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Pelo carnaval de rua livre, autêntico e não mercadológico

Por Rafael Nunes, do Movimento Luta Popular 


Não existe expressão maior de liberdade para o Carioca que não seja a palavra “Carnaval”. No fim de semana anterior que precede a folia, nos dias oficiais em que as ruas estão tomadas e no final de semana seguinte derradeiro, as pessoas largam suas mascaras em casa, deixam apenas de existir e passam a “ser”!

O tempo corre diferente, mas é pontual, o bloco nem sempre espera! A fanfarronice é caprichosa e exige um planejamento, um trabalho de fantasias dos pés até a cabeça, investimentos em confetes, serpentinas e todos dão duro na alegria de chegar até o final do cortejo. Depois todos se abraçam e já combinam o próximo bloco, cordão ou rancho, que pode sair a qualquer momento. Todos se apressam!

Os melhores dias do ano precisam ser aproveitados plenamente. As pessoas sentem-se livres, dançam em qualquer avenida (a espontaneidade afloresce), bebem já pela manhã, emendam madrugadas, urinam em plena segunda na porta do edifício do trabalho; sente-se um clima de amizade e de interações coletivas, tudo parece como deveria ser.

Onde existem multidões existe oportunidade! Assim funciona nossa sociedade e nada parece ser completamente livre num sistema de antagonismos sociais. Para se pensar o maior espetáculo do mundo, o carnaval oficial das grandes escolas, é só nos remetermos a um corajoso e imortal samba do Império Serrano de 1982. “Super Escolas de Samba S/A, Super-alegorias. Escondendo gente bamba. Que covardia! Bum, bum paticumbum prugurundum. O nosso samba minha gente é isso aí”. 

Infelizmente os blocos de carnaval, que ganharam força a partir de seus próprios ideais de liberdade, também sofrem essa nociva pressão mercadológica. Esse ano, o novo salto de qualidade veio com a divulgação de festas privadas, nos dias oficiais de carnaval, com ingressos caros, dentro do ex-Maracanã (desfigurado e privatizado). E para nossa surpresa consta um bloco alternativo como uma das atrações. 

No ano passado, do dia para a noite, criaram-se blocos que nunca haviam desfilado, venderam abadás e prometeram colocar cordas para preservas foliões privilegiados do restante das massas. Ocorreu uma revolta, que partiu da consciência de ideário de carnaval de rua, pelos Cariocas e assim o Prefeito foi obrigado a baixar um decreto proibindo esse tipo de comercialização. 

Sem dúvida uma grande vitória da luta contra a mercantilização do carnaval. Parcial, pois essa mesma prefeitura financia blocos temáticos de rock, funk, covers, e outras sandices turísticas com generosas somas de recursos financeiros, enquanto os blocos tradicionais, que tocam as eternas marchinhas de carnavais ficam relegados às cotizações dos próprios foliões. Sem contar que essa mesma instância governamental ainda faz uma série de exigências para autorizar os desfiles dos blocos, que na prática os tira da rua, contribuindo ainda mais para a elitização da festa e a busca por grandes patrocinadores, que emporcalham as ruas com suas logomarcas.

Muita coisa está errada, mas o carnaval popular do Rio de Janeiro, de Rua, ainda é livre e a maioria dos seus blocos auto financiados e autênticos, na tradição musical e nos desfiles. A alegria, a emoção e a liberdade mais uma vez se farão presentes com os blocos familiares de Vila Isabel ou da Grande Tijuca, os da alegria autêntica do subúrbio e da baixada, em especial os de Madureira, os fabulosos da Região Portuária, onde sempre relembramos a farsa da democracia racial, os imprescindíveis blocos livres do Centro, com destaque o nosso Cordão do Boi Tolo, que luta contra a mercantilização do carnaval de rua, Embaixadores da Folia, Prata Preta e o Bloco Secreto, os blocos encantados de Santa Teresa e Laranjeiras, os muitos e maravilhosos blocos históricos e tradicionais da Zona Sul.

8 de Março - Bloco "Maria vem com as outras" celebra Dia Internacional da Mulher


Como que para lavar a alma da mulherada de luta, que passou os dias do festejo de Momo aturando toda sorte de machismo chulo, mercantilização do corpo feminino e agressões contra mulheres, o último dia de carnaval foi encerrado celebrando o dia 08 de março – Dia Internacional da Mulher.
Denunciando tudo isso e defendendo o fim do machismo e da violência sexista várias entidades sindicais (como a CSP-Conlutas, Intersindical, Sepe e etc) e partidos de esquerda (como PSTU e PSol) juntos com o bloco Maria Vem Com as Outras, foram para a avenida desfilar e protestar.
Com uma afinada bateria composta por mulheres e um samba que falava sobre liberdade e lembrava mulheres que marcaram nossa história o bloco arrastou foliãs e foliões saindo da concentração na Lapa e dançando pelas ruas do centro do Rio. Mulheres e homens se manifestavam com suas fantasias ou pirulitos denunciando a violência contra mulher em todo o mundo, exigiam salário igual para trabalho igual, reivindicavam a legalização do aborto, além de outras bandeiras históricas do movimento feminista.
Mais uma vez o povo na rua, e em pleno carnaval, gritou e cantou por seus direitos mostrando que a cultura popular pode e deve ser uma importante ferramenta de organização e divulgação de nossas lutas.
Veja a letra do samba:
Esse é o bloco pra mudar a nossa história
Somos Maria, viemos pra viver
Iluminando a trajetória e a vitória
De mulheres que fizeram acontecer
Vem sambar
Maria, vem com as outras, vem dançar
Sobe essa poeira
Vem se libertar
Vem sambar
Maria, vem com as outras, vem dançar
Sobe essa poeira
Todo mundo tem o seu lugar
Da literatura de Simone de Beauvoir
Ao sertão de Maria Bonita
Lélia Gonzalez faz a gente se orgulhar
Ô...abre alas que a Chiquinha vai passar

No choro, no riso
Na valsa, no samba
Um novo mundo queremos criar
Sem violência pra poder sonhar
Veja a batucada:


Leia:PSTU leva o combate à opressão da mulher para as ruas neste carnaval

Visite:
Blog Movimento Mulheres em Luta


Protesto e folia em Niterói: Bloco Chega de Lama, Chega de Jorge!

     
    Composto por manifestantes e engrossado por diversos populares o bloco Chega de Lama, Chega de Jorge! desfilou em pleno sábado de carnaval (04 de março) em Niterói, na Avenida Amaral Peixoto, com mais de cem pessoas e terminou seu desfile na Praça da Cantareira, onde além de cantar o samba foram também feitas diversas manifestações públicas de protesto contra o atual governo de Niterói.
     É possivel que o Bloco desfile novamente na terça-feira de carnaval, em Icarai!
     Fiquem atentos...
 

CARNAVAL 2011
CHEGA DE LAMA, CHEGA DE JORGE
(Fernando Tinoco/Lê Santana)

Não quero Torre
Quero casa popular
Taxa de lixo não quero pagar
Vender a CLIN
Não podemos permitir
Eu vou lutar pelo emprego do gari

Quero a abertura
Do Campo de São Bento
Chega de prédio
Não quero engarrafamento
Na Tribuna Livre
Junto com a população
O grito de Carnaval
É chega de roubo, chega de corrupção

O Prefeito sumiu
Desde abril
Ninguém sabe, ninguém viu
Chega de Lama, Chega de Jorge
Caso de amor?! Sua Máscara caiu
 

8 de março: Mulheres trabalhadoras em luta contra o machismo e a exploração


Ana Pagamunici, da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU

O dia 8 de março é o Dia Internacional de Luta das Mulheres. A data foi criada em 1910, por iniciativa da socialista Clara Zetkin, em referência às 129 trabalhadoras assassinadas da fábrica Cotton, nos Estados Unidos, em 1857.

Para as mulheres trabalhadoras, a data ganhou ainda mais sentido quando, em 8 de março 1917, as mulheres da Rússia saíram às ruas exigindo “paz, pão e terra” e ajudaram a detonar a revolução socialista no país.

A luta das mulheres hoje
A crise econômica mundial tem promovido uma escalada de ataques à classe trabalhadora, particularmente às mulheres. Em 2008, nos EUA, a contratação de trabalhadoras pelas montadoras de automóvel, em condições de precariedade e com menos direitos, tornou-se fundamental para amenizar os efeitos da crise. Na França, em 2009, o aumento da idade para a aposentadoria e a retirada de direitos dos servidores públicos também serviram para apressar uma recuperação parcial do capital, mas os conflitos continuam.

O que está em curso é uma política internacional de mudanças nas relações de trabalho, uma tentativa de estabelecer uma enorme precarização do trabalho (como na China) no mundo todo, em que os trabalhadores possam ganhar menos e os patrões, mais.

Os efeitos da crise também promoveram em escala mundial o aumento dos preços dos alimentos e o desemprego. As mulheres são as mais afetadas pelos efeitos da crise, pois representam quase 40% da população economicamente ativa, ganham os menores salários e são quase 70% dos mais pobres do mundo.

No Brasil, a crise internacional ainda não teve os mesmos efeitos. Mas o atual ciclo de crescimento não resultou em uma melhora de vida para as mulheres. É o contrário. O governo sustenta o país com o aumento da exploração dos trabalhadores. Contratam-se pessoas, mas os salários estão menores, com menos direitos. As mulheres são utilizadas para regular o preço da mão de obra, porque são mais “baratas” e ganham até 30% menos que um homem para uma mesma função. Isso piora muito quando falamos das mulheres negras.

O aumento dos preços dos alimentos, da tarifa de transporte, de energia e, de modo geral, da carestia de vida em nosso país tem colocado maiores dificuldades à vida das mulheres. De acordo com os dados da PNAD (2010), no Brasil, as mulheres são a maioria da população (52%). Também estudam mais que os homens, mas estão nos postos de trabalho com menor remuneração.

A eleição de uma mulher à Presidência
A eleição de uma mulher à Presidência da República e, com ela, o aumento da presença feminina nos ministérios, não pode ser tratado como um fato menor. Estamos em um país no qual uma mulher é vítima de violência a cada dois minutos. E, a cada duas horas, morre uma vítima dessa violência. O Brasil é um dos países mais atrasados em direitos e avanços mínimos em relação aos direitos da mulher. Eleger uma delas significa algo importante: que as massas expressam de maneira distorcida o sentimento e a esperança de ver mudanças. No caso de Dilma, como a continuidade de Lula.

Mas os fatos vão demonstrando o que as ilusões ocultam. Dilma foi eleita num contexto de grande retrocesso na consciência. Uma eleição fria, em que predominaram aspectos conservadores e de adaptação à ordem estabelecida. Seu primeiro (des)serviço às mulheres foi ter transformado em moeda de troca uma bandeira histórica das trabalhadoras, a luta pela legalização e descriminalização do aborto. Com a chamada Carta ao Povo de Deus, ignorou as inúmeras que morrem todos os dias vítimas de procedimentos mal sucedidos e se dirigiu à população para se comprometer com os setores que lucram com a não-legalização do aborto. Lembremos que o aborto é proibido somente para as mulheres trabalhadoras, pois as mulheres burguesas têm dinheiro suficiente para pagar pela intervenção em uma clínica.

Em seguida, sua primeira ação importante como governante foi impedir o aumento do salário mínimo. Dilma defendeu que o reajuste não poderia superar R$ 35 “para não quebrar o país”, mas se calou diante do aumento de 62% no salário dos deputados e de 133% para ela própria. Como pode uma mulher eleita com a promessa de melhorar a vida dos mais pobres e honrar as mulheres ser contra um aumento maior do salário mínimo?

Mas Dilma não parou por aí. Através da imprensa, o governo cogita a possibilidade de criar uma idade mínima para aposentadoria - dos homens para 65 anos e das mulheres para 60 anos. Dilma já cortou R$ 50 bilhões do orçamento, retirando dinheiro de áreas essenciais. Suspendeu concursos públicos, que são possibilidades de empregos para as mulheres. E sequer fez algum pronunciamento contra a violência que aflige as mulheres haitianas, vítimas de soldados brasileiros no Haiti.

Tudo isso mostra que não basta ter uma mulher à frente do governo para que os interesses das mulheres trabalhadoras sejam atendidos. Para o PSTU, a eleição da Dilma é a continuidade de um governo que não está a serviço das mulheres trabalhadoras. É uma grande aposta da burguesia, que se apoia na ilusão das pessoas para continuar explorando os trabalhadores.

Violência, direito à maternidade e machismo
A última pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostra com clareza os índices de violência contra a mulher em nosso país. A cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas. A Lei Maria da Penha é insuficiente para resolver isso. Não prevê investimentos na construção de casas-abrigo e punição aos agressores. Mal a lei é aplicada e, quando o é, mostra não ser capaz de resolver a violência, que está ligada muito mais às condições de vida das mulheres.

O Estado também pratica essa violência quando se nega a garantir os direitos básicos às mulheres. O direito à maternidade é um deles. Enquanto o governo proíbe o aborto, não dá garantias para as mulheres que optam pela maternidade. A licença-maternidade de seis meses não vale para todas. Também não há creches para os filhos das mulheres trabalhadoras. Mais de 85% das crianças de 0 a 3 anos estão fora das creches.

Nas ruas, contra o machismo e a exploração
Neste 8 de março, vamos tomar os ensinamentos das mulheres árabes, que estão fazendo revoluções, e sair às ruas contra o machismo e a exploração. Precisamos construir grandes atos para demonstrar nossa força e unidade de ação para enfrentar os governos e patrões.

Lutamos por:
– Dobrar o valor do Salário Mínimo rumo ao piso do Dieese (R$ 2.227)!

– Salário igual para trabalho igual!

– Anticoncepcionais para não abortar. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!

– Direito à maternidade: a) licença-maternidade de seis meses para todas as trabalhadoras e estudantes, sem isenção fiscal, rumo a um ano; b) creches gratuitas e em período integral para todos os filhos da classe trabalhadora.

– Pelo fim da violência contra a mulher! Aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha! Construção de Casas-abrigo! Punição aos agressores!

– Pelo fim da ocupação militar no Haiti. Fora as tropas brasileiras!

– Solidariedade e apoio às revoluções árabes!

Homenagem a Luiz Carlos da Vila

Luiz Carlos da Vila, no ato do 1º de Maio promovido pela Conlutas (2008)




Por Juzerley Santos

Aproveitamos o carnaval para relembrar e fazer uma singela homenagem a um dos grandes bambas do samba carioca e dos maiores compositores da música popular brasileira. Um artista que fez do samba sua arte, sua vida e que nunca se rendeu aos caprichos da mídia, alguém que fazia das rodas do Rio sua morada e encantou milhares sem precisar de jabá; falecido aos 59 anos em 20 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor carioca Luiz Carlos da Vila, e recebeu este apelido por seus sambas refletirem as vilas cariocas, isto é, a zona norte e o subúrbio do Rio, como a Vila Isabel, a Vila de Penha e a Vila Kennedy.

Nascido em 1949, no bairro de Ramos, foi fundador do Cacique de Ramos, tradicional bloco que até hoje desfila na Avenida Rio Branco, contagiando dos novos aos antigos foliões. Foi na tradicional quadra do Cacique, berço bambas como Beth carvalho, Zeca pagodinho, Almir Guineto, Arlindo Cruz e tantos outros compôs a memorável Doce Refúgio (assista o vídeo).

Luiz Carlos da Vila, há 23 anos, levantou a Sapucaí levando a escola de samba Vila Isabel à vitória com o enredo Kizomba – A Festa da Raça, que em seus belos trechos diz:

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras céus e mares
Influenciando a Abolição...

Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular...

Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais...

Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua


Desfile da Vila Isabel (1988)

A Consciência Negra de Luiz Carlos da Vila  

 

 

 

Já é carnaval! Um olhar sobre o carnaval carioca

Alexandre Brabosa, o  ``Xandão`` do Rio de Janeiro (RJ)
(publicado em 14/2/2007)

Para muitos, o carnaval do Rio se resume aos desfiles no sambódromo onde se realiza um show para TV e turistas estrangeiros. Hoje, as grandes escolas servem basicamente ao grande mercado do turismo. Até os enredos são escolhidos a partir de patrocinadores. A integração latina cantada pela Vila Isabel campeã de 2006 não é só fruto da imaginação de um artista, mas uma demanda do governo Venezuelano que patrocinou a escola. Esse excesso de “profissionalismo” que aumentou o custo e afastou o povo da avenida parece não ter fim.

Como tudo é dialético, porém, a escola de samba não é só isso. Na escola de samba há a comunidade que se vê representada e se expressa, mesmo que com limitações, na sua escola do coração. Hoje, a maioria que desfila ganha sua fantasia e freqüenta a escola o ano inteiro. É na escola de samba que o menino pobre pode mostrar sua ginga como passista e sua habilidade na bateria.

A quadra da escola é um centro cultural permanente. É na escola de samba que a poesia popular tem vazão nas letras dos sambas de enredo ou de exaltação. É a comunidade que garante o chão da escola e o show do carnaval.

Hoje, a maioria das pessoas que desfilam em escolas de samba ganha sua fantasia. Escolas, como por exemplo, a Beija-Flor de Nilópolis que terá cerca de 4000 componentes destina mais de 2500 fantasias gratuitas para a comunidade. Em escolas menores, que desfilam nos grupos de acesso, chega a 100% o número de fantasias da comunidade. Apesar disso, entretanto, a maioria do povo segue longe do sambódromo.

Mas o carnaval não é só isso
Confete, serpentina, boa música, gente bonita e muita alegria compõem o carnaval de rua no Rio de Janeiro. Todo mês de fevereiro, milhares de pessoas invadem as ruas da cidade atrás dos blocos carnavalescos, mostrando ao mundo sua irreverência.

O carnaval de rua carioca reconquistou seu lugar e hoje são mais de 300 blocos espalhados por toda cidade. Blocos como Cacique de Ramos, que funciona o ano inteiro com sua roda de samba e já revelou grupos como Fundo de Quintal, são uma das principais atrações da avenida Rio Branco. Todas as noites do carnaval, junto com o Bafo da Onça, que tem 50 anos de desfile, demonstram que o carnaval está mais forte que nunca.

Tem bloco pra todo gosto: grandes ou pequenos, tradicionais ou novatos, que cantam marchinhas conhecidas ou com samba próprio, que fazem sátiras políticas ou de nomes com duplo sentido, que concentram, mas não saem, que percorrem as ruas arrastando o povo e, o melhor de tudo, de graça, para garantir a alegria do folião. Aqui não tem cordas separando o povo do bloco nem regras para se divertir. Pode brincar o fantasiado e o sem fantasia, e o melhor é que a estrela desse carnaval é o folião anônimo com sua empolgação.

Esse é o mais forte fenômeno de resistência popular no Rio de Janeiro.

O samba não é carioca só no carnaval
Nesse momento, há uma revitalização do samba como cultura de massas. Durante muito tempo, o samba só era lembrado no carnaval, e o rock, o axé e outros gêneros musicais dominavam as atenções da população o ano inteiro.

Há algum tempo, contudo, isso vem mudando. Durante todo o ano, o samba se faz presente na vida do carioca, de blocos e grupos de samba que tocam na rua, passando pelos eventos nas quadras até as rádios especializadas no gênero musical como a muito não se via. Exemplos desse fenômeno são os shows das Velhas-Guardas das escolas de samba que voltam a ser veneradas, as feijoadas nas quadras das escolas, os ensaios de blocos – como os Embaixadores da Folia e os Escravos da Mauá – que reúnem milhares de pessoas em qualquer época do ano e as dezenas de casas noturnas especializadas em samba.

Por isso, o carnaval do Rio pede passagem, convidando a todos para sacudir essa cidade. Viva Zé Pereira!




Luta e folia no carnaval

Blocos unem festa com crítica política
Em várias partes do país, foliões dão um tom mais politizado às festas de carnaval, aproveitando a data para levar críticas sociais e reivindicações dos trabalhadores à folia. Os temas vão do rechaço à violência machista ao valor do salário mínimo e o absurdo aumento nos salários dos parlamentares.


Confira abaixo alguns blocos:

Acorda Peão” em São José dos Campos (SP)
Neste dia 5 de março, sábado, ocorre o já tradicional bloco do “Acorda Peão” na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo. Organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos da cidade e pela CSP-Conlutas, este ano o bloco vai contar com carros alegóricos, como uma réplica bem-humorada do ‘Caveirão’ e do Cristo Redentor.

O samba-enredo deste ano tem o título de “Dureza do dia a dia”. “O povo já está cansado de tanta esculhambação e total desrespeito vindos de Brasília. Mais uma vez, o Acorda Peão será usado para protestar contra toda forma de corrupção e exploração”, afirma o autor do samba-enredo, Renato Bento Luiz, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos.

O bloco, que já tem 13 anos de existência, sairá sábado, dia 5, da Rua Francisco Paes, 316, a partir das 10h, e seguirá pela Rua 15 de novembro, centro de São José dos Campos.

'Mudança do Garcia' em Salvador (BA)
Na capital baiana tem o bloco "Mudança do Garcia", organizado pelas associações de moradores e que todo ano leva o conjunto da esquerda soteropolitana às ruas da cidade. Neste ano, o PSTU vai denunciar a situação da cidade, alertando que só derrotando o prefeito João Henrique nas ruas Salvador vai conseguir sair do caos.

Carnaval politizado em Niterói
Em Niterói o carnaval também trouxe irreverência com protesto. Foi nesse dia 3, quinta-feira, em frente à Câmara Municipal de Niterói. Com faixas e fantasias, os foliões manifestantes protestaram contra a privatização da companhia de limpeza da cidade e reivindicaram casa populares para as vítimas das chuvas.

Servidores abusam da criatividade em Pernambuco
Com o tema “Dil-má, sem aumento eu não agüento”, os técnicos administrativos da UFPE, protestaram com o bloco “Pelego Fora” pelas ruas da capital pernambucana nesse dia 4. Ao som de muito frevo, a “troça” contou com o boneco da Dil-má, que marcou presença no protesto dos servidores federais em Brasília, no último dia 16.

Olinda
Na capital do frevo, o PSTU organiza o bloco “Nóis toma partido das mulheres contra a violência”. Ele se reúne no dia 8, terça-feira, a partir das 10h em frente à barraca do partido.

Brasília vai fazer a mistura do Brasil com o Egito
Já no dia 8 de março, o tradicional “Bloco do Pacotão” em Brasília, bloco de carnaval com temas políticos, sai às ruas trazendo como tema da revolução árabe.

Leia abaixo o samba-enredo do bloco Acorda Peão

Dureza do dia a dia (autor: Renatão)

Chegou o Carnaval
Acorda Peão vem com alegria
Vai mostrar a todo mundo
A dureza do dia a dia

Criança pobre no morro
do Cruzeiro e do Alemão
Está com medo,
mas não é de assombração
Ela tem medo do bandido
e do caveirão

Mas que confusão!
Ninguém mais sabe
Quem é polícia ou ladrão

Tem traficante
Dilma, presta atenção!
Está instalado no mais alto escalão

Na favela do Planalto,
do Congresso e do Alemão
Conectado com a polícia, é só ladrão!

Vamos fazer uma guerra
Contra a indecência
Vamos acabar (2x)
É com o tráfico de influências

Ó mãe natureza
Eu não te culpo
Pois tu és uma beleza!

Se está chovendo, o pobre morre
Afogado e soterrado
Se está quente
Morre seco esturricado

Autoridade o que fazer?
Fala pra mim!
Não tem mais jeito, meu filho
Pois foi Deus que quis assim...

O circo começou,
e o abestado com aumento
não questionou,
comemorou!

Ao povo de São Paulo
Está dada a dica
Votou com raiva (2x)
Vai ficar mais tiririca