Em meio à crise política nacional, governistas implodem o 8 de março carioca


por Natália Conti, Rio de Janeiro.

Como já é tradição, a esquerda se reúne todos os anos para organizar o ato do 8 de março na cidade, espaço e data que reafirmam a luta contra o machismo e pautam questões que atingem as mulheres, no sentido de abrir um diálogo com a população a respeito dos temas. 
Várias reuniões foram feitas até que fosse definido o eixo político e a data do ato. Costumeiramente, a polêmica é grande, também devido às diferentes concepções de feminismo expressas na frente organizadora. Houve, no entanto, depois de exaustiva discussão política, consenso em torno do eixo “Nenhum direito a menos: pela legalização do aborto e contra a violência do Estado” na terça-feira, 24.
A reunião da quinta-feira do dia 26 seria organizativa, para definir trajeto, estrutura e detalhes do ato. No entanto, com um discurso de que a unidade não existia de fato entre os setores e que o consenso não era real, uma companheira da Marcha Mundial de Mulheres rompe com o ato em unidade, tendo puxado uma fila na qual seguiram as correntes Consulta Popular, Levante Popular da Juventude, CAMTRA, LBL e Insurgência (PSOL). Protagonizaram aquilo que foi um golpe às vésperas do 8 de março, fato que fragiliza a visibilidade da luta das mulheres na cidade neste momento. Ainda que o nosso esforço tenha sido construir a unidade na diferença, tendo em vista o recrudescimento da ofensiva machista, o movimento de ruptura se deu também em outros estados por parte da Marcha Mundial de Mulheres.

O que está por trás do discurso de unidade e consenso?
Adentramos o ano com uma crise política que deixa o governo Dilma e o PT pisando em ovos, juntamente com um pacote de ataques à classe trabalhadora, em especial políticas que atacam os direitos das mulheres. Vivemos também a crise energética, crise da água e carestia de vida, não é por acaso que presenciamos este fato na frente de organização do 8 de março. As coisas não estão boas para o lado da Dilma, e qualquer coisa que soe como críticas ao governo não será tolerada pelos governistas nos espaços do movimento. 
Sistematicamente temos nos enfrentado com este discurso de que o governo Dilma não deve ser o principal foco de combate no movimento feminista, e que questões que passam longe da crise econômica e da crise política devem ser adotadas como eixo. Outro discurso perigoso é o de que o 8 de março deve pautar apenas questões que digam estritamente sobre a vida das mulheres, que em nenhuma medida sejam “gerais”, como se isso fosse possível.  A imposição desses temas se combina com a necessidade de que o consenso seja o método político adotado pelos espaços de discussão, e toda divergência apresentada é taxada de tentativa de inviabilizar as atividades e de dissidência não-construtiva. 
Queremos dizer às companheiras que, para nós, não só não é suficiente uma mulher no governo para que o combate ao machismo avance, como também não seremos intimidadas no momento de questionar para onde vai o governo brasileiro. É muito sério que os direitos estejam sendo cada vez mais arrochados, a inflação corroendo os salários e diminuindo o poder de compra da população, as MP’s 664 e 665 assaltando direitos de Seguridade, um escândalo de corrupção misturado à crise da água e da energia em vários estados, uma bomba atômica na vida da classe trabalhadora brasileira.  
Imputar às feministas antigovernistas a pecha de sectárias e inconsequentes é dar ao debate da unidade um caráter mecânico, burocrático e autoritário, onde as diferenças não podem ser expressas. Dizemos que a responsabilidade pela ruptura do ato é das governistas, que não compreendem a necessidade de fortalecer a luta feminista em um momento de ataques e de ofensivas conservadoras (como a CPI do aborto no Rio de Janeiro), e em despeito disso preferem seguir fortalecendo as colunas do governo. Lamentamos também a (im) postura da Insurgência (PSOL) frente a este golpe, e convidamos as companheiras a refletir a respeito da importância em construir esta unidade.

Por um 8 de março feminista, classista e contra os ataques do governo
Apesar desses acontecimentos, o PSTU, desde a CSP-Conlutas e o Movimento Mulheres em Luta (MML) vai construir atividades que contestem a política de austeridade imposta pelo governo, pautando a necessidade de que as mulheres trabalhadoras se organizem para atuar e assumir a linha de frente nas lutas do cenário que surge. 
Diferente de um discurso que prega um “exclusivismo” das pautas “estritamente” para mulheres, defendemos que estas devem construir seus bastiões de luta feminista em conjunto com a classe trabalhadora, ganhando os homens para o combate ao machismo, os educando e também protagonizando as lutas desta classe. Não é possível superar as contradições vividas pelas mulheres sem que as contradições de classe também sejam enfrentadas. Por essa razão, construiremos no 8 de março uma intervenção feminista, classista, contra o conservadorismo da oposição de direita e contra os ataques do governo.


  • Organizar as mulheres para lutar, pela legalização do aborto já! 
  • Chega de violência! 1% do PIB para o combate à violência contra a mulher!
  • Nenhum direito a menos! Todas na luta contra a carestia de vida e os ataques aos direitos da classe trabalhadora, que muito afetam a vida das mulheres!

Defender a Petrobras é defender uma empresa 100% estatal e os direitos dos seus trabalhadores


Enquanto os trabalhadores do Comperj percorriam Brasília para obter apoios na sua luta pelo pagamento de direitos, Lula defendia o governo Dilma/PT em ato na ABI, supostamente em defesa da Petrobras.

Por Cristina Portela, da redação.

Uma comissão de trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) esteve em Brasília na última semana de fevereiro com o objetivo de convencer o governo Dilma a intervir para que os seus salários e direitos, suspensos há mais de três meses, sejam pagos. Na capital, eles acamparam em frente ao Congresso Nacional, reuniram-se com parlamentares e representantes do governo. No dia 25, foram recebidos pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que se comprometeu a reunir representantes da empresa, do sindicato de trabalhadores, da Petrobras e do poder judiciário para no dia 9 de março, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro. A finalidade do encontro é obter um acordo para acelerar o pagamento dos direitos devidos aos trabalhadores.
Durante a estada em Brasília, a comissão participou também do 34º Congresso do Andes Sindicato Nacional e do ato de lançamento da campanha salarial dos servidores públicos federais.
Desde o final do ano passado que 2.400 funcionários da Alumini Engenharia, empresa que presta serviços no Comperj, estão sem receber salários, além de outros 469 demitidos que não tiveram os seus direitos pagos. A Alumini responsabiliza a Petrobras, enquanto esta lava as mãos e diz que não tem nada com isso. Nessa queda de braço, quem paga o pato são os trabalhadores.
Esses, ao contrário dos corruptos e corruptores investigados pela Operação Lava Jato, não são marajás. Segundo Natália Russo, diretora do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro), eles ganham entre 1.400 (pedreiros, carpinteiros, etc.) e 5.000 reais (soldadores, encarregados, etc.) por mês e, sem dinheiro, já estão passando dificuldades e têm as suas prestações em atraso. Uma boa parte desses trabalhadores foi recrutada fora do Rio de Janeiro, em especial no Pará e na Bahia, mas também no Maranhão, em Pernambuco e Alagoas, o que agrava ainda mais a situação.
A luta desses trabalhadores, cujo marco foi a passeata pela ponte Rio-Niterói em 10 de fevereiro último, tem recebido a solidariedade da sua classe. Entre as entidades sindicais que estão a ajudar  destaca-se a Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff), que contribuiu com 120 cestas básicas. A diretora do Sindipetro conta que, em apenas uma hora durante o período de almoço dos petroleiros do Centro Administrativo da Petrobras, no Edifício Ventura, centro do Rio, foram recolhidos 869 reais.
A CSP-Conlutas prossegue a campanha “SOS Comperj: os trabalhadores não pagarão pela crise”, numa iniciativa que visa também os outros desempregados do Estado. O objetivo é unificar a luta contra as demissões e ampliar a frente de solidariedade aos trabalhadores do Comperj, da qual fazem parte, entre outras entidades, o Sindipetro-RJ, o Sindipetro-Caxias, o Sindicato dos Metalúrgicos, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), Aduff, Andes Sindicato Nacional, além de parlamentares do PSOL. A onda de demissões que começou – calcula-se que já há 20 mil desempregados no país em consequência do escândalo de corrupção da Petrobras - precisa ser travada com a unidade e a luta dos trabalhadores, a exemplo da Volks do ABC paulista e da GM de São José do Campos.

Em Brasília, durante o acampamento em frente ao Congresso Nacional, os operários do Comperj receberam o apoio do Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal, Andes Sindicato Nacional, Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel), entre outras entidades.

Operários do Comperj param a cidade pelo pagamento de seus salários


Operários das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) realizaram uma grande manifestação nesta terça-feira, fechando a Ponte Rio-Niterói. O protesto foi mais um episódio desta queda de braço que se estende desde o fim do ano passado, com diversas tentativas de negociação e atos realizados.

O atraso dos salários dos trabalhadores e o não pagamento dos direitos trabalhistas aos 469 demitidos e de cerca de 3 mil funcionários da Alumini Engenharia, empresa que presta serviço no Comperj, foi a gota d’água para estes trabalhadores que já enfrentam há anos o descaso do governo e dos patrões, que fecham os olhos para as condições de humilhação a que são submetidos estes operários há anos.

A construção do Comperj é parte da expansão da Petrobrás e bilhões de reais já foram investidos nesta obra. Agora com o escândalo da Petrobrás na Operação Lava Jato as empreiteiras que comandaram toda a roubalheira dos cofres públicos agora querem descontar nos trabalhadores. O impacto causado pela manifestação de ontem mostra a força dos operários e sua disposição para continuar a luta por seus direitos.

Declaramos total solidariedade aos operários do Comperj, que lutam para receber seus salários atrasados e por uma vida digna. É inadmissível que a empreiteira não cumpra com suas obrigações trabalhistas básicas e deixe centenas de famílias abandonadas a própria sorte. O lucro destas empresas não pode estar acima dos direitos dos trabalhadores.

A Petrobrás e o governo federal, por sua vez, não podem se omitir do caso, porque afinal de contas, o Comperj é um projeto de sua responsabilidade e interesse. A presidente Dilma, que em sua campanha eleitoral prometeu não retirar direitos e garantir o emprego, tem se calado diante desta situação.

Por último, a manifestação ocorrida no dia de ontem foi uma ação espontânea desses trabalhadores que já não suportam mais essa situação. Queremos deixar claro que não foi o PSTU que organizou o ato na Ponte Rio-Niterói, mas entendemos e apoiamos esses operários que não tem outra saída a não ser chamar a atenção da sociedade para a injustiça e a exploração sem limite que ocorre dentro do Comperj.


Direção Municipal PSTU-Rio

Pelo carnaval de rua livre, autêntico e não mercadológico

Por Rafael Nunes, do Movimento Luta Popular 


Não existe expressão maior de liberdade para o Carioca que não seja a palavra “Carnaval”. No fim de semana anterior que precede a folia, nos dias oficiais em que as ruas estão tomadas e no final de semana seguinte derradeiro, as pessoas largam suas mascaras em casa, deixam apenas de existir e passam a “ser”!

O tempo corre diferente, mas é pontual, o bloco nem sempre espera! A fanfarronice é caprichosa e exige um planejamento, um trabalho de fantasias dos pés até a cabeça, investimentos em confetes, serpentinas e todos dão duro na alegria de chegar até o final do cortejo. Depois todos se abraçam e já combinam o próximo bloco, cordão ou rancho, que pode sair a qualquer momento. Todos se apressam!

Os melhores dias do ano precisam ser aproveitados plenamente. As pessoas sentem-se livres, dançam em qualquer avenida (a espontaneidade afloresce), bebem já pela manhã, emendam madrugadas, urinam em plena segunda na porta do edifício do trabalho; sente-se um clima de amizade e de interações coletivas, tudo parece como deveria ser.

Onde existem multidões existe oportunidade! Assim funciona nossa sociedade e nada parece ser completamente livre num sistema de antagonismos sociais. Para se pensar o maior espetáculo do mundo, o carnaval oficial das grandes escolas, é só nos remetermos a um corajoso e imortal samba do Império Serrano de 1982. “Super Escolas de Samba S/A, Super-alegorias. Escondendo gente bamba. Que covardia! Bum, bum paticumbum prugurundum. O nosso samba minha gente é isso aí”. 

Infelizmente os blocos de carnaval, que ganharam força a partir de seus próprios ideais de liberdade, também sofrem essa nociva pressão mercadológica. Esse ano, o novo salto de qualidade veio com a divulgação de festas privadas, nos dias oficiais de carnaval, com ingressos caros, dentro do ex-Maracanã (desfigurado e privatizado). E para nossa surpresa consta um bloco alternativo como uma das atrações. 

No ano passado, do dia para a noite, criaram-se blocos que nunca haviam desfilado, venderam abadás e prometeram colocar cordas para preservas foliões privilegiados do restante das massas. Ocorreu uma revolta, que partiu da consciência de ideário de carnaval de rua, pelos Cariocas e assim o Prefeito foi obrigado a baixar um decreto proibindo esse tipo de comercialização. 

Sem dúvida uma grande vitória da luta contra a mercantilização do carnaval. Parcial, pois essa mesma prefeitura financia blocos temáticos de rock, funk, covers, e outras sandices turísticas com generosas somas de recursos financeiros, enquanto os blocos tradicionais, que tocam as eternas marchinhas de carnavais ficam relegados às cotizações dos próprios foliões. Sem contar que essa mesma instância governamental ainda faz uma série de exigências para autorizar os desfiles dos blocos, que na prática os tira da rua, contribuindo ainda mais para a elitização da festa e a busca por grandes patrocinadores, que emporcalham as ruas com suas logomarcas.

Muita coisa está errada, mas o carnaval popular do Rio de Janeiro, de Rua, ainda é livre e a maioria dos seus blocos auto financiados e autênticos, na tradição musical e nos desfiles. A alegria, a emoção e a liberdade mais uma vez se farão presentes com os blocos familiares de Vila Isabel ou da Grande Tijuca, os da alegria autêntica do subúrbio e da baixada, em especial os de Madureira, os fabulosos da Região Portuária, onde sempre relembramos a farsa da democracia racial, os imprescindíveis blocos livres do Centro, com destaque o nosso Cordão do Boi Tolo, que luta contra a mercantilização do carnaval de rua, Embaixadores da Folia, Prata Preta e o Bloco Secreto, os blocos encantados de Santa Teresa e Laranjeiras, os muitos e maravilhosos blocos históricos e tradicionais da Zona Sul.

29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans

Por Jessica Milaré, travesti, da secretaria Lgbt paulista do Pstu.


35 anos. Essa é a expectativa de vida de uma travesti. A nossa sociedade não respeita as pessoas trans, como travestis e transexuais. Por isso, essas pessoas são constantemente expulsas de suas próprias casas, das escolas e do mercado de trabalho e acabam indo parar na prostituição, na maioria das vezes desde a adolescência. 

Se isso não bastasse, são vítimas constantes de agressão pelos seus clientes, que as tratam como objeto de consumo, não como seres humanos. São ridicularizadas pela mídia e pelos humoristas. Muitas vezes, para suportar o sofrimento, envolvem-se com drogas ilícitas e acabam sendo alvo da violência policial. São pessoas invisíveis!

O dia 29 é um dia de denúncia da violência que atinge essas pessoas e das condições precárias em que vivem. Um dia de luta pelo direito à livre identidade de gênero, pelo direito à mudança do nome e do sexo no registro civil. Um dia de luta pelo fim de toda violência transfóbica e travestifóbica.

Trabalhadores da saúde se mobilizam contra o desmonte da saúde federal no RJ

Trabalhadores da Saúde Federal
 novamente no NERJ 
Dirley Santos , da Redação

Os trabalhadores da Saúde Federal do Rio de Janeiro, estiveram, na manhã desta quarta-feira (14/01), novamente no NERJ (Núcleo Estadual do Rio de Janeiro) exigindo explicações do governo federal frente a estadualização-privatização. 

A mobilização dos trabalhadores arrancou uma audiência com representantes do Ministério da Saúde. De acordo com Cíntia Teixeira, trabalhadora da saúde e militante da CSP-Conlutas/RJ, "O governo desmentiu a estadualização, mas nós cobramos uma nota oficial contra a entrega para as OS's". também foi exigida uma posição contra o despejo do núcleo sindical dos servidores do Hospital Cardoso Fontes. 

Ainda segundo Cíntia "o governo federal tem que assumir a sua responsabilidade perante o sistema público de saúde", pois está claro que o atual sistema de regulação de leitos não funciona e por conta disso pessoas estão morrendo nas UPA's.

A categoria realizará nova assembléia no dia 22/01 (5a feira) para organizar a campanha salarial deste ano e a continuidade da luta contra estadualização-privatização.

Fotos: Cíntia Teixeira

Trabalhadores da Saúde Federal
protestam em frente ao NERJ

Trabalhadores da Saúde Federal em audiência com o governo federal


Lutaremos! Visando a privatização, governos realizam manobra e atacam a saúde federal

CSP-Conlutas/RJ 

O governo federal em parceria com o governo estadual do RJ fazem uma manobra em estadualizar os 6 hospitais federais entregando a gestão para as OSs ou fundações. Há dois anos a CSP-Conlutas e Fórum de Saúde seguem denunciado os contratos com as OSs que somam por ano 2 bilhões de reais.

E o que vemos é a continuidade com faltas de leitos e demora nos atendimentos ambulatoriais e cirurgias. Falta de insumos e manutenção das edificações das unidades, e farsa do sistema SISREG (Sistema de Regulação de Internações).

A luta contra a EBSERH vem fortalecendo trincheiras sendo necessário que os trabalhadores se reorganizem para barrar mais esta tentativa de privatização.

Ato dos trabalhadores do Hospital de Ipanema contra a privatização (6/01/41)

Confira abaixo a matéria de O Dia do RJ:

Transferência para o estado de hospitais federais de Rio está sendo negociada
Pezão discute com ministro da saúde detalhes relacionados ao repasse de fundos para o manutenção das unidades

Por Fernando Molica

Rio – A transferência ao estado dos seis hospitais federais de Rio está sendo negociada pelo governador Pezão e o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ambos concordam com a medida, mas ainda discutem detalhes relacionados ao repasse de recursos do ministério e serviço das unidades.

O orçamento anual dos seis hospitais — Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores — chega a R$ 4,5 bilhões. O estado quer garantir o recebimento desta verba por muitos anos.

Problemas
Apesar do orçamento generoso, os hospitais federais enfrentam muitos problemas — 600 de seus leitos foram fechados nos últimos anos, obras intermináveis prejudicam o atendimento no Andaraí e em Bonsucesso.

Contrato de gestão
A administração dos hospitais caberia a organizações sociais (como o caso do Instituto do Cérebro) ou à Fundação Saúde, ligada ao estado. Haveria um contrato de gestão para determinar metas a serem cumpridas.

Integração
Pezão quer uma integração entre as redes federal, estadual e municipal; não está descartada a possibilidade de o estado ficar também com institutos como o de ortopedia (Into). Pela proposta, a prefeitura ficaria com o atendimento básico: em 2015, receberia do Estado os dois postos de atendimento e poderá assumir os hospitais Rocha Faria e Albert Schweitzer.

Reunião
No dia 7, Chioro, Pezão e Eduardo Paes terão uma reunião em Brasília.

Saiba mais http://cspconlutas.org.br/

2015: ano novo, velhos problemas

Para banqueiros e empresários bilhões!

Para os trabalhadores insegurança, aumento de tarifas, arrocho e demissões!

Foto de Sandro Vox (O Dia)

Nem bem o ano se inicia e, nós, trabalhadores, só temos péssimas notícias. O governo Dilma, para atender aos banqueiros ou para pagar a dívida baixou um tarifaço na energia elétrica, elevação de juros, mini-reforma na Previdência Social, ameaça de abertura do capital da Caixa Econômica Federal, demissões em massa na indústria e montadoras.

Aqui no Rio de Janeiro, não é diferente. O governador Pezão anuncia cortes de 25% no orçamento dos serviços públicos. Só estarão preservadas as despesas com as obras das Olimpíadas. A saúde, educação e saneamento vão minguar ainda mais no nosso estado.  

E , para piorar, do dia para a noite se anuncia aumento da passagem de ônibus para R$3,40. O principal argumento de Eduardo Paes é a necessidade de custeio da implementação de ar condicionado nos ônibus, e a manutenção da gratuidade para idosos e estudantes.

O que Paes não diz é que os empresários do transporte nunca ganharam tanto: só de impostos foram 69 milhões por ano (33 milhões de ISS e 36 de IPVA).

Para nós ,trabalhadores, não há nenhum refresco. Os reajustes dos últimos 20 anos superam a inflação do período. Aqui no Rio, a tarifa custava R$ 0,35 em julho de 1994, quando o plano Real entrou em vigor. Levando em consideração a inflação acumulada desde então, a passagem deveria estar em R$ 2,12. Mesmo assim, os serviços estão cada vez piores, com ônibus lotados, calor e acidentes constantes, colocando os passageiros e trabalhadores do transporte sob risco de morte, como mostra o acidente gravíssimo com o trem da supervia, que deixou 200 feridos.

Transporte público é um direito: com qualidade e livre acesso

Infelizmente, na mão de empresários, o sistema de transporte vira um grande negócio. Para os governos os lucros milionários dos donos de empresas são sagrados. É preciso mudar as regras desse jogo.  O aumento de tarifas já atinge 11 capitais e em todas elas estão sendo organizadas manifestações. A unidade é fundamental neste momento para reverter o aumento das passagens!
Aqui no Rio, a Manifestação será realizada no dia 09, próxima sexta-feira, a partir das 17h, na Cinelândia.
  • Nenhum aumento nas passagens!
  • Passe-livre para estudantes e desempregados, rumo à tarifa zero!
  • Auditória pública nas contas das empresas de ônibus!
  • Estatização do transporte público sobre controle dos trabalhadores!

Não à estadualização dos hospitais federais!

Através de uma manobra dos governos federal e estadual, estão propondo estadualizar os 6 hospitais federais do RJ: Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores, com a possibilidade ainda do Into ser incluído nessa lista.

O governo do estado é disparado o pior entre os três níveis que compõem o sistema público de saúde, tanto no atendimento à população como para os servidores. A administração do estado, não custa lembrar, é responsável pelo fechamento do Iaserj e do Hospital São Sebastião, no Caju. No estado, são poucos os servidores estatutários, já que as OS, fundações e cooperativas respondem hoje por grande parte das administrações das unidades. Atualmente, a soma desses contratos totaliza R$ 2 bilhões de reais.  Na prática, a estadualização significará a privatização da gestão das Unidades, permitindo correr ainda mais dinheiro para as mãos das OSs – Organizações Sociais “sem fins lucrativos”  e Fundações.
É fundamental barrar esta que parece ser uma “simples mudança” de gestão, pois impacta a vida de milhões de pessoas e a situação funcional de milhares de servidores.  
Chamamos a unidade de todos os Sindicatos e entidades do movimento . Não admitiremos mais este ataque dos governos Dilma e Pezão. A SAÚDE FEDERAL NÃO ESTÁ A VENDA !!

Uma resposta a Magnoli: O PSTU faz oposição de esquerda e classista ao governo Dilma (PT)

Em recente artigo no jornal O Globo, o articulista Demétrio Magnoli afirmou que o PSTU seria “uma sublegenda informal do PT”. Neste texto esclarecemos nosso posicionamento sobre o governo do PT e respondemos ao jornalista, que costuma não ter nenhum rigor com as informações que veicula.






O PSTU posicionou-se pelo voto nulo no 2º turno das eleições presidenciais por não considerar o voto no “mal menor” um voto útil para a classe trabalhadora. Claro está que a oposição de direita, Aécio Neves (PSDB), nunca foi e nunca será solução para a classe trabalhadora, justamente por ser representante mor dos banqueiros. Mas, alertávamos então, que as alianças e compromissos do PT com banqueiros, empreiteiras, multinacionais, agronegócio e inúmeros partidos e personalidades de direita, não apenas impediriam as mudanças que a maioria dos trabalhadores, do povo e da juventude necessita, como levariam a cortes nos gastos sociais para beneficiar banqueiros e empresários. Jogariam a crise, mais uma vez, sobre as costas dos trabalhadores, com arrocho nos salários, demissões e retirada de direitos. Votar em Aécio ou Dilma seria legitimar esses ataques ou nutrir a ilusão de que as coisas poderiam ser melhores, em vez de preparar-se para a luta enquanto eles preparavam o assalto ao bolso dos pobres para dar aos ricos.

Dilma ganhou as eleições por pouco, apelando para um discurso à esquerda, buscando o voto dos trabalhadores, dos pobres, dos oprimidos, “contra os banqueiros”, prometendo que não mexeria em direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”.

O 2º mandato de Dilma (PT) mal começou, porém, e sua prática demonstra que o discurso da campanha só visava ganhar votos e as eleições. O ministério escolhido por Dilma está todo montado para retirar dinheiro dos pobres para dar aos ricos. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do Bradesco, serviria como uma luva também a um governo Aécio Neves, ou qualquer outro do PSDB. O ministro da Educação, Cid Gomes, é escolado em aviltar os professores já tão maltratados por todos os governos há tanto tempo. É dele a frase, proferida aos professores do Ceará, de que professor deveria trabalhar por amor e não por salário. Por aí logo vamos ver o real significado do bordão lançado por Dilma em seu discurso de posse: “Brasil, pátria educadora”. A ministra da Agricultura é Kátia Abreu, uma das maiores expoentes do agronegócio no Brasil.

As primeiras medidas tomadas significam tirar R$ 18 bilhões do bolso dos trabalhadores e dos pobres para dar aos banqueiros. Diga-se de passagem, nesta tarefa estão empenhados os governos das três esferas, independente dos partidos, ou seja, presidente, governadores, prefeitos e seus respectivos legislativos. Os aumentos de passagens de ônibus e de tarifas são outro assalto aos nossos bolsos.

A primeira medida do governo Dilma retira direitos trabalhistas e previdenciários: restringe o seguro-desemprego, ataca as pensões, o abono salarial e o auxílio-doença. Retira R$ 18 bilhões, montante igual a 70% de todo dinheiro destinado ao Bolsa Família no ano passado,  para aumentar o dinheiro a ser destinado ao pagamento de juros da dívida pública aos bancos. Da mesma maneira como fazia o PSDB quando era governo, o PT diz que não está retirando direitos, apenas “corrigindo distorções”. A maior distorção existente no Brasil é ter mais de 40% de todo o Orçamento federal comprometido com pagamento de juros a agiota e banqueiros. Mas esta distorção o governo defende, afinal, esta “distorção” governa o governo e o país.

Não há como “enfrentar a direita” sem colocar-se na oposição ao governo
Que a oposição de direita, o PSDB, seus aliados e até uma minoria tão inexpressiva quanto ruidosa que defende a volta da ditadura militar, necessitam ser combatidos, não há dúvida. Mas, daí a concluir que “enfrentar a ofensiva da direita” e defender “nenhum direito a menos” ou os “direitos dos trabalhadores” é combater apenas a oposição burguesa e colocar-se no campo do governo Dilma (PT), é um erro garrafal.

Este posicionamento significa colocar-se como refém de um setor da direita contra outro setor e, na prática, aceitar perder direitos para os ricos. Ou toda a “direita” encontra-se ao lado de Aécio Neves do PSDB? Por acaso o ministro da Fazenda de Dilma, ou Kátia Abreu, ou Cid Gomes, ou Sarney, Maluf, Delfim Neto, o PMDB, o PP e tantos outros partidos e personalidades de direita desse país não se encontram justamente no campo do governo do PT? E não é justamente o governo do PT com seus aliados banqueiros, ruralistas, empresários, que estão governando e retirando nossos direitos?

Para defender o lado dos trabalhadores e dos pobres deste país é preciso enfrentar os interesses dos banqueiros, do agronegócio, das multinacionais, das empreiteiras e daqueles que os representam, ou seja, o governo Dilma (PT) e a oposição de direita (PSDB), assim como governadores, prefeitos, Congresso, etc. É necessário organizar a luta unificada contra todos eles e não ficar refém de um lado contra o outro. É necessário libertar a classe trabalhadora dessa polarização binária, para que ela volte a ter voz própria e força. Enquanto estiver atrelada a um dos campos que representam os interesses dos de cima, os de baixo não terão seus interesses organizados, estarão indefesos e o Brasil continuará sendo um dos países mais desiguais e injustos do mundo.

CUT, MST e UNE precisam romper com o governo 

Organizações sindicais e movimentos populares ligados ao PT e ao PCdoB – como a CUT, UNE, MST, e outros, compartilham a idéia de que para defender e avançar em seus direitos, os trabalhadores e a juventude devem lutar contra a direita que ataca o governo Dilma.

Em recente reunião chamada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), ocorrida em 17 de dezembro em São Paulo, este debate veio à tona e a reunião terminou sem decidir nada, além de uma nova reunião em 19 de janeiro. Presentes neste espaço, a CUT, UNE, MST, CMP e o próprio PT (além de outras organizações governistas) defenderam a idéia de que a tarefa central dos trabalhadores e suas organizações é combater a oposição de direita e que, para isto, é necessária a união de todos. Uma primeira tarefa seria cobrar dos “direitistas” do Congresso Nacional a Reforma Política, defendida por estes setores como a saída para todas as aflições da classe trabalhadora brasileira. A Reforma Política, aliás, é também defendida pelo governo e praticamente por todos os setores representados no Congresso Nacional, incluindo o PSDB.

A CSP-Conlutas, também presente na reunião, cobrou um posicionamento sobre o ajuste fiscal anunciado pela presidenta Dilma, e teve como resposta o silêncio. Cobrou ainda que a CUT retirasse a proposta de PPE (Plano de Proteção ao Emprego) que apresentou ao governo – porque rebaixa salários. Proposta, aliás, rechaçada pelos operários da Volkswagen de São Bernardo do Campo em assembléia no mês passado. Os representantes da CUT disseram que essa proposta era “coisa da imprensa”. Já o dirigente do PSOL presente à reunião chegou a afirmar que “não era o caso de discutir ali as nossas diferenças”, pois “já as conhecíamos”. O importante era lutar por “reformas populares e nenhum direito as menos”.

O representante da CSP-Conlutas ali presente, no entanto, não fez essas cobranças por sectarismo e sim porque existem ataques evidentes do governo aos direitos dos trabalhadores. Precisava saber se a CUT, a UNE, o MST e outras organizações governistas que ali estavam tinham disposição de romper com o governo para defender os direitos dos trabalhadores ameaçados pelo ajuste fiscal e demais medidas do governo Dilma (PT) com seus aliados de direita.
Como disse Zé Maria, do PSTU em recente artigo a este site (clique aqui para ver o artigo) : “Enganam-se aqueles que julgam que ignorar estas contradições é melhor para ‘construir a unidade’. De qual unidade estamos falando? Da unidade para lutar em defesa dos direitos dos trabalhadores? Estamos 100% a favor. E esta luta, para ser conseqüente terá de enfrentar sim, a direita tradicional do país representada pelo PSDB. Terá sim de denunciar e lutar contra a direitalha que domina o Congresso Nacional. Mas, para ser conseqüente, terá de começar por lutar contra o governo do PT, pois é este governo que está anunciando e tomando medidas concretas contra os direitos dos trabalhadores. Ou não é? A falta de clareza num debate como este não ajuda a unidade”.

Uma versão governista e inverídica de uma suposta “Frente de Esquerda”

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou na edição de 26 de dezembro matéria intitulada “Atos pós-eleição estimulam movimentos sociais a articularem ‘frente de esquerda’” (clique aqui pra ler). 
O jornal destaca as posições dos setores governistas que estavam na reunião de 17 de dezembro como se fossem resoluções da mesma, quando esta não conseguiu chegar a nenhuma decisão, a não ser marcar uma nova reunião para o dia 19 de janeiro deste ano.

Mas a matéria ecoa a versão de que aquela reunião convocada e coordenada pelo MTST e da qual participaram diversas entidades sindicais e populares, dentre elas a CSP-Conlutas, teria dado a largada para a criação de um movimento “para promover manifestações e pressionar o Congresso e governo a adotar agenda considerada progressista, em resposta ao avanço de mobilizações associadas ao conservadorismo”. Tal “frente popular de esquerda”, diz o jornal, vai “buscar espaço dentro do governo Dilma para projetos que estejam em sintonia com a agenda da esquerda, como reforma agrária e regulação da mídia”.  Raimundo Bonfim, da CMP, teria dito:“Vamos fazer a disputa dentro do governo”.  Já o ex-deputado Renato Simões (PT-SP) declarou que  “a outra missão da frente de esquerda será enfrentar na rua o golpismo” representado, segundo ele, “por grupos que pedem o impeachment de Dilma”. 

Com o argumento de evitar a volta da direita, as propostas destes setores e organizações governistas procuram blindar o governo Dilma.

A próxima reunião, do dia 19 de janeiro, terá de definir o real caráter deste espaço.

Lula e o MTST

Veio reforçar essa versão sucessivas notícias veiculadas pela Folha de S. Paulo e outros meios de comunicação, em que Lula, posando para foto ao lado de Guilherme Boulos, do MTST, dizia que o governo e o PT  precisavam se reaproximar dos movimentos sociais. Em vídeo, chegou a falar em recuperar o espaço à esquerda perdido pelo PT (chegando a citar as rupturas do PSTU, do PSOL e de Marina), sem conseguir esconder o objetivo real de tal preocupação: a disputa das eleições de 2018. Os gestos de Lula em relação ao MTST têm o objetivo de ocupar ao mesmo tempo o espaço de governo e de “oposição de esquerda”, contendo o legítimo descontentamento dos trabalhadores e da juventude, dentro dos limites aceitáveis para seus aliados de direita.

A imprensa, aliás, vem fomentando uma versão de que Lula estaria defendendo um governo “mais à esquerda” e um PT “mais separado do governo”. Ora, ora, mas como se a escolha de um banqueiro como Levy para o ministério da Fazenda foi do próprio Lula?

Porém, de alguma maneira, estas notícias reforçavam a versão dos governistas de dita reunião.

Em 28 de dezembro, o MTST divulgou uma nota em que diz que o movimento “vem esclarecer que não participa de qualquer frente de apoio ao governo. Estamos sim participando da articulação junto com a CUT, PSOL, MST, UNE e outras organizações da esquerda no sentido de construir uma frente de lutas com a plataforma de Reformas Populares para o país”... “Nosso objetivo é avançar nas mobilizações contra qualquer ataque aos direitos sociais e por uma pauta unitária de esquerda. Também enfrentar as ofensivas da direita brasileira. Mas para isso entendemos que é necessária a total independência em relação ao governo.”

Concordamos com Zé Maria, quando afirma em artigo a este site, que tal nota veio num bom sentido, mas que ainda é um pouco curta politicamente. Isso porque, se corretamente fala de forma clara da defesa dos direitos dos trabalhadores, quando aponta o inimigo a ser enfrentado não vai além de nomear a “direita brasileira”.
Nós estamos 100% a favor de enfrentar o Congresso Nacional e toda corja de direitistas. Do PSDB, passando por Alckmin até Bolsonaro. Mas não podemos nos calar perante o governo Dilma. Não derrotaremos o ajuste fiscal enfrentando apenas o Congresso e a oposição de direita, quando quem está editando as Medidas Provisórias com o dito ajuste é o governo do PT.  Da mesma maneira que a Reforma Agrária e Urbana, o fim das privatizações, das terceirizações e da precarização geral do trabalho não poderão ser conquistadas enfrentando apenas a parte da direita que está na oposição ao governo e não enfrentando o próprio governo, aliado de outra parte.

Por isso, concordamos uma vez mais com o artigo de Zé Maria quando diz: “Está certo, portanto, o MTST, quando fala que é preciso “independência em relação ao governo”. Mas é preciso agregar que estamos diante de um governo claramente a serviço dos interesses do grande empresariado (o próprio MTST já escreveu isso várias vezes). E a única forma de praticar a independência frente a um governo como esse é numa luta sem trégua contra ele. Só assim, efetivamente, será possível estar ao lado dos trabalhadores, defendendo seus direitos e interesses. Esta não é uma discussão sobre semântica. É o debate que a esquerda da CUT levantou dentro da central, antes da ruptura que ocorreu em 2004 (que gerou a Conlutas). A direção da CUT dizia – e diz até hoje – que a central deve ter “independência em relação ao governo. E em nome disso tem a pratica que todos conhecemos”.

É preciso avançar na unidade para lutar em defesa dos interesses dos trabalhadores contra o governo do PT e contra a direita. A CUT, a UNE, o MST e demais organizações populares devem ser chamadas a esta luta. Mas para lutar de verdade em defesa da classe trabalhadora será preciso romper com o governo. Para vencer é preciso saber contra quem estamos lutando.

Este dilema vai voltar a se colocar na reunião do dia 19.

 A CSP-Conlutas e outras entidades e movimentos que fazem parte do Espaço Unidade de Ação estão convocando uma reunião para final de janeiro justamente para avançar na construção da unidade de todos que quiserem lutar.

A ação independente dos trabalhadores, da juventude e do povo é que pode garantir mudanças, e é ela também que poderá construir uma alternativa de esquerda e classista ao governo do PT com a direita, e à oposição de direita capitaneada pelo PSDB.

Demétrio Magnoli e a falta de rigor



No artigo intitulado “Esquerda Palaciana”, publicado no 1º de janeiro no jornal O Globo, o articulista deste jornal e da Folha de S. Paulo, Demétrio Magnoli (ex-militante da extrema-esquerda do PT: a antiga “Libelu”, ligada na época à Organização Socialista Internacionalista e ao jornal O Trabalho) afirma que o PSTU faria parte de uma “Frente de Esquerda” com objetivo de “fazer a disputa dentro do governo” e teria aceitado assim, junto com o PSOL, a condição “de sublegenda informal do PT”.  Informação obtida, segundo ele, de Raimundo Bonfim, integrante da Central de Movimentos Populares (CMP).

Escreve Demétrio: “ ‘A frente de esquerda’ articulada duas semanas atrás numa reunião no Largo São Francisco, em São Paulo, é o veículo para a soldagem de partidos, centrais sindicais e movimentos sociais ao governo de Dilma Roussef. É, ainda, de um modo menos direto, uma ferramenta da candidatura presidencial de Lula da Silva em 2018. O conclave contou com representantes do PT e do PC do B, partidos governistas, mas também do PSOL e do PSTU. No Largo São Francisco, os dois partidos aceitaram a condição de sublegendas informais do PT. Lá estava a CUT, que obedece ao comando lulista, mas também a Intersindical, um pequeno aparelho do PSTU”.

Se fossem corretas as informações que dá o articulista, estaria também correta sua conclusão. Ocorre que Demétrio Magnoli tem o péssimo costume de não checar a veracidade das informações que reproduz ou utiliza em seus artigos.

No 1º turno das eleições, o mesmo jornalista, por desinformação ou má fé, ou com o intuito de desqualificar o PSTU e lançá-lo na mesma vala das legendas de aluguel, “noticiou” que o PSTU “sobrevivia com o dinheiro do fundo partidário”, quando, na verdade, esse partido é o único que defende a extinção do fundo, chegando a realizar uma consulta ao STF sobre a possibilidade de abrir mão desse recurso. É ainda espantoso o grau de desinformação e desconhecimento de coisas tão corriqueiras, vindo de alguém que já foi um quadro da esquerda. Tal é o caso, por exemplo, do desconhecimento acerca das centrais sindicais e dos setores que nelas atuam, ao ponto de afirmar que a Intersindical seria um “aparelho do PSTU” quando até as pedras sabem que o PSTU não tem qualquer participação na Intersindical.

O hoje articulista da Folha de S. Paulo e do Globo, se não age por má-fé, poderia pelo menos ser um pouco mais rigoroso ou cuidadoso com o que escreve. Afinal, qualquer leitor medianamente inteligente sabe que não faz nenhum sentido que um partido chame o voto nulo no 2º turno das eleições (como fez o PSTU) para, logo em seguida, justamente quando Dilma (PT) decreta todas suas maldades impopulares, tornar-se “sublegenda informal” do PT, como quer o ex-esquerdista.  

Se ele pretende redimir-se de seu passado de esquerda e atacar suas antigas ideologias, poderia fazê-lo de maneira mais honesta, sem inventar ou distorcer fatos, ou pelo menos checando versões e informações.