RJ: Fora Cabral, e feliz 2014

Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro (RJ)

Estamos encerrando um ano que para nós, trabalhadores, estudantes e militantes dos movimentos sociais, foi de marcar na história. Tivemos um ano de luta e mobilizações, um ano vitorioso. Fomos aos milhões às ruas em junho para exigir a redução dos preços das passagens e lutamos contra os políticos e governos corruptos e seus partidos.

Em julho e agosto, protagonizamos duas greves nacionais contra a política econômica de Dilma. Apesar de as centrais chapa-branca tentarem impedir, os trabalhadores organizados fizeram greves e protestos nos dias 11 de julho e 30 de agosto.

Em agosto, setembro foi a vez dos profissionais da educação darem aulas maravilhosas de como se luta. Produziram uma das maiores greves da história. As assembleias reuniam 20 mil profissionais da educação. Nas passeatas não faltou o “Fora Cabral, vá com Paes”.

Os petroleiros fizeram sete dias de greve em outubro exigindo o fim do leilão de Libra, que Dilma e o PT, com o apoio do PCdoB fizeram. Uma traição, uma vergonha.

Podemos dizer que estamos enfrentando os ataques dos patrões e dos governos com os métodos de luta da classe trabalhadora urbana: greves, piquetes, passeatas, bloqueios de estradas.

As lições deste 2013 serão muito bem aproveitadas em 2014, o ano da Copa. Os trabalhadores, a juventude, o povo pobre, estamos mostrando que podemos enfrentar os ataques econômicos, os aumentos da passagem, a corrupção. Basta irmos juntos para as ruas. Preparamos as nossas as nossas greves. Com isso veremos os ricos e poderosos tremerem. Dessa forma poderemos seguir tendo vitórias.

Dilma, Cabral e Paes, parem imediatamente a repressão
Infelizmente, os governos de plantão, que deveriam ouvir e atender as reclamações dos trabalhadores, da juventude, do povo pobre fazem o contrário. Ignoram as nossas reivindicações, como aumento de salário, o fim da corrupção, transporte de qualidade, eficiente e durante dia e noite; educação pública, gratuita e de qualidade moradia, saúde pública eficiente.

O que temos visto da parte dos governos é a política covarde de criminalizar quem ousa lutar, criminalizar os movimentos sociais. Reprimem duramente as manifestações, prendem manifestantes, atiram ativistas em presídios, forjam processos, tentam intimidar quem luta, quem protesta.

Os governantes, em particular Cabral, não vão nos calar. O movimento continuará nas ruas. Serão greves, piquetes, passeatas, ocupações.

2014 abrirá com o “Fora Cabral”
Exigimos o fim da repressão. O ano de 2013 mostrou que, quanto mais o governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, com o apoio de Dilma, ordenam as bombas, os tiros, os cassetetes, mais toma força a mobilização nas ruas.

Exigimos o fim da repressão. Exigimos o fim das privatizações. Exigimos aumento de salários, educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos transporte público eficiente, de qualidade, 24 horas por dia. Exigimos saúde de pública de qualidade.

Vamos juntos tomar as ruas novamente e impedir que as passagens aumentem. Vamos seguir denunciando as polícias que estão a serviço dos ricos e poderosos, vamos continuar exigindo o fim da PM e a desmilitarização da polícia.

Nós trabalhadores sabemos por que Dilma, Cabral e Paes tentam desesperadamente controlar as manifestações. Eles querem passar uma tranquilidade para os investidores, para continuarem investindo. Querem um país domesticado, querem um ambiente favorável, sem reclamações.

A Copa está próxima, e eles estão desesperados que a situação lhes fuja ao controle e atrapalhe os planos dos cartolas e empresários.

Mais que nunca, não vamos nos calar!


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Quem é o mais prejudicado com as chuvas no Rio de Janeiro?

PSTU-RJ

Destruição causada pela chuva na serra fluminense
Lamentavelmente, a história se repete todos os anos. Com a proximidade do verão, os temporais atingem o estado do Rio de Janeiro e, como sempre, são os trabalhadores que sofrem, que perdem suas vidas, seus bens, suas casas.

Esta semana, o estado do Rio de Janeiro foi atingido por um forte temporal. Em Macaé, houve morte e centenas de desabrigados. Em Nova Iguaçu, Belford Roxo, Japeri, Queimados e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, mais mortes e milhares de desabrigados. Na capital, bairros inteiros ficaram embaixo d’água.

As duas principais rodovias, Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra, ficaram várias horas interditadas por terem bolsões de água em vários pontos, impedindo deslocamento de caminhões, ônibus e carros de passeio. Um verdadeiro absurdo. Milhares de pessoas presas, sem poder se deslocar. Pessoas sendo obrigadas a subir em cima dos ônibus para não se afogarem.

Bairros como Pavuna, Jardim América, Fazenda Botafogo, Madureira, Complexo do Alemão, Bonsucesso, Manguinhos, Jacaré, Jacarepaguá e vários outros, tiveram alagamentos com prejuízos incalculáveis a milhares de trabalhadores. A enchente destruiu móveis e eletrodomésticos. Para muitos, foi a destruição não só das casas mas dos sonhos de um 2014 melhor do que 2013.

Agora são milhares sem casa. Os que têm casa, não têm móveis. Muitos perderam o carro usado, que não tinha seguro. Alguns ainda têm de pagar o financiamento ao banco. Tudo isso por irresponsabilidade do governador Sergio Cabral e do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, dos empresários e políticos corruptos.

O país da Copa é o país da corrupção e do descaso com os trabalhadores
Não podemos ter dúvidas. DilmaRousseff, Cabral, seus prefeitos e parlamentares são os responsáveis. Há mais de quatro estão queimando bilhões de reais em obras. Mas o que se vê são as empreiteiras enriquecendo, são obras sem licitação, estruturalmente erradas e, principalmente, obras que não são prioritárias. Por que derrubaram a Perimetral? Por que as novas casas no morro do Bumba desabaram antes de os moradores entrarem nelas? O que pode explicar uma via como a Avenida Brasil dez horas submersa? A novíssima Binário, no porto, ficar alagada? Uma das explicações é o descaso com o estado do Rio, com as nossas vidas.

No Complexo do Alemão, mais de 400 pessoas ocupam a Biblioteca da região. Não recebem socorro da parte do Estado e da Prefeitura. Tem sido assim sempre. Agora, os governantes dizem que tomarão medidas de emergência para que tais coisas não voltem ocorrer. Dá pra confiar? Por que não tomaram antes?

Depois do desastre, dos prejuízos e da justa indignação com eles, estes corruptos demonstram preocupação. É óbvio que as obras prioritárias não foram feitas. O simples recolhimento do lixo nos bairros pobres não é feito. As dragagens dos rios e a construção de estrutura de escoamento para as águas pluviais passam longe de ser prioridade de Cabral, Paes e demais prefeitos do estado.

Dilma, que aplica a mesma política nacionalmente, se junta com Cabral e Paes para reprimir os saques produzidos pelos moradores atingidos pelas enchentes. Fazem cara de espantados com os justos protestos que explodem espontaneamente em vários lugares do estado, motivados unicamente pela revolta de ter perdido tudo.

Não é da Força de Segurança Nacional que o estado do Rio precisa. Precisamos de um governo que governe para os trabalhadores, para a juventude e para o povo pobre. Não queremos polícia nacional, para além de tudo que já estamos passando, nos reprimir. O que nós queremos e precisamos é morar em áreas seguras para criar nossos filhos sem o risco de desabamentos de encostas, de desabarem nossas casas. Queremos, e precisamos que o dinheiro que pagamos em impostos não seja roubado pelas empreiteiras e pelos governos através dessas obras de fachada que, quando chega a temporada de chuva, se mostram ineficientes.

Os moradores atingidos pelas chuvas e pelas enchentes têm sim direito de protestar ao terem sede e fome, de água, comida e justiça. Os governantes precisam parar de lamúrias e conversa e garantir remédios, água, comida e o que mais for necessário.

Fora Cabral e Eduardo Paes
O PSTU há três anos defende que Sérgio Cabral não tem autoridade para dirigir o nosso estado. Não pode ser governador quem bate em professor, quem se envolve em negócios nebulosos com empreiteiras, quem privatiza o Maracanã.

Não podemos nos calar diante de mais uma tragédia anunciada que poderia ser evitada e que trouxe desespero para milhares de famílias. É necessário que todas as famílias atingidas tenham imediatamente e sem burocracia um aluguel social de R$ 1.000. Todos os atingidos pelas enchentes que tiveram os seus bens perdidos têm de ser indenizados imediatamente pelo Estado e pelas prefeituras sem nenhum custo para a população.

Todos que se encontram em área de risco têm de ser removidos para locais seguros e que sejam construídas moradias em locais apropriados. É preciso exigir o fim das obras de fachadas que só favorecem as empreiteiras e um plano de obras públicas para evitar novas enchentes.

O PSTU defende a saída imediata do Governador Sergio Cabral e o responsabiliza por mais esta tragédia. Denunciamos a tentativa de Dilma e do governador Sergio Cabral de criminalizar os atingidos pelas chuvas. É necessário exigir que não sejam enviadas polícias nem a Força de Segurança Nacional. O que a população precisa é de água, comida, medicamentos, roupas e outros artigos, não de repressão.


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Ato contra o aumento das passagens reúne mais de 1000 pessoas

texto e fotos por Rodrigo Barrenechea

Se a passagem aumentar, o Rio vai parar!


Cerca de 1000 pessoas se concentraram na Candelária, na tarde desta sexta, 20 de dezembro, no 1º ato contra o aumento das passagens desde as jornadas de junho. Convocado pelo Fórum de Lutas do RJ, antes Fórum de Lutas contra o aumento das passagens, teve como trajeto as Avenidas Rio Branco e Almirante Barroso, passando pela rua Primeiro de Março, até se encerrar em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, próximo à sede da Fetranspor, entidade patronal que reúne os donos de empresas de ônibus.
Aos gritos de "Fora Cabral" e "Não vai ter Copa", jovens, trabalhadores (as) e ativistas de diversas organizações políticas e sindicais protestaram contra o aumento da tarifa dos ônibus, prometido para o início do ano de 2014 e que elevar o preço da passagem para R$3,05, fazendo do Rio uma das capitais com a maior tarifa do país. Além do tema principal, os manifestantes pediam a imediata libertação dos presos políticos - que inclui ativistas detidos desde os protestos de meados deste ano -, o fim da criminalização dos movimentos sociais e da repressão aos índios da Aldeia Maracanã, recentemente desalojados - pela 2ª vez - do antigo prédio do Museu do Índio, vizinho ao complexo esportivo do Maracanã e que sofria ameaça de demolição.
O PSTU sabe que lutar apenas para deter o aumento não é suficiente. Nestes protestos, duas lições importantes estão sendo ensinadas: que só com a organização da classe trabalhadora e da juventude - garantindo-se a plena democracia, que nós chamamos de democracia operária -, que a luta poderá avançar. Nesse sentido, precisamos fortalecer organismos como o Fórum de Lutas, pois é por eles que os protestos irão crescer e os lutadores aprenderão como se organizar.
A segunda lição é que não podemos parar no combate ao aumento. Precisamos da imediata estatização dos transportes públicos, sob o controle dos trabalhadores e da população, para que possamos garantir o passe-livre irrestrito aos estudantes e desempregados. Sabemos que os lucros das empresas são astronômicos. Dessa forma, a implantação de uma tarifa zero não é só plenamente possível e necessária, como expressa a ideia de que transporte público é um direito que só será garantido com muita luta. Afinal de contas, os ricos, esses andam de carro importado, helicóptero...

Congresso aprova Orçamento para 2014: mais uma vez, o privilégio dos rentistas da dívida pública

Fonte: Audittoria Cidadã da Dívida 
18/12/2013

Hoje, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2014, prevendo um total de despesas de R$ 2,4 trilhões, dos quais a impressionante quantia de R$ 1,002 trilhão (42%) é destinada para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública[i].

Esse privilégio mostra que o endividamento é o maior problema do gasto público brasileiro, e afeta todas as áreas sociais, tendo em vista que o valor de R$ 1,002 trilhão consumido pela dívida corresponde a 10 vezes o valor previsto para a saúde, a 12 vezes o valor previsto para a educação, e a 4 vezes mais que o valor previsto para todos os servidores federais (ativos e aposentados) ou 192 vezes mais que o valor reservado para a Reforma Agrária.

Diante disso e tendo em vista as inúmeras comprovações denunciadas pela CPI da Dívida realizada na Câmara dos Deputados (2009/2010), de falta de contrapartida dessa dívida, além de ilegalidades e ilegitimidades, é urgente realizar completa auditoria, conforme previsto na Constituição Federal. Conheça mais sobre o assunto no livro Auditoria Cidadã da Dívida – Experiências e Métodos

Servidores Públicos
O Orçamento 2014 aprovado hoje prevê, para gastos com pessoal, apenas a segunda parcela do reajuste anual de 5%, que sequer cobre a inflação do período.

Comparativamente ao PIB, os gastos com pessoal apresentam queda no PLOA 2014, de 4,3% do PIB em 2013 para 4,2% do PIB em 2014.

Desta forma, verifica-se que a proposta do governo aos servidores mal repõe a inflação deste ano, e não recupera as perdas históricas que levaram as categorias ao grande movimento grevista no ano passado.

Salário Mínimo e aposentadorias
O PLOA 2014 mantém a política de reajuste do salário mínimo prevista na Lei nº 12.382/2011, segundo a qual o mínimo será reajustado pela inflação mais o crescimento real do PIB de 2 anos atrás. Para 2014, isto significa um reajuste de 6,8% (de R$ 678,00 para R$ 724 em 1/1/2014), correspondente à inflação (INPC) de cerca de 6% mais um aumento real equivalente ao crescimento real do PIB de 2012 (0,87%).

Com um aumento real de 0,87% por ano, serão necessários mais 154 anos para que seja atingido o salário mínimo necessário, calculado pelo DIEESE em R$ 2.729,24, e garantido pela Constituição: O art. 7º, IV, determina que é direito “dos trabalhadores urbanos e rurais (…) salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social…”.

O PLOA 2014 não traz nenhuma previsão de aumento real para as aposentadorias acima do salário mínimo. O eterno argumento oficial contra um aumento maior do salário mínimo é que a Previdência Social não teria recursos suficientes para pagar as aposentadorias. Porém, tal argumento é falacioso e não se sustenta em base aos dados da arrecadação federal.

A Previdência é um dos tripés da Seguridade Social, juntamente com a Saúde e Assistência Social, e tem sido altamente superavitária. Em 2011, o superávit da Seguridade Social superou R$ 77 bilhões, em 2010 R$ 56 bilhões, e em 2009 R$ 32 bilhões, conforme dados da ANFIP. Deveríamos estar discutindo a melhoria do sistema de Seguridade Social, mas isso não ocorre devido à Desvinculação das Receitas desse setor para o cumprimento das metas de superávit primário, ou seja, a reserva de recursos para o pagamento da dívida pública.

Distrito Federal, Estados e Municípios
O orçamento 2014 aprovado sacrifica também os entes federados. Enquanto os rentistas receberão 42% dos recursos orçamentários federais em 2014, os 26 estados, Distrito Federal e mais de 5.000 municípios receberão 9,9%, o que significa uma afronta ao Federalismo.

A coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida Maria Lucia Fattorelli, a coordenadora do Núcleo DF Eugenia Lacerda e colaboradores do movimento passaram o dia no Senado, entregando a Carta Aberta que alerta para as limitações da proposta contida no PLC-99/2013. Apesar de o referido PLC representar uma pífia revisão da extorsiva remuneração nominal que vem sendo exigida dos entes federados desde o final da década de 90, nossa equipe ouviu de alguns senadores que sua aprovação teria sido suspensa este ano, devido à exigência de setores do governo federal que temem a interpretação negativa dos rentistas. Esse fato demonstra o crescente poderio do Sistema da Dívida nas esferas política, econômica, financeira e legal em nosso país.

________________________________________
[i] O valor de R$ 1,002 trilhão inclui a chamada “rolagem” ou refinanciamento da dívida, tendo em vista a comprovação de que grande parte dos juros são contabilizados como se fossem amortizações e incluídos na chamada “rolagem” da dívida. Esse tema está detalhado no relatório específico elaborado pela Auditoria Cidadã da Dívida incluído no Anexo I do livro Auditoria Cidadã da Dívida – Experiências e Métodos

PSTU REAFIRMA CHAMADO À CONSTITUIÇÃO DE UMA FRENTE DE ESQUERDA, E APRESENTA SUAS PONDERAÇÕES PARA ESTE DEBATE

Carta à direção nacional e à militância do PSOL

PSTU REAFIRMA CHAMADO À CONSTITUIÇÃO DE UMA FRENTE DE ESQUERDA, E APRESENTA SUAS PONDERAÇÕES PARA ESTE DEBATE

A cada dia que passa a mídia desenvolve um esforço cada vez maior para que o povo acredite que as únicas alternativas possíveis nas próximas eleições são, por um lado, a candidatura da presidenta Dilma Roussef (do PT) ou, por outro lado, os candidatos da direita e dos conservadores representados pelo PSDB (de Aécio Neves), ou do PSB (de Eduardo Campos e Marina Silva). Estes dois campos políticos, no entanto, representam o mesmo modelo econômico e o mesmo projeto para o país, que privilegia os bancos, grandes empresas e o agronegócio, em detrimento das necessidades e reivindicações dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude.

Este quadro reforça ainda mais a necessidade da apresentação de uma alternativa de classe e socialista que seja, no processo eleitoral, a expressão das lutas, das reivindicações e das necessidades dos trabalhadores e da juventude do nosso país. É neste contexto que o PSTU decidiu lançar a pré-candidatura do seu presidente nacional, o metalúrgico Zé Maria, à presidência da república. E o faz reafirmando, ao mesmo tempo, o chamado feito anteriormente ao PSOL e PCB no sentido da constituição de uma Frente de Esquerda que apresente uma única candidatura em 2014.

No sentido de contribuir para esta discussão, e frente às decisões tomadas no recente congresso nacional realizado pelo PSOL, nosso partido apresenta algumas ponderações políticas que julgamos importantes. São ponderações de um partido que acredita que a alternativa que uma Frente de Esquerda precisa apresentar nas eleições deve ser classista e socialista, ou seja, que defenda mudanças profundas e radicais na sociedade em que vivemos, para acabar com o privilégio dos ricos e poderosos e assegurar vida digna aos trabalhadores e ao povo pobre.

Ao nosso ver a candidatura da Frente deverá estar comprometida e a serviço das lutas e das reivindicações dos trabalhadores e da juventude brasileira. Deverá estar comprometida e a serviço das lutas dos povo pobre das periferias dos grandes centros urbanos em defesa de seus direitos e contra a violência policial que é hoje um verdadeiro flagelo para a juventude negra e pobre nas grandes cidades.

Deve ser, portanto, uma candidatura que se localize na oposição de esquerda ao governo do PT e dos governos estaduais, do PSDB, do PMDB, do PSD, do PSB, etc. Deve defender um programa que aponte as mudanças de fundo que precisamos fazer no país tais como o fim do modelo econômico vigente; o não pagamento das dívidas externa e interna aos banqueiros e agiotas internacionais; a estatização do sistema financeiro; o fim das privatizações e reestatização dos empresas privatizadas; a expropriação e estatização das grandes propriedades rurais para colocar a terra a serviço da produção de alimentos para o povo, etc. Estas e outras medidas são fundamentais para que os recursos e a riqueza que o país tem sejam usados para beneficiar a população, e não usados para aumentar os lucros dos grandes empresários como acontece hoje.

A candidatura da Frente de esquerda precisa defender o fim dos privilégios dados às grandes empresas no país, o fim dos subsídios e isenções fiscais concedidos a elas, e que os recursos públicos sejam utilizados para assegurar à toda a população saúde, educação, moradia, transporte, lazer, públicos, gratuitos e de qualidade. Deve estar a serviço da luta para acabar com abusos como o que vivemos hoje, onde bilhões e bilhões em recursos públicos são canalizados para a Copa do Mundo e para a FIFA, enquanto os hospitais e escolas do país estão caindo aos pedaços.

Deve lutar contra a criminalização das lutas dos trabalhadores e da juventude, contra a violência policial e do Estado que se abate contra toda luta ou manifestação de jovens ou de trabalhadores em um país onde lutar pelos direitos passou a ser crime. Deve lutar contra a criminalização da pobreza que, com as UPPs de Sergio Cabral no Rio, com ROTA do governador Alkimin em São Paulo, e por aí em todos os estados, agridem e assassinam milhares de Amarildos e Douglas todos os anos pelo país. Deverá estar na linha de frente da luta contra a violência e toda forma de discriminação contra as mulheres, negros e negras e homossexuais.

E deve apostar sua energia na organização e na luta dos trabalhadores e da juventude para que estas mudanças possam ser realizadas no Brasil. Elas não serão feitas através de um sistema eleitoral controlado pelo poder econômico, de um Congresso Nacional que funciona de costas para o povo, de um judiciário que sempre tarda e falha quando se trata de defender os direitos dos pobres, ou de uma presidência da república que teve sua campanha financiada pelos bancos e grandes empresas. A corrupção é a marca destas instituições, e as mudanças que o povo precisa no país serão feitas contra elas e não através delas.

Para isso essa candidatura precisa recusar o caminho da conciliação de classes, da aliança com os empresários que foi trilhado pelo PT. Precisa se comprometer a não aceitar recursos da burguesia para o financiamento de sua campanha da Frente; e deve dar ampla divulgação à origem dos recursos que serão utilizados.

Deve assumir compromisso público de que não haverá alianças com setores da burguesia na campanha em nível nacional e em nenhum estado. E de que tampouco serão compostos governos com participação de setores da burguesia, como acontece hoje em Macapá.

São ponderações que fazemos no debate em curso porque o proposta de candidatura que surgiu do congresso do PSOL – senador Randolf Rodrigues – tem atuado e se posicionado politicamente de forma diversa, às vezes oposta pelo vértice, à maior parte do que está postulado acima. Isto estabeleceria uma contradição em si com o caráter da alternativa que precisamos apresentar nas eleições.

São questões que precisamos enfrentar de forma franca e aberta para construirmos as condições para uma Frente de Esquerda. Obviamente, se avançamos e superamos estas contradições, a construção da candidatura única dos partidos implicaria ainda em acertos importantes como a divisão do tempo de TV e na estruturação da Frente, nacionalmente e nos estados, para que se respeite a representação de cada partido.

Este é o nosso posicionamento. É para defende-lo, e para contribuir no esforço para a construção desta alternativa unitária da esquerda para a presidência da república em 2014, que o PSTU apresenta a pré-candidatura do metalúrgico Zé Maria, presidente nacional do nosso partido.

São Paulo, 16 de dezembro de 2013
Direção Nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

África do Sul e o apartheid neoliberal

Polícia reprime mineiros de Marikana
Por Wilson H. da Silva*, da Secretaria de Negros e Negras

Em nome da “reconciliação”, líderes do CNA transformaram seus ex-algozes em parceiros na implementação do projeto neoliberal

   O “CNA e Cosatu não nos representam”. Tempos atrás, ouvir, de um sul-africano, uma frase como esta em relação ao Congresso Nacional Africano e o Congresso Sul-Africano de Sindicatos seria praticamente impossível. Contudo, foi exatamente esta a palavra de ordem que foi cantada, com garra e convicção, por cerca de 200 trabalhadores e jovens que participavam de um curso realizado na Cidade do Cabo, em setembro passado.

   Longe de ser uma posição majoritária, este sentimento é crescente em relação às entidades que, juntamente com o Partido Comunista, formam a Aliança Tripartite que, desde 1994, governa o país.

   O repúdio parte de uma lamentável, mas inquestionável, realidade. Duas décadas depois da extinção da legislação que garantiu a existência de um dos regimes mais racistas da História, o atual governo – através de suas alianças com a mesmíssima burguesia bran ca que criou o regime segregacionista e da adoção das políticas neoliberais – mergulhou a maioria negra do país em outro pesadelo: o apartheid sócio-econômico, que mantém praticamente intacta a segregação racial.

   Em agosto de 2012, 34 mineiros em greve foram mortos e 78 ficaram feridos, no Massacre de Marikana. Um deplorável marco da traição levada a cabo pelas direções históricas às massas sul-africanas, que vem sendo considerado “o ponto da virada”. O episódio vem acelerando o processo de reorganização dos movimentos sociais e políticos que buscam novas formas de organização para dar continuidade à luta por uma sociedade onde a maioria negra possa viver com dignidade.

Apartheid: um pesadelo capitalista
   Adotado em 1948, o apartheid remonta aos anos 1700, quando holandeses e britânicos ocuparam a região para lucrar com o tráfico negreiro e, particularmente, ao início dos anos 1900, quando a descoberta de ouro e diamantes pôs fim às disputas entre as duas potências imperialistas. Elas uniram para garantir seus interesses e  criaram mecanismos que lhes garantiram o monopólio do poder político e econômico do país.

   Este processo foi consolidado a partir de 1948, quando a legislação do apartheid começou a entrar em vigor através da separação da sociedade em quatro “categorias” (brancos, negros, mestiços e asiáticos). O casamento inter-racial foi criminalizado e foi adotado a obrigatoriedade de “passes” que controlavam e limitavam a circulação dos não-brancos. Por fim, houve a separação baseada em critérios raciais, de quaisquer aspectos da vida social, política e econômica.

Transição ou traição?
   Marcada por massacres (como os de Shaperville e Soweto, respectivamente em 1960 e 1976), torturas, prisões, mas também uma incessante resistência, a luta contra o apartheid chegou ao seu ápice na década de 1980, quando greves e mobilizações diárias, além de uma crescente pressão internacional, colocaram o regime em cheque.

   Em 1994, o regime do apartheid foi derrubado. Uma enorme vitória da luta negra na áfrica do Sul e de todo o mundo. No entanto, o CNA e seu principal líder- Nelson Mandela, símbolo da resistência ao regime desde sua prisão, em 1962- vinham em um processo de negociações com o racista Partido Nacional que resultaram na chamada “transição”, iniciada em 1991.

   Apoiados em sua história de lutas e nas enormes expectativas do povo negro, os dirigentes do CNA mantiveram o capitalismo, contiveram o ascenso nos limites da democracia burguesa. Em nome da “reconciliação”,  transformaram os seus ex-algozes da burguesia branca em parceiros e sócios na administração do Estado e na implementação do neoliberalismo. 

   De lá para cá, apesar de algumas pífias medidas compensatórias e da formação de uma classe média negra (além de uma cada vez maior, mais gananciosa e corrupta burguesia negra), o que tem caracterizado a situação sul-africana é a manutenção e o aprofundamento da miséria e das péssimas condições de vida.

   E foi exatamente isto que levou os mineiros de Marikana à greve, como foi destacado por John Appolis, da GIWUSA, uma entidade que é parte do processo de reorganização que defende a independência, diante dos patrões e do governo: “Marikana é uma prova de que o CNA nada mais fez do que dar continuidade ao projeto capitalista: fornecer mão de obra negra e barata para ser explorada pelas grandes empresas”.

   Para exemplificar o comprometimento do CNA com o neoliberalismo, basta citar a deplorável figura de Cyril Ramaphosa, um dos fundadores do Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM), a principal entidade da Cosatu. Eleito, em 2012, presidente do CNA hoje ele é um dos homens mais ricos do país.

   Dentre seus vários negócios, Ramaphosa também é diretor da Lonmin, a gigantesca empresa mineradora que controla a extração de platina que é dona da mina de Marikana.

   Foi como representante da empresa que, um dia antes do massacre, o presidente do CNA emitiu um e-mail a um diretor da mineradora que coloca o partido por trás das balas que assassinaram os mineiros: “Os terríveis eventos que estão acontecendo não podem ser descritos com uma disputa trabalhista. Eles são claramente vis e criminosos e devem ser caracterizados desta forma. Por isso a necessidade de ações concomitantes”.

Amandla Awhethu: um grito que precisa retomar as ruas
   Hoje no país, a relação entre o rendimento de negros e de brancos continua quase a mesma dos tempos do infame apartheid: se em 1993 os brancos tinham um rendimento 8,5 vezes maior que o dos negros, em 2008 essa relação era de 7,68 vezes. Além disso, o índice de desemprego entre os negros é superior a 40%, o que faz com que, hoje, quase 30% da população negra viva abaixo dos níveis de miséria.

   Mesmo diante de números como estes, evidentemente, o processo de reorganização não é fácil. Como  também é difícil para a enorme maioria dos ativistas e movimentos negros mundo afora colocar “Mandela” e “traição” na mesma frase.

   Mas lamentavelmente, esta é a única conclusão a que podemos chegar, como Appolis sintetizou de forma bastante correta: “Não foi Mandela que derrotou o apartheid, mas sim as massas em luta constante e são estes mesmos lutadores que, hoje, precisam achar novas formas de organização para superar o neoliberalismo e os seus agentes entre nós”.

   Também é importante destacar que, cada vez mais, os sul-africanos percebem que essas “novas formas” não podem se limitar ao terreno sindical. Hoje, como reflexo um tanto bizarro da crise política, existem nada menos do que 180 partidos inscritos para as eleições de 2014. Contudo, como lembrou o dirigente do Centro de Apoio aos Trabalhadores Casuais, Ighsaan Schroeder é fundamental que se crie uma alternativa política para que negros e negras sul-africanos retomem sua luta: “nós não sabemos ainda como esse movimento vai ser e isto é uma das principais tarefa que teremos no próximo período; mas temos uma certeza: o velho está morrendo e o novo está nascendo”.

   E é esta certeza que faz com que, cada vez mais, negros e negras sul-africanos retomem as ruas e as lutas ao som da mesma palavra de ordem que marcou a luta contra o apartheid: Amandla Awethu. O poder é nosso!

O autor esteve na África do Sul em setembro último a convite do International Labour Research and Information Group (ILRIG, Grupo de Pesquisa e Informação Internacional sobre o Trabalho)

Originalmente publicado no Opinião Socialista 472

PSTU faz campanha de solidariedade as vítimas das chuvas de Macaé

O PSTU esteve no Morro de Santana, local onde morreu o pequeno Tiago e muitos moradores perderam tudo o que tinham após as fortes chuvas do dia 02/12/13 em Macaé. Tragédias como essa vitimaram milhares no Morro do Bumba em Niterói, na Região Serrana do Rio e na Baixada Fluminense no início do ano. Essas catástrofes não são naturais, tratam-se da pior consequência da exclusão social e da falta de investimentos nas periferias de todas as cidades brasileiras.



Veja também: Sabrina Luz entrevista Marcos, morador do Morro de Santana, Macaé-RJ
Sabrina Luz entrevista Marcos Francisco dos Reis, morador do Morro de Santana-Macaé, que ajudou a socorrer seus vizinhos: um casal com 4 filhos, uma das crianças era Tiago, de 6 anos, que infelizmente morreu. Toda a solidariedade aos desabrigados! Essa tragédia não é natural.

PSTU presta solidariedade aos desabrigados das chuvas de Macaé


Os militantes do PSTU estiveram na manhã desta terça-feira, 03/12, no Colégio Ancyra Pimentel para levar uma primeira doação do partido aos desabrigados das chuvas de Macaé. “A solidariedade aos desabrigamos é o mínimo que podemos fazer. Convocamos todos os nossos companheiros a organizarem em seus locais de trabalho e com os amigos, uma rede de coleta para ajudar essas famílias”, afirmou, o petroleiro Mateus Ribeiro.

Sabrina Luz, coordenadora do SEPE-Macaé e militante do PSTU, também esteve presente nesta manhã no Colégio Ancyra levando solidariedade aos desabrigados e afirma: “Estamos articulando como SEPE a campanha de doações para os desabrigados, mas é importante destacar: a tragédia causada pelas chuvas não é natural! É consequência da falta de investimentos na periferia da cidade, é causada pela miséria que obriga milhares de pessoas a terem que viver em lugares perigosos. Para que este sofrimento não se repitam Aluízio precisa iniciar emergencialmente um plano de construção de bairros populares planejados, com plena infraestrutura urbana e os primeiros beneficiados devem ser os desabrigados”

Um novo leilão de gás e petróleo

Da Redação

Além do entreguismo, governo Dilma quer iniciar exploração de gás não-convencional que tem enorme impacto socioambiental

   Foi realizado nesta quinta-feira, 28, a 12ª Rodada de Licitações de petróleo e gás realizada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). O leilão ocorre pouco tempo depois da privatização do petróleo do Pré-sal, com a venda do campo de Libra. Dessa vez, foram arrematados 72 dos 240 blocos exploratórios terrestres nas bacias do Paraná, Parnaíba, Acre-Madre de Dios, Sergipe-Alagoas, Parecis, São Francisco e Recôncavo. A privatização dos blocos rendeu aproximadamente R$ 165,2 milhões. 

   No total, 12 empresas arremataram os blocos, sendo 8 brasileiras e 4 estrangeiras. Entre elas estão a Petrobras, Alvopetro, Bayar, Companhia Paranaense de Energia, Cowan, GDF Suez, Geopark, Nova Petróleo, Ouro Preto, Petra Energia, Trayectoria e Tucumann.

   Desta vez, o objetivo da ANP foi leiloar blocos com potencial para gás natural não convencional ou gás extraído de um tipo de rocha sedimentar chamada folhelho. A extração deste tipo de gás requer o uso de técnicas pra lá de questionáveis no que se refere à questão socioambiental. Foi por isso que várias entidades sindicais de petroleiros e organizações ambientais denunciaram o leilão.

   A extração do gás não convencional é questionada por conta dos riscos e danos que pode gerar ao meio ambiente e as comunidades contíguas aos campos de exploração. Um dos problemas mais graves é, principalmente, a poluição da água, usada em quantidades colossais na técnica de exploração chamada de "fraturamento hidráulico" ou simplesmente “fracking”. Este tipo de técnica requer a explosão das rochas injetando no subsolo grande quantidade de água, areia e produtos químicos altamente tóxicos que vão contaminar lençóis freáticos e, principalmente, os aquíferos que ficam sobre o folhelho que contém o gás.

   Boa parte dos poços de gás não-convencional está logo abaixo do aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, e de um sistema de aquíferos pouco pesquisados na região amazônica (aquíferos Solimões e Alter do Chão).

   Hoje, nos EUA, o uso deste tipo de técnica é bastante questionado, pois resulta na contaminação do solo e da água afetando milhões de pessoas. Segundo o geólogo da Petrobras, Dalton dos Santos, o Brasil não precisa extrair gás não – convencional. “Estamos num momento de descoberta de mega-campos de petróleo e gás convencional. Diferente dos EUA que tem quase 90% de suas reservas esgotadas”, diz. O geólogo, que também é diretor do sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas, explica que a opção por explorar gás não-convencional obedece a uma pressão dos EUA. “Não temos dúvida. Querem explorar aqui para justificar a extração feita por eles lá”, explica.

   A exploração deste tipo de gás ainda vai afetar populações indígenas isoladas na Amazônia. O bloco AC-T-8, arrematado pela Petrobras, localiza-se no município de Mâncio Lima (AC), na fronteira com o Peru, nos limites diretos de duas terras indígenas e do Parque Nacional da Serra do Divisor. O bloco está a 10 metros da Terra Indígena da etnia Poyanawa e a 39 metros da terra da etnia Nukini.

PSTU na TV: os governos não ouviram as vozes das ruas

Programa semestral de 5 minutos vai ao ar na próxima terça-feira, 3 de dezembro, em rede nacional de televisão

Raíza Rocha, da Redação



Nesta terça-feira (3), às 20:30, horário de Brasília, a televisão brasileira terá uma programação diferente. Uma opinião socialista invadirá a telinha para falar com os trabalhadores brasileiros sobre a atual situação do país após as grandes mobilizações de junho. O que mudou no país? Os governos ouviram as ruas? Se conseguimos reduzir as tarifas, é possível conquistar mais? O programa semestral do PSTU dedicará os seus 5 minutos em rede nacional para falar das maiores mobilizações que sacudiram o país nos últimos vinte anos e que colocou na defensiva os governos municipais, estaduais e federal.

Durante todo o programa, o PSTU vai demonstrar que a situação que indignou milhares no Brasil continua a mesma.  O país continua um dos mais desiguais do mundo, os serviços públicos permanecem à míngua e os governos continuam entregando as riquezas do país para o capital privado e estrangeiro, a exemplo do leilão da Bacia de Libra. A palavra de ordem mais ouvida das ruas "Tem dinheiro para a Copa mas não tem pra saúde e educação"  parece não ter chegado aos ouvidos dos governos que mantém os gastos exorbitantes com os megaeventos enquanto os trabalhadores morrem nas filas dos hospitais e os nosso professores continuam desvalorizados.

A resposta dos governos às reivindicações foi repressão e criminalização dos lutadores. Na tentativa de retomar o controle das ruas, perdido desde junho, ativistas são indiciados, presos e perseguidos, inclusive, nos moldes da recente ditadura militar que viveu o país. No programa semestral, o PSTU trará um relato de um dos seus militantes que teve a casa invadida pela polícia militar por estar a frente das mobilizações pelo passe livre em Porto Alegre. Matheus Gomes responde hoje a processo por "formação de quadrilha" pelo simples fato de lutar. Em cadeia nacional, o PSTU exigirá dos governos o fim das prisões políticas e da perseguição aos que lutam.

O partido vai dizer que os governos não mudaram, mas o país não é mais o mesmo. Os trabalhadores e a juventude reconheceram a sua força ao derrubar as tarifas do transporte público e ao colocarem os governos contra a parede. "Os governos não mudaram? Então, em 2014, vamos voltar às ruas", promete Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU, em programa que será veiculado na próxima terça.

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Coordenação Nacional da CSP-Conlutas aprova chamado a uma plenária unificada em 2014

Plenária teria como objetivo armar e organizar os trabalhadores para as mobilizações do ano que vem
Da redação*



Entre os dias 22 e 24 de novembro, entidades sindicais, populares e estudantis de várias partes do país se reuniram em São Paulo para a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas. Entre as principais resoluções aprovadas pela coordenação está o chamado à realização de uma plenária conjunta para 2014, a fim de armar os trabalhadores para as mobilizações do próximo ano.

O chamado será dirigido aos setores que desenvolveram diversas atividades comuns com a CSP-Conlutas este ano, no âmbito do “Espaço Unidade de Ação”.  São setores como a "CUT Pode Mais", Feraesp (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado), Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins ) e o setor majoritário da Condsef (Confederação Nacional dos Servidores Públicos Federais).

Dentre as tarefas colocadas a essa articulação estaria uma forte intervenção na Cúpula dos Bric's (Brasil Rússia , Índia, e Chiva) e do Bird (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que ocorre em Fortaleza no final de março. Além das entidades que compõem já o "Espaço Unidade de Ação", essas iniciativas seriam levadas a outras organizações que já estão se mobilizando para a cúpula, como o Jubileu Sul e o Comitê Nacional do Atingidos pela Copa.

A resolução aprovada pela coordenação destaca "a importância dessas movimentações pelos elementos que sinalizam seu potencial, podendo essa ação vir a ganhar peso e visibilidade na luta contra o modelo econômico aplicado em nosso país, nas manifestações e nas mobilizações que deverão ocorrer durante o ano de 2014, em particular no período da Copa do Mundo". O ano que vem "será de muita luta social e não apenas um ano de eleições", avalia Carlos Sebastião, o Cacau, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. "Temos que unificar essas lutas, por um programa alternativo para transformações mais profundas", defende.

Novo ano, Novos desafios
A reunião da coordenação fez uma avaliação da conjuntura nacional e internacional, marcado por um lado pelo agravamento da crise e dos ataques e, por outro, de um amplo conjunto de ações de resistência dos trabalhadores. Desde antes de junho, a central, junto com outras entidades, protagonizara mobilizações importantes, como a marcha a Brasília em agosto que reuniu  algo como 25 mil pessoas contra a política econômica do governo Dilma e o projeto de flexibilização das leis trabalhistas que propunha o ACE (Acordo Coletivo Especial), elaborado pela CUT e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Após as jornadas de junho que tomaram conta do país, a CSP-Conlutas empreendeu uma política de inserir a classe trabalhadora, de forma organizada, nessas mobilizações. Para isso,  encabeçou ações como o dia de greve geral em 11 de julho e o dia nacional de paralisações no 30 de agosto. Infelizmente, por conta da política das direções das centrais como CUT e Força Sindical, temerosas de se enfrentarem com o governo, tais iniciativas não tiveram continuidade. No entanto, 2014 promete reviver um importante ascenso das lutas, e novos desafios estarão colocados.

"A CSP-Conlutas estará chamada a cumprir um papel superior numa nova conjuntura de lutas que, acreditamos, poderá ganhar novo impulso em meados do primeiro semestre, podendo se repetir, antes e durante a Copa do Mundo, as manifestações que vivemos em 2013", avalia a resolução aprovada pelos dirigentes da central.

Contra a criminalização
Outra importante resolução da reunião da coordenação nacional foi uma ampla campanha contra todo o processo de repressão e criminalização dos movimentos sociais que se recrudesce no último período. Em várias partes do país, ativistas estão sendo presos e processados por lutarem, chegando ao absurdo caso de, em São Paulo, um delegado desencavar a Lei de Segurança Nacional para prender um casal de manifestantes. 

*Com informações da CSP-Conlutas

Atividades marcam Dia da Consciência Negra no RJ

"A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor, Candeia
O tempo que o Samba viver
O sonho não vai se acabar
E ninguém vai esquecer, Candeia"


(O sonho não acabou,  Luis Carlos da Vila)


No 20 de novembro, o Quilombo Raça e Classe e o Luta Popular, entidades filiadas à CSP-Conlutas, participaram e ajudaram a construir diversas atividades em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Dia começou na Amendoeira, em São Gonçalo

comunidade debate na Amendoeira
A primeira atividade ocorreu logo cedo no bairro de Amendoeira, na cidade de São Gonçalo. Representantes do Quilombo Raça e Classe, do movimento o Luta Popular e da CSP-Conlutas realizaram uma conversa com a comunidade local. O objetivo da atividade foi iniciar a reconstrução da associação de moradores do bairro que vem tocando algumas lutas específicas.
Após o debate os participantes fizeram uma confraternização comendo um delicioso angu e regada a uma cervejinha gelada, para refrescar o intenso calor.

Samba de resistência nos subúrbios cariocas
Já do outro lado da Baía de Guanabara também foi dia de combater a farsa da democracia racial rolou debate e atividades culturais. Na comunidade do Jacarezinho e no tradicional subúrbio carioca de Osvaldo Cruz rolaram debates e atividades culturais.
A negrada, com raça e classe, trocou inúmeras idéias sobre a questão racial no Brasil e no mundo, em especial sobre a violência contra a juventude negra e a preservação da cultura afro.
No Buraco do Galo o dia contou com muito samba de raiz, mostrando toda a resistência da tradição cultural dos negros brasileiros. Tudo isso acompanhado de uma bela feijoada e uma cerveja gelada.

tradicional roda de samba no Buraco do Galo

Neste dia 21/11 tem Marcha da Periferia nas ruas do Rio
Já nesta quinta-feira, 21/11, ocorrerá nas ruas do centro da cidade a Marcha da Periferia. Uma passeata seguirá da Candelária até o busto de Zumbi, lembrando os guerreiros e guerreiras De palmares. A concentração está marcada às 17 horas.

Agenda da Marcha da Periferia com Raça, Classe e Gênero no Rio de Janeiro

19 de Novembro
NOVA IGUAÇU
Marcha da Periferia com Raça e Classe e os Comerciários no Calçadão de Nova Iguaçu a partir das 10:00 h. 

20 de Novembro
SÃO GONÇALO 
No dia da Consciência Negra a Associação de Amigos e Moradores da Amendoeira organiza um evento onde será comemorada a data e apresentada à população a CSP - Conlutas, o Quilombo RaçaeClasse e também o Luta Popular.

Eventohttps://www.facebook.com/events/240281122795990/?ref_dashboard_filter=upcoming&source=1

"Consciência Negra no Quilombo do Jacaré". Favela do Jacarezinho.

"Feijoada de Zumbi do Buraco do Galo", na tradicional Roda de Samba do Buraco do Galo, em Osvaldo Cruz.

Atividade Cultural no Chapéu Mangueira, de 10 às 17 horas.

21 de Novembro
RIO DE JANEIRO
2a MARCHA DA PERIFERIA - Em 2013 a Marcha da Periferia, que traz como tema “PELOS AMARILDOS… DA COPA EU ABRO MÃO”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros Movimentos de Opressões, Sociais, Estudantis e Entidades Sindicais. 
Passeata da Candelária até o busto de Zumbi dos Palmares; Concentração às 17h. 

Abertura do I Seminário Nacional da FENAJUFE de Combate ao Racismo e de Identidade Negra no Judiciário Federal e MPU -  19:00h.  O seminário ocorrerá até o dia 23/11.
22 de Novembro
JAPERI
 “JAÇARAUPERI” Ato político e cultural pelo Dia da Consciência Negra, na Praça Olavo Bilac, em Engenheiro Pedreira/Japerí, a apartir das 16 horas.

24 de Novembro
RIO DE JANEIRO
"Dandaras de Luta", atividade no Bar do Rumba, na Favela do Jacarézinho, a partir das 12 horas.

25 de Novembro
RIO DE JANEIRO 
Passeata pelo Dia Latino-americano e Caribenho de luta contra a violência contra a mulher, concentração na Candelária a partir das 16 horas.

"Mesa da Questão Racial", no auditório da Faculdade Nacional  Direito FND/UFRJ – próximo ao Campo de Santana, a partir das 16 horas.

26 de Novembro
RIO DE JANEIRO
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência", na Sede do PSTU – Rua da Lapa, 180 sb lj/Lapa, a partir das 18:30 horas.

NOVA IGUAÇU
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência" – O Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e Região organizará um debate na terça, dia 26 de Novembro, às 19h, no estacionamento ao lado do Sindicato (Rua Dr. Barros Jr., 396, Centro de Nova Iguaçu) em conjunto com o movimento Quilombo Raça e Classe e a CSP-Conlutas.




27 de Novembro
BELFORD ROXO
Atividade sobre a questão racial no SEPE Belford Roxo (à confirmar o formato).

Veja calendário de atividades completo aqui 


fontes: Quilombo Raça e Classe e CSP- Conlutas

As duas prisões de José Dirceu

“Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não terá, para sempre, perdão, visto que é réu de pecado eterno.” (Matheus 3:29)


Felipe Demier

Às vésperas do aniversário da República, o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou a prisão de José Dirceu, entre outros condenados pelo chamado “crime do mensalão”. Ao se apresentar na sede da Polícia Federal em Brasília, o ex-dirigente máximo do Partido dos Trabalhadores (PT) ergueu o punho cerrado, repetindo, assim, o gesto que ele próprio fizera, algemado, antes de embarcar, em setembro de 1969, num avião da Força Aérea Brasileira (FAB) – que conduziria para o México os militantes de esquerda trocados pelo embaixador norte-americano (sequestrado pela guerrilha antiditatorial brasileira). Mas o José Dirceu preso em 2013 não é senão uma caricatura daquele de 1969. O gesto permaneceu, mas o homem mudou, e muito.
Dirceu fora preso em 1968, em Ibiúna, interior de São Paulo, quando da fracassada tentativa de realização do XXX Congresso da União Brasileira dos Estudantes (UNE). Trocado pelo embaixador norte-americano, foi banido do país e buscou asilo em Cuba. Corajosamente, voltou em 1971, no fastígio da ditadura empresarial-militar, e viveu aqui clandestinamente por cerca de oito anos (tendo retornado a Cuba nesse meio tempo para fazer uma cirurgia plástica que melhor o disfarçasse dosgendarmes brasileiros). Com a anistia, em 1979, assumiu sua verdadeira identidade e se engajou na formação do PT. Dirceu foi, assim, um dos responsáveis pela construção daquela que foi, durante aproximadamente uma década, uma poderosa ferramenta política de luta do proletariado brasileiro. Portador de distintas concepções programáticas (reformistas e revolucionárias, grosso modo), mas unificado em torno das práticas cotidianas, o PT desempenhou na década de 1980 o papel de condutor e organizador político das lutas dos trabalhadores do país.
Fiel ao seu nascedouro, o partido era alimentado e alimentava as principais mobilizações operárias do país, carregando sempre as bandeiras da independência de classe dos trabalhadores e do fim da ditadura militar (1964-1985). Diretamente responsável pela fundação, em 1983, da maior central sindical da história do país, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o PT mantinha também ligações orgânicas com a reorganização dos trabalhadores do campo, que se traduziria na criação, em 1984, do movimento dos trabalhadores rurais sem-terra, o MST. Depois de quase duas décadas, importantes setores das massas trabalhadoras da cidade e do campo acordavam do pesadelo iniciado em 1964. Entretanto, nessa nova fase de seus combates os trabalhadores brasileiros contavam com um instrumento político incomparavelmente superior às que possuíram na etapa populista.
Por mais que entre os defensores de uma feição reformista para o PT, como Dirceu, existissem aqueles mais suscetíveis às pressões do Estado capitalista, durante quase toda a década de 1980 o partido manteve seu eixo eleitoral-parlamentar subordinado à sua atuação no movimento operário-popular. Isso significa dizer que a participação do PT nos processos eleitorais se realizava como uma forma de expressão, na esfera institucional, das demandas do movimento popular organizado. As políticas defendidas pelos candidatos petistas possuíam um forte lastro com as propostas defendidas pelos setores mais conscientes da classe trabalhadora. A prática política do PT se ancorava, portanto, na atuação de seus militantes junto aos trabalhadores, que naquele momento avançavam qualitativamente em sua organização sindical e política. Assim, os cargos públicos obtidos pelos candidatos do partido eram encarados como mandatos pertencentes aos setores populares que organizadamente haviam construído as candidaturas de suas lideranças sociais e políticas. Diferentemente do que ocorreria depois, os organismos de base do partido gozavam de um relativo controle sobre os parlamentares eleitos, o que diminuía consideravelmente as chances de que estes últimos se “autonomizassem” das bandeiras políticas com as quais haviam se eleito e adotassem as práticas de congraçamento que imperavam (e imperam) no Congresso Nacional, como o “mensalão” (certamente não inventado pelo PT). Nos anos 1980, não foram poucos os burgueses e seus prepostos políticos que perderam noites de sono em função do PT. Provavelmente, Dirceu estava entre os protagonistas dos pesadelos noturnos.
As eleições municipais de 1988 começariam a alterar significativamente a natureza e o funcionamento do partido. Além de aumentar em seis vezes o número de vereadores eleitos em 1982, o PT elegeu seus candidatos em 36 prefeituras. Contudo, pela primeira vez, o PT conquistava prefeituras de peso e visibilidade nacional, como as de Porto Alegre (RS), Vitória (ES) e São Paulo (SP), a maior cidade da América do Sul.[1] Ampliavam-se consideravelmente as áreas de fronteiras do partido com o Estado. Ocupando postos executivos, PT experimentava agora o papel de administrador das instituições republicanas brasileiras, e via-se imerso em estruturas historicamente consolidadas por negociatas, corrupção e outras práticas de governo do capitalismo. Por detrás do sonho dos reformistas do PT, liderados por Dirceu, de implementar uma “outra forma de governar” (o modo petista de governar), iniciava-se, de forma localizada, a experiência do PT como gerente do capitalismo brasileiro, posição que o partido ocupa, desde 2003, em âmbito nacional. O aumento significativo das zonas de interseção entre o PT e o Estado brasileiro se constituiu no principal fator da degeneração partidária. Iniciada substancialmente nas eleições municipais de 1988, a ocupação de postos e cargos públicos pelos dirigentes petistas estendeu-se em nível estadual ao longo da década seguinte, aumentando a dependência material do partido perante o Estado capitalista. A administração de recursos financeiros do Estado por parte de dirigentes petistas, em grande parte adeptos de concepções não-revolucionárias, criou as condições propícias à formação de uma camarilha burocrática, liderada por Lula e Dirceu. Centenas, e depois milhares de militantes, foram afastados de seus locais de atuação (fábricas, escolas, bancos, hospitais etc.) e absorvidos por gabinetes parlamentares e secretarias públicas. Reuniões e acordos com empresários e banqueiros tornaram-se suas novas tarefas. Surgiu, como declarou César Benjamin, um contexto “muito favorável à burocratização, cuja lógica capturou milhares de quadros: parlamentares, prefeitos, assessores, ou pessoas desejosas de vir a ser parlamentares, prefeitos e assessores”.[2]
O aumento de arrecadação do partido, acarretado pela sua imbricação com as instituições estatais (contribuição dos parlamentares, doações burguesas etc.), ao mesmo tempo em que proporcionava uma extensão e maior eficácia das tarefas cotidianas da militância, deixava muito claro de onde provinham os recursos que permitiam esse salto organizativo. Os reformistas liderados por Dirceu, que sempre tiveram a faca na mão, tinham agora também o queijo, do qual poderiam fazer uso das fatias para cooptar parcela substantiva dos militantes. Na disputa entre revolucionários e reformistas no interior do PT, os últimos começaram a adquirir, a partir de 1988, as condições materiais que lhes proporcionariam, em breve, a vitória final. Colhiam os frutos, sozinhos e a seu modo, dos faustos eleitorais construídos por toda a militância no dia-a-dia junto à classe trabalhadora. Somaram-se a essa inserção do partido no aparato estatal brasileiro outros aspectos que contribuíram para a inflexão política sofrida pelo PT, os quais, por razões de espaço, não poderemos discutir aqui.[3]
Em 1992, um PT já significativamente adulterado em relação ao seu conteúdo original enfrentaria seu primeiro grande teste político. Quando as massas juvenis saíram às ruas para derrubar Fernando Collor de Mello, e quando sua queda era quase inevitável, a direção petista, com Dirceu à frente, encarregou-se de se mostrar como alicerce da institucionalidade democrático-liberal, defendendo a posse do Vice-Presidente Itamar Franco, apresentando, assim, limites claros ao movimento contestatório. Não satisfeitos, Dirceu e cia. não hesitaram em expulsar a Convergência Socialista (CS) devido ao “grave crime” cometido pela corrente: defender o “Fora Collor” quando a direção do PT ainda não havia aderido a esta bandeira. Em termos históricos (no que se refere à história do Partido dos Trabalhadores), tal expulsão significou o início de um processo de exclusão dos setores militantes que não mais poderiam ser tolerados por um PT que se tornava a cada dia mais adaptado à ordem do capital. Esse processo de expurgo teria fim pouco mais de dez anos depois com a expulsão dos “radicais”, desta vez pelo também “grave crime” de terem votado contra a reforma neoliberal da Previdência levada a cabo pelo governo Lula em 2003. No meio do caminho (isto é, entre 1992-2003), muitas correntes e elementos da esquerda partidária ou se afastaram do partido, ou se adaptaram também ao aparato estatal e subordinaram-se à cúpula dirigente comandada por Dirceu.
Dirceu foi, assim, um dos principais responsáveis tanto pela construção do PT, quanto pela sua degeneração em um “partido da ordem” executor de contrarreformas, as quais vêm incontinentemente atacando os direitos dos trabalhadores. Dirceu, portanto, é culpado (sem direito aos tais “embargos infringentes”) por ter conduzido a expropriação da classe trabalhadora de sua mais importante ferramenta política na história republicana brasileira. Dirceu prestou, com isso, um inestimável serviço à burguesia brasileira. Quando girou o PT à direita nos anos 1990, e quando se apresentou, anteontem, na sede da Polícia Federal, ele já não era mais o arguto garoto de Ibiúna, nem tampouco o intrépido revolucionário que escapava pelas ruas de São Paulo e do Paraná das mãos dos sádicos torturadores e assassinos financiados pelo empresariado nacional e internacional. Dirceu já era, já é, outro, e, do ponto de vista da esquerda socialista, se tornou indefensável. Não cabe recurso.
Ocorre, entretanto, que foi não o transformismo do PT[4] o crime pelo qual Dirceu foi parar atrás das grades nesse aniversário da República. Do mesmo modo, não parece ter sido o seu envolvimento em atividades ilícitas e corruptas o real motivo de sua condenação pelo STF, composto de insignes figuras como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Afinal de contas, o tribunal em questão já absolveu ilibados políticos como Collor e Malluf (aliados atuais do PT, vale apontar), nada fez a respeito dos obscuros processos de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso e, não satisfeito, já anunciou que não vai anular a votação da reforma da Previdência, a qual, segundo o próprio tribunal, foi aprovada de forma fraudulenta. É como agarrar o ladrão, prendê-lo, mas deixá-lo em posse do dinheiro que roubara da vítima. Incrível a dialética jurídica do STF…
A nosso ver, Dirceu está pagando pelo crime de, uma vez encerrado o transformismo do PT, ter sido o principal criador e timoneiro de uma monstruosa máquina partidária capaz de gerir o capitalismo brasileiro melhor, e mais seguramente, do que as próprias representações políticas tradicionais da burguesia brasileira, máquina essa que, por isso, se tornou quase invencível no jogo eleitoral da democracia liberal. Ex-guerrilheiro, vindo “de fora” dos círculos dominantes, no melhor estilo outsider, Dirceu, para garantir o sono tranquilo da burguesia brasileira, deu um golpe de mestre nos partidos políticos que essa mesma burguesia brasileira criara. Ao seguir pagando religiosamente a dívida externa, reproduzindo a concentração de renda, freando a reforma agrária e esfacelando os serviços públicos e direitos sociais (para garantir a taxa de lucro das grandes corporações financeiras, industriais e do agronegócio), o PT fez do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) uma oposição sem programa e sem sentido. Parafraseando o Marx, pode-se dizer que é triste o partido que, na oposição, vê o seu programa ser implementado pelo adversário. Contudo, por estratégia de dominação social num país que contava com índices obscenos de desemprego, o PT, ao aceder ao governo federal, aumentou o crédito para o mercado consumidor, ampliou significativamente a distribuição de migalhas via bolsa-família e abriu concursos públicos, angariando, com tais medidas, um alargamento de sua base social-eleitoral. Do ponto de vista do próprio capital, não há, racionalmente, melhor forma de gestão da ordem capitalista contrarreformista.
Contudo, se Dirceu logrou conquistar para o PT o apoio do grande capital (que nos pleitos eleitorais financia mais este partido do que seus concorrentes – convém assinalar), parece não ter sido perdoado pelos chefes políticos da burguesia e seus aliados midiáticos. Vertebrado subjetivamente pelos editoriais jornalísticos, o burguês comum, tomado isoladamente, com sua mentalidade tacanha e mesquinha, não é capaz de uma visão política estratégica para sua classe, e não se reconhece na figura de um administrador de “esquerda” do capitalismo, que outrora pegou em armas contra o Estado e que, há relativamente pouco tempo, empunhava bandeiras vermelhas e defendia greves. O burguês ordinário porta-se, assim, com José Dirceu tal qual um nobre o faz com um arrivista plebeu que cativou o coração de sua bela filha: não havendo opção, o galante pode até ser aceito na casa, mas não é da família e, na primeira crise conjugal, há que ser posto pra fora de onde nunca deveria ter entrado. Por mais que tenha prestado enormes serviços à burguesia brasileira, Dirceu não é um lídimo filho dela e, do mesmo modo que uma empregada doméstica pode até jantar na mesa da sala, mas não deve dar pitacos nas temáticas encetadas na refeição, Dirceu não deveria ter ousado mostrar aos políticos da classe dominante como realmente se defende os interesses desta. Esperto, capaz e jactancioso, Dirceu talvez tenha ido longe demais nos serviços prestados à nossa oligárquica burguesia.
Assim, pela segunda vez em sua vida, José Dirceu foi para o cárcere. Mas a história, como se sabe, só se repete como farsa. Se, na primeira prisão, Dirceu era um revolucionário que tenazmente enfrentava a ditadura burguesa, na segunda adentrou a cela na condição de um político burguês togado rejeitado pela própria burguesia que cortejara e ajudara. Além de vingativa, a burguesia brasileira é, por demais, ingrata. José Dirceu foi vítima do próprio regime democrático-liberal que ajudou a consolidar no país. Com a domesticação do PT, ajudou enormemente a burguesia brasileira, mas, tendo ido além e feito do partido um vitorioso eleitoral contumaz contra os partidos genéticos dessa mesma burguesia, não foi salvo pelos imparciais juízes desta. Para os da esquerda socialista, não há o que lamentar, mas tampouco o que comemorar. Deixemos que Arnaldo Jabor e consortes procurem os seus para as histéricas libações nos grandes salões. Os anseios de justiça de uma classe trabalhadora traída por Dirceu não podem ser realizados pelo mesmo STF que encerrou, pela chantagem, a greve dos professores do Rio de Janeiro, e que, dia sim, dia não, põe em liberdade figuras como Daniel Dantas e o assassino de Dorothy Stang. Os nossos desejos não podem ser confundidos com os de outrem, sob pena de perdermos nossa própria identidade. Não pode haver substitucionismo político-jurídico nesse caso. Regozijar-se com a punição de um inimigo pelas mãos de outro (quiçá pior) não é senão alimentar uma reacionária sanha inquisitória que, ao fim e ao cabo, pode nos ter como alvo principal.
[1] A única capital governada pelo PT anteriormente havia sido Fortaleza (CE), quando Maria Luiza Fontenelle, em 1985, foi eleita prefeita. Ainda que Fortaleza já fosse uma capital importante e até meso maior que Porto Alegre e Vitória, a experiência da administração petista permanecia, até os faustos eleitorais de 1988, como algo isolado.
[2] Entrevista de César Benjamin in DEMIER, Felipe. As transformações do PT e os rumos da esquerda no Brasil. Rio de Janeiro: bom texto, 2003, p. 12.
[3] Quanto a isso, ver DEMIER, Felipe. “Das lutas operárias às reformas reacionárias: uma proposta de periodização para a história do Partido dos Trabalhadores” in História e Luta de Classes, nº 5, 2008.
[4] Quanto ao transformismo do PT, ver a brilhante obra de COELHO, Eurelino. Uma esquerda para o Capital: o transformismo dos grupos dirigentes do PT (1979-1998). Feira de Santana/São Paulo: UEFS/Xamã, 2012.

Rumo à 2ª Marcha Nacional da Periferia com o Quilombo Raça e Classe

Com o tema “Pelos Amarildos... da Copa eu abro mão”, marcha acontece em várias cidades e estados do Brasil

A Marcha da Periferia foi uma semente plantada em 2006 por membros do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”.  Essa iniciativa decorreu da percepção dos integrantes desta organização de que os conflitos entre a juventude negra estavam se deslocado dos enfrentamentos entre os bairros para o interior dos bairros. A esse processo passaram a chamar de “Guerra Interna” e identificar como uma clara política de Estado para controle social da juventude negra e pobre. 

Cabe lembrar, entretanto, que desde 1989 o Quilombo Urbano já realizava os festivais de Hip Hop na semana da Consciência Negra como um momento de confraternização entre a juventude das periferias de São Luís em homenagem a Zumbi de Palmares e outras referências históricas do povo negro, e de coroamento das atividades políticas e culturais que o Quilombo Urbano e outros grupos de Hip Hop realizavam nas comunidades pobres e negras durante todo ano.


Sendo assim, os festivais de Hip Hop foi o embrião das Marchas da Periferia.   Nos primeiros anos de sua realização, as ações da Marcha da Periferia ficaram limitadas ao Hip Hop e algumas entidades do movimento popular e das esquerdas maranhense. Entretanto, a partir de 2011, a Marcha da Periferia ganhou uma dimensão nacional impulsionado pelo Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e fortalecida pelas entidades sindicais, movimentos populares, de opressões e estudantis filiados à CSP- Conlutas – Central Sindical e Popular. Em 2013, a Marcha da Periferia, que traz como tema “Pelos Amarildos... da Copa eu abro mão”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros movimentos de opressões, sociais, estudantis e entidades sindicais.

Por que devemos marchar na periferia?

Na introdução brasileira do livro “Miséria das Prisões” o sociólogo francês Wacquant (1999) afirma que existe uma “ditadura pura” instalada nos bairros pobres do nosso país. E não é exagero. O Estado de exceção conforme demonstra Agamben (2003) tem se tornado uma regra geral contra os pobres em todo o mundo. Por isso, mesmo que a ideia de Estado mínimo deve ser relativizada, pois se ele é mínimo no campo das políticas sociais está cada vez mais robustecido em sua ponta repressora.


Enquanto os governos neoliberais dos últimos vinte anos “satanizavam” o Estado provedor do bem estar social, para que o mesmo fosse exorcizado do meio da classe trabalhadora, o investimento em segurança pública crescia assustadoramente. Em 2008, o investimento em repressão cresceu 15%, o equivalente a R$ 47,6 bilhões segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Por outro lado, basta verificar o contingente de indivíduos aprisionados no Brasil nos últimos anos. Dados divulgados pelo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apontam que nos últimos cinco anos o número de presos no Brasil cresceu 37%.  Temos na atualidade o terceiro mais populoso sistema carcerário do mundo com 494.598 presos, perdendo apenas para Estados Unidos que têm 2.297.400 presos e a China com 1.620.000, países esses que possuem uma população muito superior a nossa.


Não precisa ser analista político para constatar que os direitos constitucionais da democracia burguesa, especialmente o direito à vida, fica postado no “pé dos morros” ou nas fronteiras dos bairros de periferia, apenas as polícias entram nessas localidades com força total.


Por ano, mais de 25 mil jovens continuam sendo mortos por armas de fogo no Brasil, a grande maioria são negros e muitos mortos por policias. Juntas, as policias de São Paulo e do Rio de Janeiro matam mais do que aquela que é considerada a polícia mais violenta do mundo, a de Nova Iorque.  Se já não bastasse o etnocídio (eliminação cultural) da população negra via ideologia do branqueamento, o Estado brasileiro tem intensificado o genocídio (eliminação física) da população afro-brasileira que reside nos bairros pobres.


Em quase todos os estados brasileiros existem bairros de maioria negra ocupados pela Força de Segurança Nacional. Uma das mais propagandeadas políticas do governo Dilma na área de segurança pública é a nacionalização das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadoras).


O caso do Ajudante de Pedreiro Amarildo de Souza, negro e morador da favela da Rocinha no Rio de Janeiro, onde tudo leva a crê que foi sequestrado, torturado e assassinado por policiais de uma UPP instalada naquela comunidade, é um exemplo cabal do caráter racista e repressor desse tipo de política de Estado, que é parte do processo de criminalização da pobreza e de extermínio da população negra.


A realização dos “grandes eventos” no Brasil como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 tem a intensificado o processo de criminalização da pobreza e do extermínio da população negra. Centenas de milhares de famílias que residiam em comunidades próximas aos locais onde esses jogos serão realizados já foram, autoritariamente, removidas.


Mas não só a população negra e pobre de maneira geral sofre esse processo, é necessário também silenciar os movimentos sociais que nascem do interior dessas camadas sociais com o objetivo de enfrentar e reverter tais situações. Por todo o Brasil, centenas de lideranças comunitárias, quilombolas, camponesas, ambientalistas e advogados estão marcados para morrer, algumas das quais já perderam suas vidas.  Nos bairros pobres qualquer manifestação popular é criminosamente associada pelos governos e pela grande mídia ao tráfico de drogas e ao crime organizado, enquanto os crimes cometidos pelo Estado policial contra seus moradores é quase sempre divulgados como resultado de enfretamento entre “bandidos” e policiais.


Por outro lado, salta aos olhos os pomposos gastos dos diversos governos com as obras faraônicas da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O 1,5 bilhão de reais que seriam destinados aos megaeventos se transformou em fabulosos 45 bilhões, conforme anuncia o próprio governo federal.  Esses gastos contrastam com a situação de pobreza da maioria da população que padecem com a destruição dos serviços públicos básicos como educação, saúde, moradia e mobilidade social. Essa contradição foi a causa principal das jornadas de junho e das paralisações nacionais das centrais sindicais em agosto e setembro que levaram milhões de pessoas às ruas por todo o país.


 Considerando a situação limite em que se encontra a massa negra proletarizada do Brasil e a “derrama” de dinheiro público aos empresários dos megaeventos, definiu-se como temática para a Marcha Nacional da Periferia de 2013: “Pelos Amarildos, da Copa eu abro mão”. O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe faz o chamado a todos os setores combativos da classe trabalhadora, dos movimentos negro, quilombola, indígena, mulheres, estudantil, popular independente dos governos e patrões para construir, organizar e participar da construção da Marcha da Periferia numa perspectiva de Raça, Classe, Gênero e Socialista, buscando organizar, formar e responder as demandas de luta da classe trabalhadora negra e pobre do Brasil!


Atos que já estão organizados

Dia 20 de Novembro – Minas Gerais
Dia 20 de Novembro – São Paulo
Dia 21 de Novembro – Rio de Janeiro
Dia 22 de Novembro – Alagoas
Dia 22 de Novembro -  Maranhão

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