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Trabalhadores da saúde se mobilizam contra o desmonte da saúde federal no RJ

Trabalhadores da Saúde Federal
 novamente no NERJ 
Dirley Santos , da Redação

Os trabalhadores da Saúde Federal do Rio de Janeiro, estiveram, na manhã desta quarta-feira (14/01), novamente no NERJ (Núcleo Estadual do Rio de Janeiro) exigindo explicações do governo federal frente a estadualização-privatização. 

A mobilização dos trabalhadores arrancou uma audiência com representantes do Ministério da Saúde. De acordo com Cíntia Teixeira, trabalhadora da saúde e militante da CSP-Conlutas/RJ, "O governo desmentiu a estadualização, mas nós cobramos uma nota oficial contra a entrega para as OS's". também foi exigida uma posição contra o despejo do núcleo sindical dos servidores do Hospital Cardoso Fontes. 

Ainda segundo Cíntia "o governo federal tem que assumir a sua responsabilidade perante o sistema público de saúde", pois está claro que o atual sistema de regulação de leitos não funciona e por conta disso pessoas estão morrendo nas UPA's.

A categoria realizará nova assembléia no dia 22/01 (5a feira) para organizar a campanha salarial deste ano e a continuidade da luta contra estadualização-privatização.

Fotos: Cíntia Teixeira

Trabalhadores da Saúde Federal
protestam em frente ao NERJ

Trabalhadores da Saúde Federal em audiência com o governo federal


Lutaremos! Visando a privatização, governos realizam manobra e atacam a saúde federal

CSP-Conlutas/RJ 

O governo federal em parceria com o governo estadual do RJ fazem uma manobra em estadualizar os 6 hospitais federais entregando a gestão para as OSs ou fundações. Há dois anos a CSP-Conlutas e Fórum de Saúde seguem denunciado os contratos com as OSs que somam por ano 2 bilhões de reais.

E o que vemos é a continuidade com faltas de leitos e demora nos atendimentos ambulatoriais e cirurgias. Falta de insumos e manutenção das edificações das unidades, e farsa do sistema SISREG (Sistema de Regulação de Internações).

A luta contra a EBSERH vem fortalecendo trincheiras sendo necessário que os trabalhadores se reorganizem para barrar mais esta tentativa de privatização.

Ato dos trabalhadores do Hospital de Ipanema contra a privatização (6/01/41)

Confira abaixo a matéria de O Dia do RJ:

Transferência para o estado de hospitais federais de Rio está sendo negociada
Pezão discute com ministro da saúde detalhes relacionados ao repasse de fundos para o manutenção das unidades

Por Fernando Molica

Rio – A transferência ao estado dos seis hospitais federais de Rio está sendo negociada pelo governador Pezão e o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ambos concordam com a medida, mas ainda discutem detalhes relacionados ao repasse de recursos do ministério e serviço das unidades.

O orçamento anual dos seis hospitais — Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores — chega a R$ 4,5 bilhões. O estado quer garantir o recebimento desta verba por muitos anos.

Problemas
Apesar do orçamento generoso, os hospitais federais enfrentam muitos problemas — 600 de seus leitos foram fechados nos últimos anos, obras intermináveis prejudicam o atendimento no Andaraí e em Bonsucesso.

Contrato de gestão
A administração dos hospitais caberia a organizações sociais (como o caso do Instituto do Cérebro) ou à Fundação Saúde, ligada ao estado. Haveria um contrato de gestão para determinar metas a serem cumpridas.

Integração
Pezão quer uma integração entre as redes federal, estadual e municipal; não está descartada a possibilidade de o estado ficar também com institutos como o de ortopedia (Into). Pela proposta, a prefeitura ficaria com o atendimento básico: em 2015, receberia do Estado os dois postos de atendimento e poderá assumir os hospitais Rocha Faria e Albert Schweitzer.

Reunião
No dia 7, Chioro, Pezão e Eduardo Paes terão uma reunião em Brasília.

Saiba mais http://cspconlutas.org.br/

Greve na saúde federal começa com força no Rio


Funcionários do Hospital Servidores do Estado (HSE) protestam na rua

                                                               Por Cintia Teixeira, militante do PSTU
e integrante do Setorial de Saúde e Saúde do Trabalhador da CSP-Conlutas

Em greve por tempo indeterminado desde segunda-feira (3/02) os servidores da saúde federal do Rio, lotados em hospitais e institutos federais, buscam impedir a implementação do ponto eletrônico e garantir a carga horária de 30 horas semanais.
A categoria decidiu pela greve porque o Ministério da Saúde se recusou a suspender o início da implantação do ponto eletrônico, que já está em fase de testes.
As assembleias locais realizadas nos oito hospitais federais ratificaram a decisão da assembleia geral de apontar o início da paralisação e os trabalhadores decidiram boicotar o ponto eletrônico, não registrando sua presença nele.
Estas medidas nada mais são que medidas do governo Dilma para acelerar o processo de privatização dos hospitais federais. O governo planeja transferir o controle destas unidades para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), criada para terceirizar a administração destes hospitais.
Ao invés de romper com a cartilha neoliberal e privatista de FHC e do FMI desde 2003 os governos do PT e seus aliados a seguem, sucateando os serviços públicos, desviando verbas publicas, deixando os servidores sem condições de trabalho e impedindo o atendimento digno à população.

Com ponto eletrônico e EBSERH governo Dilma ataca conquistas
Programado para começar a funcionar no próprio dia 3/02 o ponto eletrônico, chamado também de controle biométrico, na prática desrespeita a garantia da carga horária de 30 horas semanais e o direito de duplo-vínculo.
De acordo com a categoria, o ponto está programado para cobrar uma jornada de 40 horas semanais – sendo que os hospitais funcionam sob a jornada de 30 horas há cerca de 30 anos.
Os trabalhadores também afirmam que a transferência do controle das unidades federais de saúde para a eventual entrada da EBSERH ou de empresas similares nos hospitais significará o fim definitivo da carreira da seguridade social.
Greve começa forte e radicalizada
Já no primeiro dia de greve foram realizados atos públicos pela manhã e à tarde, que seguem ocorrendo. Houveram manifestações no Hospital Cardoso Fontes (em Jacarepaguá), no Hospital da Lagoa (Zona Sul) e no Hospital dos Servidores (Centro).
Também se encontram entre as principais reivindicações da greve da categoria a campanha em defesa do serviço público de qualidade; a participação na marcha nacional do funcionalismo público em Brasília, no dia 05 de fevereiro e a inclusão da tabela salarial do Seguro Social.

É preciso unificar as lutas
Realmente o ano de 2014 começou com ares de 2013. Desde o final do ano passado, apesar do intenso calor, protestos contra falta de água e luz, contra as remoções provocadas pela Copa, manifestações contra os aumentos de passagens, os rolezinhos nos shoppings e diversas outras mobilizações têm sacudido o país.
Por tudo isso, nós do PSTU consideramos necessário cercar com toda a solidariedade a greve dos servidores federais, assim como as dos rodoviários em várias cidades (como Porto Alegre) e fazemos um chamado pela construção um calendário unificado de lutas e mobilizações reunindo as greves, as lutas contra os aumentos das passagens, as mobilizações por moradia e contra os gastos da Copa e os rolezinhos.

CALENDÁRIO DE GREVE E MOBILIZAÇÃO
04/02 – terça-feira
- Ato no Hospital da Lagoa
05/02 – quarta-feira
- Ato no Hospital do Andaraí
- Reunião do Comando de Greve - Sindsprev RJ (Rua Joaquim Silva, 98 – Lapa)
06/02 – quinta-feira

- Ato público unificado com concentração no Hospital de Bonsucesso

Governo Dilma ataca plano de saúde nos Correios

Ecetistas iniciam campanha salarial em defesa da saúde de trabalhadores e familiares


Yuri Costa e Heitor Fernandes, do Rio de Janeiro (RJ) 

Antes de qualquer discussão a respeito do plano de saúde, é fundamental contextualizar que o atual plano é uma conquista da vitoriosa e histórica greve de 1986. Durante os anos 80, no auge de um dos maiores períodos de luta da classe trabalhadora brasileira, com os recém fundados PT e CUT na linha de frente de grandes batalhas – desenvolveu-se a greve 86. Foi nesta jornada de luta contra a repressão policial, prisões e demissões que a categoria lutadora arrancou esta grande conquista do governo Sarney e dos militares ditadores dos altos postos de comando da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).
 
Crise e privatização
Hoje, enfrentamos o que certamente é o momento de maior crise na história da ECT. Há uma combinação de terceirizações, Planos de Demissões Voluntárias, repressão aos trabalhadores, instrumentos de assédio moral (como o SAP e o SARC), que só visam garantir a maior exploração do reduzido quadro de funcionários. Somado a isso, temos aumento das doenças e acidentes de trabalho como as LER/DORT, casos de depressão, síndrome do pânico e uma longa lista recorde. Tudo isso é reflexo do aumento do grau de exploração no dia a dia, já que os lucros da ECT só aumentam ao contrário da quantidade de funcionários e das condições de trabalho.
 
O resultado dessa equação foi expresso na declaração da ECT durante a última campanha salarial, ao propor enquadrar nosso plano sob os critérios da ANS, porque “se gasta muito com a saúde do trabalhador”. É um absurdo, justamente neste momento, a implementação dessa política através da criação da Postal Saúde. Estes ataques, combinados com a MP 532/2011, são as políticas que a direção da ECT e o governo Dilma encaminham para privatizar a empresa. Como parte desse processo, no bojo do Plano Estratégico Correios 2020, estão por vir uma série de outros ataques para adequar a ECT à lógica de mercado do capital à custa dos nossos direitos.
 
Postal Saúde foi criada às escondidas
No dia 30 de abril, enquanto a categoria ecetista aguardava as negociações de PLR, a direção da ECT criou, na calada da noite, a Postal Saúde. Trata-se de uma Caixa de Assistência que terá por finalidade administrar o atual Plano de Saúde da categoria (Correios Saúde), até então um benefício de assistência médica, hospitalar e odontológica conquistado pela categoria. Este cenário foi possibilitado pela aprovação da MP 532, transformada em lei 12.490/2011, aprovada pelos parlamentares governistas (PT e PCdoB) e negligenciada pelos sindicalistas também governistas (CUT e CTB). Essas MP e Lei possibilitaram a mudança estatutária na empresa necessária para realizar esse tipo de manobra, já que confere amplos poderes ao seu Conselho Administrativo.
 
A estratégia é a seguinte: retirar das mãos da categoria o Benefício para desviá-lo das negociações de campanha salarial criando uma Caixa de Assistência de direito privado cujo principal objetivo é “operar planos privados de assistência à saúde” (conforme artigo 3° de seu estatuto), que substitui a ECT na administração do Correios Saúde. Para que isso ocorra, a Postal Saúde deve se adequar às normas da ANS (Agência criada pelo Ministério da Saúde para regular os planos privados), o que abre a possibilidade de gerir conforme bem entender nosso Benefício. Inclusive, criar outros planos para gerar mais receita e condições de competir no mercado. Para isso, a ECT e o Postalis serão patrocinadoras da Postal Saúde, enquanto este adapta o nosso plano Correios Saúde para gerar lucros e cria outras modalidades de planos para gerar competitividade.
 
Em outras palavras, a criação da Postal Saúde e sua regulação pela Agência Nacional de Saúde (ANS) significa que é totalmente possível a retirada de direitos conquistados através desse benefício. O Regulamento de Planos de Saúde, por exemplo, não considera pais e mães como dependentes e sim agregados (para mantê-los no Benefício, ficaria por conta do beneficiário). Já os artigos 8° e 10° do estatuto da Postal Saúde deixam claras as mudanças no caráter das obrigações financeiras do beneficiário, através da imposição do pagamento em dia do Plano ao invés de pagamento apenas quando for utilizado e de forma compartilhada como é feito hoje.
 
 
Defender o Benefício com unhas e dentes
É no mínimo desumano que agora a parte dos Correios a ser privatizada seja o Plano de Saúde dos trabalhadores. Mas não é de surpreender, já que o governo que mais favoreceu os empresários e banqueiros, nas últimas décadas, está por trás dessa e de outras medidas privatizantes que virão. Ao contrário das promessas feitas na candidatura Dilma – candidata do ex-presidente Lula em 2010 – as privatizações ganharam força em seu Governo. Estão sendo privatizados os portos, estradas, aeroportos além dos leilões do petróleo que já superam até os tempos de FHC (chegamos ao sexto leilão petista contra os cinco do seu antecessor neoliberal).
 
Com a ECT não foi diferente, usando o mesmo pretexto que “virou moda”, Dilma alega estar modernizando os Correios. Por trás deste discurso, aumentam as terceirizações e se prepara a abertura de capital da empresa destruindo direitos fundamentais dos trabalhadores como o plano de saúde. Nesse caso, a ECT e o Postalis bancarão com nossos recursos o Postal Saúde, enquanto este cria outros planos e altera nosso Benefício para gerar lucros e favorecer a competitividade. Como em todos os processos privatistas do PT: o Governo entra com a nossa grana, os patrões com o bolso e os trabalhadores com os braços, suor e sangue.
 
Hoje a manutenção do plano de saúde é provavelmente, junto com o vale alimentação/refeição, um dos únicos motivos que nos faz continuar na ECT. Trabalhar tranquilo nos Correios está cada vez mais difícil: equipamentos ultrapassados (que chegam a colocar em risco a vida dos trabalhadores, como os motorizados), perigo de assalto nas ruas, intenso assédio moral, o pior salário base das estatais (R$ 1.004) etc. Por isso, lutar em defesa do Correios Saúde é uma batalha pelo mínimo que ainda nos segura na ECT.
 
É determinante que as Federações da categoria (Fentect e Findect) se posicionem ao lado dos trabalhadores contra mais esse cruel ataque do governo do PT e rompam politicamente com ele, para garantir a autonomia da mobilização que deve ser feita imediatamente. A CSP-Conlutas e a Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios (FNTC), junto com outros sindicatos e oposições, já se posicionaram contra esse projeto.
 
Os militantes do PSTU estão juntos dessas entidades, na luta contra esses ataques à nossa classe e agirão cada vez mais em unidade de ação para derrotar esse e tantos outros obstáculos que estão por vir.
 
– Nenhuma retirada de direitos!
– A Postal Saúde é privatização! O CorreiosSaúde é nosso!
– Melhorias já e fim da burocratização do Plano!
– Correios Saúde sob controle dos trabalhadores!
– Saúde pública, gratuita e de qualidade para todos os trabalhadores e seus dependentes!
 
 
FONTES:

Carta Aberta em defesa do IASERJ


Manifestantes  fazem vigília para impedir o fechamento do Hospital do IASERJ
Rio de Janeiro, 15 de julho de 2012

Caríssimos, 

Passamos uma madrugada de horror!
O prédio do IASERJ foi invadido no final da noite de ontem pelo choque, que garantiu a entrada de uma equipe da secretaria de saúde para fazer o trabalho sujo da remoção dos pacientes do Hospital.
Os médicos e trabalhadores do IASERJ assistiram ao deslocamento de seus pacientes sem condições de impedirem tamanha atrocidade, pois havia juntamente com a equipe do governo, dois promotores, que a qualquer ação dos trabalhadores do IASERJ ameaçavam-nos de prisão.
Do lado de fora, além de um grupo de policiais do choque fortemente armados, as ruas ao redor foram fechadas com barricadas feitas pelo Choque. Um carro do BOPE, ficava dando ronda juntamente com carros da PM. Agentes da polícia civil, os conhecidos P2, se misturavam entre os poucos manifestantes que procuravam resistir no portão de fora. Três caminhões-baú ficaram estacionados em frente ao hospital aguardando o momento de entrar para efetuar a mudança dos equipamentos.
O que assistimos foi pura covardia: 18 ambulâncias da SAMU e das UPA's foram deslocadas para o IASERJ, os pacientes foram sequestrados, pois foram transferidos sem a baixa de seus médicos, sem conhecimento de seus familiares que não foram comunicados e nem podiam entrar no hospital. Advogados com a carteira da Ordem, a vereadora Sônia Rabelo e o deputado Paulo Ramos, foram barrados no portão pelos procuradores, tendo que entrar pela emergência pelas mãos dos servidores do hospital.
Pura covardia! Na calada da noite, pacientes sendo removidos de forma irresponsável, médicos e trabalhadores do IASERJ impotentes frente a brutalidade e nós na rua tentando resistir, barrando a entrada das ambulâncias sob o pedido suplicante do comandante do Choque para que deixássemos as ambulâncias passarem, pois eles não queriam nos machucar... Uma madrugada de terror!
No dia de hoje, fizemos um ato dentro do pátio do IASERJ e vigília. Ainda temos pacientes que não foram removidos e amanhã a partir das 5 horas começarão a chegar os pacientes do ambulatório que precisam ser informados da nossa resistência.
Precisamos da presença de todos e todas nessa noite e madrugada no IASERJ, não vamos permitir que o assassino Cabral acabe com o nosso hospital.
Fazemos um chamado especial aos profissionais de educação do Estado que estão de recesso escolar para reforçarem nossa luta.

Não é só palavra de ordem não, é a realidade nossa de cada dia: 
A NOSSA LUTA É TODO DIA PORQUE SAÚDE NÃO É MERCADORIA!!!
Vera Nepomuceno 16123

Mais uma Epidemia de Dengue no Rio: a responsabilidade é do Prefeito Paes

Por Alessandra Camargo, do Rio de Janeiro (RJ)

   O governo de Eduardo Paes assumiu publicamente mais uma epidemia de dengue. Uma epidemia é caracterizada pelo aumento súbito do número de casos da doença. No caso da dengue no município, se configura quando há mais de 300 casos registrados para cada 100 mil habitantes.

   Até 5 de maio, a Secretaria Estadual de Saúde havia registrado 83.053 casos com 17 mortes no estado fluminense. Em 28 de abril haviam sido notificados 76.064, demonstrando que a epidemia está crescendo, pois esses números expressam mais 7 mil casos num período curto de uma semana. É importante lembrar que muitos casos sequer chegam a fazer parte das estatísticas.

   A princípio, a situação epidêmica ocorria na capital, que concentrava aproximadamente 80% dos casos registrados. Contudo, recentemente foi assumida a epidemia em Niterói e em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense). Na capital, os bairros proletários são os mais atingidos: Bangu, Realengo, Madureira e Campo Grande.

   As epidemias de dengue são recorrentes desde 1986, o que reflete o atestado da falência da gestão pública no estado do RJ. Dentre as causas da atual epidemia inclui-se um elemento epidemiológico, que é a introdução de um novo vírus (tipo 4) que corresponde a 84,7% dos casos, para o qual a população carioca não é imune (não possui defesa). Contudo, o fator determinante para a epidemia é a incapacidade dos governos municipais e estadual no que se refere à implementação de politicas públicas socioambientais e de saúde que sejam capazes de controlar os vetores (o mosquito Aedes aegypti) e prevenir a instalação da epidemia. 

   O estado do Rio de Janeiro sofre com a ausência de politicas públicas socioambientais de saneamento do espaço urbano, exemplificada pela ineficiência da coleta de lixo e pela distribuição irregular e injusta da água, levando a população a armazená-la. Assim, instalam-se os criadouros do mosquito. Soma-se a isso a ausência de uma política habitacional, permitindo que imóveis fiquem fechados para especulação imobiliária nos quais os mosquitos proliferam.

   A Constituição Federal, em seu artigo 196, dispõe que a saúde é dever do Estado, logo, a evolução da epidemia de dengue é consequência da omissão do Estado, embora o governo e a mídia culpem a população. É indiscutível a responsabilidade direta do prefeito Eduardo Paes, e posteriormente do governador Sérgio Cabral, que deveriam promover ações de controle do vetor e ofertar serviços de saúde públicos de qualidade para atender a população doente.

O Sistema Único de Saúde (SUS) carioca
   Quem já teve o azar de contrair dengue, sabe quanto sofrimento a doença ocasiona: febre alta, dores de cabeça, cansaço, dores generalizadas, indisposição, enjoos, vômitos, entre outros sintomas, sendo que alguns casos mais graves podem evoluir para a forma hemorrágica.

   No município do Rio de Janeiro, a porta de entrada no SUS é a Clinica da Família e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAS), onde estão funcionando os “Polos de Hidratação” para diagnóstico e tratamento de urgência da doença. Tal medida parece ter melhorado o serviço de triagem dos casos graves, permitindo um tratamento mais rápido, o que teria reduzido o número de mortes.

   Contudo, embora o governo tenha criado um plano de contingência, os serviços de saúde estão superlotados, faltam insumos e profissionais, principalmente médicos. Assim, a população espera horas para ser atendida.  Mesmo o setor privado não consegue responder à epidemia, e entra em colapso.

   A população carioca que procura os serviços públicos de saúde é obrigada a esperar horas pelo atendimento que muitas vezes é pouco efetivo e de pouca qualidade. Por vezes, os doentes são mal atendidos e retornam para a casa com um diagnóstico impreciso de “virose”.  Tal situação leva um quantitativo importante da população a só procurar o serviço de saúde quando há um agravamento da doença, aumentando o número de casos graves e mortes.

   Vale recordar que recentemente (março de 2012), em pesquisa feita pelo Ministério da Saúde – Índice de Desempenho do SUS (IDSUS), o sistema público de saúde da cidade do Rio de Janeiro teve o pior desempenho dentre as capitais, com nota de 4,33, numa escala de 0 a 10 (abaixo da média nacional, que foi 5,47).

   A população mais pobre continua sendo a principal vitima da doença, pois é esta que não tem moradia digna, saneamento básico e que sofre as consequências do sucateamento dos serviços públicos de saúde, postos de saúde, hospitais e da UPA. Enquanto a saúde pública padece, o governo segue investindo bilhões nos megaeventos. Mortes por dengue são evitáveis e inaceitáveis, pois é produto da omissão dos governos diante das injustiças sociais e do caos do sistema público de saúde.

Desrespeito à saúde do trabalhador
   As Clinicas da Família e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) são unidades de saúde privatizadas, pois são geridas pelas Organizações Sociais, provando mais uma vez que privatizar os serviços de saúde não levam à qualidade, mas sim ao desvio e abuso do dinheiro público. Por que em vez de repassar dinheiro para a iniciativa privada organizar unidades de saúde o governo não investe na melhoria e construção de unidades públicas e abertura de concursos para profissionais de saúde?

   Nessas unidades há um total desrespeito à saúde do trabalhador. Um exemplo disso é que elas seguem orientações para não fornecer atestados médicos, apenas declaração de comparecimento, mesmo com diagnóstico positivo para dengue. Assim, o trabalhador precisa ir ao serviço doente ou peregrinar por outras unidades de saúde até conseguir uma que lhe garanta seu direito de ter um atestado médico, para que se ausente do trabalho e recupere sua saúde.

Contra a epidemia de dengue que vem atacando a classe trabalhadora e o povo pobre, o PSTU propõe:
1) Reforma urbana que promova o saneamento do espaço, com distribuição eficiente de água, coleta regular de lixo e uma politica habitacional que combata a especulação imobiliária;

2) Concurso público para agentes de endemias e profissionais de saúde para as unidades públicas;

3)  Por um sistema de saúde público, exclusivamente estatal sob o controle dos trabalhadores, gratuito e de qualidade para todos.

4)   Dobrar as verbas para a saúde pública estadual! Que se cumpram os percentuais mínimos de investimento na saúde (15%e 12% da arrecadação do município e do estado, respectivamente).
5) Que os recursos do petróleo e do pré-sal sejam destinados a melhorar as condições de vida da população fluminense.

6) Não pagamento da dívida pública, que os recursos sejam destinados à saúde, educação e habitação, para possibilitar melhorias na qualidade de vida da população fluminense.

Saúde: a Emenda 29 e a montanha que pariu um rato

Apesar das expectativas em relação à aprovação da Emenda Constitucional 29, 
o sistema público de saúde continuará a ter baixíssimo financiamento

 Ary Blinder, de São Paulo (SP)

 Há anos os ativistas que lutam por avanços na saúde pública do Brasil esperavam com ansiedade a votação da Emenda Constitucional 29. A EC 29 estava em tramitação no Congresso Nacional há vários anos. Já havia uma definição de piso para os gastos de municípios e estados com saúde, mas a definição do mínimo de gastos federais estava emperrada.

Desde a criação do SUS (Sistema Único de Saúde), pela Constituição de 1988, houve uma enorme quantidade de leis e portarias que regulamentam seu funcionamento, sem dúvida muito complexo.

Um dos aspectos centrais desta complexidade está relacionado às diferentes esferas governamentais (nível federal, estadual e municipal), as atribuições e deveres de cada esfera no tocante à saúde pública e o financiamento necessário para dar conta destas atribuições. Há anos já estava definido que os municípios são obrigados a investir na saúde no mínimo 15% de sua receita, e os estados tem um piso de gastos de 12% de suas receitas.

O próprio Ministério da Saúde já divulgou várias vezes que particularmente os estados não cumprem este gasto mínimo constitucional, seja por não atingirem o piso de 12%, seja por considerarem como gastos de saúde tópicos que não o são (como gastos com aposentadorias de funcionários da saúde estadual).

O piso de gastos federais, no entanto, não estava devidamente regulamentado. Havia várias propostas no Congresso Nacional, sendo a mais famosa a do senador Tião Viana (PT), que propunha um piso mínimo de gastos federais equivalentes a 10% da receita corrente bruta da federação.

Esta proposta, embora não fosse a ideal, permitiria uma importante injeção de gastos federais no SUS. Estima-se que significaria um aumento de nada mais do que R$ 32,5 bilhões ao ano para a saúde em 2016 (acrescido de correção monetária). Por isso, quando o governo Dilma resolveu jogar força para aprovar a emenda constitucional 29, que em tese estabeleceria este piso mínimo de gastos federais com a saúde pública, muitos lutadores e defensores do SUS ficaram esperançosos.

A realidade, no entanto, foi bem outra. A Lei Complementar 141, votada no Congresso no final de 2011 e sancionada por Dilma no último dia 13 de janeiro, traz apenas que o Orçamento Federal da saúde vai variar de acordo com o crescimento do PIB. Todos sabem que o PIB de 2011 será de medíocres 2,7%, portanto este é o piso de aumento de gastos federais para a saúde para o próximo Orçamento. A proposta de Tião Viana foi derrotada justamente com o voto dos parlamentares da base do governo Dilma.

Para piorar ainda mais, também no final de 2011, Dilma conseguiu aprovar a prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) para até 2015. A DRU permite ao governo tirar da Seguridade Social até 20% de seu orçamento, transferindo o dinheiro para itens de maior preocupação governamental (em outras palavras, pagamento de juros da dívida pública aos banqueiros nacionais e internacionais, que já come cerca de 47% da receita da federação).Para se ter uma idéia do volume de recursos drenados pela DRU, entre 2005 e 2010 foram R$ 228,7 bilhões!

Como desgraça pouca é bobagem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já anunciou cortes no Orçamento Federal deste ano. No caso da Saúde, o corte vai ser de “apenas” cinco bilhões de reais (num orçamento para a saúde federal de R$ 71 bilhões). Todas estas medidas têm um único objetivo: manter a meta de Superávit Primário acordada com o FMI.

Os governos e a mídia procuram alimentar o discurso de que o principal problema do SUS é o mau gerenciamento e a corrupção. Esta ideia, no entanto, não resiste ao frio exame dos números. Segundo o Tribunal de Contas da União, entre janeiro de 2002 e junho de 2011, houve desvio ou mau uso de dinheiro público equivalente a R$ 2,3 bilhões. Isso é menos da metade dos 5 bilhões que vão ser cortados do orçamento da saúde federal só neste ano.

O curioso e triste deste falso argumento do “problema de gestão do SUS” é que quem nomeia os gestores e quem não permite um verdadeiro controle social do SUS são os mesmos que cinicamente privatizam e falam em “má gestão”. A melhora da gestão só poderá se dar quando os próprios trabalhadores, principais interessados em que o SUS funcione, sejam os administradores do sistema, que deve ser democraticamente controlado pela classe, suas organizações sindicais e populares.

Quanto aos corruptos e corruptores, que sejam julgados, punidos, expulsos do serviço público e devolvam o que roubaram (com juros e correção monetária). É preciso menos falação por parte das autoridades e mais ação. Mas isso não vai ocorrer, pois os governos que aí estão são financiados por estas empresas corruptoras e os funcionários corruptos são afilhados políticos dos partidos no poder. Os governantes têm interesse na privatização, seja para obter polpudas verbas da corrupção (os famosos 10 ou 20% de comissão), seja porque as empresas que entram no mercado da saúde “pública” tem lucro garantido e financiam estes mesmos governantes nas sucessivas campanhas eleitorais.

Dizemos que “a montanha pariu um rato”, pois o resultado de tanta luta pela EC 29 e consequente expectativa de melhora do financiamento do SUS deu em nada. Apesar dos discursos grandiloqüentes do ministro da Saúde Padilha, dos partidos da base governista fazendo juras de amor ao SUS, o que teremos de fato é a continuidade do baixíssimo financiamento estatal ao sistema público de saúde. O Brasil investe com saúde apenas metade do mínimo necessário para sistemas de saúde universalizados (6% do PIB, segunda a O.M.S.) Por aí se vê a prioridade que este governo dá para a saúde pública. Não adianta a presidente, demagogicamente, dizer que vai instalar câmaras de vídeo nos principais hospitais do país e acompanhar o funcionamento deles diretamente do seu gabinete. Se o subfinanciamento da saúde continuar, não há como o SUS funcionar a contento.

Assim, a luta dos ativistas defensores do SUS por mais verbas para a saúde vai ter de continuar. Já há iniciativas nesse sentido, porém cabe ao pólo mais consciente do movimento ter clareza estratégica e não sem deixar levar por propostas demagógicas que acabam se perdendo. Precisamos sempre saber quem são nossos inimigos, para melhor combatê-los. Hoje, além dos partidos burgueses, fica claro que também o governo Dilma e sua “base de apoio” no parlamento são contra gastar mais com saúde pública, em nome do sacrossanto Superávit Primário. Para conseguirmos mais verbas para a saúde pública, precisaremos mobilizar os trabalhadores para derrotar o governo e sua política econômica.

Ary Blinder é membro da Coordenação Nacional de Saúde do PSTU

Epidemia de dengue mata no Rio de Janeiro e governantes não fazem nada.

Alessandra Camargo e Alexandre Barbosa, do Rio de Janeiro
Em 2011, já são mais de 31 mil casos de dengue no estado do Rio de Janeiro. Dez municípios já sofrem com a epidemia e as 25 mortes no estado dão a dimensão da tragédia. E ainda existe a ameaça da entrada de um novo tipo de vírus no estado (tipo 4), o que tornaria a população mais vulnerável a doença e diante do atual quadro, aumentaria o número de mortes.
O descaso dos governantes é tão grande que além de não combaterem o Aedes Aegypt fazem de prédios públicos focos d ereprodução do mosquito. Um deles fica no antigo prédio da maternidade Leila Diniz, desativada há quase seis anos. O edifício fica ao lado do Hospital de Curicica. No terreno vizinho, é possível ver carcaças de carros, lixo, pneus abandonados e mosquitos por todo lugar conforme denuncia o site G1 no dia 01/04/2011.
A população mais pobre segue sendo a principal vitima da doença, pois é esta que não tem moradia digna, saneamento básico e que sofre as conseqüências do sucateamento dos serviços públicos de saúde, postos de saúde, hospitais e da UPA. Assim, o trabalhador doente é obrigado a enfrentar filas enormes, falta de profissionais de saúde, remédios, exames e a incerteza do atendimento. Muitas vezes, esses trabalhadores são mal diagnosticados e retornam para a casa com um diagnóstico impreciso de “virose”, e horas depois retornam aos serviços de saúde já em condição de agravamento da doença. Mortes por dengue são evitáveis e inaceitáveis, pois é produto da omissão dos governos, diante da pobreza e do caos do sistema público de saúde.
Se por um lado, a saúde e a vida da população não são prioridades, por outro, os governos seguem preocupados em gastar dinheiro com a copa e as olimpíadas. Só no Maracanã, que foi reformado há 3 anos, se gastará quase 1 bilhão de reais o que daria para construir e principalmente, equipar,  muitos hospitais e postos de saúde, assegurando para além da constituição, o direito à saúde, conquistado pela classe trabalhadora brasileira
 Propostas:
          
1.     Por um sistema de saúde público, exclusivamente estatal sob o controle dos trabalhadores, gratuito e de qualidade para todos.
2.     Dobrar as verbas para a saúde pública estadual!Que o estado destine no mínimo, 12% da receita dos impostos para a saúde.  
3.      Que os recursos do petróleo e o pré- sal seja destinado a melhorar as condições de vida da população fluminense. Que se façam investimentos em setores sociais, tais como saúde, educação e moradia.