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Na ONU, mais um discurso para gringo ver
No discurso, denúncia da espionagem e defesa da soberania. Na prática, entrega do petróleo e a mesma espionagem contra os movimentos sociais
Foto: Agência Brasil
Da redação

Foto: Agência Brasil
Já se tornou habitual. Em seu discurso na 68ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, na manhã deste 24 de setembro em Nova Iorque, a presidente Dilma Rousseff, mais uma vez, jogou para a plateia e falou todo o contrário do que pratica no próprio país que governa.
Em uma fala recebida como "dura" e "contundente" pela imprensa internacional, Dilma denunciou a espionagem praticada pelo governo dos EUA através da NSA (sigla da Agência Nacional de Segurança, em inglês), chegando a afirmar que o caso vindo à tona com as revelações de Edward Snowden representava um "sério caso de violação dos direitos humanos e desrespeito à soberania".
Chamando a espionagem dos EUA, que atingiu a comunicação oficial da presidente e também a Petrobrás, de "afronta", Dilma defendeu uma espécie de regulamentação multilateral da Internet, a fim de impedir que a rede seja transformada em uma "arma de guerra". A presidente chegou a utilizar seu passado de guerrilheira para atacar a política de espionagem dos EUA contra outros Estados. "Como tantos outros latino-americanos, lutei contra o arbítrio e a censura e não posso deixar de defender de modo intransigente o direito à privacidade dos indivíduos e a soberania de meu país", discursou.
Como não poderia deixar de ser, a presidente falou também sobre os protestos que tomaram conta do país em junho, fato que tomou os noticiários de todo o planeta e pelo qual ela se viu obrigada a dar uma resposta. Dilma disse que seu governo não reprimiu os protestos, mas "ouviu e compreendeu a voz das ruas". Só faltou dizer que, em meio aos protestos, o governo colocou a Força Nacional de Segurança e o Exército para “ouvir” melhor o som das ruas, como durante os jogos da Copa das Confederações. Mas foram muitas coisas que Dilma não tocou durante seu bonito discurso na ONU.
Hipocrisia
Como já é de costume, o discurso do governo brasileiro na ONU, voltado para o público externo, tem pouca relação com suas práticas aqui. É sintomático que, por exemplo, o discurso de Dilma tenha tido como pontos centrais a denúncia da espionagem e a defesa da soberania, a menos de um mês do leilão do Campo de Libra, o primeiro dos leilões do Pré-sal e que deve ser a entrega do maior campo de petróleo da história, marcado para o dia 21 de outubro.
O campo da Bacia de Santos possui capacidade de produzir de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo, segundo estimativas, cujo valor total pode chegar a 1,2 trilhão de dólares. Será simplesmente a maior desnacionalização já realizada nesse país, superando as privatizações do governo tucano.
Mas e a aviltante espionagem dos EUA? Diante das câmeras, Dilma demonstrou indignação com os casos de monitoramento recentemente revelados. Só não disse que, no Brasil, os agentes norte-americanos da CIA têm livre trânsito, atuando junto à Polícia Federal e ao Exército brasileiro para, supostamente, combater o terrorismo. Reportagem da Folha de S. Paulo do dia 15 de setembro mostra como os agentes norte-americanos coordenam a Divisão Antiterrorismo da PF em Brasília, formada por 40 policiais.
A atuação dos agentes da CIA, porém, não se limita à capital federal, mas atinge todo o país. Eles dão linha de investigação e apontam suspeitos para serem acompanhados. Na prática, comandam todo um conjunto de policiais federais. Cinco bases da PF funcionariam no país e teriam como objetivo o "combate ao terrorismo": no Rio, em São Paulo, em Foz do Iguaçu e em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Todos com o suporte da CIA. Como bem apontou o próprio governo brasileiro recentemente, no entanto, terrorismo nunca foi uma preocupação nacional.
Em outras palavras, o próprio governo brasileiro garante as bases e condições para a espionagem que agora denuncia com tanta indignação.
Espionagem contra os movimentos sociais
Além de dar suporte à atuação dos agentes norte-americanos, o governo brasileiro ainda lança mão dos mesmos métodos que denuncia contra os movimentos sociais. Em julho último a própria ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) admitiu "monitorar" as redes sociais para acompanhar os movimentos sociais, como meio de subsidiar com informações o Executivo e os órgãos policiais.
As ações, no entanto, não se limitam ao monitoramento. Na greve no Porto de Suape (em Pernambuco) em abril, comprovou-se a atuação de agentes da ABIN infiltrados entre os trabalhadores. Exemplos não faltam. No começo do ano, um agente a serviço da ABIN já havia sido flagrado espionando uma reunião do movimento contra a construção da Usina de Belo Monte. É uma prática permanente e generalizada, não só das forças policiais (como tanto se viu em junho), mas do próprio Estado brasileiro.
E nesses casos, não seriam também “violações dos direitos humanos”, presidente?
Leia também:
Nota do PT paraguaio (seção da LIT-QI) sobre a tentativa de impeachment contra Lugo
Abajo el Juicio Político de la derecha tradicional contra Lugo
Escrito por PT - Paraguay
22 de Junio de 2012 15:07
Lugo sólo puede ser destituido por el pueblo trabajador no por este Parlamento.
1 - Desde el Partido de los Trabajadores estamos en contra del juicio político impulsado por los partidos de la derecha tradicional de nuestro país a través del Parlamento Nacional. El pueblo trabajador no tiene en estos parlamentarios -sinvergüenzas, corruptos y personeros de lo peor del sistema capitalista-, representación alguna, sino que fueron y son sus verdugos. Derrotemos este verdadero “golpe de guante blanco” con las movilizaciones en las calles.
2 - El juicio político iniciado y probable destitución de Lugo por este Parlamento de la Vergüenza no traerá mejores condiciones socio-económicas y políticas para el pueblo trabajador, sino que significará un grave retroceso para el pueblo trabajador.
3 - Afirmamos que Lugo merece ser enjuiciado y destituido pero por la voluntad popular no por los tránsfugas y antipopulares parlamentarios que sólo toman decisiones perjudiciales, en todos los ámbitos, contra los explotados y excluidos de nuestro país. Lugo fue elegido por la mayoría del pueblo por medio de elecciones y es ese mismo pueblo el que tiene el derecho de sacarlo del gobierno.
4 - Abortemos el juicio político con movilización y lucha. Apoyaríamos, en todo caso, la realización de un plebiscito para que el pueblo exprese si quiere que Lugo se vaya o se quede y, en caso de que la mayoría vota que se tiene que ir, que se anticipen las elecciones.
5 - Lugo, como persona y como gobierno, no merece nuestra menor solidaridad. Somos opositores por el vértice a su política y a su gobierno.Lugo al igual que los gobiernos anteriores ha gobernado a favor de la burguesía, ha promovido y auspiciado el agronegocio que arrasa con las comunidades campesinas, no ha hecho nada a favor de la reforma agraria y profundizó la criminalización al movimiento de masas. Lugo, es también responsable de la crisis política generada fundamentalmente por su alianza con la gran burguesía y sus partidos, así como por la masacre de Curuguaty. Por lo tanto, nuestra oposición al juicio político no significa el menor apoyo político a su gobierno.
6 - Ratificamos nuestra condena, ya realizada desde el 2008, a las izquierdas capituladoras gubernistas que se integraron a este gobierno servil a los intereses de las minorías sembrando la confusión, la desmoralización y la desmovilización en el movimiento de masas, ya que por su política de conciliación entre las clases sociales, son corresponsables del marco general de la actual situación.
7 - Convocamos al pueblo trabajador a oponerse al giro reaccionario del régimen político que se expresa en el proceso de destitución de Lugo, a defender las libertades públicas de organización y movilización así como la completa vigencia de las garantías constitucionales básicas para seguir luchando y construyendo un presente y futuro mejor para los explotados y oprimidos.
8 - Exigimos al Gobierno Lugo, desarrolle una urgente reforma agraria expropiando sin indemnización las tierras malhabidas y latifundios, que rompa de una vez por todas con los partidos de la derecha tradicional destituyendo a sus representantes de los ministerios y el aparato estatal, e instale un plan económico y social de emergencia basado en los intereses de las grandes mayorías.
9 - Construyamos un gran movimiento de la clase trabajadora por fuera del gobierno de Lugo, su política y los partidos de la derecha, abriendo una salida el pueblo trabajador a la actual crisis política apuntando entre otras medidas a una Asamblea Constituyente, democrática y soberana que sienten las bases que aseguren el Pan, el Trabajo, la Soberanía y la Libertad para el pueblo trabajador y las grandes mayorías.
Comité Ejecutivo Nacional
Partido de los Trabajadores
21-06-2012
22 de Junio de 2012 15:07
Lugo sólo puede ser destituido por el pueblo trabajador no por este Parlamento.
1 - Desde el Partido de los Trabajadores estamos en contra del juicio político impulsado por los partidos de la derecha tradicional de nuestro país a través del Parlamento Nacional. El pueblo trabajador no tiene en estos parlamentarios -sinvergüenzas, corruptos y personeros de lo peor del sistema capitalista-, representación alguna, sino que fueron y son sus verdugos. Derrotemos este verdadero “golpe de guante blanco” con las movilizaciones en las calles.
2 - El juicio político iniciado y probable destitución de Lugo por este Parlamento de la Vergüenza no traerá mejores condiciones socio-económicas y políticas para el pueblo trabajador, sino que significará un grave retroceso para el pueblo trabajador.
3 - Afirmamos que Lugo merece ser enjuiciado y destituido pero por la voluntad popular no por los tránsfugas y antipopulares parlamentarios que sólo toman decisiones perjudiciales, en todos los ámbitos, contra los explotados y excluidos de nuestro país. Lugo fue elegido por la mayoría del pueblo por medio de elecciones y es ese mismo pueblo el que tiene el derecho de sacarlo del gobierno.
4 - Abortemos el juicio político con movilización y lucha. Apoyaríamos, en todo caso, la realización de un plebiscito para que el pueblo exprese si quiere que Lugo se vaya o se quede y, en caso de que la mayoría vota que se tiene que ir, que se anticipen las elecciones.
5 - Lugo, como persona y como gobierno, no merece nuestra menor solidaridad. Somos opositores por el vértice a su política y a su gobierno.Lugo al igual que los gobiernos anteriores ha gobernado a favor de la burguesía, ha promovido y auspiciado el agronegocio que arrasa con las comunidades campesinas, no ha hecho nada a favor de la reforma agraria y profundizó la criminalización al movimiento de masas. Lugo, es también responsable de la crisis política generada fundamentalmente por su alianza con la gran burguesía y sus partidos, así como por la masacre de Curuguaty. Por lo tanto, nuestra oposición al juicio político no significa el menor apoyo político a su gobierno.
6 - Ratificamos nuestra condena, ya realizada desde el 2008, a las izquierdas capituladoras gubernistas que se integraron a este gobierno servil a los intereses de las minorías sembrando la confusión, la desmoralización y la desmovilización en el movimiento de masas, ya que por su política de conciliación entre las clases sociales, son corresponsables del marco general de la actual situación.
7 - Convocamos al pueblo trabajador a oponerse al giro reaccionario del régimen político que se expresa en el proceso de destitución de Lugo, a defender las libertades públicas de organización y movilización así como la completa vigencia de las garantías constitucionales básicas para seguir luchando y construyendo un presente y futuro mejor para los explotados y oprimidos.
8 - Exigimos al Gobierno Lugo, desarrolle una urgente reforma agraria expropiando sin indemnización las tierras malhabidas y latifundios, que rompa de una vez por todas con los partidos de la derecha tradicional destituyendo a sus representantes de los ministerios y el aparato estatal, e instale un plan económico y social de emergencia basado en los intereses de las grandes mayorías.
9 - Construyamos un gran movimiento de la clase trabajadora por fuera del gobierno de Lugo, su política y los partidos de la derecha, abriendo una salida el pueblo trabajador a la actual crisis política apuntando entre otras medidas a una Asamblea Constituyente, democrática y soberana que sienten las bases que aseguren el Pan, el Trabajo, la Soberanía y la Libertad para el pueblo trabajador y las grandes mayorías.
Comité Ejecutivo Nacional
Partido de los Trabajadores
21-06-2012
Haiti: 8 anos dizendo “não"
Neste 1º de junho de 2012, completam-se 8 anos da ocupação militar da MINUSTAH no Haiti - intervenção que conta com o apoio de tropas brasileiras, enviadas por Lula e mantidas por Dilma. Ao contrário discurso da “ajuda humanitária”, que sempre foi usado para legitimar a presença das tropas naquele país, em todo esse período, nada mudou no país mais pobre das Américas.
Ao contrário do que diziam a ONU e o governo brasileiro, a situação calamitosa em que 80% da população vive abaixo da linha da miséria permanece inalterada. O que, sim, as tropas conseguiram foi garantir a exploração da mão-de-obra haitiana por parte de grandes multinacionais – sobretudo da indústria têxtil.
Ao longo desses oito anos, protestos, greves e lideranças sociais foram reprimidos constantemente pela MINUSTAH. Ao mesmo tempo, a ocupação colaborou com a formação das Zonas de Livre Comércio, legitimou eleições fraudulentas e não desempenhou qualquer papel “humanitário” diante do trágico terremoto de 2010. Inúmeros abusos também vieram à tona, como o caso de um estupro cometido por soldados uruguaios.
Governo brasileiro segue cumprindo papel vergonhoso
Refletindo o fato de que a presença das tropas só trouxeram mais dor ao povo haitiano, uma onda de imigração de trabalhadores daquele país rumo ao Brasil começou nos últimos meses. Entrando no país pelo Acre, na busca desesperada de uma nova chance, esses trabalhadores não encontraram nenhum apoio efetivo do governo brasileiro e permaneceram expostos a condições insalubres e submetidos a todo tipo de aproveitadores.
O governo Dilma se acha no direito de manter tropas no Haiti, sempre com o discurso de que se trata de “ajudar” o povo haitiano. Mais revela sua hipocrisia quando é incapaz de oferecer assistência aos imigrantes que aqui chegam. Para piorar, setores do governo acenam com a possibilidade de endurecer a entrada de haitianos no Brasil.
Comentando o assunto, a ministra Maria do Rosário – por ironia, da pasta dos Direitos Humanos – declarou que “chegou a hora de o Brasil começar a dizer não”. Vergonhosamente, na verdade, já são oito anos em que o governo diz “não” à soberania do Haiti.
Ao contrário do que diziam a ONU e o governo brasileiro, a situação calamitosa em que 80% da população vive abaixo da linha da miséria permanece inalterada. O que, sim, as tropas conseguiram foi garantir a exploração da mão-de-obra haitiana por parte de grandes multinacionais – sobretudo da indústria têxtil.
Ao longo desses oito anos, protestos, greves e lideranças sociais foram reprimidos constantemente pela MINUSTAH. Ao mesmo tempo, a ocupação colaborou com a formação das Zonas de Livre Comércio, legitimou eleições fraudulentas e não desempenhou qualquer papel “humanitário” diante do trágico terremoto de 2010. Inúmeros abusos também vieram à tona, como o caso de um estupro cometido por soldados uruguaios.
Governo brasileiro segue cumprindo papel vergonhoso
Refletindo o fato de que a presença das tropas só trouxeram mais dor ao povo haitiano, uma onda de imigração de trabalhadores daquele país rumo ao Brasil começou nos últimos meses. Entrando no país pelo Acre, na busca desesperada de uma nova chance, esses trabalhadores não encontraram nenhum apoio efetivo do governo brasileiro e permaneceram expostos a condições insalubres e submetidos a todo tipo de aproveitadores.
O governo Dilma se acha no direito de manter tropas no Haiti, sempre com o discurso de que se trata de “ajudar” o povo haitiano. Mais revela sua hipocrisia quando é incapaz de oferecer assistência aos imigrantes que aqui chegam. Para piorar, setores do governo acenam com a possibilidade de endurecer a entrada de haitianos no Brasil.
Comentando o assunto, a ministra Maria do Rosário – por ironia, da pasta dos Direitos Humanos – declarou que “chegou a hora de o Brasil começar a dizer não”. Vergonhosamente, na verdade, já são oito anos em que o governo diz “não” à soberania do Haiti.
Massacre na Síria comprova fracasso da ONU
O massacre na cidade síria de Houla, ocorrido no dia 25 de maio, com o assassinato de mais de 100 pessoas, entre as quais 32 crianças, chocou o mundo e demonstrou que o regime de Bashar al-Assad é capaz de qualquer atrocidade para manter-se no poder. É, também, a prova taxativa do que já se previa: o fracasso do cessar-fogo entre o regime e a oposição, negociado em meados de abril pela ONU e a Liga Árabe e supervisionado no terreno por observadores das Nações Unidas. Neste fim de semana, vídeos mostravam na Internet mulheres de cara tapada a desfilar em Damasco carregando cartazes que dizem: “O regime sírio nos mata, sob supervisão dos observadores da ONU” e “Banir os turistas da ONU”.
Esta também parece ter sido a conclusão do Exército Sírio Livre, constituído por desertores das forças do regime, que anunciou a sua desvinculação do plano acordado com a ONU e do cessar-fogo nele previsto, mas nunca respeitado.
A denúncia do massacre foi feita por opositores do regime, que contaram como Houla foi atingida por artilharia pesada do governo e que os assassinos pró-governo, pertencentes à milícia conhecida como “shabiha”, esfaquearam mulheres e crianças em suas casas. Após a denúncia, os observadores das Nações Unidas dirigiram-se a esta cidade, localizada na província de Homs, tradicional reduto da oposição, e encontraram os cadáveres. A oposição síria, dentro e fora do país, responsabilizou formalmente as forças do regime pelo massacre, enquanto este, como é habitual, o atribui a “grupos terroristas”.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o seu antecessor e enviado da ONU e da Liga Árabe para pacificar o país, Kofi Annan, disseram que o massacre de Houla foi uma violação terrível do direito internacional. Estava prevista uma viagem de Annan a Damasco para encontrar-se com o presidente Bashar al-Assad. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, condenou o massacre e disse que a pressão sobre o presidente sírio será intensificada.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cerca de 13 mil pessoas morreram, das quais mais de 9 mil são civis, em consequência da violenta repressão montada pelo governo de Al-Assad para impedir os protestos contra o regime iniciados em março do ano passado.
Avançar na revolução
O novo massacre só reforça a necessidade de armamento para se defender da violência do regime. O povo sírio tem o direito de decidir democraticamente os rumos de seu país e de se armar. Com armas, o exército vai se dividir, e a revolução terá chances reais de vencer. A revolução na Síria só será completa com a queda de Bashar e das elites dominantes do país.
Por outro lado, a intervenção do imperialismo não é uma solução. Se a revolução avançar, é possível que o imperialismo – via ONU, OTAN etc. - ou a Liga Árabe intervenham. Mas o objetivo deles não é fortalecer a revolução, e sim paralisá-la e destruí-la, pois o imperialismo pretende defender seus interesses econômicos e políticos, ameaçados pela revolução.
*Com MAS (Portugal)
Esta também parece ter sido a conclusão do Exército Sírio Livre, constituído por desertores das forças do regime, que anunciou a sua desvinculação do plano acordado com a ONU e do cessar-fogo nele previsto, mas nunca respeitado.
A denúncia do massacre foi feita por opositores do regime, que contaram como Houla foi atingida por artilharia pesada do governo e que os assassinos pró-governo, pertencentes à milícia conhecida como “shabiha”, esfaquearam mulheres e crianças em suas casas. Após a denúncia, os observadores das Nações Unidas dirigiram-se a esta cidade, localizada na província de Homs, tradicional reduto da oposição, e encontraram os cadáveres. A oposição síria, dentro e fora do país, responsabilizou formalmente as forças do regime pelo massacre, enquanto este, como é habitual, o atribui a “grupos terroristas”.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o seu antecessor e enviado da ONU e da Liga Árabe para pacificar o país, Kofi Annan, disseram que o massacre de Houla foi uma violação terrível do direito internacional. Estava prevista uma viagem de Annan a Damasco para encontrar-se com o presidente Bashar al-Assad. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, condenou o massacre e disse que a pressão sobre o presidente sírio será intensificada.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cerca de 13 mil pessoas morreram, das quais mais de 9 mil são civis, em consequência da violenta repressão montada pelo governo de Al-Assad para impedir os protestos contra o regime iniciados em março do ano passado.
Avançar na revolução
O novo massacre só reforça a necessidade de armamento para se defender da violência do regime. O povo sírio tem o direito de decidir democraticamente os rumos de seu país e de se armar. Com armas, o exército vai se dividir, e a revolução terá chances reais de vencer. A revolução na Síria só será completa com a queda de Bashar e das elites dominantes do país.
Por outro lado, a intervenção do imperialismo não é uma solução. Se a revolução avançar, é possível que o imperialismo – via ONU, OTAN etc. - ou a Liga Árabe intervenham. Mas o objetivo deles não é fortalecer a revolução, e sim paralisá-la e destruí-la, pois o imperialismo pretende defender seus interesses econômicos e políticos, ameaçados pela revolução.
*Com MAS (Portugal)
Contra a troika e seus planos de austeridade
Por uma frente que prepare um governo da esquerda, recuse o memorando da troika e prepare um plano de resgate dos trabalhadores e do povo
LIGA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES – QUARTA INTERNACIONAL
CONTINUE LENDO
Uma grande oportunidade
Na Grécia, construir e sustentar a Frente nas urnas e na rua
LIGA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES – QUARTA INTERNACIONAL
Os resultados das eleições gregas do dia 6 de maio refletem a enorme rejeição do povo grego aos contínuos “planos de ajuste” impostos pela troika (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional). As eleições consumaram a queda do governo de Luca Papademos, o ex-chefe do Banco Central Europeu (BCE), que a Troika impôs sem passar pelas urnas.
As eleições foram uma derrota eleitoral dos governos identificados com os duros ataques aos trabalhadores, sejam os conservadores, liberais ou social-liberais. A rejeição aos governos que atacam os trabalhadores vem sendo uma constante desde o início da crise. Como na Grécia, essa rejeição se expressou nas eleições municipais ou regionais na Inglaterra, Itália, na Alemanha e nas eleições presidenciais da França.
Os resultados gregos foram uma péssima notícia para a troika, e expressaram uma crise bem mais profunda no regime político e na institucionalidade vigente, demolindo o bipartidarismo no qual se sustentou, durante mais de 40 anos, a democracia capitalista grega.
As eleições, longe de reconduzir a situação política para a estabilidade desejada pelos partidos do regime, impuseram uma situação de “desgoverno’ e de crise de todo o regime. A democracia capitalista mostra mais sua natureza de classe. Além de não representar a vontade popular, atua, em tempos de crise, em conflito total com a vontade da imensa maioria dos trabalhadores e do povo, como demonstram as votações de aprovação do “memorando” (plano de ajuste imposto pela troika) pelo Parlamento e o governo grego, contra o 90% da população mobilizada, em greves gerais, em manifestações de centenas de milhares ou na já histórica Praça Syntagma.
Uma surra aos partidos do regime
Os partidos do regime, o social-democrata PASOK e a conservadora Nova democracia, receberam uma autêntica surra e passaram de 77% dos votos, que obtiveram nas eleições anteriores, para 32% nas últimas.
Outro aspecto das eleições foi o fortalecimento dos partidos e coalizões à esquerda da social-democracia, em especial o Syriza (frente de partidos anticapitalistas), e pela direita, como o grupo fascista Aurora Dourada.
O Syriza obteve o segundo lugar nas eleições, como 16,6% dos votos, que somados aos 8% dos votos do KKE (Partido Comunista Grego) e aos 6,1% da Nova Esquerda, somariam mais de 30% dos votos.
As alternativas de esquerda, que questionaram a entrega do país à Troika e recusaram o seu memorando, saíram respaldadas por milhões de trabalhadores gregos. Mas há também o aparecimento de Aurora Dourada, uma organização nazi-fascista que defende minar a fronteira com Turquia para impedir a imigração, e também a criação de campos de concentração para imigrantes. O surgimento do Aurora Dourada mostra a polarização social na Grécia, apesar de não ser neste momento uma opção da débil burguesia grega, nem do imperialismo. Porém, deve-se supor que tal alternativa não está totalmente descartada, principalmente se uma crise revolucionária se abrir no país.
A força desse grupo fascista não se assenta só na violência organizada e na xenofobia, mas porque surge diante do país um partido nitidamente contrário ao saque da Grécia pela UE, defendendo abertamente a saída da Grécia da zona do euro e da União Europeia.
O fracasso da “unidade nacional”
O plano da troika, da direita e da socialdemocracia na Grécia e em toda Europa é responder ao agravamento da crise com a formação de governos de “unidade nacional”. A “estabilidade” que eles querem não é mais que uma tentativa desesperada de roubar o que o povo grego conquistou com sua luta e com o resultado eleitoral. Quando chamam a esquerda a assumirem sua “responsabilidade” não estão fazendo outra coisa senão um chamado à cumplicidade com esse roubo.
Os governos de “unidade nacional” não vão tirar o povo grego nem o povo europeu da miséria. São apenas governos que tem o objetivo de garantir a aplicação dos planos de ajuste, os cortes sociais e tentar evitar uma explosão social.
A convocação de novas eleições para o dia 17 de junho é a confirmação da dupla derrota da Troika e seus lacaios gregos. Fracassaram em sua tentativa eleitoral e fracassaram em sua tentativa de formar um governo de “unidade nacional” para que nada mude.

Acatar o memorando ou sair do euro
Mediante dois “resgates” e os sucessivos planos de saque, a União Europeia vem preparando, há pelo menos dois anos, as condições para a saída da Grécia do bloco (algo que se torna mais provável conforme avançava a destruição do país e a impossibilidade de pagar a dívida) sem o arriscar o euro, preservando o sistema financeiro europeu. Não é a toa que os grandes bancos e seguradoras - alemãs e francesas, sobretudo - já tenham transferido a dívida grega à UE.
Ainda que continuem apostando em manter a Grécia dentro da zona euro, o capital financeiro não hesitará em expulsar a Grécia da UE caso não se cumpra suas “obrigações”. Neste momento, porém, a expulsão da Grécia poderia aprofundar a crise de outros países do bloco, como a Espanha, por exemplo, ou levar a Europa a uma recessão ou uma total crise política da UE.
Por isso, o governo alemão continua a chantagear a Grécia, com o apoio do novo presidente da França, François Hollande. Assim, por via do BCE e do FMI, pressionam a Grécia para que aceite o memorando e não saia da zona do euro. O novo presidente francês, em que pese seus discursos sobre “crescimento”, tem acordo nos temas fundamentais com a chanceler alemã Ângela Merkel. A tarefa de Hollande, como social-democrata, é agora tentar abrandar a Syriza, que poderá vencer as eleições do dia 17.
Para a esquerda grega não há como fugir do problema. Por outro lado, não tem sentido a proposta defendida pela direção de Syriza de se opor ao memorando, ao mesmo tempo em que defende a permanência do país na zona do euro.
A esquerda grega está diante de uma encruzilhada: Ou a expulsão da Grécia do Euro (se o Syriza não cede totalmente ao memorando ou o faz insuficientemente para as exigências alemães); ou ceder “para não ser expulso do euro” e manter durante um período a agonia do povo grego. Aceitar a segunda opção é aposta pela condenação à miséria do povo grego, e seria um suicídio político do Syriza. Além disso, permitiria um claro fortalecimento do partido fascista que teria nas mãos ficaria a bandeira da ruptura com a UE.
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Uma grande oportunidade
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Em defesa da moral proletária
Declaração frente às graves acusações contra o PSTU, a CSP-Conlutas e a LIT-QI
LIGA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES – QUARTA INTERNACIONAL
Uma corrente político-sindical do Brasil, “Unidos para Lutar”, encabeçada pela CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), que é parte da corrente UIT (Unidade Internacional dos Trabalhadores), está fazendo uma grave acusação contra o PSTU e contra a CSP-Conlutas, bem como contra nossa corrente internacional, a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional)
Segundo essa corrente, os militantes destas organizações teriam formado uma chapa de oposição (Chapa 2) no Sindicato dos Trabalhadores Químicos de São José dos Campos, em São Paulo, com o apoio da patronal, para tentar retirar da direção do sindicato uma corrente “classista” (a Chapa 1, da Unidos). Mas, como isso não fosse suficiente, segundo esse setor, a Chapa 2 teria se apresentado à Justiça, junto com a patronal da multinacional Johnson & Johnson, para pedir a demissão de cinco trabalhadores.
Para nós custava crer que tais acusações fossem verdadeiras, mas não podíamos descartá-las de antemão. Só havia uma forma de descobrir a verdade: fazer uma profunda investigação. E foi isso que fizemos com uma convicção: caso fossem verdadeiras as acusações, defenderíamos a expulsão de nossas fileiras de qualquer traidor.
Feita a investigação, porém, constatamos que todas as acusações eram completamente falsas. Ou seja, estávamos diante de um caso de calúnia.
Resultados de nossa investigação
a) Uma “chapa do PSTU-LIT” que nunca existiu.
Nossa investigação nos levou de surpresa em surpresa. A primeira delas foi descobrir que a suposta “chapa de traidores do PSTU e da LIT” não existia. Efetivamente, nas mencionadas eleições sindicais não existiu nenhuma “chapa do PSTU/LIT”.
A segunda surpresa foi descobrir que, na realidade, as duas chapas que participaram das eleições surgiram a partir de uma divisão da direção do sindicato encabeçado pela “Unidos para Lutar”. A tal ponto que nas duas chapas havia militantes do PSOL (partido no qual se insere também a Unidos).
b) O que existiu foi uma luta anti-burocrática no interior do sindicato.
O Sindicato dos Trabalhadores dos Químicos é dirigido há muitos anos pela CST (corrente do PSOL) que, a partir da ruptura com a CSP-Conlutas, em 2010, se filiou à Unidos.
Nos últimos meses, uma série de dirigentes do sindicato começou a questionar a maioria dessa direção por seu comportamento burocrático. Foi isso o que deu origem às duas chapas nas eleições.
A direção da LIT, infelizmente, não tem condições de saber todos os detalhes de como se deu essa luta no interior do sindicato e da própria Unidos. De qualquer maneira, há vários fatos que indicam que a principal crítica da oposição era correta. Vejamos alguns destes fatos:
Primeiro, a direção acusa à oposição de estar aliada à patronal, de ser traidora, etc. Essa acusação poderia ser verdadeira, mas se fosse por que não a fizeram quando estavam juntos na mesma direção do sindicato? Por que essas acusações apareceram apenas na véspera das eleições?
Segundo, durante a campanha eleitoral, a Chapa 2 (oposição) apresentou uma grave denúncia: a maioria da direção, para tomar o controle do dinheiro do sindicato, mudou a tesouraria (colocaram a um militante da CST) e, para fazê-lo, confeccionaram uma ata falsa de uma assembleia que não existiu.
A maioria da direção não respondeu a grave acusação
Terceiro, diante das acusações que faz a maioria da direção do sindicato, a oposição defendeu uma proposta muito simples: “assembleia já! Para restabelecer a verdade!” Se a maioria da direção do sindicato fosse classista, de luta e democrática, como se auto-intitula, por que então se negou a convocar uma assembleia para que a base da categoria pudesse decidir quem são os traidores?
c) A questão dos demitidos
A patronal entrou na Justiça pedindo que só 14 diretores tenham estabilidade trabalhista (anteriormente eram 41) e conseguiu que a Justiça aceitasse sua proposta a partir do qual veio a demissão de cinco diretores.
Foi fácil para a patronal ganhar na Justiça sua reivindicação, pois o sindicato não apresentou corretamente o devido recurso (perdeu o prazo legal), assim ficaram de fora os cinco diretores do sindicato que não estavam na lista dos 14 com estabilidade que a Justiça havia confeccionado.
Para tratar de reverter as demissões, o sindicato colocou na lista dos 14 nomes os cinco demitidos, coisa que a Justiça aceitou. Desse modo, os cinco sindicalistas foram readmitidos, ainda que a posteriori. Mas a patronal apresentou um recurso solicitando a anulação desta e, com isso, os dirigentes reincorporados voltaram a ser demitidos.
Parece incrível que o sindicato tenha cometido tamanho erro jurídico com graves consequências políticas, porém, o mais incrível, é que a maioria do sindicato, ao invés de reconhecer seu erro, tenha responsabilizado a oposição, o PSTU, a CSP-Conlutas e… até a LIT pelas demissões.
d) Como entrou nesta história o PSTU, a CSP – Conlutas e a LIT?
Tudo começou quando um grupo de trabalhadores químicos procurou a CSP-Conlutas para denunciar os atropelos da maioria da direção do sindicato. A CSP-Conlutas, após analisar a situação, ofereceu seu apoio a eles. No entanto, nossa investigação sobre o ocorrido nos levou a descobrir algo surpreendente.
Achamos que o PSTU e a CSP-Conlutas tinham realizado uma proposta de formar uma chapa de oposição e que isso tinha provocado a ira da maioria da direção. Mas não foi assim.
A CSP-Conlutas, diante da ofensiva patronal, (tinha conseguido na Justiça a redução dos dirigentes com estabilidade) propôs que a oposição tentasse construir uma chapa unitária, eleita de forma democrática para enfrentar com mais força à patronal, a qual deveria ser eleita em uma convenção de base ou, inclusive, em uma eleição prévia nas fábricas.
A CST/Unidos sequer respondeu a essa proposta. O que fez foi convocar, de última hora, a uma assembleia, com churrasco e cerveja (tudo pago com os fundos do sindicato), e nessa “assembleia” foi votada a antecipação das eleições, ou seja, não teria uma chapa unitária. Dois dias depois, a Chapa 1 foi inscrita. Nela foram deixados de fora todos que tinham feito críticas (entre eles, os 15 membros da direção do sindicato). Foi a partir daí que a oposição não teve outra alternativa a não ser registrar a Chapa 2, que aderiu à CSP-Conlutas.
e) A suposta “colaboração com a patronal” do PSTU, a CSP- Conlutas e a LIT para demitir cinco dirigentes.
O aspecto mais sórdido da campanha de calúnias da maioria da direção do sindicato se refere à suposta colaboração do PSTU, a CSP-Conlutas e a LIT com a patronal da Johnson & Johnson para demitir cinco dirigentes sindicais.
A atitude da maioria da direção, de colocar os cinco dirigentes na lista dos 14 para tratar de reverter suas demissões provocou muita indignação. Colocar os cinco demitidos na lista dos 14 com estabilidade significava retirar dessa lista outros cinco colegas que, ao perder a estabilidade, poderiam ser demitidos a qualquer momento.
Em uma situação como essa não se poderia descartar a hipótese de que os trabalhadores, para preservar os seus principais dirigentes, decidissem sacrificar outros colegas. Mas uma resolução tão delicada como essa só poderia ser tomada em uma assembleia ou, no mínimo, em uma reunião de toda a direção do sindicato. Mas, nem uma coisa nem outra foram feitas. A resolução de colocar os cinco nomes dos demitidos na lista dos 14 foi tomada por um setor da direção (a executiva) da qual não participavam os cinco nomes que, a partir desse momento, poderiam ser demitidos.
Dois colegas da Chapa 2, de oposição, furiosos com este novo atropelo burocrático, entraram com uma ação na Justiça questionando o pedido de mudança dos cinco dirigentes, alegando justamente o caráter antidemocrático dessa decisão.
Isso foi um grande erro destes colegas (mesmo diante do atropelo burocrático da direção), pois caso a juíza acatasse esta demanda dos dois colegas da oposição, a patronal teria legalidade para demitir novamente os cinco dirigentes.
Esse evidente erro dos dois colegas da oposição foi utilizado pela CST/Unidos para lançar sua campanha internacional de denúncias. Mas, o mais incrível desta campanha, é que ela não foi lançada contra estes dois colegas, nem contra a chapa de oposição senão centralmente contra o PSTU, a CSP-Conlutas e a LIT. No entanto, foram essas organizações que, ao se inteirar da ação apresentada à Justiça por esses dois colegas, mostraram que isso era equivocado, pois haveria de se lutar pela estabilidade de todos os colegas. Por isso, propuseram que a ação fosse retirada. O conjunto da Chapa 2 concordou com essa proposta e os dois colegas retiraram essa ação antes que ela fosse analisada pela Justiça.
Onde está a chapa do PSTU/LIT? Onde está o acordo da “chapa do PSTU” com a patronal da Johnson & Johnson?
Calúnia como arma política
As calunias sistemáticas usadas como arma políticas é uma “contribuição” do stalinismo.
O trotskismo, como corrente internacional, nasceu lutando contra as calúnias stalinistas, no entanto, a debilidade de nosso movimento fez que importantes setores do mesmo cedessem ao stalinismo no terreno metodológico a tal ponto que nossa corrente internacional, fundada por Nahuel Moreno, nasceu lutando contra as calúnias, não só do stalinismo como das organizações e dirigentes “trotskistas”.
Nahuel Moreno, em 1941, começou a militar em uma pequena organização, chamada LOR, dirigida por Liborio Justo. Pouco tempo após entrar nesta organização, Moreno fez várias críticas a Justo e, como resposta, por meio de um boletim, Liborio Justo anunciou que Nahuel Moreno tinha sido expulso da LOR por ser “infiltrado da polícia”. Essa calúnia fez que o jovem Moreno (com 18 anos na época) entrasse em uma profunda crise que até mesmo o levou a pensar, como relatou depois, seriamente em suicídio.
Possivelmente foi essa uma das razões que levaram a Moreno, durante toda sua vida, a lutar tanto contra as calúnias no interior do movimento trotskista. A tal ponto que quando fundou nossa organização internacional, a LIT, o fez enfrentando outra campanha de calúnias, desta vez de um dirigente trotskista, Pierre Lambert, que acusava ao peruano Ricardo Napurí de roubar dinheiro do seu partido.
Qual é o papel da CST e da UIT nessa campanha de calúnias?
Todas as organizações revolucionárias estão submetidas a tremendas pressões. Por isso não podemos nos assustar quando surge nelas todo tipo de desvios. Nas seções da LIT, por exemplo, têm existido desvios burocráticos em sindicatos dirigidos por nossos camaradas. Têm ocorrido problemas morais envolvendo dirigentes, como casos de calúnias, roubo, machismo….
Nossas organizações não vivem em uma redoma de cristal. Estão submetidas a todas as pressões da sociedade capitalista em decomposição na qual vivemos, e por isso há muitos camaradas, e inclusive organizações, que sucumbem a essas pressões.
Mas nós não julgamos as organizações, nacionais ou internacionais, em função dos problemas que nelas existam, por mais grave que sejam estes problemas. As julgamos pelo que elas fazem para enfrentar esses problemas.
Por exemplo, há uns quatro anos atrás, o PSTU atuava no sindicato dos Químicos de São José dos Campos. Um importante quadro do partido (chegou a ser da direção nacional do PSTU) estava na direção do sindicato. Este colega fez um acordo com a patronal para deixar a empresa em troca de uma importante quantidade de dinheiro. Isto é, vendeu a patronal o seu mandato sindical, que não era de sua propriedade, mas sim dos operários que a tinham o eleito.
A direção do PSTU, com o apoio da LIT, o expulsou de suas fileiras. É por isso que nós temos orgulho do PSTU. Não porque no PSTU não existam problemas. Temos orgulho de nossa seção brasileira pela forma como enfrenta esses problemas.
Agora, cabe que nos perguntemos: o que vai fazer a CST e a UIT com seus militantes que estão à frente do sindicato dos químicos? Que tipo de punição receberão por essa campanha de calúnias que realizam a nível nacional e internacional? Que punição receberão por falsificarem uma ata para tomar controle do dinheiro do sindicato? É impossível que façam alguma coisa porque é a CST no Brasil e a UIT a nível internacional que estão à frente dessa campanha de calúnias.
Constatar esta realidade doeu, mas não nos surpreendeu. Doeu porque não tínhamos perdido a esperança que essa organização internacional tivesse aprendido alguma lição de suas ações no passado. No início da década de 90, os atuais dirigentes da UIT estiveram entre os que, na Argentina, romperam com o MAS, o principal partido trotskista do mundo nesse momento, com uma metodologia stalinista. Para concretizar essa ruptura ocuparam de forma violenta as sedes do MAS e se apropriaram delas. No Brasil não ocuparam as sedes, mas também utilizaram uma metodologia depreciável: para dividir o partido construíram uma fração secreta.
A UIT, que se constituiu após estes fatos, nasceu marcada por esta metodologia do “vale tudo”.
Um chamado à reflexão
Até pouco tempo atrás, a direção da UIT reivindicava a LIT, apesar de muitas diferenças. Durante vários meses estivemos diante da possibilidade de unificar nossas organizações. Agora, a UIT está à frente, a nível internacional, de uma campanha de coleta de assinaturas para denunciar a LIT e o PSTU como uma organização de traidores.
Perguntamos a eles: como é possível que em tão pouco tempo uma das mais importantes organizações trotskista-morenista do mundo se tenha transformado em uma organização de traidores? Como é possível que essa mudança tenha se dado sem a existência de uma feroz luta fracional no interior destas organizações? Qual é a explicação marxista que a direção da UIT dá a essa transformação? Nenhuma. Limita-se a juntar assinaturas para condenar os “traidores” do PSTU, LIT e a CSP-Conlutas.
O PSTU tem levado a público os fatos ocorridos no Sindicato dos Químicos. Qual tem sido a resposta da CST e a UIT? Nenhuma. Limitou-se a seguir denunciando, alegremente, os “traidores” do PSTU, LIT e da CSP-Conlutas.
Como é possível a UIT não responder às graves acusações que estamos lhe fazendo? Desafiamos à direção da UIT que se pronuncie sobre o que estamos dizendo.
Afinal, é verdade ou mentira que, entre os trabalhadores químicos e nas eleições sindicais desse sindicato não havia nenhum militante da suposta “chapa do PSTU/ LIT”? É verdade ou mentira o questionamento de um importante número de dirigentes sindicais sobre a condução da maioria do sindicato, que é da CST/UIT? É verdade ou mentira que esta direção foi questionada, entre outras coisas, porque falsificaram uma ata de uma assembleia que não existiu para tomar o controle do dinheiro do sindicato?
É verdade ou mentira que a CSP-Conlutas e o PSTU propuseram à maioria da direção formar uma chapa unitária, eleita democraticamente na base, para enfrentar com mais força a patronal que queria demitir vários dirigentes do sindicato? É verdade ou mentira que os militantes da CST se negaram a formar uma chapa unitária e democrática para enfrentar às demissões da patronal? É verdade ou mentira que, no momento em que dois membros da oposição apresentaram uma ação à Justiça, que poderia chegar prejudicar muitos colegas, o PSTU e a CSP-Conlutas afirmaram que era preciso defender todos os colegas e que, portanto, tinham que retirar essa ação? É verdade ou mentira que a partir da intervenção da CSP-Conlutas e do PSTU, toda a oposição concordou com essa proposta e que os dois colegas retiraram sua ação na Justiça? É verdade ou é mentira que a oposição, o PSTU e a CSP- Conlutas, frente à campanha de calúnias, propuseram que se faça uma assembleia para restabelecer a verdade? É verdade ou mentira que a maioria da direção do sindicato se negou a convocar a essa assembleia?
A direção da UIT tem a obrigação de responder a essas perguntas, pois, ao não respondê-las, a própria UIT estará se condenando como uma organização de caluniadores.
Os colegas e amigos da UIT, que assinaram a campanha contra o PSTU e a LIT, sem ter um real conhecimento dos fatos, devem fazer uma reflexão sobre o que fizeram. Ninguém pode ser criticado por assinar uma determinada declaração por confiança política. Mas o que estão assinando não é uma simples declaração. É uma campanha de calúnias inadmissível que atenta contra a moral proletária.
Após ler essa declaração os colegas que, com sua assinatura, respaldaram essa campanha de calúnias saberão como proceder. Aqueles que continuarem opinando que as denúncias contra o PSTU e a LIT são verdadeiras, pedimos apenas – ou melhor, exigimos - que respondam às perguntas mencionadas acima dirigidas à direção da UIT.
Comitê Executivo Internacional da LIT-QI
Maio de 2012
Desaparecida militante da LIT-QI no Equador
No dia 28 de abril, às 2h, desapareceu a companheira do
Partido Socialista dos Trabalhadores da Colômbia, Carolina Garzón, na cidade de
Quito, Equador. O PST é a seção colombiana da Liga Internacional dos
Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI), partido-irmão do PSTU.
O fato ocorreu próximo a sua hospedagem,
localizada na rua principal, quarta escada, bairro Paluco ( ao lado da avenida
Rumiñahui, entre o trevo e a ponte do Bairro Orquídeas), em Quito. Desde então,
não se tem conhecimento sobre seu paradeiro.
Carolina Stephany Garzón Ardila, de nacionalidade
colombiana, tem 22 anos de idade, de pele branca, olhos castanhos claros,
sobrancelhas grossas, 1,55 m de altura, cabelo castanho claro ( tem as laterais
raspadas, costuma se pentear com trança e tem um rasta na parte de trás do
cabelo). No dia de seu desaparecimento, vestia calça jeans azul escura, uma
camiseta verde claro e botas pretas com um cordão verde e outro rosa. Tem em
seus dois braços várias pulseiras tecidas em macramê e uma de contas com seu
nome em letras brancas sobre fundo preto. Usava um brinco com vários pedaços
pequenos e um palito fino amarelo em sua outra orelha. Às vezes, sofre de
pressão baixa.
No dia de seu desparecimento disse a seus
companheiros que iria visitar o Museu de Arte Contemporânea e saiu deixando
todos os seus pertences em casa (carteira, documentos, câmera fotográfica,
caderno de anotações e bolsa), sendo que sempre levava consigo tais objetos.
Carolina Stephany Garzón Ardila é estudante de
licenciatura básica com ênfase em educação artística na Universidade Distrital
Francisco José de Caldas – Bogotá, Colômbia. Trabalha como jornalista do jornal
El Macarenazo da mesma universidade e é militante e dirigente do Partido
Socialista dos Trabalhadores (PST). Também atua na Unidad Estudiantil, MANE e
na Coordinadora de Solidaridad com los Sectores em Conflicto.
Durante sua estadia em Quito, junto com outros
jovens, realizou viagens a cidades como Ambato, Baños e Riobamba. Como meio de
sustento, trabalhou com venda de artesanatos e chocolates em diferentes zonas
da cidade, especialmente na Pontifícia Universidade Católica do Equador e, às
quintas, sextas e sábados encenava teatro de rua na Rua La Ronda.
Até a data, amigos e familiares de Carolina
tomaram as seguintes iniciativas, a fim de encontrar seu paradeiro:
Em 2 de maio, formalizaram denúncia por
desaparecimento junto à Fiscalía Provincial de Pichincha (expediente fiscal
714-2012-10007-AA-DP-CAS), sendo designado o cabo da polícia Freddy Anchaluiza
para a realização das investigações permanentes. Em 4 de maio, o cabo tomou
depoimento dos colegas de quarto de Carolina e se dirigiu ao local para
proceder inspeção.
Saiba
como ajudar:
Pedimos, por favor, a solidariedade de todos os
militantes de esquerda e de todos os trabalhadores e jovens para que
encontremos nossa companheira. Pedimos que enviem emails à Embaixada da
Colômbia em Quito, pedindo que atuem no caso, através dos endereços:
Maria.Holguin@cancilleria.gov.co
Maria.Salas@cancilleria.gov.co
equito@cancilleria.gov.co
Com cópia para:
waltergarzon55@gmail.com
Informações nos seguintes telefones:
Colômbia
Walter Garzón (57) 312 5750215
Irene Restrepo Ardila (57) 300 6605709
Equador
Flor Ardila (593) 94889399
Miguel Merino (593) 84384623
Saiu a revista Correio Internacional número 7 - Boletim LIT-QI nº 199
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