Em uma grande marcha, uma resposta ao fracasso da Rio+20
Marcha na Cúpula dos
Povos reuniu cerca de 25 mil no Rio
Nesta
quarta-feira, 20 de março, o Rio assistiu à maior manifestação de rua dos
últimos anos, quando um mar de gente ocupou a Avenida Rio Branco, no centro da
cidade. A Marcha dos Povos reuniu pelo menos 25 mil manifestantes. Enquanto as
últimas expectativas em torno à Rio+20 se dissolviam, a marcha foi um símbolo da
polarização conquistada pela Cúpula dos Povos nas ruas cariocas.Com a presença de diversas centrais sindicais, partidos políticos, sindicatos, entidades da causa ambiental, ONGs, organizações indígenas e ativistas de vários países, o tamanho da marcha impactou até mesmo seus participantes. A animação tomou conta dos manifestantes e não poderia ser diferente.
Igualmente, não faltou irreverência para expressar a luta pela preservação ambiental. Cartazes e faixas, fantasias, maquiagem e bonecos gigantes deram o colorido à manifestação. Um dos maiores retrocessos ecológicos do Brasil no período de governos do PT, o Código Florestal, foi amplamente denunciado na manifestação. Segundo cartazes distribuídos no ato, “o jogo ainda não acabou”.
Em uníssono, a marcha foi uma crítica contundente ao discurso do “capitalismo verde” proposto pela Rio+20. O fracasso da reunião de cúpula impulsionou a denúncia da hipocrisia dos governos de todo o mundo.
A presença da greve das universidades
Professores, funcionários e
estudantes em greve nas universidades federais marcaram presença. Os ativistas
da educação concentraram-se em frente a ALERJ, na rua Primeiro de Março, e se
dirigiram à Candelária, onde se juntaram à passeata – compondo uma bela coluna,
de pelo menos 2500 manifestantes.As palavras de ordem mais cantadas na greve foram ouvidas na marcha. Entre elas, “Cadê o dinheiro? A Dilma deu tudo para o banqueiro e o bicheiro” ou “A greve unificou. É estudante, funcionário e professor!”. A precarização imposta pelo REUNI também esteve clara no conteúdo políticos das intervenções.
ANEL e CSP-CONLUTAS emprestaram suas forças a engrossar a coluna da greve. A ausência da UNE na coluna, além de ilustrar a incapacidade da velha entidade em dar rumo à greve dos estudantes, foi seguidamente denunciada nas palavras de ordem.
Socialismo ou barbárie ambiental
O PSTU esteve presente no ato, onde denunciou as conseqüências da exploração predatória da natureza promovida pelo capitalismo ao redor do mundo. Para o partido, conferências como a Rio+20 não podem oferecer saída à crise ambiental, porque os governos de todos os países estão subordinados ao interesse das empresas que poluem.

Nesse sentido, a marcha foi mais um espaço importante para a defesa do socialismo. Para Cyro Garcia, pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSTU, “a situação do meio ambiente e a falência de mais uma reunião de cúpula do imperialismo para tratar da questão reforçam a atualidade da causa socialista. Quando nos deparamos com a destruição do planeta, vemos que o mercado e a sanha por lucros estão conduzindo a humanidade, literalmente, à destruição. Essa compreensão é parte fundamental de nossa convicção de lutar pela planificação da exploração dos recursos naturais, como parte da construção de um mundo socialista”.
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Ato de mulheres agita a Cúpula dos Povos
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| Passeata agitou centro da cidade |
• Cerca de 2500
manifestantes marcharam na manhã desta segunda-feira, 18 de junho, na Marcha das
Mulheres na Cúpula dos Povos. A manifestação é mais uma das atividades que
ocorrem no Rio de Janeiro, em paralelo à Rio+20. Quem passava pelo centro da
cidade pôde testemunhar uma bela passeata feminista, que denunciou a farsa da
“economia verde” e a situação dos setores oprimidos no país.
O ato contou com a presença de um amplo espectro de entidades, desde a ANEL e a CSP-CONLUTAS até CUT, CTB, MST, Marcha Mundial de Mulheres, UNE e CPT. Caminhando do MAM, no Aterro do Flamengo, até o Largo da Carioca, a manifestação deu visibilidade à crítica ao que representa a Rio+20. Em uma das palavras de ordem mais cantadas, podia-se ouvir: “capitalismo não me engana, não/Pintar de verde é falsa solução”.
"Mulheres jovens, vamos à luta"
A ANEL chamou a atenção com uma das colunas mais animadas da marcha. As estudantes garantiram que se expressasse no ato a forte greve nacional da educação. Suas exigências combinavam as demandas da greve estudantil com a luta contra as opressões. Nesse sentido, a entidade se posicionou pela construção de creches nas universidades e exigiu, ainda, que Dilma revogue seu veto ao kit anti-homofobia para as escolas.
Luiza Carrera, estudante da UFRJ, interveio em nome da ANEL. “As federais estão em greve porque queremos mais investimentos em educação; porque queremos creches, para que as mulheres não sejam obrigadas a abandonar seus estudos quando engravidarem. Por isso, o recado da ANEL é claro: mulheres jovens, vamos à luta!”.
No mesmo espírito, Camila Lisboa, representando o MML (Movimento Mulheres em Luta), declarou: “a nossa luta é porque, em um país governado por uma mulher, não podemos mais admitir que as mulheres morram, vítimas da violência ou dos abortos clandestinos”.
Durante a semana, seguirá a programação da Cúpula dos Povos. Acompanhe a cobertura do Portal do PSTU.
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RIO + 20 e a farsa do "desenvolvimento sustentável"
O ato contou com a presença de um amplo espectro de entidades, desde a ANEL e a CSP-CONLUTAS até CUT, CTB, MST, Marcha Mundial de Mulheres, UNE e CPT. Caminhando do MAM, no Aterro do Flamengo, até o Largo da Carioca, a manifestação deu visibilidade à crítica ao que representa a Rio+20. Em uma das palavras de ordem mais cantadas, podia-se ouvir: “capitalismo não me engana, não/Pintar de verde é falsa solução”.
"Mulheres jovens, vamos à luta"
A ANEL chamou a atenção com uma das colunas mais animadas da marcha. As estudantes garantiram que se expressasse no ato a forte greve nacional da educação. Suas exigências combinavam as demandas da greve estudantil com a luta contra as opressões. Nesse sentido, a entidade se posicionou pela construção de creches nas universidades e exigiu, ainda, que Dilma revogue seu veto ao kit anti-homofobia para as escolas.
Luiza Carrera, estudante da UFRJ, interveio em nome da ANEL. “As federais estão em greve porque queremos mais investimentos em educação; porque queremos creches, para que as mulheres não sejam obrigadas a abandonar seus estudos quando engravidarem. Por isso, o recado da ANEL é claro: mulheres jovens, vamos à luta!”.
No mesmo espírito, Camila Lisboa, representando o MML (Movimento Mulheres em Luta), declarou: “a nossa luta é porque, em um país governado por uma mulher, não podemos mais admitir que as mulheres morram, vítimas da violência ou dos abortos clandestinos”.
Durante a semana, seguirá a programação da Cúpula dos Povos. Acompanhe a cobertura do Portal do PSTU.
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RIO + 20 e a farsa do "desenvolvimento sustentável"
Entre os dias 15 a 23 de junho, o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, vai ser
o palco da Cúpula dos Povos. Contando com a presença de movimentos sociais de
todo o Brasil e do mundo, o evento correrá em paralelo à Rio+20 e será a
oportunidade de levantar uma alternativa à degradação ambiental imposta pelo
capitalismo.
Enquanto os Chefes de Estado farão seus acenos e declarações de boas intenções, milhares de ativistas terão a oportunidade de oferecer uma real alternativa pela preservação ambiental. Com uma diversificada programação, a Cúpula dos Povos vai abrigar debates, mesas-redondas, oficinas, palestras e plenárias, abarcando uma infinidade de aspectos da luta pela preservação da natureza. Assim, o PSTU marcará presença no evento, levantando seu programa socialista para o meio ambiente e denunciando a farsa que será a Rio+20.
As lutas estarão presentes
No sentido de ligar a luta pela causa ambiental à luta mais geral da classe trabalhadora, a CSP-Conlutas está organizando uma mesa com o título “Direito à moradia x grandes obras: a reforma urbana pendente e os novos Pinheirinhos”. A atividade terá a presença de organizações como o Movimento Popular de Favelas e a ASSIBAMA (Associação dos Servidores do IBAMA). Também a luta feminista terá destaque, com a atividade promovida pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) sob o título “Mulheres trabalhadoras contra o machismo e a exploração”.
Já no dia 20, duas importantes manifestações ganharão as ruas do Rio. Pela manhã, a comunidade da Vila Autódromo, ameaçada pela especulação imobiliária na região nobre da Barra da Tijuca, marchará pelo direito à moradia. A tarde é a vez do centro do Rio receber a marcha oficial da Cúpula dos Povos, que vai representar a voz dos descontentes com a hipocrisia dos governos de todo o mundo frente à crise ambiental.
Outra luta de peso que marcará presença é a forte greve nacional das universidades federais. Os comandos de greve aprovaram incorporar a marcha do dia 20 como atividade do calendário de greve de professores, funcionários e estudantes.
Calendário
15 de junho – sexta
Enquanto os Chefes de Estado farão seus acenos e declarações de boas intenções, milhares de ativistas terão a oportunidade de oferecer uma real alternativa pela preservação ambiental. Com uma diversificada programação, a Cúpula dos Povos vai abrigar debates, mesas-redondas, oficinas, palestras e plenárias, abarcando uma infinidade de aspectos da luta pela preservação da natureza. Assim, o PSTU marcará presença no evento, levantando seu programa socialista para o meio ambiente e denunciando a farsa que será a Rio+20.
As lutas estarão presentes
No sentido de ligar a luta pela causa ambiental à luta mais geral da classe trabalhadora, a CSP-Conlutas está organizando uma mesa com o título “Direito à moradia x grandes obras: a reforma urbana pendente e os novos Pinheirinhos”. A atividade terá a presença de organizações como o Movimento Popular de Favelas e a ASSIBAMA (Associação dos Servidores do IBAMA). Também a luta feminista terá destaque, com a atividade promovida pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) sob o título “Mulheres trabalhadoras contra o machismo e a exploração”.
Já no dia 20, duas importantes manifestações ganharão as ruas do Rio. Pela manhã, a comunidade da Vila Autódromo, ameaçada pela especulação imobiliária na região nobre da Barra da Tijuca, marchará pelo direito à moradia. A tarde é a vez do centro do Rio receber a marcha oficial da Cúpula dos Povos, que vai representar a voz dos descontentes com a hipocrisia dos governos de todo o mundo frente à crise ambiental.
Outra luta de peso que marcará presença é a forte greve nacional das universidades federais. Os comandos de greve aprovaram incorporar a marcha do dia 20 como atividade do calendário de greve de professores, funcionários e estudantes.
Calendário
15 de junho – sexta
Abertura
16 de junho – sábado
16 de junho – sábado
Mesa “O direito a moradia x grandes obras:
a reforma urbana pendente e os novos pinheirinhos”. Local: tenda 14/Eliane
Grammont. Horário: 11h30’
Mesa “O direito da juventude na periferia e favelas". Local: tenda 12/Egidio Bruneto. Horário: 14h
Mesa “O direito da juventude na periferia e favelas". Local: tenda 12/Egidio Bruneto. Horário: 14h
Mesa “Mulheres trabalhadoras contra o machismo e a exploração”. Local: tenda 12/Egidio Bruneto. Horário: 16h30’
18 de junho – segunda
Mesa “30 anos da LIT-QI - A crise do capitalismo e a alternativa socialista”. Local: ACM, Rua da Lapa, 86 - Centro/Lapa. Horário: 18h30’
19 de junho – Terça
Mesa “Grandes obras e meio-ambiente”. Local: Sindsprev, Rua Joaquim Silva, 94 - Centro/Lapa. Horário: 9h
20 de junho – quarta
20 de junho – quarta
Marcha em defesa da Vila Autódromo, na Barra, pela manhã.
Marcha oficial da Cúpula dos Povos. Local: da Candelária à Cinelândia. Horário: 15h
Marcha oficial da Cúpula dos Povos. Local: da Candelária à Cinelândia. Horário: 15h
21 de junho – quinta
Mesa “Pinheirinho Vive!". Local: OAB, Av. Marechal Câmara, 150. Centro/Castelo. Horário: 9h30’
23 de junho - sábado
23 de junho - sábado
Encerramento
Vinte anos depois da Eco-92, o Brasil é palco de mais uma conferência ambiental, a Rio + 20, que vai ocorrer entre os dias 13 a 22 de junho.
Por Gilberto Marques, de Belém (PA) e Jeferson Choma, da redação
• Diante da enorme destruição ecológica das últimas décadas, a possibilidade das mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos naturais, a pauta da conferência vai discutir meios que possam conciliar o desenvolvimento econômico capitalista com a preservação ambiental. Mas será que possível algum tipo de “desenvolvimento sustentável” ou “economia verde” sob o capitalismo?
Afinal, quem é o culpado?
Nos últimos anos, o discurso da “sustentabilidade” ganhou força e foi até mesmo apropriado pelos grandes capitalistas. É comum ver propagandas da TV de empresas automotivas, mineradoras e até mesmo petroleiras venderem uma suposta imagem de “sustentabilidade ecológica”. Um caso recente foi o fim da obrigatoriedade dos supermercados de São Paulo em oferecer sacolinhas plásticas, o que representou numa diminuição dos gastos dos empresários do setor (a tal “economia verde”). Por outro lado, a coleta de lixo reciclado na cidade representa apenas 1% da coleta total de resíduos.
Também é comum ver supostos “especialistas” defenderem “mudanças nos hábitos de consumo”, a “adoção de pequenos gestos”, entre outras receitas milagrosas que buscam responsabilizar o individuo pela devastação do “nosso planeta”. Há aqueles que chegam a defender um controle maior da expansão populacional, pois o crescimento demográfico entraria em conflito com os recursos naturais que são finitos.
Embora tenham origens bem diferentes, todas essas opiniões têm um ponto em comum: deixam de fazer propositalmente a crítica devida à lógica mercantil do sistema capitalista. Assim, transformam as vítimas dos impactos ambientais em vilões, em culpados, inocentando os verdadeiros responsáveis.
Capitalismo é responsável pela devastação
O surgimento da sociedade capitalista provocou uma separação entre o ser humano e a natureza, que começou a ser vista como uma mera mercadoria, objeto de dominação, pela ciência e pela técnica. Nas formações sociais pré-capitalistas, não havia essa cisão. Em grande parte da Idade Média, por exemplo, a natureza era vista como “provedora” dos recursos fundamentais para a sobrevivência dos indivíduos. O homem era visto como parte da natureza e não acima ou separado dela.
Com o capitalismo tudo mudou. O ritmo da produção impõe uma apropriação crescente dos recursos naturais, necessários á sobrevivência humana, muito maior que o tempo que a natureza precisa para se recompor. No capitalismo não se produz para satisfazer as necessidades humanas, mas para obter lucro. Assim, a necessidade de acumulação crescente de capital e lucro, produz cada vez mais mercadorias. Isso provoca consumo crescente e apropriação acelerada da natureza. Os ritmos naturais se desenvolvem em séculos, uma dinâmica incompatível com produção mercantil, o que impões uma forte e intensa exploração dos recursos naturais levando à ruptura de sua dinâmica.
Olhando para as consequências da Revolução Industrial, Karl Marx já alertava para essa situação, no seu livro "O Capital". Acusava a produção capitalista de “perturbar a interação metabólica homem e terra”, ou seja, as trocas energéticas e de materiais entre os humanos com o seu meio ambiente natural - condição necessária para a existência da civilização. Segundo Marx, “ao destruir as circunstâncias entorno desse metabolismo ela [a produção capitalista] impede a sua restauração sistemática como uma lei reguladora da produção social, e numa forma adequada ao pleno desenvolvimento da raça humana”. Isso nos remete outra conclusão: a crise ambiental desencadeada pelo capital é muito mais uma questão de sobrevivência humana e muito menos de sobrevivência do planeta.
Nas últimas décadas, essa exploração se ampliou, especialmente após a crise econômica dos anos 1970. Para retomar suas taxas de lucros, os capitalistas lançaram mão da globalização e da liberalização dos mercados. Assim, o saque dos recursos naturais por parte das multinacionais tomou uma dimensão planetária, como produto da crise do sistema. Mas, por outro lado, a luta contra a espoliação e destruição ecológica também ganhou uma dimensão global, abrangendo desde as reivindicações dos povos indígenas do Equador que combatem a indústria petroleira na Amazônia, até luta dos camponeses da China que resistem à contaminação de rios e do solo causa por indústrias.
Um debate necessário
Não é possível separar a luta ambiental do combate a todos os problemas estruturais produzidos pela sociedade capitalista. Ao mesmo tempo que aumenta como nunca a produtividade, o capitalismo também faz crecer a miséria e a exploração. Atualmente, quase um bilhão de seres humanos passam fome. Nos países perifericos, 80% das doenças decorrem da falta de qualidade da água. Segundo os dados da ONU, um bilhão de habitantes moram em favelas. Enquanto isso, no campo, a paisagem é transformada pelos complexos do agronegócio, controladas pelas grandes empresas.
A defesa do meio ambiente deve ser parte da luta dos trabalhadores por melhores condições de emprego, salário e vida. É uma luta anticapitalista e antiimperialista e, em essência, pela construção de uma sociedade socialista. Uma sociedade baseada em novas relações de produção que possam estabelecer um relacionamento equilibrado e realmente sustentável do ser humano com a natureza, “condição inalienável para a existência e reprodução da cadeia de gerações humanas”, como assinalava Marx.
Mas isso não significa deixar de lado a luta presente. A luta pelas políticas públicas, por legislações ambientais mais efetivas, pela proteção de espécies em extinção, deve ser acompanhada pela vontade de mudança da estrutura de dominação burguesa.
Por Gilberto Marques, de Belém (PA) e Jeferson Choma, da redação
• Diante da enorme destruição ecológica das últimas décadas, a possibilidade das mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos naturais, a pauta da conferência vai discutir meios que possam conciliar o desenvolvimento econômico capitalista com a preservação ambiental. Mas será que possível algum tipo de “desenvolvimento sustentável” ou “economia verde” sob o capitalismo?
Afinal, quem é o culpado?
Nos últimos anos, o discurso da “sustentabilidade” ganhou força e foi até mesmo apropriado pelos grandes capitalistas. É comum ver propagandas da TV de empresas automotivas, mineradoras e até mesmo petroleiras venderem uma suposta imagem de “sustentabilidade ecológica”. Um caso recente foi o fim da obrigatoriedade dos supermercados de São Paulo em oferecer sacolinhas plásticas, o que representou numa diminuição dos gastos dos empresários do setor (a tal “economia verde”). Por outro lado, a coleta de lixo reciclado na cidade representa apenas 1% da coleta total de resíduos.
Também é comum ver supostos “especialistas” defenderem “mudanças nos hábitos de consumo”, a “adoção de pequenos gestos”, entre outras receitas milagrosas que buscam responsabilizar o individuo pela devastação do “nosso planeta”. Há aqueles que chegam a defender um controle maior da expansão populacional, pois o crescimento demográfico entraria em conflito com os recursos naturais que são finitos.
Embora tenham origens bem diferentes, todas essas opiniões têm um ponto em comum: deixam de fazer propositalmente a crítica devida à lógica mercantil do sistema capitalista. Assim, transformam as vítimas dos impactos ambientais em vilões, em culpados, inocentando os verdadeiros responsáveis.
Capitalismo é responsável pela devastação
O surgimento da sociedade capitalista provocou uma separação entre o ser humano e a natureza, que começou a ser vista como uma mera mercadoria, objeto de dominação, pela ciência e pela técnica. Nas formações sociais pré-capitalistas, não havia essa cisão. Em grande parte da Idade Média, por exemplo, a natureza era vista como “provedora” dos recursos fundamentais para a sobrevivência dos indivíduos. O homem era visto como parte da natureza e não acima ou separado dela.
Com o capitalismo tudo mudou. O ritmo da produção impõe uma apropriação crescente dos recursos naturais, necessários á sobrevivência humana, muito maior que o tempo que a natureza precisa para se recompor. No capitalismo não se produz para satisfazer as necessidades humanas, mas para obter lucro. Assim, a necessidade de acumulação crescente de capital e lucro, produz cada vez mais mercadorias. Isso provoca consumo crescente e apropriação acelerada da natureza. Os ritmos naturais se desenvolvem em séculos, uma dinâmica incompatível com produção mercantil, o que impões uma forte e intensa exploração dos recursos naturais levando à ruptura de sua dinâmica.
Olhando para as consequências da Revolução Industrial, Karl Marx já alertava para essa situação, no seu livro "O Capital". Acusava a produção capitalista de “perturbar a interação metabólica homem e terra”, ou seja, as trocas energéticas e de materiais entre os humanos com o seu meio ambiente natural - condição necessária para a existência da civilização. Segundo Marx, “ao destruir as circunstâncias entorno desse metabolismo ela [a produção capitalista] impede a sua restauração sistemática como uma lei reguladora da produção social, e numa forma adequada ao pleno desenvolvimento da raça humana”. Isso nos remete outra conclusão: a crise ambiental desencadeada pelo capital é muito mais uma questão de sobrevivência humana e muito menos de sobrevivência do planeta.
Nas últimas décadas, essa exploração se ampliou, especialmente após a crise econômica dos anos 1970. Para retomar suas taxas de lucros, os capitalistas lançaram mão da globalização e da liberalização dos mercados. Assim, o saque dos recursos naturais por parte das multinacionais tomou uma dimensão planetária, como produto da crise do sistema. Mas, por outro lado, a luta contra a espoliação e destruição ecológica também ganhou uma dimensão global, abrangendo desde as reivindicações dos povos indígenas do Equador que combatem a indústria petroleira na Amazônia, até luta dos camponeses da China que resistem à contaminação de rios e do solo causa por indústrias.
Um debate necessário
Não é possível separar a luta ambiental do combate a todos os problemas estruturais produzidos pela sociedade capitalista. Ao mesmo tempo que aumenta como nunca a produtividade, o capitalismo também faz crecer a miséria e a exploração. Atualmente, quase um bilhão de seres humanos passam fome. Nos países perifericos, 80% das doenças decorrem da falta de qualidade da água. Segundo os dados da ONU, um bilhão de habitantes moram em favelas. Enquanto isso, no campo, a paisagem é transformada pelos complexos do agronegócio, controladas pelas grandes empresas.
A defesa do meio ambiente deve ser parte da luta dos trabalhadores por melhores condições de emprego, salário e vida. É uma luta anticapitalista e antiimperialista e, em essência, pela construção de uma sociedade socialista. Uma sociedade baseada em novas relações de produção que possam estabelecer um relacionamento equilibrado e realmente sustentável do ser humano com a natureza, “condição inalienável para a existência e reprodução da cadeia de gerações humanas”, como assinalava Marx.
Mas isso não significa deixar de lado a luta presente. A luta pelas políticas públicas, por legislações ambientais mais efetivas, pela proteção de espécies em extinção, deve ser acompanhada pela vontade de mudança da estrutura de dominação burguesa.
Às vésperas da Rio+20, o Ministério da Agricultura divulga um documento oficial
de contribuição ao desenvolvimento sustentável. Contudo, o centro do documento
limita-se à defesa da liberalização dos mercados, em especial as exportações de
biocombustíveis, o fim dos subsídios e o aumento da produtividade agrícola. Fala
sobre um bom ambiente de negócio e ampliação de investimentos públicos. Pouco se
fala das práticas produtivas e nada sobre qualquer mudança da estrutura
fundiária. Em suma, é um documento do agronegócio para o agronegócio.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Mendes Ribeiro Filho, anunciou em 6 de junho o documento oficial do órgão para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável . O texto apresenta a avaliação da agropecuária 20 anos após a Rio-92 e a contribuição para fomentar o aumento da produção de alimentos, conservar o meio ambiente, garantir a segurança alimentar e nutricional, além de erradicar a pobreza nos próximos 20 anos.
Segundo Mendes Ribeiro Filho, nos últimos 50 anos, a produção de grãos cresceu 290% e o rebanho de gado 250%, com o acréscimo de área de apenas 39%. “Somos líderes na produção de alimentos, mas também somos líderes em áreas de preservação ambiental. Isso é possível porque estamos na dianteira da tecnologia de produção em áreas tropicais” afirmou o ministro.
A qualidade dos alimentos saudáveis é tratada no documento como fator primordial para a saúde e alimentação das pessoas, bem como a segurança alimentar e nutricional com atenção à produção. De acordo com o MAPA, a produção de alimentos deve estar focada na adoção de práticas sustentáveis. Além disso, ressalta que o setor agropecuário deve utilizar métodos de irrigação que diminuam o desperdício de água, além de reforçar a gestão agroclimática de culturas, produzir sementes e mudas melhoradas, ampliar investimentos para desenvolver tecnologias aplicáveis à biomassa (fonte renovável de energia que utiliza organismos vivos) e priorize a diversificação de culturas.
O documento ainda salienta a necessidade de se promover o acesso aos produtores das inovações tecnológicas agrícolas e o desenvolvimento de soluções que viabilizem a elevação do desempenho e a inserção econômica dos pequenos agricultores. Para tanto, o Brasil deverá enfrentar o desafio de melhorar as condições de infraestrutura, logística, assistência técnica e extensão rural, expandindo os investimentos públicos e ampliando a parceria com o setor privado.
A importância da liberalização dos mercados agrícolas é outro aspecto enfatizado com o objetivo de favorecer seu pleno funcionamento e estímulo à oferta de alimentos de qualidade, fibras e biocombustíveis pelos países em desenvolvimento.
Foram também apresentadas propostas para o desenvolvimento da economia sustentável mundial. Uma das recomendações é quanto à criação de um ambiente favorável ao aumento dos investimentos públicos e privados na agropecuária, com melhoria na qualidade e transparência das informações sobre os mercados, estimulando a oferta global de alimentos nutricionalmente seguros.
O papel da agricultura para sustentabilidade da matriz energética e a utilização de práticas como a produção orgânica e os sistemas agroflorestais (como o cabruca) também são destacados, porém em menor importância. Por sua vez, não se fala nada no documento sobre mudança do padrão produtivo agrícola e da estrutura fundiária a ele associado.
Nada se fala no documento do uso de maquinários agrícolas alimentados por combustíveis fósseis, emissor de gases contribuidores ao aquecimento global. Como também a mecanização com a respectiva liberação de mão de obra que, desocupada e sem terras próprias, se vê obrigada a empregar-se em atividades de extrativismo florestal predatório.
Ou ainda, que as lavouras para produção de agrocombustíveis (etanol, biodiesel, etc) estão se expandindo sobre fronteiras agrícolas, pressionando áreas remanescentes de florestas ou tradicionalmente usadas para produção de alimentos, em especial sobre terras de pequenos e médios agricultores. E que os produtores descapitalizados pela concorrência capitalista moderna, dominada na cadeia comercial pelas traders (atravessadores no abastecimento, armazenagem e distribuição) e por gigantes da biotecnologia, como Cargil, Bunge, Monsanto, Friboi, portanto, sem recursos à aquisição de métodos e ferramentas avançadas de produção, e acabam se vendo obrigadas a recorrer a métodos predatórios para sobreviver, com severos danos a natureza.
Nada se fala ainda sobre o uso de pesticidas e intensivos agrícolas, substâncias largamente aplicada no agronegócio - que de acordo com o relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), 90% da amostra de água e peixes do mundo estão contaminados por agrotóxicos.
O documento, por sua vez, não trata formalmente em nenhuma passagem sobre reforma Agrária. Não é um mero aumento da produtividade do campo que alterará o papel atual da agricultura sobre a degradação ambiental, e sim uma mudança do padrão produtivo agrícola, que passa também pela mudança fundiária e reordenamento agrário do país, consequência direta da reforma agrária. Em suma, é um documento do agronegócio para o agronegócio.
Com informações da Agência Brasil
Almir Cezar Filho é servidor do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), diretor da Associação Nacional dos Servidores do MDA (Assemda) e militante do PSTU
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Mendes Ribeiro Filho, anunciou em 6 de junho o documento oficial do órgão para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável . O texto apresenta a avaliação da agropecuária 20 anos após a Rio-92 e a contribuição para fomentar o aumento da produção de alimentos, conservar o meio ambiente, garantir a segurança alimentar e nutricional, além de erradicar a pobreza nos próximos 20 anos.
Segundo Mendes Ribeiro Filho, nos últimos 50 anos, a produção de grãos cresceu 290% e o rebanho de gado 250%, com o acréscimo de área de apenas 39%. “Somos líderes na produção de alimentos, mas também somos líderes em áreas de preservação ambiental. Isso é possível porque estamos na dianteira da tecnologia de produção em áreas tropicais” afirmou o ministro.
A qualidade dos alimentos saudáveis é tratada no documento como fator primordial para a saúde e alimentação das pessoas, bem como a segurança alimentar e nutricional com atenção à produção. De acordo com o MAPA, a produção de alimentos deve estar focada na adoção de práticas sustentáveis. Além disso, ressalta que o setor agropecuário deve utilizar métodos de irrigação que diminuam o desperdício de água, além de reforçar a gestão agroclimática de culturas, produzir sementes e mudas melhoradas, ampliar investimentos para desenvolver tecnologias aplicáveis à biomassa (fonte renovável de energia que utiliza organismos vivos) e priorize a diversificação de culturas.
O documento ainda salienta a necessidade de se promover o acesso aos produtores das inovações tecnológicas agrícolas e o desenvolvimento de soluções que viabilizem a elevação do desempenho e a inserção econômica dos pequenos agricultores. Para tanto, o Brasil deverá enfrentar o desafio de melhorar as condições de infraestrutura, logística, assistência técnica e extensão rural, expandindo os investimentos públicos e ampliando a parceria com o setor privado.
A importância da liberalização dos mercados agrícolas é outro aspecto enfatizado com o objetivo de favorecer seu pleno funcionamento e estímulo à oferta de alimentos de qualidade, fibras e biocombustíveis pelos países em desenvolvimento.
Foram também apresentadas propostas para o desenvolvimento da economia sustentável mundial. Uma das recomendações é quanto à criação de um ambiente favorável ao aumento dos investimentos públicos e privados na agropecuária, com melhoria na qualidade e transparência das informações sobre os mercados, estimulando a oferta global de alimentos nutricionalmente seguros.
O papel da agricultura para sustentabilidade da matriz energética e a utilização de práticas como a produção orgânica e os sistemas agroflorestais (como o cabruca) também são destacados, porém em menor importância. Por sua vez, não se fala nada no documento sobre mudança do padrão produtivo agrícola e da estrutura fundiária a ele associado.
Nada se fala no documento do uso de maquinários agrícolas alimentados por combustíveis fósseis, emissor de gases contribuidores ao aquecimento global. Como também a mecanização com a respectiva liberação de mão de obra que, desocupada e sem terras próprias, se vê obrigada a empregar-se em atividades de extrativismo florestal predatório.
Ou ainda, que as lavouras para produção de agrocombustíveis (etanol, biodiesel, etc) estão se expandindo sobre fronteiras agrícolas, pressionando áreas remanescentes de florestas ou tradicionalmente usadas para produção de alimentos, em especial sobre terras de pequenos e médios agricultores. E que os produtores descapitalizados pela concorrência capitalista moderna, dominada na cadeia comercial pelas traders (atravessadores no abastecimento, armazenagem e distribuição) e por gigantes da biotecnologia, como Cargil, Bunge, Monsanto, Friboi, portanto, sem recursos à aquisição de métodos e ferramentas avançadas de produção, e acabam se vendo obrigadas a recorrer a métodos predatórios para sobreviver, com severos danos a natureza.
Nada se fala ainda sobre o uso de pesticidas e intensivos agrícolas, substâncias largamente aplicada no agronegócio - que de acordo com o relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), 90% da amostra de água e peixes do mundo estão contaminados por agrotóxicos.
O documento, por sua vez, não trata formalmente em nenhuma passagem sobre reforma Agrária. Não é um mero aumento da produtividade do campo que alterará o papel atual da agricultura sobre a degradação ambiental, e sim uma mudança do padrão produtivo agrícola, que passa também pela mudança fundiária e reordenamento agrário do país, consequência direta da reforma agrária. Em suma, é um documento do agronegócio para o agronegócio.
Com informações da Agência Brasil
Almir Cezar Filho é servidor do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), diretor da Associação Nacional dos Servidores do MDA (Assemda) e militante do PSTU


