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Em meio à crise política nacional, governistas implodem o 8 de março carioca


por Natália Conti, Rio de Janeiro.

Como já é tradição, a esquerda se reúne todos os anos para organizar o ato do 8 de março na cidade, espaço e data que reafirmam a luta contra o machismo e pautam questões que atingem as mulheres, no sentido de abrir um diálogo com a população a respeito dos temas. 
Várias reuniões foram feitas até que fosse definido o eixo político e a data do ato. Costumeiramente, a polêmica é grande, também devido às diferentes concepções de feminismo expressas na frente organizadora. Houve, no entanto, depois de exaustiva discussão política, consenso em torno do eixo “Nenhum direito a menos: pela legalização do aborto e contra a violência do Estado” na terça-feira, 24.
A reunião da quinta-feira do dia 26 seria organizativa, para definir trajeto, estrutura e detalhes do ato. No entanto, com um discurso de que a unidade não existia de fato entre os setores e que o consenso não era real, uma companheira da Marcha Mundial de Mulheres rompe com o ato em unidade, tendo puxado uma fila na qual seguiram as correntes Consulta Popular, Levante Popular da Juventude, CAMTRA, LBL e Insurgência (PSOL). Protagonizaram aquilo que foi um golpe às vésperas do 8 de março, fato que fragiliza a visibilidade da luta das mulheres na cidade neste momento. Ainda que o nosso esforço tenha sido construir a unidade na diferença, tendo em vista o recrudescimento da ofensiva machista, o movimento de ruptura se deu também em outros estados por parte da Marcha Mundial de Mulheres.

O que está por trás do discurso de unidade e consenso?
Adentramos o ano com uma crise política que deixa o governo Dilma e o PT pisando em ovos, juntamente com um pacote de ataques à classe trabalhadora, em especial políticas que atacam os direitos das mulheres. Vivemos também a crise energética, crise da água e carestia de vida, não é por acaso que presenciamos este fato na frente de organização do 8 de março. As coisas não estão boas para o lado da Dilma, e qualquer coisa que soe como críticas ao governo não será tolerada pelos governistas nos espaços do movimento. 
Sistematicamente temos nos enfrentado com este discurso de que o governo Dilma não deve ser o principal foco de combate no movimento feminista, e que questões que passam longe da crise econômica e da crise política devem ser adotadas como eixo. Outro discurso perigoso é o de que o 8 de março deve pautar apenas questões que digam estritamente sobre a vida das mulheres, que em nenhuma medida sejam “gerais”, como se isso fosse possível.  A imposição desses temas se combina com a necessidade de que o consenso seja o método político adotado pelos espaços de discussão, e toda divergência apresentada é taxada de tentativa de inviabilizar as atividades e de dissidência não-construtiva. 
Queremos dizer às companheiras que, para nós, não só não é suficiente uma mulher no governo para que o combate ao machismo avance, como também não seremos intimidadas no momento de questionar para onde vai o governo brasileiro. É muito sério que os direitos estejam sendo cada vez mais arrochados, a inflação corroendo os salários e diminuindo o poder de compra da população, as MP’s 664 e 665 assaltando direitos de Seguridade, um escândalo de corrupção misturado à crise da água e da energia em vários estados, uma bomba atômica na vida da classe trabalhadora brasileira.  
Imputar às feministas antigovernistas a pecha de sectárias e inconsequentes é dar ao debate da unidade um caráter mecânico, burocrático e autoritário, onde as diferenças não podem ser expressas. Dizemos que a responsabilidade pela ruptura do ato é das governistas, que não compreendem a necessidade de fortalecer a luta feminista em um momento de ataques e de ofensivas conservadoras (como a CPI do aborto no Rio de Janeiro), e em despeito disso preferem seguir fortalecendo as colunas do governo. Lamentamos também a (im) postura da Insurgência (PSOL) frente a este golpe, e convidamos as companheiras a refletir a respeito da importância em construir esta unidade.

Por um 8 de março feminista, classista e contra os ataques do governo
Apesar desses acontecimentos, o PSTU, desde a CSP-Conlutas e o Movimento Mulheres em Luta (MML) vai construir atividades que contestem a política de austeridade imposta pelo governo, pautando a necessidade de que as mulheres trabalhadoras se organizem para atuar e assumir a linha de frente nas lutas do cenário que surge. 
Diferente de um discurso que prega um “exclusivismo” das pautas “estritamente” para mulheres, defendemos que estas devem construir seus bastiões de luta feminista em conjunto com a classe trabalhadora, ganhando os homens para o combate ao machismo, os educando e também protagonizando as lutas desta classe. Não é possível superar as contradições vividas pelas mulheres sem que as contradições de classe também sejam enfrentadas. Por essa razão, construiremos no 8 de março uma intervenção feminista, classista, contra o conservadorismo da oposição de direita e contra os ataques do governo.


  • Organizar as mulheres para lutar, pela legalização do aborto já! 
  • Chega de violência! 1% do PIB para o combate à violência contra a mulher!
  • Nenhum direito a menos! Todas na luta contra a carestia de vida e os ataques aos direitos da classe trabalhadora, que muito afetam a vida das mulheres!

Continua a greve unificada da educação no Rio

Por Dirley Santos, redação Rio

Assembleia lotada decide pela continuidade da greve unificada
















No dia em que completaram 10 dias em greve cerca de 3 mil profissionais de educação das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro decidiram em uma lotada assembleia, realizada no Clube Hebraica (Zona Sul do Rio), pela continuidade da sua greve unificada da categoria.
A categoria segue exigindo a imediata abertura de negociação tanto por parte do governador Luiz Fernando Pezão quanto do prefeito Eduardo Paes (ambos do PMDB). Foi decidido também que a próxima assembleia será no dia 30 de maio (sexta-feira), às 11h, em local a confirmar.

Passeata recebe apoio da população e de rodoviários
Educadores rumos aos palácios
Após deliberarem pelas próximas atividades (veja calendário em destaque) os educadores do Rio promoveram uma grande passeata até o Palácio da Guanabara, sede do governo do estado, e em seguida até o Palácio da Cidade, em Botafogo, sede da prefeitura do Rio.
A Polícia Militar procurou a todo momento dificultar o andamento da manifestação ora tentando controlar a passeata ora bloqueando totalmente as vias, principalmente a Avenida Pinheiro Machado. Ficou evidente que o objetivo da PM era não permitir que a categoria se aproximasse da frente do Palácio Guanabara.
Contudo durante todo o trajeto os educadores receberam um forte apoio da população, mesmo daqueles que estavam presos no congestionamento provocado pelo impasse com a PM. Inclusive um motorista rodoviário, demonstrando muita coragem e solidariedade, cruzou seu ônibus na pista em apoio aos manifestantes.
Finalmente depois de toda a confusão provocada pela truculência da PM e do governo uma comissão formada pela direção do Sepe e representantes da base conseguiu entrar e se reunir com Cláudio Marques, o chefe de Gabinete da Casa Civil.

Depois do Pezão, indo atrás do Eduardo Paes
Acabada a reunião com o chefe de Gabinete da Casa Civil a manifestação seguiu em direção ao Palácio da Cidade, em Botafogo. A PM novamente bloqueou a passagem por uma meia hora, impedindo os profissionais de se aproximarem.
Pela insistência dos manifestantes o acesso acabou liberado e os educadores conseguiram chegar até a frente do palácio, mas infelizmente não havia na sede nenhuma autoridade para receber uma comissão do Sepe. Mas a direção do sindicato informou que o prefeito Eduardo Paes se comprometeu a receber o sindicato na próxima quarta-feira, dia 28/05.
Para encerrar o dia de protesto e a longa marcha unificada os profissionais de educação em greve aproveitaram para realizar no local um ato público em defesa da educação pública. Afinal, a luta segue e já nesta sexta-feira, 23/5, ocorrerá um protesto durante audiência pública para discussão do orçamento da educação municipal na Câmara de vereadores.

Rolezinho para recepcionar a seleção
Como parte do seu calendário de greve os profissionais de educação deliberam pela realização de um “rolezinho da educação” no dia da chegada da seleção brasileira em Teresópolis, na próxima segunda-feira, dia 26/5. O objetivo é mostrar aos governos, a CBF e a Fifa que “Na copa vai ter luta!”.
A categoria está planejando uma recepção para a seleção, no aeroporto do Galeão, e depois a ida até a Granja do Comary, em Teresópolis, onde o elenco ficará concentrado. A preparação da atividade já conta com a adesão de centenas de pessoas, que estão confeccionando faixas e cartazes com dizeres contra os desmandos da copa, em defesa da educação pública e por melhores condições de vida e trabalho para os trabalhadores em geral.

Fortalecer as greves e unificar as lutas em todo o país

Apoio popular demonstra força da greve da educação
Educadores, garis, rodoviários, trabalhadores da construção civil e sem-tetos ... Assim como no Rio diversas categorias e movimentos sociais estão se mobilizando pelo país afora. Os trabalhadores e a juventude brasileira querem mudanças no país!
É este o contexto da preparação da jornada de mobilizações convocada para o dia 12 de junho, dia do primeiro jogo da Copa do mundo.
Vamos unir todas as lutas numa grande jornada de greves, ocupações e manifestações para exigir mudanças de verdade no país, com melhores salários, recursos públicos para atender as necessidades da população, o fim da violência policial e da criminalização da luta social.

Chega de privilégios e dinheiro para a FIFA, empreiteiras, bancos e grandes empresas nacionais e multinacionais! A mudança vem das ruas!
Fortalecer e unificar as lutas! 12 de junho é dia de greves, ocupações e manifestações de rua!

Todas e todos à IV Marcha contra a Homofobia!!!

Na Copa vai ter luta contra a homofobia! 
Dilma, Criminaliza, já!!!

Marília Macedo, Secretaria LGBT do PSTU do Rio de Janeiro

Em meio aos preparativos para a Copa do Mundo, no próximo dia 25 de maio, entrará em campo no Rio de Janeiro, mais precisamente, no Posto 6 da Praia de Copacabana a Torcida contra Homofobia na IV Marcha contra a Homofobia. São muitos os motivos para participar desta atividade. O “país do futebol” e sede da Copa é o campeão mundial em assassinatos por homofobia. De cada dez mortes por homofobia ocorridas no planeta, quatro acontecem no Brasil. Aqui uma pessoa é morta por homofobia a cada 24 horas.
Enquanto 30 bilhões saídos dos cofres públicos são investidos na Copa do Mundo, os serviços públicos vão de mal a pior e as políticas públicas de combate à violência e a homofobia, tão alardeadas pelo PT para ganhar os votos do movimento LGBT, não saíram do papel. De efetivo, nada foi feito para cessar a onda de violência e assassinatos homofóbicos que vem ocorrendo nos últimos anos em nosso país. O descaso dos Governos municipais, estaduais e Federal com os oprimidos faz com que a “taça do mundo” da violência contra os LGBTs seja nossa, além de tornar a homofobia um negócio altamente lucrativo para os exploradores da prostituição, das boates, saunas e grifes.
Motivos não faltam para os LGBT’s irem a luta. Assim tem sido, muita luta LGBT, desde o ano passado quando milhares tomaram as ruas para derrubar o homofóbico, racista e machista Marcos Feliciano da Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara ou quando milhares somaram-se ao levante de junho para derrubar  o projeto de “Cura gay”. Por isso, o PSTU Rio entende que a IV Marcha contra a Homofobia será mais um importante momento da luta LGBT contra a homofobia e a violência, além de ser um momento para lembrar e comemorar o 17 de maio, dia em que a Organização Mundial de Saúde retirou da “Lista da Classificação Internacional de Doenças” a homossexualidade.

PSTU Rio convoca a todas e todos para IV Marcha contra a Homofobia!
 Seja parte desta Torcida contra a Homofobia!!!

- Aprovação imediata do PLC 122 abrangente, que criminaliza a homofobia!
- Aprovação imediata da lei da identidade de gênero!
- Chega de homofobia, transfobia, racismo e machismo!

Concentração às 12 horas no Posto 6 
da Praia de Copacabana – dia 25 de maio de 2014        

Protesto contra o aumento das passagens no Rio é marcado por forte repressão policial



por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
  Nesta quinta, 6 de fevereiro, realizou-se mais um ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro. O reajuste, de R$2,75 para R$3,00, foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes apesar de posição contrária do Tribunal de Contas do Município - fato que só veio a público após o anúncio do aumento e esteve cercado de uma guerra pela imprensa. Paes, por outro lado, lançou mão de uma medida paliativa, ao acenar com a extensão do passe-livre a estudantes universitários beneficiários de programas sociais como as cotas e o PROUNI. Nós, do PSTU, achamos que o passe-livre deve ser irrestrito, não apenas a todos os universitários, mas também a todos os estudantes da educação básica, e sem limitação no número de viagens, como ocorre hoje em dia.
  
 Por volta de 4500 pessoas participaram da manifestação, iniciada na Candelária e que prosseguiu ocupando duas das pistas da Avenida Presidente Vargas. O destino, desta vez, era a Central do Brasil, que num outro ato já tinha sido cenário de um "roletaço", com o acesso aos trens sendo liberado pela ação dos ativistas. Participaram do ato, em sua maioria, jovens, mas trabalhadores de diversas categorias e participantes de movimentos sociais também fizeram-se presentes. A presença de partidos e movimentos de esquerda, assim como do Fórum de lutas do RJ, com uma grande faixa, deu a tônica do ato.
  
Tropa de choque da PM preparada para reprimir
os manifestantes nas proximidades da Central do Brasil

Ao chegar à estação Central do Brasil, um forte aparato repressivo já aguarda os manifestantes; no entanto, a PM não pôde impedir, num primeiro momento, a entrada dos ativistas. Isso garantiu, mais uma vez, o "roletaço", com muitos subindo nas catracas e permitindo o acesso dos passageiros aos trens sem pagar passagem. Contudo, passado algum tempo, a tropa de choque iniciou a repressão, com o uso de cassetetes e bombas, tanto de efeito moral quanto de gás lacrimogêneo.

  Aos poucos, os manifestantes foram sendo retirados da estação, que aos poucos foi sendo fechada pelos seguranças da Supervia, com a ajuda da tropa de choque da PM. Foi a partir daí que a repressão policial se intensificou, com mais bombas sendo lançadas de forma a tentar dispersar os grupos que se postavam próximo aos acessos da Central. Foi por esse momento que uma das bombas atingiu na cabeça de um cinegrafista da TV Band, levando-o ao hospital com afundamento de crânio e em estado grave. 

      Para nós do PSTU, o fato de haver um conflito nas ruas do centro da cidade, em plena tarde de uma quinta-feira, é de exclusiva responsabilidade do governo e suas policias. A permanente repressão policial é que tem causado os feridos graves durante os protestos. 

  A repressão continuou noite adentro, mas uma boa parte dos manifestantes acabou por recuar para perto do Campo de Santana em busca de abrigo, retornando pela Presidente Vargas. Há o relato de pelo menos dois feridos graves, o cinegrafista da televisão e um idoso que teria sido atropelado por um ônibus, além de vários detidos pela PM.


  Fica claro aqui duas coisas: que o transporte público, que deveria ser encarado como um direito da população, é visto como uma mercadoria; e que, como é tradicional no Estado burguês, o "direito à propriedade" é sagrado - no caso, a propriedade das empresas de transporte -, sendo defendido com todas as armas pelos governos e tratando a população como inimiga, na mais velha tradição da Ditadura Militar. Portanto, duas medidas são absolutamente necessárias: a estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores, de forma a garantir a Tarifa Zero sem subsídios aos donos das empresas, aliados de primeira hora dos governos; e a imediata desmilitarização da polícia, autêntica herdeira do regime militar de 1964. Contudo, como os governos Paes e Cabral, do PMDB, são aliados do PT de Lula e Dilma, o governo federal nada fará no sentido de garantir nem sequer a discussão dessas propostas...

    O PSTU Rio se solidariza com as famílias dos feridos com gravidade, assim como com os demais agredidos e detidos pela selvagem repressão da PM do ditador Cabral. Mesmo de saída, ele não deixa de lançar suas bombas contra a luta dos trabalhadores e da juventude. Porém, isso não vai nos intimidar, e - como já ficou consagrado desde o ano passado, nas Jornadas de Junho - "amanhã vai ser maior!"
  
editado às 00:45 de 08/02/14

Ato contra o aumento das passagens reúne mais de 1000 pessoas

texto e fotos por Rodrigo Barrenechea

Se a passagem aumentar, o Rio vai parar!


Cerca de 1000 pessoas se concentraram na Candelária, na tarde desta sexta, 20 de dezembro, no 1º ato contra o aumento das passagens desde as jornadas de junho. Convocado pelo Fórum de Lutas do RJ, antes Fórum de Lutas contra o aumento das passagens, teve como trajeto as Avenidas Rio Branco e Almirante Barroso, passando pela rua Primeiro de Março, até se encerrar em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, próximo à sede da Fetranspor, entidade patronal que reúne os donos de empresas de ônibus.
Aos gritos de "Fora Cabral" e "Não vai ter Copa", jovens, trabalhadores (as) e ativistas de diversas organizações políticas e sindicais protestaram contra o aumento da tarifa dos ônibus, prometido para o início do ano de 2014 e que elevar o preço da passagem para R$3,05, fazendo do Rio uma das capitais com a maior tarifa do país. Além do tema principal, os manifestantes pediam a imediata libertação dos presos políticos - que inclui ativistas detidos desde os protestos de meados deste ano -, o fim da criminalização dos movimentos sociais e da repressão aos índios da Aldeia Maracanã, recentemente desalojados - pela 2ª vez - do antigo prédio do Museu do Índio, vizinho ao complexo esportivo do Maracanã e que sofria ameaça de demolição.
O PSTU sabe que lutar apenas para deter o aumento não é suficiente. Nestes protestos, duas lições importantes estão sendo ensinadas: que só com a organização da classe trabalhadora e da juventude - garantindo-se a plena democracia, que nós chamamos de democracia operária -, que a luta poderá avançar. Nesse sentido, precisamos fortalecer organismos como o Fórum de Lutas, pois é por eles que os protestos irão crescer e os lutadores aprenderão como se organizar.
A segunda lição é que não podemos parar no combate ao aumento. Precisamos da imediata estatização dos transportes públicos, sob o controle dos trabalhadores e da população, para que possamos garantir o passe-livre irrestrito aos estudantes e desempregados. Sabemos que os lucros das empresas são astronômicos. Dessa forma, a implantação de uma tarifa zero não é só plenamente possível e necessária, como expressa a ideia de que transporte público é um direito que só será garantido com muita luta. Afinal de contas, os ricos, esses andam de carro importado, helicóptero...

Trabalhadores protestam contra leilão do Campo de Libra em dia de greve dos petroleiros



por Rodrigo Barrenechea


Foi realizado nesta quinta um protesto contra o leilão do campo petrolífero de Libra, na bacia de Santos, no centro do Rio. Com cerca de 700 pessoas, a passeata se iniciou na Candelária, onde seguiu pela Avenida Rio Branco, até se encerrar na Cinelândia. Diversas categorias profissionais, assim como vários movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos, fizeram-se presentes no ato.
A militância do PSTU Rio presente
no ato do Rio de Janeiro.
Foto: RB


Durante todo o dia, desde a madrugada de quarta, os petroleiros se mobilizaram, paralisando a produção tanto nas refinarias quanto em terminais e na administração da Petrobrás. Estão parados os trabalhadores das refinarias de Duque de Caxias (Reduc/RJ), Manaus (Reman/AM), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Mataripe (Rlam/BA), Gabriel Passos (Regap/MG), Paraná (Repar), Alberto Pasqualine (Refap/RS), Abreu e Lima (PE), além da SIX (unidade de Xisto/PR), da FAFEN (fábrica de fertilizantes/BA), Termorio (Duque de Caxias), usinas de Biodiesel e termoeletricas.

Na Bacia de Campos, o Sindicato informa que a greve teve adesão de pelo menos 39 plataformas, que foram entregues pelos trabalhadores às equipes de contingência que a Petrobras embarcou. Destas, 15 unidades foram entregues com a produção de petróleo parada. Durante a manhã, foi realizado trancaço na sede da UO-Rio, em Macaé. No Terminal de Cabiúnas houve corte de rendição à zero hora.

Ninguém entrou na Reduc, em Duque de Caxias, Terminal de Campos Elíseos e na Termorio. Agora pela manhã, o sindicato realizou uma grande mobilização na Rodovia Washignton Luiz, que está fechada no sentido Petrópolis.

Petroleiros protestam em frente ao prédio da Petrobrás em Macaé.
 Foto: PSTU Macaé
Desde o início da madrugada de hoje (17), em Macaé, os petroleiros do Norte Fluminense das 43 plataformas da Bacia de Campos aprovaram adesão ao movimento grevista. A direção da Petrobras utilizou equipes de contingência, formada por gestores da empresa, para continuar a operar diversas unidades. São muitas as denúncias de assédio moral das chefias junto aos trabalhadores grevistas.

No terminal de Cabiúnas, o maior em processamento de gás natural da América Latina, diversas entradas foram bloqueadas na manhã de hoje. A direção da empresa utilizou de artimanhas para tentar desmobilizar a paralisação, mas os trabalhadores resistiram e estão demonstrando muita disposição para lutar contra o leilão do campo de Libra e por melhores condições de trabalho. Houve concentração de petroleiros também em Campos, no Heliporto de Farol de São Tomé.

A tarde os petroleiros foram para a frente do TRT 1ª Região para denunciar o interdito proibitório concedido à Petrobras para manter os trabalhadores embarcados nas plataformas de extração de petróleo. A decisão impõe uma multa de R$100 mil por dia, caso haja descumprimento à decisão, configurando assim um claro ataque ao direito constitucional de greve. No início da noite a Oposição Petroleira do NF, juntamente com a CSP-Conlutas e a Intersindical organizaram em Macaé um debate sobre o leilão do campo de Libra. 
No Rio de Janeiro, houve paralisação no Cenpes, na Ilha do Fundão, e um acampamento na frente do Edifício Sede da Petrobrás. Nesta segunda, dia 21, quando vai ocorrer o leilão, o SindiPetro-RJ e diversas entidades dos movimentos sociais, populares e estudantis irão se concentrar na Barra da Tijuca, onde está marcado o leilão.

O PSTU Rio, assim como a CSP-Conlutas, a Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (ANEL), o Movimento Luta Popular e várias outras organizações, estará presente nessa luta contra a entrega dessa importante riqueza, que deve pertencer aos trabalhadores e trabalhadoras do país e não às transnacionais do petróleo.

Cyro Garcia fala no ato da Rio Branco

e ouça a entrevista de Zé Maria à rádio PSTU, do RS, sobre a venda de Libra.

Petroleiros de todo o país cruzam os braços

Confira o quadro da greve nacional contra o Leilão de Libra

Paralisação do Sindipetro AL/SE

PSTU RJ presente no Ato-show contra o leilão de Libra

por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
Neste dia 3 de outubro, ocorreu na Praça XV, no centro do Rio, um ato contra o leilão do campo de Libra, na Bacia de Santos. Além disso, o ato comemorava os 60 anos da Petrobrás, criada após uma intensa campanha que propunha assegurar o controle nacional sobre tão importante recurso natural. Com diversos artistas, como Toninho Geraes, Noca da Portela, o grupo de samba "Saias da Folia", entre outras atrações, sendo encerrado pela banda de rock El Efecto. Mais de mil pessoas passaram por lá e os gritos de "Fora Cabral!" eram ouvidos constantemente, assim como manifestações contra a venda do campo de Libra, tanto do público quanto dos artistas presentes.



Dilma mentiu sobre as privatizações!


Banda El Efecto faz o encerramento do ato-show 
Quando estava em campanha eleitoral, a então candidata Dilma Roussef afirmou que não ia vender as riquezas do país, especialmente o petróleo do pré-sal. No entanto, desde que assumiu a presidência, privatizou estradas, aeroportos e até estádios de futebol. Mas agora se prepara para a maior venda do patrimônio público da História do Brasil!
O campo de Libra, na bacia de Santos, tem potencial para duplicar as reservas petrolíferas do país. A Petrobrás, por sua parte, é a única empresa com tecnologia para explorá-lo. No entanto, o governo federal e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) preparam o leilão das reservas, sob o regime de concessão, onde a Petrobrás entra com os poços e a tecnologia. Já os sócios, as grandes petrolíferas, ficam com a maior parte dos lucros. Entretanto, a população foi, em algum momento, consultada sobre isso? Tal riqueza, extremamente importante para o país, deveria ser vendida a um preço que se estima ser 250 vezes menor que o valor das reservas?
CSP-Conlutas presente no ato
Ainda sobre a estatal do petróleo, nos últimos 15 anos, a maioria dos funcionários ligados à produção deixou de ser concursado, passando a pertencer a empresas terceirizadas, como a OGX de Eike Batista. Achamos que a Petrobrás deve ser fortalecida, com seus funcionários sendo concursados, e o regime de terceirização abandonado.
O PSTU defende o cancelamento imediato do leilão; ainda mais após as denúncias de espionagem industrial na Petrobrás por parte do governo norte-americano, que atingiram até mesmo a presidência da república. Defende também o fim do regime de concessões, a re-estatização das jazidas já leiloadas, o fim da ANP e uma Petrobrás 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores (as).
A Campanha contra o Leilão não para aqui. Nos dias 17 de outubro, o país deve ser sacudido por mobilizações, e no dia 21, dia do leilão, um grande ato contra a privatização do petróleo do pré-sal vai ocorrer. Não vamos deixar esse saque ocorrer sem resistência!


Plano de Carreira é aprovado ao som de bombas lançadas contra os educadores





Hoje (1º/10) foi realizado o ato “Educação em luto”, em repúdio à repressão contra os educadores do município que estão em greve e lutam pela educação pública e contra a votação do projeto de plano de carreira apresentado pelo prefeito que representa um verdadeiro ataque aos profissionais e à educação pública. Por volta das 13h, milhares de ativistas estavam em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, quando receberam a adesão de bancários, educadores da rede estadual e trabalhadores da Faetec. Essa unificação de diversas categorias em luta já foi uma grande vitória para os trabalhadores do Rio de Janeiro.

Mas não eram só os ativistas que se reuniam na Cinelândia... A PM, chefiada pelo coronel José Luís Castro Menezes e sob a direção de Sergio Cabral, instalou um verdadeiro exército para reprimir os manifestantes. Foram muitas bombas de gás lacrimogêneo, agressão a ativistas e dezenas de presos. Com as bombas, os policiais conseguiram afastar a manifestação da Câmara dos Vereadores. Mas eles não se contentaram com isso, e foram avançando em toda a extensão da Av. Rio Branco. Os educadores resistiram bravamente, e durante muito tempo não desfizeram sua coluna. Realmente foi necessário um grau de truculência muito grande para conseguir dispersar a manifestação. 


Grupos se mantiveram em diversos pontos da cidade. Os que permaneceram em frente à Câmara dos Vereadores sofreram ainda mais ataques de bombas de efeito moral. Houve grupos que foram para o IFCS (campus da UFRJ), outros ficaram na Candelária e na Alerj. 

A violenta repressão policial que a população assistiu hoje tinha como objetivo garantir a votação de um plano de carreira que é um dos piores ataques que a educação pública já sofreu. A sanha pela aprovação era tão grande, que mesmo quando os barulhos das bombas ecoaram dentro da Câmara, não houve suspensão da votação. Seguranças da Câmara retiraram à força o vereador Leonel Brizola Neto por estar contra a votação.
 


Quando houve as grandes manifestações em junho, uma das principais reivindicações era pela melhoria na educação. O que está acontecendo, e em todos os níveis da educação pública, é o contrário, e a depender dos governos, a educação vai ficar pior. Por isso é fundamental que a população entenda que esta não é uma luta por aumento salarial, é uma luta de todos aqueles que mantêm seus filhos em escolas públicas, ou que a duras penas pagam escolas particulares por causa da péssima qualidade da educação pública. Enfim, é uma luta de todos os trabalhadores.






Enquanto isso...  PT e PC do B não rompem com governos que reprimem trabalhadores

É preciso cobrar do PT e do PCdoB e da sua militância honesta que estes partidos rompam com os governos de Paes e Cabral. Não é possível que esses partidos, que dizem representar os trabalhadores, e que inclusive atuam no Sindicato dos Profissionais de Educação do RJ – SEPE, continuem num governo que joga bombas, bate e prende professores. Que o vice-prefeito Adilson Pires, do PT, renuncie já! Ou será considerado conivente com os desmandos e a violência ditatorial de Cabral e Paes contra os movimentos sociais do Rio de Janeiro.
 
 Ato contra a repressão aos movimentos sociais

Amanhã, quarta-feira, às 17h, será realizado um ato contra a violência e a repressão contra os movimentos sociais. A truculência é a marca do governo Cabral, que já a utilizou contra bombeiros, educadores, os ativistas das grandes manifestações deste ano, além dos moradores das favelas cariocas; e também do governo Paes, que sempre apoiou a política de segurança de Cabral e a tem utilizado contra os educadores da rede municipal desde que estes entraram em greve. Hoje, após mais essa demonstração de intransigência e repressão gratuita, mais do que nunca é necessário nos unirmos para refletir e agir coletivamente e assim enfrentarmos nossos inimigos.