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Por que o ato com Lula, no RJ, não representa a defesa do pré-sal?

O que o Brasil precisa é da volta do monopólio e de uma Petrobrás 100% estatal


   A utilização da figura de Lula em uma suposta "defesa do pré-sal" atende a interesse eleitoreiro. Assim como Aécio e Marina utilizam-se de qualquer matéria relacionada à Petrobrás para ganhar votos, o governo do PT faz o mesmo, ao adotar, no discurso, ideias que não praticou.

   Os governos do PT leiloaram mais campos que o de FHC. Dilma realizou o maior leilão do mundo, entregando o Campo de Libra. Como agora, à época também praticou estelionato eleitoral, dizendo de forma categórica que defenderia o pré-sal e depois, em seu governo, promoveu este capítulo vexatório de entreguismo como nunca antes na história deste país. Com a aproximação das eleições, Dilma entregou Búzios, Entorno de Iara, Florim e NE de Tupi diretamente para a Petrobrás, tratamento diferente ao dedicado ao campo de Libra.

   Talvez por isso a “manifestação” tenha sido convocada repentinamente, inclusive sem a participação da CAMPANHA “O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO!”, por entidades que se colocaram nos últimos anos muito longe das lutas em defesa da Petrobrás e do pré-sal (como a CUT e a FUP) e em seu panfleto se limite a apontar os grandes avanços que o PT teria feito para o petróleo brasileiro.

   Marina e Aécio podem até criticar a política do governo petista para o setor e Dilma pode até aproveitar a fama dos tucanos, ou o gancho da declaração de Marina sobre o pré-sal, mas a verdade é que compartilham de ideias neoliberais e privatizantes bem parecidas.

   O que o povo brasileiro necessita é de uma alternativa de verdade, um programa construído pelos movimentos sociais. Este é o sentido da Carta Compromisso aprovada no Congresso da FNP - Federação Nacional dos Petroleiros - e assinada pelo meu candidato a presidente, Zé Maria. É por isso que eu ‪#‎TôComZé‬ e ‪#‎Voto16‬.

   Defender o pré-sal não é ir a um ato convocado de forma oportunista pelo governo, mas estar, junto com os petroleiros e demais movimentos dos trabalhadores, lutando contra os leilões, pela volta do monopólio dos hidrocarbonetos e por uma Petrobrás 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores brasileiros.

* Brayer Lira é geofísico da Petrobras e diretor licenciado do Sindipetro-RJ e da FNP – Federação Nacional dos Petroleiros - e candidato a deputado estadual pelo PSTU-RJ, com o número 16.001.

Pela liberdade imediata dos presos políticos de Dilma e Pezão

   Pelo fim da polícia militar e da política de repressão dos governos! 

Na manhã deste sábado (12) estão sendo cumpridos 60 mandados de prisão contra trabalhadores e estudantes. Enquanto a máfia dos ingressos da FIFA permanece livre, cerca de 20 ativistas já estão presos

   Os governos mostram qual é o verdadeiro legado da Copa: repressão, supressão de direitos democráticos e remoções. Até o momento, cerca de 20 mandados de prisão provisória, com duração de até cinco dias, já foram cumpridos. Entre os presos, estão dois menores de idade. Os ativistas presos foram retirados de suas casas e levados em camburões, sob a mira de armas de grosso calibre, para a “Cidade da Polícia”, no Jacarezinho (Zona Norte do Rio). Um grupo será transferido ainda hoje para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste da capital.

   Há denúncias de que prerrogativas dos advogados que estão na “Cidade da Polícia” estão sendo desrespeitadas. Os midiativistas presentes no local foram impedidos de participar de uma coletiva de imprensa organizada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Somente a mídia tradicional, conivente com os governos de plantão, que dependem das verbas institucionais para aumentar seus lucros, e que apoiaram o famigerado golpe civil-militar de 64, puderam participar do espetáculo montado.

   Para continuarem com sua onda repressiva, os governos contam com a conivência da mídia tradicional. Na Band News FM foi relatado que na casa de um dos presos, um professor, foi encontrada uma máscara de gás, como se fosse algo perigoso, na verdade quase um objeto de uso obrigatório nas manifestações de rua pela capital fluminense, dada a quantidade de bombas de gás lacrimogênio que é jogada a esmo pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Na Rede Globo a chamada para o o jornal vespertino não foi diferente, ao tratar como “vândalos” aqueles que lutam.

   Fazemos esta denúncia não por concordar com as ações e os métodos dos grupos políticos a que pertencem os ativistas presos. Mas, não podemos admitir ataques aos direitos democráticos de manifestação e liberdade de opinião. Acreditamos que essa ação faz parte de uma onda repressora de Dilma (PT), Pezão/Cabral (PMDB) e Alckmin (PSDB), contra aqueles que lutam, como aconteceu nas demissões dos metroviários de São Paulo, com o corte de salários na educação do Rio de Janeiro e os processos aos ativistas do Bloco de Lutas de Porto Alegre, como Matheus 'Gordo', militante do PSTU.

Chega de dinheiro para a FIFA! Exigimos mais dinheiro para saúde, transporte, moradia e educação!

Toda solidariedade aos presos e perseguidos por lutar no Rio e em todo país!

Lutar não é crime, lutar é um direito!

No Rio manifestantes mostram que “Na Copa já tem luta!”

Por Dirley Santos, da redação

Faixa do PSTU denuncia para o mundo as injustiças da Copa

Convocado e organizado pela Plenária dos Comandos de Greve das Categorias em Luta protesto contra as injustiças da Copa reúne 5 mil pessoas em frente a Igreja da Candelária.
Estimulados pela greve dos Aeroviários cerca de 5 mil pessoas realizaram um ato de protesto contra os gastos públicos e as injustiças da Copa no centro do Rio de Janeiro. 

Faixas denunciam corrupção, remoções e repressão
Exibindo muitas faixas e bandeiras os manifestantes denunciaram a concessão do Maracanã, as remoções na cidade e a repressão contra os trabalhadores. 
Manifestantes fecharam totalmente as duas pistas da Avenida Rio Branco e realizaram uma grande passeata em direção a Cinelândia; de onde se depois para os Arcos da Lapa.
O protesto contou com a presença de ativistas e militantes da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), comandos de greve dos servidores da cultura, das universidades e colégios federais, do SINASEF e a PSOL, PCB e PSTU também participaram com suas colunas a galera da ANEL-RJ e de outras entidades estudantis. Além deles, militantes dPSOL, PCB e PSTU também participaram com suas colunas.
Durante o trajeto na Avenida Rio Branco a população demonstrou de várias formas seu apoio aos manifestantes.

PM reprime com violência e dispersa manifestantes
 
PM reprime manifestantes com violência
O protesto seguiu tranquilo até a chegada aos Arcos da Lapa. Quando o ato se encaminhava para o final quando policiais próximos ao carro-de-som detiveram um manifestante dando início à confusão. Cercada por parte da manifestação a PM reagiu violentamente e dispersou a multidão a base de spray de pimenta e bombas de efeito moral. 

Pelo menos quatro manifestantes foram detidos durante a ação violenta da Polícia Militar. Advogados de entidades dos movimentos sociais e representantes de organizações de defesa dos direitos humanos se dirigiram a delegacia para acompanhá-los. 
Apesar da ação violenta da Polícia Militar, que ocupou quase toda a região dos Arcos da Lapa, uma parte dos manifestantes continuou pacificamente embaixo dos Arcos da Lapa e o restante se dispersou organizadamente. 
A ação repressora dos governos com certeza será um das marcas desta copa. Imagens de manifestantes sendo agredidos e de jornalistas machucados vão correr o mundo. Mas os movimentos sindical, popular e estudantil, como a Anel e a CSP-Conlutas, e os partidos de esquerda, como o PSTU, não se deixarão intimidar e seguirão nas ruas, pois afinal #NaCopaVaiTerLuta!

Veja outras manifestações pelo Brasil http://www.pstu.org.br/node/20714

Na véspera da abertura da Copa PM persegue ativistas buscando intimidar manifestações

É necessário construir a solidariedade aos perseguidos e presos

Por Arthur Gibson, do Rio de Janeiro.

Na manhã desta quarta-feira 10 ativistas foram perseguidos e encaminhados à delegacia em ação da polícia. Além disso tiveram bens pessoais como Computadores, pen-drives, equipamentos eletrônicos e peças de roupa apreendidos. Dentre os ativistas levados para a delegacia estão Elisa Quadros (a Sininho), Thiago Rocha, Eduarda Castro, Luiza Dreyer, Gabriel Marinho, um menor, a advogada Eloísa Sammys e Anne Josefine, companheira do ativista Game Over que não foi encontrado em casa.

A ação é claramente política. O objetivo é intimidar manifestantes às vésperas da abertura da Copa do Mundo. Em todo o Brasil, manifestações estão agendadas para amanhã como forma de continuar a luta contra as injustiças da Copa. Todos os perseguidos da manhã de hoje são lutadores que estiveram presentes nas principais manifestações desde junho do ano passado. Por isso estão sendo perseguidos.

A política repressiva do governo Pezão (PMDB) é uma continuação do ditador Sérgio Cabral. Além disso, é parte de uma ação conjunta dos governos estaduais e federal para reprimir os movimentos sociais. Eles temem que a luta dos trabalhadores possa afetar o lucro dos grandes empresários e da FIFA com a Copa. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) demitiu 42 metroviários que fizeram greve. No Rio Grande do Sul, ativistas do Bloco de Lutas estão sendo indiciados por formação de quadrilha. Dentre eles está Matheus Gordo, dirigente do PSTU.

A operação militar montada pelo governo Dilma (PT) para a Copa é a maior da história. Os governantes sabem que existe uma grande insatisfação na população com os gastos com a FIFA, e querem reprimir os protestos. A situação de inflação, péssimos serviços públicos e baixos salários está levando diversas categorias a entrarem em greve. Chamamos todos os trabalhadores a repudiar a repressão sofrida pelos manifestantes no Rio de Janeiro e em todo o país. Nesta quinta-feira está convocado um ato contra as injustiças da Copa. A CSP-Conlutas dentre outras entidades estará presente, a partir das 10:00, na Candelária.

Todos ao ato na Candelária: quinta-feira, 10:00!

Toda solidariedade aos presos e perseguidos por lutar no Rio de Janeiro!

Readmissão dos metroviários demitidos pelo governo Alckmin!

Lutar não é crime, lutar é um direito!

Na Copa vai ter luta! Chega de dinheiro para a FIFA e mais dinheiro para saúde, transporte, moradia e educação!

Profissionais de educação do RJ foram covardemente reprimidos na tarde desta 4ª

Ato na porta da prefeitura do Rio contou com mais de
500 pessoas. Foto: Divulgação/SEPE-RJ.
6 pessoas ficaram feridas. Um professor teve que passar por procedimento cirúrgico no ombro

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Os trabalhadorxs da educação do RJ seguem seu calendário de mobilização da greve, votado em assembleia da categoria, apesar da tentativa de intimidação por parte da justiça estadual. Na tarde de hoje (28), cerca de 600 trabalhadores saíram de suas casas, apesar da chuva e da justa greve dos rodoviários, e foram para a porta da prefeitura e da secretaria estadual de educação para pressionar os governos Pezão e Paes a negociarem com a categoria.

   A quantidade desproporcional de policiais criou um clima desnecessário de tensão e propício para confusão. Depois de saírem em um ato unificado da frente da prefeitura do Rio até a porta da secretaria estadual de educação, os educadores foram covardemente reprimidos pela Tropa de Choque da PM com uso de gás de pimenta, cassetetes, empurrões com escudos, entre outras arbitrariedades. Veja aqui algumas imagens da repressão.

   Ainda assim, os trabalhadores conseguiram chegar a porta do órgão estadual, onde permaneceram em vigília, e continuaram cantando palavras de ordem enquanto uma reunião acontecia dentro da secretaria. Uma professora (Aluana) foi presa por colar um adesivo da campanha salarial na porta da secretaria e levada para a delegacia. A alegação: desacato. Após muitas horas de espera e pressão na delegacia, e com auxílio do SEPE/RJ, a professora foi liberada.

   Pezão, mesmo estando pouco tempo a frente do governo, demonstra que aprendeu bem na cartilha de Cabral: negociar jamais, manda a polícia militar reprimir, prender, espancar, atirar.

   Os únicos responsáveis pelo caos na educação do RJ são o prefeito Paes e o governador Pezão! Cassetete não é lápis! Para acabar com a greve, os governantes devem atender as reivindicações da categoria e respeitar os trabalhadores em seu direito de livre manifestação e organização política.

Veja também:

Atualizado às 5:00h 29/05

Rodoviários em luta param o Rio de Janeiro

 

Categoria passa por cima do sindicato e deflagra greve diante da intransigência dos patrões

Da redação Rio

Mais uma vez o Rio de Janeiro amanheceu paralisado. Após a vitoriosa paralisação do dia 7 de maio, a categoria rodoviária se viu fortalecida para continuar sua luta. Depois de confirmada a notícia de que a patronal se recusou a negociar com os trabalhadores durante a audiência de conciliação no TRT, o rodoviários aprovaram greve de 48hs para os dias 13 e 14 e assembleia no dia 15.

Na pauta de reivindicações segue a luta pelo fim da dupla função motorista-trocador; pela jornada de trabalho de 6 horas diárias; por salário de R$ 2.500,00 para motoristas, R$ 1.400,00 para trocador e reajuste de 40% para demais funções; e por cesta básica de R$ 400,00.

A força da mobilização foi sentida na passeata de ontem à tarde no centro do Rio e nos piquetes organizados durante a madrugada. A categoria se mostrou unida e conseguiu uma paralisação superior á do dia 7 de maio, quando mais de 70% dos rodoviários cruzaram os braços.

Derrotar a intransigência e a repressão dos patrões com a solidariedade dos trabalhadores.

Desesperada com a força da greve, a patronal está apelando para a repressão dos trabalhadores. Em Campo Grande um grupo de milicianos circulou pelas garagens e espancou um trabalhador. A PM também atacou grevistas e a imprensa, e vários rodoviários foram presos.

A repressão acontece porque os governos e os patrões estão vendo que a greve é forte e vitoriosa. Neste momento é preciso construir um amplo apoio aos rodoviários entre os trabalhadores de todas as categorias. Assim como aconteceu com os garis, o apoio da população e a força da greve vão derrotar a repressão.

Além disso, exigimos do prefeito Eduardo Paes que se posicione diante da greve. As empresas de ônibus são concessionárias de um serviço do município e além de prestarem um péssimo serviço à população tratam seus funcionários como escravos. O prefeito é responsável por esta situação e deve se posicionar para que a reivindicação dos rodoviários seja atendida.

Um programa socialista para os transportes

A greve dos rodoviários expõe novamente o problema dos transportes públicos no Rio de Janeiro. O serviço de transporte é feito por empresas privadas que visam apenas o lucro e que funcionam como verdadeiras máfias, sem nenhuma transparência. Para resolver o problema do transporte é preciso estatizar o serviço de ônibus, trens, barcas, metrô e bondes, colocando sua gestão sob o controle dos trabalhadores e usuários do transporte.

Sem a necessidade de gerar lucros astronômicos para meia dúzia de empresários gananciosos o transporte público e estatal pode priorizar a qualidade do serviço e das condições de trabalho, atendendo as reivindicações dos rodoviários e avançando para a tarifa zero no transporte.

Na Copa vai ter luta! Unificar as greves no 15M!

Durante as passeatas dos rodoviários se ouviu um recado: “Se não tiver aumento na Copa não tem busão”. Os trabalhadores de todas as categorias estão revoltados com os gastos astronômicos para beneficiar a FIFA e as empresas com a Copa do Mundo. Queremos dinheiro para saúde, educação, transporte, moradia e emprego.

Várias categorias de trabalhadores já estão em luta neste momento, como é o caso do funcionalismo federal, dos professores do Estado e do Município e os rodoviários. É preciso unificar estas lutas, fortalecendo-as. A CSP-Conlutas impulsionou, junto com outras entidades, o “Encontro Nacional Na Copa Vai Ter Luta”, que apontou pro dia 15 de maio uma jornada nacional de mobilizações. Será uma grande oportunidade para que a classe trabalhadora mostre sua força e prepare as vitórias das campanhas salariais e da luta por direitos.

A morte de DG: o dia em que o morro desceu, e não era carnaval

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, ela se incendeia com indignação; foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e DG

Lucas Viana, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU


   No último dia 21, Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, foi mais um negro assassinado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de janeiro (RJ). A vítima, que era dançarino do programa Esquenta, da Rede Globo, foi encontrada com sinais de tortura e baleado numa creche no morro Pavão-Pavãozinho. A polícia, num primeiro momento, alegou que o dançarino, ao fugir de um tiroteio, havia morrido em decorrência de uma queda.

   A PM esperou que isso fosse o suficiente para calar e intimidar a população local. Entretanto, a comunidade não hesitou em descer o morro e ocupar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana para denunciar os abusos e o genocídio que as polícias vêm promovendo, além de exigir justiça às vítimas e o fim das UPPs.

Era só mais um Silva
“Era trabalhador, pegava o trem lotado
Tinha boa vizinhança, era considerado
E todo mundo dizia que era um cara maneiro
(...) E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família, ele não irá dormir”

(“Era só mais um Silva”)

   DG, não por coincidência, tinha sobrenome Silva e havia encenado, em Junho de 2013, sua própria morte no curta-metragem Made in Brazil, de Wanderson Chan, que ilustra o triste cenário das comunidades ocupadas pelas UPPs, onde jovens negros, trabalhadores e pais de família são diariamente abordados, intimidados, agredidos e mortos de maneira arbitrária, com a desculpa de serem confundidos com traficantes.

   Segundo o Instituto de Segurança Pública, de 2007 a 2012, foram registrados 553 desaparecimentos nas 18 primeiras comunidades pacificadas no Rio. Só em 2010 foram 119 desaparecidos, número que aumenta ano após ano e coloca em alerta a população negra e periférica do Rio, que hoje encara a luta contra as UPPs como a luta pela sua própria sobrevivência. Depois de Amarildo, nenhuma morte passa sem que o morro desça às ruas e exija justiça.

Pavão-Pavãozinho: o dia em que o morro desceu
   O fato de a comunidade do Pavão-Pavãozinho descer até Copacabana evidencia o novo momento político em que vivemos. Em junho, o aumento das tarifas do transporte foi o estopim para que a população percebesse que as ruas são o espaço para as transformações reais na sociedade. Hoje, quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, no dia seguinte ela se incendeia com a indignação da população. Foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e agora com DG.

   Não há dúvidas, apesar da negligência nas perícias e investigações, de que se tratou de mais um assassinato cujo responsável é o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) com sua política de segurança pública, que é a principal responsável pelo genocídio da população negra em curso. Tudo isso é evidenciado quando se lê cartazes feitos por moradores do Pavão nas manifestações, como “A maquiagem da UPP é o sangue dos inocentes”; “Hugo Leonardo (...) foi tido como bandido na mídia por calúnia dos policiais (...), e DG, Edilson e Amarildo são outras vítimas da UPP. Queremos Justiça!”; “Fora UPP”; “PM assassina”. Atualmente, tão essencial quanto a luta por transporte, saúde, educação e outros direitos sociais, o que se ouve nas ruas, por parte da população negra é a reivindicação por permanecer viva e pelo direito ao futuro.

   Trata-se, em termos gerais, da luta contra a ideologia racista e do sistema que rebaixa os negros à categoria de coisas, que permitiu que fossem escravizados e mercantilizados por quase 400 anos no Brasil e que, hoje, faz com que sejam “carne barata” no mercado de trabalho, além de “justificar” o descaso do governo e da elite com o genocídio da população negra.

O mito da democracia racial e as lágrimas de crocodilo de Pezão
   O governador Pezão convidou a mãe de DG, Maria de Fátima da Silva, para uma reunião, que foi prontamente recusada pela técnica em enfermagem: “Nenhum político vai se projetar em cima da imagem do meu filho. Existem outros crimes iguais ao do meu filho que não foram solucionados até agora, como o da auxiliar de serviços gerais, Claudia da Silva Ferreira, que caiu no esquecimento (…). Eu quero uma polícia correta e digna na rua e não uma polícia assassina. E não homens armados, tendo a população como inimiga. Eu quero que ela [a polícia] aja com rigor e traga à tona a verdade desse caso”.

   A atitude louvável de Maria de Fátima vai no sentido oposto ao amplamente difundido mito da democracia racial, cujo centro é acreditar que negros e brancos possuem as mesmas oportunidades, os mesmos riscos ou que ocupam postos de igualdade na sociedade e que,por isso, todos os conflitos sociais e raciais podem ser resolvidos com um grande acordo entre a “casa grande” e a “senzala”.

   Um exemplo desse mito é o próprio programa de televisão em que DG trabalhava, o Esquenta, que espetaculariza a pobreza, a colocando como mais um produto a ser vendido e consumido, além de exibir um mundo que, na prática, não existe: onde brancos e negros convivem harmoniosamente, sem as relações de opressão ou exploração que existem na sociedade. Ou como se essas relações não fossem relevantes, como o exemplo clássico da empregada negra que samba alegremente com a patroa branca, o que não é verdade.

   No programa do último domingo, 27, que homenageou DG, a democracia racial atacou mais uma vez: o assunto da violência foi tratado de maneira abstrata, como se todos ali, de Regina Casé a Carolina Dieckman, sofressem o mesmo risco que DG e a população negra e periférica de morrerem assassinados. Ou como se um episódio do programa com condolências de globais, como Pedro Bial ou Jô Soares, fossem suficientes para fazer justiça ao caso específico do dançarino, e não a resolução do problema de conjunto, que é, entre outras coisas, a desmilitarização das polícias e a retirada das UPPs das favelas.

   Além disso,  não é verdade que Pezão, ao chamar a reunião com Maria de Fátima, estava preocupado em garantir que este e outros casos semelhantes se solucionassem ou que o genocídio da população negra se encerre. Pelo contrário, mediante a falência da política das UPPs e da revolta generalizada que faz com que a população desça do morro em protesto, Pezão aceita com gratidão a ajuda do governo de Dilma Rousseff, que ocupou, desde o início de abril, com suas Forças Armadas, o complexo da Maré.

   Portanto, mediante esta situação, não é possível conciliar a “senzala” com a “casa grande”, pois são polos com interesses opostos. De um lado, os governos fazem de tudo para garantir a Copa do Mundo para inglês ver, intensificando a ocupação das favelas e morros, para conter a população que quer lutar contra as injustiças sociais, sendo uma delas o seu próprio genocídio. De outro lado, está a população preta das periferias, como a de Pavão-Pavãozinho, que dão um exemplo de luta e resistência. Os ventos de junho seguem soprando em nosso país.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Transformar o luto em luta
   Para além do grito de justiça pelo essencial, que é a investigação rigorosa, afastamento e punição dos policiais envolvidos na morte de DG e em outros casos de desaparecimento e morte das centenas de moradores das comunidades ditas pacificadas, é uma questão urgente a retirada imediata das UPPs das favelas e morros do Rio.

   A principal desculpa para que os governos de Pezão e Dilma ocupem hoje as favelas e morros é a guerra às drogas, mas esta é uma política que, a cada dia, anuncia o seu próprio fracasso por ser a causa direta do genocídio da população pobre e preta das periferias, além do seu encarceramento em massa.

   Se o governo está realmente interessado em acabar com o tráfico, fazer justiça a DG e garantir a vida e o futuro da população negra, deve haver uma inversão de prioridades: ao invés de se investir mais de R$ 30 bilhões com a Copa das injustiças, deve se investir nos direitos sociais mais básicos, como saúde, transporte, educação e cultura, além da urgente legalização das drogas e desmilitarização das polícias.

   Entretanto, se Pezão e Dilma não estão dispostos a ouvir as ruas, o Pavão-Pavãozinho e os pretos da periferia de conjunto estão dispostos a transformar o luto em luta e fazer um novo junho acontecer, mas dessa vez com a inspiração em Palmares.

Cresce a Violência em Niterói: por uma saída operária e socialista!


Diogo de Oliveira (Professor de Geografia do C.E. Hilário Riberio, na comunidade do Fonseca, em Niterói - Setor da Educação Básica do PSTU-Niterói).

    Nas últimas semanas se tornou evidente que Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, faz parte da dura realidade carioca e nacional: o crescimento da violência e do "inferno urbano". Os últimos acontecimentos foram dramáticos e, infelizmente, iguais aos episódios de criminalização da pobreza, de racismo, de violência policial e de polarização social que vimos no Rio de Janeiro, capital.

Polícia racista assassina os pobres também em Niterói
     Na semana do "feriadão" da "Semana Santa", do dia de Tiradentes e de São Jorge (feriado no Estado do Rio), a cidade parou com os protestos das comunidades do bairro do Caramujo, um bairro pobre da periferia de Niterói. Os trabalhadores da região incendiaram sete ônibus e parou uma das principais vias da cidade, a Alameda São Boaventura. O estopim dos protestos foram dois assassinatos, pelas mãos da Polícia racista de Cabral/Pezão (PMDB): os dois de jovens negros da comunidade, um atingido por "bala perdida", e outro atropelado por um carro blindado da PM. Mais este episódio da violência policial e da criminalização da pobreza movida pelos Governos traz a tona, com maior força, a luta pela desmilitarização da PM e por uma nova Polícia, controlada pelos trabalhadores, especialmente das comunidades.

Niterói cidade qualidade de vida?
     Além dos episódios constantes de violência policial e criminalização da pobreza nas comunidades de Niterói, a cidade passa hoje por um vertiginoso crescimento da violência social em geral. Nos últimos dois anos, especialmente, dispararam os casos de assaltos a residências e a transeuntes, assassinatos após assaltos, violência contra as mulheres, etc. São evidentes casos ligados ao crescimento da polarização na sociedade fruto das grandes desigualdades sociais que dividem o Brasil capitalista. E em Niterói, esta polarização social sempre foi dramática. A chamada "cidade qualidade de vida" sempre escondeu, por trás, uma enorme desigualdade social. Enquanto os bairros nobres da cidade recebiam (e recebem até hoje) grandes investimentos em infraestrutura, os bairros da periferia permaneciam excluídos. Essa sempre foi a política dos Governos, inclusive dos Governos do PT. E com a violência crescente, sinais de desespero começam a aparecer: nos últimos dias ondas de boatos sobre "toque de recolher" e "invasões de favelas pela PM" paralisaram parcialmente a cidade.

Pezão, Rodrigo Neves e Beltrame querem implantar UPP's em Niterói
O Governo do PT e a violência em Niterói
    Hoje Niterói é governada pela Prefeitura de Rodrigo Neves, do PT. E não é a primeira vez que o PT está no Governo: junto com o PDT, do desastroso Jorge Roberto Silveira, o PT está na Prefeitura desde fins dos anos 90. Então, parte da responsabilidade da cidade das desigualdades, que é Niterói, é do PT. Além de Niterói, o PT governa o país inteiro há 11 anos, e pouco fez para acabar com as desigualdades sociais que dão origem à violência urbana. As Jornadas de Junho ajudaram a tornar claro esse fato. E voltando a Niterói, a política do PT por aqui em nada difere dos restantes dos Governos para "combater a violência": mais Polícia, mais Guarda Municipal, mais ocupações das comunidades e favelas. Ou seja, mais criminalização da pobreza. O PT, que fez parte do Governo ditador de Cabral no Rio até o último momento, é também co-responsável pela desastrosa política das UPP's.

Como combater a violência? UPP e mais repressão não é solução! Por uma saída dos trabalhadores!
     Outro aspecto que intensifica a violência em Niterói é a questão das UPP's. Implantadas na capital, Rio de Janeiro, a violência das UPP's tem uma face contraditória sobre Niterói: parte da ‘"bandidagem" (traficantes e milicianos) migraram para Niterói, São Gonçalo e região, intensificando a "guerra" na periferia dessas cidades. A classe média, assustada, clama, porém, por mais UPP's. Mas os recentes protestos populares e o assassinato do dançarino DG no Rio de Janeiro provaram, mais uma vez, que a UPP é uma farsa de "pacificação". Cada vez fica mais claro que a "pacificação" dos Governos é propaganda enganosa e, principalmente, mais criminalização e massacre sobre os trabalhadores pobres, em especial jovens e negros. Portanto, UPP nunca foi e não é solução para a violência urbana em Niterói. Mais UPP's significa mais extermínio da juventude pobre e negra, e mais violência. É como jogar gasolina no incêndio do "inferno urbano" brasileiro.
     Em resposta as políticas dos Governos, que disputam a consciência dos trabalhadores para saídas semi-fascistas, levantamos uma política operária e socialista! É preciso acabar com o aparelho repressor do Estado, principal responsável pela violência crescente nas cidades: pela desmilitarização da PM, por uma nova Polícia controlada pelos trabalhadores! É preciso acabar com as desigualdades sociais que alimentam a decadência social de parcela dos filhos e filhas dos trabalhadores, os empurrando para a criminalidade: investimentos em Educação, Saúde e Cultura públicas! Plano de obras públicas e redução da jornada de trabalho para gerar pleno emprego e perspectivas para a juventude! É preciso acabar com as fontes de financiamento do Tráfico de drogas, um negócio capitalista: legalização de todas as drogas, sobre controle do Estado e dos trabalhadores! É preciso combater a corrupção estatal que alimenta as milícias: prisão para todos os agentes do Estado envolvidos com as milícias!

Polícia Militar do Rio invade prédio e desaloja famílias com brutalidade

Foto: Midia Informal
Terreno da Telerj estava há pelo menos 10 anos vazio; polícia utiliza arma de fogo durante o despejo

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   O dia começou com cenas de guerra e barbárie para milhares de pessoas que ocupavam um terreno abandonado da Telerj, atual Oi, na Zona Norte do Rio, neste 11 de abril. A polícia deslocou um contingente de 1600 policias para cumprir uma ordem de reintegração de posse contra cinco mil pessoas que ocupavam a área desde o dia 31 de março. A ação, que começou por volta das 6h da manhã, resultou em dezenas de feridos, inclusive crianças. Cápsulas de fuzil pelo chão denunciavam que não foram apenas utilizados armamento “não letal”.

   A truculência policial contra os moradores contou com helicóptero despejando bombas de gás lacrimogêneo, numa ação que lembra muito o despejo da PM de Alckmin na ocupação do Pinheirinho, há dois anos. Tal como ocorreu em São José dos Campos (SP), os moradores denunciavam que foram expulsos pela polícia com ameaças, não conseguindo sequer recuperar seus pertences dentro dos barracos. Uma retroescavadeira do Bope, por sua vez, punha abaixo as moradias, enquanto a repressão ocorria do lado de fora do prédio.
Policial saca arma de fogo durante repressão a moradores (Ag Brasil)
Cenas de barbárie
   Para chegar ao prédio desocupado não foi fácil. A maior parte dos acessos estava bloqueada pela Polícia Militar, mesmo para moradores que se identificavam e apresentavam comprovantes de residência. O clima de tensão na região era combinado com o espetáculo midiático dos grandes veículos de imprensa, que insistiam na linha editorial de “restabelecimento da ordem”, chamando os moradores de “invasores” e “vândalos”.

   O RJTV 1ª edição, da Rede Globo, quase um diário oficial da cidade, dizia que a ação havia sido pacífica. Não foi o que eu vi. O que presenciei foram pessoas desesperadas, muitas aos prantos, após terem sido covardemente agredidas e humilhadas. Muitos integrantes do Batalhão de Choque da PM e do Bope ostentavam armas de grosso calibre em frente a uma população desarmada e desamparada. Essa mesma PM, que “sumiu” com o pedreiro Amarildo Dias de Souza, que assassinou a trabalhadora Claudia da Silva Ferreira, e que pratica os seguidos autos de resistência.

   Próximo a um supermercado da região, a prefeitura do Rio organizou um arremedo de cadastro dos moradores expulsos da Favela da Telerj, onde coletava apenas o primeiro nome e um telefone para contato. E mais nada. Revoltados, os moradores desalojados seguiram para a porta da Prefeitura do Rio e prometiam passar o final de semana acampados por lá até que o prefeito Eduardo Paes negocie e ofereça alguma alternativa.

   "Acompanhamos a desocupação da favela da Telerj e ouvimos muitos relatos de arbitrariedades", afirmou Aderson Bussinger, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e militante do PSTU. "Presenciei muitas pessoas feridas por balas de borracha, uma senhora idosa na UPA Sampaio ferida não, ouvi relatos de mães que tiveram filhos agredidos", disse, informando ainda que a Comissão de Direitos Humanos irá preparar um relatório apurando as denúncias de abuso policial.

“Tem que baixar o sarrafo mesmo”
   Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio, 27 pessoas foram presas durante a desocupação. Um jornalista do Globo chegou a ser detido enquanto tentava filmar a ação da PM com o celular, que foi confiscado e roubado por um policial. Entre os inúmeros feridos, um morador ficou cego de um olho ao ser atingido por um disparo de bala de borracha. Após a ação, pelo menos três crianças foram hospitalizadas.

   Em outra frente, moradores da Providência, Horto, Vila Autódromo e outras comunidades que têm sofrido com as remoções realizadas pelo estado ocuparam o prédio da Defensoria Pública exigindo a saída de Nilson Bruno Filho, Defensor Público Geral do Estado. Nilson tem atuado como aliado do prefeito Paes nos casos de remoções arbitrárias para as obras da Copa e Olimpíadas.

   O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, por sua vez, apoiou a ação e disse que "foi feito o que tinha que ser feito". Um diretor administrativo da secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos foi ainda mais direto e expôs com clareza como pensa esse governo. "Tem que baixar o sarrafo mesmo", escreveu Antony Faria La Ruina em uma rede social.

Uma dura rotina
   A repressão ao povo pobre e negro do Rio de Janeiro virou uma rotina. Não se trata mais de uma ação desmedida de alguns governantes desmiolados ou fruto de devaneio de um comandante de batalhão. Mas uma política consciente, orquestrada por toda cúpula dos três poderes fluminenses (Executivo, Legislativo e Judiciário) para beneficiar a especulação imobiliária e garantir as obras da Copa e das Olímpiadas. O terreno da Telerj está abandonado há cerca de 20 anos. A ação de reintegração de posse foi solicitada pela companhia telefônica Oi, empresa que possui valor de mercado superior a R$ 6,5 bilhões, e que foi a aposta do então governo Lula na criação de uma “supertele” nacional.

   A ação de reintegração de posse e a brutalidade da Polícia Militar contra os moradores mostraram ainda o verdadeiro caráter dessa polícia, comprometida com os interesses das grandes empresas e utilizada pelos governos para atacar o povo pobre e negro das periferias. Essa polícia tem que acabar!

Ato político de solidariedade ao PSTU denuncia ataque sofrido pelo partido

Cerca de 200 pessoas participaram do ato, que teve a participação de entidades, partidos e lideranças das lutas populares

Arthur Gibson,da redação Rio

Entidades, ativistas e partidos de esquerda prestam apoio ao PSTU
Nesta quinta-feira, dia 2 de abril, realizou-se na sede o Sindpetro-RJ um vitorioso ato político de apoio e solidariedade ao PSTU. Um dia antes, após o ato de “descomemoração” dos 50 anos do golpe militar, um grupo de militantes da FIP atacou a sede estadual do PSTU quebrando vidraças e a proteção da porta em uma tentativa de invasão para agredir os militantes do partido. Fazendo ameaças, o grupo só se dispersou definitivamente após a chegada de grande número de militantes e simpatizantes do PSTU, bem como militantes do PSOL e PCB.
Já há algumas semanas o PSTU fazia a convocação para um importante debate sobre a participação das grandes empresas no golpe e na sustentação do regime militar. Como parte da “descomemoração” dos 50 anos do golpe, a atividade buscava fortalecer a luta pela reparação aos perseguidos políticos e pela punição dos envolvidos com os crimes da ditadura. O criminoso ataque forçou uma mudança às pressas no tema da atividade, mas longe de diminuir, aumentou a sua participação.

Entidades e partidos de esquerda prestam apoio ao PSTU
A mesa do ato político já dava a mostra que a solidariedade ao PSTU refletia o respeito que o partido tem dentre as organizações de esquerda e aqueles que estiveram à frente das principais lutas dos últimos anos. Compuseram a mesa Cyro Garcia, presidente do PSTU; Ana Cristina, dirigente do PSOL; Benevenuto Daciolo, líder da luta dos bombeiros do RJ; Célio e Bruno, lideranças do movimento grevista dos garis do Rio; Américo Astuto, membro do Conselho Consultivo da Comissão da Verdade da ALESP; Eduardo Serra, dirigente do PCB; Florinda, professora e dirigente do SEPE e Aderson Bussinger, da comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.
A fala de abertura foi feita por Cyro Garcia, que leu a nota oficial do PSTU (leia aqui) e destacou que o partido reivindica que as divergências entre a esquerda devem ser tratadas dentro dos espaços do movimento: ”Esse não é o método do movimento operário, esse é o método do stalinismo. Uma coisa é a divergência política outra coisa é o que aconteceu ontem na nossa sede”.
Américo Gomes, que faria a palestra marcada anteriormente sobre a relação das empresas com a ditadura militar fez questão de afirmar a necessidade de denunciar o ataque ao PSTU. Ele também discutiu a necessidade de avançar na campanha pela punição dos agentes do estado que cometeram crimes em nome da ditadura: “punir o passado significa dar exemplo pro presente”.

Entidades, ativistas e partidos de esquerda prestam apoio ao PSTU
O dirigente do movimento dos bombeiros, Benevenuto Daciolo, um dos mais aplaudidos da noite, destacou o apoio do PSTU à luta da categoria e deu um depoimento emocionado: “conheço o PSTU há três anos e tenho uma admiração muito grande por vocês. Quando o Cyro me ligou ontem à noite, imediatamente, me prontifiquei a ajudar. Estou junto com vocês.”
Ana Cristina leu uma nota aprovada pela executiva do PSOL: “lamentamos profundamente que tenha acontecido no dia 1 de abril, quando ‘descomemorávamos’ o golpe empresarial-militar, um ataque com métodos fascistas”.
Eduardo Serra, do PCB, fez sua fala um breve histórico da dura perseguição sofrida pelo seu partido durante a ditadura. Durante o ato do dia 1º de abril o PCB foi atacado e teve suas bandeiras confiscadas pela PM. ”O PSTU incomoda a burguesia porque é um partido que vai pra rua, vai pro enfrentamento, organiza os trabalhadores. Consideramos a agressão feita a sede do PSTU uma agressão ao PCB”, disse Eduardo Serra.
O ponto alto do ato foi a fala dos dirigentes da greve dos garis, Célio e Bruno, que falaram da experiência da luta: “foi de grande importância para a nossa luta o apoio dos movimentos sociais e de pessoas como o Cyro do PSTU, do PSOL que estavam ali solidários à nossa causa. É muito importante a unificação da classe trabalhadora. Hoje temos um governo do PT e eles deixam que a PM batam nos trabalhadores estamos vivendo uma democracia que por trás dela, tem uma ditadura”.
Estiveram presentes cerca de 200 pessoas entre eles representantes da ANEL, do MML, da CSP-Conlutas, dirigentes da greve operária do COMPERJ, dentre outros. A comissão de direitos humanos da OAB deve lançar nota denunciando o ataque ao PSTU. Sônia Lúcio, dirigente do ANDES leu nota do sindicato em apoio ao PSTU e já foi solicitado a todas as Associações Docentes do RJ que fizessem o mesmo. O SINDSCOPE também aprovou repúdio ao ataque e solidariedade ao PSTU.

“PSTU seguirá nas lutas e não se deixará intimidar”
O PSTU vai seguir impulsionando uma ampla campanha de denúncia contra o ataque sofrido pelo partido. Chamamos todas as entidades dos movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, e organizações de tradição democrática a repudiar a agressão ao PSTU.
Como deixou claro Cyro Garcia em sua fala de encerramento, o PSTU seguirá nas lutas e não se deixará intimidar: “a historia de nossa organização não começou ontem, nosso partido se formou em plena ditadura militar. Esse partido que não se curvou em nenhum momento não vai se curvar diante dos ataques feitos ao nosso partido por alguns integrantes da FIP. Somos os mais intransigentes defensores da auto-organizações da classe trabalhadora”. Não defendemos a ideia que o monopólio da violência é do Estado. Da mesma forma que nos organizamos pra enfrentar os nazi-fascistas ano passado vamos seguir organizados pra nos defender. Não estamos nas ruas de junho pra cá. Estar nas ruas e nas lutas é parte do DNA do PSTU. Nosso método é o de tratar as divergências através da polêmica pública, nos espaços do movimento. Mas não vai ser um grupelho que vai nos intimidar”.

PSTU Convida: 50 anos do golpe militar no Brasil e o financiamento das empresas à ditadura (2/4, quarta-feira)




No momento em que se completam 50 anos do golpe militar no Brasil, o Pstu Rio convida a todas e todos para debater sobre os grandes grupos econômicos que investiram e lucraram com a ditadura cívico-militar brasileira.

Acesse a página do evento no Facebook aqui e ajude a divulgar.

Rebelião toma conta do COMPERJ na tarde de hoje


Um motim tomou conta das obras do COMPERJ na tarde de hoje. Depois de 40 dias de greve, um acordo foi fechado, no início desta semana, entre a categoria e os patrões, mediado pelo Sindicato da Construção Civil de Itaboraí. No entanto, um dos pontos principais das reivindicações, a exigência de que os dias parados não fossem descontados, foi negado pelas construtoras. O sindicato omitiu a informação para a categoria que, ao descobrir a situação, resolveu novamente cruzar os braços. 



Os protestos começaram a se multiplicar por vários canteiros de obra do complexo, levando cerca de 28 mil trabalhadores a protestarem contra a atitude do sindicato e a negativa dos patrões. Diante da recusa dos operários a trabalhar, a Petrobrás começou a liberar os trabalhadores por volta das 10h, mas em alguns canteiros os operários foram impedidos de deixar o complexo. A revolta aumentou e os trabalhadores ameaçaram ocupar todo o complexo. A Petrobrás reforçou a segurança, trazendo agentes de outras unidades para o local. Há informações também de que havia vários agentes a paisana armados dentro dos canteiros. 

Por volta das 11h, diretores do Sindpetro se dispuseram a entrar nos canteiros e negociar com os trabalhadores para evitar reabrir as negociações. Há dois anos, no CENPES, a interlocução do Sindpetro conseguiu evitar o pior em situação parecida. A Petrobras, no entanto, negou a ajuda dos diretores e afirmou que a situação estava sob controle. 

As atitudes da Petrobras diante da grande greve do COMPERJ, somadas a conduta apresentada pela empresa em face dos últimos acontecimentos, levantam a suspeita de que a Petrobras esteja se utilizando da greve para justificar o atraso nas obras do complexo. A recusa ao diálogo por parte da empresa, inclusive declinando a ajuda do Sindpetro, sindicato que goza do respeito dos trabalhadores do complexo, levaram ao conflito. 

O que está por trás desta crise é o total descrédito do Sindicato da Construção Civil entre os trabalhadores, que sofrem com condições de trabalho cada vez mais precárias. No último período, houve falta de água potável e para higiene nos canteiros do complexo. Além disso, as empresas forneceram comida estragada aos trabalhadores, levando mais de 200 deles ao hospital. Um operário teve a boca cortada com um caco de vidro encontrado entre a comida, e em outro episódio, uma lagartixa morta foi encontrada na comida. Depois da greve, nos dois dias em que houve trabalho, o pessoal de cozinha alertou aos trabalhadores que a comida que estava sendo servida estava fora da validade, pois havia sido adquirida para a alimentação nos dias em que as atividades estavam paralisadas. 

No fim da tarde, havia indícios e informações de que a tropa de choque da polícia militar havia entrado no complexo para acabar com a mobilização dos trabalhadores. O resultado desta operação continua desconhecido. Neste momento não é possível contactar os trabalhadores para obter informações a respeito da invasão da polícia.

Barbárie que vitimou Cláudia reforça necessidade da desmilitarização da polícia


Arthur Gibson, da redação Rio
Cláudia da Silva Ferreira, 38 anos, moradora do Morro da Congonha em Madureira, acordava todos os dias às 4h30 da manhã para ir trabalhar como auxiliar de serviços gerais no Hospital Marcílio Dias. Com o baixo salário que recebia, sustentava quatro filhos e quatro sobrinhos junto com seu marido, que trabalhava como vigia no famoso Mercadão de Madureira. No dia 16 de março, um domingo, Cláudia saiu de casa com R$ 6 para comprar pão e foi alvejada a tiros pela PM. Colocada na traseira da viatura pelos policiais, a auxiliar de serviços gerais foi arrastada por 250 metros após cair do porta-malas produzindo uma imagem correu o mundo, chocou os trabalhadores e expôs mais uma vez a política racistae assassina de segurança pública no Rio de Janeiro.
A rotina da PM subindo as favelas atirando a esmo, matando trabalhadores e jovens negros e forjando “autos de resistência” é conhecida pelos moradores das comunidades. A própria Cláudia sabia muito bem os perigos de ser negro e pobre no Rio. Weverton, seu filho de 16 anos, disse que sua mãe temia que ele pudesse acabar sendo “confundido” com um traficante e alvejado. O irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, em entrevista ao Globo, deixa claro que o procedimento que vitimou sua irmã não é novidade: “Aconteceu com ela e amanhã será com outro trabalhador. (...) Não queremos que fique impune. Senão ela será só mais um Amarildo”.

O fracasso da política de "pacificação" 
Se depender do governo do Rio de Janeiro, mais Cláudias e Amarildos serão vitimados pela ação da PM. A morte de Cláudia acontece justamente no momento em que o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, iniciam nova ofensiva em sua política de repressão das favelas através das UPP’s. Nas últimas semanas, se utilizando de uma série de ataques por parte do tráfico que resultaram na morte de 16 PM’s neste ano, o governo e a grande mídia não mediram esforços para revitalizar a imagem das Unidades de Polícia Pacificadora. Como parte deste esforço, a Vila Kennedy foi ocupada militarmente e o Complexo do Alemão invadido pelo Bope.
 O projeto das UPP’s entrou em franco descrédito depois das inúmeras arbitrariedades e violências cometidas nas comunidades, das quais a morte do ajudante de pedreiro Amarildo virou símbolo. Manifestações contra as UPP’s e a ação da PM tomaram as favelas do Rio no ano passado e seguem em 2014. Neste ano houve protestos e confrontos de moradores com policiais no Complexo do Alemão, na Praça Seca, Morro São João, Morro da Gambá, Cidade de Deus, Favela do Metrô dentre outros.
A criminosa ação da PM que resultou no assassinato de Cláudia da Silva Ferreira coloca mais uma vez na ordem do dia a luta contra a política de segurança pública do governo Sérgio Cabral. Uma política voltada para a ocupação militar das favelas como forma de reprimir uma população negra e pobre vista como criminosa pelo Estado. A repressão cotidiana da polícia na periferia do Rio foi vista também nas manifestações que tomaram a cidade desde junho passado. As prisões arbitrárias, as agressões gratuitas, a limitação do direito de ir e vir, a infiltração dos movimentos sociais, tudo o que foi característico da ação da PM durante as manifestações é transformado em cotidiano numa versão bastante piorada paraos moradores das favelas cariocas com as UPP’s. A luta contra as UPPs e pelo fim da PM ganhou força em 2013, e deve continuar em pauta. É preciso discutir de que segurança pública precisamos.

Por uma política de segurança pública que atenda os trabalhadores
Não é possível resolver o problema da segurança com a manutenção das atuais Polícias Civil e Militar. Estas são polícias pensadas para manter a ordem de coisas vigente, defender os ricos e poderosos e, por isso, tem como principal função manter os trabalhadores e o povo pobre sob constante repressão. Desta função surge também uma polícia corrupta, sempre disposta a vender seus serviços a quem pague mais ou a cobrar propina dos trabalhadores que se acostumou a reprimir. A estrutura militarizada que tem a PM e que transborda no dia-a-dia também para outras estruturas policiais impede que os policiais que discordam desta realidade possam se manifestar e se organizar para ajudar criar as condições para que esta realidade mude.
É preciso dissolver as atuais polícias e criar uma única Polícia Civil Unificada e totalmente desmilitarizada. Esta polícia deve ter como principal característica o controle de suas ações pelas entidades dos movimentos sociais e associações de moradores, para que ela não mais sirva aos interesses dos ricos e poderosos e passe a defender os interesses dos trabalhadores e da população negra e pobre das periferias. A população deveria ter o direito a eleger os chefes de polícia com mandatos revogáveis a qualquer momento. Os policiais devem ter direito à sindicalização e a eleger seus superiores.
Os agrupamentos de elite (como BOPE e CORE) voltados para invadir as favelas devem ser extintos, bem como a Tropa de Choque, cujo único objetivo é reprimir as mobilizações dos trabalhadores. As UPP’s devem ser extintas e o patrulhamento das favelas deve ser feito em diálogo com as associações de moradores.
A luta por uma nova política de segurança pública, no entanto, começa pela batalha para punir os assassinos de Claúdia, Amarildo e todos os outros trabalhadores e negros assassinados pelo governo Sérgio Cabral. As grandes manifestações que tomaram o Rio de Janeiro em 2013, e que continuam em 2014, não esqueceram dos crimes do governador do estado. É preciso continuar nas ruas, exigindo a prisão dos assassinos de Cláudia e Amarildo e fortalecendo a luta pela derrubada do maior responsável pelo massacre da população negra nas favelas do Rio, o governador Sérgio Cabral.

Atualização: Enquanto publicávamos esse artigo, a Justiça acabava de conceder liberdade aos policiais envolvido no caso de Cláudia

Um balanço necessário: Greve dos Garis derrota Eduardo Paes e anuncia novas lutas

Garis tomam a avenida Rio Branco em ato da greve (Foto: intenet)

por Arthur Gibson, da redação Rio.
O carnaval é um dos eventos culturais mais importantes de nosso país. Durante este curto período, milhões de trabalhadores ocupam as praças e avenidas do Brasil em busca de lazer e diversão. No entanto, para muitos trabalhadores, o carnaval é um principalmente um período de maior exploração.
Este é o caso dos trabalhadores da limpeza urbana. Durante os festejos momescos, os garis trabalham ainda mais duro para garantir uma cidade limpa para os foliões. Segundo alguns trabalhadores, muitos trabalham além de sua jornada sem receber nada mais por isso. O piso salarial da categoria, que era de R$ 803,00 demonstra o desprezo da prefeitura por este duro trabalho. Apesar desta realidade, a mídia e a prefeitura do Rio sempre retrataram o gari carioca como uma figura folclórica, como um símbolo do carnaval, sempre alegre e feliz por seu trabalho.

As lições de uma Greve vitoriosa
A greve dos garis foi o grande evento deste carnaval no Rio de Janeiro. Ao invés do gari feliz por ser explorado pintado pela mídia e pela prefeitura o que se viu foram garis felizes por lutar, firmes em uma batalha em que tiveram de enfrentar muitos adversários.
A greve, que começou no dia 1º de março, tinha como principais pautas o aumento do piso da categoria de R$ 803,00 para R$ 1.200,00 (37%) e o aumento do tíquete alimentação de R$ 12,00 para R$ 20,00. Ao final dos 8 dias de greve a categoria arrancou um acordo que reajusta o piso para R$ 1.100,00 e o o tíquete para R$ 20,00; uma enorme vitória diante da repressão e da intransigência do prefeito Eduardo Paes (PMDB).
Durante o período de greve os trabalhadores tiveram que dobrar a direção do sindicato (SEEACMRJ), ligada à central sindical pelega CGTB. Depois de cancelar sem maiores explicações a paralisação marcada para o dia 28/02, o sindicato foi atropelado pela categoria que deflagrou a greve no dia 1º de março. Dois dias depois, o sindicato fecha um acordo com reajuste de 9% no salário e aumento do tíquete para R$16,00 junto à Companhia Municipal de Limpeza Urbana (CONLURB). Em comunicado distribuído à categoria o sindicato dizia: “Como toda categoria testemunhou, o Sindicato não foi o responsável pela deflagração da greve”. O objetivo claro era desmontar o movimento que corria fora de seu controle e que tinha ampla adesão da categoria.
Com o aval da direção do  sindicato, que deslegitimava o movimento grevista, a COMLURB anunciou no dia 4 de março a demissão arbitrária de 300 trabalhadores que estavam em greve. Intransigentes em não reconhecer o movimento grevista, Eduardo Paes e o presidente da COMLURB Vinicius Roriz classificaram os grevistas como “marginais”, “delinquentes” e de “grupos isolados que discordam do sindicato”. Com medo das represálias, uma parte da categoria passou a ir ao trabalho para bater o ponto, mas se recusava a sair às ruas para fazer a limpeza. Diante disso Eduardo Paes mobilizou a Guarda Municipal, a polícia Milkitar e até empresas de segurança privadas para obrigar os garis a fazerem a limpeza das ruas.

Categoria demonstrou disposição e unidade  (Foto:internet)
A unidade da categoria e o apoio da população forçam o governo a recuar
A campanha da prefeitura para desacreditar os grevistas e a propaganda da imprensa sobre o caos da limpeza durante o carnaval do Rio não foram suficientes para desmobilizar a categoria nem para diminuir a solidariedade de trabalhadores de outras categorias com a greve.
Durante o carnaval surgiram muitas paródias em apoio à greve, nos atos houve importante presença de trabalhadores de outras categorias e de sindicatos combativos como o SEPE e as redes sociais trasbordaram de apoio à luta dos garis. O gari Renato Sorriso, símbolo do carnaval carioca, tantas vezes utilizado pela mídia como modelo de trabalhador explorado e feliz declarou seu apoio à greve e participou das manifestações: “Sou gari mas não só pra sorrir. Estou aqui porque acima de tudo sou gari e sou trabalhador”. Um vídeo de Eduardo Paes o prefeito jogando lixo no chão virou febre na internet e ajudou a desmoralizar ainda mais o prefeito. Este amplo apoio e solidariedade dos trabalhadores ajudou a fortalecer o movimento grevista e deixou claro para Paes que a batalha estava perdida.

Uma vitória que anuncia novas lutas
As imagens de Eduardo Paes anunciando o acordo no dia 8 de março mostram um prefeito derrotado, inventando desculpas para dizer por que não havia negociado com os grevistas antes. A vitória da categoria deve ser compreendida como parte da ofensiva de lutas que se abriu em junho do ano passado e que derrotou governos e prefeituras revogando o aumento da tarifa dos transportes.
Desde junho vemos uma maior disposição da classe trabalhadora em lutar. Há um maior apoio da população às greves, manifestações, e uma maior indignação diante da repressão e das injustiças. No ano passado, a greve dos professores do RJ colocou em xeque a política educacional de Paes e Cabral e jogou a popularidade destes governantes pra baixo. Em 2014, a luta contra o aumento dos transportes, a greve da saúde e do Comperj (que já dura um mês) e, principalmente, a greve dos garis anunciam um ano de muitas lutas.
É preciso se apoiar no exemplo vitorioso dos garis cariocas e avançar na preparação das mobilizações de 2014. Os servidores públicos federais já preparam atividades de sua campanha salarial para a próxima semana, apontando para uma forte greve nacional unificada. Além disso, o Encontro Nacional do Espaço Unidade de Ação, marcado para o dia 22 de março, vai reunir ativistas do Brasil inteiro para debater e organizar as mobilizações em nível nacional.

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Editorial: Sigamos o exemplo dos garis!
Intelectuais divulgam manifesto contra a repressão e a criminalização dos movimentos sociais