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Convite para o lançamento do livro "Anarquismo e Comunismo", dia 26, 18:30h

   O PSTU-Rio de Janeiro e a Editora Sundermann tem o prazer de te convidar para o lançamento do livro "Anarquismo e Comunismo", obra clássica do membro do partido bolchevique Evguen Preobrazhenski.

   Considerado um dos trabalhos mais importantes do grande revolucionário e economista russo Evgueni Preobrazhenski, Anarquismo e Comunismo continua sendo uma obra fundamental para o entendimento do pensamento marxista em sua sua oposição ao anarquismo. Partindo das questões mais concretas colocadas pela construção socialista na Rússia no início dos anos 1920, Preobrazhenski apresenta um quadro completo da incapacidade do pensamento anarquista de responder à complexa e contraditória realidade da revolução proletária. E o faz de tal forma, que o mais simples camponês ou operário simpático ao anarquismo possa entender e refletir de maneira independente.

   A publicação de Anarquismo e Comunismo é mais importante ainda porque ocorre em um momento de grande efervescência política no país, o que tem provocado, por distintos caminhos, um certo fortalecimento das ideias e sentimentos anarquistas em toda uma camada de jovens ativistas e lutadores sociais. Tal fortalecimento não é uma novidade histórica, e ocorreu todas as vezes em que as massas, ao se levantarem contra seus opressores, não encontraram um forte partido marxista organizado e influente, capaz de dirigir e inspirar os trabalhadores no espírito da luta política de classes, ou seja, da luta pelo poder de Estado. A esse respeito, podemos estabelecer uma verdadeira lei histórica: quanto mais as massas se encontrem desiludidas e desgastadas por terem confiado durante anos a fio nos partidos da esquerda reformista, maior tende a ser a influência exercida pelo anarquismo nos conflitos de rua e nos movimentos em geral, principalmente entre aqueles indivíduos que apenas despertam para o combate e dão seus primeiros passos no caminho das lutas sociais. Assim, se confirma a ideia de Lenin, segundo a qual “o anarquismo foi, muitas vezes, uma espécie de expiação dos pecados oportunistas do movimento operário.” Infelizmente, ao longo da história, esta frase tem se confirmado com uma terrível precisão, inclusive hoje no Brasil, o que torna a obra de Preobrazhenski ainda mais atual e indispensável.

   Na ocasião haverá uma apresentação com Henrique Canary, membro da Secretaria Nacional de Formação do PSTU.

   Confira a apresentação do livro no Blog da Editora Sundermann: http://site1370547778.provisorio.ws/?p=177

   Compre o livro pela loja virtual da Editora Sundermann: http://loja.tray.com.br/loja/produto.php?loja=46909&IdProd=1312




Serviço:
Dia 26/02, quarta-feira, 18:30h

Atividades marcam Dia da Consciência Negra no RJ

"A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor, Candeia
O tempo que o Samba viver
O sonho não vai se acabar
E ninguém vai esquecer, Candeia"


(O sonho não acabou,  Luis Carlos da Vila)


No 20 de novembro, o Quilombo Raça e Classe e o Luta Popular, entidades filiadas à CSP-Conlutas, participaram e ajudaram a construir diversas atividades em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Dia começou na Amendoeira, em São Gonçalo

comunidade debate na Amendoeira
A primeira atividade ocorreu logo cedo no bairro de Amendoeira, na cidade de São Gonçalo. Representantes do Quilombo Raça e Classe, do movimento o Luta Popular e da CSP-Conlutas realizaram uma conversa com a comunidade local. O objetivo da atividade foi iniciar a reconstrução da associação de moradores do bairro que vem tocando algumas lutas específicas.
Após o debate os participantes fizeram uma confraternização comendo um delicioso angu e regada a uma cervejinha gelada, para refrescar o intenso calor.

Samba de resistência nos subúrbios cariocas
Já do outro lado da Baía de Guanabara também foi dia de combater a farsa da democracia racial rolou debate e atividades culturais. Na comunidade do Jacarezinho e no tradicional subúrbio carioca de Osvaldo Cruz rolaram debates e atividades culturais.
A negrada, com raça e classe, trocou inúmeras idéias sobre a questão racial no Brasil e no mundo, em especial sobre a violência contra a juventude negra e a preservação da cultura afro.
No Buraco do Galo o dia contou com muito samba de raiz, mostrando toda a resistência da tradição cultural dos negros brasileiros. Tudo isso acompanhado de uma bela feijoada e uma cerveja gelada.

tradicional roda de samba no Buraco do Galo

Neste dia 21/11 tem Marcha da Periferia nas ruas do Rio
Já nesta quinta-feira, 21/11, ocorrerá nas ruas do centro da cidade a Marcha da Periferia. Uma passeata seguirá da Candelária até o busto de Zumbi, lembrando os guerreiros e guerreiras De palmares. A concentração está marcada às 17 horas.

Agenda da Marcha da Periferia com Raça, Classe e Gênero no Rio de Janeiro

19 de Novembro
NOVA IGUAÇU
Marcha da Periferia com Raça e Classe e os Comerciários no Calçadão de Nova Iguaçu a partir das 10:00 h. 

20 de Novembro
SÃO GONÇALO 
No dia da Consciência Negra a Associação de Amigos e Moradores da Amendoeira organiza um evento onde será comemorada a data e apresentada à população a CSP - Conlutas, o Quilombo RaçaeClasse e também o Luta Popular.

Eventohttps://www.facebook.com/events/240281122795990/?ref_dashboard_filter=upcoming&source=1

"Consciência Negra no Quilombo do Jacaré". Favela do Jacarezinho.

"Feijoada de Zumbi do Buraco do Galo", na tradicional Roda de Samba do Buraco do Galo, em Osvaldo Cruz.

Atividade Cultural no Chapéu Mangueira, de 10 às 17 horas.

21 de Novembro
RIO DE JANEIRO
2a MARCHA DA PERIFERIA - Em 2013 a Marcha da Periferia, que traz como tema “PELOS AMARILDOS… DA COPA EU ABRO MÃO”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros Movimentos de Opressões, Sociais, Estudantis e Entidades Sindicais. 
Passeata da Candelária até o busto de Zumbi dos Palmares; Concentração às 17h. 

Abertura do I Seminário Nacional da FENAJUFE de Combate ao Racismo e de Identidade Negra no Judiciário Federal e MPU -  19:00h.  O seminário ocorrerá até o dia 23/11.
22 de Novembro
JAPERI
 “JAÇARAUPERI” Ato político e cultural pelo Dia da Consciência Negra, na Praça Olavo Bilac, em Engenheiro Pedreira/Japerí, a apartir das 16 horas.

24 de Novembro
RIO DE JANEIRO
"Dandaras de Luta", atividade no Bar do Rumba, na Favela do Jacarézinho, a partir das 12 horas.

25 de Novembro
RIO DE JANEIRO 
Passeata pelo Dia Latino-americano e Caribenho de luta contra a violência contra a mulher, concentração na Candelária a partir das 16 horas.

"Mesa da Questão Racial", no auditório da Faculdade Nacional  Direito FND/UFRJ – próximo ao Campo de Santana, a partir das 16 horas.

26 de Novembro
RIO DE JANEIRO
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência", na Sede do PSTU – Rua da Lapa, 180 sb lj/Lapa, a partir das 18:30 horas.

NOVA IGUAÇU
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência" – O Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e Região organizará um debate na terça, dia 26 de Novembro, às 19h, no estacionamento ao lado do Sindicato (Rua Dr. Barros Jr., 396, Centro de Nova Iguaçu) em conjunto com o movimento Quilombo Raça e Classe e a CSP-Conlutas.




27 de Novembro
BELFORD ROXO
Atividade sobre a questão racial no SEPE Belford Roxo (à confirmar o formato).

Veja calendário de atividades completo aqui 


fontes: Quilombo Raça e Classe e CSP- Conlutas

PSTU RJ presente no Ato-show contra o leilão de Libra

por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
Neste dia 3 de outubro, ocorreu na Praça XV, no centro do Rio, um ato contra o leilão do campo de Libra, na Bacia de Santos. Além disso, o ato comemorava os 60 anos da Petrobrás, criada após uma intensa campanha que propunha assegurar o controle nacional sobre tão importante recurso natural. Com diversos artistas, como Toninho Geraes, Noca da Portela, o grupo de samba "Saias da Folia", entre outras atrações, sendo encerrado pela banda de rock El Efecto. Mais de mil pessoas passaram por lá e os gritos de "Fora Cabral!" eram ouvidos constantemente, assim como manifestações contra a venda do campo de Libra, tanto do público quanto dos artistas presentes.



Dilma mentiu sobre as privatizações!


Banda El Efecto faz o encerramento do ato-show 
Quando estava em campanha eleitoral, a então candidata Dilma Roussef afirmou que não ia vender as riquezas do país, especialmente o petróleo do pré-sal. No entanto, desde que assumiu a presidência, privatizou estradas, aeroportos e até estádios de futebol. Mas agora se prepara para a maior venda do patrimônio público da História do Brasil!
O campo de Libra, na bacia de Santos, tem potencial para duplicar as reservas petrolíferas do país. A Petrobrás, por sua parte, é a única empresa com tecnologia para explorá-lo. No entanto, o governo federal e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) preparam o leilão das reservas, sob o regime de concessão, onde a Petrobrás entra com os poços e a tecnologia. Já os sócios, as grandes petrolíferas, ficam com a maior parte dos lucros. Entretanto, a população foi, em algum momento, consultada sobre isso? Tal riqueza, extremamente importante para o país, deveria ser vendida a um preço que se estima ser 250 vezes menor que o valor das reservas?
CSP-Conlutas presente no ato
Ainda sobre a estatal do petróleo, nos últimos 15 anos, a maioria dos funcionários ligados à produção deixou de ser concursado, passando a pertencer a empresas terceirizadas, como a OGX de Eike Batista. Achamos que a Petrobrás deve ser fortalecida, com seus funcionários sendo concursados, e o regime de terceirização abandonado.
O PSTU defende o cancelamento imediato do leilão; ainda mais após as denúncias de espionagem industrial na Petrobrás por parte do governo norte-americano, que atingiram até mesmo a presidência da república. Defende também o fim do regime de concessões, a re-estatização das jazidas já leiloadas, o fim da ANP e uma Petrobrás 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores (as).
A Campanha contra o Leilão não para aqui. Nos dias 17 de outubro, o país deve ser sacudido por mobilizações, e no dia 21, dia do leilão, um grande ato contra a privatização do petróleo do pré-sal vai ocorrer. Não vamos deixar esse saque ocorrer sem resistência!


"A justiça também usa máscara"

Atividade aconteceu na tarde de hoje, no Centro do Rio
Foto: Rodrigo Noel (Por celular)
Ato realizado por entidades de defesa dos Direitos Humanos reúne dezenas de ativistas em frente ao Tribunal de Justiça do RJ

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Hoje foi mais um dia de manifestação contra as arbitrariedades do governo Cabral. A iniciativa contou com a organização do Instituto de Defensores de Direitos Humanos - DDH, a Comissão Permanente de Direitos Humanos da IAB, a Rede Nacional de Advogados Populares - Renap e o Centro de Assessoria Popular Mariana Criola. Diversos ativistas estiveram presentes, como o advogado João Luiz Duboc Pinaud.

   Durante a atividade, os manifestantes lembraram dos diversos casos de abuso policial durante o governo de Sérgio Cabral, o recrudescimento da violência policial, os 90 detidos nas manifestações do dia 7 de setembro e reafirmaram a necessidade da desmilitarização da polícia. Para João Tancredo, advogado da família do pedreiro Amarildo, a democracia corre risco: "Não tô me recusando a me identificar. Quando a democracia corre risco, não é bom pra ninguém. A democracia precisa ser protegida por todos!", disse em vídeo gravado em frente ao TJ-RJ. Em nota distribuída durante o ato, as entidades afirmam que "os principais obstáculos para o exercício pacífico do direito à manifestação têm sido a arbitrariedade e a violência policial".

Foto: Rodrigo Noel (Por celular)
   Enquanto  os manifestantes realizavam os últimos preparativos para o início do ato, um sargento da polícia militar filmava os presentes e sorria em ar de deboche. O efetivo policial deslocado para o ato foi desproporcional para a quantidade de ativistas presentes a manifestação, com cerca de 50 policiais, 1 segway e 4 viaturas, numa clara tentativa de intimidação. Não é nenhuma novidade que a atuação da polícia militar tem a marca da repressão e da intimidação, mas nem por isso devemos deixar de denunciar cotidianamente.

Arte "Mascarados". Obra do chargista Nico
   Falando pelo PSTU esteve presente a companheira serventuária Marília Macedo: "Esse não é o primeiro ato descabido desse desgoverno, mas precisa ser o último! Foi assim durante a visita do Obama, é assim todos os dias com a juventude nas comunidades do Rio, mas com Cavendish e sua trupe é só festa e 'guardanapo'. Exigimos a libertação imediata de todos os presos políticos! Fora Cabral!", afirmou.

Assista:
"Cyro Garcia fala no Grito dos Excluídos do Rio"

Aderson Bussinger: "Um atentado aos direitos de defesa"

Plenária de centrais sindicais prepara o dia 30 de agosto no Rio de Janeiro

No dia 24 de agosto, sábado passado, reuniram-se a CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, Fórum de Saúde-RJ, Fórum em Defesa da Escola Pública, Fórum de Lutas-RJ, ANDES-SN, ASFOC, ASINES, Base da ASIBAMA, SEPE-RJ, SINDSCOPE, Minoria da Direção do SINDPETRO-RJ, Minoria da direção do SINDSPREV-RJ, Oposição Bancária, Oposição de Correios, Oposição de Jornalistas, Oposição do SINDJUSTIÇARJ, Oposição Sintuferj Vermelho, ANEL-RJ, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e Movimento Favela Não Se Cala para preparar o 30 de agosto no Rio de Janeiro.

A pauta foi a seguinte:
1. Informes;
2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto e;
3. Encaminhamentos.


1. Informes

a) Houve uma reunião nacional das centrais em que a CSP-Conlutas não compareceu pois não recebeu comunicado dela. Esta reunião foi acertada entre as centrais que estão participando da negociação do PL 4330, em Brasília (A CSP-Conlutas, a CTB e a NCST não participam destas negociações pois defendem o arquivamento do projeto de Lei). A CUT ficou de convidar todas as centrais, já que a reunião aconteceria na sua sede, em São Paulo. Todas as centrais foram convidadas, menos a CSP-Conlutas.
O que houve de importante na reunião é que, aparentemente a NCST e a UGT quiseram sair fora da convocação do dia 30, alegando dificuldades para fazer a paralisação. Foi feita uma mediação na reunião, definindo o dia 30 como Dia Nacional de Mobilizações. E foi definido um centro na pauta de reivindicações: a rejeição do PL4330. Também como prioridade a redução da jornada e o fim do fator previdenciário.
Na quarta feira, 21 de agosto, na sede da CUT-RJ, houve uma reunião das centrais para organizar as atividades de preparação do dia 30 de agosto. Estiveram presentes a CUT, CTB, FS e CSP-Conlutas. Estas Centrais decidiram intensificar a mobilização e realiar as seguintes atividades: o café da manhã com os parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, no dia 26 de agosto, ás 9 h., no Sindicato dos Bancários; ato público contra os juros altos, em frente ao Banco Central, dia 27 de agosto, às 11 h.; Participar da reunião na sede da OAB-RJ, no dia 28 de agosto, ás 10 h., com o MTE e o MPT para tratar da interferência do Estado nas organizações sindicais e; mobilização total para o dia 30, definido em maioria a Central do Brasil como local do Ato Político, com concentração a partir das 15 h.

b) Houve informes das diversas representações sobre a organização das categorias e movimentos para as atividades do dia 30, em vários pontos da cidade. 

c) A Oposição do Sindjustiça informou que a direção do sindicato convocou o congresso da
categoria, começando no dia 30. Informou que, por este motivo, não participará do primeiro dia do congresso, que ocorre no município de Paulo de Frontin.


2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto

Diante dos informes e das posições políticas das centrais a Plenária Classista resolve:

a) Convocar um ato público no dia 30 de agosto, com passeata até a ALERJ, com concentração a partir das 17 h., na Candelária, contra a política econômica do Governo Dilma e pelo Fora Cabral;

b) Formar um Comando Político para dirigir o ato e a passeata com representantes das seguintes entidades: CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, ANDES, SINASEFE e Fórum de Luta-RJ;

c) As tarefas deste comando, além do já citado no ponto anterior, são: participar dos Atos da
semana de 26 a 29 e no dia 30, na Central, convocado pelas centrais sindicais, com uma fala
convocando todos os presentes nestes atos para participarem do ato da Plenária Classista, na Candelária; elaborar uma carta aos trabalhadores e ao povo explicando os motivos, os objetivos da manifestação e a necessidade da construção de uma greve geral e; garantir toda a infraestrutura do ato e passeata;


3. Encaminhamentos.

Diante das tarefas deliberadas no ponto anterior a Planária Classista resolve:

a) O Comando Político deve elaborar uma carta para ser apresentada ao Congresso do
SINDJUSTIÇA;

b) O Comando Político deve elaborar uma carta em apoio à luta de correios, bancários, petroleiros e demais categorias, entidades e movimentos em luta;

c) O Comando Político deve participar da reunião do Fórum de Luta do Rio de Janeiro para
convocar o ato da Plenária Classista;

d) O Comando Político deve convocar todas as entidades da base da CONDSEF para o ato;

e) O Comando Político deve realizar sua primeira reunião para dar início aos encaminhamentos acima deliberados na segunda feira, 26 de agosto, às 18 horas, na sede da CSP-Conlutas.

25 de julho: dia de luta e resistência da mulher negra

Foto: Diego Cruz
Em 1992, a República Dominicana sediou o Iº Encontro de Mulheres Negras, quando foi instituído o dia 25 de Julho como o "Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha". O objetivo da data era buscar refletir sobre o papel das mulheres negras nesses continentes, dando visibilidade às lutas e à resistência das descendentes da diáspora africana, marcadas pela cruel combinação de exploração capitalista, racismo, machismo e lesbofobia.
 
Neste contexto, não podemos deixar de lembrar da heróica resistência das mulheres negras haitianas, vitimadas todos os dias pelas mais diversas formas de violência. Por isso, fortalecemos a campanha e exigimos “Fora as Tropas do Haiti", brasileiras e da ONU!
 
No Brasil, as mulheres negras e jovens são a maioria das vítimas de violência doméstica, além de estar mais constantemente expostas à violência sexual e policial. Ao mesmo tempo, vivendo em um pais, onde um jovem negro tem 139% mais chances de ser assassinado que um branco, todos os dias, as mulheres, em especial as mulheres negras, sofrem com a perda de seus filhos, irmãos e companheiros, nas periferias e favelas todos os dias. 
 
A pobreza tem cor
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 16,2 milhões de brasileiros, 8,5% da população, estão em situação de extrema pobreza, vivendo com renda per capita de até R$ 70,00/mês. Desse total, 70,8% são afrodescendentes e 50% têm, no máximo, 19 anos de idade, na sua maioria mulheres (IBGE-2010). Negras são as que ganham os piores salários (chegam a receber 50% a a menos que homens brancos na mesma função) e encontram-se nos trabalhos mais precarizados e vulneráveis. Dos 7,2 milhões que exerciam trabalho doméstico, em 2009 (IPEA), 93% são mulheres. Dentro deste grupo, 61,6% negras.
 
As mulheres negras também estão nos serviços públicos, no setor de serviços e na educação pública, principalmente nos anos iniciais. E não é por acaso que os salários desta categoria são os mais baixos, como tambémo que tem menos tem direito. As mulheres e jovens negras também são a maioria nos estágios temporários, telemarketings e empresas terceirizadas, mas são as que menos estão presentes dentro das salas de aula das universidades públicas.
 
A presença das mulheres negras em postos de trabalho menos especializados, subempregos sem carteira assinada e nas terceirizações, expressa as desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira, abismo que se aprofunda ainda mais quando combinados com os efeitos do machismo e da exploração.
 
O PSTU diz que o Dia 25 de Julho é mais um dia de luta das mulheres negras trabalhadoras, e este dia deve ser mais uma data para as mulheres se organizarem. Neste dia 25, temos que nos organizar também para que no dia 30 de agosto, junto à classe trabalhadora, construamos junto um novo dia nacional de paralisações. 
 

Na conta do Papa: Sérgio Cabral quer apagar incêndio com gasolina

Sérgio Cabral se esconde e não vai a coletiva com a imprensa chamada por ele
Juzerley Santos, do Rio de Janeiro.
Durante a ditadura militar o governo anunciava suas medidas através de pronunciamentos ou edição de atos institucionais, como o AI-5. Em coletiva a imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira (18/7) no Palácio Guanabara, era evidente o desconforto da cúpula do governo fluminense. Ainda mais que o governador não se fez presente.
Sérgio Cabral preferiu soltar uma nota repetindo a ladainha de sempre ao acusar os manifestantes de estarem buscando desestabilizar seu mandato ao invés de responder as demandas políticas apresentadas pelo movimento em relação à  saúde, educação, transporte etc.
Em seu lugar, o secretário de segurança José Mariano Beltrame, o comandante-geral da Polícia Militar Erir Costa Ribeiro e a chefe da Polícia Civil Marta Rocha apresentaram as novas medidas em relação aos protestos tomadas em reunião emergencial realizada antes da coletiva.
Na verdade  nada  apresentaram de novo. Só reafirmaram a intenção dos órgãos policiais de tratar a atual onda de protestos usando mais ainda a violência policial, inclusive com a possibilidade de uso de armas de fogo.
Já o governo federal tem solicitado ao Vaticano reforço na segurança do Papa. O general do Exército José Alberto da Costa Abreu já afirmou que "mascarados serão impedidos de entrar. Não é um espaço, lá em Guaratiba, para que um elemento em atitude hostil, utilizando uma máscara, possa entrar. Não vamos permitir que isso aconteça". Demonstrando assim que a intenção do governo Cabral e do governo Dilma vai ser seguir usando a violência policial para reprimir as manifestações. 
Por fim, soaria cômico se não fosse trágico, o comandante-chefe da PM do Rio de Janeiro, ainda durante a coletiva, criticar a imprensa, quando esta questiona a brutal violência usada contra os manifestantes, e lamentar a “ausência” de direitos humanos para os policiais feridos. Esqueceu o coronel da PM de citar a “ausência” de respeito aos direitos humanos por parte da polícia quando atira balas de borracha no rosto de pessoas, incluindo jornalistas e quando chacinou 13 pessoas na comunidade da Maré.
Chegou ao ponto do coronel Erir e do secretário Beltrame afirmarem que não sabem como encerrar as manifestações e confrontos nas ruas do Rio. Nós, juntamente com os milhares que ocupam diariamente as ruas, afirmamos que a única forma de começar a resolver este impasse é a saída imediata de Sérgio Cabral e do vice Luis Fernando Pezão do governo.

17/7: Fora Cabral! Violência policial provoca conflitos com manifestantes pela Zona Sul carioca

Mais de 2 mil pessoas protestaram próximo á casa do Cabral    (Foto: Jacy de Menezes)

Juzerley Santos, do Rio de Janeiro.

Leblon, bairro muito conhecido por ser locação de cenas lúdicas de personagens passeando na praia ou conversando em praças nas novelas do escritor Manoel Carlos para a Rede Globo, se transformou, no início da madrugada de 17 para 18 de julho, em mais um palco da brutal violência policial do governo de Sérgio Cabral contra manifestantes.
Desde o início da tarde, 200 soldados da tropa de choque, apoiados por um canhão d’água, já tinha ocupado e fechado todos os acessos da agora famosa esquina da Avenida Delfim Moreira com a rua Aristides Pádua, um dos endereços mais caros do mais caro bairro da cidade.
Era perceptível o incômodo na abastada vizinhança, pois os apartamentos próximos ficaram com janelas fechadas e luzes apagadas. Mas mesmo com toda esse clima centenas de pessoas chegavam das mais diversas direções e em menos de duas horas mais de dois mil manifestantes se concentravam porta da casa do governador Sérgio Cabral.

Irreverência política e apoio de moradores
A manifestação transcorreu tranquilamente, apesar do clima tenso provocado pela presença ostensiva da tropa de choque, que tinha posto dezenas de policiais espalhados pelas ruas próximas, da suspeita de vários P2 (policiais infiltrados) e dos sobrevoos de 2 helicópteros.
O ato contou com muita irreverência e, em ritmo de arquibancada, foram cantadas várias músicas contra Sérgio Cabral e Eduardo Paes e a PM. Sobrou até para o mega-especulador Eike Batista, o novo dono do Maracanã. Um helicóptero de brinquedo foi pendurado no galho de uma árvore provocando gritos entusiasmados de “o Cabral chegou”.
Por volta das 20 horas, moradores da Rocinha, que realizaram protesto contra sumiço de um morador durante abordagem policial na comunidade, se juntaram aos manifestantes fortalecendo ainda as exigências de fim das remoções e pelo fim da violência policial nas comunidades pobres.
vale tudo para exigir a saída de Cabral (Foto: Erick Dau)
A preocupação dos manifestantes em distensionar o clima era tão grande que por duas vezes saíram em passeata. Em plena noite de quarta-feira o canto “Cabral é Ditador!” ecoou pelas principais ruas do Leblon.
Durante o trajeto tapumes, letreiros e ônibus foram pichados com a inscrição "Fora Cabral". Nas portas de bares e restaurantes várias pessoas, principalmente funcionários, saiam para aplaudir e apoiar os manifestantes. Em uma obra do metrô a peãozada se postou em cima dos tapumes para aplaudir e fotografar a passeata.

Mais uma vez a violência policial se fez presente
Mas o distanciamento da casa do Cabral e a falta de um direcionamento acabaram fazendo com que a manifestação de dispersasse em pelo menos três passeatas menores que rumaram em destinos diferentes, o que fez com muitas pessoas fossem embora do ato.
Mesmo assim centenas de pessoas retornaram para a esquina da Delfim Moreira para se juntar aos que ali tinham permanecido. Neste momento a postura da tropa de choque foi cercar os manifestantes. De repente, os policiais começaram a disparar bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, dispersando alguns.
Começou então uma resposta radicalizada de parte do protesto; barricadas foram feitas e pedras foram usadas para proteger os manifestantes. Ante a brutalidade da PM os conflitos se espalharam para o bairro vizinho de Ipanema. Já na Lagoa, onde fica a casa do secretário de segurança José Mariano Beltrame, braço direito de Cabral um grande aparato policial avançou com violência sobre os manifestantes.
Como de costume, policiais agrediram e prenderam dezenas de pessoas. Manifestantes e advogados denunciam que a polícia priorizou prender os que não estavam envolvidos nos confrontos. Aparentemente a PM, sob o comando do governador, preferiu apostar na radicalização dos protestos para ganhar o apoio da classe média e aumentar a repressão policial contra as manifestações. 

Na conta do Papa: Sérgio Cabral quer apagar incêndio com gasolina
Sérgio Cabral se esconde e não vai a coletiva chamada por ele
              (Foto: Arquivo Folha da Manhã/internet)
Durante a ditadura militar o governo anunciava suas medidas através de pronunciamentos ou edição de atos institucionais, como o AI-5. Em coletiva a imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira (18/7) no Palácio Guanabara, era evidente o desconforto da cúpula do governo fluminense. Ainda mais que o governador não se fez presente.
Sérgio Cabral preferiu soltar uma nota repetindo a ladainha de sempre ao acusar os manifestantes de estarem buscando desestabilizar seu mandato ao invés de responder as demandas políticas apresentadas pelo movimento em relação à  saúde, educação, transporte etc.
Em seu lugar, o secretário de segurança José Mariano Beltrame, o comandante-geral da Polícia Militar Erir Costa Ribeiro e a chefe da Polícia Civil Marta Rocha apresentaram as novas medidas em relação aos protestos tomadas em reunião emergencial realizada antes da coletiva.
Na verdade  nada  apresentaram de novo. Só reafirmaram a intenção dos órgãos policiais de tratar a atual onda de protestos usando mais ainda a violência policial, inclusive com a possibilidade de uso de armas de fogo.
Já o governo federal tem solicitado ao Vaticano reforço na segurança do Papa. O general do Exército José Alberto da Costa Abreu já afirmou que "mascarados serão impedidos de entrar. Não é um espaço, lá em Guaratiba, para que um elemento em atitude hostil, utilizando uma máscara, possa entrar. Não vamos permitir que isso aconteça". Demonstrando assim que a intenção do governo Cabral e do governo Dilma vai ser seguir usando a violência policial para reprimir as manifestações. 
Por fim, soaria cômico se não fosse trágico, o comandante-chefe da PM do Rio de Janeiro, ainda durante a coletiva, criticar a imprensa, quando esta questiona a brutal violência usada contra os manifestantes, e lamentar a “ausência” de direitos humanos para os policiais feridos. Esqueceu o coronel da PM de citar a “ausência” de respeito aos direitos humanos por parte da polícia quando atira balas de borracha no rosto de pessoas, incluindo jornalistas e quando chacinou 13 pessoas na comunidade da Maré.
Chegou ao ponto do coronel Erir e do secretário Beltrame afirmarem que não sabem como encerrar as manifestações e confrontos nas ruas do Rio. Nós, juntamente com os milhares que ocupam diariamente as ruas, afirmamos que a única forma de começar a resolver este impasse é a saída imediata de Sérgio Cabral e do vice Luis Fernando Pezão do governo.

Milhares na Maré: solidariedade às famílias das vítimas e à comunidade

Por Miguel Malheiros

Uma chuva miúda ainda caía quando o ônibus se aproximava da passarela 9 da Av. Brasil, o local marcado para o ato. Era como se a natureza também quisesse fazer-se solidária à dezena de assassinados em uma incursão da Polícia Militar, do governador Sergio Cabral, na Maré. 

    Um policial aborda o piloto do ônibus e ordena: “não pode parar, só depois do mercado”. Aproveito e desço.
    Encontro companheiras e companheiros. Aí já estão professoras, professores, camaradas do PSTU, da CSP-Conlutas, do Movimento Mulheres em Luta, do Quilombo Raça e Classe, estudantes.

    A chuva pára. Aqui e ali já se ouvem algumas palavras de ordem. Denúncias do Cabral, da truculência da polícia, do apoio da Globo à ditadura, chamados à greve geral em 11 de julho. Em pouco tempo o ato encorpa, somos milhares.

    Começam as primeiras falas. E aí faltou sensibilidade para dar corpo à ideia de que a luta tem que expandir para além das fronteiras da comunidade, transformar-se em luta geral dos trabalhadores e do povo.

    Digo isso porque não garantiram a fala da CSP-Conlutas. A ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre); o MML (Movimento Mulheres em Luta) e outras organizações também não puderam falar. Todas estavam inscritas, mas não receberam autorização para subir no carro de som. Conseguimos garantir apenas a fala do SEPE-RJ. Mesmo assim os milhares de lutadores que vieram trazer sua solidariedade não arredaram pé do local.

    A pista lateral da Brasil, sentido zona oeste, é interditada. Faixas são penduradas na passarela. Pirulitos com os nomes das vítimas vão sendo erguidos, ao menos uma das vítimas tinha 16 anos. Penso, podia ser meu aluno.

     Espantosamente alguém no carro de som diz: “quatro dos mortos eram inocentes”. Como é? Fazemos um ato para admitir que a polícia do Cabral pode atirar e matar se a pessoa for suspeita de ser do “movimento”, do tráfico? Fazemos um ato para admitir que alguns eram culpados, mesmo sem um processo formal com direito à defesa? Se quatro eram inocentes não havia problema dos demais serem fuzilados? 

    Sempre é bom lembrar nesse país não existe pena de morte. Sempre é bom lembrar que a esse Estado capitalista que mata devemos negar sempre a pena de morte. Devemos negar sempre a redução da maioridade penal. Afinal, sem esses instrumentos foram 25 mortes em 30 dias. Entre as vítimas havia muito em comum, a maioria negros, pobres, moradores da comunidade.

    É fato: uma verdadeira indústria da morte está consumindo os filhos e filhas da classe trabalhadora. São os filhos e filhas da nossa classe que estão vertendo sangue, enquanto uns poucos enriquecem com o tráfico de drogas, irmão gêmeo do tráfico de armas e munições.

    São anos e anos dessa política de guerra às drogas. No Rio de Janeiro essa política deu um salto com a nomeação de Beltrame e com as UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora). Ora, se é pacificadora é porque haveria uma guerra. Em uma guerra matam-se os inimigos. Ataca-se militarmente seu território.

    O resultado prático das UPP’s é que muda a forma como o tráfico de drogas e armas é feito. Para os moradores ficam a militarização da comunidade, os toques de recolher, e ter de aturar todo dia a brutalidade do Estado, de seu aparato repressivo, a PM.

    Chega. É preciso inverter essa lógica que de fato criminaliza a pobreza. Os que enriquecem, aqueles que juntam montanhas de dinheiro com o tráfico de drogas, de armas e munição não estão nas comunidades. É preciso investigar o caminho desse dinheiro sujo com o sangue dos nossos mortos e meter na cadeia os que organizam essa lucrativa indústria da morte. É necessário meter na cadeia os banqueiros que financiam este negócio terrível. Os bens que eles tenham construído explorando essa indústria da morte, devem ser confiscados. Uma boa fórmula é utilizar essa riqueza em clínicas para recuperação de dependentes e campanhas de esclarecimento quanto ao uso das drogas.

    Porém estas medidas devem vir acompanhadas da legalização do comércio e a descriminalização do uso de drogas. A criminalização facilita a corrupção no aparelho estatal, em especial no aparelho policial. A criminalização interessa para os que lucram verdadeiramente com essa indústria. 

   Descriminalizar o uso, legalizar o comércio e estabelecer o monopólio estatal é atacar de frente os interesses dos banqueiros e dos industriais do tráfico de drogas, de armas e munições.

    Tais medidas, em um primeiro momento, podem aumentar o consumo. Elas devem vir acompanhadas da criação de clínicas de recuperação e de campanhas pesadas de esclarecimento sobre o uso e a dependência química, de forma a alcançar resultados parecidos comas campanhas contra o tabagismo.

    Como nos gigantescos atos dos últimos dias, cartazes de cartolina feitos à mão foram erguidos. Em um deles se lia: “Quem policia a polícia?” Desde o carro de som agitaram: “Estado que mata nunca mais”.

    Só é possível policiar a polícia se tivermos uma polícia para defender os trabalhadores e o povo, e não para atacá-los. O Estado que mata é o Estado capitalista, onde a polícia existe para defender os interesses dos ricos e poderosos, os interesses da burguesia.

    É preciso desmilitarizar a polícia, extinguindo a Polícia Militar. Os delegados, os chefes da policia devem ser eleitos. Os policiais devem ter direito de sindicalizar-se, o direito a fazer greves. Devem ter o inalienável direito de não cumprir ordens que signifiquem atacar os trabalhadores e o povo.

Em que tipo de Estado vivemos?

   “Estado que mata nunca mais”? Só é possível concretizar esta consigna se pensarmos em termos de: Estado CAPITALISTA que mata nunca mais!

    Enquanto vivermos sob um Estado dos ricos e poderosos, em um Estado burguês, um Estado capitalista, os trabalhadores, o povo pobre vai ser morto, vai ser atacado pelo Estado.

    É assim em nossas comunidades. É assim com o povo indígena. Foi assim no Pinheirinho. Nos atacam quando lutamos contra o aumento das passagens, quando lutamos pela reeestatização do Maracanã, quando fazemos greves. 

    Precisamos começar a pensar em termos de destruir esse Estado dos ricos e poderosos. Em termos de destruir este Estado burguês e construir outro Estado, um Estado de outra classe social, um Estado dos trabalhadores, um Estado operário.

    Os primeiros momentos dessa reflexão, que esse Estado não é nosso, é dos ricos e poderosos, e esse Estado nos ataca e nos mata já começam a aparecer.

    Os últimos atos gigantescos Brasil afora tiveram muitos e muitos pontos positivos, também no que se refere à consciência política: o combate aos governos e a experiência com o aparato repressivo. Começa a avançar também a experiência que os partidos não são todos iguais.

    As traições do PT, com os governos desse partido se colocando a serviço dos ricos e poderosos, privatizando hospitais, privatizando o petróleo, liberando os transgênicos; as alianças que o PT faz – o vice-presidente da República é do PMDB, mesmo partido do governador Sergio Cabral, governo do qual o PT faz parte, assim como faz parte da prefeitura de Eduardo Paes etc. Estas experiências geraram uma desilusão que levou muitos a pensarem que os partidos são iguais.

    Que essa desilusão com o PT tenha se transformado em desprezo é compreensível, mas a ideia de que todos os partidos são iguais precisa ser enfrentada, trata-se de uma ideia perigosamente errada, e foi usada pelos neonazistas e fascistas. 

   Entre os que gritavam “sem partido” nos atos, estavam também lutadores honestos, que querem realmente construir um mundo mais justo e igualitário. Muitos desses gritavam expressando seu desprezo pelos partidos tradicionais, entre eles o PT. Mas, ao colocar um sinal de igual entre todos os partidos, ou seja, igualando PSDB, DEM, PMDB, PT, e outros, com os partidos da esquerda que se reivindicam socialistas, tiveram, na prática, a mesma palavra de ordem que os fascistas; fizeram, na prática, uma frente única com os neonazistas. 

    Em vários dos atos país afora, muitos dos que gritavam “sem partido” o faziam enrolados em bandeiras verde-amarelas, gritando coisas como: “minha única bandeira é a bandeira do Brasil”. Entre eles estavam os neonazistas. É pouco provável que esse nacionalismo antipartidário se proponha a lutar pelo fim dos leilões do petróleo, ou pela anulação da Reforma da Previdência comprada com a grana do mensalão. Trata-se de uma consciência reacionária que também se expressou nas manifestações.

    No terreno prático esta ideia (sem partido) se materializou na intenção de bandos neonazistas junto com policiais infiltrados de tentarem expulsar fisicamente partidos de esquerda, sindicatos, entidades estudantis, dos atos. Tentaram tomar bandeiras, agrediram e chegaram a ferir gravemente pessoas.

Que desabrochem as flores e os frutos das manifestações

   Porém as sementes qualitativas dos atos da Copa das Manifestações começam a brotar. Aproximando-se o que seria o fim do ato, desde o carro de som começou a se ouvir os primeiros acordes do hino nacional. Uma coluna composta basicamente por jovens, por centenas de jovens, alguns com tambores, que há tempos mostrava seu ânimo, solidariedade e disposição de luta, atravessa a manifestação gritando e cantando em uma só voz, em meio ao hino nacional: “Chega de ironia, esse Estado mata pobre todo dia!”

    Qual estado mata pobre todo dia? O Estado capitalista. Essa é uma das razões que precisamos de outro tipo de Estado, precisamos de um Estado onde os trabalhadores e o povo são quem manda.

    Esses primeiros brotos precisam ser cultivados. O calor e a luz das lutas vão fazê-los desabrochar. Certamente tentarão sufocá-los com tiros, bombas, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, mas é possível que isso os torne mais fortes. Tentarão curvá-los, desviá-los com boatos de golpes, com discursos pela unidade, escondendo a unidade com o inimigo, mas é possível que isso os torne mais conscientes.

    A entrada em cena dos setores organizados da classe trabalhadora, nesse momento a greve geral de 11 de julho, pode ser um bom adubo para ajudar nesse desenvolvimento. E aí, é possível que o futuro nos dê flores e frutos.

4 de julho de 2013

O RIO PAROU ... E MAIS DE CEM MIL FORAM PRA RUA!

O RIO PAROU ... E MAIS DE CEM MIL FORAM PRA RUA!

Quem estava no Rio de Janeiro, ontem (17/6), presenciou um dia histórico: a Avenida Rio Branco, totalmente tomada, da Candelária até a Cinelândia, por bem mais de 100 mil manifestantes. Não se via no Brasil uma manifestação com essa dimensão há 21 anos, ou seja, desde as grandes manifestações do Fora Collor. 
Foram 100 mil só no Rio de Janeiro (RJ) que se somaram as centenas de milhares de milhares de pessoas que ocuparam as ruas em todo o Brasil apenas poucos dias depois da brutal repressão policial, ocorrida dia 13/6, contra as manifestações contra o aumento das passagens que sacudiram várias cidades do país, que deixaram um saldo de centenas de feridos e presos: só em São Paulo foram mais de 200 presos e dezenas de vítimas entre elas 7 jornalistas (dos quais um ameaçado de perder a visão).
         Desta vez havia muito mais estudantes, muitos organizados pela Anel e vindos da UFRJ, da Uerj, da Unirio, da UFF, do Cefet e de escolas estaduais. Estavam ainda presentes, convocados por alguns sindicatos e pela CSP_Conlutas os petroleiros, os servidores públicos federais e estaduais, bancários, comerciários, operários metalúrgicos do Rio, Baixada e Niterói. Além de integrantes dos movimentos de luta contra as opressões, como o LGBT, o Movimento Mulheres em Luta (MML) e o Quilombo Raça e Classe.
A repressão desferida pelos governos estaduais e municipais, no caso Sérgio Cabral e Eduardo Paes no Rio, e que contou com apoio entusiástico do governo Federal, do PT e burguesia e seus meios de comunicação desta vez não pode se impor e os trabalhadores e a juventude puderam desfilar sua disposição de luta por toda a avenida.
  

Não é só por 0,20 centavos, é por nossos direitos!

 
Mas por que o Brasil foi às ruas neste histórico dia 17 de junho de 2013? 
Começou com a luta contra o aumento das passagens e por melhorias nos transportes públicos, mas desde a brutal repressão do dia13/6 as manifestações expressam um profundo descontentamento que vai desde os primeiros sinais da desaceleração da economia e aumento da inflação, dos baixos salários e do crescente endividamento das pessoas até a revolta contra o sucateamento dos serviços públicos e roubalheira bilionária das obras para a Copa do Mundo.
E, em todos estes assuntos, a culpa é do governo Dilma, do PT; que respondem aplicando ainda mais o velho receituário tucano do neoliberalismo,  associado às políticas sociais compensatórias) e pautado no superávit primário, juros altos e câmbio flutuante, aplicando mais cortes no orçamento da saúde e educação e diminuindo ainda mais o poder de compra dos salários.
Uma das expressões desse processo foi a primeira queda da popularidade da Dilma de 8 % e as vaias contra a presidenta durante a abertura da Copa das Confederações em Brasília tirando da sua zona de conforto nos índices de popularidade.

Lutemos juntos contra os governos

 Tem sido comum ouvir os gritos de “sem partido” ou “abaixem as bandeiras” nas manifestações entendemos esse rechaço aos partidos dominantes pela prática corrupta e de defesa da burguesia dos partidos majoritários e nos somamos a ele.
Em particular, entendemos esse repúdio como uma expressão do desencanto com o PT, partido que se anunciava “contra tudo o que está aí” e que, quando está no governo, é o maior defensor do “que está aí”: a mesma corrupção, a mesma prática política.
Mas infelizmente nesta passeata ocorreu algo muito grave. Grupos anarquistas e neofascistas quiseram tentaram arrancar nossas bandeiras das mãos de nossos militantes, e vimos isto ocorrer em outras cidades.
Nem a ditadura conseguiu fazer com que baixássemos nossas bandeiras e não vai ser qualquer grupo anarquista ou neofascista que irá fazê-lo. Todos têm direito de levantar suas bandeiras e faixas ou de não fazê-lo.
Entendemos o sentimento antipartido da população, mas não vai se impor nenhuma visão autoritária baseada no atraso; pois rejeitaremos duramente qualquer tentativa de imposição autoritária e violenta sobre o que defendemos ou deixamos de defender, e isso inclui nossas bandeiras.
Lutemos juntos contra os governos. Esse tipo de postura só divide e enfraquece o movimento. Enquanto a polícia nos atira bombas, é um enorme equívoco dividir a luta. 
Chega de repressão! Dilma, assim não dá! O povo vai continuar na rua!


Contra a repressão ao movimento e aos lutadores! Liberdade para os presos!


Há uma visível ofensiva da burguesia e dos governos contra o direito à manifestação e protestos. O governo Dilma e os governos estaduais reprimem greves de trabalhadores (como a dos operários de Belo Monte), manifestações indígenas (Terenas, no Mato Grosso do Sul) e, agora, qualquer tipo de manifestação contra os gastos da Copa e contra o aumento do transporte.  Como foi feito na África do Sul, sede da Copa anterior, o governo Dilma tenta impor um retrocesso aos direitos fundamentais da população.
Ainda diversos manifestantes seguem presos arbitrariamente sob falsas acusações por parte da polícia e do estado. É necessário que mais entidades sindicais e populares e advogados dos movimentos sociais se coloquem a disposição do esforço pela libertação imediata desses verdadeiros presos políticos e o acompanhamento dos processos judiciais.

O povo vai seguir na rua. Dia 20/6, quinta-feira, estaremos de volta às ruas. Concentração será na Candelária, às 17 horas. O PSTU estará presente exigindo:
- Revogação dos aumentos das passagens! Sem oneração para os cofres públicos!
- Abaixo a repressão! Em defesa do direito de mobilização! Punição para os mandantes da repressão!
- Unificar as lutas em um dia nacional contra o aumento dos transportes e a repressão!
- Pelo transporte público e gratuito! Estatização dos transportes!
- Pela desmilitarização da PM! Fim da tropa de choque!
- Dilma, congele os preços dos alimentos e tarifas!
- Dilma, revogue as privatizações dos estádios como o Maracanã!
- Pela suspensão dos leilões do petróleo! Petrobrás 100% estatal!
- 10% PIB para educação!
- 2% do PIB para o transporte!