Diversos intelectuais, algumas correntes do PSOL e ativistas
independentes, vêm se reunindo em um espaço denominado reunião da esquerda
socialista para discutir balanço das eleições, conjuntura atual e tarefas para
a esquerda. A principal tarefa proposta pelo espaço é a busca da unidade da
esquerda socialista. Essa nota explica o porquê de não participarmos deste
espaço. Respeitamos imensamente os
companheiros envolvidos nessas reuniões e sabemos que estão com as maiores das
boas intenções, mas é um dever nosso apresentar claramente nossas opiniões.
A eleição comprovou o início de
uma ruptura da classe trabalhadora com o PT. O aumento da bancada da direita é
fruto do aumento da abstenção do voto e a diminuição dos votos do PT, ou seja,
expressa a maior polarização social existente em nosso país desde as jornadas
de junho, levando em conta a contraofensiva ideológica da burguesia após as
lutas. Entretanto, não vivemos uma onda conservadora, mas sim um novo momento na
disputa da consciência da classe trabalhadora que começa a romper com o PT. As
eleições não resolveram os principais problemas abertos em junho nem tampouco
serviu para estabilizar a situação política no país. A situação econômica
ruindo, o forte sentimento de mudança presente nas eleições e a insatisfação
generalizada com as péssimas condições de vida colocam novas dificuldades para
os governos. Enquanto isso, a classe trabalhadora vem se preparando para
defender seus direitos.
Nesse sentido é verdade que a
esquerda deve se unir, mas, principalmente e urgentemente, na luta concreta e
cotidiana dos trabalhadores e jovens. Já começou a luta pela agua em São Paulo
que poderá ter reflexos no Rio de Janeiro. Além disso, há um processo de maior
instabilidade nos empregos com possibilidade de grandes demissões na indústria.
As campanhas salarias serão mais duras. Há ainda o aumento do preço da energia
elétrica, gasolina e passagens que penalizará os trabalhadores com uma escalada
da inflação e do custo de vida.
O PSTU sempre considerou
estratégico para a emancipação da classe trabalhadora a construção de frentes
únicas no movimento de massas que reunisse o conjunto dos explorados e
oprimidos com seus diversos partidos e movimentos sociais desde que nos marcos
da irrestrita independência da classe trabalhadora, ou seja, sem a participação
dos patrões e com o método de democracia operaria. Só assim poderemos superar
parte dos problemas da realidade hoje: Unificando as lutas, organizando-as
conjuntamente e aprofundando as discussões sobre o programa, ou seja, a saída
estratégica para o país. Desde a fundação da Conlutas em 2004, passando pelo
Conclat que buscou unificar a Conlutas e a Intersindical em 2011, nossos
esforços foram sempre para a construção deste tipo de frente única no movimento. Em junho de 2013 nos esforçamos na construção
do fórum de lutas contra o aumento das passagens, plenária classista e outros
meios de conformarmos unidades mais solidas nas lutas. Reiteramos aqui nosso
compromisso com esta unidade nas lutas e na construção de ferramentas que
sirvam para organizar as lutas da classe trabalhadora, por isso reforçamos o
chamado ao fortalecimento da CSP-Conlutas que é também integrada por setores do
PSOL.
Infelizmente, não é disso que se
trata a reunião da esquerda socialista. A unidade da esquerda proposta é
abstrata, construída superestruturalmente e descolado das lutas dos
trabalhadores. Não temos claro seu programa e nos preocupa que seja uma
discussão antecipada sobre frente eleitoral. O primeiro problema que surge é
que de fato esta não é a principal discussão a ser feita no momento. O segundo
é que cada organização discute suas táticas eleitorais internamente e tem
direito de aplicar a que lhe convir. Não ficamos a vontade em discutir uma
tática eleitoral com dois anos de antecedência. Por ultimo, não cremos que o
principal problema da esquerda seja a sua falta de unidade eleitoral, mas sim
seu afastamento da classe operária, sua fragilidade programática, o afastamento
do marxismo-revolucionário e a perda da estratégia da revolução socialista. A
eleição é apenas um aspecto da atuação dos partidos de esquerda. Ao elevarmos
este aspecto como estratégico, discutindo dois anos antes qual tática adotar, é
um sintoma de que a conclusão política sobre os erros do petismo não foram de
fato apreendido por nós. Colocar a frente eleitoral como a solução dos
problemas da esquerda é fechar os olhos para os reais e profundos problemas. Dito
isto, ainda não temos posição sobre as eleições de 2016, quando for o momento
oportuno discutiremos internamente e tornaremos publica se nossa posição será
pela frente ou não.
Mais equivocado ainda seria discutir
qualquer tipo de unidade programática, construção de bloco político como
expressão desta unidade abstrata dos partidos de esquerda ou qualquer coisa do
tipo. Por que? Porque nossas organizações expressam programas
e projetos políticos diferentes. Estamos em partidos separados porque
temos avaliações distintas sobre as saídas para o país não só hoje, mas
historicamente. Não levar em conta estas diferenças ou tentar jogá-las para
debaixo do tapete seria construir uma discussão em si oportunista. Chamar a
unidade abstrata seria esconder as diferenças políticas claras.
Caso sejamos convidados para
debater sobre a situação do país ou da esquerda teríamos o prazer de mandar
nossos representantes como tantas vezes fizemos, mas não nos parece também que
seja esse o objetivo do espaço.
Repetimos: Respeitamos a historia
de luta de muitos camaradas presentes na reunião e defendemos a mais ampla
unidade da esquerda para lutar, construindo organizações de massas onde os
trabalhadores participem com seus partidos de forma independente da burguesia.
Rio de Janeiro –
13\11\2014