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| Cabral, João Roberto Marinho, Pezão, Paes e Dilma em inauguração do Museu de Arte do Rio, obra realizada pela Fundação Roberto Marinho - Foto: Tânia Rego / Agência Brasil |
No dia 3 de outubro, o jornal O Globo publicou uma matéria e
um editorial atacando o Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe) e o
PSTU. Na referida matéria, o jornal questiona a representatividade do
sindicato, chama a categoria de “massa de manobra” e faz insinuações de que a
entidade estaria sendo usada para fins políticos eleitorais, além de culpar o
PSTU pelo fechamento da General Motors em São José dos Campos, no início do
ano.
Não é novidade, para todo profissional de educação do estado
ou do município, que o legitimo representante da categoria é o Sepe. A
representatividade desse sindicato é fruto da luta em defesa da educação
pública,em anos e anos de enfretamento duro com os governos de turno, e não
está ameaçada pelo burocratismo de qualquer organização de cartório como o
Uppes, sindicato moribundo, momentaneamente ressuscitado pelo jornal O Globo.
Ao final da reportagem “Sepe teve registro suspenso naJustiça do Trabalho”, o jornalista Orivaldo Perin afirma que Vera Nepomuceno
foi candidata a vice-prefeita do Rio em 2006. É verdade. Vera é militante do
PSTU há 15 anos. Durante anos fez parte da coordenação geral do Sepe e hoje é a
diretora de imprensa do sindicato. Isso não altera, em absoluto, o caráter
independente do Sepe em relação aos partidos. Suas decisões são tomadas e
deliberadas nas instâncias democráticas da entidade: reuniões da diretoria (que
são abertas à categoria), assembleias e congressos. É um desrespeito aos
profissionais da educação que O Globo os chame de “massa de manobra”, como se
fossem pessoas idiotas e sem discernimento.Professora e militante incansável em
defesa da sua categoria e dos trabalhadores em geral, Vera é reconhecida por
muitos professores e funcionários de escolas não só por sua presença nos carros
de som, mas também porque a viram muitas vezes em suas escolas, quando
requisitaram a presença do sindicato e encontraram em sua figura o apoio que
precisavam, que muitas vezes era no sentido de organizar a luta na própria
escola. O PSTU tem muito orgulho de apresentar candidaturas que representam a
luta dos trabalhadores, o que está comprovado pelo trabalho de nossos atuais
vereadores eleitos, Cleber Rabelo e Amanda Gurgel. A professora Vera Nepomuceno
é mais um valioso exemplo disso.
Não aceitamos, de parte da Rede Globo, a acusação de que os
filhos dos trabalhadores do Rio de Janeiro podem sofrer consequências
irrecuperáveis em sua educação por obra dos partidos de esquerda, entre eles o
PSTU. A atual greve da educação se preocupa, exatamente, com a qualidade de
ensino nas escolas públicas do estado e do município, que cai vergonhosamente a
cada ano em função do descaso com que os governos tratam o tema. Consequencia
direta deste processo é a implantação de programas como o Autonomia Carioca - e
congêneres por todo o Brasil - que promete corrigir a defasagem idade-série dos
alunos atrasados, através da duvidosa metodologia do Telecurso - marcaregistrada da Fundação Roberto Marinho, braço "filantrópico" das
organizações Globo -, e que rende aos Marinho imensas quantias de dinheiro
público ano após ano. Ao PSTU interessa apenas a luta por uma educação melhor,
em um país justo e livre. Aos cofres das Organizações Globo, por outro lado, é
conveniente que a educação se afunde cada vez mais neste histórico processo de sucateamento.
A atual greve, a propósito, escancarou e denunciou as
negociatas da Fundação Roberto Marinho com a Secretaria de Educação do Rio de
Janeiro. Segundo página da Controladoria Geral do Município - Rio Transparente
-, de 2009 a 2013, foram repassados à Fundação Roberto Marinho R$
30.183.059,73. Isso explica porque os canais de mídia da família Marinho tentam
desesperadamente desqualificar o Sepe e a greve da educação municipal e
estadual. Nunca é demais lembrar que, ainda em 2010, R$ 24 milhões do Fundo
Estadual de Conservação do Meio Ambiente (Fecam), que deveriam ser destinados a
obras de contenção de encostas, foram repassados por Sérgio Cabral à FundaçãoRoberto Marinho, o que resultou nas trágicas enchentes, com milhares de mortos
na Região Serrana do Estado. As ligações entre a Globo e os governos, como se
vê, não são exatamente uma novidade.
Por fim, é necessário fazer-se notar o alento que é, para o
PSTU, constatar uma vez mais que nós estamos, na luta pela educação e em todas
as lutas dos trabalhadores no Brasil e no mundo, do lado oposto ao das
organizações Globo. É motivo de grande satisfação ratificar, de forma tão
contundente, a certeza de que nós estamos do lado certo: apoiando e lutando
pelo povo trabalhador. À Rede Globo, novamente cabe seu papel histórico de
defender os patrões, os corruptos, os genocidas e toda sorte de figuras nocivas
aos interesses das maiorias.
Repudiamos veementemente estes recentes ataques ao Sepe e
aos partidos de esquerda. Os educadores foram fisicamente atacados na
terça-feira (1º/10), e agora estão sendo atacados através dos seus próprios
instrumentos de luta. Celebramos, com todas as nossas energias, a disposição
dos trabalhadores das escolas em levar adiante esta indispensável luta por uma
sociedade melhor.
Viva a greve da educação!
E como diz a palavra de ordem cantada a plenos pulmões na
manifestações: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”
