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Quem é o mais prejudicado com as chuvas no Rio de Janeiro?

PSTU-RJ

Destruição causada pela chuva na serra fluminense
Lamentavelmente, a história se repete todos os anos. Com a proximidade do verão, os temporais atingem o estado do Rio de Janeiro e, como sempre, são os trabalhadores que sofrem, que perdem suas vidas, seus bens, suas casas.

Esta semana, o estado do Rio de Janeiro foi atingido por um forte temporal. Em Macaé, houve morte e centenas de desabrigados. Em Nova Iguaçu, Belford Roxo, Japeri, Queimados e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, mais mortes e milhares de desabrigados. Na capital, bairros inteiros ficaram embaixo d’água.

As duas principais rodovias, Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra, ficaram várias horas interditadas por terem bolsões de água em vários pontos, impedindo deslocamento de caminhões, ônibus e carros de passeio. Um verdadeiro absurdo. Milhares de pessoas presas, sem poder se deslocar. Pessoas sendo obrigadas a subir em cima dos ônibus para não se afogarem.

Bairros como Pavuna, Jardim América, Fazenda Botafogo, Madureira, Complexo do Alemão, Bonsucesso, Manguinhos, Jacaré, Jacarepaguá e vários outros, tiveram alagamentos com prejuízos incalculáveis a milhares de trabalhadores. A enchente destruiu móveis e eletrodomésticos. Para muitos, foi a destruição não só das casas mas dos sonhos de um 2014 melhor do que 2013.

Agora são milhares sem casa. Os que têm casa, não têm móveis. Muitos perderam o carro usado, que não tinha seguro. Alguns ainda têm de pagar o financiamento ao banco. Tudo isso por irresponsabilidade do governador Sergio Cabral e do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, dos empresários e políticos corruptos.

O país da Copa é o país da corrupção e do descaso com os trabalhadores
Não podemos ter dúvidas. DilmaRousseff, Cabral, seus prefeitos e parlamentares são os responsáveis. Há mais de quatro estão queimando bilhões de reais em obras. Mas o que se vê são as empreiteiras enriquecendo, são obras sem licitação, estruturalmente erradas e, principalmente, obras que não são prioritárias. Por que derrubaram a Perimetral? Por que as novas casas no morro do Bumba desabaram antes de os moradores entrarem nelas? O que pode explicar uma via como a Avenida Brasil dez horas submersa? A novíssima Binário, no porto, ficar alagada? Uma das explicações é o descaso com o estado do Rio, com as nossas vidas.

No Complexo do Alemão, mais de 400 pessoas ocupam a Biblioteca da região. Não recebem socorro da parte do Estado e da Prefeitura. Tem sido assim sempre. Agora, os governantes dizem que tomarão medidas de emergência para que tais coisas não voltem ocorrer. Dá pra confiar? Por que não tomaram antes?

Depois do desastre, dos prejuízos e da justa indignação com eles, estes corruptos demonstram preocupação. É óbvio que as obras prioritárias não foram feitas. O simples recolhimento do lixo nos bairros pobres não é feito. As dragagens dos rios e a construção de estrutura de escoamento para as águas pluviais passam longe de ser prioridade de Cabral, Paes e demais prefeitos do estado.

Dilma, que aplica a mesma política nacionalmente, se junta com Cabral e Paes para reprimir os saques produzidos pelos moradores atingidos pelas enchentes. Fazem cara de espantados com os justos protestos que explodem espontaneamente em vários lugares do estado, motivados unicamente pela revolta de ter perdido tudo.

Não é da Força de Segurança Nacional que o estado do Rio precisa. Precisamos de um governo que governe para os trabalhadores, para a juventude e para o povo pobre. Não queremos polícia nacional, para além de tudo que já estamos passando, nos reprimir. O que nós queremos e precisamos é morar em áreas seguras para criar nossos filhos sem o risco de desabamentos de encostas, de desabarem nossas casas. Queremos, e precisamos que o dinheiro que pagamos em impostos não seja roubado pelas empreiteiras e pelos governos através dessas obras de fachada que, quando chega a temporada de chuva, se mostram ineficientes.

Os moradores atingidos pelas chuvas e pelas enchentes têm sim direito de protestar ao terem sede e fome, de água, comida e justiça. Os governantes precisam parar de lamúrias e conversa e garantir remédios, água, comida e o que mais for necessário.

Fora Cabral e Eduardo Paes
O PSTU há três anos defende que Sérgio Cabral não tem autoridade para dirigir o nosso estado. Não pode ser governador quem bate em professor, quem se envolve em negócios nebulosos com empreiteiras, quem privatiza o Maracanã.

Não podemos nos calar diante de mais uma tragédia anunciada que poderia ser evitada e que trouxe desespero para milhares de famílias. É necessário que todas as famílias atingidas tenham imediatamente e sem burocracia um aluguel social de R$ 1.000. Todos os atingidos pelas enchentes que tiveram os seus bens perdidos têm de ser indenizados imediatamente pelo Estado e pelas prefeituras sem nenhum custo para a população.

Todos que se encontram em área de risco têm de ser removidos para locais seguros e que sejam construídas moradias em locais apropriados. É preciso exigir o fim das obras de fachadas que só favorecem as empreiteiras e um plano de obras públicas para evitar novas enchentes.

O PSTU defende a saída imediata do Governador Sergio Cabral e o responsabiliza por mais esta tragédia. Denunciamos a tentativa de Dilma e do governador Sergio Cabral de criminalizar os atingidos pelas chuvas. É necessário exigir que não sejam enviadas polícias nem a Força de Segurança Nacional. O que a população precisa é de água, comida, medicamentos, roupas e outros artigos, não de repressão.


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ATO PÚBLICO EXIGE: LIXÃO, FORA DE HONÓRIO GURGEL!


Sábado, 8 de dezembro, 10 horas da manhã!
Sob um sol de mais de 40 graus, adultos, jovens, idosos e até crianças, todos moradores dos bairros e comunidades de Honório Gurgel, Coelho Neto, Jorge Turco e adjacências resolveram dar um basta em mais uma arbitrariedade da prefeitura de Eduardo Paes: a instalação de um lixão na região, que tem degradado a qualidade de vida dos habitantes e provocado até morte de funcionários.
Vivendo em uma região com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos mais baixos do município os manifestantes, organizados pela Associação Pró-melhoramentos de Honório Gurgel, pela Associação de Donas de Casa de Honório Gurgel, pela CSP-Conlutas e pelo Movimento Nacional Luta Popular; depois de se concentrarem em frente à Vila Olímpica, fecharam meia pista da Rua Uruaí (uma de suas vias principais).
Após um tempo fazendo apitaço e divulgando os motivos do protesto junto a pedestres e motoristas, todos se dirigiram em caminhada pelas ruas do bairro até o local do lixão, localizado em plena em plena Avenida Brasil (a mesma que inspirou a recente novela da Rede Globo, ironicamente, também sobre um lixão).  
Por pelo menos meia hora os ativistas impediram a entrada de novos caminhões contendo lixo e levaram sua solidariedade aos trabalhadores da Cytrus e da prefeitura, muitos também moradores da região, pela morte recente colegas de trabalho.

Lixão instalado com aval da Prefeitura, fede e mata!
Funcionando há mais de seis meses sob administração da empresa Ciclus, a chamada estação de Tratamento de Resíduos Sólidos, na verdade é um lixão que recebe 8 toneladas diárias de lixo e comete verdadeiros crimes sócio-ambientais: exala fedor insuportável pelas redondezas, provocando náuseas e enjoos, principalmente em crianças e idosos;  ocasiona o aumento populacional de  vetores (transmissores de doenças)  como ratos, baratas e outros insetos; e com isso, provoca o surto de doenças.
Além disso, “estação de tratamento” da Ciclus já provocou a morte de dois funcionários, um morto em explosão de recipiente de gás metano e outro, acreditem; afogado em chorume (líquido pútrido resultante da decomposição do lixo). Há, ainda, denúncias de que até hoje a empresa e a prefeitura não liberam as indenizações que as famílias têm direito. Ou seja, além de tratar mal os moradores da região, empresa e prefeitura tratam pessimamente seus trabalhadores.
Por tudo isso, é preciso apoiar esta luta dos moradores de Honório Gurgel, Coelho Neto, Jorge Turco e região.
Vamos ser solidários divulgando esta vergonha e participando da campanha pela retirada imediata do lixão!
veja mais imagens do ato



Em uma grande marcha, uma resposta ao fracasso da Rio+20

Marcha na Cúpula dos Povos reuniu cerca de 25 mil no Rio

Nesta quarta-feira, 20 de março, o Rio assistiu à maior manifestação de rua dos últimos anos, quando um mar de gente ocupou a Avenida Rio Branco, no centro da cidade. A Marcha dos Povos reuniu pelo menos 25 mil manifestantes. Enquanto as últimas expectativas em torno à Rio+20 se dissolviam, a marcha foi um símbolo da polarização conquistada pela Cúpula dos Povos nas ruas cariocas.

Com a presença de diversas centrais sindicais, partidos políticos, sindicatos, entidades da causa ambiental, ONGs, organizações indígenas e ativistas de vários países, o tamanho da marcha impactou até mesmo seus participantes. A animação tomou conta dos manifestantes e não poderia ser diferente.

Igualmente, não faltou irreverência para expressar a luta pela preservação ambiental. Cartazes e faixas, fantasias, maquiagem e bonecos gigantes deram o colorido à manifestação. Um dos maiores retrocessos ecológicos do Brasil no período de governos do PT, o Código Florestal, foi amplamente denunciado na manifestação. Segundo cartazes distribuídos no ato, “o jogo ainda não acabou”.

Em uníssono, a marcha foi uma crítica contundente ao discurso do “capitalismo verde” proposto pela Rio+20. O fracasso da reunião de cúpula impulsionou a denúncia da hipocrisia dos governos de todo o mundo.

A presença da greve das universidades
Professores, funcionários e estudantes em greve nas universidades federais marcaram presença. Os ativistas da educação concentraram-se em frente a ALERJ, na rua Primeiro de Março, e se dirigiram à Candelária, onde se juntaram à passeata – compondo uma bela coluna, de pelo menos 2500 manifestantes.

As palavras de ordem mais cantadas na greve foram ouvidas na marcha. Entre elas, “Cadê o dinheiro? A Dilma deu tudo para o banqueiro e o bicheiro” ou “A greve unificou. É estudante, funcionário e professor!”. A precarização imposta pelo REUNI também esteve clara no conteúdo políticos das intervenções.

ANEL e CSP-CONLUTAS emprestaram suas forças a engrossar a coluna da greve. A ausência da UNE na coluna, além de ilustrar a incapacidade da velha entidade em dar rumo à greve dos estudantes, foi seguidamente denunciada nas palavras de ordem.

Socialismo ou barbárie ambiental
O PSTU esteve presente no ato, onde denunciou as conseqüências da exploração predatória da natureza promovida pelo capitalismo ao redor do mundo. Para o partido, conferências como a Rio+20 não podem oferecer saída à crise ambiental, porque os governos de todos os países estão subordinados ao interesse das empresas que poluem.



Nesse sentido, a marcha foi mais um espaço importante para a defesa do socialismo. Para Cyro Garcia, pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSTU, “a situação do meio ambiente e a falência de mais uma reunião de cúpula do imperialismo para tratar da questão reforçam a atualidade da causa socialista. Quando nos deparamos com a destruição do planeta, vemos que o mercado e a sanha por lucros estão conduzindo a humanidade, literalmente, à destruição. Essa compreensão é parte fundamental de nossa convicção de lutar pela planificação da exploração dos recursos naturais, como parte da construção de um mundo socialista”.

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Ato de mulheres agita a Cúpula dos Povos

Passeata agitou centro da cidad
• Cerca de 2500 manifestantes marcharam na manhã desta segunda-feira, 18 de junho, na Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos. A manifestação é mais uma das atividades que ocorrem no Rio de Janeiro, em paralelo à Rio+20. Quem passava pelo centro da cidade pôde testemunhar uma bela passeata feminista, que denunciou a farsa da “economia verde” e a situação dos setores oprimidos no país.

   O ato contou com a presença de um amplo espectro de entidades, desde a ANEL e a CSP-CONLUTAS até CUT, CTB, MST, Marcha Mundial de Mulheres, UNE e CPT. Caminhando do MAM, no Aterro do Flamengo, até o Largo da Carioca, a manifestação deu visibilidade à crítica ao que representa a Rio+20. Em uma das palavras de ordem mais cantadas, podia-se ouvir: “capitalismo não me engana, não/Pintar de verde é falsa solução”.

"Mulheres jovens, vamos à luta"
   A ANEL chamou a atenção com uma das colunas mais animadas da marcha. As estudantes garantiram que se expressasse no ato a forte greve nacional da educação. Suas exigências combinavam as demandas da greve estudantil com a luta contra as opressões. Nesse sentido, a entidade se posicionou pela construção de creches nas universidades e exigiu, ainda, que Dilma revogue seu veto ao kit anti-homofobia para as escolas.

   Luiza Carrera, estudante da UFRJ, interveio em nome da ANEL. “As federais estão em greve porque queremos mais investimentos em educação; porque queremos creches, para que as mulheres não sejam obrigadas a abandonar seus estudos quando engravidarem. Por isso, o recado da ANEL é claro: mulheres jovens, vamos à luta!”.

   No mesmo espírito, Camila Lisboa, representando o MML (Movimento Mulheres em Luta), declarou: “a nossa luta é porque, em um país governado por uma mulher, não podemos mais admitir que as mulheres morram, vítimas da violência ou dos abortos clandestinos”.

   Durante a semana, seguirá a programação da Cúpula dos Povos. Acompanhe a cobertura do Portal do PSTU.

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Leia o boletim especial divulgado pelo PSTU durante as atividades da Rio+20 e a Cúpula dos Povos

Boletim distribuído durante a Cúpula dos Povos
Vinte anos após uma das maiores conferências ambientais do mundo, a ECO-92, os resultados não poderiam ser piores para o meio ambiente. A cada dia, 25 espécies desaparecem da Terra. Até o fim deste século, a temperatura média na Terra deve subir entre 1,8º e 4ºC. Seguem o aquecimento global e o derretimento das geleiras. Os governos tentam jogar a culpa dos problemas ambientais na população, quando
apenas 4% da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa estão ligados ao desperdício ou lixo individuais. Os outros 96% estão relacionados, principalmente, com a grande produção industrial.

Nós, trabalhadores, somos vitimas dessa situação. Sofremos as consequências do desmatamento e da contaminação de rios e mares; ingerimos agrotóxicos e peixes contaminados. Por sua vez, os mais pobres são os mais expostos a enchentes e deslizamentos. Os reais responsáveis pelo dano ambiental são as grandes corporações, bancos, latifúndios e governos - que financiam e lucram com a degradação. Enquanto não atacarmos o problema em sua raiz, seguiremos rumo à barbárie.

A Rio+20, como todas as conferências ambientais organizadas pela ONU, será um verdadeiro fracasso. Os governos são financiados em suas milionárias campanhas eleitorais pelas grandes empresas poluidoras e, depois, atuam na defesa dos lucros dessas mesmas empresas. Uma conferência realizada pela ONU, que é formada por esses governos, não p
ode solucionar os problemas ambientais. Barack Obama e Angela Merkel sequer participarão do evento. Por tudo isso, durante a conferência, participaremos com outros movimentos sociais do mundo na Cúpula dos Povos, evento paralelo e crítico à Rio+20. A direção da Cúpula não assume com clareza um programa socialista para o meio ambiente. É essa a proposta que o PSTU oferece aos ativistas presentes.

Contra a injustiça social e a crise
ambiental, a nossa luta é pelo socialismo!

As condições de vida da humanidade estão ameaçadas. Hoje todos os países do mundo têm governos obedientes ao poder econômico das grandes empresas, dos bancos e dos latifundiários. Estes buscam aumentar cada vez mais o seu lucro, mesmo que ao custo do esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta.

No capitalismo, a competição e o mercado é que determinam o que vai ser produzido, e em que quantidade. Não importa a necessidade da maioria e nem a capacidade da Terra de sustentar tal produção. Ou seja, a lógica capitalista é inconcil
iável com uma verdadeira preservação do meio ambiente. Uma empresa que supostamente colocasse a preservação ambiental acima do lucro seria logo ‘devorada’ por todas as outras, porque a competição sempre leva a uma concentração cada vez maior de riquezas nas mãos dos que lucram mais. Não podemos crer que os governos possam regular esse mecanismo, porque esses mesmos governos, em todo o mundo, são financiados pelas empresas.

É por isso que o PSTU defende o socialismo. Para que tudo que se produz esteja de acordo com as necessidades da maioria das pessoas, o que inclui a preservação do meio ambiente e da vida no planeta. Através de comitês democráticos de direção das empresas, por parte dos trabalhadores, a produção seria controlada a serviço do bem-estar de todos. Desta forma, a humanidade não seria mais refém de um punhado de capitalistas e de seus políticos de aluguel que destroem nossas condições de vida e nos ameaçam com uma catástrofe ambiental cada vez mais iminente.

Baixe o boletim especial do PSTU na íntegra

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Rio+20, muito longe dos verdadeiros problemas ambientais
Vinte anos depois da Eco-92, o Brasil é palco de mais uma conferência ambiental, a Rio + 20, que vai ocorrer entre os dias 13 a 22 de junho.

Por Gilberto Marques, de Belém (PA) e Jeferson Choma, da redação

• Diante da enorme destruição ecológica das últimas décadas, a possibilidade das mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos naturais, a pauta da conferência vai discutir meios que possam conciliar o desenvolvimento econômico capitalista com a preservação ambiental. Mas será que possível algum tipo de “desenvolvimento sustentável” ou “economia verde” sob o capitalismo?

Afinal, quem é o culpado?
   Nos últimos anos, o discurso da “sustentabilidade” ganhou força e foi até mesmo apropriado pelos grandes capitalistas. É comum ver propagandas da TV de empresas automotivas, mineradoras e até mesmo petroleiras venderem uma suposta imagem de “sustentabilidade ecológica”. Um caso recente foi o fim da obrigatoriedade dos supermercados de São Paulo em oferecer sacolinhas plásticas, o que representou numa diminuição dos gastos dos empresários do setor (a tal “economia verde”). Por outro lado, a coleta de lixo reciclado na cidade representa apenas 1% da coleta total de resíduos.

   Também é comum ver supostos “especialistas” defenderem “mudanças nos hábitos de consumo”, a “adoção de pequenos gestos”, entre outras receitas milagrosas que buscam responsabilizar o individuo pela devastação do “nosso planeta”. Há aqueles que chegam a defender um controle maior da expansão populacional, pois o crescimento demográfico entraria em conflito com os recursos naturais que são finitos.

Embora tenham origens bem diferentes, todas essas opiniões têm um ponto em comum: deixam de fazer propositalmente a crítica devida à lógica mercantil do sistema capitalista. Assim, transformam as vítimas dos impactos ambientais em vilões, em culpados, inocentando os verdadeiros responsáveis.

Capitalismo é responsável pela devastação
O surgimento da sociedade capitalista provocou uma separação entre o ser humano e a natureza, que começou a ser vista como uma mera mercadoria, objeto de dominação, pela ciência e pela técnica. Nas formações sociais pré-capitalistas, não havia essa cisão. Em grande parte da Idade Média, por exemplo, a natureza era vista como “provedora” dos recursos fundamentais para a sobrevivência dos indivíduos. O homem era visto como parte da natureza e não acima ou separado dela.

Com o capitalismo tudo mudou. O ritmo da produção impõe uma apropriação crescente dos recursos naturais, necessários á sobrevivência humana, muito maior que o tempo que a natureza precisa para se recompor. No capitalismo não se produz para satisfazer as necessidades humanas, mas para obter lucro. Assim, a necessidade de acumulação crescente de capital e lucro, produz cada vez mais mercadorias. Isso provoca consumo crescente e apropriação acelerada da natureza. Os ritmos naturais se desenvolvem em séculos, uma dinâmica incompatível com produção mercantil, o que impões uma forte e intensa exploração dos recursos naturais levando à ruptura de sua dinâmica.

Olhando para as consequências da Revolução Industrial, Karl Marx já alertava para essa situação, no seu livro "O Capital". Acusava a produção capitalista de “perturbar a interação metabólica homem e terra”, ou seja, as trocas energéticas e de materiais entre os humanos com o seu meio ambiente natural - condição necessária para a existência da civilização. Segundo Marx, “ao destruir as circunstâncias entorno desse metabolismo ela [a produção capitalista] impede a sua restauração sistemática como uma lei reguladora da produção social, e numa forma adequada ao pleno desenvolvimento da raça humana”. Isso nos remete outra conclusão: a crise ambiental desencadeada pelo capital é muito mais uma questão de sobrevivência humana e muito menos de sobrevivência do planeta.

Nas últimas décadas, essa exploração se ampliou, especialmente após a crise econômica dos anos 1970. Para retomar suas taxas de lucros, os capitalistas lançaram mão da globalização e da liberalização dos mercados. Assim, o saque dos recursos naturais por parte das multinacionais tomou uma dimensão planetária, como produto da crise do sistema. Mas, por outro lado, a luta contra a espoliação e destruição ecológica também ganhou uma dimensão global, abrangendo desde as reivindicações dos povos indígenas do Equador que combatem a indústria petroleira na Amazônia, até luta dos camponeses da China que resistem à contaminação de rios e do solo causa por indústrias.

Um debate necessário
Não é possível separar a luta ambiental do combate a todos os problemas estruturais produzidos pela sociedade capitalista. Ao mesmo tempo que aumenta como nunca a produtividade, o capitalismo também faz crecer a miséria e a exploração. Atualmente, quase um bilhão de seres humanos passam fome. Nos países perifericos, 80% das doenças decorrem da falta de qualidade da água. Segundo os dados da ONU, um bilhão de habitantes moram em favelas. Enquanto isso, no campo, a paisagem é transformada pelos complexos do agronegócio, controladas pelas grandes empresas.

A defesa do meio ambiente deve ser parte da luta dos trabalhadores por melhores condições de emprego, salário e vida. É uma luta anticapitalista e antiimperialista e, em essência, pela construção de uma sociedade socialista. Uma sociedade baseada em novas relações de produção que possam estabelecer um relacionamento equilibrado e realmente sustentável do ser humano com a natureza, “condição inalienável para a existência e reprodução da cadeia de gerações humanas”, como assinalava Marx.

Mas isso não significa deixar de lado a luta presente. A luta pelas políticas públicas, por legislações ambientais mais efetivas, pela proteção de espécies em extinção, deve ser acompanhada pela vontade de mudança da estrutura de dominação burguesa.

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Na Cúpula dos Povos, a oportunidade de uma alternativa

Vejam algumas das atividades convocadas pela CSP-Conlutas na Cúpula dos Povos

DIA 15 - SEXTA-FEIRA
A VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS NAS FAVELAS
14 às 16h
Tenda 6 – Clara Zetkin

DIA 16 – SÁBADO
DIREITO A MORADIA X GRANDES OBRAS
A reforma urbana pendente e os novos pinheirinhos
11h30 às 13:30h
Com Cyro Garcia Presidente do PSTU-RJ
Carlos Eduardo M. Silva – Asibama RJ
Rumba Gabriel do Movimento Popular de Favelas
Robson de Aguiar Oliveira – MTST Nacional
Tenda 14 – Eliane de Gramont

O DIREITO DA JUVENTUDE NAS PERIFERIAS E FAVELAS.
14h às 16h
MESA-REDONDA com a ANEL – Assembléia Nacional dos Estudantes Livre, CSP CONLUTAS e Comitê Social de Favelas para a RIO+20
Tenda 12 – Egídio Bruneto

A CONTRIBUIÇÃO DO SABER POPULAR PARA A TRANSIÇÃO DE UM NOVO MODELO SUSTENTÁVEL
Com o Comitê Social de Favelas para a RIO +20
16h30 às 18h30
Tenda 18 – Galdino dos Santos

MULHERES: TRABALHADORAS CONTRA O MACHISMO E A EXPLORAÇÃO
Um olhar feminista da luta pelo mundo que queremos
Com o Movimento Mulheres em Luta e mulheres do Movimento Popular de Favelas
Tenda 12 – Egídio Brunet

DIA 19 – TERÇA-FEIRA
GRANDES OBRAS E MEIO AMBIENTE
9h – no SINDSPREV Rua Joaquim Silva, 98 – LAPA (perto da escadaria da lapa)

Luy Stosati – Movimento Xingu Vivo
Rubem Siqueira – Movimento São Francisco Vivo
Dercy Teles Cunha – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapori
Atenágoras – Sindicato da Construção Civil de Belém/ CSP CONLUTAS

DIA 20 - QUARTA-FEIRA
Grande Marcha da Cúpula dos Povos, às 15h, na Candelária.

DIA 21 – QUINTA-FEIRA
PINHEIRINHO VIVE!
9:30 na OAB

Com Aristeu Cesar Neto
Advogado das famílias do Pinheirinho e da CSP CONLUTAS

As tendas onde se realizarão essas atividades ficam localizadas na parte a direita da Enseada da Glória, bem próxima a Praia do Flamengo.

Moradores de Nova Friburgo fazem ato contra negligência dos governos com enchentes

Da Redação

No próximo dia 12, quinta-feira, o Fórum Sindical e Popular de Nova Friburgo encabeçará um ato público em protesto contra o desleixo com que as autoridades têm tratado o problema das enchentes na região. A manifestação acontece às 17h no Obelisco da praça Demerval B. Moreira.

“Todo mês de janeiro, a história se repete”, diz o texto de um panfleto distribuído à população. Há anos, em vários pontos do país, a população pobre e os trabalhadores são obrigados a enfrentar enchentes e deslizamentos de terras que provocam mortes e muitos danos materiais e morais. A cada ano, milhares ficam desabrigados no Brasil por conta de tragédias que podiam ser evitadas.

“Os governos corruptos, a especulação imobiliária, a ocupação irregular do solo, motivados pelos interesses capitalistas e pelo descaso com os trabalhadores e a população pobre, são os grandes responsáveis pelas tragédias sucessivas”, afirma o folheto.

Algumas atividades preparatórias para a manifestação estão sendo organizadas. Nesta segunda, 9, às 17h, haverá uma panfletagem. O ponto de encontro é em frente ao IENF. Na terça, 10, às 18h, acontece uma reunião do Fórum, no Sindicato dos Vestuários, para definir outras ações antes do ato.

Abaixo, leia o texto do panfleto na íntegra.


UM ANO DE DESCASO!
MORADIA E RECONSTRUÇÃO JÁ!


TODOS AO ATO PÚBLICO
DIA 12 DE JANEIRO (QUINTA)
ÀS 17h – NO OBELISCO DA PRAÇA DERMEVAL B. MOREIRA

Todo mês de janeiro, a história se repete. Em várias cidades do interior fluminense e de muitos estados no Brasil, as enchentes e os deslizamentos de terras provocam alagamentos e mortes, além de deixar milhares de pessoas desabrigadas. Os governos corruptos, a especulação imobiliária, a ocupação irregular do solo, motivados pelos interesses capitalistas e pelo descaso com os trabalhadores e a população pobre, são os grandes responsáveis pelas tragédias sucessivas.

Em Nova Friburgo, um ano após a catástrofe, o que vemos? Os governos municipal, estadual e federal muito prometeram e quase nada fizeram, principalmente nos bairros mais pobres. Nenhuma casa foi construída, nenhuma obra de contenção foi realizada nas comunidades populares. Empresários aproveitam a situação para demitir centenas de trabalhadores na indústria e nas escolas particulares.

Autoridades e técnicos admitem cinicamente o estado de calamidade em que a cidade se encontra e dizem que a saída é “rezar para não chover”! CHEGA DE DESCASO E ENROLAÇÃO! Somente através da luta organizada, conquistaremos nossos direitos. EXIGIMOS A IMEDIATA CONSTRUÇÃO DE CASAS DIGNAS PARA A POPULAÇÃO DESALOJADA E EM ÁREA DE RISCO! PLANO DE OBRAS NAS ENCOSTAS, COM TRANSPARÊNCIA E CONTROLE DAS VERBAS PELO PODER POPULAR!

SEM ORGANIZAÇÃO E LUTA NÃO HÁ CONQUISTAS!
MORADIA, TRABALHO, DIGNIDADE!
FÓRUM SINDICAL E POPULAR DE NOVA FRIBURGO

DIA DE LUTA LEMBRA 1 ANO DA TRAGÉDIA DO BUMBA E DESCASO DOS GOVERNOS

Um ano de luto. Um ano de luta!

O dia 6 de abril de 2011 foi uma data entrou para a história da cidade de Niterói, antiga capital do Rio de Janeiro a passagem de 1 ano da tragédia do Morro do Bumba, onde um deslizamento vitimou mais de 40 pessoas durante as chuvas que ainda deixaram mais de 200 mortos em todo o estado. O dia foi marcado por manifestações contra a privatização da CLIN (Cia de Limpeza Urbana de Niterói), empresa de limpeza urbana, e pela paralisação de 24 horas dos profissionais de educação da rede municipal.

Já desde às 6 da manhã vários manifestantes da oposição sindical do Sintacluns (Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação de Niterói e São Gonçalo), da CSP-Conlutas, da Anel e do Sepe-Niterói foram para a porta da sede da CLIN denunciar a abertura oficial do processo de privatização da empresa e alertar os trabalhadores o perigo de demissão.

Tragédia do Morro do Bumba completa um ano

Eduardo Estalinho, de Niterói (RJ)

O Morro do Bumba na época da tragédia

No dia 7 de abril de 2010, aconteceu uma tragédia hoje esquecida pelos governantes e pela grande mídia. O Morro do Bumba, localizado na cidade Niterói (RJ) veio abaixo por conta de uma chuva torrencial na região. Nós não esquecemos esta tragédia, fruto do descaso dos governos com a população pobre do país.

No dia 23 de março, cerca de 400 pessoas protestaram por conta do aluguel social que não estava sendo pago. A resposta foi a violência da polícia, que reprimiu o ato. Até as crianças foram agredidas descaradamente com spray de pimenta, como mostrou uma imagem que ficou famosa em todo o país.

Histórico
O Morro do Bumba estava localizado na área de um antigo lixão de Niterói, sobre a montanha de lixo criada por décadas de despejo no lugar. Quando desabou o morro, não se via pedras nem terra descendo. O que se via era lixo. Apesar dos governos estadual e municipal saberem disso, nenhuma medida foi tomada, e a tragédia aconteceu. Foram mais de 47 mortos na ocasião.

No início desse ano, vimos mais tragédia na Região Serrana do mesmo estado, mostrando que mesmo depois do ocorrido em Niterói nenhuma medida foi tomada pelos governos para acabar com a péssima condição em que vive a população pobre do Rio. Já que governam para os ricos e poderosos, o que restou a esses governantes foi colocar a culpa na população e pedir preces pelos mortos.

Enquanto não perdem tempo para entregar dinheiro e riquezas para grandes empresas e bancos, esses governos nada fizeram para melhorar a condição de vida dos trabalhadores. Nem mesmo o dinheiro do aluguel social de Niterói, entregue para garantir o mínimo de sobrevivência para os que estão desabrigados até hoje, é repassado e esteve atrasado de dezembro até o final de março. Isso gerou revolta entre a população, que foi às ruas para protestar.

Nesse um ano de tragédia, a população do Morro do Bumba e de outras áreas atingidas vai para as ruas novamente para lembrar o descaso dos governantes. São esses governos que devem pagar a conta pelo descaso e já está mais do que na hora de se tomar uma atitude.

Policial lança spray de pimenta em rosto de criança
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