que isso é necessário. Afinal para arrancar alegrias ao futuro é preciso semear o presente.
