SOLIDARIEDADE: Caravana da CSP-Conlutas vai até Friburgo

Ativistas levam cestas básicas para trabalhadores atingidos pelas enchentes

Um formidável exemplo de solidariedade operária foi realizado nesta quinta-feira. Uma caravana organizada pela CSP - Conlutas do Rio de Janeiro chegou à nova Friburgo para prestar solidariedade e ajuda aos trabalhadores atingidos pela tragédia das enchentes.

A caravana, composta por um caminhão e nove carros, partiu com cerca de 200 cestas básicas e 300 kits de limpeza. Os produtos foram arrecadados junto a sindicatos e aos trabalhadores do estado.

Os ativistas da CSP-Conlutas realizaram uma reunião no Sindicato dos Metalúrgicos de Friburgo, filiado à Conlutas, para organizar a distribuição dos donativos. “Vamos ao bairro Jardim Califórnia distribuir alimentos. Mas também vamos entregar uma carta à população fazendo exigências ao poder público”, explicou Cyro Garcia, da CSP-Conlutas-RJ.

Entre as exigências listadas está a necessidade da liberação imediata de verbas para a reconstrução e a liberação de no mínimo 10 mil reais para cada família afetada pelo desastre. “A liberação do FGTS por parte do governo é insuficiente. Nem todo mundo tem FGTS e, além disso, os trabalhadores não devem pagar pelo desastre”, explicou Cyro.

Além disso, a CSP-Conlutas - RJ exige que os hotéis da região, todos vazios neste momento, sejam utilizados para abrigar a população que perdeu suas casas, além da isenção de tarifas públicas por um ano.
ASSISTA O VÍDEO DO PSTU-RJ CHAMANDO A SOLIDARIEDADE

PSTU denuncia no horário nobre as tragédias das chuvas e do salário mínimo

Programa chama a solidariedade dos trabalhadores e a luta pelo aumento do salário mínimo
O ano começa com centenas de mortos na tragédia das chuvas. Como em outros janeiros, governantes culpam a natureza e, mais uma vez, os jornais revelam que eles deixaram de usar verbas destinadas a prevenção de enchentes.

Governadores e prefeitos tentam culpar os trabalhadores que vivem em áreas de risco. Como se alguém escolhesse arriscar a vida. Os mesmos que culpam os trabalhadores querem aprovar um salário mínimo de R$ 540, que não repõe sequer a inflação.

A vida real, a dos trabalhadores, começou o ano com tragédias, que se somaram ao aumento dos preços do feijão, da carne e dos transportes. Enquanto isso, deputados e senadores ainda comemoram o novo salário que eles mesmos aumentaram para quase R$ 27 mil.

O programa de TV do PSTU procurou denunciar os verdadeiros culpados pela tragédia das chuvas e exigir medidas imediatas para resolver o problema dos atingidos. Inclusivês propôs que o salário mínimo dobre, com o mesmo reajuste que os deputados deram à presidente Dilma.
O PSTU também desafiou que os deputados e a presidente tentassem viver um mês com o ridículo salário mínimo que eles propõem.

Twitaço: Um verdadeiro panelaço na Internet

Logo após o programa, às 20h35 (horário de Brasília), o PSTU impulsionou um twitaço contra o aumento dos deputados com a tag #naoaoaumentodosdeputados. Milhares de pessoas apoiaram edmonstrando a grande revolta contra este reajuste imoral também na internet.

A onda gerada pela iniciativa colocou as tags #PSTU e #naoaoaumentodosdeputados entre as mais postadas (TT's) no Twitter em nível nacional rapidamente. O nosso desafio agora será canalizar toda esta indignação para as ruas, nas lutas por melhores sakários e condições de vida, nas mobilizações contra os aumentos de passagem e pelo passe-livre etc.

Assista aqui o programa que foi ao ar:


Carta dos movimentos sociais de Nova Friburgo à população

Basta de irresponsabilidade e mortes. As tragédias podem ser evitadas!

A região serrana do Estado do Rio de Janeiro assistiu, na madrugada do último dia 12, a reprise de um filme de catástrofes. Ao amanhecer é que se pôde visualizar e ter as primeiras dimensões do ocorrido. O cenário era de devastação e tragédia: ruas inundadas, encostas desbarrancadas, residências desmoronadas, pessoas desesperadas e aos prantos, pela perda de parentes, amigos e vizinhos.
Na contramão do individualismo competitivo e ganancioso praticado pela burguesia, a população prontamente dedicou-se à solidariedade no socorro imediato às vítimas. Eram voluntários cavando com as próprias mãos, rompendo isolamentos, oferecendo teto e consolando os que tudo haviam perdido, mesmo que derramando lágrimas pelos entes queridos e pelo quadro geral de desolação.
Após os momentos iniciais de incredulidade e pavor, as pessoas se perguntavam: não seria possível evitar tamanha perda material e de centenas de vidas? Já não se produziu conhecimento científico capaz de prever fenômenos naturais como este e evitar as conseqüências tão devastadoras? Não existem exemplos no mundo de tragédias similares para as quais foram encontradas soluções de forma a reduzir ao mínimo as perdas? A quem caberia tomar as iniciativas necessárias a impedir tamanha catástrofe? Por que as autoridades não tomaram as medidas preventivas?
Na verdade, os trágicos acontecimentos são o reflexo direto de diversos fatores que atuam em conjunto, tais como a devastação da cobertura vegetal do planeta e o lançamento, na atmosfera, de um enorme volume dos chamados gases do efeito estufa, como o gás carbônico (CO2), o metano (CH4) e muitos outros.
No entanto, a causa mais grave e evidente é a ocupação desordenada de encostas, margens de rios e outros espaços impróprios nas cidades, sem respeito às exigências técnicas de segurança. As áreas de risco são ocupadas por vias públicas e famílias de baixa renda que não têm para onde ir e precisam estar perto dos centros urbanos, mas também por habitações voltadas às camadas de rendas média e alta, construídas em ações de especulação imobiliária.
De igual forma, a falta de estudos e ações preventivas, aliada ao despreparo e à precariedade dos equipamentos das entidades de Defesa Civil e à total falta de concatenação dos governos e dos diversos órgãos que têm a possibilidade de atuar em situações de emergência, denuncia a visão imediatista dos políticos burgueses, praticantes da troca fisiológica de favores por votos, deixando ao léu qualquer perspectiva de administração planejada das cidades em prol do interesse popular. Fica clara a total falta de compromisso dos governos com as camadas populares e suas necessidades.
Neste momento de dor e sofrimento, a tarefa imediata é prestar solidariedade, arregaçar as mangas, ajudar as vítimas. Mas uma tragédia como essa é uma demonstração clara de que o uso do solo para os interesses do capital, a ocupação das cidades em benefício dos ricos, a falta de participação direta da maioria da população nas decisões políticas não podem continuar.
Já passou a hora de a população, que paga seus impostos e produz a riqueza através do trabalho, mudar este estado de coisas. A classe trabalhadora tem o direito de receber de volta e a fundo perdido os recursos (no lugar do saque do Fundo de Garantia) para adquirir moradia digna em local seguro, com todos os equipamentos urbanos e sociais que o Estado tem a obrigação de oferecer: pavimentação, iluminação pública, saneamento básico (coleta de lixo, água potável e esgoto tratado), energia elétrica (com tarifas equivalentes às contas de luz das indústrias), telefonia, transporte público a preços justos, educação, cultura e lazer. Se há dinheiro sobrando para socorrer grandes empresas e bancos durantes as crises do capitalismo, é inaceitável não haver recursos para salvar e manter a vida dos trabalhadores. Além disso, é preciso decretar a garantia de empregos e salários.
É urgente a união dos movimentos e organizações representativas dos trabalhadores para ações conjuntas no caminho da (re)construção das cidades sobre novas bases, visando ao atendimento dos interesses populares:
- plano emergencial para atendimento às necessidades imediatas das populações atingidas pela tragédia, com acolhimento aos desabrigados, aluguel social, alimentação e atendimento médico;
- isenção de impostos, taxas e tarifas aos atingidos pela catátrofe;
- recurso a fundo perdido para aquisição de bens móveis extraviados;
- campanha de saúde preventiva para toda a população;
- garantia de empregos e salários;
- formação de conselhos populares para acompanhamento da aplicação das verbas federais nos municípios arrasados pelas chuvas e das políticas públicas a serem adotadas;
- construção de moradias populares em áreas seguras e com dignas condições de vida (infraestrutura, saúde, educação, transporte);
- plano permanente de preservação ambiental, na contramão da lógica capitalista destruidora;
- construção do Poder Popular com vistas à democracia direta na tomada de decisões.

Assinam: Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos, Têxteis, Vestuário, SINDSPREV, SINPRO e SEPE, AD da Faculdade Santa Dorotéia, PCB, PSTU e PSOL.

Solidariedade e um plano dos trabalhadores para reconstruir a Região Serrana

Direção Estadual do Rio de Janeiro

O país está comovido com a catástrofe que atingiu a Região Serrana, uma das mais belas do estado do Rio de Janeiro. A classe trabalhadora vem dando uma verdadeira lição de solidariedade e de luta pela vida. Mutirões e comboios de ajuda humanitária estão sendo organizados espontaneamente pelo Brasil. Em Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e adjacências homens e mulheres cavam com as próprias mãos para desenterrar o que ainda resta de esperança.

Os movimentos sociais não devem medir esforços para organizar e moralizar àqueles que foram brutalmente atingidos pelas chuvas e também pela pobreza.

A dificuldade e o sofrimento da população da região não podem esconder, que os governantes também têm sua parcela de responsabilidade. Não foi a primeira vez que desastres como estes assolaram o povo pobre do estado do Rio. Quem não se lembra do deslizamento do Morro do Bumba em Niterói, ou dos desmoronamentos em Angra do Reis no verão do ano passado? É preciso tirar lições desses repetitivos acontecimentos e cobrar iniciativas eficazes dos governantes responsáveis.

É preciso dizer que foi o próprio governo do PT do então presidente Lula, e agora da presidenta Dilma Roussef, que orçou os insuficientes 442,5 milhões de reais ao Programa de Prevenção e Preparação para Desastres. Quando na verdade se precisaria de muito mais em um país de dimensões continentais que todo ano é atacado pelas chuvas, secas, geadas, queimadas e erosões de todo tipo. Para piorar a situação, o governo federal executou apenas 40% do referido valor, sendo que ao estado do Rio de Janeiro se destinou apenas 0,6%.

Ainda somos obrigados a assistir o governador Sérgio Cabral (PMDB) dizer que o Rio não tem o que reclamar. Talvez seja porque ele não teve sua casa e família destruídas, e esteja muito bem acomodado no Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca.

É muito comum que em momentos como esse os políticos responsabilizem a natureza pelo caos social gerado e desenvolvam campanhas puramente midiáticas pensando em angariar mais votos nas eleições futuras. A chuva de fato não pode ser impedida, mas pode ser prevista pelos institutos de meteorologia, assim como os deslizamentos podem ser evitados e as mortes minimizadas.

Os números são muito contrastantes quando comparamos a quantidade de mortos e feridos em terremotos de mesma intensidade como no último que ocorreu no Haiti, onde morreram cerca de 316 mil habitantes, e no Japão, que não chegou sequer a uma dezena. Queremos dizer que se os governos do estado e da União tivessem investido junto às prefeituras em infraestrutura, monitoramento dos rios e solo e realizado obras de prevenção, o caos poderia ter sido evitado pelo menos nas proporções em que se deram.

No município de Areal, por exemplo, com uma medida muito simples se evitou que a desgraça se alastrasse. A prefeitura comunicou pela rádio local que o leito do rio estava subindo rapidamente e ordenou o deslocamento da população ribeirinha. Resultado: nenhuma morte.

A Região Serrana totaliza oficialmente no momento 633 mortos e 133 desaparecidos, sendo que apenas são considerados desaparecidos aqueles que foram procurados. Ou seja, esse número lamentavelmente ainda vai crescer muito, e a previsão é de mais chuva até quinta-feira. A expectativa é que nos próximos dias a tragédia alcance 1.500 mortos.

A chuva não poupou ninguém. Ricos e pobres perderam seus bens e familiares. Mas é inegável que o dinheiro faz toda diferença nessa hora. Enquanto os trabalhadores e o povo pobre estão isolados em locais inacessíveis e sem nenhuma forma de comunicação, os ricos são removidos dos escombros de suas mansões por helicópteros particulares.

O plano que Dilma e Cabral estão apresentando é totalmente insuficiente. A primeira medida apresentada é a liberação de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como se estivesse fazendo um grande favor. Quando na verdade o dinheiro do FGTS por direito conquistado já é dos próprios trabalhadores, e não vai resolver a vida de ninguém. Postura bem diferente adotou Dilma quando apoiou um reajuste de 62% aos parlamentares e 132% para ela própria.

A outra medida apontada pelos governantes é a construção de apenas 5 mil unidades habitacionais, quando os movimentos sociais da região elaboram uma reivindicação de pelo menos 30 mil casas.

Diante do estado de calamidade o PSTU propõe:

– Prestar toda solidariedade aos atingidos pela chuva da Região Serrana. Que os movimentos sociais de conjunto realizem campanhas de angariação de água, medicamentos, comidas, materiais de higiene e limpeza e organizem comboios com destino às cidades mais afetadas.

– Um verdadeiro plano de obras públicas para prevenir novos deslizamentos e reconstruir hospitais, escolas, creches, pontes e garantir moradias dignas e seguras aos trabalhadores gratuitamente.

– Construir de 30 mil moradias populares com investimento maciço em saneamento básico para combater o déficit habitacional e a especulação imobiliária.

– Romper imediatamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal e investir o dinheiro na reconstrução da região.

– Realizar uma ampla campanha de promoção de saúde assegurando uma higiene adequada e água potável para todos.

– Investir em tecnologias de prevenção de desastres naturais através de um permanente monitoramento do solo e rios e contenção de encostas.

– Limpar e canalizar rios e córregos e realizar obras de escoamentos das chuvas.

– Repudiar a criminalização da pobreza. Os moradores das áreas de risco não são os responsáveis pelos deslizamentos e nem moram em despenhadeiros porque gostam. Com um salário mínimo de R$ 540 não se pode morar em um local digno e seguro.

– Abrir os hotéis da região para a população desabrigada.

Participe! Campanha nacional em solidariedade às vitimas das enchentes

Doações podem ser feitas no Banco do Brasil ou nas sedes da CSP-Conlutas do Rio e sindicatos
CSP-Conlutas

A campanha de solidariedade às vitimas se iniciou nesta segunda-feira (17). Diversas entidades e organizações estiveram presentes na sede da CSP-Conlutas no Rio de Janeiro para discutir iniciativas concretas de apoio e solidariedade às vítimas das enchentes.

Presente na reunião, o membro da Secretaria Executiva Nacional e diretor do Sindsprev-RJ, Manuel Crispim, informou que diversas iniciativas foram definidas para consolidar uma Campanha Nacional em apoio à população que perdeu tudo em decorrência das chuvas. “Montamos postos de arrecadação de donativos às vitimas das enchentes na sede da CSP-Conlutas e nos sindicados como, Sindsprev RJ e Sepe RJ”, informou, acrescentando que o objetivo é de que estes postos sejam expandidos para todos os sindicatos filiados à Central no Rio de Janeiro.

Segundo Crispim, alimentos não perecíveis, produtos de higiene, roupas, são produtos que as pessoas mais necessitam neste momento.

Nesta quarta-feira (19) haverá uma nova reunião no Sindsprev RJ, às 17h, para articular todas estas ações de maneira mais ampla. Além disso, uma frente parlamentar será formada para fiscalizar se os recursos que o governo sinalizou em disponibilizar para as vitimas destas tragédias, estão sendo devidamente repassados. “Estamos também vendo a possibilidade de entrarmos com uma ação civil responsabilizando o estado por esta catástrofe”, informa Crispim.

No dia 20 de janeiro, um comboio com todos os donativos será levado até as vitimas da região serrana do Rio, começando por Nova Friburgo. Paralelamente à entrega dos donativos, uma carta será entregue à população denunciando os verdadeiros responsáveis pela tragédia. Está comprovado que desde 2008 o Governo do Rio de Janeiro já sabia da hipótese dessa catástrofe, inclusive da vulnerabilidade a qual estava submetida a região serrana. Mesmo assim, não houve investimento em políticas de prevenção e muito menos, na organização de planos de emergência e alerta ante as perspectivas de precipitação de grandes volumes de chuva.

A carta também exigirá que o estado disponibilize mais recursos humanos às vitimas, como médicos e bombeiros; que os hospitais de campanha cheguem até os locais mais isolados; reivindicar a utilização dos hotéis para o abrigo dessas pessoas; suspensão de tarifas públicas no período de um ano, entre outras medidas.

Também presente na reunião, o membro da Secretaria Executiva Estadual da CSP-Conlutas/RJ, Cyro Garcia, ressaltou a importância de todas estas ações. “A classe trabalhadora é muito solidaria, o problema é que grande parte destas campanhas são feitas por instituições burguesas propensas a corrupção. A nossa idéia de fazer uma campanha classista, em parceria com os movimentos sociais, para termos a garantia de que os donativos cheguem ao seu destino”. Além disso, haverá uma campanha de arrecadação de dinheiro para subsidiar ajuda às famílias.

Em São Paulo, esta terça-feira, às 18h, ocorre uma reunião para organizar a campanha no Estado. O objetivo é envolver todas essas entidades numa campanha de arrecadação e ainda viabilizar contribuições materiais imediatas. No estado há várias áreas atingidas que têm referências e organização em movimentos que são filiados a nossa central, como TL (Terra Livre) e MTST, assim buscaremos concretizar a entrega de donativos também para estas regiões.

VEJA COMO AJUDAR AS VÍTIMAS DAS ENCHENTES

Conta para depósito:

Banco do Brasil
Titular: Associação Coordenação Nacional de Lutas
Agência: 0249-6
Conta poupança: 38194-2
Variação: 91

Obs: Não esquecer que a conta é poupança e é preciso colocar variação 91.
Enviar cópia do comprovante do depósito para: cspconlutas-rj@cspconlutas.org.br


Postos de coleta no Rio de Janeiro:
Sede da CSP-Conlutas RJ
Rua Teotônio Regadas, 26, sala 602, Lapa, Rio, Rio de Janeiro – RJ

Sindsprev-RJ
Rua Joaquim Silva, 98-A, Centro – Rio de Janeiro – RJ
Obs: para saber se existem postos de coletas das regionais deste sindicato entre em contato pelo telefone: (21) 3478-8200

Sepe-RJ
Rua Evaristo da Veiga, 55 – 8º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Obs: para saber se existem postos de coletas das regionais deste sindicato entre em contato pelo telefone: (21) 2195-0450  
 

Catástrofe no Rio mostra que capitalismo destrói meio ambiente e mata os pobres

Helena Souza, de Campinas (SP)

O discurso de que os desastres acontecidos nos últimos anos são problemas da natureza, controlada apenas por Deus, de que fenômenos da natureza não têm culpados ou que os culpados são aqueles que vão morar em áreas de risco, e outras desculpas mais, já começam a entrar em descrédito entre a população.

Nada mais correto, já que não é de hoje que vários estudos desenvolvidos por cientistas de várias partes do mundo e do Brasil alertam para as consequências da exploração sem limites dos recursos naturais do planeta e, aqueles que deveriam tomar atitudes, nossos governantes, não fizeram nada.

Desde 1972, o mais conhecido estudo do Clube de Roma denominado “Limites do Crescimento” já apontava para a necessidade de pensar sobre o desenvolvimento econômico de forma séria, considerando os impactos sobre a natureza. Como resposta a essa discussão criou-se o famoso conceito “Desenvolvimento Sustentável” (1), que no sistema que vivemos, onde os valores são o consumo, o lucro e o individualismo, só pode ser utilizado como marketing e, nisso ficou, durante esses quase 40 anos.

O desenvolvimento sustentável não aconteceu na prática e continuou no discurso dos grandes líderes mundiais que todos os anos realizam conferências para resolver os problemas ambientais e, se mostram incapazes de chegar a qualquer acordo, pois suas prioridades estão relacionadas a medidas que permita a obtenção de altos lucros. Essas duas questões são incompatíveis.

Enquanto isso, outros estudos já nos trazem números relacionados às conseqüências do desequilíbrio provocado pela exploração irresponsável, incontrolável e irracional dos recursos naturais. Infelizmente esses números tratam de perdas de vidas humanas e, em sua maioria, a vida daquelas pessoas já condenadas a uma situação precária, marginalizadas, que não tem possibilidade de escolher onde morar, o que vestir ou o que comer.

As catástrofes são efeitos das mudanças climáticas

O PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) em um estudo (2) sobre os efeitos das mudanças climáticas para América Latina e Caribe, apresentado na Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas em Cancun, México realizada em 2010, diz que estas “se manifestam em um aumento gradual, mas constante de temperatura, em modificações nos padrões de precipitação, elevação do nível do mar, na redução da criosfera e na modificação dos padrões dos eventos extremos.” e que, embora o continente contribua com pequena parte das emissões dos gases de efeito estufa, as consequências das transformações climáticas serão significativas. Isso mostra que tanto no mundo, como no interior dos países a maior contribuição para o desequilíbrio ambiental vem dos ricos, no entanto, as maiores consequências sofrem os pobres.

De acordo com o mesmo estudo, na América Latina e Caribe, se percebe um aumento recente nos eventos climáticos extremos, concluindo que, se comparadas com o período de 1970 a 1979, as tempestades ocorridas se multiplicaram por doze e as inundações ocorridas se multiplicaram por quatro entre 2000 e 2009.

O número de pessoas atingidas pelas catástrofes passou de cinco milhões na década de 70 para 40 milhões na última década. O mapa apresentado no estudo, que indica a estimativa de mortes devido à mudança climática, mostra que no ano 2000 os países mais vulneráveis foram aqueles localizados ao sul do planeta, como já era de se esperar.

O estudo também cita as doenças, que devido às mudanças climáticas, podem ter sua amplitude geográfica aumentada em função do aumento vetorial da transmissão como febre amarela, dengue e malária. Comparado com 1970, o mosquito transmissor da dengue e febre amarela se ampliou de uma parte pequena do continente para a quase totalidade em 2002.

A ONG Oxfam em um artigo (3) elaborado em novembro de 2010 com o título “Agora mais que nunca: umas negociações a favor de quem mais necessita”, referindo-se a necessidade de que a Conferência do Clima realizada em Cancun tomasse medidas contra o desequilíbrio ambiental, o que mais uma vez não aconteceu, apresenta também os números de 2009 e 2010 para o mundo.

Primeiros nove meses de 2010 Ano de 2009
- Fenômenos meteorológicos extremos= 725 Fenômenos meteorológicos extremos= 850
- Perda de vidas humanas= 21.000 Perda de vidas humanas= 10.000
Fonte. Oxfam International

De acordo com a OXFAM, “as mudanças climáticas são uma carga a mais para aqueles que vivem afundados na pobreza” e diz que é difícil dizer que todos os desastres acontecidos são resultado das mudanças climáticas, no entanto é o que os cientistas vêm prevendo e, além disso, dizem que serão cada vez mais frequentes e rigorosos.

Vários estudos anteriores já alertavam para a possibilidade de desastres e sobre a necessidade de tomar providências para impedir que a população mais exposta aos riscos das catástrofes ambientais sofra as piores conseqüências. Entre eles estão estudos de cientistas brasileiros como “Economia do Clima” sobre os efeitos das mudanças climáticas no país e “Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras” que apresenta um estudo sobre a região metropolitana de São Paulo.

E as mudanças climáticas? De onde vem? Quem são os culpados?

O mesmo estudo já citado, elaborado pelo PNUMA diz que os responsáveis pela mudança climática são “o maior uso dos combustíveis fósseis, a mudança de uso do solo, a agricultura e a disposição dos resíduos sólidos”.

Se formos procurar esse tal de maior uso dos combustíveis fósseis ou essa tal de disposição dos resíduos sólidos, etc. vamos encontrar um sistema econômico denominado capitalismo. O capitalismo é impulsionado pela acumulação, não concebe a possibilidade de uma economia planificada, onde as necessidades da humanidade possam ser sanadas e onde todos tenham oportunidade de melhorar sua qualidade de vida, sem que os recursos naturais sejam explorados até o seu fim ou o seu desequilíbrio.

Ao contrário, no capitalismo os investimentos são para as técnicas e tecnologias que permitam que o capital possa obter lucros cada vez maiores e mais rápidos. Um exemplo do investimento no avanço tecnológico a favor do capital foi a elaboração e utilização do processo denominado obsolescência programada dos produtos, que cria necessidades de consumo na população reduzindo a vida útil das mercadorias. A cada ano o fabricante diminui o tempo ótimo para que o produto deixe de funcionar corretamente, obrigando a que o consumidor compre outro.

Quem ainda não percebeu que, nas últimas décadas, os produtos que compramos como carros, computadores, celulares, eletrodomésticos, etc. diminuíram seu tempo de utilização? Em poucos anos acaba sua vida útil ou caem no desuso, se tornam antiquados. E nada pode ser aproveitado, pois não vale a pena, somos obrigados a comprar outro.

A aplicação desse método na produção, além de pressionar a retirada dos recursos naturais que compõe a matéria prima dos produtos, também aumenta a retirada dos combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral) necessários para todo o processo de concepção, realização e distribuição de mercadorias. E, por fim, gera uma quantidade enorme de resíduos que contribui ainda mais para o deterioro do meio ambiente.

Essa é a dinâmica do sistema capitalista, o consumo, e centrado nessa engrenagem de transformar cada vez mais rapidamente os recursos naturais em mercadorias e as mercadorias em capital concretizando assim o lucro, já não desenvolve as técnicas e tecnologias em benefício do bem estar do ser humano e do equilíbrio da natureza, mas sim de seu aniquilamento e destruição e, o pior, com uma velocidade impressionante.

Para o futuro imediato, ou seja, para os próximos 40 anos as previsões são catastróficas. O estudo citado acima, realizado pelo PNUMA diz que haverá aumento na intensidade dos furacões, secas em algumas áreas e aumento das chuvas em outras, ondas de calor e um longo etc...

Ou seja, já estamos sofrendo as consequências e estas tendem a piorar no futuro se não forem tomadas providências, por um lado, no sentido de proteger a população pobre que é a mais afetada e, por outro, medidas globais no sentido de diminuir a emissão de gases de efeito estufa que são os responsáveis pelas mudanças climáticas.

Quem poderá colocar em prática essas medidas que representam concretamente o tão famoso Desenvolvimento Sustentável?

O capitalismo é incompatível com desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento econômico e social com condição digna de vida para todos, respeitando os limites dos recursos naturais e assegurando para aqueles que virão depois de nós, as condições necessárias para uma vida com qualidade, só pode ser garantido por aqueles, que dentro do país e em nível mundial, sofrem com a perda de vidas, fome, falta de água e de moradia provocados pelas catástrofes ambientais.

Nas conferências internacionais sobre o meio ambiente temos visto prevalecer os interesses dos detentores do capital, representados por governos como o de Lula/Dilma. No discurso eles defendem a proteção dos recursos naturais, mas na prática definem políticas que tem como objetivo impulsionar o modelo econômico atual que, para obter altos lucros, necessita destruir a natureza e como consequência a vida da população pobre.

Portanto, se queremos preservar-nos, devemos defender também os recursos naturais, que embora existam para todos, não são tratados por todos da mesma forma e os efeitos de seu deterioro não incide sobre todos da mesma maneira.

Os que defendem o desenvolvimento sustentável sob o capitalismo, como diz Luis Vitale (4), ocultam “de forma deliberativa ou não, que a deterioração é precisamente o resultado do tipo de desenvolvimento que dizem defender”. Desta forma, a esperança de mudanças reais e concretas para modificar essa situação está depositada na população pobre que é a única que pode mudar esse sistema econômico chamado capitalismo por outro sistema econômico que realmente garanta o desenvolvimento sustentável.

Considerando que os recursos naturais, o ser humano e o desenvolvimento da tecnologia compõem as forças produtivas da sociedade, podemos citar a atualidade de Marx quando escreve:

“Ao chegar a uma determinada fase de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade se chocam com as relações de produção existentes, ou, o que não é senão a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade dentro das quais se desenvolveram até ali. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações se convertem em obstáculos a elas. E se abre, assim, uma época de revolução social” .(5)


O sistema capitalista não só se converteu em uma trava para o desenvolvimento das forças produtivas, mas se transformou em seu destruidor. Novas relações sociais de produção que garantam o desenvolvimento do ser humano e ao mesmo tempo o respeito aos limites da natureza devem estar baseadas no planejamento da produção, na igualdade de direitos sociais e na preocupação de garantir a qualidade de vida para a atual geração mantendo os recursos que garantam qualidade de vida também para as futuras gerações.

Uma sociedade com estas características dará a maioria da população o poder de tomar as decisões sobre a produção e o consumo levando em consideração suas necessidades e não os benéficos aos donos do capital.

Uma sociedade assim só pode ser baseada em relações socialistas de produção e distribuição. Só pode ser garantida por um sistema socialista em nível mundial.



(1) Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.
(2) Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA). Gráficos Vitales del Cambio Climático para América Latina y el Caribe. 2010. Acessível em: http://www.pnuma.org/informacion/comunicados/2010/6Diciembre2010/1cpb35n_i.htm

(3) OXFAM International Media Briefing. Ahora más que nunca: Unas negociaciones a favor de quienes más lo necesitan. Novembro de 2010. Acessível em. http://www.oxfam.org/es

(4)Luis Vitale - Introducción de "Hacia una historia del ambiente en América Latina" Acessível em: http://el-radical-libre.blogspot.com/2010/07/luis-vitale-introduccion-de-hacia-una.html

(5) Karl Marx- Prefácio à “Contribuição à Crítica da Economia Política., 1859. Acessível em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1859/01/prefacio.htm


Militantes do PSTU vão até Nova Friburgo em busca de companheiros

 

 Militantes encontram situação caótica e uma cidade destruída

Rafael Nunes, Heitor Fernandes, Maria José e Suzana Gutierrez


     Qualquer filme desses comerciais que contam histórias de apocalipse e final dos tempos tem cenas que traduzem perfeitamente o que vive hoje Nova Friburgo e a Região Serrana. De uma bela cidade muito freqüentada por turistas, cercada por montanhas e paisagens verdes, o que sobrou foi uma terra arrasada.
     Chegamos a Nova Friburgo na sexta-feira, dia 14, em busca de militantes do partido e ativistas dos movimentos sociais, com os quais não conseguimos mais contato desde a chuva de terça-feira, que isolou a cidade e cortou as comunicações. Felizmente, conseguimos encontrar alguns de nossos companheiros que nos relataram que, apesar de toda essa tragédia, todos estão bem fisicamente. Alguns permaneciam praticamente isolados, em locais onde só era possível chegar caminhando muitos quilômetros. Mas estavam vivos. Os problemas estruturais são diversos e a maior gravidade, depois das vidas perdidas, são as casas que estão destruídas ou ameaçadas. Estamos acompanhando e sendo parte de uma organização de solidariedade com os atingidos.
     Chegar na cidade, normalmente a cerca de três horas do Rio de Janeiro, é bastante difícil devido a diversas encostas que desabaram com arvores e pedras, casas que estão no alto desses morros ameaçam desabar, parte da estrada em alguns lugares cedeu e para aumentar ainda mais as dificuldades a chuva não para de cair há dias. Na cidade, caminhando pelas ruas do Centro, completamente coberta de grandes espessuras de lama por todo o lado, onde prédios residenciais inteiros vieram abaixo, vemos uma população ainda atônita e desnorteada depois de alguns dias dos principais deslizamentos e desabamentos. O assunto entre os grupos de bate papo, das pessoas que saem de suas casas, são sobre o estado de familiares e conhecidos. Muitos ainda desaparecidos, em locais isolados ou desabrigados. A população denuncia que as imagens veiculadas na grande mídia são poucas, repetidas e que não mostram toda a situação.
     Pensar a cidade de Friburgo é imaginar um grande Centro com diversos distritos e conjuntos de casas afastados, em geral na beirada de grandes ribanceiras e montanhas onde brotam rios e cachoeiras. Nesses locais os bombeiros não conseguem chegar ou têm enormes dificuldades e as informações são completamente desencontradas. Por conta dessa triste realidade boa parte dos moradores, sem exageros, acreditam que os números de mortos vão subir muito. Na cidade se fala que o número total deve passar de mil mortos, pois alguns vilarejos desapareceram e centenas de pessoas permanecem enterradas, o que agrava ainda o problema do surgimento de doenças. A todo momento se fala também nas ruas em novas tragédias como novos desabamentos, famílias encontradas mortas, um abrigo que desabou matando dezenas de crianças, carros com pessoas dentro submersos na lama e acaba que as informações muitas das vezes não são confirmadas deixando a população ainda mais emocionada e traumatizada.
     A Praça do Suspiro, famoso ponto turístico onde se pega o teleférico que leva para o alto de um morro, de uma bela praça se transformou em um mar de lama. A igrejinha permanece apenas com a fachada, sem as paredes laterais e com seu interior cheio de pedras, terras e, ainda, segundo os próprios moradores, com um carro que teria despencado do alto do morro e parado lá dentro com pessoas mortas. É impossível se aproximar muito para fazer qualquer registro devido a destruição ao redor. Os cabos e assentos dos teleféricos estão todos no chão assim como os postes e orelhões e ha carros, como em toda a cidade, destruídos e enterrados na lama. Parte da montanha veio abaixo e da praça é possível ver construções que a qualquer momento podem desabar.
     Além do sofrimento de toda a cidade, com as centenas de pessoas que perderam suas vidas e milhares que estão desabrigadas, há ainda os graves problemas de todas as ruas, casas e prédios estarem cheios de lamas e ainda tem a falta de luz, telefone, água e serviços urbanos. O cemitério perto do centro da cidade permanece cheio de gente a todo o momento, os supermercados e farmácias ou estão fechados ou abrem em “meia porta” fazendo com que a população tenha sérios problemas de abastecimentos, os postos de gasolina que ainda funcionam tem enormes filas de carros e só recebem em dinheiro e ainda existe o problema da sujeira para todo o lado. Além de tudo que foi trazido pelas enchentes, todo alimento e produtos de supermercados e lojas que apodreceram ou foram destruídos pela chuva estão sendo jogados nas calçadas fazendo com que montanhas de alimentos em decomposição causem um cheiro insuportável e ameaças de doenças.
     As ruas da cidade parecem que estão em estado de guerra. Onde os carros ainda podem passar ocorrem engavetamentos e engarrafamentos todo o instante. Todo momento carros de diversas polícias, das forças armadas, bombeiros e tratores se cruzam em alta velocidade com sirenes ligadas. É possível ver fileiras de ambulância partindo para socorrer feridos e resgatar mais mortos e muitos policiais, que contam com a presença do Batalhão de Operações Especiais da PM, o BOPE, fazem a segurança dos principais estabelecimentos comerciais, como supermercados fechados, devido às ameaças de saques.
Essa cidade pequena que encantou milhares de pessoas com suas belezas naturais e históricas vai demorar muito tempo para retomar sua velha rotina e algumas cicatrizes profundas infelizmente vão permanecer...

Enchentes no Rio: De quem é a culpa pela tragédia?

Assista programa da TV PSTU onde Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU-RJ, fala sobre as trágicas enchentes que assolaram a Região Serrana do estado deixando já quase 600 mortos, milhares de desabrigados e inúmeras pessoas desaparecidas.

Leia também artigo de Zé Maria, presidente nacional do PSTU, que analisa as tragédias provocadas pelas enchentes em todo o país.



Enchentes no Rio: uma história antiga, mas não inevitável


Dirley Santos, do Rio de Janeiro (RJ)

O longo histórico de tragédias não pode servir como desculpa dos governantes. Ao contrário, apenas prova que a elite carioca foi avisada pela natureza. E não se importou.

“Predominam no estado do Rio de Janeiro os climas tropical (baixadas) e tropical de altitude (planalto). Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, domina o clima tropical semi-úmido, com chuvas abundantes no verão, que é muito quente e invernos secos, com temperaturas amenas. (...) e o índice pluviométrico fica entre 1.000 a 1.500 milímetros anuais.”
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro#Clima


O Estado do Rio de Janeiro, e principalmente sua região metropolitana, é periodicamente assolado por grandes enchentes provocadas pelas tradicionais tempestades de verão. O que geralmente provoca grandes transtornos à sua população e mata várias pessoas, especialmente trabalhadores mais pobres, obrigados a viver em regiões e moradias precárias.

As enchentes na metrópole fluminense geralmente impactam as comunidades pobres nas várzeas e aterros próximos à Baía de Guanabara; nas favelas em morros (freqüentemente próximas ao centro e à Zona Sul carioca) e na Baixada Fluminense, que não possui um sistema de drenagem propício para uma área originalmente pantanosa.

E ao contrário do que querem fazer crer as autoridades, nada disso é fruto dos desvarios da natureza ou destino divino. A tese de que as enchentes são inevitáveis não resiste a um rápido levantamento histórico.

A cronologia das enchentes no Rio de Janeiro tem seu primeiro registro no século dezoito. Em setembro de 1711 grandes inundações assolaram a cidade fundada 50 anos antes pelos portugueses em um sítio entre a Baía de Guanabara e um verdadeiro mar de morros. E, em abril de 1756, um grande temporal provocou inundações em toda a cidade – canoas foram vistas navegando pelo centro - e desabamentos de casas fizeram inúmeras vítimas fatais.

Já no século XIX, em 1811, novas inundações castigaram o Rio de Janeiro entre os dias 10 e 17 de fevereiro. Catástrofe que ficou conhecida como “águas do monte”, por conta da enxurrada violenta que descia dos diversos morros da cidade. O Morro do Castelo (importante sítio urbano no centro) desmoronou, arrastando muitas casas, com muitas vítimas. A tragédia foi tão grande que as igrejas, sob ordens de D. João VI, príncipe regente, acolheram os desabrigados. Pela primeira vez foram feitos estudos sobre as causas da catástrofe.

Grandes inundações também ocorreram em março de 1906, no século XX, tendo sido registradas como das maiores até então. O Canal do Mangue (próximo de onde é hoje a Praça da Bandeira) transbordou provocando alagamentos em quase toda a cidade. Em alguns morros, entre eles o de Santa Teresa, aconteceram desmoronamentos com mortes.

Em abril de 1924 fortes chuvas encheram novamente o Canal do Mangue e inundaram a Praça da Bandeira e vários bairros. Houve desabamento de barracos no Morro de São Carlos (berço da Escola de Samba Estácio de Sá). Fatos parecidos viriam a ocorrer também em 1940, 1942 e 1962.

Mas o temporal do dia 2 de janeiro de 1966 entraria tragicamente para a história. Fortes chuvas que duraram uma semana ocasionaram enchentes, deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e no antigo Estado da Guanabara (denominação da cidade do Rio de Janeiro enquanto foi capital do Brasil) provocando o caos no transporte, “apagão” elétrico e o colapso do sistema de emergência. O que com certeza contribuiu para a morte de 250 pessoas e para deixar mais de 50 mil desabrigados.

Mesmo com esse aviso catastrófico os anos de 1967 (quando mais de 500 pessoas morreram em diferentes temporais e 25 mil ficaram feridos) 1982 (06 mortos), 1983 (18 mortos), 1987 (292 mortos e 20 mil desabrigados, o que provocou primeiro a decretação do Estado de Emergência e depois do Estado de Calamidade Pública), 1988 (mais de 600 mortos e quase 20 mil desabrigados, principalmente na capital, na Baixada Fluminense e na região Serrana), 1991 (25 mortos), 1999 (41 mortos). E de lá pra cá, em pleno século XXI, as coisas não mudaram, aliás, pelas tragédias que estamos acompanhando agora, pioraram.

Como vimos, chuvas fortes de verão são regras e não exceção no Rio de Janeiro, pois praticamente todo o período que pega de setembro/outubro do ano anterior até março/abril do outro ano (início da primavera e final do verão) vem há séculos sendo marcado por fatos e tragédias similares que chocam a opinião pública, ganham apenas declarações demagógicas dos governantes e vitimam os trabalhadores.  

 

Chuvas no Rio: Omissão dos governos faz novas vítimas

Governantes fazem muita pompa e pouca ação


 Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro (RJ)

 As chuvas de abril de 2010 fizeram encostas deslizar, matando centenas de pessoas, e fizeram todo o Brasil saber da existência de um lugar chamado Morro do Bumba.
As águas deste janeiro de 2011 marcam uma nova tragédia para o povo fluminense. Os mortos já ultrapassam a 500. Em Teresópolis contam-se 185 vítimas fatais, mas já foram cavadas 300 covas. Ou seja, podemos estar diante de uma tragédia sem precedentes, mas absolutamente previsível.

Todos os anos as chuvas de verão castigam o estado do Rio. A ocupação urbana, a canalização, ou mesmo aterramento, de rios lagos e lagoas colocam sempre a possibilidade de inundações, deslizamentos de terras, quedas de barreira e encostas. Até as pedras da Serra dos Órgãos sabem disso. Aparentemente todos os governantes do estado, prefeitos, ex-prefeitos, governadores e ex governadores, presidentes atuais e
passados faltaram as aulas de geografia elementar.

Na história mais recente (após a ditadura), o estado do Rio foi governado pelo PDT , PT, PSDB, PMDB, estes também são os partidos que se revezam nas diferentes prefeituras do estado e no governo federal.

Sim, existem responsáveis por essa tragédia há tempos anunciada: os distintos governantes que se recusam a investir em obras que preservem a vida da população trabalhadora.

As centenas de mortos não são um acaso da natureza ou um desígnio de um deus vingativo. Elas são fruto do descaso e menosprezo pela vida de milhares de pessoas. Os mortos somam-se as centenas, os desabrigados aos milhares.

É possível evitar tragédias deste tipo?
O marxismo nos ensina: a história humana sobre o planeta é também a história da luta para compreende a natureza e tentar controlar seus fenômenos. O desenvolvimento das forças produtivas, em última instância, pode ser traduzido como a luta por sobreviver, na luta contra os elementos naturais, a luta por bem estar.

Não é possível impedir que as chuvas desabem do céu. Tampouco se quer isso. No entanto é possível impedir que milhares de pessoas percam as conquistas de uma vida inteira de trabalho. É possível e necessário impedir o choro de centenas de famílias por seus mortos em uma tragédia que poderia ter sido evitada.

Não são poucos os lugares do mundo onde catástrofes naturais como tufões, terremotos e erupções vulcânicas surpreendem pela impetuosidade da natureza por um lado, e por outro pela ausência de vítimas fatais.

A ausência de mortos não está vinculada a boa ou má sorte, nem a desígnios divinos. Senão pelo investimento em infra-estrutura, prevenção, planos de resgate e evacuação, máquinas e equipamentos apropriados. Basicamente no planejamento urbano, de forma a que a fúria da natureza não signifique perdas humanas e perdas materiais de
tal monta que não possam ser repostas em uma geração.

O que cobrar no imediato dos governos?
Liberar o FGTS dos atingidos, como faz o governo federal, é apenas tentar jogar sobre as vítimas a responsabilidade pelo ocorrido. É o mesmo que dizer: vocês estão sozinhos nessa!

O mínimo é que as comunidades de trabalhadores que foram atingidas, ou seja, aqueles que ganham o pão com o suor do próprio rosto, tenham seus bens materiais repostos pelos governos responsáveis – por sua omissão através dos anos.

O governo federal, Sergio Cabral e os prefeitos têm de vir a público comprometer-se com a construção de casas. Mas não só. Os investimentos nas medidas necessárias para que tragédias desde porte não se repitam é uma exigência que a lembrança dos mortos não deve nos permitir deixar passar.

NÃO PERCA: Programa do PSTU vai ao ar dia 20 de janeiro

Da Redação
No próximo dia 20 de janeiro, quinta-feira, mais uma vez, o PSTU vai mostrar em rede nacional de rádio e televisão o que o governo e a imprensa não querem que você veja. É o programa semestral do partido, com cinco minutos de duração.

Nesse raro momento de furo ao bloqueio da grande mídia, vamos denunciar os cortes no Orçamento realizado pelo governo Dilma, assim como a preparação de novas reformas contra os trabalhadores, como a reforma da Previdência. Contrariando o discurso otimista da imprensa e do governo, vamos mostrar como isso se relaciona com a crise econômica que explode na Europa e, como está ocorrendo lá, vamos apontar a saída para essa crise na organização e mobilização dos trabalhadores.

O programa partidário do PSTU vai ao ar na rádio às 20h e na TV a partir das 20h30. Fique ligado e avise seus contatos, amigos e parentes. Divulgue em sua lista de emails, Orkut, Facebook, Twitter, etc, vamos divulgar ao máximo essa rara oportunidade de os trabalhadores e a população assistirem a uma mensagem socialista em pleno horário nobre da TV.
Fique ligado e avise os seus amigos!

O que nos espera o governo Dilma?

Formação do novo governo e declarações de ministros apontam o pior: ajuste fiscal seguido de reformas contras os trabalhadores

Dilma continuará política econômica de Lula

Imagine a seguinte cena: um candidato qualquer à presidência da República em seu programa eleitoral na TV. Começa o discurso lamentando as condições externas não serem tão favoráveis quanto foram nos anos anteriores. Adverte para o perigo da inflação, que já ultrapassa as metas do governo e do rombo nas contas da Previdência. Promete então um rígido corte nos gastos públicos, um reajuste irrisório para o salário mínimo e, de quebra, uma redução no valor pago pelos empresários ao INSS dos empregados. Por fim recomenda “mão pesada” nas contas do governo.

Claro que nenhum candidato diria uma coisa dessas. Mas foi justamente o que o governo vem anunciando nos últimos dias, há apenas poucas semanas após as eleições, quando sua candidata Dilma Roussef prometia o céu na Terra. Fechadas as urnas e contabilizados os votos, o governo pôde tirar a máscara e expor claramente sua política econômica para o próximo período. E ela será exatamente o que anunciou à imprensa o ministro da Fazenda Guido Mantega, que deve permanecer no cargo no próximo mandato, “mão pesada” nos gastos públicos, leia-se, no Orçamento incluindo áreas como Saúde, Educação e Previdência pública.

Durante o auge da crise econômica mundial, no final de 2008, e seus reflexos quase imediatos no Brasil, o governo Lula pôs em prática uma política de subsídios, financiamentos públicos às empresas e isenções fiscais. Poderia ter decretado a proibição das demissões, estatizando as que insistissem em despedir, e reduzido a jornada de trabalho como forma de abrir novos postos. Mas, ao invés de ter uma política voltada aos trabalhadores, preferiu garantir os lucros dos banqueiros e empresários, à custa do dinheiro público. Agora, com a fatura sendo expedida, a depender do futuro governo serão novamente os trabalhadores que pagarão a conta de uma crise que se avizinha.


Crise na Europa
Se tem algo que o governo está certo, é quando diz que a conjuntura internacional não será tão favorável nos próximos anos. Se o governo Lula pôde surfar a onda do crescimento econômico mundial, que aumentou a demanda por commodities (matérias-primas básicas) e possibilitou acumular superávits (ou “lucros” com o mercado externo), agora a situação é outra. Nos EUA, que foi o trem que puxou o resto da economia mundial, a crise está longe de terminar e faz uma legião de 15 milhões de desempregados em todo o país.

Mas é na Europa que a crise se mostra cada vez mais dramática. A série de estímulos fiscais e ajuda aos banqueiros e empresários cobram agora seu preço revelando os enormes rombos nos orçamentos públicos. A bola da vez deste final de ano é a Irlanda, que gastou o equivalente a 32% de seu PIB para salvar os bancos. A Grécia, por sua vez, reaparece com um rombo insanável. Em praticamente todos os países, os governos impõem brutais cortes fiscais, atingindo a Educação e praticamente todas as áreas sociais. Na Inglaterra, os resquícios do Estado de Bem-Estar Social estão sendo desmantelados, terminando o trabalho iniciada por Tatcher há 30 anos.

Mas o que isso tem a ver com o Brasil? No âmbito de um mercado globalizado e, pior, com uma economia dominada pelas multinacionais e o capital internacional, como a nossa, é inevitável que essa crise aporte por aqui. Só para se ter uma ideia, a Europa compra 21% das commodities que o Brasil exporta. Cerca de 10% da capital bancário no país é espanhol, e os bancos da Espanha estão ligados aos países quebrados. E tudo isso representa: além da redução nas exportações, mais repasses de lucros das filiais bancárias para a matriz, como ocorre no Santander.

Concluindo o panorama sombrio para o próximo ano, o próprio governo prevê um rombo de 50 bilhões de dólares com o mercado externo em 2011. Ou seja, o país vai ficar 50 bi mais pobre no próximo ano.

O time do ajuste fiscal
Além da conjuntura externa, a formação da equipe econômica do governo Dilma já adianta o que virá a seguir. O segundo posto mais importante da República, a Casa Civil, só abaixo do presidente, estará a cargo de Antônio Palocci Filho. O petista é considerado o homem dos banqueiros do partido. Para quem não se lembra, foi Palocci quem, logo no início do governo Lula em 2003, mais bancou a política de ajuste fiscal e juros altos.

Pouco antes de ser cassado por corrupção e quando ainda era ministro, Palocci tentava emplacar a ideia do chamado “déficit nominal zero”. Um duro ajuste fiscal para reduzir os gastos públicos, a fim de que, mesmo com o pagamento de R$ 185 bilhões de juros da dívida por ano, o governo não tenha déficit, ou seja, prejuízo. Hoje, o governo só tem superávit se não é considerada essa conta dos juros, caso contrário o déficit chega a 2% ou 3%.

Para completar o time do ajuste fiscal estão Miriam Belchior no Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central, dois nomes desconhecidos pela população, mas que já estão no governo hoje. Ou seja, comprometidos com a manutenção da atual política econômica.

Preparar a resistência
Para o início do governo Dilma, o ministro Guido Mantega já anunciou um corte de R$ 20 bilhões logo de cara. Já se fala, porém, em cortes da ordem de R$ 45 bilhões dos gastos públicos correntes, ou seja, em gastos com salários e manutenção de serviços públicos.

Além disso, em meio à campanha eleitoral, o jornal carioca O Globo divulgou que a atual equipe econômica já estaria formulando uma nova reforma da Previdência para o próximo mandato. À época, Dilma negou a informação, mas nos últimos dias o atual ministro do Planejamento e futuro dono das Comunicações, Paulo Bernardo, vem insistindo na necessidade da reforma. “Fatalmente vamos ter de discutir regras novas. Um bom ponto de partida seria tentar uma reforma que signifique uma mudança importante para quem vai entrar no mercado”, afirmou à revista Brasil Atual, ligada à CUT.

A reforma da Previdência do setor público em 2003 levada a cabo por Lula logo no início de mandato pegou muitos de surpresa. Para a grande maioria da população, o novo governo gerava tremendas expectativas. Grande parte da esquerda, por sua vez, não acreditava que o governo Lula começaria com um ataque tão grande. Desta vez, porém, não faltam avisos.

Cabe aos trabalhadores e suas organizações prepararem desde já a resistência a esses ataques, a exemplo da reunião que ocorreu em 25 de novembro em Brasília com a presença da CSP-Conlutas e dezenas de entidades sindicais e de movimentos populares, que aprovou a formação de um espaço para a organização de jornadas de lutas já para o primeiro semestre de 2011. Uma nova reunião acontece em 27 de janeiro, também em Brasília.