Tropa de Elite 2 é “de esquerda”?


Cartaz de divulgação
Amparado por um mega-esquema de distribuição e publicidade, a seqüência do filme Tropa de Elite cravou um recorde no cinema brasileiro ao levar mais de 2,6 milhões de espectadores em seus primeiros dias de exibição. A superprodução traz de volta o personagem que se tornou parte do pop nacional, o protagonista Capitão Nascimento, interpretado com espantoso realismo por Wagner Moura.

Tropa de Elite 2 vem sendo apontado como uma profunda inflexão em relação ao primeiro longa. O próprio título já anuncia tal mudança: “Agora, o inimigo é outro”. E, de fato, nesse filme o foco se altera. Embora ainda vejamos a história sob os olhos e a perspectiva do capitão do Bope, agora a câmera desvia dos traficantes dos morros cariocas para a própria polícia. Mas seria um filme “progressivo”, como muitos vem apontando?

Milícias
Logo de cara, o filme começa com o agora Coronel Nascimento, mais velho, comandando uma ação do Bope para acabar com uma rebelião de presos em Bangu I, desatada por uma briga entre facções rivais. Após deixar uma quadrilha praticamente trucidar a outra, Nascimento pede autorização ao governador do Rio para permitir que seus homens invadam o presídio e “termine o serviço”, ou seja, aproveitar a oportunidade para eliminar alguns dos líderes do tráfico.

Temendo um banho de sangue e uma repercussão negativa na imprensa, o governador resolve atender a exigência de um dos traficantes, interpretado por Seu Jorge, e manda o ativista de direitos humanos, Diogo Fraga, (muito bem interpretado por Irandhir Santos) a fim de tentar dialogar com os presos. O ativista é o alterego do atual Deputado Estadual do PSOL, Marcelo Freixo. Embora Fraga consiga controlar a rebelião, o Bope invade o presídio e acaba matando o líder da rebelião.

A ação atabalhoada do Bope e a morte de vários presos causam comoção na imprensa e Nascimento é afastado do comando do batalhão. Mas, temendo contrariar alguns setores da classe média que vêem o capitão como um herói, Nascimento não é rebaixado, mas promovido a subsecretário de Segurança Pública.

E é nesse ambiente dos gabinetes que se passa boa parte da história. Nascimento usa seu prestígio para aumentar e equipar o Bope, transformando o batalhão em uma “máquina de guerra”. A repressão acaba com o domínio do tráfico nos morros, mas abre espaço para um outro tipo de crime organizado. E é aí que aparecem as milícias que, na ausência dos grandes traficantes, acabam dominando as comunidades, através de métodos típicos de gangues, e protegidos por uma série de políticos com o próprio governador à frente.

A partir daí, o ex-comandante do Bope se envolve numa luta cujos inimigos não são mais descamisados empunhando fuzis nos morros, mas políticos engravatados nos gabinetes. Fraga, antes visto com desconfiança por Nascimento (que insiste em chamá –lo de “intelectualzinho de esquerda”), torna-se o seu único aliado nessa briga. O maior mérito do filme é, sob essa nova perspectiva, expor as relações entre a polícia corrupta e os políticos (ou o “sistema”, como diz Nascimento). E tem também, compondo essa tríade bizarra, o apresentador fascistóide do jornal sensacionalista na TV, que em frente às câmeras prega o extermínio dos bandidos, mas que por detrás delas apoia a milícia e se elege deputado por meio delas.

Tropa de Elite e o “sistema”
É inegável que esse segundo Tropa de Elite é bem mais complexo que o tosco maniqueísmo pintado no primeiro filme. Mas até onde vai a mudança de foco sugerida pelo diretor? Ele rompe de fato com o ranço fascista do primeiro filme?

Acusar José Padilha de direitista não seria justo, haja visto filmes como Ônibus 174 e o documentário Garapa, sobre a fome. Por outro lado, apesar de inúmeras declarações contrárias do próprio Padilha, não dá para ignorar que Tropa de Elite, o primeiro, flerta sim com o fascismo. A escolha do narrador e, conseqüentemente, da perspectiva pelo qual vamos acompanhar a história, não é algo neutro. Assim, Padilha decidiu contá-la através dos olhos de um policial, para quem a tortura e o assassinato a sangue frio são plenamente justificáveis. Para quem a culpa do tráfico é do usuário de drogas, supostamente responsável por manter e financiar o crime.

Os reflexos do filme na sociedade tornam difícil refutar essa ideia. Os policiais do Bope, romantizados e glamourizados pelo filme, tornaram-se estrelas, a ponto de serem aplaudidos em Ipanema. O caveirão, que invade as favelas e aterrorizam a população, acabou se tornando brinquedo de criança. No cinema, cada tiro é comemorado, por vezes de forma efusiva, pelos espectadores. Será que ninguém foi esperto o suficiente para entender as reais intenções do filme, como quis se justificar Padilha? É difícil de engolir.

Já Tropa de Elite 2, constitui uma contundente denúncia contra as milícias e suas ramificações, chegando até certo ponto a questionar o próprio caráter da polícia (nesse sentido, a fala final de Nascimento durante a CPI das milícias não deixa de ser surpreendente). Porém, ele não rompe com os pressupostos do primeiro filme. Fica implícito que o tal “sistema” tão denunciado por Nascimento limita-se à banda podre da polícia e suas extensões parlamentares. Pode-se dizer, assim, que o que Padilha fez, grosso modo, foi aglutinar o discurso da ética na política ao bangue bangue rasteiro de seu filme anterior.

Desse ponto de vista, não basta ser “faca na caveira”. Tem que também ser “ficha limpa”.

LEIA MAIS

Manifesto dos professores universitários pelo Voto Nulo

     
     Nesta eleição a direita – entendida como a representação da grande burguesia –não está representada apenas por Serra, mas também por Dilma. No Brasil, as grandes empresas estão divididas nas eleições. Um setor apóia Serra, o que é mais do que evidente nas empresas de TV e nos principais jornais. Mas a maioria do grande capital, no entanto, que inclui os banqueiros, as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas.
      As duas são financiadas pela grande burguesia. A campanha de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra, até agora. O dólar se manteve estável nas eleições, estando abaixo de R$ 1,70. Todos nos lembramos do dólar perto dos R$ 4 nas vésperas das eleições de 2002, quando a burguesia ainda temia o que podia ser o governo Lula. Agora o grande capital confia no PSDB... e no PT.
      Votar Dilma ou Serra é manter o plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É manter bloqueada a reforma agrária, como aconteceu no governo FHC e também no de Lula. É aceitar a ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.
Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras velhas figuras da mesma direita.
      Não existe um “mal menor” nesse segundo turno. Votar em Dilma ou Serra vai fortalecer um deles para atacar com mais força os direitos dos trabalhadores. Um governo do PSDB ou do PT vai atacar duramente os trabalhadores quando a crise econômica internacional chegar novamente ao Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Cada voto dado em Dilma ou Serra é uma força a mais que eles terão para aplicar uma nova reforma da Previdência.
      Cada voto dado em Dilma ou em Serra ampliará a força do novo governo eleito para atacar os trabalhadores. Não se pode esquecer a crise econômica internacional que se avizinha. Não é por acaso que tanto Dilma quanto Serra já manifestaram que vão implementar uma nova reforma da Previdência assim que eleitos.
      Cada voto nulo nesse segundo turno significará menos força para o governo eleito. Foi impossível para a luta dos trabalhadores nessa conjuntura romper a falsa polarização eleitoral entre as duas candidaturas. Mas é necessário expressar nossa rejeição às duas alternativas patronais em disputa. Não serão eleitos em nosso nome.


Henrique Carneiro FFLCH/USP

Álvaro Bianchi IFCH/Unicamp

Ruy Braga FFLCH/USP

Valério Arcary CEFET/SP

Rodrigo Ricupero FFLCH/USP

 


LEIA MAIS

  • PSOL e PCB defendem voto "contra Serra". Ou seja, no PT. Leia notas dos partidos


  • Maioria dos parlamentares do PSOL vai de Dilma. Janira (RJ) defende voto nulo


  • Serventuários do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em greve por tempo indeterminado



    da página da CSP-Conlutas

    Em assembléia geral realizada ontem, dia 18, às 18h30, em frente ao Fórum Central, os serventuários da Justiça do Rio de Janeiro decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado a partir de hoje, dia 19 de outubro.
    O movimento paredista foi a resposta da categoria ao descaso do presidente do tribunal, desembargador Luiz Zveiter que havia se comprometido em dar uma solução no dia 18, sobre o pagamento de 24% para a categoria, pondo fim a uma luta de quase 23 anos em busca do reconhecimento deste benefício.

    A esquerda socialista e o segundo turno

    Polarização entre Dilma e Serra esquenta debate sobre a melhor forma de combater a direita



     Eduardo Almeida Neto
    da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista 

         Está havendo uma pressão grande do governo e seus apoiadores no sentido de votar na Dilma “para evitar a volta da direita”. Temos acordo completo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC. Os governos do PSDB foram fundamentais para introduzir o neoliberalismo no Brasil, com privatizações e ataques aos direitos dos trabalhadores. Por isso, o PSTU atacou com clareza este partido na TV e teve o programa final da campanha presidencial retirado do ar, a pedido de Serra.
         Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Rousseff. Não podemos adotar a luta unicamente contra Serra, sob pena de capitular à pressão da colaboração de classes praticada pelos governos do PT.
    Infelizmente o PSOL acabou cedendo a essa pressão e está defendendo nesse segundo turno o “Não à Serra”, o que significa, na prática, o chamado ao voto em Dilma Rousseff. Os três deputados federais e um dos dois senadores eleitos por esse partido apóiam explicitamente a candidatura Dilma nesse segundo turno. O PCB também se definiu pela mesma posição. Isso, na prática, legitima a falsa polarização entre os dois projetos majoritários da burguesia. Reconhece na candidatura Dilma a expressão da “esquerda” nessas eleições, o que é completamente equivocado.

    Tanto Serra quanto Dilma vão atacar os direitos dos trabalhadores
         Nessa campanha, a direita – entendida como a representação da grande burguesia –não está representada apenas por Serra, mas também por Dilma. No Brasil, as grandes empresas estão divididas nas eleições. Um setor apóia Serra, o que é mais do que evidente nas empresas de TV e nos principais jornais. Mas a maioria do grande capital, no entanto, que inclui os banqueiros, as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas.
         As duas são financiadas pela grande burguesia. A campanha de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra, até agora. O dólar se manteve estável nas eleições, estando abaixo de R$ 1,70. Todos lembramos do dólar perto dos R$ 4 nas vésperas das eleições de 2002, quando a burguesia ainda temia o que podia ser o governo Lula. Agora o grande capital confia no PSDB... e no PT.
         Votar Dilma ou Serra é manter o plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É manter bloqueada a reforma agrária, como aconteceu no governo FHC e também no de Lula. É aceitar a ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.
         Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras velhas figuras da mesma direita.
          Não existe um “mal menor” nesse segundo turno. Votar em Dilma ou Serra vai fortalecer um deles para atacar com mais força os direitos dos trabalhadores. Um governo do PSDB ou do PT vai atacar duramente os trabalhadores quando a crise econômica internacional chegar novamente ao Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Cada voto dado em Dilma ou Serra é uma força a mais que eles terão para aplicar uma nova reforma da Previdência.
         Por vezes, é necessário saber ficar em minoria, quando é necessário. O PSTU defende com clareza o voto nulo nesse segundo turno, e chama os outros partidos de oposição de esquerda socialista a se somarem a essa posição. Essa é a melhor maneira de começar a preparar a luta direta dos trabalhadores contra o novo governo eleito.

    LEIA MAIS

  • PSOL e PCB defendem voto "contra Serra". Ou seja, no PT. Leia notas dos partidos


  • Maioria dos parlamentares do PSOL vai de Dilma. Janira (RJ) defende voto nulo

  • Estudantes da ANEL realizam ato pela gratuidade na UFF

    Cartaz da Campanha pelo Sim
     Vinícius Lima, de Niterói

         Na manhã desta segunda-feira cerca de 250 estudantes da UFF, de diversos cursos como Serviço Social, Letras, Geografia e outros, ocuparam o conselho universitário (CUV), maior órgão de deliberação da universidade, para exigir o referendo a decisão do plebiscito sobre a gratuidade no ensino. Como não podia ser diferente, estudantes da ANEL estiveram presentes ao ato que foi o ponto alto de toda a construção da campanha desde o plebiscito.

    O plebiscito
        O plebiscito, uma conquista do movimento unificado (estudantes, técnicos e docentes), estava emperrado pela burocracia universitária desde meados da década de 90 quando se iniciou a discussão pela reformulação do estatuto da universidade. Se beneficiando de brechas no estatuto, elaborado pela ditadura militar, setores oportunistas aproveitavam para instituir na universidade uma verdadeira farra dos cursos pagos, administrados pela obscura Fundação (privada) Euclides da Cunha. Mesmo com toda tentativa de manobra por parte da REItoria, a vitória foi esmagadora: 49 votos contra 4 (localizados entre professores da Escola de Engenharia, o setor mais conservador da universidade).
         Este ato foi mais um reflexo da "CAMPANHA NACIONAL PELA QUALIDADE DO ENSINO", da ANEL. Agora, os estudantes vão se reunir e continuar a mobilização para garantir a implementação da gratuidade plena em todos os cursos da universidade (seja na graduação, na pós...) e para pôr um fim a Fundação Euclides da Cunha e acabar com processo de privatização da educação que teve um novo impulso com os pacotes da autonomia do governo Lula.

    "NÃO PAGO, NÃO PAGARIA! EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!!!"
    "AH! EU JÁ SABIA! GRATUIDADE VAI VALER NA ENGENHARIA!!!"

    No vale-tudo eleitoral, PT abandona as mulheres

    Para garantir a vitória no segundo turno, partido renega posições históricas, como a defesa do aborto e do casamento gay

    Há algum tempo que o Partido dos Trabalhadores abandonou a luta contra a opressão de mulheres, negros e homossexuais. A defesa já soava como uma mera saudação à bandeira, já que o governo não teve políticas efetivas para estes setores. Mas agora, para vencer as eleições, o partido abandona oficialmente a luta contra a opressão.


    Dilma Rousseff vai fazer uma ofensiva religiosa, e o PT discute a retirada da legalização do aborto do programa. O partido avalia que não venceu a eleição no primeiro turno devido ao voto evangélico e conservador, que teria migrado para a candidatura Marina (PV).
    O secretário de Comunicação do PT disse que “foi um erro ser pautado internamente por algumas feministas”. Com isso, a decisão do PT poderá ser um marco da ruptura definitiva com o feminismo, que cumpriu um papel importantíssimo na história deste partido. E deixa órfãs as organizações feministas governistas, como a Marcha Mundial de Mulheres.
    Rasgando o programa
    Dias antes das eleições do 1º turno, o PT já havia percebido a influência que poderiam ter as posições religiosas. No dia 29 de setembro, a campanha reuniu, em Brasília, padres e pastores com o objetivo de ganhar o apoio cristão. Agora, o PT busca conter o que chama de “boataria” contra sua candidatura.

    Dilma colocou-se contra até mesmo a um plebiscito sobre a descriminalização do aborto. “Plebiscito divide o país e vai todo mundo perder, seja qual for o resultado”, afirmou. Ela garantiu aos católicos e evangélicos que não irá ampliar a cobertura do Estado em casos de aborto.
    Muda muita coisa? Não, apenas oficializa uma posição que já era aplicada. O governo não fez absolutamente nada para descriminalizar e legalizar o aborto. Tampouco garantiu atendimento às vítimas de procedimentos mal sucedidos. Ao contrário, desviou recursos da saúde para pagar juros das dívidas públicas aos banqueiros.
    Em 2008, o PT foi parte da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Contra o Aborto, que instituiu a CPI do aborto. Esta comissão, até hoje, só serviu para incriminar as mulheres. Continuando a série de ataques, em 2009, o governo brasileiro assinou um acordo com o Vaticano em que sinalizou a intenção de investir em ações contrárias à legalização do aborto. Em 2010, o governo enterrou a possibilidade de debate sobre o tema: retirou do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) o apoio à descriminação do aborto e as cláusulas que permitiam ampliar os casos de aborto legal.

    Matando mulheres
    A proibição por si só já constitui um ataque à liberdade que a mulher deveria ter sobre seu próprio corpo. As consequências desta arbitrariedade levam a uma situação desoladora. No Brasil, são realizados, em média, 1,4 milhão de abortos por ano. A morte por aborto é a terceira causa de mortalidade materna no Brasil, e as complicações são a quinta causa de internação de mulheres nos serviços públicos. Os dados são da Sempre Viva Organização Feminista.

    Evidentemente, as mulheres mais atingidas são as trabalhadoras e pobres, que não podem pagar para fazer cirurgias em clínicas de qualidade, com a segurança necessária. É justamente nas regiões mais pobres do país, Norte e Nordeste, onde é registrado o maior número de mortes. Para as mulheres da burguesia, na prática, o aborto já é permitido.

    Segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Medicina Social (IMS), de 2007, “a criminalização do aborto não reduziu a sua incidência, mas sim tem contribuído para aumentar a sua prática em condição de risco com impactos graves para a saúde e a vida das mulheres”. O aborto é um problema de democracia, de saúde e social.

    Para padres e pastores, Dilma disse ser a favor da vida. Na prática, ela entrega à morte centenas de milhares de mulheres trabalhadoras e pobres. Respeitamos imensamente as crenças individuais, mas não hesitamos em dizer: neste tema, as instituições religiosas são contra a vida. Sob o argumento de defesa da vida, deixam milhões de mulheres pobres e trabalhadoras morrerem em função de abortos mal feitos.

    Um Estado laico?
    O que pode parecer apenas uma disputa eleitoral representa um retrocesso que terá implicações gravíssimas sobre a consciência dos brasileiros. Subordinar o Estado a preceitos religiosos é voltar à Idade Média. Só falta queimar as mulheres que abortam numa fogueira.

    A principal recomendação conclusiva do estudo do IMS foi justamente “a busca de soluções eficazes no âmbito da saúde pública, sem interferência de dogmas religiosos”. O governo Lula é responsável direto por este retrocesso. O “respeito às diferentes crenças, liberdade de culto e garantia da laicidade do Estado” foi uma das cláusulas excluídas do PNDH 3.

    Quanto a Serra, este nunca teve compromisso com as trabalhadoras. Antes mesmo de a campanha começar, em maio de 2010, afirmou: “Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação”.
    Já Marina cresceu nas eleições, em parte por ser contra a legalização do aborto. E é difícil acreditar até mesmo em sua proposta de plebiscito sobre o tema. Marina historicamente condena o aborto e esta proposta serve como forma de escapar do debate.

    Mulheres e mulheres


     
    Não basta ser mulher. Aliás, quem não se lembra de Marta Suplicy retirando de seu programa a união civil homossexual para tentar se eleger prefeita de São Paulo? Ou sua campanha, num gesto de desespero, questionar a opção sexual do adversário, Kassab? A campanha foi um divisor de águas e marcou um giro do PT, que veio se completar com a dobradinha para o Senado com Netinho, agressor de mulheres, e agora, com o triste abandono da defesa do aborto e do casamento gay.

    A luta feminista é necessariamente de classe. Para as mulheres burguesas, tudo é permitido, tudo se compra. Nós, mulheres do PSTU, acreditamos na força das mulheres trabalhadoras unidas, independente de governo e patrões. Apoiamos e construímos o Movimento Mulheres em Luta.

    Nós nos orgulhamos de ter em nosso programa a defesa da legalização e descriminalização do aborto, defendida por nosso candidato à Presidência, Zé Maria, e por todos os outros candidatos no primeiro turno.

    Não mudamos de lado. Vamos continuar defendendo o mesmo programa depois das eleições. Para a defesa dos direitos das mulheres, negros e homossexuais, nem Serra, nem Dilma. O voto contra o conservadorismo, no segundo turno, é o voto nulo.

    Como lutar contra a direita nas eleições? Votando nulo

    No governo FHC, os bancos lucraram R$ 35 bilhões, uma soma fantástica. Mas no governo Lula, os lucros dos bancos cresceram ainda mais, chegando a R$ 170 bilhões.
    Eduardo Almeida Neto
    da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista 

    O governo Lula teve uma vitória parcial no primeiro turno das eleições de 2010. Como nas eleições de Lula em 2002 e 2006, derrotou a oposição de direita, mas teve de amargar um inesperado segundo turno entre Dilma e Serra.

    Lula ampliou a maioria que já tinha na Câmara dos Deputados, passando de 380 para 402 deputados, deixando o bloco PSDB-DEM com 118 deputados. Ganhou pela primeira vez a maioria também no Senado, passando de 39 para 59 senadores. Por último, mas não menos importante, ainda ampliou o número de governos de Estado no primeiro turno, passando a governar mais estados de peso como o Rio Grande do Sul.

    Mesmo assim, não houve grandes comemorações no campo governista. A inesperada passagem para o segundo turno mostrou que sua candidata perdeu 7% dos votos em dez dias. Marina Silva, que capitalizou a maior parte do desgaste de Dilma, sai fortalecida e com peso importante nesse segundo turno.

    A oposição de direita se fortaleceu nessa reta final. Tem o apoio majoritário e maciço das empresas de TV e jornais. Mesmo tendo sofrido uma derrota eleitoral, ganhou um alento com a passagem para o segundo turno e a vitória em São Paulo e Paraná.

    O resultado do segundo turno está completamente aberto. Vai depender de um grande número de fatores como a posição de Marina Silva, a descoberta de novos fatos dos escândalos de corrupção, o comportamento nos debates etc. Mesmo assim, a popularidade – cerca de 80% – do governo Lula torna a hipótese de vitória de Dilma o mais provável resultado do segundo turno.

    Crescimento de Marina
    A candidatura de Marina foi concebida inicialmente como um instrumento auxiliar da campanha de Serra, cujo objetivo era dividir o voto feminino e petista de Dilma. Marina esteve apagada em boa parte da campanha, não se diferenciando em nada das campanhas majoritárias e espremida num patamar de 8 a 9%. Só cresceu a partir do desgaste de Dilma com as denúncias de tráfico de influência. Capitalizou a queda parcial da petista num eleitorado que resistia a seguir o PSDB, com componentes de esquerda e direita.

    Marina ocupou uma parte do espaço que foi de Heloísa Helena em 2006 com o discurso de ética na política. Mas uma candidata do PV, um partido que tem em sua direção Zequinha Sarney, falando em ética, é ridículo. O PV está presente em todo tipo de governo estadual, completamente apegado às verbas do Estado.

    Marina cresceu também a partir de uma manobra de direita: a campanha realizada por setores evangélicos mostrando que Dilma seria favorável ao aborto.

    Isso teve grande impacto em setores populares que não tinham sido afetados pelas denúncias de corrupção e tráfico de influência do PT. Marina Silva saiu em defesa clara de uma posição reacionária contra o aborto e questionando Dilma. A petista ficou na defensiva e disse que também era contra o aborto.

    Agora Marina terá de decidir o apoio a Serra ou a Dilma. Pode também se manter numa semineutralidade, liberando o voto. De uma forma ou de outra, surge como uma força ascendente das eleições, mais uma arma nas mãos da burguesia.

    A falsa polarização entre dois projetos semelhantes (Dilma e Serra) foi rompida nas eleições, com os quase 20% dos votos em Marina. No entanto, trata-se de outra falsa opção porque, em todas as questões fundamentais, como no plano econômico e na relação com o imperialismo, Marina expressou total acordo com o PT e PSDB.

    Quem é a direita?
    Governo, PT, PCdoB e CUT farão uma enorme campanha pelo voto em Dilma, argumentando que é necessário evitar a volta da direita. Nós também somos contra a volta do PSDB-DEM ao governo.

    Durante a campanha eleitoral, o PSTU foi duramente atacado pelo PSDB. Por duas vezes tentaram tirar nosso programa de TV do ar. Na primeira vez, porque mostramos como FHC tratava os aposentados e os chamou de vagabundos. Conseguimos manter nosso programa nessa vez, mas não na segunda.

    Quando Serra atacava Dilma ligando a petista à corrupção, mostramos em nosso programa que Serra também esteve ligado ao governo Arruda, do Distrito Federal. O PSDB conseguiu tirar nosso programa final do ar.

    Não queremos que a oposição de direita retorne. O governo FHC é lembrado pelos trabalhadores pelas privatizações e ataques aos trabalhadores. Serra seria uma continuação piorada de FHC por conta da crise internacional que se avizinha.

    É necessário lutar contra a direita, mas isso não significa votar em Dilma. Muitas vezes os termos “esquerda” e “direita” são bastante imprecisos. Hoje essa indefinição é tão ampla que inclui na “esquerda” a socialdemocracia europeia que administra o capitalismo há décadas na Europa. Ou ainda o PSB no Brasil que apresentou como candidato ao governo de São Paulo o presidente da Fiesp.

    Os marxistas definem a localização das posições políticas a partir da classe social representada. Aí a confusão desaparece. Para nós, os representantes da “direita” são os defensores da grande burguesia e do imperialismo. E como estão a grande burguesia e o imperialismo nessas eleições?

    Os banqueiros estão financiando as duas campanhas, e é provável que estejam dando mais dinheiro para Dilma que para Serra. Eles têm todas as razões para confiar em ambos. Durante os dois governos FHC, os bancos lucraram R$ 35 bilhões, uma soma fantástica. No entanto, nos dois governos Lula, os lucros dos bancos cresceram ainda mais, chegando a R$ 170 bilhões. Não por acaso, num dos jantares de apoio a Dilma estava presente o banqueiro Safra, uma das maiores fortunas do país.

    As grandes empresas, como um todo, quadruplicaram seus lucros no governo Lula. Este é o motivo pelo qual, no início de setembro, as empresas já tinham doado R$ 39,5 milhões para a campanha de Dilma e R$ 26 milhões para a de Serra.

    É verdade que a maioria das grandes empresas de comunicação, incluindo TVs e jornais, apoiam Serra. Isso possibilita ao governo uma imagem de vítima perante a burguesia. No entanto, Lula e Dilma têm a seu lado pesos pesados como a Vale, Eike Batista e inúmeros outros empresários.

    O apoio dos governos imperialistas também é uma referência importante para identificar quem representa a grande burguesia nas eleições. É indiscutível que todos eles estão muito tranquilos com as eleições no país, porque sabem que seus interesses estarão garantidos com PT ou PSDB. E também é inegável que Lula conta com uma enorme simpatia entre esses governos. Não é por acaso que conseguiu a realização da Copa e da Olimpíada no país, o que está sendo muito usado na campanha eleitoral.

    Por último, podemos ter como referência a posição dos políticos da direita tradicional, que sempre representaram a burguesia no país. Obviamente o PSDB e o DEM são partes importantes dessa representação política. Mas se pode dizer a mesma coisa de Sarney, Collor, Maluf, Jader Barbalho que apóiam Dilma.

    Voto nulo no segundo turno
    Na verdade, temos dois representantes da grande burguesia e da direita nesse segundo turno. Dilma é apoiada pelo PT, pela CUT e por uma parte da esquerda do país, por expressar a colaboração de classes entre a grande burguesia (que mandou no governo Lula assim como no de FHC) e os trabalhadores. Essa é a grande confusão política existente hoje entre os trabalhadores. Não ajudaremos a ampliar essa confusão.

    Cada voto dado em Dilma ou em Serra ampliará a força do novo governo eleito para atacar os trabalhadores. Não se pode esquecer a crise econômica internacional que se avizinha. Não é por acaso que tanto Dilma quanto Serra já manifestaram que vão implementar uma nova reforma da Previdência assim que eleitos.

    Cada voto nulo nesse segundo turno significará menos força para o governo eleito. Foi impossível para a luta dos trabalhadores nessa conjuntura romper a falsa polarização eleitoral entre as duas candidaturas. Mas é necessário expressar nossa rejeição às duas alternativas patronais em disputa. Não serão eleitos em nosso nome.

    Zé Maria convida: venha para o PSTU!

    Zé Maria, presidente: Uma campanha operária que remou contra a maré

    Sem concessões e enfrentando a censura da grande imprensa, candidatura de Zé Maria foi a única a bater de frente com Lula 
    Diego Cruz, da redação


    Mais do que nunca, pode-se dizer que o PSTU remou contra a maré. Contra a ideia dominante de que o Brasil está melhorando cada vez mais, a campanha Zé Maria mostrou um país diferente, mais próximo à realidade de milhões de trabalhadores, que convivem cotidianamente com o aumento do ritmo de trabalho e da exploração, com os baixos salários e os serviços públicos precarizados.

    O perfil da campanha reforçou inclusive o veto da grande mídia ao PSTU. Se normalmente o partido, assim como os movimentos sociais e populares, já é escondido e estigmatizado na grande imprensa, nessas eleições a candidatura de Zé Maria sofreu uma verdadeira censura velada dos grandes veículos de comunicação.

    Da mesma forma, a candidatura do PSTU foi a única a bater de frente com o governo Lula, denunciando seu caráter neoliberal, num momento em que até mesmo os candidatos de esquerda se mostravam intimidados com a alta popularidade do presidente.

    No Brasil real mostrado nos parcos 55 segundos do horário eleitoral, estavam também as lutas dos trabalhadores. O PSTU utilizou parte de seu tempo para divulgar as mobilizações dos bancários, metalúrgicos, petroleiros, professores e a dos funcionários dos Correios. A luta dos movimentos sociais e populares também esteve representada, com a divulgação do plebiscito da Terra e da jornada de luta que teve a participação do MTST.

    Contra a homofobia e as opressões
    Enquanto Dilma, Serra e Marina disputavam, na reta final, o voto conservador, atacando medidas como a descriminalização do aborto, Zé Maria defendeu a campanha inteira o apoio incondicional às mulheres e ao direito ao aborto. Da mesma maneira, foi o único candidato que defendeu explicitamente o casamento gay, enquanto os demais presidenciáveis, inclusive da esquerda, esquivavam-se da questão.

    O programa do PSTU sobre o combate às opressões, denunciando o racismo, o assassinato de mulheres e defendendo o casamento gay, causou polêmica ao levar o beijo gay ao horário nobre da TV. “Bem que Glória Perez tentou, mas a primazia de fazer a Globo carioca exbir um beijo gay no horário nobre será parar sempre do PSTU”, chegou a escrever o colunista de O Globo, Xexéo.

    Uma campanha operária
    A maior diferença entre a campanha de Zé Maria, porém, pôde ser vista em seu caráter operário. Uma campanha que ocorreu, sobretudo, nas bases das categorias, como entre os operários metalúrgicos e da construção civil, professores, funcionalismo público e os estudantes.

    Foi o contraponto do PSTU à barreira erguida pela grande imprensa. Além da campanha na base, Zé Maria, junto às candidaturas de Ivan Pinheiro (PCB) e Rui Pimenta (PCO), participou do debate dos candidatos da esquerda socialista mediado pelo jornal Brasil de Fato. Mais que um debate, foi um importante ato contra o veto da grande mídia às candidaturas da esquerda.

    Um balanço positivo
    Os 84.500 votos em Zé Maria não foram muitos, expressão de uma conjuntura desfavorável e uma esquerda fragmentada, além do boicote midiático. Mas o PSTU teve uma importância fundamental nessas eleições, contribuindo para a elevação do nível de consciência dos trabalhadores. E, com certeza, o partido sai delas maior e mais consolidado do que entrou.

    LEIA MAIS
  • No 2º turno, o voto contra a direita é o voto nulo




  • Veja a votação do PSTU no RJ e em nível nacional






  • Rafael Nunes, candidato da juventude, agradece votos e chama a luta!

    Rafael Nunes ao lado de Zé Maria
     Agradecimento

    Quero em nome da juventude do PSTU - Rio agradecer a todos(as) que de algum jeito contribuíram para a campanha eleitoral 2010. Mais uma vez cumprimos com nosso papel ao apresentarmos um programa coerente e concreto para as lutas sociais e para a construção de uma sociedade socialista.
    Nessas eleições, nossos desafios sem dúvida foram maior que o habitual. Além da falta de verbas, para colocar as campanhas nas ruas, o boicote da mídia e a falta de democracia do Estado. Nos apresentamos com nossa própria cara e com candidatos inexperientes e da juventude. Os resultados parciais em número de votos, mas principalmente o espaço político ocupado e colocam uma grande vitória em relação a esse aspecto pontual dos nossos candidatos proporcionais. Os jovens saem mais fortalecidos para brigar contra os grandes ataques que se avizinham com a ida de Serra e Dilma para o segundo turno e também contra aqueles que rebaixaram seus programas para alcançar o mundo dos votos.
    Temos uma revista publicada que materializa nossas discussões e apresenta um programa que disputa cada parte da vida, do dia a dia, dos jovens neste país. Que não tem vergonha ou pudor de em todos os momentos afirmar que qualquer espaço político,  construído nos marcos de uma sociedade capitalista, não é democrático, não é plural e também não é um espaço de poder da maioria. Sendo assim não se poderia esperar nada além de um grande boicote consciente a campanha vitoriosa do PSTU, campanha essa impulsionada principalmente pelo nosso candidato a presidente Zé Maria.
    Eu, como candidato jovem, fiz questão de assistir 4 ou 5 vezes cada sabatina. Fomos firmes nas discussões, coerentes com nosso programa e conseguimos com didática e com muitos dados dialogar. Cumpre esse papel nossos candidatos aos governos dos estados como Cyro Garcia no Rio.
    Para finalizar, os quase 1300 votos da juventude do Rio podem não ter sido muito para ocuparmos uma cadeira no parlamento estadual, mas no peito e na raça de colocar essa campanha nas estruturas e nas ruas, sem os famosos rebaixamentos táticos que alardeiam ilusões nas pessoas; se demonstrou que atingimos milhares de estudantes, que ouviram e leram um programa que não os conforta a viver numa situação de profunda contradição, opressão e exploração.
    O PSTU não termina e volta daqui a dois anos. Esses 1300 votos serão concretizados nas lutas do dia a dia! Até o Socialismo!

    Rafael Nunes

    Veja aqui a votação do PSTU no RJ e em nível nacional

                                          Apuração finalizada


    Presidentevotos%posição
    Zé Maria14.6540,17


    Governador votos % posição
    Cyro Garcia 48.793 0,62

    Senador votos % posição
    Heitor Fernandes 33.624 0,23
    Clayton Coffy 23.146 0,16 11º

    Deputado Federal votos %

    Patricia Vale 2.619 0,03 246º
    Andre Bucaresky 2.567 0,03 248º
    Carlão 945 0,01 426º
    Salarini 365 0,01 594º
    Votos legenda 6.849


    TOTAL 13.345



    Deputado Estadual votos %

    Patricia Mafra 2.117 0,03 383º
    Rafael Nunes 1.290 0,02 496º
    Renato Gomes 852 0,01 630º
    Ronaldo de Moraes 683 0,01 726º
    Prof. Isabel 496 0,01 858º
    Votos legenda 7.379


    TOTAL 12.867




    VOTAÇÃO DO PSTU NOS ESTADOS

    2o TURNO: Contra burguês, vote nulo dessa vez!

    É TUDO FARINHA DO MESMO SACO!
    Voto contra a direita no segundo turno é voto nulo!

    Direção Nacional do PSTU


    • No segundo turno das eleições vão se enfrentar Dilma e Serra. Vai haver uma pressão grande entre os trabalhadores no sentido de votar em Dilma “para evitar a volta da direita”.

    O PSTU tem total acordo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC. No primeiro turno, o PSTU teve seu programa final cassado pela justiça a pedido do PSDB. Isso ocorreu por termos mostrado que Serra- que atacava Dilma por corrupção- também tinha o rabo preso, por ter apoiado o ex-governador Arruda de Brasília. Isso foi parte de nossa batalha contra a oposição de direita, que ocorreu em todo o primeiro turno.

    Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Roussef. A direita não é representada nessa campanha só por Serra. Direita e esquerda são termos relativos, mas em geral a direita representa a grande burguesia. E hoje, no Brasil, as grandes empresas estão divididas. Um setor apóia Serra, o que é mais que evidente nas empresas de TV e jornal. Outro setor, que inclui uma parte dos banqueiros (talvez a maioria), as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas, com um leve pendor para Dilma.

    Não é por acaso que a candidatura de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra junto às grandes empresas. Não é por acaso o apoio dos governos imperialistas para marcar aqui as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Tampouco foi um acaso que a cotação do dólar se manteve estável nas eleições, chegando a baixar um recorde inferior a 1,6 reais.

    Temos duas candidaturas em defesa do grande capital nas eleições, duas candidaturas de direita. Votar por Dilma ou por Serra é votar na manutenção do plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É votar contra a reforma agrária que foi bloqueada por FHC e também por Lula. É votar na ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.

    Qualquer um dos dois vai atacar os trabalhadores duramente quando a crise econômica internacional voltar a se abater sobre o Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de mudar a previdência, atacando mais ainda os aposentados. Pense nisso: cada voto em Dilma no segundo turno é uma força a mais para uma nova reforma da previdência. Uma votação em Serra teria a mesma conseqüência.

    Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras figuras da mesma direita.

    Por esses motivos, votar contra a direita nesse segundo turno é votar nulo. Chamamos os trabalhadores e jovens que nos acompanham a seguir votando em nossa legenda 16, que agora vai significar um voto nulo.

    Direção Nacional do PSTU

    [ 4/10/2010 19:48:00 ]

    Cyro Garcia encerra agradecendo os votos e à militância, sem deixar de denunciar os (des) governos (3/10, ao final da votação)

    “Fizemos durante esse período uma bonita e aguerrida campanha. Mantendo nossa independência política, não recebemos um centavo em doações de empresas/empresários. Conseguimos ocupar um espaço importante, contando apenas com o valoroso apoio dos trabalhadores que se somaram a nossa campanha e, mesmo com todo bloqueio da grande mídia e o pouco tempo de TV, conseguimos denunciar os problemas vividos pelo povo do nosso Estado e apresentar nossas propostas para a educação, saúde, transportes, meio-ambiente e segurança.

    “Sofremos um duro boicote da grande imprensa. No único momento em que fomos convidados a participar de um debate (na Rede Record), fomos retirados momentos antes da realização por pressão da turma de Sérgio Cabral.

    “Nossa campanha, como não poderia deixar de ser, procurou ser um ponto de apoio às lutas dos trabalhadores. Ajudamos a divulgar, e estivemos presentes, em diversas lutas como dos petroleiros, bancários e metalúrgicos; dos profissionais de educação e serventuários da justiça; dos servidores do INCA e demais trabalhadores da saúde, entre tantas outras. Foi uma campanha dedicada às lutas dos trabalhadores.

    “Agora, ao final, agradeço o apoio sincero às nossas candidaturas e os votos confiados em nós. Agradeço também a incansável militância do meu partido, que acreditou na campanha e nas propostas que apresentamos ao povo trabalhador. Cada voto confiado em nossas candidaturas é mais um voto contra os desgovernos Lula-Cabral-Paes, contra a direita e as oligarquias! É mais um voto no fortalecimento das lutas e da oposição de esquerda e socialista! Com muito esforço, conseguimos colocar água no chopp deles e fazer as denúncias necessárias.”

    Cyro Garcia alerta contra estelionato eleitoral (3/10, antes da votação)

    “Manhã chuvosa em todo Estado do Rio de Janeiro. Mas nada que tire o ânimo de nosso partido e a expectativa em obtermos uma boa votação. Ontem, mais uma vez aparecemos em terceiro lugar, a frente de nomes e partidos mais conhecidos, mostrando a força de nossas propostas e o anseio por mudança de nosso povo.
    “Mesmo enfrentando até o final o abuso da máquina eleitoral construída pelos candidatos governistas e da oposição burguesa, que colocam milhares de “boqueiros” pagos atrás do voto dos indecisos, nós queremos aproveitar este último dia para continuar alertando a classe trabalhadora do verdadeiro estelionato eleitoral que estão preparando.
    “Pois se eleitos tanto Dilma, Serra ou Marina, na presidência; quanto Cabral ou Gabeira, no governo do estado, irão aplicar medidas contra os direitos dos trabalhadores como a nova reforma da previdência, que vai rebaixar e retardar ainda mais a aposentadoria de milhões de brasileiros.”