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Operários do Comperj param a cidade pelo pagamento de seus salários


Operários das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) realizaram uma grande manifestação nesta terça-feira, fechando a Ponte Rio-Niterói. O protesto foi mais um episódio desta queda de braço que se estende desde o fim do ano passado, com diversas tentativas de negociação e atos realizados.

O atraso dos salários dos trabalhadores e o não pagamento dos direitos trabalhistas aos 469 demitidos e de cerca de 3 mil funcionários da Alumini Engenharia, empresa que presta serviço no Comperj, foi a gota d’água para estes trabalhadores que já enfrentam há anos o descaso do governo e dos patrões, que fecham os olhos para as condições de humilhação a que são submetidos estes operários há anos.

A construção do Comperj é parte da expansão da Petrobrás e bilhões de reais já foram investidos nesta obra. Agora com o escândalo da Petrobrás na Operação Lava Jato as empreiteiras que comandaram toda a roubalheira dos cofres públicos agora querem descontar nos trabalhadores. O impacto causado pela manifestação de ontem mostra a força dos operários e sua disposição para continuar a luta por seus direitos.

Declaramos total solidariedade aos operários do Comperj, que lutam para receber seus salários atrasados e por uma vida digna. É inadmissível que a empreiteira não cumpra com suas obrigações trabalhistas básicas e deixe centenas de famílias abandonadas a própria sorte. O lucro destas empresas não pode estar acima dos direitos dos trabalhadores.

A Petrobrás e o governo federal, por sua vez, não podem se omitir do caso, porque afinal de contas, o Comperj é um projeto de sua responsabilidade e interesse. A presidente Dilma, que em sua campanha eleitoral prometeu não retirar direitos e garantir o emprego, tem se calado diante desta situação.

Por último, a manifestação ocorrida no dia de ontem foi uma ação espontânea desses trabalhadores que já não suportam mais essa situação. Queremos deixar claro que não foi o PSTU que organizou o ato na Ponte Rio-Niterói, mas entendemos e apoiamos esses operários que não tem outra saída a não ser chamar a atenção da sociedade para a injustiça e a exploração sem limite que ocorre dentro do Comperj.


Direção Municipal PSTU-Rio

Atos reivindicando democracia agitaram o Rio nesta terça-feira

Manifestações democráticas contrastaram com ofensiva dos governos e da grande mídia

Por Rodrigo Noel e Rodrigo Barrenechea, do Rio de Janeiro


   A manhã de hoje começou agitada no Rio. Com um ato marcado pela ampla unidade dos setores democráticos da política fluminense, a OAB-RJ recebeu em sua sede, no Centro do Rio, o ato "Em defesa da democracia - Contra a criminalização da liberdade de manifestação". O auditório da seccional ficou pequeno. Ali estavam parlamentares de esquerda, ativistas de direitos humanos, jovens estudantes, sindicalistas, militantes feministas, advogados e toda uma gama de bravos lutadores e lutadoras que estavam ali em defesa da democracia, em defesa do direito a reunião e organização política.

   Os informes e relatos de arbitrariedades promovidos pelo Governo do Estado do RJ são alarmantes. Vão desde a invasão a casa de militantes sem mandado de busca, com confisco de livros e documentos pessoais, até inquéritos intermináveis, no intuito de perseguir politicamente aqueles que defendem uma sociedade mais justa e fraterna.
Cyro Garcia
(por celular)

   Em sua fala, o presidente do PSTU-RJ, nosso companheiro Cyro Garcia, contextualizou a repressão que vivemos nos dias atuais: "O Rio de Janeiro vive com mais intensidade esse recrudescimento da criminalização dos movimentos sociais, mas esse é um processo nacional. Em Porto Alegre nosso companheiro Matheus Gordo teve sua casa invadida, documentos e livros confiscados e é acusado de formação de quadrilha. Em São José dos Campos (interior de SP), o companheiro Renatão foi processado pela mesma juíza que ordenou o massacre do Pinheirinho, por organizar um tradicional bloco de carnaval do sindicato dos metalúrgicos da região".

   Ao final do ato, foram organizadas comissões de diálogo com os movimentos sociais, de profissionais do Direito e outra comissão que reúne os parlamentares, a fim de organizar a luta em defesa da democracia nos mais diversos âmbitos de atuação. Antes de encerrar a atividade, chegou a todos e todas a informação que a ALERJ (Assembleia Legislativa do RJ) acabara de abrir um inquérito disciplinar contra a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) por esta ter dado carona a advogada Eloisa Samy ao sair do Consulado do Uruguai, onde foi pedir asilo ontem.

Mídia criminaliza e faz o serviço sujo dos governos


   Em matéria publicada no jornal O Globo, são feitas acusações a diversos sindicatos, como o Sepe e o Sindipetro, de envolvimento com os ativistas acusados. Além de notoriamente inverídica, a reportagem tem perigosas implicações para a relação entre meios de comunicação e liberdades democráticas.
   Segundo O Globo, a investigação da polícia civil "revelou indícios do envolvimento de sindicatos no financiamento de protestos". Tais indícios "foram usados para abrir um novo inquérito, com o objetivo de chegar aos financiadores". Ainda, segundo a reportagem, foram lançados coquetéis molotov contra os integrantes da Força Nacional de Segurança.
   Vamos primeiro às respostas dos sindicatos: o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), em nota, refuta as acusações do jornal, afirmando que suas reivindicações são elaboradas pelo conjunto da categoria dos educadores, por meio de assembleias. Ainda, que nelas não constam "apoio do sindicato à atos violentos e de dilapidação do patrimônio público ou privado"; por fim, que nada é decidido de forma secreta ou clandestina, já que as reivindicações "são amplamente divulgadas pela imprensa do sindicato, através da sua página oficial do SEPE/RJ na internet ou quando a Coordenação Geral é chamada para entrevista". Já o Sindipetro-RJ, em nota assinada por seu secretário-geral, Emanuel Cancella, rejeita "as distorções trazidas na matéria 'A conexão sindical' do Jornal O Globo desta terça-feira, 22 de julho, que busca criminalizar movimentos sociais e manchar o nome e a história de luta da nossa entidade". Além disso, diz que a suposta ajuda dada a manifestantes na verdade se tratava de auxílio dado a atos políticos legais, como "o protesto contra o leilão de Libra e outras manifestações, como os atos contra a privatização do Maracanã, em defesa da Aldeia Maracanã, contra a demolição da Escola Municipal Friedenreich, do Célio de Barros e do Parque Aquático Julio Delamare. Consideramos legítimo o apoio a livre expressão dos movimentos sociais na luta por direitos sociais e por uma vida melhor. Nada disso é proibido pelas leis brasileiras". Por fim, na nota o Sindipetro questiona a ética editorial da reportagem, "que deu um péssimo exemplo de jornalismo ao publicar matéria baseada em inverdades e sem ouvir a versão dos fatos do alvo de seu ataque, neste caso, nós do Sindipetro-RJ".
   Quanto às escolhas da matéria, um aspecto da nota assinada por Cancella é sintomático: a falta de provas sobre a suposta violência dos manifestantes contra a Força Nacional de Segurança, no ato contra o leilão de Libra, na Barra da Tijuca. "Diferente do que fala a matéria, também vale destacar que a violência no ato contra o leilão de Libra partiu da força policial. Temos toda a manifestação gravada e nos colocamos a disposição para comprovar essa grande inverdade da matéria". Ou seja, a reportagem de O Globo não apenas não ouviu todas as partes envolvidas, como não foi a fundo na apuração dos fatos. Nós, do Pstu Rio, estivemos presentes ao ato e não vimos nem coquetéis molotov nem que a violência tenha partido dos manifestantes. Ao contrário, foi a FNS que investiu contra os ativistas, que pouco fizeram além de se proteger das bombas de gás e balas de borracha.
   Cabe então perguntar: o que deseja o jornal O Globo com essa linha editorial? A sua tão propalada "isenção" pode ser levada à sério diante de acusações sem fundamento? Sua "imparcialidade" leva a que só um dos lados da questão seja ouvida? Ou se trata de validar o intento de criminalizar os movimentos sociais por meio de um discurso que diz quem vai às passeatas é "vândalo" e que sindicatos, fóruns de ativistas ou partidos são "quadrilhas"?

À noite, ato cultural pede libertação dos presos políticos


   No fim do dia, outra manifestação, realizada também no centro do Rio, pediu pela liberdade aos presos políticos. Reunidos em frente ao Tribunal de Justiça, os ativistas lavaram a escadaria do prédio, em protesto às prisões arbitrárias e em alusão do caso de Rafael Braga. Ele, preso por supostamente portar explosivos e detido no complexo penitenciário de Bangu, estaria na verdade levando detergente em sua mochila.
   Apesar da forte presença policial, o ato - que marchou do TJ até a Cinelândia, onde um show foi feito - transcorreu em calma. A propósito da presença da PM, chegou a nosso conhecimento que uma profissional de imprensa ligada à esquerda foi continuamente provocada pelos policiais, que diziam a ela que "isso não ia dar em nada", "que todo mundo ia mofar na cadeia", entre outras afrontas.
   Também presente no ato à noite, Cyro Garcia falou da criminalização dos movimentos sociais e da necessidade de se desmilitarizar a polícia. "Exigimos liberdade imediata a todos os lutadores da classe trabalhadora e arquivamento dos processos em curso!", disse.

Pela liberdade imediata dos presos políticos de Dilma e Pezão

   Pelo fim da polícia militar e da política de repressão dos governos! 

Na manhã deste sábado (12) estão sendo cumpridos 60 mandados de prisão contra trabalhadores e estudantes. Enquanto a máfia dos ingressos da FIFA permanece livre, cerca de 20 ativistas já estão presos

   Os governos mostram qual é o verdadeiro legado da Copa: repressão, supressão de direitos democráticos e remoções. Até o momento, cerca de 20 mandados de prisão provisória, com duração de até cinco dias, já foram cumpridos. Entre os presos, estão dois menores de idade. Os ativistas presos foram retirados de suas casas e levados em camburões, sob a mira de armas de grosso calibre, para a “Cidade da Polícia”, no Jacarezinho (Zona Norte do Rio). Um grupo será transferido ainda hoje para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste da capital.

   Há denúncias de que prerrogativas dos advogados que estão na “Cidade da Polícia” estão sendo desrespeitadas. Os midiativistas presentes no local foram impedidos de participar de uma coletiva de imprensa organizada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Somente a mídia tradicional, conivente com os governos de plantão, que dependem das verbas institucionais para aumentar seus lucros, e que apoiaram o famigerado golpe civil-militar de 64, puderam participar do espetáculo montado.

   Para continuarem com sua onda repressiva, os governos contam com a conivência da mídia tradicional. Na Band News FM foi relatado que na casa de um dos presos, um professor, foi encontrada uma máscara de gás, como se fosse algo perigoso, na verdade quase um objeto de uso obrigatório nas manifestações de rua pela capital fluminense, dada a quantidade de bombas de gás lacrimogênio que é jogada a esmo pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Na Rede Globo a chamada para o o jornal vespertino não foi diferente, ao tratar como “vândalos” aqueles que lutam.

   Fazemos esta denúncia não por concordar com as ações e os métodos dos grupos políticos a que pertencem os ativistas presos. Mas, não podemos admitir ataques aos direitos democráticos de manifestação e liberdade de opinião. Acreditamos que essa ação faz parte de uma onda repressora de Dilma (PT), Pezão/Cabral (PMDB) e Alckmin (PSDB), contra aqueles que lutam, como aconteceu nas demissões dos metroviários de São Paulo, com o corte de salários na educação do Rio de Janeiro e os processos aos ativistas do Bloco de Lutas de Porto Alegre, como Matheus 'Gordo', militante do PSTU.

Chega de dinheiro para a FIFA! Exigimos mais dinheiro para saúde, transporte, moradia e educação!

Toda solidariedade aos presos e perseguidos por lutar no Rio e em todo país!

Lutar não é crime, lutar é um direito!

No Rio manifestantes mostram que “Na Copa já tem luta!”

Por Dirley Santos, da redação

Faixa do PSTU denuncia para o mundo as injustiças da Copa

Convocado e organizado pela Plenária dos Comandos de Greve das Categorias em Luta protesto contra as injustiças da Copa reúne 5 mil pessoas em frente a Igreja da Candelária.
Estimulados pela greve dos Aeroviários cerca de 5 mil pessoas realizaram um ato de protesto contra os gastos públicos e as injustiças da Copa no centro do Rio de Janeiro. 

Faixas denunciam corrupção, remoções e repressão
Exibindo muitas faixas e bandeiras os manifestantes denunciaram a concessão do Maracanã, as remoções na cidade e a repressão contra os trabalhadores. 
Manifestantes fecharam totalmente as duas pistas da Avenida Rio Branco e realizaram uma grande passeata em direção a Cinelândia; de onde se depois para os Arcos da Lapa.
O protesto contou com a presença de ativistas e militantes da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), comandos de greve dos servidores da cultura, das universidades e colégios federais, do SINASEF e a PSOL, PCB e PSTU também participaram com suas colunas a galera da ANEL-RJ e de outras entidades estudantis. Além deles, militantes do PSOL, PCB e PSTU também participaram com suas colunas.
Durante o trajeto na Avenida Rio Branco a população demonstrou de várias formas seu apoio aos manifestantes.

PM reprime com violência e dispersa manifestantes
 
PM reprime manifestantes com violência
O protesto seguiu tranquilo até a chegada aos Arcos da Lapa. Quando o ato se encaminhava para o final quando policiais próximos ao carro-de-som detiveram um manifestante dando início à confusão. Cercada por parte da manifestação a PM reagiu violentamente e dispersou a multidão a base de spray de pimenta e bombas de efeito moral. 

Pelo menos quatro manifestantes foram detidos durante a ação violenta da Polícia Militar. Advogados de entidades dos movimentos sociais e representantes de organizações de defesa dos direitos humanos se dirigiram a delegacia para acompanhá-los. 
Apesar da ação violenta da Polícia Militar, que ocupou quase toda a região dos Arcos da Lapa, uma parte dos manifestantes continuou pacificamente embaixo dos Arcos da Lapa e o restante se dispersou organizadamente. 
A ação repressora dos governos com certeza será um das marcas desta copa. Imagens de manifestantes sendo agredidos e de jornalistas machucados vão correr o mundo. Mas os movimentos sindical, popular e estudantil, como a Anel e a CSP-Conlutas, e os partidos de esquerda, como o PSTU, não se deixarão intimidar e seguirão nas ruas, pois afinal #NaCopaVaiTerLuta!

Veja outras manifestações pelo Brasil http://www.pstu.org.br/node/20714

Profissionais de educação do RJ foram covardemente reprimidos na tarde desta 4ª

Ato na porta da prefeitura do Rio contou com mais de
500 pessoas. Foto: Divulgação/SEPE-RJ.
6 pessoas ficaram feridas. Um professor teve que passar por procedimento cirúrgico no ombro

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Os trabalhadorxs da educação do RJ seguem seu calendário de mobilização da greve, votado em assembleia da categoria, apesar da tentativa de intimidação por parte da justiça estadual. Na tarde de hoje (28), cerca de 600 trabalhadores saíram de suas casas, apesar da chuva e da justa greve dos rodoviários, e foram para a porta da prefeitura e da secretaria estadual de educação para pressionar os governos Pezão e Paes a negociarem com a categoria.

   A quantidade desproporcional de policiais criou um clima desnecessário de tensão e propício para confusão. Depois de saírem em um ato unificado da frente da prefeitura do Rio até a porta da secretaria estadual de educação, os educadores foram covardemente reprimidos pela Tropa de Choque da PM com uso de gás de pimenta, cassetetes, empurrões com escudos, entre outras arbitrariedades. Veja aqui algumas imagens da repressão.

   Ainda assim, os trabalhadores conseguiram chegar a porta do órgão estadual, onde permaneceram em vigília, e continuaram cantando palavras de ordem enquanto uma reunião acontecia dentro da secretaria. Uma professora (Aluana) foi presa por colar um adesivo da campanha salarial na porta da secretaria e levada para a delegacia. A alegação: desacato. Após muitas horas de espera e pressão na delegacia, e com auxílio do SEPE/RJ, a professora foi liberada.

   Pezão, mesmo estando pouco tempo a frente do governo, demonstra que aprendeu bem na cartilha de Cabral: negociar jamais, manda a polícia militar reprimir, prender, espancar, atirar.

   Os únicos responsáveis pelo caos na educação do RJ são o prefeito Paes e o governador Pezão! Cassetete não é lápis! Para acabar com a greve, os governantes devem atender as reivindicações da categoria e respeitar os trabalhadores em seu direito de livre manifestação e organização política.

Veja também:

Atualizado às 5:00h 29/05

1º de maio combativo e classista!



por Rodrigo Barrenechea

   Aproximadamente 400 pessoas caminharam pela Avenida Brasil, na zona norte do Rio de Janeiro, no ato de Primeiro de Maio convocado pela Plenária de Movimentos Sociais. Os manifestantes protestaram contra a ocupação militar das comunidades pobres, por mais investimentos em saúde, educação e moradia e apresentando uma alternativa classista e combativa para a classe trabalhadora. A passeata concentrou-se num dos acessos ao Complexo da Maré, em frente à Fiocruz, e caminhou por cerca de 1 Km, até a Passarela 7 da Avenida Brasil. Chegando lá, sindicatos, movimentos sociais e de juventude, e partidos políticos falaram por uma forma diferente de se tratar a pobreza no país, sem assistencialismo e sem repressão policial.

   Este ato teve grande importância não apenas por se realizar na Maré, comunidade ocupada pelas Forças Armadas, mas por se colocar como alternativa aos eventos das principais centrais sindicais, como a CUT ou a Força Sindical, que fazem "festas" com shows de artistas e sorteios. Desta forma, a data perde todo seu caráter de luta da classe trabalhadora, transformando-se num palco para apoiadores ou opositores do governo Dilma, que por fim buscam apenas aperfeiçoar o capitalismo e a exploração social.  


Agora, é preparar o dia 15 de maio, primeira data das jornadas de luta que antecedem os protestos durante a Copa do Mundo.

Cresce a Violência em Niterói: por uma saída operária e socialista!


Diogo de Oliveira (Professor de Geografia do C.E. Hilário Riberio, na comunidade do Fonseca, em Niterói - Setor da Educação Básica do PSTU-Niterói).

    Nas últimas semanas se tornou evidente que Niterói, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, faz parte da dura realidade carioca e nacional: o crescimento da violência e do "inferno urbano". Os últimos acontecimentos foram dramáticos e, infelizmente, iguais aos episódios de criminalização da pobreza, de racismo, de violência policial e de polarização social que vimos no Rio de Janeiro, capital.

Polícia racista assassina os pobres também em Niterói
     Na semana do "feriadão" da "Semana Santa", do dia de Tiradentes e de São Jorge (feriado no Estado do Rio), a cidade parou com os protestos das comunidades do bairro do Caramujo, um bairro pobre da periferia de Niterói. Os trabalhadores da região incendiaram sete ônibus e parou uma das principais vias da cidade, a Alameda São Boaventura. O estopim dos protestos foram dois assassinatos, pelas mãos da Polícia racista de Cabral/Pezão (PMDB): os dois de jovens negros da comunidade, um atingido por "bala perdida", e outro atropelado por um carro blindado da PM. Mais este episódio da violência policial e da criminalização da pobreza movida pelos Governos traz a tona, com maior força, a luta pela desmilitarização da PM e por uma nova Polícia, controlada pelos trabalhadores, especialmente das comunidades.

Niterói cidade qualidade de vida?
     Além dos episódios constantes de violência policial e criminalização da pobreza nas comunidades de Niterói, a cidade passa hoje por um vertiginoso crescimento da violência social em geral. Nos últimos dois anos, especialmente, dispararam os casos de assaltos a residências e a transeuntes, assassinatos após assaltos, violência contra as mulheres, etc. São evidentes casos ligados ao crescimento da polarização na sociedade fruto das grandes desigualdades sociais que dividem o Brasil capitalista. E em Niterói, esta polarização social sempre foi dramática. A chamada "cidade qualidade de vida" sempre escondeu, por trás, uma enorme desigualdade social. Enquanto os bairros nobres da cidade recebiam (e recebem até hoje) grandes investimentos em infraestrutura, os bairros da periferia permaneciam excluídos. Essa sempre foi a política dos Governos, inclusive dos Governos do PT. E com a violência crescente, sinais de desespero começam a aparecer: nos últimos dias ondas de boatos sobre "toque de recolher" e "invasões de favelas pela PM" paralisaram parcialmente a cidade.

Pezão, Rodrigo Neves e Beltrame querem implantar UPP's em Niterói
O Governo do PT e a violência em Niterói
    Hoje Niterói é governada pela Prefeitura de Rodrigo Neves, do PT. E não é a primeira vez que o PT está no Governo: junto com o PDT, do desastroso Jorge Roberto Silveira, o PT está na Prefeitura desde fins dos anos 90. Então, parte da responsabilidade da cidade das desigualdades, que é Niterói, é do PT. Além de Niterói, o PT governa o país inteiro há 11 anos, e pouco fez para acabar com as desigualdades sociais que dão origem à violência urbana. As Jornadas de Junho ajudaram a tornar claro esse fato. E voltando a Niterói, a política do PT por aqui em nada difere dos restantes dos Governos para "combater a violência": mais Polícia, mais Guarda Municipal, mais ocupações das comunidades e favelas. Ou seja, mais criminalização da pobreza. O PT, que fez parte do Governo ditador de Cabral no Rio até o último momento, é também co-responsável pela desastrosa política das UPP's.

Como combater a violência? UPP e mais repressão não é solução! Por uma saída dos trabalhadores!
     Outro aspecto que intensifica a violência em Niterói é a questão das UPP's. Implantadas na capital, Rio de Janeiro, a violência das UPP's tem uma face contraditória sobre Niterói: parte da ‘"bandidagem" (traficantes e milicianos) migraram para Niterói, São Gonçalo e região, intensificando a "guerra" na periferia dessas cidades. A classe média, assustada, clama, porém, por mais UPP's. Mas os recentes protestos populares e o assassinato do dançarino DG no Rio de Janeiro provaram, mais uma vez, que a UPP é uma farsa de "pacificação". Cada vez fica mais claro que a "pacificação" dos Governos é propaganda enganosa e, principalmente, mais criminalização e massacre sobre os trabalhadores pobres, em especial jovens e negros. Portanto, UPP nunca foi e não é solução para a violência urbana em Niterói. Mais UPP's significa mais extermínio da juventude pobre e negra, e mais violência. É como jogar gasolina no incêndio do "inferno urbano" brasileiro.
     Em resposta as políticas dos Governos, que disputam a consciência dos trabalhadores para saídas semi-fascistas, levantamos uma política operária e socialista! É preciso acabar com o aparelho repressor do Estado, principal responsável pela violência crescente nas cidades: pela desmilitarização da PM, por uma nova Polícia controlada pelos trabalhadores! É preciso acabar com as desigualdades sociais que alimentam a decadência social de parcela dos filhos e filhas dos trabalhadores, os empurrando para a criminalidade: investimentos em Educação, Saúde e Cultura públicas! Plano de obras públicas e redução da jornada de trabalho para gerar pleno emprego e perspectivas para a juventude! É preciso acabar com as fontes de financiamento do Tráfico de drogas, um negócio capitalista: legalização de todas as drogas, sobre controle do Estado e dos trabalhadores! É preciso combater a corrupção estatal que alimenta as milícias: prisão para todos os agentes do Estado envolvidos com as milícias!

Chegou a hora de varrer o prefeito Paes!

Foto: Rodrigo Noel.
Mais um dia agitado na "Cidade Maravilhosa"

Por Rodrigo Noel

   O Rio de Janeiro é hoje o palco de uma das principais lutas a nível nacional. Pelo claro enfrentamento com a burocracia sindical, a grande mídia e o aparato repressivo de Paes/Cabral, a greve dos trabalhadores da Comlurb vem mostrando claramente que é possível vencer.

   Na foto que abre este breve informe, um grupo de trabalhadores animavam os centenas de trabalhadores que se concentravam na porta da prefeitura. Eles exigiam a abertura de negociações com vistas as reivindicações por melhores condições de trabalho e reajuste salarial digno.

   Depois de terem esperado por tempo suficiente e não serem sido recebidos pelos assessores da administração municipal, os garis se juntaram a outros companheiros e aos milhares caminharam pelas principais avenidas do Centro do Rio. As cenas que seguiam eram de muita disposição pra luta por parte dos trabalhadores e, das calçadas e prédios, muitos trabalhadores aplaudiam, em sinal de solidariedade, os bravos lutadores que caminhavam pelas ruas da cidade.

"Companheiro Gildo, presente!" 
   Na madrugada de 7/10/2000 o companheiro Gildo da Rocha, dirigente sindical dos garis do Distrito Federal, estava organizando um piquete da greve dos garis quando foi assassinado pela polícia. Mesmo tendo sido atingido por trás, os policiais civis que efetuaram o disparo tentaram incriminá-lo dizendo que este portava armas e drogas, mas dois meses depois toda a farsa foi desmontada após laudo criminalístico. Um dos acusados de efetuar os disparos contra Gildo morreu em um acidente e o outro foi inocentado pela justiça, mesmo com sua comprovada participação na morte do companheiro. Também por isso devemos cobrir os companheiros garis do Rio de Janeiro de solidariedade, pois nem mesmo com o sindicato de sua categoria eles podem contar e ainda têm que lutar contra a campanha feita pela grande mídia pela privatização da Companhia Municipal de Limpeza Urbana - Comlurb.

Presidente da Comlurb manda a população guardar o lixo em casa
    Em mais uma das declarações absurdas dadas pela administração de Eduardo Paes, o presidente da Comlurb, Vinicius Roriz, pediu aos moradores do Rio que não coloquem seus lixos na rua, mas que os guardem em suas casas. Isso é um sinal de que a cúpula da companhia responsável pela limpeza urbana não pretende ceder nos próximos dias e que o caos permanecerá na cidade, contando inclusive com o auxílio de capitães-do-mato da pm, guarda municipal e supervisores da companhia que coagiram centenas de trabalhadores para retomares seus postos de trabalho.

A luta continua
   Novos atos estão marcados para os próximos dias e a mobilização da categoria segue forte. Mesmo com a grande campanha de todo aparato da prefeitura, do próprio sindicato da categoria e das organizações Globo para criminalizar a greve, o apoio da população é muito grande e não para de aumentar. Os baixos salários, as precárias condições de trabalho e a justeza das reivindicações da categoria explicam em muito a solidariedade e o apoio a greve que cada vez mais tem aumentado, e deve contar com a adesão a partir de segunda-feira (10) dos Agentes de Preparação de Alimentos (APA), também vinculados a COMLURB.

Leia também:

Atualizado às 15:50h (8/03)

Nota do PSTU-Teresópolis: Contra a criminalização dos movimentos sociais e lutadores da Educação de Teresópolis

Profissionais da educação em conjunto com o Fórum Popular Teresópolis (FPT)
 fazem manifestação por uma escola pública, gratuita e de qualidade.

O PSTU Teresópolis denuncia e repudia a perseguição que nossa militante, professora Rosângela, e o professor Marcel vêm sofrendo por parte da diretoria do SindPMT (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis), em virtude de fazerem parte de um movimento de oposição sindical, o MPET- Movimento Professores pela Educação de Teresópolis. O fato de o Movimento discordar da atuação da diretoria do sindicato frente às necessidades da categoria, da política utilizada frente ao governo, tem feito com que essa diretoria entre em contradição com o magistério.

A presidenta do SindPMT, Andrea Pacheco, enviou, em pleno recesso escolar, notificação na qual os professores sofrem acusações que, em tempos em que o trabalhador tem redescoberto às ruas como meio de reivindicação, não tem sentido. No documento enviado para a professora e assinado pela “presidenta”, é citado que “o direito de associação não é absoluto e comporta restrições”. Ambos são acusados de cometer assédio moral contra a diretoria. Da mesma forma como os governos Cabral, Paes e Dilma preparam uma ofensiva contra as manifestações da juventude e dos trabalhadores, tentando criminalizá-los, a presidenta reprime professores, utilizando o aparato sindical, como se fosse uma continuidade do governo Arlei Rosa (PMDB). A mesma diretora gritou diante de outros professores, em reunião de comissão eleita em assembleia, que a professora era militante do PSTU, com o intuito de desmoralizá-la diante da categoria, como se não fosse direito de qualquer cidadão brasileiro a filiação a partidos políticos. O mesmo aconteceu com o professor Marcel, que foi constrangido, nessa mesma reunião, por expressar sua opinião. Isso é uma das formas de assédio moral! O Movimento do qual a professora e o professor são participantes é apartidário, mas não faz restrições a professores que façam parte de organizações ou partidos políticos. Nesse momento, o mais importante para o magistério de Teresópolis é a unidade, pois além da lutar contra o governo municipal, há também de ser vencida a burocracia sindical.

Hoje, qualquer servidor que venha a reclamar, ou mesmo discordar da diretoria, especialmente da presidenta, poderá ser sancionado com justificativa no estatuto, que foi modificado recentemente. O professor Marcel e a professora Rosângela foram ameaçados sob as penalidades previstas no art. 10. Os artigos que seguem a esse (art. 11, art. 12 e art.13), corroboram com o poder de punição da diretoria. O que antes era decidido em Assembleia Geral poderá ser decidido por um pequeno grupo. O PSTU reivindica, permanentemente, que a base faça parte de todas as decisões do sindicato, evitando, assim, que as diretorias sindicais façam conluio com os governos.

A legitimidade do MPET tem sido questionada publicamente pela diretoria sindical. No entanto, a atuação incisiva do Movimento nas assembleias e a primeira vitória da categoria, em pouco tempo de luta, mostram o contrário. O governo teve de corrigir os valores dos vencimentos dos professores, que vinham sendo pagos sem a devida diferença entre níveis desde julho de 2011. Esse foi o começo de uma luta que prosseguirá durante 2014.

Fazer parte do PSTU significa defender a democracia operária nos sindicatos, nos movimentos, pois é parte de nossa bagagem histórica.

            “É preciso lutar e é possível vencer!”

CPI do Vandalismo é instaurada na Alerj


Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que criminaliza os movimentos sociais instaurada pela base do governo Cabral contou com assinatura do deputado Marcelo Freixo, do Psol.

 Por Arthur Gibson, da Redação

Foi oficializada nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, a CPI do Vandalismo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). O pedido para instauração da Comissão, proposta pelo deputado estadual Bernardo Rossi (PMDB), foi assinado por 40 deputados de todos os partidos que compõem a casa, dentre eles Marcelo Freixo (PSOL).
De acordo com o deputado governista Bernardo Rossi, a convocação da CPI estaria justificada, pois  com as manifestações violentas que ocorreram no país “estão em jogo a democracia, a liberdade de imprensa e a vida”. O deputado peemedebista deixa claro também que pretende “responder a perguntas como ‘Quem comprou os morteiros?’, ‘Com que dinheiro?’, ‘Quem levou estes artefatos até lá?’, ‘Quem oferece ajuda jurídica para estas pessoas?’. São questões que precisam ser esclarecidas para que esta violência isolada e articulada tenha fim”.

Os governos tentam calar as ruas
Desde a trágica morte do cinegrafista Santiago Andrade tem havido um grande esforço da burguesia brasileira em tentar impor uma ofensiva repressiva sobre os movimentos sociais. A mídia busca construir um verdadeiro clima de pânico e insegurança na população diante das manifestações, novamente definidas como “baderna”, “vandalismo” e “terrorismo”.
Com isso a imprensa ajuda os governos estaduais e, em particular, o governo Dilma na tentativa de esvaziar as mobilizações e jogar a população contra os manifestantes. A insinuação de que o PSOL ou o PSTU pagam pessoas para cometer atos de vandalismo busca fazer com que os trabalhadores encarem os atos como ilegítimos, e os ativistas como manipulados. Em relação ao Deputado Marcelo Freixo, é visível a tentativa do governo Sérgio Cabral de tentar desgastar sua imagem com objetivos eleitorais, visto que Freixo teve expressiva votação nas eleições municipais, o que pode ameaçar o domínio do PMDB no estado.
No marco desta ofensiva se situam também a tentativa de retomada no Congresso Nacional da Lei que tipifica de maneira genérica o crime de “terrorismo”. Com o PT e o PMDB à frente, a aprovação desta Lei possibilitaria um salto na criminalização das manifestações, ao tornar “terroristas” os manifestantes.

A quem serve a CPI?
A proposta de uma CPI do Vandalismo no RJ se enquadra dentro da tentativa do governo Sérgio Cabral de levar às últimas consequências a exploração política da morte de Santiago Andrade, avançando ainda mais na criminalização dos movimentos sociais.
Desde junho passado foram detidas mais de 700 pessoas no Rio de Janeiro em decorrência dos protestos. Foi no RJ também que se deu a primeira condenação relacionada aos protestos no país. Com a CPI, o objetivo da base aliada do governo Cabral é trazer pra dentro da ALERJ as investigações sobre as ações acontecidas nas manifestações e estabelecer as possíveis conexões políticas dos manifestantes.

Nenhuma confiança na Alerj! Abaixo a repressão!
A ALERJ não tem nenhuma moral ou autoridade para investigar manifestante algum. Esta casa é cúmplice e responsável pelas ações do governador Sérgio Cabral. Totalmente dominada pela base aliada do governo, a ALERJ em momento algum buscou investigar ou condenar os inúmeros abusos cometidos pela PM durante as manifestações ou nas favelas, como no caso do assassinato de Amarildo. Tampouco demonstrou alguma intenção efetiva de investigar os escândalos de corrupção do governo Sérgio Cabral. Os deputados estaduais do RJ até hoje não tomaram a sério como pauta nenhuma das reivindicações que as manifestações trouxeram à tona. A ALERJ é cumplice do governo Cabral na corrupção, no sucateamento dos serviços públicos, e na criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. A instauração da CPI coloca nas mãos destes deputados que desde o ano passado são alvo das manifestações a prerrogativa de investigar as próprias manifestações.  
Neste sentido é de surpreender e lamentar a posição do deputado Marcelo Freixo de assinar o pedido da CPI governista. Ao fazer isto o deputado empresta sua credibilidade ao governo Cabral quando este manobra para perseguir manifestantes. Ao mesmo tempo, a assinatura de Freixo acaba por gerar expectativas quanto à possibilidade da CPI ser um instrumento legítimo para esclarecer questões pendentes sobre o caso da morte do cinegrafista Santiago Andrade.

Não a criminalização dos movimentos sociais!
O PSTU foi o único partido da esquerda a polemizar abertamente com os Black Blocs, condenando as ações violentas descoladas do movimento de massas e seguimos com esta posição. Por este motivo, inclusive, fomos criticados por simpatizantes deste grupo. No entanto, jamais abandonamos a nossa posição de defender intransigentemente qualquer manifestante diante da repressão do Estado.
A CPI do vandalismo deve ser combatida como um instrumento a serviço do governo Sérgio Cabral e seus aliados para criminalizar as manifestações. O papel dos socialistas, em especial de um parlamentar socialista, é de fazer uma denúncia incansável dos objetivos desta Comissão e de mover todos os seus esforços para que ela fracasse. É isto que esperávamos do deputado Marcelo Freixo. Convocamos o conjunto dos movimentos sociais e partidos de esquerda a lutar contra a CPI do vandalismo.   

Durante coletiva, Cyro Garcia rebate falsas acusações e denuncia aumento da repressão aos movimentos sociais

Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU-RJ, e
Isabela Blanco, advogada do partido
Nota enviada a imprensa as 19:50h

Presidente estadual do partido afirmou ainda o orgulho do autofinanciamento

   No início da tarde de hoje, na sede do PSTU-RJ, o presidente estadual do partido e ex-deputado federal Cyro Garcia concedeu entrevista coletiva, no intuito de esclarecer, uma vez mais, sobre as acusações, sem nenhuma base factual, feitas pelo advogado dos jovens presos acusados de acender o rojão que vitimou o cinegrafista Santiago Andrade.

   Cyro afirmou que o PSTU polemizou publicamente, desde o início das jornadas de junho, sobre a chamada tática black bloc: "Não apoiamos as ações isoladas do movimento de massas. Isso só serve para afastar os trabalhadores das manifestações e amedrontar a população, fazendo assim o jogo dos governos. A falta de organicidade desse setor do movimento favorece a infiltração de provocadores completamente alheios ao movimento social", disse. Cyro também disse acreditar que esta nova onda de repressão visa atacar todos os partidos de esquerda e reafirmou a necessidade de uma unidade do PSTU-PSoL-PCB, movimentos sociais e sindicatos nas ruas e uma Frente de Esquerda nas eleições, como mais uma forma de conter a ofensiva de criminalização dos movimentos sociais por parte dos governos e partir para uma ofensiva programática contra os governos, que seguem negando direitos a população.

   Durante a coletiva, Cyro Garcia, em nome de todo o PSTU, prestou a "mais irrestrita solidariedade a família de Santiago Andrade e Tasman Accioly", o camelô que morreu atropelado por um ônibus enquanto buscava refúgio das bombas atiradas a esmo pela polícia militar.

   Segundo Cyro, a responsabilidade pelo caos nas ruas segue sendo dos governos: "Para acabar com o caos das ruas, basta que os governos Dilma, Cabral e Paes tomem medidas muito simples: ouçam as vozes das ruas e acatem as reinvidações mais básicas dos trabalhadores, como transporte público de qualidade, saúde decente e educação gratuita e de qualidade", disse Cyro Garcia, complementando que a responsabilidade pelas mortes no RJ é da política de segurança fascista implementada por Cabral e Beltrame.

   Na próxima segunda o PSTU vai se reunir com a OAB e outras entidades da sociedade organizada e vai exigir que uma comissão formada por organizações da sociedade civil acompanhem as investigações, além de cobrar que se investigue as acusações de financiamento de provocadores nas manifestações: "Se tem alguém que recebe por isso, que se apure e prove, além de mostrar quem paga", afirmou.

   Antes de encerrar, Cyro disse que o PSTU não vai sair das ruas: "As reivindicações populares estão no DNA do nosso partido. Não saímos, não sairemos das ruas e nelas vamos continuar!", finalizou.

Mobilização no Rio manda recado aos governos: Agora e na Copa vai ter luta!

Manifestantes ocupam gare da  Central do Brasil (06.fev.2014)    Foto: Erick Dau

Por Arthur Gibson, da redação Rio.

Neste dia 6 de fevereiro os trabalhadores e a juventude saíram mais uma vez às ruas contra o aumento do transporte no Rio de Janeiro. O vitorioso ato, que reuniu quase 5 mil pessoas, foi convocado pelo Fórum de Luta do Rio de Janeiro e partiu da Candelária até a Central do Brasil.

A confirmação do aumento da tarifa do ônibus para este dia 8 pelo Prefeito Eduardo Paes fortaleceu o sentimento de que é preciso voltar às ruas. Este foi o maior e mais marcante dos 4 atos já realizados desde que Paes anunciou sua intenção de aumentar a tarifa. E isto mesmo com o anúncio de que a prefeitura ampliaria de maneira bastante parcial o direito à meia-passagem e passe-livre estudantil como forma de tentar desmobilizar a juventude.

No entanto tanto o prefeito Eduardo Paes (PMDB) quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidenta Dilma Roussef (PT) podem ter a certeza de que teremos mais um ano de muitas lutas. Assim como em 2013, a luta não é apenas contra o aumento da passagem. Nesta quinta-feira puderam ser vistas faixas e palavras de ordem pela estatização dos transportes, contra os gastos bilionários com a FIFA e a Copa do Mundo, pela derrubada do governador Sérgio Cabral, pelo fim da PM e em defesa de mais investimento em saúde, segurança, transporte e educação públicos, dentre outros temas.

Diante da mobilização dos trabalhadores o governo Cabral e a prefeitura de Paes mais uma vez responderam com uma brutal repressão. Ao chegar à Central do Brasil, a PM expulsou os manifestantes com bombas, balas e cassetetes desatando um grande enfrentamento nas vias públicas. O saldo de mais essa ação truculenta da PM foi de vários feridos, e mais uma vez os governos sinalizam que não estão dispostos a ouvir as reivindicações das ruas.

Uma polêmica necessária
Alguns setores da esquerda seguem defendendo que o principal eixo das mobilizações deva ser o “Não vai ter Copa”. Achamos importante fazer aqui novamente esta polêmica. Neste momento, apesar de termos importantes mobilizações elas ainda são bastante minoritárias. A grande ambição daqueles que estão hoje na luta deve ser fazer com que as manifestações se massifiquem, que amplos setores da classe façam parte destas manifestações. Para isto, utilizamos as palavras de ordem para lançar aos trabalhadores uma tarefa, propor-lhes um motivo para ir às ruas.

A esmagadora maioria da classe trabalhadora quer que a Copa aconteça, e gosta da ideia de que ela seja no Brasil. Assim, sair às ruas dizendo “Não vai ter Copa” equivale a propor aos trabalhadores que se mobilizem para barrar a Copa que eles querem que aconteça. De concreto acaba por jogar contra a massificação da mobilização.

No entanto, apesar de quererem a Copa, os trabalhadores estão fartos da corrupção, dos desvios de dinheiro da falta de investimento nas áreas sociais, das remoções e da morte de operários. É preciso convocar os trabalhadores para irem às ruas agora e na Copa, numa grande mobilização por mais verbas para saúde, educação, segurança e transporte públicos e contra a transferência de dinheiro público para Copa, FIFA e grandes empresas.

Protesto contra o aumento das passagens no Rio é marcado por forte repressão policial



por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
  Nesta quinta, 6 de fevereiro, realizou-se mais um ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro. O reajuste, de R$2,75 para R$3,00, foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes apesar de posição contrária do Tribunal de Contas do Município - fato que só veio a público após o anúncio do aumento e esteve cercado de uma guerra pela imprensa. Paes, por outro lado, lançou mão de uma medida paliativa, ao acenar com a extensão do passe-livre a estudantes universitários beneficiários de programas sociais como as cotas e o PROUNI. Nós, do PSTU, achamos que o passe-livre deve ser irrestrito, não apenas a todos os universitários, mas também a todos os estudantes da educação básica, e sem limitação no número de viagens, como ocorre hoje em dia.
  
 Por volta de 4500 pessoas participaram da manifestação, iniciada na Candelária e que prosseguiu ocupando duas das pistas da Avenida Presidente Vargas. O destino, desta vez, era a Central do Brasil, que num outro ato já tinha sido cenário de um "roletaço", com o acesso aos trens sendo liberado pela ação dos ativistas. Participaram do ato, em sua maioria, jovens, mas trabalhadores de diversas categorias e participantes de movimentos sociais também fizeram-se presentes. A presença de partidos e movimentos de esquerda, assim como do Fórum de lutas do RJ, com uma grande faixa, deu a tônica do ato.
  
Tropa de choque da PM preparada para reprimir
os manifestantes nas proximidades da Central do Brasil

Ao chegar à estação Central do Brasil, um forte aparato repressivo já aguarda os manifestantes; no entanto, a PM não pôde impedir, num primeiro momento, a entrada dos ativistas. Isso garantiu, mais uma vez, o "roletaço", com muitos subindo nas catracas e permitindo o acesso dos passageiros aos trens sem pagar passagem. Contudo, passado algum tempo, a tropa de choque iniciou a repressão, com o uso de cassetetes e bombas, tanto de efeito moral quanto de gás lacrimogêneo.

  Aos poucos, os manifestantes foram sendo retirados da estação, que aos poucos foi sendo fechada pelos seguranças da Supervia, com a ajuda da tropa de choque da PM. Foi a partir daí que a repressão policial se intensificou, com mais bombas sendo lançadas de forma a tentar dispersar os grupos que se postavam próximo aos acessos da Central. Foi por esse momento que uma das bombas atingiu na cabeça de um cinegrafista da TV Band, levando-o ao hospital com afundamento de crânio e em estado grave. 

      Para nós do PSTU, o fato de haver um conflito nas ruas do centro da cidade, em plena tarde de uma quinta-feira, é de exclusiva responsabilidade do governo e suas policias. A permanente repressão policial é que tem causado os feridos graves durante os protestos. 

  A repressão continuou noite adentro, mas uma boa parte dos manifestantes acabou por recuar para perto do Campo de Santana em busca de abrigo, retornando pela Presidente Vargas. Há o relato de pelo menos dois feridos graves, o cinegrafista da televisão e um idoso que teria sido atropelado por um ônibus, além de vários detidos pela PM.


  Fica claro aqui duas coisas: que o transporte público, que deveria ser encarado como um direito da população, é visto como uma mercadoria; e que, como é tradicional no Estado burguês, o "direito à propriedade" é sagrado - no caso, a propriedade das empresas de transporte -, sendo defendido com todas as armas pelos governos e tratando a população como inimiga, na mais velha tradição da Ditadura Militar. Portanto, duas medidas são absolutamente necessárias: a estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores, de forma a garantir a Tarifa Zero sem subsídios aos donos das empresas, aliados de primeira hora dos governos; e a imediata desmilitarização da polícia, autêntica herdeira do regime militar de 1964. Contudo, como os governos Paes e Cabral, do PMDB, são aliados do PT de Lula e Dilma, o governo federal nada fará no sentido de garantir nem sequer a discussão dessas propostas...

    O PSTU Rio se solidariza com as famílias dos feridos com gravidade, assim como com os demais agredidos e detidos pela selvagem repressão da PM do ditador Cabral. Mesmo de saída, ele não deixa de lançar suas bombas contra a luta dos trabalhadores e da juventude. Porém, isso não vai nos intimidar, e - como já ficou consagrado desde o ano passado, nas Jornadas de Junho - "amanhã vai ser maior!"
  
editado às 00:45 de 08/02/14

Um novo rolé para Rodrigo Constantino

Arte do chargista Latuff

   Caro Rodrigo Constantino. Li sobre o seu Joaquim. Gostaria de lhe apresentar a história de Maria.

   Maria era uma menina muito pobre, que estudava em uma escola pública e morava numa favela. Cansada, após apoiar a greve dos professores, resolveu dar um rolezinho em uma biblioteca. Ela sabia que aquilo mudaria sua vida, pois seus professores sempre indicavam isso, e ela fazia constantemente. Diferente de muitas pessoas da classe média. Que tem livros em suas casas, mas não leem.

   Lá, ela descobriu os clássicos e muitos contemporâneos. Sófocles, Shakespeare, Kafka, Dostoiévski, Camus, Mas ela se cansara de tantos brancos europeus mortos. Com Elisa Lucinda, navegou pelas entranhas da natureza de ser mulher negra imperfeita. Com MV Bill, chegou ainda mais fundo no “horror”, entendendo o que acontece quando a polícia entra na favela sem respeitar morador.

   A fome lhe ensinou sobre a propriedade privada, e a PM lhe explicou o poder da “mão visível”, segurando uma arma, que acaba levando a um resultado terrível, com  cada um seguindo os próprios interesses.

   Lima Barreto foi fundamental para sua compreensão das vantagens comparativas e do privilégio branco. Ela soube que mesmo em trocas voluntárias em que tivesse menos habilidade em tudo, ainda assim elas poderiam ser mutuamente benéficas. Só que na sociedade brasileira não acontece isso

   Com Milton Santos, soube entender o relativismo cultural, e que é necessário ter conhecimento sobre a história e cultura afro-brasileira e africana. Compreendeu, ainda, que o conceito da Grande Sociedade Aberta, é uma falácia à brasileira, que o Estado brasileiro mantém segredos para si mesmo; é uma sociedade autoritária, uma sociedade em que nem  todos são respeitados, com o conhecimento de todos.  Assim como os curtos limites da tolerância desta.

   Abdias do Nascimento foi crucial para que ficasse mais atenta àquilo que não se vê de imediato, ou seja, o Racismo das oportunidades das escolhas ou políticas públicas. Isso a ajudou a criticar a visão míope de muito governante em busca de votos, com suas medidas populistas e assistencialistas de cunho racistas.

   De Malcom X ela absorveu as verdadeiras características das mentiras da democracia americana, da escravidão nada voluntária que esse país impôs aos negros,o que ajudou a construir uma nação próspera, porém injusta. A morte do reverendo Martin Luther King  sepultou de vez qualquer confiança na política americana, que tivesse sobrevivido após a lavagem cerebral dos programas na televisão.

   Mano Brown, intelectual brasileiro, deixou bem claro com suas letras que os poderes executivos, judiciário e legislativo são corrompidos e o poder absoluto corrompe absolutamente. Que  o ser humano é descartável no Brasil..

   Ela mergulhou na Escola Pública. Descobriu com seus professores de História, Filosofia e Sociologia, e nunca mais levou a sério o Globo ou a Veja. Já tinha noção clara de que, mesmo sob tanta propaganda, o sistema capitalista não poderia funcionar, pela impossibilidade das crises cíclicas do capitalismo.

   Dos pensadores conservadores, como Burke, John Adams, Russell Kirk, Oakeshott, Isaiah Berlin, Irving Babbitt e Theodore Dalrymple, capturou a importância do que falava Kabengele Munanga: que esses eram brancos europeus mortos, que pouco acrescentavam às tradições e cultura afro-brasileira, que  os limites da razão, os riscos das ideologias e utopias, o enorme perigo das revoluções são sementes a serem cultivadas.

   Passou também a desconfiar da democracia burguesa, entendendo que esta é a simples tirania da minoria sobre a maioria.  As bem constantes incursões do BOPE lhe ensinaram sobre os necessários limites constitucionais do poder estatal. Montesquieu, coitado, reescreveria sobre a divisão dos poderes, ao se ver numa favela.

   Cabral, o governador, foi como uma luz ao lhe mostrar a “destruição destruidora”.Da Educação, da Saúde, da Segurança Pública. Agora temia mais o avanço tecnológico, as inovações capitalistas,  pois sabia que estas  geravam mais riqueza( para quem tinha já muito dinheiro) e eliminava novos empregos.


   Muniz Sodré  lhe mostrou a falácia da meritocracia na Educação, e Renato Emerson, a eficácia das cotas raciais.

   Lendo – e  entendendo – as critícas ao mundo capitalista de seus tempos, de Orwell, Huxley, Ayn Rand e Koestler, ficou apaixonada por todo tipo de tentação,pelas “soluções mágicas” que criariam um “mundo melhor” ou uma nova humanidade.  Sabia que o coletivismo era o caminho para a destruição do individualismo egocêntrico.

   Estudou Economia, com Marcelo Paixão, e ficou sabendo que “vários “intelectuais” colocavam as “ideias abstratas acima dos seres de carne e osso, louvando a Humanidade, mas agindo com profundo desdém em relação aos próximos”. E aprendeu que a isso dá-se o nome de “Editorial de O Globo”.

   Descobriu também que possuia a música em si. Funk, clássica. Pagode. De tudo escutou, pois tudo lhe era humano e belo:  Mozart, Kiss, Beethoven, Paralamas, Brahms, Titãs, Bach, ABBA, Chopin, Rachmaninoff, Florence, Tchaikovsky, e ficou encantada.  Aquilo tudo esteve e está em sua alma! Foi Joãozinho 30, e sua estética do Luxo e do Lixo, quem lhe demonstrou a importância da beleza em nossas vidas. Fazia agora tudo: filmava, compunha, dançava, pintava; posto que tudo é arte, nada é arte.

   Leu muito os poetas negros Arnaldo Xavier (1948-2004) e Ricardo Aleixo, e ficou interessada na experimentação e na intersecção entre as linguagens.

   Com Cidinha da Silva, prosadora refinada, aprendeu a situar seu texto na nervura do presente, atenta aos ardis das representações e das afecções a que são submetidos os negros contra um pano de fundo multimídia.

   Maria tinha um espírito lutador, e desejava muito melhorar de vida. Foi com sua bagagem cultural com os amigos no shoping, tentar a sorte, dar um rolé.  Era verão, tava calor,  anos 2014, com mais oportunidades de se divertir. Sempre olhara para os playboys com ódio, nunca inveja. Eram uma afronta para ela, um exemplo a ser combatido. Hoje ela é um militante de sucesso e vive em paz.

   Em sua velha comunidade, é chamada  de “irmã”. Por ser negra acusam-na de se comportar como um “negra feminista” e defender sua raça. E ela sempre entendeu dessa forma. Para ela, o normal é desejar mudar a vida, dela e dos seus. Combater  a discriminação dessa “missão civilizadora” racista, machista e exploradora e não desfrutar dela. Até hoje ela é muito grata pelo rolezinho que decidiu dar no shoping, e perceber o quando sempre fora discriminada pela hipócrita “alta cultura” quando jovem.