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Na ONU, mais um discurso para gringo ver

No discurso, denúncia da espionagem e defesa da soberania. Na prática, entrega do petróleo e a mesma espionagem contra os movimentos sociais

Foto: Agência Brasil

Já se tornou habitual. Em seu discurso na 68ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, na manhã deste 24 de setembro em Nova Iorque, a presidente Dilma Rousseff, mais uma vez, jogou para a plateia e falou todo o contrário do que pratica no próprio país que governa.
Em uma fala recebida como "dura" e "contundente" pela imprensa internacional, Dilma denunciou a espionagem praticada pelo governo dos EUA através da NSA (sigla da Agência Nacional de Segurança, em inglês), chegando a afirmar que o caso vindo à tona com as revelações de Edward Snowden representava um "sério caso de violação dos direitos humanos e desrespeito à soberania".
Chamando a espionagem dos EUA, que atingiu a comunicação oficial da presidente e também a Petrobrás, de "afronta", Dilma defendeu uma espécie de regulamentação multilateral da Internet, a fim de impedir que a rede seja transformada em uma "arma de guerra". A presidente chegou a utilizar seu passado de guerrilheira para atacar a política de espionagem dos EUA contra outros Estados. "Como tantos outros latino-americanos, lutei contra o arbítrio e a censura e não posso deixar de defender de modo intransigente o direito à privacidade dos indivíduos e a soberania de meu país", discursou.
Como não poderia deixar de ser, a presidente falou também sobre os protestos que tomaram conta do país em junho, fato que tomou os noticiários de todo o planeta e pelo qual ela se viu obrigada a dar uma resposta. Dilma disse que seu governo não reprimiu os protestos, mas "ouviu e compreendeu a voz das ruas".  Só faltou dizer que, em meio aos protestos, o governo colocou a Força Nacional de Segurança e o Exército para “ouvir” melhor o som das ruas, como durante os jogos da Copa das Confederações. Mas foram muitas coisas que Dilma não tocou durante seu bonito discurso na ONU.
Hipocrisia
Como já é de costume, o discurso do governo brasileiro na ONU, voltado para o público externo, tem pouca relação com suas práticas aqui. É sintomático que, por exemplo, o discurso de Dilma tenha tido como pontos centrais a denúncia da espionagem e a defesa da soberania, a menos de um mês do leilão do Campo de Libra, o primeiro dos leilões do Pré-sal e que deve ser a entrega do maior campo de petróleo da história, marcado para o dia 21 de outubro.

O campo da Bacia de Santos possui capacidade de produzir de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo, segundo estimativas, cujo valor total pode chegar a 1,2 trilhão de dólares. Será simplesmente a maior desnacionalização já realizada nesse país, superando as privatizações do governo tucano.
Mas e a aviltante espionagem dos EUA? Diante das câmeras, Dilma demonstrou indignação com os casos de monitoramento recentemente revelados. Só não disse que, no Brasil, os agentes norte-americanos da CIA têm livre trânsito, atuando junto à Polícia Federal e ao Exército brasileiro para, supostamente, combater o terrorismo. Reportagem da Folha de S. Paulo do dia 15 de setembro mostra como os agentes norte-americanos coordenam a Divisão Antiterrorismo da PF em Brasília, formada por 40 policiais.
A atuação dos agentes da CIA, porém, não se limita à capital federal, mas atinge todo o país. Eles dão linha de investigação e apontam suspeitos para serem acompanhados. Na prática, comandam todo um conjunto de policiais federais. Cinco bases da PF funcionariam no país e teriam como objetivo o "combate ao terrorismo": no Rio, em São Paulo, em Foz do Iguaçu e em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Todos com o suporte da CIA. Como bem apontou o próprio governo brasileiro recentemente, no entanto, terrorismo nunca foi uma preocupação nacional.
Em outras palavras, o próprio governo brasileiro garante as bases e condições para a espionagem que agora denuncia com tanta indignação.
Espionagem contra os movimentos sociais
Além de dar suporte à atuação dos agentes norte-americanos, o governo brasileiro ainda lança mão dos mesmos métodos que denuncia contra os movimentos sociais. Em julho último a própria ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) admitiu "monitorar" as redes sociais para acompanhar os movimentos sociais, como meio de subsidiar com informações o Executivo e os órgãos policiais.

As ações, no entanto, não se limitam ao monitoramento. Na greve no Porto de Suape (em Pernambuco) em abril, comprovou-se a atuação de agentes da ABIN infiltrados entre os trabalhadores. Exemplos não faltam. No começo do ano, um agente a serviço da ABIN já havia sido flagrado espionando uma reunião do movimento contra a construção da Usina de Belo Monte. É uma prática permanente e generalizada, não só das forças policiais (como tanto se viu em junho), mas do próprio Estado brasileiro.
E nesses casos, não seriam também “violações dos direitos humanos”, presidente?
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CSP-Conlutas e Quilombo, com raça e classe, na África do Sul

A convite do International Labour Research and Information Group (ILRIG, Grupo de Pesquisa e Informação Internacional sobre o Trabalho), a CSP-Conlutas e o Quilombo Raça e Classe, representada pelos autores deste artigo, irá participar, esta semana, na Cidade do Cabo (África do Sul) do curso “Novas formas: organizando na Era do Neoliberalismo”.
A Escola de Formação, que contará com a participação de cerca de 200 representantes de vários países da região e outras partes do mundo, é destinada a discutir a reorganização dos movimentos sociais que vem sendo provocada tanto pelos desafios impostos pela lógica neoliberal, quanto pela cooptação e traições das direção tradicionais e majoritárias dos movimento sociais, a exemplo do PT, CUT e UNE (no Brasil) ou do Congresso Nacional Africano (CNA) e do Congresso Sul Africano de Sindicatos (Cosatu).
O curso terá início no sábado, dia 22, e neste artigo (que pretendemos ser o primeiro de uma série) iremos apresentar sua pauta, que já dá a dimensão da atividade e o quanto ela tem a ver com o que estamos lutando para construir no Brasil.
Muitas vozes, um só luta
Este foi o lema da Reunião Internacional, realizada em maio de 2012, logo após o primeiro 1º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, do qual participaram entidades dos movimentos sociais representantes de algumas dezenas de países, dentre eles o ILRIG, da África do Sul, com a qual a nossa central tem mantido um diálogo constante, em torno de temas relativos à reorganização e de diversas lutas, particularmente no setor de mineração e os atingidos pela Vale.

Fruto desta relação e das proximidades que existem entre o que vemos no Brasil, com o governo do PT, e na África do Sul, hoje governada pelo CNA, a CSP-Conlutas e o Quilombo foram convidados não só para participar da Escola, mas também integrar  duas mesas para compartilhar a experiência que estamos construindo no Brasil.
A luta pela reorganização: África, Brasil e Canadá
Não por acaso, a primeira atividade programada é uma mesa intitulada “A situação das lutas da classe trabalhadora antes e depois de Marikana” (onde ocorreu, no ano passado, o vergonhoso e lamentável massacre, promovido pela policia, que deixou 34 mortos e cerca de 70 feridos).

A mesa será coordenada por um representante do Sindicato Geral dos Trabalhadores da Indústria da África do Sul (GIWUSA) – uma entidade independente que organiza diversos setores da classe operária, como construção civil, químicos, e trabalhadores do transporte – e por uma organização do movimento popular chamada Khanya, que irá debater o massacre de Marikana dentro do processo de globalização.
Na sequência, será a vez da CSP-Conlutas compartilhar sua experiência na mesa“Organizando: antes e agora, no Brasil” , na qual iremos contar um pouco de nossa história, o porquê da ruptura com a CUT e, principalmente, como nos organizamos e funcionamos nos dias de hoje. Este primeiro bloco de debates será fechado pela USW, a entidade sindical canadense que organiza os trabalhadores da mineração e aço.

Ainda no domingo, os participantes serão divididos em grupos de trabalho que se deterão sobre setores e movimentos específicos no processo de reorganização: sindical, popular, das mulheres e da juventude. 
Aprendendo com as novas experiências
O curso propriamente dito terá início com um painel conduzido por Leonard Gentle, coordenador do ILRIG e intitulado “Experiências de organização, no passado e no presente: lições e desafios para os movimentos atuais”. Logo após, os participantes serão divididos em grupos que, no decorrer da semana, irão intercalar sessões de estudos e reuniões dos grupos de trabalho mencionados acima, com mesas e painéis (coordenados por entidades sindicais e populares de diversas regiões e setores) com os seguintes temas:

  •  Greves e protestos populares na atualidade: oportunidades e desafios para nossos movimentos.
  • Qual deve ser a posição dos sul-africanos diante das eleições de 2014?
  • Exemplos de novas formas de organização: ativismo cultural, novos locais de trabalho, novas formas de internacionalismo e distintas formas de organização.
  • Movimentos popular e sem-terra.
     
O segundo painel coordenado pelos representantes da CSP-Conlutas e do Quilombo Raça e Classe, intitulado “Exemplos de novas formas de organização” será na quinta, em uma mesa que também contará com a participação da USW e da entidade que dirige os trabalhadores das minas de ouro da Tanzânia.
As atividades serão finalizadas com outro painel sobre o massacre – “Marikana, um ano depois: rumo a um novo movimento”.
E, como ninguém é de ferro, tudo isto será acompanhado por apresentações culturais (saraus, teatro e cinema), além de visitas a movimentos e regiões da Cidade do Cabo.
Um aprendizado inestimável
Como fica evidente pela programação, o evento tem enorme importância para o processo político e organizativo que estamos vivendo no Brasil desde a chegada do PT ao poder e, particularmente, desde a fundação da CSP-Conlutas, o que nos dá a certeza de que iremos aprender muito (e contribuir da forma que for possível) em relação a um debate fundamental para os rumos das lutas mundo afora: a necessidade de buscar novas formas de organização, independente dos governos, dos patrões e, também, das velhas direções que, hoje, viraram as costas para os trabalhadores e abraçaram o projeto neoliberal.

Um aprendizado ainda mais importante na medida em que aponta para o único caminho para superar a atual situação: o internacionalismo. Por isso, no decorrer das atividades iremos tentar manter nossos companheiros e companheiras acompanhando estes debates através de artigos diários.
Wilson Silva é membro do Quilombo Raça e Classe e da Secretaria de Negras e Negros do PSTU e Rafael Ávila é do Metabase de Inconfidentes

CSP-CONLUTAS CONVOCA ATO DE 1º DE MAIO ORGANIZADO PELOS MOVIMENTOS SOCIAIS, NESTA 4a ÀS 10 H, NA TIJUCA.

Participe do Primeiro de Maio de Luta de 2013 - Contra a privatização da cidade, dos bens e dos serviços públicos. 

Organizado por movimentos sociais, organizações, diretórios estudantis, sindicatos e associações de luta do Rio de Janeiro, o Primeiro de Maio este ano terá sua concentração na Praça Afonso Pena, na Tijuca, de onde faremos uma caminhada até o Complexo do Maracanã, um dos maiores símbolos da cidade, que está sendo vendido a preço de banana em um processo arbitrário e cheio de irregularidades. A ideia é transformar um espaço público que serve à população em mais um shopping center que garantirá grandes lucros a um empresário.

Mas não é só o Maraca: em nome da Copa e das Olimpíadas, o governo do estado e a prefeitura do Rio estão vendendo a nossa cidade. Saúde, Educação, Moradia, Cultura, Meio Ambiente, Transporte e outros direitos estão sendo reduzidos a negócios lucrativos. O Aterro do Flamengo, outro símbolo, corre o risco de parar nas mãos de Eike Batista, assim como o Maracanã. As OSs dominam cada vez mais a saúde e a educação. Não há concursos públicos para admissão de mais médicos e professores, que sofrem com baixos salários e péssimas condições de trabalho. Quem precisa destes e de outros serviços enfrenta filas constantes e infra-estrutura precária. É assim nos transportes, onde empresas e máfias controlam o sistema e cobram preços abusivos. Enquanto isso, teatros municipais vão fechando as portas.

Em todo o país não é muito diferente. Vivemos hoje uma onde de privatizações e de apoio irrestrito às ações de empreiteiras e outras grandes empresas. No norte do estado do Rio, trabalhadores são expulsos de suas casas e sofrem com os impactos socioambientais do Porto do Açu. O governo federal lamentavelmente comanda a venda de portos, aeroportos e de setores estratégicos das telecomunicações. A recém criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) quer transformar os Hospitais Universitários em espaços de lucro, mas para nós Saúde e Educação não são mercadoria. E, pra piorar, o governo está leiloando o petróleo do país, uma das nossas maiores fontes de riqueza, que poderia gerar investimentos em serviços públicos de qualidade. Não dá pra aceitar! O Petróleo tem que ser nosso!

Trabalhadores, vamos mostrar a cidade e o país que queremos: políticas efetivamente públicas e direitos iguais para todos!

PRIMEIRO DE MAIO DE LUTA - CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA CIDADE, DOS BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS

QUANDO: DIA PRIMEIRO DE MAIO, 10H
ONDE: PRAÇA AFONSO PENA, TIJUCA


Veja a programação dos atos de luta pelo Brasil neste 1º de maio aqui

Entidades pró-Palestina preparam ato contra "Feira da Morte", no Rio


Da Redação

Mais uma vez, a cidade do Rio de Janeiro será palco da Feira de Armamentos Latin America Aerospace and Defence (LAAD), chamada pelos movimentos sociais de "a feira da morte”. O evento reúne comerciantes da guerra, da repressão, da tortura e do massacre de todo o mundo. Entre eles estão as empresas que se beneficiam do comércio de armas pelas forças militares israelenses, que utilizam os territórios palestinos - Cisjordânia e da Faixa de Gaza - como “campo de provas” para “testar” novos equipamentos e tecnologias militares. A feira da morte será realizada entre os dias 9 a 12 de abril, no Centro, Barra da Tijuca. 

No rol dos expositores figuram empresas armamentistas de Israel. Um exemplo é a Elbit Systems Group, grupo privado, envolvido na construção de um dos trechos do Muro do Apartheid, na Cisjordânia. A empresa ainda oferece ao exército sionista os famosos Drones, veículos aéreos não-tripulados, manipulados por controle remoto, responsáveis pela morte de centenas de palestinos.



Também estarão presentes a Israel Military Industries(IMI), empresa que produz munição para infantaria, aviação e tanques; e a Israel Aerospace Iindustries(IAI), grupo privado e principal indústria aeronáutica de Israel.


Protesto contra a indústria armamentista 


As entidades que compõem a Frente em Defesa do Povo Palestino, a CSP-Conlutas e a campanha do BDS- Brasil (Boicote – Desinvestimento – Sanções) estão convocando a realização de um ato contra a feira da morte. O objetivo é denunciar a realização da feira em território brasileiro e repudiar o Tratado de Livre Comércio (TLC) firmado entre Israel e o Mercosul. O protesto será realizado em frente do Rio Centro, a partir das 9 horas da manhã, no dia 9 de abril, terça-feira. As entidades também pretendem realizar um protesto em frente do Consulado de Israel, marcado para às 13 horas.


A adesão ao TLC faz com que o governo brasileiro fortaleça a indústria de armamento israelense. A Elbit Systems já assinou contratos de cooperação com as Forças Armadas brasileiras. Sua subsidiária brasileira, AEL Sistemas, formou uma joint venture com a Embraer, voltada a sistemas de aeronaves não tripuladas e simuladores, para fins militares e civis. É a Harpia Sistemas, sediada em Brasília, da qual a Embraer Defesa e Segurança detém 51%, o restante pertence à AEL.


Acordos como esse mostram como as guerras, ocupação e colonização israelenses continuam a ser um negócio lucrativo. É preciso exigir do governo Dilma o rompimento dos acordos comerciais do Brasil com o Estado Sionista. O Brasil não pode continuar financiando o massacre do povo palestino.

Ato de repúdio à feira das armas: dia 9, 9 horas, no Rio Centro.

Em seguida, ato em frente ao consulado de Israel, às 13 horas. 
Av. Nossa Senhora de Copacabana, 680

*Editado às 20:45h (8/04)

1ª Marcha da Periferia em Bauru converge a luta do povo negro com a solidariedade ao povo palestino!


Marcha da Periferia se solidariza com a luta Palestina
A 1ª Marcha da Periferia de Bauru, com cerca de 50 pessoas, reuniu todos os movimentos sociais que hoje objetivam reorganizar o movimento sindical e popular no Brasil sob a perspectiva do classismo. E como um povo oprimido se identifica com outro povo oprimido, a comunidade Islâmica da Região de Bauru se somou à luta do povo negro e pobre e denunciou os massacres que o Estado sionista de Israel vem promovendo. 


A Marcha convocada pela CSP-Conlutas em unidade com a ANEL, Sindicato dos Bancários, Oposição Trabalhadores em Luta/Oposição Sinserm e Centro Comunitário Ouro Verde foi na principal Avenida da cidade, a Avenida Rodrigues Alves, e logo se tornou um movimento contra o racismo, contra criminalização da pobreza no Brasil e também em solidariedade ao povo palestino que nesse momento sofre ataques sistemáticos do "cão de guarda" do imperialismo ianque, o Estado artificial de Israel. 

Assim, durante toda a passeata, os manifestantes, animados pela bateria da escola de Samba Ouro Verde, entoavam palavras de ordem como “ Quem luta não tá sozinho, sou negro e palestino!” ou “ Fora já, Fora já daqui...Israel da Palestina e Dilma do Haiti”

Durante o ato, Gisele Costa, dirigente regional do PSTU, lembrou que ser negro e pobre no Brasil é como ser palestino em Gaza ou na Cisjordânia. "Da mesma forma que a polícia militar massacra a juventude negra nas periferias do Brasil, tropas israelenses praticam limpeza étnica na Palestina. Neste sentido, a luta de ambos os povos são convergentes e suas bandeiras são mais que legítimas", argumentou a militante. Gisele ainda ressaltou que o PSTU não reconhece e jamais reconhecerá o Estado de Israel, bem como defende o fim da polícia militar e a construção da auto-organização dos trabalhadores para a elaboração de um plano de segurança vinculado à mudança política, econômica e social. 

No final do ato, os manifestantes foram recebidos por mais de cem pessoas do movimento HIP-HOP que saudaram as bandeiras pelo fim do racismo e da criminalização da pobreza e prestaram solidariedade ao heróico povo palestino. 

Israel ataca Faixa de Gaza e prepara novo massacre na região

Estado judeu utiliza justificativa de retaliação para bombardear população civil de Gaza


Bombas de Israel já atingiram mais de 600 pontos de Gaza 

Mais uma vez, Israel volta seus canhões a Gaza, bombardeia o território palestino e ameaça uma nova invasão, quase quatro anos após o massacre perpetrado entre 2008 e 2009 e que ceifou 1400 vidas. A nova escalada de ataques contra a Palestina explodiu no dia 14 de novembro, com o assassinato de Ahmed al Jabari, dirigente do braço armado do Hamas, as Brigadas de Izz el-Din al Qassam. O líder foi atingido por um míssil enquanto dirigia seu carro pelas ruas de Gaza, em uma série de ataques da operação “Pilar de Defesa”, impulsionado pelo Exército sionista.

O Hamas respondeu à agressão disparando foguetes contra Tel Aviv e o sul do país. Segundo autoridades israelenses, três pessoas morreram na cidade de Kyriat Malaji. Foi o que Israel esperava para desatar ataques ainda mais duros contra a população civil do território ocupado. A série de ataques a bomba deflagrada no dia seguinte, enquanto o dirigente do Hamas era sepultado, matou 19 pessoas, entre elas três crianças. 

Ao todo, 27 palestinos já morreram e os feridos passam de 250, grande parte crianças, incluindo o filho de fotógrafo da BBC de apenas onze meses. As imagens do fotógrafo em prantos carregando nos braços o bebê sem vida roda o mundo e se torna a expressão mais acabada da selvageria imposta pelo Estado de Israel aos palestinos.

Eleições e Estado palestino na mira de Israel
Essa nova onda de ataques ocorre após dias de uma tensão crescente na fronteira entre Gaza e Israel. No último dia 10 um tanque israelense, em um gesto de provocação, circulou pela fronteira e foi alvo de disparos do Hamas. A resposta foi selvagem e deixou cinco mortos. Os ataques e incursões de Israel na fronteira, porém, já ocorriam desde o início do mês.

Nos últimos três dias, Israel atacou mais de 600 pontos de Gaza, destruindo prédios e residências. A cidade vive dias de terror. Enquanto as ruas estão desertas e o comércio fechado, aglomerações só ocorrem nos funerais das vítimas do Exército israelense. A população, que já sofre os efeitos do bloqueio e isolamento reforçados por Israel após a subida do Hamas ao poder em 2007, enfrenta o medo diário dos aviões e drones israelenses, como assim como uma iminente invasão.

Israel divulgou nesse dia 16 a convocação de 75 mil reservistas, indicando que pode iniciar uma invasão por terra à Faixa de Gaza em instantes. “Esta escalada vai determinar o preço que o outro lado vai pagar” , afirmou o ministro da Defesa, Ehud Barak. Já setores da ultradireita pedem diretamente o assassinato do primeiro-ministro de Gaza, Ismail Yaniyeh.

Ao que tudo indica esse novo ataque perpetrado por Israel contra Gaza é uma forma de o atual governo de Benjamin Netanyahu amarrar o apoio da população num momento em que se aproximam as eleições legislativas, marcadas para o dia 22 de janeiro. Mas não é apenas o Hamas que está no alvo de Israel. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, quer aprovar a proclamação do Estado palestino na próxima assembleia geral da ONU, no dia 29 de novembro, contra a vontade de Israel.

Apesar de os termos defendidos por Abbas estarem bem longe das reivindicações históricas dos palestinos, e da própria ANP servir como um governo títere do estado judeu, Israel se opõe frontalmente à formação do novo estado. O ministro das relações exteriores do país, Avigdor Lieberman, afirmou que, caso prospere a intenção da ANP na ONU, não restaria a Israel outra opção que não “derrubar” Abbas e “destroçar” a Autoridade Nacional Palestina.

Fotógrafo da BBC segura filho morto em ataques de Israel

Pretexto para um novo massacre
Enquanto convoca milhares de reservistas, Israel determinou nesse dia 16 de novembro o fechamento das estradas ao redor de Gaza. Com o apoio dos Estados Unidos de Barack Obama, o estado sionista prepara um novo massacre no território a exemplo do que fez na Operação Chumbo Fundido, há seis anos, quando matou 1400 palestinos em 22 dias de ataques massivos sobre a população civil de Gaza.

Como atesta o blogueiro e ativista judeu Max Ajl, “a categoria de Israel de ‘retaliação’ não existe. A ocupação é um terror constante e é o que gera a violência palestina, e assim os líderes israelenses podem apresentar como uma justificativa retroativa para as políticas que aplicam em busca de uma quimera de ‘segurança’”.

Neste momento, mais do que nunca, é preciso cercar de solidariedade a luta do povo palestino e denunciar os crimes e atrocidades do Estado de Israel.

Nota do PT paraguaio (seção da LIT-QI) sobre a tentativa de impeachment contra Lugo

Abajo el Juicio Político de la derecha tradicional contra Lugo
 
Escrito por PT - Paraguay  
22 de Junio de 2012 15:07
Lugo sólo puede ser destituido por el pueblo trabajador no por este Parlamento.

1 - Desde el Partido de los Trabajadores estamos en contra del juicio político impulsado por los partidos de la derecha tradicional de nuestro país a través del Parlamento Nacional. El pueblo trabajador no tiene en estos parlamentarios -sinvergüenzas, corruptos y personeros de lo peor del sistema capitalista-, representación alguna, sino que fueron y son sus verdugos. Derrotemos este verdadero “golpe de guante blanco” con las movilizaciones en las calles.

2 - El juicio político iniciado y probable destitución de Lugo por este Parlamento de la Vergüenza no traerá mejores condiciones socio-económicas y políticas para el pueblo trabajador, sino que significará un grave retroceso para el pueblo trabajador.

3 - Afirmamos que Lugo merece ser enjuiciado y destituido pero por la voluntad popular no por los tránsfugas y antipopulares parlamentarios que sólo toman decisiones perjudiciales, en todos los ámbitos, contra los explotados y excluidos de nuestro país. Lugo fue elegido por la mayoría del pueblo por medio de elecciones y es ese mismo pueblo el que tiene el derecho de sacarlo del gobierno.

4 - Abortemos el juicio político con movilización y lucha. Apoyaríamos, en todo caso, la realización de un plebiscito para que el pueblo exprese si quiere que Lugo se vaya o se quede y, en caso de que la mayoría vota que se tiene que ir, que se anticipen las elecciones.

5 - Lugo, como persona y como gobierno, no merece nuestra menor solidaridad. Somos opositores por el vértice a su política y a su gobierno.Lugo al igual que los gobiernos anteriores ha gobernado a favor de la burguesía, ha promovido y auspiciado el agronegocio que arrasa con las comunidades campesinas, no ha hecho nada a favor de la reforma agraria y profundizó la criminalización al movimiento de masas. Lugo, es también responsable de la crisis política generada fundamentalmente por su alianza con la gran burguesía y sus partidos, así como por la masacre de Curuguaty. Por lo tanto, nuestra oposición al juicio político no significa el menor apoyo político a su gobierno.

6 - Ratificamos nuestra condena, ya realizada desde el 2008, a las izquierdas capituladoras gubernistas que se integraron a este gobierno servil a los intereses de las minorías sembrando la confusión, la desmoralización y la desmovilización en el movimiento de masas, ya que por su política de conciliación entre las clases sociales, son corresponsables del marco general de la actual situación. 

7 - Convocamos al pueblo trabajador a oponerse al giro reaccionario del régimen político que se expresa en el proceso de destitución de Lugo, a defender las libertades públicas de organización y movilización así como la completa vigencia de las garantías constitucionales básicas para seguir luchando y construyendo un presente y futuro mejor para los explotados y oprimidos.

8 - Exigimos al Gobierno Lugo, desarrolle una urgente reforma agraria expropiando sin indemnización las tierras malhabidas y latifundios, que rompa de una vez por todas con los partidos de la derecha tradicional destituyendo a sus representantes de los ministerios y el aparato estatal, e instale un plan económico y social de emergencia basado en los intereses de las grandes mayorías. 

9 - Construyamos un gran movimiento de la clase trabajadora por fuera del gobierno de Lugo, su política y los partidos de la derecha, abriendo una salida el pueblo trabajador a la actual crisis política apuntando entre otras medidas a una Asamblea Constituyente, democrática y soberana que sienten las bases que aseguren el Pan, el Trabajo, la Soberanía y la Libertad para el pueblo trabajador y las grandes mayorías.

Comité Ejecutivo Nacional
Partido de los Trabajadores
21-06-2012

Tropas da Minustah invadem faculdade no Haiti

Tropas da Minustah ocupam o
país há oito anos
Comunicado da Rádio Kiskeia, enviado por Batay Ouvriye

• A Faculdade de Ciências Humanas (FASCH), símbolo de resistência estudantil à opressão nos últimos anos, no Haiti, foi alvo na última sexta-feira (15), de momentos de tensão. Os soldados da Minustah (Missão de Estabilização da ONU), conhecidos como “capacetes azuis”, invadiram a instituição, provocaram cenas de pânico e ainda feriram várias pessoas. Os alunos foram vítimas de agressões físicas e tiveram que fugir das balas de borracha lançadas pelos soldados.

   Os pára-brisas de pelo menos dois veículos também foram quebrados. Denunciada na imprensa como uma verdadeira provocação, após o alerta do reitor da Universidade Estadual, o coordenador de FASCH, Hancy Pierre, declarou que a invasão militar interrompeu uma reunião conjunta que se realizava naquele momento.

   Estudantes e professores foram surpreendidos quando centenas de agentes mascarados do batalhão brasileiro entraram na Faculdade sob pretexto de tentar recuperar uma granada lançada, mas que não chegou a explodir.

   Vários alunos denunciaram os fatos à Rádio Kiskeya, exigindo das autoridades a saída imediata das forças de ocupação e acusando a ONU de ser particularmente responsável pela epidemia mortal de cólera no país.

   A Minustah ainda não tinha respondido até esta noite (domingo, 17 de junho) sobre o ataque injustificado e a invasão do espaço universitário, considerado totalmente inviolável pela Constituição do país.

   Presente no Haiti desde 2004, as forças da ONU têm cerca de 10.000 soldados e policiais de diversos países, sob o comando brasileiro.

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Haiti: 8 anos dizendo “não"

Repressão policial provoca 17 mortes em despejo no Paraguai

Danilo Firmino, militante do PSTU e do setorial de Movimento Popular da CSP-Conlutas/RJ

   Em plena Cúpula dos Povos que discute meio ambiente e justiça social, e após 6 meses do estúpido e ilegal despejo do Pinheirinho em São José dos Campos aqui no Brasil, no Paraguai, mais precisamente, em Curuguaty que é fronteira com o Brasil 17 mortos são confirmados em um despejo e 100 feridos, 10 sem terras e pelo menos 7 Guardas Nacionais foram mortos. 
   Nós defendemos os "Novos Pinheirinhos" porque a luta daqueles moradores não terminou, e não há de terminar enquanto o problema de moradia persistir no Brasil; enquanto continuarmos com o cenário dos grandes latifúndios; da especulação imobiliária; e do lado a miséria; a falta de moradia dos trabalhadores deste país, Brasil! Mas queremos dizer mais, vamos continuar afirmando que enquanto houver no Mundo um trabalhador sem casa, o Pinheirinho continua, enquanto houver no Mundo um trabalhador sem terra ou no meio urbano sem casa, o Pinheirinho continuará! 
   No Pinheirinho foi à polícia de Alkcmin do PSDB, partido notório de direito, que invadiu, bateu e matou trabalhador pra devolver o terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados ao especulador Naji Nahas, mas também dissemos que Dilma foi cúmplice daquela ação, pois tinha o poder-dever de desapropriar o terreno que devia milhões à União, portanto, o PT - partido dos trabalhadores ficou em cima do muro, e os moradores do Pinheirinho sem sua casas! 
   Hoje no Paraguai foi a Guarda Nacional, a Polícia de Fernando Lugo, o Padre-Presidente que matou os sem terras, para que? Para devolver uma terra de 2.000 hectares ao ex-senador Blas N. Riquelme, do Paraguai! Isto é, de lá retiraram famílias pobres para devolver a um único homem, uma terra deste tamanho que se encontrava improdutivas, com a justificativa de uma decisão judicial! 
Sabemos aqui de toda “mutreta” feita no Judiciário para legitimar a ação no Pinheirinho, e tantos outros despejos, lá ainda não temos noticias sobre este aspecto, mas sobre o ponto da propriedade privada versos o direito a moradia e reforma agrária temos muita tranqüilidade em falar deste mais novo caso, que abala os movimentos sociais na América Latina.
Desde Eldorado dos Carajás que não vemos esses números de mortes, e violência como estamos vendo em 2012, mas Fernando Lugo, representante da Frente Popular no Paraguai, a mesma que no Brasil se propõe a governar pra todos, mostra que no enfrentamento Governa pros ricos e latifundiários! 
   Dilma aqui classificou como barbárie, Fernando Lugo lá diz que vai chamar uma reunião com os ministros, mas e a questão da habitação, de colocar a reforma agrária em prática!? Nenhum dos líderes diz a respeito! Lá foi a polícia de Lugo que matou, não podemos, simplesmente, porque Lugo derrotou o Partido Colorado, o mais reacionário no Paraguai o considerar nosso, quando ele continua aplicando os planos da Burguesia e matando trabalhador! 
   Um governo progressivo é aquele que os trabalhadores tenham seus direitos em primeiro lugar, que tenham habitação; saúde; educação; saneamento básico; creche para seus filhos e tantos outros direitos básicos. Para isso acontecer temos que ter um Governo que governe para os trabalhadores e não para todos, pois já vem ficando provado que governar para todos, significa receber dinheiro de empresas na campanha, e na hora de canetar o peso da campanha leva a tinta pro seu lado! 
   Está provado que não dá pra beijar a mão do empreiteiro, e não pisar na cabeça do peão de obra que morre em acidente de trabalho e com salários irrisórios; não dá para favorecer a especulação imobiliária e não descer o cacete nos sem terra e sem teto; não dá pra ser dos trabalhadores e dos empresários ao mesmo tempo! Por isso, temos que lutar pra nós estarmos no poder, os trabalhadores com suas organizações e movimentos, e para isso temos que enfrentar o Capitalismo, pois na democracia dos ricos os trabalhadores não têm direitos, não tem vez! Só o socialismo é o caminho para os trabalhadores! 
   Repúdio total ao Governo do Paraguai que promoveu este ataque brutal aos trabalhadores Sem Terra de Curuguaty!

Haiti: 8 anos dizendo “não"


   Neste 1º de junho de 2012, completam-se 8 anos da ocupação militar da MINUSTAH no Haiti - intervenção que conta com o apoio de tropas brasileiras, enviadas por Lula e mantidas por Dilma. Ao contrário discurso da “ajuda humanitária”, que sempre foi usado para legitimar a presença das tropas naquele país, em todo esse período, nada mudou no país mais pobre das Américas.

   Ao contrário do que diziam a ONU e o governo brasileiro, a situação calamitosa em que 80% da população vive abaixo da linha da miséria permanece inalterada. O que, sim, as tropas conseguiram foi garantir a exploração da mão-de-obra haitiana por parte de grandes multinacionais – sobretudo da indústria têxtil. 

Ao longo desses oito anos, protestos, greves e lideranças sociais foram reprimidos constantemente pela MINUSTAH. Ao mesmo tempo, a ocupação colaborou com a formação das Zonas de Livre Comércio, legitimou eleições fraudulentas e não desempenhou qualquer papel “humanitário” diante do trágico terremoto de 2010. Inúmeros abusos também vieram à tona, como o caso de um estupro cometido por soldados uruguaios. 

Governo brasileiro segue cumprindo papel vergonhoso 
Refletindo o fato de que a presença das tropas só trouxeram mais dor ao povo haitiano, uma onda de imigração de trabalhadores daquele país rumo ao Brasil começou nos últimos meses. Entrando no país pelo Acre, na busca desesperada de uma nova chance, esses trabalhadores não encontraram nenhum apoio efetivo do governo brasileiro e permaneceram expostos a condições insalubres e submetidos a todo tipo de aproveitadores.

O governo Dilma se acha no direito de manter tropas no Haiti, sempre com o discurso de que se trata de “ajudar” o povo haitiano. Mais revela sua hipocrisia quando é incapaz de oferecer assistência aos imigrantes que aqui chegam. Para piorar, setores do governo acenam com a possibilidade de endurecer a entrada de haitianos no Brasil.

Comentando o assunto, a ministra Maria do Rosário – por ironia, da pasta dos Direitos Humanos – declarou que “chegou a hora de o Brasil começar a dizer não”. Vergonhosamente, na verdade, já são oito anos em que o governo diz “não” à soberania do Haiti.

Massacre na Síria comprova fracasso da ONU


   O massacre na cidade síria de Houla, ocorrido no dia 25 de maio, com o assassinato de mais de 100 pessoas, entre as quais 32 crianças, chocou o mundo e demonstrou que o regime de Bashar al-Assad é capaz de qualquer atrocidade para manter-se no poder. É, também, a prova taxativa do que já se previa: o fracasso do cessar-fogo entre o regime e a oposição, negociado em meados de abril pela ONU e a Liga Árabe e supervisionado no terreno por observadores das Nações Unidas. Neste fim de semana, vídeos mostravam na Internet mulheres de cara tapada a desfilar em Damasco carregando cartazes que dizem: “O regime sírio nos mata, sob supervisão dos observadores da ONU” e “Banir os turistas da ONU”. 

   Esta também parece ter sido a conclusão do Exército Sírio Livre, constituído por desertores das forças do regime, que anunciou a sua desvinculação do plano acordado com a ONU e do cessar-fogo nele previsto, mas nunca respeitado.

   A denúncia do massacre foi feita por opositores do regime, que contaram como Houla foi atingida por artilharia pesada do governo e que os assassinos pró-governo, pertencentes à milícia conhecida como “shabiha”, esfaquearam mulheres e crianças em suas casas. Após a denúncia, os observadores das Nações Unidas dirigiram-se a esta cidade, localizada na província de Homs, tradicional reduto da oposição, e encontraram os cadáveres. A oposição síria, dentro e fora do país, responsabilizou formalmente as forças do regime pelo massacre, enquanto este, como é habitual, o atribui a “grupos terroristas”.   

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o seu antecessor e enviado da ONU e da Liga Árabe para pacificar o país, Kofi Annan, disseram que o massacre de Houla foi uma violação terrível do direito internacional. Estava prevista uma viagem de Annan a Damasco para encontrar-se com o presidente Bashar al-Assad. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, condenou o massacre e disse que a pressão sobre o presidente sírio será intensificada.

   Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cerca de 13 mil pessoas morreram, das quais mais de 9 mil são civis, em consequência da violenta repressão montada pelo governo de Al-Assad para impedir os protestos contra o regime iniciados em março do ano passado. 

Avançar na revolução 
   O novo massacre só reforça a necessidade de armamento para se defender da violência do regime. O povo sírio tem o direito de decidir democraticamente os rumos de seu país e de se armar. Com armas, o exército vai se dividir, e a revolução terá chances reais de vencer. A revolução na Síria só será completa com a queda de Bashar e das elites dominantes do país.

   Por outro lado, a intervenção do imperialismo não é uma solução. Se a revolução avançar, é possível que o imperialismo – via ONU, OTAN etc. - ou a Liga Árabe intervenham. Mas o objetivo deles não é fortalecer a revolução, e sim paralisá-la e destruí-la, pois o imperialismo pretende defender seus interesses econômicos e políticos, ameaçados pela revolução.

*Com MAS (Portugal)

Contra a troika e seus planos de austeridade

Por uma frente que prepare um governo da esquerda, recuse o memorando da troika e prepare um plano de resgate dos trabalhadores e do povo




LIGA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES – QUARTA INTERNACIONAL



Os resultados das eleições gregas do dia 6 de maio refletem a enorme rejeição do povo grego aos contínuos “planos de ajuste” impostos pela troika (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional). As eleições consumaram a queda do governo de Luca Papademos, o ex-chefe do Banco Central Europeu (BCE), que a Troika impôs sem passar pelas urnas.


As eleições foram uma derrota eleitoral dos governos identificados com os duros ataques aos trabalhadores, sejam os conservadores, liberais ou social-liberais. A rejeição aos governos que atacam os trabalhadores vem sendo uma constante desde o início da crise. Como na Grécia, essa rejeição se expressou nas eleições municipais ou regionais na Inglaterra, Itália, na Alemanha e nas eleições presidenciais da França.



Os resultados gregos foram uma péssima notícia para a troika, e expressaram uma crise bem mais profunda no regime político e na institucionalidade vigente, demolindo o bipartidarismo no qual se sustentou, durante mais de 40 anos, a democracia capitalista grega.



As eleições, longe de reconduzir a situação política para a estabilidade desejada pelos partidos do regime, impuseram uma situação de “desgoverno’ e de crise de todo o regime. A democracia capitalista mostra mais sua natureza de classe. Além de não representar a vontade popular, atua, em tempos de crise, em conflito total com a vontade da imensa maioria dos trabalhadores e do povo, como demonstram as votações de aprovação do “memorando” (plano de ajuste imposto pela troika) pelo Parlamento e o governo grego, contra o 90% da população mobilizada, em greves gerais, em manifestações de centenas de milhares ou na já histórica Praça Syntagma.



Uma surra aos partidos do regime
Os partidos do regime, o social-democrata PASOK e a conservadora Nova democracia, receberam uma autêntica surra e passaram de 77% dos votos, que obtiveram nas eleições anteriores, para 32% nas últimas.



Outro aspecto das eleições foi o fortalecimento dos partidos e coalizões à esquerda da social-democracia, em especial o Syriza (frente de partidos anticapitalistas), e pela direita, como o grupo fascista Aurora Dourada.
O Syriza obteve o segundo lugar nas eleições, como 16,6% dos votos, que somados aos 8% dos votos do KKE (Partido Comunista Grego) e aos 6,1% da Nova Esquerda, somariam mais de 30% dos votos. 



As alternativas de esquerda, que questionaram a entrega do país à Troika e recusaram o seu memorando, saíram respaldadas por milhões de trabalhadores gregos. Mas há também o aparecimento de Aurora Dourada, uma organização nazi-fascista que defende minar a fronteira com Turquia para impedir a imigração, e também a criação de campos de concentração para imigrantes. O surgimento do Aurora Dourada mostra a polarização social na Grécia, apesar de não ser neste momento uma opção da débil burguesia grega, nem do imperialismo. Porém, deve-se supor que tal alternativa não está totalmente descartada, principalmente se uma crise revolucionária se abrir no país. 



A força desse grupo fascista não se assenta só na violência organizada e na xenofobia, mas porque surge diante do país um partido nitidamente contrário ao saque da Grécia pela UE, defendendo abertamente a saída da Grécia da zona do euro e da União Europeia.



O fracasso da “unidade nacional”
O plano da troika, da direita e da socialdemocracia na Grécia e em toda Europa é responder ao agravamento da crise com a formação de governos de “unidade nacional”. A “estabilidade” que eles querem não é mais que uma tentativa desesperada de roubar o que o povo grego conquistou com sua luta e com o resultado eleitoral. Quando chamam a esquerda a assumirem sua “responsabilidade” não estão fazendo outra coisa senão um chamado à cumplicidade com esse roubo. 



Os governos de “unidade nacional” não vão tirar o povo grego nem o povo europeu da miséria. São apenas governos que tem o objetivo de garantir a aplicação dos planos de ajuste, os cortes sociais e tentar evitar uma explosão social. 
A convocação de novas eleições para o dia 17 de junho é a confirmação da dupla derrota da Troika e seus lacaios gregos. Fracassaram em sua tentativa eleitoral e fracassaram em sua tentativa de formar um governo de “unidade nacional” para que nada mude.




Acatar o memorando ou sair do euro



Mediante dois “resgates” e os sucessivos planos de saque, a União Europeia vem preparando, há pelo menos dois anos, as condições para a saída da Grécia do bloco (algo que se torna mais provável conforme avançava a destruição do país e a impossibilidade de pagar a dívida) sem o arriscar o euro, preservando o sistema financeiro europeu. Não é a toa que os grandes bancos e seguradoras - alemãs e francesas, sobretudo - já tenham transferido a dívida grega à UE. 



Ainda que continuem apostando em manter a Grécia dentro da zona euro, o capital financeiro não hesitará em expulsar a Grécia da UE caso não se cumpra suas “obrigações”. Neste momento, porém, a expulsão da Grécia poderia aprofundar a crise de outros países do bloco, como a Espanha, por exemplo, ou levar a Europa a uma recessão ou uma total crise política da UE.



Por isso, o governo alemão continua a chantagear a Grécia, com o apoio do novo presidente da França, François Hollande. Assim, por via do BCE e do FMI, pressionam a Grécia para que aceite o memorando e não saia da zona do euro. O novo presidente francês, em que pese seus discursos sobre “crescimento”, tem acordo nos temas fundamentais com a chanceler alemã Ângela Merkel. A tarefa de Hollande, como social-democrata, é agora tentar abrandar a Syriza, que poderá vencer as eleições do dia 17.



Para a esquerda grega não há como fugir do problema. Por outro lado, não tem sentido a proposta defendida pela direção de Syriza de se opor ao memorando, ao mesmo tempo em que defende a permanência do país na zona do euro.



A esquerda grega está diante de uma encruzilhada: Ou a expulsão da Grécia do Euro (se o Syriza não cede totalmente ao memorando ou o faz insuficientemente para as exigências alemães); ou ceder “para não ser expulso do euro” e manter durante um período a agonia do povo grego. Aceitar a segunda opção é aposta pela condenação à miséria do povo grego, e seria um suicídio político do Syriza. Além disso, permitiria um claro fortalecimento do partido fascista que teria nas mãos ficaria a bandeira da ruptura com a UE.



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Uma grande oportunidade

Na Grécia, construir e sustentar a Frente nas urnas e na rua 

Em defesa da moral proletária

Declaração frente às graves acusações contra o PSTU, a CSP-Conlutas e a LIT-QI

LIGA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES – QUARTA INTERNACIONAL



Uma corrente político-sindical do Brasil, “Unidos para Lutar”, encabeçada pela CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), que é parte da corrente UIT (Unidade Internacional dos Trabalhadores), está fazendo uma grave acusação contra o PSTU e contra a CSP-Conlutas, bem como contra nossa corrente internacional, a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional)


Segundo essa corrente, os militantes destas organizações teriam formado uma chapa de oposição (Chapa 2) no Sindicato dos Trabalhadores Químicos de São José dos Campos, em São Paulo, com o apoio da patronal, para tentar retirar da direção do sindicato uma corrente “classista” (a Chapa 1, da Unidos). Mas, como isso não fosse suficiente, segundo esse setor, a Chapa 2 teria se apresentado à Justiça, junto com a patronal da multinacional Johnson & Johnson, para pedir a demissão de cinco trabalhadores.



Para nós custava crer que tais acusações fossem verdadeiras, mas não podíamos descartá-las de antemão. Só havia uma forma de descobrir a verdade: fazer uma profunda investigação. E foi isso que fizemos com uma convicção: caso fossem verdadeiras as acusações, defenderíamos a expulsão de nossas fileiras de qualquer traidor.



Feita a investigação, porém, constatamos que todas as acusações eram completamente falsas. Ou seja, estávamos diante de um caso de calúnia.



Resultados de nossa investigação
a) Uma “chapa do PSTU-LIT” que nunca existiu.
Nossa investigação nos levou de surpresa em surpresa. A primeira delas foi descobrir que a suposta “chapa de traidores do PSTU e da LIT” não existia. Efetivamente, nas mencionadas eleições sindicais não existiu nenhuma “chapa do PSTU/LIT”.



A segunda surpresa foi descobrir que, na realidade, as duas chapas que participaram das eleições surgiram a partir de uma divisão da direção do sindicato encabeçado pela “Unidos para Lutar”. A tal ponto que nas duas chapas havia militantes do PSOL (partido no qual se insere também a Unidos).



b) O que existiu foi uma luta anti-burocrática no interior do sindicato. 
O Sindicato dos Trabalhadores dos Químicos é dirigido há muitos anos pela CST (corrente do PSOL) que, a partir da ruptura com a CSP-Conlutas, em 2010, se filiou à Unidos.



Nos últimos meses, uma série de dirigentes do sindicato começou a questionar a maioria dessa direção por seu comportamento burocrático. Foi isso o que deu origem às duas chapas nas eleições.



A direção da LIT, infelizmente, não tem condições de saber todos os detalhes de como se deu essa luta no interior do sindicato e da própria Unidos. De qualquer maneira, há vários fatos que indicam que a principal crítica da oposição era correta. Vejamos alguns destes fatos:



Primeiro, a direção acusa à oposição de estar aliada à patronal, de ser traidora, etc. Essa acusação poderia ser verdadeira, mas se fosse por que não a fizeram quando estavam juntos na mesma direção do sindicato? Por que essas acusações apareceram apenas na véspera das eleições?



Segundo, durante a campanha eleitoral, a Chapa 2 (oposição) apresentou uma grave denúncia: a maioria da direção, para tomar o controle do dinheiro do sindicato, mudou a tesouraria (colocaram a um militante da CST) e, para fazê-lo, confeccionaram uma ata falsa de uma assembleia que não existiu.



A maioria da direção não respondeu a grave acusação
Terceiro, diante das acusações que faz a maioria da direção do sindicato, a oposição defendeu uma proposta muito simples: “assembleia já! Para restabelecer a verdade!” Se a maioria da direção do sindicato fosse classista, de luta e democrática, como se auto-intitula, por que então se negou a convocar uma assembleia para que a base da categoria pudesse decidir quem são os traidores?



c) A questão dos demitidos
A patronal entrou na Justiça pedindo que só 14 diretores tenham estabilidade trabalhista (anteriormente eram 41) e conseguiu que a Justiça aceitasse sua proposta a partir do qual veio a demissão de cinco diretores.



Foi fácil para a patronal ganhar na Justiça sua reivindicação, pois o sindicato não apresentou corretamente o devido recurso (perdeu o prazo legal), assim ficaram de fora os cinco diretores do sindicato que não estavam na lista dos 14 com estabilidade que a Justiça havia confeccionado.



Para tratar de reverter as demissões, o sindicato colocou na lista dos 14 nomes os cinco demitidos, coisa que a Justiça aceitou. Desse modo, os cinco sindicalistas foram readmitidos, ainda que a posteriori. Mas a patronal apresentou um recurso solicitando a anulação desta e, com isso, os dirigentes reincorporados voltaram a ser demitidos.



Parece incrível que o sindicato tenha cometido tamanho erro jurídico com graves consequências políticas, porém, o mais incrível, é que a maioria do sindicato, ao invés de reconhecer seu erro, tenha responsabilizado a oposição, o PSTU, a CSP-Conlutas e… até a LIT pelas demissões.



d) Como entrou nesta história o PSTU, a CSP – Conlutas e a LIT?
Tudo começou quando um grupo de trabalhadores químicos procurou a CSP-Conlutas para denunciar os atropelos da maioria da direção do sindicato. A CSP-Conlutas, após analisar a situação, ofereceu seu apoio a eles. No entanto, nossa investigação sobre o ocorrido nos levou a descobrir algo surpreendente.



Achamos que o PSTU e a CSP-Conlutas tinham realizado uma proposta de formar uma chapa de oposição e que isso tinha provocado a ira da maioria da direção. Mas não foi assim.



A CSP-Conlutas, diante da ofensiva patronal, (tinha conseguido na Justiça a redução dos dirigentes com estabilidade) propôs que a oposição tentasse construir uma chapa unitária, eleita de forma democrática para enfrentar com mais força à patronal, a qual deveria ser eleita em uma convenção de base ou, inclusive, em uma eleição prévia nas fábricas.



A CST/Unidos sequer respondeu a essa proposta. O que fez foi convocar, de última hora, a uma assembleia, com churrasco e cerveja (tudo pago com os fundos do sindicato), e nessa “assembleia” foi votada a antecipação das eleições, ou seja, não teria uma chapa unitária. Dois dias depois, a Chapa 1 foi inscrita. Nela foram deixados de fora todos que tinham feito críticas (entre eles, os 15 membros da direção do sindicato). Foi a partir daí que a oposição não teve outra alternativa a não ser registrar a Chapa 2, que aderiu à CSP-Conlutas.



e) A suposta “colaboração com a patronal” do PSTU, a CSP- Conlutas e a LIT para demitir cinco dirigentes.
O aspecto mais sórdido da campanha de calúnias da maioria da direção do sindicato se refere à suposta colaboração do PSTU, a CSP-Conlutas e a LIT com a patronal da Johnson & Johnson para demitir cinco dirigentes sindicais.



A atitude da maioria da direção, de colocar os cinco dirigentes na lista dos 14 para tratar de reverter suas demissões provocou muita indignação. Colocar os cinco demitidos na lista dos 14 com estabilidade significava retirar dessa lista outros cinco colegas que, ao perder a estabilidade, poderiam ser demitidos a qualquer momento.



Em uma situação como essa não se poderia descartar a hipótese de que os trabalhadores, para preservar os seus principais dirigentes, decidissem sacrificar outros colegas. Mas uma resolução tão delicada como essa só poderia ser tomada em uma assembleia ou, no mínimo, em uma reunião de toda a direção do sindicato. Mas, nem uma coisa nem outra foram feitas. A resolução de colocar os cinco nomes dos demitidos na lista dos 14 foi tomada por um setor da direção (a executiva) da qual não participavam os cinco nomes que, a partir desse momento, poderiam ser demitidos.



Dois colegas da Chapa 2, de oposição, furiosos com este novo atropelo burocrático, entraram com uma ação na Justiça questionando o pedido de mudança dos cinco dirigentes, alegando justamente o caráter antidemocrático dessa decisão.



Isso foi um grande erro destes colegas (mesmo diante do atropelo burocrático da direção), pois caso a juíza acatasse esta demanda dos dois colegas da oposição, a patronal teria legalidade para demitir novamente os cinco dirigentes.



Esse evidente erro dos dois colegas da oposição foi utilizado pela CST/Unidos para lançar sua campanha internacional de denúncias. Mas, o mais incrível desta campanha, é que ela não foi lançada contra estes dois colegas, nem contra a chapa de oposição senão centralmente contra o PSTU, a CSP-Conlutas e a LIT. No entanto, foram essas organizações que, ao se inteirar da ação apresentada à Justiça por esses dois colegas, mostraram que isso era equivocado, pois haveria de se lutar pela estabilidade de todos os colegas. Por isso, propuseram que a ação fosse retirada. O conjunto da Chapa 2 concordou com essa proposta e os dois colegas retiraram essa ação antes que ela fosse analisada pela Justiça.



Onde está a chapa do PSTU/LIT? Onde está o acordo da “chapa do PSTU” com a patronal da Johnson & Johnson?



Calúnia como arma política 
As calunias sistemáticas usadas como arma políticas é uma “contribuição” do stalinismo.



O trotskismo, como corrente internacional, nasceu lutando contra as calúnias stalinistas, no entanto, a debilidade de nosso movimento fez que importantes setores do mesmo cedessem ao stalinismo no terreno metodológico a tal ponto que nossa corrente internacional, fundada por Nahuel Moreno, nasceu lutando contra as calúnias, não só do stalinismo como das organizações e dirigentes “trotskistas”.



Nahuel Moreno, em 1941, começou a militar em uma pequena organização, chamada LOR, dirigida por Liborio Justo. Pouco tempo após entrar nesta organização, Moreno fez várias críticas a Justo e, como resposta, por meio de um boletim, Liborio Justo anunciou que Nahuel Moreno tinha sido expulso da LOR por ser “infiltrado da polícia”. Essa calúnia fez que o jovem Moreno (com 18 anos na época) entrasse em uma profunda crise que até mesmo o levou a pensar, como relatou depois, seriamente em suicídio.



Possivelmente foi essa uma das razões que levaram a Moreno, durante toda sua vida, a lutar tanto contra as calúnias no interior do movimento trotskista. A tal ponto que quando fundou nossa organização internacional, a LIT, o fez enfrentando outra campanha de calúnias, desta vez de um dirigente trotskista, Pierre Lambert, que acusava ao peruano Ricardo Napurí de roubar dinheiro do seu partido.



Qual é o papel da CST e da UIT nessa campanha de calúnias?
Todas as organizações revolucionárias estão submetidas a tremendas pressões. Por isso não podemos nos assustar quando surge nelas todo tipo de desvios. Nas seções da LIT, por exemplo, têm existido desvios burocráticos em sindicatos dirigidos por nossos camaradas. Têm ocorrido problemas morais envolvendo dirigentes, como casos de calúnias, roubo, machismo….



Nossas organizações não vivem em uma redoma de cristal. Estão submetidas a todas as pressões da sociedade capitalista em decomposição na qual vivemos, e por isso há muitos camaradas, e inclusive organizações, que sucumbem a essas pressões.



Mas nós não julgamos as organizações, nacionais ou internacionais, em função dos problemas que nelas existam, por mais grave que sejam estes problemas. As julgamos pelo que elas fazem para enfrentar esses problemas.



Por exemplo, há uns quatro anos atrás, o PSTU atuava no sindicato dos Químicos de São José dos Campos. Um importante quadro do partido (chegou a ser da direção nacional do PSTU) estava na direção do sindicato. Este colega fez um acordo com a patronal para deixar a empresa em troca de uma importante quantidade de dinheiro. Isto é, vendeu a patronal o seu mandato sindical, que não era de sua propriedade, mas sim dos operários que a tinham o eleito.



A direção do PSTU, com o apoio da LIT, o expulsou de suas fileiras. É por isso que nós temos orgulho do PSTU. Não porque no PSTU não existam problemas. Temos orgulho de nossa seção brasileira pela forma como enfrenta esses problemas.



Agora, cabe que nos perguntemos: o que vai fazer a CST e a UIT com seus militantes que estão à frente do sindicato dos químicos? Que tipo de punição receberão por essa campanha de calúnias que realizam a nível nacional e internacional? Que punição receberão por falsificarem uma ata para tomar controle do dinheiro do sindicato? É impossível que façam alguma coisa porque é a CST no Brasil e a UIT a nível internacional que estão à frente dessa campanha de calúnias.



Constatar esta realidade doeu, mas não nos surpreendeu. Doeu porque não tínhamos perdido a esperança que essa organização internacional tivesse aprendido alguma lição de suas ações no passado. No início da década de 90, os atuais dirigentes da UIT estiveram entre os que, na Argentina, romperam com o MAS, o principal partido trotskista do mundo nesse momento, com uma metodologia stalinista. Para concretizar essa ruptura ocuparam de forma violenta as sedes do MAS e se apropriaram delas. No Brasil não ocuparam as sedes, mas também utilizaram uma metodologia depreciável: para dividir o partido construíram uma fração secreta.



A UIT, que se constituiu após estes fatos, nasceu marcada por esta metodologia do “vale tudo”.



Um chamado à reflexão
Até pouco tempo atrás, a direção da UIT reivindicava a LIT, apesar de muitas diferenças. Durante vários meses estivemos diante da possibilidade de unificar nossas organizações. Agora, a UIT está à frente, a nível internacional, de uma campanha de coleta de assinaturas para denunciar a LIT e o PSTU como uma organização de traidores.



Perguntamos a eles: como é possível que em tão pouco tempo uma das mais importantes organizações trotskista-morenista do mundo se tenha transformado em uma organização de traidores? Como é possível que essa mudança tenha se dado sem a existência de uma feroz luta fracional no interior destas organizações? Qual é a explicação marxista que a direção da UIT dá a essa transformação? Nenhuma. Limita-se a juntar assinaturas para condenar os “traidores” do PSTU, LIT e a CSP-Conlutas.



O PSTU tem levado a público os fatos ocorridos no Sindicato dos Químicos. Qual tem sido a resposta da CST e a UIT? Nenhuma. Limitou-se a seguir denunciando, alegremente, os “traidores” do PSTU, LIT e da CSP-Conlutas.



Como é possível a UIT não responder às graves acusações que estamos lhe fazendo? Desafiamos à direção da UIT que se pronuncie sobre o que estamos dizendo.



Afinal, é verdade ou mentira que, entre os trabalhadores químicos e nas eleições sindicais desse sindicato não havia nenhum militante da suposta “chapa do PSTU/ LIT”? É verdade ou mentira o questionamento de um importante número de dirigentes sindicais sobre a condução da maioria do sindicato, que é da CST/UIT? É verdade ou mentira que esta direção foi questionada, entre outras coisas, porque falsificaram uma ata de uma assembleia que não existiu para tomar o controle do dinheiro do sindicato?



É verdade ou mentira que a CSP-Conlutas e o PSTU propuseram à maioria da direção formar uma chapa unitária, eleita democraticamente na base, para enfrentar com mais força a patronal que queria demitir vários dirigentes do sindicato? É verdade ou mentira que os militantes da CST se negaram a formar uma chapa unitária e democrática para enfrentar às demissões da patronal? É verdade ou mentira que, no momento em que dois membros da oposição apresentaram uma ação à Justiça, que poderia chegar prejudicar muitos colegas, o PSTU e a CSP-Conlutas afirmaram que era preciso defender todos os colegas e que, portanto, tinham que retirar essa ação? É verdade ou mentira que a partir da intervenção da CSP-Conlutas e do PSTU, toda a oposição concordou com essa proposta e que os dois colegas retiraram sua ação na Justiça? É verdade ou é mentira que a oposição, o PSTU e a CSP- Conlutas, frente à campanha de calúnias, propuseram que se faça uma assembleia para restabelecer a verdade? É verdade ou mentira que a maioria da direção do sindicato se negou a convocar a essa assembleia?



A direção da UIT tem a obrigação de responder a essas perguntas, pois, ao não respondê-las, a própria UIT estará se condenando como uma organização de caluniadores.



Os colegas e amigos da UIT, que assinaram a campanha contra o PSTU e a LIT, sem ter um real conhecimento dos fatos, devem fazer uma reflexão sobre o que fizeram. Ninguém pode ser criticado por assinar uma determinada declaração por confiança política. Mas o que estão assinando não é uma simples declaração. É uma campanha de calúnias inadmissível que atenta contra a moral proletária.



Após ler essa declaração os colegas que, com sua assinatura, respaldaram essa campanha de calúnias saberão como proceder. Aqueles que continuarem opinando que as denúncias contra o PSTU e a LIT são verdadeiras, pedimos apenas – ou melhor, exigimos - que respondam às perguntas mencionadas acima dirigidas à direção da UIT.

Comitê Executivo Internacional da LIT-QI
Maio de 2012