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Durante coletiva, Cyro Garcia rebate falsas acusações e denuncia aumento da repressão aos movimentos sociais

Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU-RJ, e
Isabela Blanco, advogada do partido
Nota enviada a imprensa as 19:50h

Presidente estadual do partido afirmou ainda o orgulho do autofinanciamento

   No início da tarde de hoje, na sede do PSTU-RJ, o presidente estadual do partido e ex-deputado federal Cyro Garcia concedeu entrevista coletiva, no intuito de esclarecer, uma vez mais, sobre as acusações, sem nenhuma base factual, feitas pelo advogado dos jovens presos acusados de acender o rojão que vitimou o cinegrafista Santiago Andrade.

   Cyro afirmou que o PSTU polemizou publicamente, desde o início das jornadas de junho, sobre a chamada tática black bloc: "Não apoiamos as ações isoladas do movimento de massas. Isso só serve para afastar os trabalhadores das manifestações e amedrontar a população, fazendo assim o jogo dos governos. A falta de organicidade desse setor do movimento favorece a infiltração de provocadores completamente alheios ao movimento social", disse. Cyro também disse acreditar que esta nova onda de repressão visa atacar todos os partidos de esquerda e reafirmou a necessidade de uma unidade do PSTU-PSoL-PCB, movimentos sociais e sindicatos nas ruas e uma Frente de Esquerda nas eleições, como mais uma forma de conter a ofensiva de criminalização dos movimentos sociais por parte dos governos e partir para uma ofensiva programática contra os governos, que seguem negando direitos a população.

   Durante a coletiva, Cyro Garcia, em nome de todo o PSTU, prestou a "mais irrestrita solidariedade a família de Santiago Andrade e Tasman Accioly", o camelô que morreu atropelado por um ônibus enquanto buscava refúgio das bombas atiradas a esmo pela polícia militar.

   Segundo Cyro, a responsabilidade pelo caos nas ruas segue sendo dos governos: "Para acabar com o caos das ruas, basta que os governos Dilma, Cabral e Paes tomem medidas muito simples: ouçam as vozes das ruas e acatem as reinvidações mais básicas dos trabalhadores, como transporte público de qualidade, saúde decente e educação gratuita e de qualidade", disse Cyro Garcia, complementando que a responsabilidade pelas mortes no RJ é da política de segurança fascista implementada por Cabral e Beltrame.

   Na próxima segunda o PSTU vai se reunir com a OAB e outras entidades da sociedade organizada e vai exigir que uma comissão formada por organizações da sociedade civil acompanhem as investigações, além de cobrar que se investigue as acusações de financiamento de provocadores nas manifestações: "Se tem alguém que recebe por isso, que se apure e prove, além de mostrar quem paga", afirmou.

   Antes de encerrar, Cyro disse que o PSTU não vai sair das ruas: "As reivindicações populares estão no DNA do nosso partido. Não saímos, não sairemos das ruas e nelas vamos continuar!", finalizou.

Protesto contra o aumento das passagens no Rio é marcado por forte repressão policial



por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
  Nesta quinta, 6 de fevereiro, realizou-se mais um ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro. O reajuste, de R$2,75 para R$3,00, foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes apesar de posição contrária do Tribunal de Contas do Município - fato que só veio a público após o anúncio do aumento e esteve cercado de uma guerra pela imprensa. Paes, por outro lado, lançou mão de uma medida paliativa, ao acenar com a extensão do passe-livre a estudantes universitários beneficiários de programas sociais como as cotas e o PROUNI. Nós, do PSTU, achamos que o passe-livre deve ser irrestrito, não apenas a todos os universitários, mas também a todos os estudantes da educação básica, e sem limitação no número de viagens, como ocorre hoje em dia.
  
 Por volta de 4500 pessoas participaram da manifestação, iniciada na Candelária e que prosseguiu ocupando duas das pistas da Avenida Presidente Vargas. O destino, desta vez, era a Central do Brasil, que num outro ato já tinha sido cenário de um "roletaço", com o acesso aos trens sendo liberado pela ação dos ativistas. Participaram do ato, em sua maioria, jovens, mas trabalhadores de diversas categorias e participantes de movimentos sociais também fizeram-se presentes. A presença de partidos e movimentos de esquerda, assim como do Fórum de lutas do RJ, com uma grande faixa, deu a tônica do ato.
  
Tropa de choque da PM preparada para reprimir
os manifestantes nas proximidades da Central do Brasil

Ao chegar à estação Central do Brasil, um forte aparato repressivo já aguarda os manifestantes; no entanto, a PM não pôde impedir, num primeiro momento, a entrada dos ativistas. Isso garantiu, mais uma vez, o "roletaço", com muitos subindo nas catracas e permitindo o acesso dos passageiros aos trens sem pagar passagem. Contudo, passado algum tempo, a tropa de choque iniciou a repressão, com o uso de cassetetes e bombas, tanto de efeito moral quanto de gás lacrimogêneo.

  Aos poucos, os manifestantes foram sendo retirados da estação, que aos poucos foi sendo fechada pelos seguranças da Supervia, com a ajuda da tropa de choque da PM. Foi a partir daí que a repressão policial se intensificou, com mais bombas sendo lançadas de forma a tentar dispersar os grupos que se postavam próximo aos acessos da Central. Foi por esse momento que uma das bombas atingiu na cabeça de um cinegrafista da TV Band, levando-o ao hospital com afundamento de crânio e em estado grave. 

      Para nós do PSTU, o fato de haver um conflito nas ruas do centro da cidade, em plena tarde de uma quinta-feira, é de exclusiva responsabilidade do governo e suas policias. A permanente repressão policial é que tem causado os feridos graves durante os protestos. 

  A repressão continuou noite adentro, mas uma boa parte dos manifestantes acabou por recuar para perto do Campo de Santana em busca de abrigo, retornando pela Presidente Vargas. Há o relato de pelo menos dois feridos graves, o cinegrafista da televisão e um idoso que teria sido atropelado por um ônibus, além de vários detidos pela PM.


  Fica claro aqui duas coisas: que o transporte público, que deveria ser encarado como um direito da população, é visto como uma mercadoria; e que, como é tradicional no Estado burguês, o "direito à propriedade" é sagrado - no caso, a propriedade das empresas de transporte -, sendo defendido com todas as armas pelos governos e tratando a população como inimiga, na mais velha tradição da Ditadura Militar. Portanto, duas medidas são absolutamente necessárias: a estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores, de forma a garantir a Tarifa Zero sem subsídios aos donos das empresas, aliados de primeira hora dos governos; e a imediata desmilitarização da polícia, autêntica herdeira do regime militar de 1964. Contudo, como os governos Paes e Cabral, do PMDB, são aliados do PT de Lula e Dilma, o governo federal nada fará no sentido de garantir nem sequer a discussão dessas propostas...

    O PSTU Rio se solidariza com as famílias dos feridos com gravidade, assim como com os demais agredidos e detidos pela selvagem repressão da PM do ditador Cabral. Mesmo de saída, ele não deixa de lançar suas bombas contra a luta dos trabalhadores e da juventude. Porém, isso não vai nos intimidar, e - como já ficou consagrado desde o ano passado, nas Jornadas de Junho - "amanhã vai ser maior!"
  
editado às 00:45 de 08/02/14

Eduardo Paes semeia o caos e autoritarismo no Rio


   A cada dia que passa, a política do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, traz sérios prejuízos a população da cidade. Obras faraônicas, caos no trânsito, negociatas com ONG´s
Fotos: Tânia Rego - Ag. Brasil
e empresas, autoritarismo e truculência, eis as marcas de seu mandato.

   A tragédia da Linha Amarela é a expressão mórbida do desastre que significa a gestão pemedebista em aliança com o PT. Mantém uma via expressa privatizada dentro da cidade, que cobra um absurdo pelo pedágio e oferece péssimos serviços à população. A LAMSA, concessionária da via expressa, enriquece às custas de um dos pedágios mais caros do Brasil e não cumpre sua tarefa de fiscalizar a via e organizar o trânsito como deveria. Afinal de contas, para essas empresas o lucro fala mais alto que a vida. 
   É obrigação da Prefeitura romper a concessão e multar a LAMSA e retomar para sua responsabilidade o controle e gerenciamento da Linha Amarela. É preciso, ainda, alertar que,
Bombeiro presta primeiros socorros às vítimas do acidente,
que deixou 4 mortos e ao menos 5 feridos
assim como a LAMSA, existem diversos outros órgãos privados gerindo escolas, unidades de saúde básica, serviços de trânsito etc. Esse é o modelo do Eduardo Paes: entrega total dos serviços da Prefeitura a tubarões e picaretas.

   Neste momento, prestamos solidariedade às famílias das vitimas dessa tragédia absurda e vamos intensificar as mobilizações para acabar com a farra de Eduardo Paes e seus comparsas.

“Pode chover, pode molhar, Sérgio Cabral eu vou te derrubar!”

Concentração do ato, na Candelária
Foto: RB.
Por Rodrigo Noel, do Rio

Um verão de luta para os trabalhadores (veja aqui e aqui o panfleto distribuído pelo PSTU-RJ)

   No final da tarde de ontem (16) a juventude e os trabalhadores do Rio deram mais uma demonstração pública que não vão admitir um novo aumento nas tarifas de ônibus na cidade. Apesar do intenso calor durante todo o dia, a chuva forte acompanhou o ato, que seguiu sem maiores problemas da Candelária até a ALERJ.

   Organizado pelo Fórum de Lutas contra o aumento da passagem, o ato contou com a participação de cerca de 1.000 pessoas, entre trabalhadores e estudantes. Apesar da presença numerosa da polícia militar, tradicional elemento provocador nas manifestações, o ato transcorreu tranquilo.

    Nós do PSTU exigimos a estatização do sistema de transporte público (trem, barcas, metrô e ônibus), sob controle dos trabalhadores. Exigimos um transporte público de qualidade, eficiente e que funcione durante o dia e a noite, atendendo a toda população. Cabral e Paes não são aliados dos trabalhadores e começam 2014 concedendo mais benesses a máfia do transporte público com aumentos nos ônibus intermunicipais e municipais da capital fluminense.

'Só no Rio acontece isso?'
   Em São Gonçalo, na região metropolitana do RJ, não é diferente. O prefeito Neilton Mulim, aliado do ex-governador Anthony Garotinho, se comprometeu durante a campanha a reduzir o valor da passagem. Assim como Dilma fez com o pré-sal, Neilton também descumpriu sua promessa e anunciou reajuste nas tarifas de ônibus.

   A juventude e os trabalhadores da cidade já anunciaram sua resposta e na próxima terça-feira (21) vão as ruas exigir o fim do consórcio São Gonçalo de transportes e que, no mínimo, o prefeito cumpra sua promessa de reduzir o valor da passagem para R$1,50 e sem a concessão de subsídios.

Ato contra o aumento das passagens reúne mais de 1000 pessoas

texto e fotos por Rodrigo Barrenechea

Se a passagem aumentar, o Rio vai parar!


Cerca de 1000 pessoas se concentraram na Candelária, na tarde desta sexta, 20 de dezembro, no 1º ato contra o aumento das passagens desde as jornadas de junho. Convocado pelo Fórum de Lutas do RJ, antes Fórum de Lutas contra o aumento das passagens, teve como trajeto as Avenidas Rio Branco e Almirante Barroso, passando pela rua Primeiro de Março, até se encerrar em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, próximo à sede da Fetranspor, entidade patronal que reúne os donos de empresas de ônibus.
Aos gritos de "Fora Cabral" e "Não vai ter Copa", jovens, trabalhadores (as) e ativistas de diversas organizações políticas e sindicais protestaram contra o aumento da tarifa dos ônibus, prometido para o início do ano de 2014 e que elevar o preço da passagem para R$3,05, fazendo do Rio uma das capitais com a maior tarifa do país. Além do tema principal, os manifestantes pediam a imediata libertação dos presos políticos - que inclui ativistas detidos desde os protestos de meados deste ano -, o fim da criminalização dos movimentos sociais e da repressão aos índios da Aldeia Maracanã, recentemente desalojados - pela 2ª vez - do antigo prédio do Museu do Índio, vizinho ao complexo esportivo do Maracanã e que sofria ameaça de demolição.
O PSTU sabe que lutar apenas para deter o aumento não é suficiente. Nestes protestos, duas lições importantes estão sendo ensinadas: que só com a organização da classe trabalhadora e da juventude - garantindo-se a plena democracia, que nós chamamos de democracia operária -, que a luta poderá avançar. Nesse sentido, precisamos fortalecer organismos como o Fórum de Lutas, pois é por eles que os protestos irão crescer e os lutadores aprenderão como se organizar.
A segunda lição é que não podemos parar no combate ao aumento. Precisamos da imediata estatização dos transportes públicos, sob o controle dos trabalhadores e da população, para que possamos garantir o passe-livre irrestrito aos estudantes e desempregados. Sabemos que os lucros das empresas são astronômicos. Dessa forma, a implantação de uma tarifa zero não é só plenamente possível e necessária, como expressa a ideia de que transporte público é um direito que só será garantido com muita luta. Afinal de contas, os ricos, esses andam de carro importado, helicóptero...

Manifestantes ocupam Câmara Municipal de Volta Redonda


O plenário da Câmara Municipal de Volta Redonda foi ocupado por manifestantes na noite desta segunda-feira (19/8). A ocupação foi feita depois da sessão que aprovou a mensagem, de autoria do Executivo, que cria o VR Previdência - projeto privatista que reestrutura o regime de previdência dos servidores públicos. Os vereadores temerosos da presença do povo encerram a sessão que ocorria no momento da ocupação.

Além da questão da reforma da previdência municipal, as principais reivindicações do movimento são que o prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB) reduza o preço da passagem de ônibus, a imediata implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os servidores públicos municipais (que tramita há mais de 20 anos sem solução) e por transparência no funcionamento da Câmara. Organizados pelo Movimento pelo Passe-livre (MPL), pela CSP_Conlutas, pela ANEL e por outras entidades e movimentos os ocupantes ainda permanecem no local.














A tribuna parlamentar a serviço da luta ou a luta a serviço de manter a tribuna parlamentar?

Miguel Malheiros

  

“O parlamentarismo "caducou historicamente". Isso está certo do ponto de vista da propaganda. Mas ninguém ignora que daí à sua superação na prática há 'uma enorme distância. Há muitas décadas já se podia dizer, com toda razão, que o capitalismo havia "caducado historicamente"; Mas isso nem mesmo impede que sejamos obrigados a sustentar uma luta extremamente prolongada e tenaz no terreno do capitalismo”. 

 (Lênin em Esquerdismo: doença infantil do comunismo)


O Rio de Janeiro, até o momento, tem se mostrado o ponto mais alto das jornadas de luta que iniciaram em junho. Assim também no terreno do debate das diversas táticas a serem utilizadas, como e quando utilizá-las e com qual forma e conteúdo, justifica-se ser aqui onde mais acirrado dá-se o debate.

Não há dúvida que a utilização do parlamento, a utilização de espaços conquistados na legalidade burguesa devem ser usados por aqueles e aquelas que almejam mudar o mundo. Que lutam por construir uma sociedade mais justa, não desigual. De nossa parte, esta sociedade só pode ser uma sociedade onde tenha tido fim a exploração de um ser humano por outro, uma sociedade socialista.

Entretanto, uma tática para ajudar na conscientização, para tentar impulsionar a mobilização em um determinado momento da luta pode ser um erro crasso em outro momento. 

Sobre CPI e pizzas

Os parlamentares de esquerda devem primeiramente ter consciência de que estão atuando em uma trincheira do inimigo. O parlamento, as Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas estaduais, o Congresso Nacional, são instituições do regime da democracia burguesa. Não são vazias de conteúdo de classe, estão a serviço da manutenção da ordem burguesa, ou seja, da manutenção da exploração dos trabalhadores pela burguesia. A serviço da dominação dos corações e mentes dos trabalhadores e do povo pobre com a ideia que o Estado é neutro, que o Estado estaria e está a serviço de todos. Que todo mundo é igual, todo mundo é cidadão, todos têm os mesmos direitos e toda uma série de ideologias, de falsas consciências neste mesmo sentido.

Assim, para a esquerda, o debate em torno das táticas parlamentares, o debate em torno da atuação nas instituições da democracia burguesa, não é um debate secundário. Basta olharmos a trajetória da maior organização com independência de classe construída na América Latina, o Partido dos Trabalhadores, para verificarmos a importância desse debate.

Entre as táticas passíveis de serem usadas por parlamentares de esquerda estão as CPI’s. Elas podem e devem ser usadas, por exemplo, para demonstrar o caráter antidemocrático das instituições da democracia burguesa. Na Alerj as CPI’s da Delta, não foram acolhidas. Este é um exemplo para demonstrar aos trabalhadores e ao povo o caráter de classe do parlamento, como os deputados defendem os grandes empresários, entre outras questões de caráter educativo, para nossa classe, de como estas instituições são forjadas para defender os interesses de classe da burguesia.

CPI’s podem e devem ser utilizadas para denunciar irregularidades. Fazer os trabalhadores e o povo tomarem consciência de que os governos de plantão são inimigos, chamar a atenção para alguma injustiça, alguma irregularidade, corrupção. A CPI das milícias, impulsionada pelo deputado Marcelo Freixo do PSOL, cumpriu esse papel progressivo. Trouxe à tona a existência de paramilitares, de milicianos, e suas estreitas ligações com Sergio Cabral.

Em Belém do Pará o vereador Cleber Rabelo (PSTU) colheu assinaturas para uma CPI que investigasse desvio de dinheiro em obras de saneamento. A CPI não está instalada, mas serve para seguir colocando o debate da corrupção inerente ao sistema capitalista, para demonstrar como governos, secretários, membros das instituições do regime fazem, de fato, aquilo que definiu Marx: são um comitê dos negócios da burguesia. A CPI da Delta pode também ser utilizada neste mesmo sentido.

Mas atentemos: nenhuma dessas propostas de CPI deu-se em meio a um processo de mobilização onde a consciência sobre os temas fosse generalizada. A CPI das milícias enfrentou a consciência, é triste, mas é forçoso dizer, de parcela significativa da população que assumia a terrível ideia de que "bandido bom é bandido morto".

Não havia um processo de lutas e mobilização, generalizados, em torno do tema da Delta, ou da Gang dos Guardanapos, no caso do Rio, ou do desvio de dinheiro em obras de saneamento no caso de Belém.

No caso dos transportes no Rio de Janeiro não é assim. As lutas e mobilizações levantaram categoricamente a tarifa zero; a estatização dos serviços de transportes. A proposta de CPI dos transportes foi apresenta à Câmara de Vereadores em 19 de junho, dois dias após a gigantesca (na visão do momento) manifestação que sacudiu o Rio de janeiro em 17 de junho. É já famosa a foto aérea com a Avenida Rio Branco toda ocupada por manifestantes. Ou seja, a CPI “para apurar fatos determinados acerca da implantação, fiscalização e operação do serviço público de transporte coletivo de passageiros por ônibus - STCO-RJ”, foi protocolada em meio às manifestações por reduzir as tarifas, pelo passe livre, pela tarifa zero.

No mesmo dia Eduardo Paes e vários prefeitos – entre eles Fernando Haddad do PT, prefeito de São Paulo – anunciaram a redução das tarifas. O movimento respondeu com o aumento dos atos afirmando: não é só por 20 centavos.

Estima-se que ao menos 300 mil pessoas foram às ruas do Rio no dia 20 de junho, vários falam em 1 milhão.
É notório no Rio de Janeiro que os trabalhadores e o povo pautam a derrubada do governador Sergio Cabral. O processo de lutas e mobilizações levanta explicitamente: FORA CABRAL e PEZÃO.

Não descartemos a possibilidade de que o companheiro Eliomar (Vereador do PSOL), ao formalizar o pedido de CPI, trabalhasse com a possibilidade que esta medida estivesse a serviço de fortalecer a luta e as mobilizações. Entretanto o tempo e os fatos demonstraram que, objetivamente, esta iniciativa está atrás dos fatos e dos acontecimentos. Nesse aspecto centrar os esforços em torno da CPI colabora para o movimento voltar atrás em sua dinâmica. Na forma que está sendo colocada não ajuda, no momento, a luta pela estatização dos transportes e pela tarifa zero. Mas infelizmente pode ajudar a esvaziar a luta por dar um fim ao governo de Cabral e Pezão.

A luta por presidir a CPI fortalece o # FORA CABRAL?

No dia 8 de agosto duas ocupações de prédios públicos ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, ocupou-se a Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores.

Qual programa, qual reivindicação cada uma dessas ações levantou?

A ocupação da Alerj, violentamente atacada pela Polícia Legislativa, propunha: FORA CABRAL! A ocupação da Câmara propôs centralmente que a presidência da CPI estivesse com o companheiro Eliomar.

Mais que isso: o primeiro manifesto apresentado pelos ocupantes da Câmara convocava “os professores das Redes Municipal e Estadual que acabaram de deflagrar greve, para vir construir a ocupação da Câmara”. Os profissionais da Educação ao invés de dedicarem seus esforços para esta convocação, felizmente estão construindo uma poderosa greve na rede municipal de ensino. Realizaram uma passeata no dia 14 de agosto com 15 mil profissionais de ensino. Para termos ideia do significado desse evento: há quase 20 anos não há um processo de lutas como esse na rede municipal. 15 mil significam em torno de 30% dos profissionais de educação da rede municipal em uma passeata, algo como 30% de toda a rede em uma manifestação. Além das reivindicações específicas da categoria a vigorosa marcha não deixou de gritar: FORA CABRAL! Entremeando com o já popular “Cabral é ditador, ôôô.”

Os profissionais de educação da rede estadual estão empenhados em fortalecer a greve. A assembleia da rede estadual, no dia 14 de agosto, juntou mais de mil pessoas. Muitos profissionais não conseguiram sequer chegar ao salão da assembleia, ficando no saguão, ou mesmo na rua. Decretaram a continuidade da greve, aprovaram um calendário de lutas, reafirmaram a luta pelo FORA CABRAL, propondo que o dia nacional de luta e mobilização, em 30 de agosto, seja um dia para derrubar o governador e seu vice.

Um debate necessário

Assim o debate em torno de como se utiliza as instituições do regime da democracia burguesa, as instituições do Estado burguês, não é um debate menor.

O PSTU chamou os parlamentares do PSOL na Câmara de Vereadores do Rio a defenderem as bandeiras das ruas elencando: Suspensão dos contratos da Fetranspor; Estatização dos transportes municipais; criação da empresa pública de transportes urbanos; passe livre já, rumo à tarifa zero.

No facebook apareceu o que seria uma resposta do Vereador do PSOL Renato Cinco. Pelo caráter desrespeitoso da resposta esta pode não ter sido dada pelo companheiro Cinco, porém não há desmentido.

“Que provocação barata! E mentirosa! Eu mesmo já apresentei PL para estatizar o sistema de ônibus e estabelecer a tarifa zero. Vamos melhorara redação e cair de cabeça na campanha pela aprovação”. Eis a íntegra do comentário feito na internet e não desmentido.

Vejamos então qual o resultado de uma busca no sítio internet da Câmara de Vereadores sobre o PL de iniciativa do Vereador Renato Cinco:

Foi protocolado, também, dois dias após o 17 de junho, o Projeto de Lei 328/2013, onde não se lê em lugar nenhum do texto estatização dos transportes, na ementa está escrito: “proíbe novas concessões de serviço de ônibus para entes privados”.

Nos quatro artigos do Projeto aparece:
 
“Art.1° Ficam proibidas novas concessões de ônibus na Cidade do Rio de Janeiro.
Art. 2º Terminadas as atuais concessões, o transporte público municipal será gratuito e administrado exclusivamente pelo Poder Público.
Art. 3º Revogam-se todas as disposições em contrário.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.”

Isso em meio ao processo de lutas e mobilização que estamos tratando. Cabe então pensarmos: trata-se de estatização?

Seguramente não. Mesmo quando este projeto tenta proibir novas concessões de ônibus é bom lembrarmos que a concessão não é a única forma de privatização dos serviços público.

Há um elemento aparentemente progressivo na proposta “Terminadas as atuais concessões, o transporte público municipal será gratuito.”  Mas verifiquemos se isto amarra a questão. Se a Câmara de Vereadores, pressionada por mobilizações, aprovasse o projeto apresentado teríamos imediatamente gratuidade? A resposta é: Não.

As atuais concessões no Rio valem por 20 anos. Como foram renovadas recentemente, o companheiro está propondo que esperemos 18 anos para termos transporte gratuito.

Nem mesmo a proposta de que o transporte público municipal seja “administrado exclusivamente pelo Poder Público”, significa o mesmo que estatal. Administrar não é sinônimo de ser dono. A burguesia, com seus exércitos de executivos, de administradores, sabe muito bem disso.

Assim, na forma que está redigido, até os vereadores ligados ao Barata, pressionados por mobilizações, poderiam aprovar o projeto apresentado. A gratuidade fica para daqui a dezoito anos, e não é estatização.

Mais que isso, qualquer vereador que quisesse prestar um valioso serviço à Máfia dos transportes poderia propor a imediata aprovação do projeto condicionando a imediata aplicação de seus pontos a que a Prefeitura administre o serviço prestado pelas empresas pagando por passageiro, ou por quilômetro rodado. O sonho do capitalismo sem riscos para os empresários de ônibus.

Infelizmente quando lê-se a justificativa do projeto encontramos, como argumento para sua aprovação, que o alto preço das passagens prejudica toda a população. Um leitor incauto poderia até pensar que Eike Batista, Cavendish, ou mesmo o Cabral passaram a andar de ônibus. Mas não, o próprio texto trata de explicar que: “Os altos preços das passagens (...) aumentam o custo de empregar mão-de-obra,(...) e diminuindo a produtividade do trabalhador. ”

É de espantar. Cabral está balançando no governo, se a crise desse governo se aprofundar, e queremos que se aprofunde, o terreno para a entrega dos anéis já está aplainado.

Por um lado recua-se da luta pela estatização dos transportes por uma CPI dos transportes. Combinando, se a burguesia e seus representantes na Câmara, acharem necessário, com a aprovação para daqui a dezoito anos da gratuidade.

Queremos fraternalmente dizer aos companheiros parlamentares. Este é o momento de fortalecer as lutas em curso e suas pautas. É o momento de fortalecer a luta dos profissionais da educação. Impulsionar com tudo as lutas em curso é a forma de fortalecer a luta pelo # FORA CABRAL.

É o momento onde colocar-se as tribunas parlamentares a serviço das lutas é decisivo. Isto significa, no caso dos transportes, discutir com o movimento um projeto de estatização e controle dos trabalhadores e do povo sobre o serviço de ônibus.

Infelizmente, como aqui demonstrado, não é isso que tem sido feito. Mas pode ser corrigido, o curso pode ser revisto, depende da vontade consciente dos companheiros.

 

 

20/06 - Ato, deste dia .reúne mais de 300 mil pessoas, apesar da redução das tarifas por Paes e Cabral, mostrando que os setores mobilizados reivindicam mais do que os R$0,20 de diminuição.

Porém, de tanto insuflar a massa, a burguesia e os grandes meios de comunicação conseguiram seu intento: dividiram a manifestação e vão terminar por descreditar a luta justa da classe trabalhadora e juventude!

Por volta das 15:30, os militantes dos movimentos sociais, entidades estudantis e partidos de esquerda se reuniram no Largo de São Francisco, para formar uma coluna unificada e participar do ato de forma pacífica, com suas bandeiras e faixas, mostrando que os verdadeiros inimigos são os governos Cabral, Paes e Dilma.

Seguiram pela rua Uruguaiana e, ao virar na Av. Presidente Vargas, diversas pessoas dos assim chamados "sem-partido" começaram a vaiar e a hostilizar a coluna, mais ainda sem nenhum confronto.

Pouco depois, cerca de 500 metros dali, a questão tornou-se bem mais séria. Na retaguarda da coluna, formou-se um grande grupo de provocadores, formado principalmente por homens, a maioria mascarados e sem cartazes. A partir desse momento, a apreensão e o temor de agressão por parte de provocadores se instalou na coluna.

As provocações foram aumentando, apesar do esforço de diversos ativistas, que tentavam acalmar os ânimos e impedir os provocadores de iniciar alguma agressão. Quando a coluna aproximou-se da Central do Brasil, aqueles que tentavam apaziguar não aguentaram a pressão dos provocadores e terminaram por retirar-se, o que piorou a situação e levou a alguns conflitos físicos.

Na altura da Praça XI, o conflito se generalizou, quando o grupo de provocadores conseguiu romper o bloqueio que foi feito na retaguarda da coluna. A partir desse momento, houveram diversas brigas, com vários militantes agredidos e diversos feridos, alguns com gravidade. Fomos barbaramente agredidos, levando mais de 15 pessoas a hospitais próximos. Houve lançamento de bombas, pedras e os mastros das bandeiras que foram roubadas pelo grupo de agressores.

Nesse momento, percebendo que poderia haver um conflito maior, a esquerda como um todo cerrou fileiras. Militantes do PSTU, PCB, PSOL, PCR e até mesmo do PT e PC do B uniram-se em defesa dos movimentos sociais, entidades estudantis e sindicais e das pessoas que vieram ao ato portando suas bandeiras vermelhas e faixas de protesto.

Após um novo confronto generalizado, o ato dispersou-se completamente ao chegar na Prefeitura, dado o clima de tensão e medo que tomou conta das pessoas. Afortunadamente, neste momento, mesmo havendo correria, a coisa se acalmou um pouco, pois os provocadores dirigiram-se à prefeitura.

O PSTU Rio de Janeiro afirma publicamente que nenhuma agressão partiu dos militantes da esquerda, mas sim veio dos provocadores, que só podemos entender que não pertenciam aos que vieram protestar pacificamente, mas a grupos fascistas e a policiais inflitrados no ato.

Afirmamos também que sempre buscamos a unidade daqueles que lutam, estando presentes nas plenárias e fóruns de preparação dos atos, que sempre respeitamos a todos os setores honestos e combativos, presentes na manifestação, e que não recuaremos perante nenhuma agressão fascista, policial ou de marginais infiltrados.

Da redação do Rio de Janeiro

Vitória: mobilização nas ruas reduz tarifas no Rio e em São Paulo

Foi apenas o começo! É preciso manter mobilização nas ruas contra os gastos da Copa e por investimentos em Saúde e Educação!

A manifestação nas ruas produziu sua primeira grande vitória. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) anunciaram a redução da tarifas dos trens, metrôs e ônibus no início da noite desta quarta-feira.
Além da revogação do aumento da tarifa anunciada no Rio e em São Paulo, 10 cidades já haviam anunciado a redução da passagem, seja através da anulação do aumento ou a redução do índice do reajuste. O aumento já havia sido revogado em João Pessoa, Porto Alegre e Goiânia. Foi reduzida em Cuiabá, Recife, Manaus, Natal e Vitória. As cidades de Caxias do Sul (RS) e Foz do Iguaçu (PR) também anunciaram redução, além da cidade de Campinas (SP).
O recuo dos governos é histórico! Foi produto direto das grandes mobilizações da população realizadas nos últimos dias. Uma prova incontestável de que só com o povo na rua é possível arrancar conquistas. No entanto, é preciso destacar que a medida anunciada, assim como a de muitas outras prefeituras a nível nacional, é apenas uma “suspensão”.  Isto é, acuados pela mobilização de rua, os governos foram obrigados a dar um passo atrás, e tentarão no futuro reajustar a passagem.
Por outro lado, a luta contra as máfias dos transportes continua. As máfias das empresas privadas de ônibus são uma das principais fontes de financiamento das campanhas eleitorais dos partidos burgueses, como o PSDB, o DEM, o PMDB e PSB. Atualmente, mesmo partidos reformistas, como o PT e o PCdoB, vem se utilizando desta fonte de financiamento para suas campanhas. Como diz o velho ditado: quem paga a banda, escolhe a música.
As mesmas empresas que “doam” quantias generosas a esses partidos são as grandes beneficiadas com a farra das “concessões” de compras, obras e serviços sociais e públicos realizados a cada mudança de comando nas prefeituras, governos estaduais e federal. Muitas destas empresas concessionárias são inclusive de parentes, amigos ou testas de ferro de políticos corruptos.
Por isso, o PSTU defende a estatização do transporte público e a gratuidade das passagens. Isso está longe de ser uma utopia, já foi discutido nos velhos tempos do PT, quando Erundina era prefeita de São Paulo, mas não foi aprovado e acabou esquecido. O valor das passagens deve ser subsidiado pelo aumento progressivo de impostos sobre os mais ricos. 

Vamos para ruas no dia 20 de junho!
A revogação do aumento das tarifas nessas cidades foi apenas o começo. É preciso agora continuar as mobilizações nas cidades onde a tarifa não diminuiu. Neste dia 20 de junho, quinta-feira, será realizada um dia nacional de protestos pelo país. Vamos às ruas para comemorar essa grande vitória! Mas é preciso continuar nas ruas para arrancar outras reivindicações. Afinal, como diz a palavra de ordem que ganhou as ruas, “tem dinheiro para Copa, mas não tem pra saúde e educação!”.

 No Brasil, o que está sendo questionado nas ruas não é apenas a redução em alguns centavos das passagens de ônibus, mas a elevação geral do custo de vida, os gastos governamentais com a Copa do Mundo, as parcerias público-privadas e a degradação dos serviços públicos de Saúde e Educação. É preciso lutar contra covardes remoções de moradores pobres em função das obras dos jogos! É preciso acabar com a repressão e desmantelar a Tropa de Choque. Liberdade para todos os presos políticos do PSDB  e PT e o fim de todos os processos! Quem luta não é criminoso!
Mas também é preciso identificar os responsáveis pelo atual estado de coisas do país.  A desaceleração da economia já se manifesta, entre outras coisas, com a inflação que vem corroendo o poder de compra dos salários, que já são baixos. Enquanto isso, o endividamento explode nas famílias. Por outro lado, a juventude, majoritária nos protestos país a fora, percebe que não há mais perspectivas de futuro diante dessa realidade.
A resposta do governo Dilma a desaceleração da economia é de mais arrocho salarial. Também pretende ampliar o chamado “superávit primário” que significa mais cortes no orçamento da Saúde e Educação. 
Por tudo isso, a luta deve prosseguir. Essa foi apenas a primeira vitória!
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O RIO PAROU ... E MAIS DE CEM MIL FORAM PRA RUA!

O RIO PAROU ... E MAIS DE CEM MIL FORAM PRA RUA!

Quem estava no Rio de Janeiro, ontem (17/6), presenciou um dia histórico: a Avenida Rio Branco, totalmente tomada, da Candelária até a Cinelândia, por bem mais de 100 mil manifestantes. Não se via no Brasil uma manifestação com essa dimensão há 21 anos, ou seja, desde as grandes manifestações do Fora Collor. 
Foram 100 mil só no Rio de Janeiro (RJ) que se somaram as centenas de milhares de milhares de pessoas que ocuparam as ruas em todo o Brasil apenas poucos dias depois da brutal repressão policial, ocorrida dia 13/6, contra as manifestações contra o aumento das passagens que sacudiram várias cidades do país, que deixaram um saldo de centenas de feridos e presos: só em São Paulo foram mais de 200 presos e dezenas de vítimas entre elas 7 jornalistas (dos quais um ameaçado de perder a visão).
         Desta vez havia muito mais estudantes, muitos organizados pela Anel e vindos da UFRJ, da Uerj, da Unirio, da UFF, do Cefet e de escolas estaduais. Estavam ainda presentes, convocados por alguns sindicatos e pela CSP_Conlutas os petroleiros, os servidores públicos federais e estaduais, bancários, comerciários, operários metalúrgicos do Rio, Baixada e Niterói. Além de integrantes dos movimentos de luta contra as opressões, como o LGBT, o Movimento Mulheres em Luta (MML) e o Quilombo Raça e Classe.
A repressão desferida pelos governos estaduais e municipais, no caso Sérgio Cabral e Eduardo Paes no Rio, e que contou com apoio entusiástico do governo Federal, do PT e burguesia e seus meios de comunicação desta vez não pode se impor e os trabalhadores e a juventude puderam desfilar sua disposição de luta por toda a avenida.
  

Não é só por 0,20 centavos, é por nossos direitos!

 
Mas por que o Brasil foi às ruas neste histórico dia 17 de junho de 2013? 
Começou com a luta contra o aumento das passagens e por melhorias nos transportes públicos, mas desde a brutal repressão do dia13/6 as manifestações expressam um profundo descontentamento que vai desde os primeiros sinais da desaceleração da economia e aumento da inflação, dos baixos salários e do crescente endividamento das pessoas até a revolta contra o sucateamento dos serviços públicos e roubalheira bilionária das obras para a Copa do Mundo.
E, em todos estes assuntos, a culpa é do governo Dilma, do PT; que respondem aplicando ainda mais o velho receituário tucano do neoliberalismo,  associado às políticas sociais compensatórias) e pautado no superávit primário, juros altos e câmbio flutuante, aplicando mais cortes no orçamento da saúde e educação e diminuindo ainda mais o poder de compra dos salários.
Uma das expressões desse processo foi a primeira queda da popularidade da Dilma de 8 % e as vaias contra a presidenta durante a abertura da Copa das Confederações em Brasília tirando da sua zona de conforto nos índices de popularidade.

Lutemos juntos contra os governos

 Tem sido comum ouvir os gritos de “sem partido” ou “abaixem as bandeiras” nas manifestações entendemos esse rechaço aos partidos dominantes pela prática corrupta e de defesa da burguesia dos partidos majoritários e nos somamos a ele.
Em particular, entendemos esse repúdio como uma expressão do desencanto com o PT, partido que se anunciava “contra tudo o que está aí” e que, quando está no governo, é o maior defensor do “que está aí”: a mesma corrupção, a mesma prática política.
Mas infelizmente nesta passeata ocorreu algo muito grave. Grupos anarquistas e neofascistas quiseram tentaram arrancar nossas bandeiras das mãos de nossos militantes, e vimos isto ocorrer em outras cidades.
Nem a ditadura conseguiu fazer com que baixássemos nossas bandeiras e não vai ser qualquer grupo anarquista ou neofascista que irá fazê-lo. Todos têm direito de levantar suas bandeiras e faixas ou de não fazê-lo.
Entendemos o sentimento antipartido da população, mas não vai se impor nenhuma visão autoritária baseada no atraso; pois rejeitaremos duramente qualquer tentativa de imposição autoritária e violenta sobre o que defendemos ou deixamos de defender, e isso inclui nossas bandeiras.
Lutemos juntos contra os governos. Esse tipo de postura só divide e enfraquece o movimento. Enquanto a polícia nos atira bombas, é um enorme equívoco dividir a luta. 
Chega de repressão! Dilma, assim não dá! O povo vai continuar na rua!


Contra a repressão ao movimento e aos lutadores! Liberdade para os presos!


Há uma visível ofensiva da burguesia e dos governos contra o direito à manifestação e protestos. O governo Dilma e os governos estaduais reprimem greves de trabalhadores (como a dos operários de Belo Monte), manifestações indígenas (Terenas, no Mato Grosso do Sul) e, agora, qualquer tipo de manifestação contra os gastos da Copa e contra o aumento do transporte.  Como foi feito na África do Sul, sede da Copa anterior, o governo Dilma tenta impor um retrocesso aos direitos fundamentais da população.
Ainda diversos manifestantes seguem presos arbitrariamente sob falsas acusações por parte da polícia e do estado. É necessário que mais entidades sindicais e populares e advogados dos movimentos sociais se coloquem a disposição do esforço pela libertação imediata desses verdadeiros presos políticos e o acompanhamento dos processos judiciais.

O povo vai seguir na rua. Dia 20/6, quinta-feira, estaremos de volta às ruas. Concentração será na Candelária, às 17 horas. O PSTU estará presente exigindo:
- Revogação dos aumentos das passagens! Sem oneração para os cofres públicos!
- Abaixo a repressão! Em defesa do direito de mobilização! Punição para os mandantes da repressão!
- Unificar as lutas em um dia nacional contra o aumento dos transportes e a repressão!
- Pelo transporte público e gratuito! Estatização dos transportes!
- Pela desmilitarização da PM! Fim da tropa de choque!
- Dilma, congele os preços dos alimentos e tarifas!
- Dilma, revogue as privatizações dos estádios como o Maracanã!
- Pela suspensão dos leilões do petróleo! Petrobrás 100% estatal!
- 10% PIB para educação!
- 2% do PIB para o transporte!

VÍDEO: 2,95 NÃO! Ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro (13/06/2013)


O Rio de Janeiro Parou: Ato contra o aumentos das passagens reúne 10 mil manifestantes

Da redação local

A partir das 17:00h milhares de estudantes e jovens trabalhadores começaram a se concentrar na Candelária, local definido para o início da 2ª- passeata contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro.
Era visível a alegria dos lutadores que a cada minuto percebiam que aumentava a presença de mais trabalhadores e jovens estudantes na concentração, era a certeza de que seria um final de tarde inesquecível.
Quando a marcha deixou a concentração, neste momento os quase dez mil manifestantes: a primeira vitória! Milhares de manifestantes fecharam todas as pistas da avenida Rio Branco, obrigando a Polícia Militar e a Guarda Municipal a recuarem da tentativa de impedir a ocupação da principal avenida da cidade. Uma grande demonstração da força da mobilização.

A cidade do Rio parou! 
As bandeiras vermelhas, os cartazes contra o aumento e as faixas triunfaram, a cada quadra a população demonstrava simpatia pelo movimento tiveram a certeza de que governador Cabral e Eduardo e o prefeito Paes do Rio sofreram a primeira derrota.
Depois a marcha seguiu pela avenida Rio Branco. Do alto dos prédios vinha apoio dos papéis picados, que aumentava mais ainda a satisfação e a certeza de que estávamos corretos. Em cada ponto de ônibus, a população interagia com a passeata, aderindo ou manifestando solidariedade. Os sindicatos (Petroleiros, Comerciários de Nova Iguaçu, Sepe, Sindsprev e Sindiscope, entre outros) e centrais, como a CSP Conlutas, se fizeram presentes. Além de oposições sindicais e movimentos populares, a Anel e diversas entidades estudantis de luta também compareceram.
Adesivo distribuído pelo PSTU
O PSTU se fez presente desde a preparação do ato e com uma expressiva coluna de militantes e simpatizantes agitou, além das suas tradicionais bandeiras vermelhas, faixas exigindo a libertação dos manifestantes presos em São Paulo e a redução das passagens. Os adesivos do partido denunciando o aumento das passagens e o ditador Cabral, distribuídos aos milhares, rapidamente eram colados no peito pela população.
O ponto alto da manifestação aram as palavras de ordem cantadas ao mesmo tempo por milhares de vozes. Algumas das mais cantadas foram “acabou o amor isso aqui vai virar a Turquia” e “não é a Turquia, não é a Grécia é o Brasil saindo da inércia”. Também foram ouvidas músicas críticas aos gastos com a copa também, ao governador e a presidenta Dilma.
Nesse clima alegre e combativo a passeata seguiu até a Cinelândia e diante do impasse se terminava ali ou prosseguia, houve uma votação que decidiu ser melhor continuar até a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), onde foi feito um ato de encerramento com milhares de presentes.
Para nós do PSTU o resultado desta marcha sem sombra de dúvidas é que podemos afirmar que ganhamos esta batalha. A população do Rio ficou ao lado dos manifestantes, apesar do deprimente papel da grande imprensa que durante dias estimulou a repressão da policia e tentou jogar os trabalhadores contra a manifestação.
Mostramos aqui no Rio, assim como em São Paulo, que sem dúvida nenhuma, este movimento se fortalece a cada passeata e que mesmo a maior a repressão não nos calará. Mostramos que esta luta não é apenas pela redução da passagem, mas sim contra a alta dos preços e o endividamento das famílias, pela garantia dos nossos direitos e também contra a repressão criminosa dos governantes.

Não temos dúvida que a próxima será maior! E como entoavam as palavras de ordem cantadas na marcha, seguiremos o exemplo da Turquia! 

Leia mais sobre os atos do dia 14/06:
Liberdade aos presos políticos de Alckmin e Haddad!

Veja aqui o vídeo do ato do dia 14/5 no Rio

O RIO PAROU! Ato de 14 /06 contra o aumento da passagem


(13/06, 5a feira) Dia Nacional de Luta contra os aumentos de passagem: No Rio de Janeiro concentração a partir das 17 horas na Candelária.

Adesivo do PSTU na campanha contra os aumentos

Nesta quinta-feira, 13 de junho, em todo o Brasil será realizado um Dia Nacional de Luta contra os aumentos de passagem.
Em várias cidades do país, a juventude e outros setores da classe trabalhadora brasileira estão está protagonizando uma grande luta contra os abusivos aumentos nas passagens nos transportes públicos  e que estão sendo brutalmente reprimidos pela tropa de choque das polícias militares a mando de governadores e prefeitos.
Em Porto Alegre, a força da mobilização de milhares de estudantes e trabalhadores conquistou a revogação do aumento. Em Natal, no ano passado, os estudantes também conseguiram barrar o aumento.
Neste ano, houve novas mobilizações na capital do Rio Grande do Norte que fizeram a prefeitura recuar na sua proposta inicial de aumento. Em Teresina (PI), após 5 dias de protestos, o reajuste da passagem foi suspenso por 30 dias.

Estes exemplos mostram que é possível conquistar vitórias e derrotar os aumentos impostos, por isso nós do PSTU nos solidarizamos e nos inserimos nesta esta luta.
Na cidade do Rio de Janeiro o ato terá concentração a partir das 17 horas na Candelária.