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Debate sobre os 10 anos do PT no governo - 28/05 (3a-feira), a partir das 18:30 h, no Sindipetro-RJ.
CSP-CONLUTAS CONVOCA ATO DE 1º DE MAIO ORGANIZADO PELOS MOVIMENTOS SOCIAIS, NESTA 4a ÀS 10 H, NA TIJUCA.
Participe do Primeiro de Maio de Luta de 2013 - Contra a privatização da cidade, dos bens e dos serviços públicos.
Organizado por movimentos sociais, organizações, diretórios estudantis, sindicatos e associações de luta do Rio de Janeiro, o Primeiro de Maio este ano terá sua concentração na Praça Afonso Pena, na Tijuca, de onde faremos uma caminhada até o Complexo do Maracanã, um dos maiores símbolos da cidade, que está sendo vendido a preço de banana em um processo arbitrário e cheio de irregularidades. A ideia é transformar um espaço público que serve à população em mais um shopping center que garantirá grandes lucros a um empresário.
Mas não é só o Maraca: em nome da Copa e das Olimpíadas, o governo do estado e a prefeitura do Rio estão vendendo a nossa cidade. Saúde, Educação, Moradia, Cultura, Meio Ambiente, Transporte e outros direitos estão sendo reduzidos a negócios lucrativos. O Aterro do Flamengo, outro símbolo, corre o risco de parar nas mãos de Eike Batista, assim como o Maracanã. As OSs dominam cada vez mais a saúde e a educação. Não há concursos públicos para admissão de mais médicos e professores, que sofrem com baixos salários e péssimas condições de trabalho. Quem precisa destes e de outros serviços enfrenta filas constantes e infra-estrutura precária. É assim nos transportes, onde empresas e máfias controlam o sistema e cobram preços abusivos. Enquanto isso, teatros municipais vão fechando as portas.
Em todo o país não é muito diferente. Vivemos hoje uma onde de privatizações e de apoio irrestrito às ações de empreiteiras e outras grandes empresas. No norte do estado do Rio, trabalhadores são expulsos de suas casas e sofrem com os impactos socioambientais do Porto do Açu. O governo federal lamentavelmente comanda a venda de portos, aeroportos e de setores estratégicos das telecomunicações. A recém criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) quer transformar os Hospitais Universitários em espaços de lucro, mas para nós Saúde e Educação não são mercadoria. E, pra piorar, o governo está leiloando o petróleo do país, uma das nossas maiores fontes de riqueza, que poderia gerar investimentos em serviços públicos de qualidade. Não dá pra aceitar! O Petróleo tem que ser nosso!
Trabalhadores, vamos mostrar a cidade e o país que queremos: políticas efetivamente públicas e direitos iguais para todos!
PRIMEIRO DE MAIO DE LUTA - CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA CIDADE, DOS BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS
QUANDO: DIA PRIMEIRO DE MAIO, 10H
ONDE: PRAÇA AFONSO PENA, TIJUCA
Veja a programação dos atos de luta pelo Brasil neste 1º de maio aqui
Privatização do Maracanã: Nova charge de Fábio Fernando
Leia sobre o assunto Uma cidade para o Capital: algumas palavras sobre o caso “Aldeia Maracanã”
Leia mais sobre o assunto aqui
Uma cidade para o Capital: algumas palavras sobre o caso “Aldeia Maracanã”
Marcos Pestana
Continuo achando que outros podem escrever com muito mais propriedade sobre a luta específica dos índios da Aldeia Maracanã (respondendo aos questionamentos toscos acerca de seu direito de ali permanecerem e às afirmações preconceituosas de que “lugar de índio é na floresta”, ou de que “índio não pode usar calça jeans”, etc), mas acho que esse embate também nos diz muito sobre processos mais amplos atualmente em curso no Rio de Janeiro. Sinceramente, acho difícil de lembrar outro evento que tenha condensado tantos elementos do tenebroso quadro político-social que enfrentamos hoje, como os seguintes:
- o processo de privatização, hierarquização segregação e elitização do espaço urbano da cidade: retirados de uma das áreas que têm experimentado maior valorização pelos agentes do mercado imobiliário nos últimos anos (a região da Grande Tijuca), os índios foram deslocados para Jacarepaguá, uma área bem mais distante do centro nervoso da cidade. Assim toda a sociabilidade que constituíram ao longo de anos pela ocupação (e não invasão) daquele espaço ocioso – a despeito da falta evidente de infraestrutura e serviços – foi totalmente desconsiderada, em favor de mais um empreendimento que vai valorizar a região;
- o impacto dos megaventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas: utilizados como principal justificativa para a implementação decisiva desse processo de segregação e elitização acima mencionado, que os ultrapassa em muito, constituindo um projeto de cidade em termos muito mais amplos, os megaeventos estão diretamente ligados ao caso da Aldeia Maracanã, pela proximidade em relação ao estádio do Maracanã e pela intenção de construção do Museu Olímpico. De quebra, todo o ufanismo tacanho ideologicamente construído e reforçado pelo fato de sediarmos esses eventos impulsionam o esforço de deslegitimação da luta dos índios;
- a homogeneização e a dominação cultural: não bastasse a dizimação física a que os índios foram historicamente submetidos no Brasil (e ainda são, nos massacres perpetrados por ruralistas), nossa história também é marcada por sua contínua opressão cultural, da qual a expulsão da Aldeia Maracanã é só mais um episódio. Assim, damos outro passo rumo a uma cidade marcada pela homogeneização cultural típica da globalização, em que as tradições locais – que poderiam ser preservadas por um projeto elaborado pelos próprios índios, de constituição de um centro de tradições naquele espaço – são cada vez mais eclipsadas por arranha-céus envidraçados e pelo modo de vida que os acompanha;
- a truculência da ação policial: mesmo com transmissão ao vivo da desocupação da Aldeia, a PM não se furtou a utilizar uma violência absolutamente desproporcional às forças dos indígenas e seus apoiadores. Talvez o maior símbolo do modus operandi dessa instituição legada pela Ditadura Militar seja o da prisão de uma pessoa – em meio a uma entrevista para uma emissora de TV – efetuada por um policial sob a justificativa de que se o homem “estava ferido, era porque tinha feito algo errado”. Ora, nesse caso, a própria atrocidade cometida por policiais vira razão para a aplicação de uma punição, num ciclo que se auto-legitima e se auto-reproduz;
- a cobertura criminosa da maior parte da mídia de mercado: a tão propalada neutralidade de nossa mídia, mais uma vez, deu lugar à escolha de um léxico que, sorrateiramente, não deixa de evidenciar o partido tomado. Assim, a ocupação de um espaço ocioso e sua revivificação transformam-se em “invasão”; o massacre de manifestantes desarmados por policiais equipados com as últimas novidades em termos do arsenal da repressão aparece como “conflito”; um espaço que deixa de servir à especulação imobiliária em favor da garantia de condições de vida para seus ocupantes só é referido como “Antigo Museu do Índio”, apagando o fato de que outras formas de apropriação – significadas pelo nome, nunca mencionado, de Aldeia Maracanã – daquele espaço ocorreram após o fechamento do museu;
- o cerceamento de direitos básicos prezados até mesmo pelo discurso liberal democrata: imensas e gritantes violações de direitos – como o direito à manifestação – já havia ocorrido no episódio da desocupação da Aldeia pela PM, mas outras a elas se seguiram no caso dos protestos realizados no atual Museu do Índio, em que até mesmo a imprensa (um dos pilares de qualquer democracia liberal) foi proibida pelo cordão policial de se aproximar dos acontecimentos;
- a seletividade classista do sistema judiciário: o que mais poderia ser dito de uma “justiça” que autorizou a remoção dos índios, optando pelo projeto de Museu Olímpico, em detrimento do centro de preservação das tradições indígenas? Além disso, pelo relato da reportagem abaixo, não parece ter havido qualquer preocupação com a garantia de mínimas condições no local para onde parcela dos índios foi transferida, em Jacarepaguá.
Sei que o texto já se estendeu muito, mas é preciso atentar para o fato de que se nesse caso da Aldeia, em que houve relativa repercussão midiática, todas essas atrocidades foram cometidas, qual será a conduta das instâncias estatais (PM, judiciário, etc) e da sociedade civil (ONG’s, organismos do empresariado, etc) nos locais que não recebem tanta atenção? Embora a Aldeia tenha, como eu disse, condensado elementos muito variados, diversos deles também têm aparecido nas remoções que têm ocorrido nas favelas cariocas (muitas delas, sob a justificativa da realização de obras para os megaeventos), nas internações compulsórias de dependentes químicos, na apropriação privada do espaço público (como na região portuária), etc.
Se não começarmos a compreender que todos esses embates estão imersos em um mesmo processo histórico, mesmo nossas chances de obter vitórias pontuais – como teria sido a permanência da Aldeia Maracanã – não serão mais do que parcas. Não basta fazermos a crítica do governador e do prefeito, como se fossem os únicos responsáveis pela autoritarismo e pela elitização que assolam o Rio de Janeiro. Suas administrações encontram-se enredadas numa trama que envolve – não como conspiração, mas como realidade política e social – ainda muitos outros agentes públicos e privados que produzem o modelo de cidade que atualmente vem sendo truculentamente imposto a todos.
Juventude do PSTU-RJ: Aldeia Maracanã Despejada: Sergio Cabral mostra sua truculência em nome dos grandes empreiteiros!
| Nota da Juventude do PSTU-RJ |
• Como a maioria de vocês já deve
estar sabendo, a Aldeia Maracanã foi invadida hoje. A PM do Rio de
Janeiro, a mando de Sergio Cabral e Eduardo Paes (e com a conivência de
Dilma) retirou de dentro da Aldeia os índios, os apoiadores, os
jornalistas. Para realizar tal empenho a mesma usou de uma violência
desproporcional: muitos policiais, armados até os dentes, utilizando
sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, além
dos helicópteros, caveirão e mais.
Toda essa violência é utilizada para defender interesses que talvez não sejam conhecidos por todos. Talvez nem todos saibam, mas o interesse por trás da derrubada da Aldeia Maracanã é político e também monetário. O interesse monetário é mais fácil de perceber: derrubar a Aldeia e se apropriar de um terreno que está avaliado em 60 milhões. Essa desocupação é coerente com o resto da privatização do Maracanã, que engloba também destruir a escola municipal Friedenreich e o parque aquático Julio Delamare. O interesse político está em derrotar a mobilização, dizimar a confiança na luta daqueles que resistem firmemente e desmoralizar os ativistas. Mostrar a todos que sonhar não vale a pena.
É necessário também dizer os motivos de Cabral para fazer isso. Cabral age dessa forma violenta para defender os interesses de uma parte bem pequena da população: os empresários. As montadoras de Eike Batista (IMX), Norberto Odebrecht Junior (Odebrecht SA) e Sergio Lins Andrade (Andrade Gutierrez SA) estão todas ganhando rios de dinheiro com a privatização do Maracanã e a destruição e reconstrução do seu entorno. Estamos falando de cifras grandes: Eike recebeu 2,4 milhões do Governo do Estado; a Odebrecht recebeu 3 milhões de recursos públicos (sobretudo pelo BNDES) e a Andrade Gutierrez SA ganhou 7 bilhões (também BNDES). E é claro, estas mesmas ajudaram Sergio Cabral e Paes a se elegerem, contribuindo com cifras também gordas.
Os movimentos sociais têm uma necessidade: juntar suas forças e apresentar uma política única. Precisamos nos fortalecer coletivamente para, derrotarmos Cabral e seus aliados. Para tanto, teremos uma reunião de continuidade da Resistência às 10 horas amanhã no SEPE.
É MUITO importante a presença de todos lá. Queremos que cada entidade estudantil, cada sindicato, cada movimento de luta contra as opressões, cada movimento popular, cada grupo ou coletivo jovem e cada partido político que estão na luta em defesa da Aldeia Maracanã venham se somar. Não podemos seguir tocando as lutas de maneira fragmentada: a chave para a vitória é a nossa unidade.
Nós aprendemos com a nossa história: aprendemos com a desocupação das comunidades, aprendemos com a prisão do Emicida em defesa da Ocupação Eliana Silva, e, sobretudo, aprendemos com o massacre do Pinheirinho. E continuamos dizendo: quem luta não tá sozinho. E não podemos estar cada um na nossa ilha, ou cada um na sua aldeia.
Toda essa violência é utilizada para defender interesses que talvez não sejam conhecidos por todos. Talvez nem todos saibam, mas o interesse por trás da derrubada da Aldeia Maracanã é político e também monetário. O interesse monetário é mais fácil de perceber: derrubar a Aldeia e se apropriar de um terreno que está avaliado em 60 milhões. Essa desocupação é coerente com o resto da privatização do Maracanã, que engloba também destruir a escola municipal Friedenreich e o parque aquático Julio Delamare. O interesse político está em derrotar a mobilização, dizimar a confiança na luta daqueles que resistem firmemente e desmoralizar os ativistas. Mostrar a todos que sonhar não vale a pena.
É necessário também dizer os motivos de Cabral para fazer isso. Cabral age dessa forma violenta para defender os interesses de uma parte bem pequena da população: os empresários. As montadoras de Eike Batista (IMX), Norberto Odebrecht Junior (Odebrecht SA) e Sergio Lins Andrade (Andrade Gutierrez SA) estão todas ganhando rios de dinheiro com a privatização do Maracanã e a destruição e reconstrução do seu entorno. Estamos falando de cifras grandes: Eike recebeu 2,4 milhões do Governo do Estado; a Odebrecht recebeu 3 milhões de recursos públicos (sobretudo pelo BNDES) e a Andrade Gutierrez SA ganhou 7 bilhões (também BNDES). E é claro, estas mesmas ajudaram Sergio Cabral e Paes a se elegerem, contribuindo com cifras também gordas.
Os movimentos sociais têm uma necessidade: juntar suas forças e apresentar uma política única. Precisamos nos fortalecer coletivamente para, derrotarmos Cabral e seus aliados. Para tanto, teremos uma reunião de continuidade da Resistência às 10 horas amanhã no SEPE.
É MUITO importante a presença de todos lá. Queremos que cada entidade estudantil, cada sindicato, cada movimento de luta contra as opressões, cada movimento popular, cada grupo ou coletivo jovem e cada partido político que estão na luta em defesa da Aldeia Maracanã venham se somar. Não podemos seguir tocando as lutas de maneira fragmentada: a chave para a vitória é a nossa unidade.
Nós aprendemos com a nossa história: aprendemos com a desocupação das comunidades, aprendemos com a prisão do Emicida em defesa da Ocupação Eliana Silva, e, sobretudo, aprendemos com o massacre do Pinheirinho. E continuamos dizendo: quem luta não tá sozinho. E não podemos estar cada um na nossa ilha, ou cada um na sua aldeia.
Reunião de Resistência da Aldeia Maracanã – Amanhã (23/03) às 10 horas no SEPE-RJ
SEPE-RJ : Rua Evaristo da Veiga, 55 - 8º andar - Centro - Rio de Janeiro/RJ
SEPE-RJ : Rua Evaristo da Veiga, 55 - 8º andar - Centro - Rio de Janeiro/RJ
Juventude do PSTU RJ
Batalhão de Choque desocupa Aldeia do Maracanã
Ação da PM foi marcada pela violência e truculência contra índios e ativistas de movimentos sociais que estavam no local
Da Redação: www.pstu.org.br
Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiram, na manhã desta sexta-feira, 22 de março, a Aldeia Maracanã. A operação que contou com cerca de 200 policiais, carros blindados e diversas viaturas da PM desocupou o antigo Museu do Índio, retirando a força e de forma truculenta centenas de índios e ativistas dos movimentos sociais que estavam no local. Durante a remoção, sete pessoas foram detidas e dezenas ficaram feridas em decorrência da repressão policial.
O mandado de desocupação expedido pela Justiça Federal venceu no último dia 20 e o despejo dos indígenas estava autorizado desde ontem, quando o governador Sérgio Cabral deu um ultimato, reafirmando o pedido pela imediata desocupação do terreno.
Ainda na madrugada, a polícia cercou o prédio e impediu a entrada de novos ativistas na aldeia. A atuação truculenta do batalhão do Choque começou desde então. Qualquer aproximação do prédio era respondida com spray de pimenta e tiros de bala de borracha. Os ativistas que se concentravam próximo a aldeia em solidariedade aos indígenas eram removidos brutalmente e bombas de efeito moral também foram lançadas contra os manifestantes. Por volta do meio dia, quando os indígenas faziam um canto de despedida, a polícia invadiu e retirou os indígenas que ocupavam o prédio desde 2006. Durante a invasão, ativistas fecharam uma pista da Radial Oeste, mas foram dispersos pela bomba de efeito moral lançada pela polícia.
Em resposta à desocupação e a truculência da polícia, movimentos sociais e partidos políticos convocam uma reunião para organizar a luta em defesa dos índios neste sábado, 23 de março, às 10h, no SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação).
De Cabral a Cabral...
A desocupação da Aldeia do Maracanã é mais uma das políticas de remoção para atender às demandas das empreiteiras nas grandes obras para a Copa do Mundo. Em outubro de 2012, o governador Sérgio Cabral anunciou mudanças no entorno do Maracanã para que o estádio pudesse receber a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. De acordo com o projeto, o Maracanã passará a pertencer à iniciativa privada, com leilão agendado para abril deste ano, que deverá montar uma estrutura para receber os megaeventos, como a construção de um estacionamento e um shopping.
Para garantir aos empresários os quase três bilhões de lucros com a privatização do Maracanã, o governador quer destruir o prédio histórico de relevante importância para preservação da cultura indígena, a aldeia Maracanã, uma escola pública considerada modelo e um complexo esportivo, utilizado por atletas e pela comunidade do bairro.
Em nome das empreiteiras, Cabral, com o apoio de Dilma, expulsou dezenas de indígenas que, bravamente, resistem pela manutenção da sua cultura, e pretende destruir o prédio histórico, do século 19, que já abrigou o Serviço de Proteção ao Índio, sediou o Museu do Índio e, hoje, era considerado um foco de resistência da cultura indígena em pleno centro do Rio de Janeiro.
Charge do Fábio Fernando*: Aldeia Maracanã, a luta continua!!
* Com esta charge estamos inciando uma parceria com o artista Fábio Fernando que, semanalmente, com sua arte passará a colaborar com as lutas dos trabalhadores, da juventude e dos demais movimentos sociais.
Leia também sobre o assunto:
Rio de Janeiro: Governo Cabral quer destruir todo o complexo esportivo e cultural do Maracanã
Batalhão de Choque cerca a Aldeia Maracanã
Apesar
das inúmeras manifestações de repúdio por diversas entidades, o governo do
estado não recuou em seu propósito de demolir o prédio da Aldeia Maracanã, antigo
Museu do Índio. Hoje de manhã o local foi cercado pelos Batalhão de Choque que
está aguardando uma liminar que autorize a desocupação do local. Esta seria
mais uma destruição de um patrimônio da cidade por causa da Copa do Mundo.
Há nesse
momento cerca de 300 ativistas e indígenas resistindo à desocupação. A polícia
bloqueou a entrada do prédio, e as pessoas estão pulando o muro. Há uma
perspectiva de que a liminar seja concedida amanhã pela manhã. Portanto, é
muito importante que todos estejam presentes.
Ás 18:00
haverá ato no local em defesa da conservação do prédio.
Um dos maiores estádios do mundo pode ser privatizado pelo governo de Sérgio Cabral
O 'Maraca' é nosso! Contra a privatização e pela democratização do acesso à cultura
Thiago Hastenreiter, Rio de janeiro.
![]() |
| Ato no dia 1° contra a privatização do Maracanã |
Agora, os velhos senhores travestidos de modernidade e munidos de um discurso modernizador querem transformar em mercadoria a alegria do povo e privatizar o Maracanã.
A reforma que está sendo feita no (ex) Maior do Mundo vai na contramão das tradições populares das arquibancadas. O maior público já recebido foi, aproximadamente, 200 mil pessoas na década de 1950, mas, após sucessivas reformas, a capacidade oficial hoje do estádio caiu para 78 mil. A antiga “Geral” foi extinta. O preço do ingresso subiu.
Torna-se cada vez mais claro que os sucessivos governos estão insistentemente tentando elitizar mais uma vez o futebol. Mas como se tudo isso não bastasse, o governador Sérgio Cabral - apoiado pelo prefeito Eduardo Paes e presidenta Dilma - quer privatizar o Maracanã, entregando por 35 anos o templo do futebol ao arquibilionário Eike Batista.
As condições que se darão a privatização, ou melhor, a doação são inacreditáveis: Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa). Enfim, o dinheiro recebido pelo estado não paga nem mesmo a reforma.
A reforma prevê ainda a destruição do histórico Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros (ambos inaugurados na década de 70). Nomes do esporte olímpico como Maurren Magi (maior nome do atletismo feminino brasileiro e medalha de ouro em Pequim) e Mariana Brochado (nadadora) estão na campanha contra as demolições.
Nem mesmo o antigo Museu do Índio, onde residem cerca de 60 indígenas, e a Escola Municipal Friedenreich vão escapar. Segundo as estatísticas do Ideb a E.M. Friedenreich é a quarta melhor escola da cidade e a sétima melhor de estado. O projeto de reforma do Maracanã também prevê demoli-los para construção de estacionamentos, shopping e até mesmo um heliporto para os altos dirigentes da FIFA e da CBF. Um escândalo!
A união dos movimentos sociais pode virar esse jogo! A população não é boba e está percebendo que enquanto os empresários de ônibus e empreiteiros lucram uma enormidade, o povo trabalhador paga uma fortuna por um transporte de péssima qualidade e está perdendo o acesso à cultura, ao lazer, à saúde e à educação. Chega!
Maracanã: Querem privatizar a nossa alegria.
Por Thiago Hasten
A década de 90 foi marcada por privatização de grandes empresas estatais, de grande valor estratégico para a soberania do país, como por exemplo, a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, Telebrás, entre outros exemplos. O mais curioso é que tratava-se de empresas altamente rentáveis, abocanhadas por um ferocidade selvagem do capital privado nacional e internacional. Todas elas vendidas na velocidade da luz, por ninharias simbólicas, enfim, a preço de banana. Preço de banana em um país de políticos de banana.
Depois de 20 anos a população fez uma experiência traumática com os péssimos serviços realizados pelas empresas privadas, e repudia nas ruas e urnas todos aqueles que ousam reivindica-las. É isso que indica todas as pesquisas de opinião. Não à toa, os candidatos petistas acusam os tucanos de privatistas e vendilhões da pátria. Mera retórica, porque a própria Dilma vendeu nossos aeroportos, estradas, ferrovias e agora se omite e consente a privatização do ex-maior do mundo.
Não precisa ser um gênio para adivinhar, que por trás da venda inescrupulosa do Maracanã, está Sérgio Cabral e o empresário dono no mundo Eike Batista, pai de um playboy assassino, que matou um trabalhador que andava humildemente de bicicleta. É muita sujeira.
O blog Eu Sou Flamengo divulgou as condições inacreditáveis que se dará a privatização, ou melhor, a doação: “Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa)”.
Como se não bastasse, o Maracanã está sendo reformado para atender as exigências da corrupta FIFA, sem levar em consideração as nossas tradições culturais e futebolísticas. Dá para imaginar um Flamengo X Vasco com aquelas cadeiras ridículas no lugar das arquibancadas? Essas cadeiras não são para nós. Essa Copa não é para o povo trabalhador. Será um espetáculo para as classes dominantes, que desconhecem o prazer das arquibancadas, do abraço desconhecido, da contagiante ola, da chuva de papel picado, da chuva de água molhada, do mosaico, enfim, desconhecem o espetáculo das massas. A burguesia nacional e internacional não sabem o que é torcer. Para eles o futebol é business.
Estamos no aguardo do pronunciamento da presidenta Dilma, que na verdade permite e incentiva que Cabral faça o trabalho sujo da privatização. A hora é de união de todas as torcidas, de todas as cores, de todos os estados, para impedir que privatizem a nossa alegria.
Paz entre as torcidas, guerra aos senhores!
--
@thiagohasten
O teleférico do Complexo do Alemão e as lições de uma barbárie contemporânea
Da Redação
Ano passado, logo após a reeleição, o governo do estado do Rio de Janeiro implantava no Complexo do Alemão mais uma Unidade de Polícia Pacificadora, a chamada UPP. Com a desculpa de trazer a paz, combater o tráfico de drogas, libertar os moradores e garantir o tal “Estado Democrático de Direito”, Sérgio Cabral ampliava seu projeto de criminalização da pobreza. Esta política foi um dos pilares da sua campanha eleitoral e conta até hoje com o apoio de amplos setores da sociedade. As Forças Armadas que ocupam estas comunidades seguem o treinamento realizado na vergonhosa intervenção militar que o Brasil faz no Haiti.
No mês de novembro, esta ocupação completa um ano. A mídia e o governo apresentam um cenário maravilhoso sobre os benefícios da UPP. Porém, os relatos que ouvimos diariamente de nossos alunos, responsáveis e colegas, moradores do Complexo do Alemão, é bem diferente.
Recentemente, fizemos um “passeio” numa das obras mais divulgadas nas propagandas do governo do estado: O TELEFÉRICO DO COMPLEXO DO ALEMÃO. O que a princípio seria o famoso “matar a curiosidade” se transformou num revelador quadro da política facista da tríplice aliança Dilma/Cabral/Paes. Como somos profissionais de educação, resolvemos escrever este artigo para o “Opinião Socialista”, pois não poderíamos deixar de compartilhar nossas análises da barbárie contemporânea a qual estão sendo submetidos o conjunto de trabalhadores e a juventude destas comunidades.
Ao entrar na estação Bonsucesso, enfrentamos o primeiro problema: o elevador não funcionava e tivemos que subir uma imensa escadaria para chegar até a bilheteria. Moradores tem direito a uma passagem de ida e volta diária, após cadastramento. Visitantes pagam R$1,00 para subir e, R$1,00 para descer.
Após a compra do bilhete, uma escada rolante nos leva até o embarque. Fomos atendidos por jovens trabalhadores, cena que se repete em todas as estações. Simpaticamente nos ajudam a entrar no teleférico já que ele se movimenta bastante. Sua estrutura é extremamente frágil para um meio de transporte. Para detectar isso não é preciso grandes estudos. Os bancos são desconfortáveis e ficamos com a sensação que um carro de montanha russa de parque de diversões causava uma impressão de segurança maior. O teleférico tem capacidade para transportar 10 pessoas. Estávamos em um grupo de quatro, por isso, não compreendemos como seria possível tal lotação, nem como garantir o transporte de cadeirantes e de carrinhos de bebê, já que o espaço é pequeno.
Passamos por todas as estações: Adeus, Baiana, Alemão, Fazendinha e Palmeiras. Durante este trajeto, percebemos que o teleférico não é simplesmente um meio de transporte. Ele é funcional ao mundo do capital, pois serve para controlar e vigiar toda a massa da classe trabalhadora pauperizada que ali vive. Do alto podíamos observar não só a geografia do Rio de Janeiro, mas toda a movimentação ocorrida na comunidade. Era possível ver, detalhadamente, as cenas cotidianas do interior das casas: pessoas lavando roupas, assistindo televisão, dormindo ou voltando do mercado. Parecíamos espectadores de um “Big Brother da vida real”.
Reconhecemos algumas escolas e creches da região. Afinal, como profissionais de educação este era um dos principais focos do nosso “olhar”, já que diariamente convivemos com as péssimas condições de trabalho e o drama da falta de vagas para estudantes. O número de casas, e obviamente de moradores e alunos, era superior ao que imaginávamos. Muito maior do que comportaria a quantidade de unidades escolares que existem na rede pública. Mas a ausência de políticas governamentais para esta população não acontecia só nesta parte.
Havia uma grande quantidade de lixo espalhado. Não identificamos postos de saúde ou hospitais. Era perceptível que várias casas estavam em situação de risco. Muitos moradores cobriam caixas d’água e tentavam resolver os problemas ocasionados pela chuva do dia anterior, possivelmente para evitar riscos de doenças. Contraditoriamente, os governos que anunciaram uma epidemia de dengue para o verão, culpam a população. Os mesmos que deram a saúde pública para as OS’s e desviam verbas da saúde e educação, estavam ausentes neste momento. A única presença do Estado visível estava na concentração de militares fortemente armados, prontos a reprimir a população.
Chegando a última estação, descemos do teleférico e pudemos observar algumas paredes de construções que restaram das demolições, onde se lia a frase pintada em vermelho: “Esta propriedade pertence ao governo do Estado”. Havia também algumas barracas com a venda de comidas e bebidas. Os banheiros estavam fechados.
Na volta, após o impacto inicial da ida, tivemos a certeza do significado do teleférico e do resultado da UPP naquelas comunidades.
A ocupação militar não garantiu uma vida melhor aos moradores. Apesar de uma sala de Cinema, de citação e personagens em novelas, da propaganda da mídia, do aumento de ONG’s e do teleférico, os trabalhadores continuam sem emprego, saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e saneamento básico. Violência, tráfico de drogas, pobreza e criminalização continuam latentes.
Para disfarçar a ausência de política para estes problemas os governos concedem bolsa família, bolsa carioca e uma série de outras políticas compensatórias. Tais programas permitem que os trabalhadores dessas comunidades não vivam em pobreza absoluta, garantem a manutenção do “exército industrial de reserva” e, também controlam a organização e mobilização por melhores condições de vida e trabalho.
As Unidades de Polícia Pacificadora, defendida por Dilma, Cabral e Paes, impõe uma nova política de segurança, criando a ilusão da humanização do capitalismo. Com esse discurso ajudam seus aliados, banqueiros e empresários, a continuar explorando a juventude e os trabalhadores. Desta forma, mantêm o lucro dos verdadeiros barões das drogas, que não vivem nestas comunidades e, escondem a principal questão: como o tráfico ocorre se não existem indústrias bélicas, nem plantação e laboratório para o refino de drogas?
A criminalização da pobreza desloca o domínio do confronto direto, com os verdadeiros culpados, para a ocupação territorial nas áreas onde vivem populações trabalhadoras de baixa e baixíssima renda. Desta forma é possível o governo justificar a intervenção militar, controlar e garantir a manutenção da exploração da burguesia nacional e internacional.
O teleférico nos fez perceber que os problemas dos trabalhadores não serão solucionados apenas com a luta pela educação. Uma mudança só será possível com o fim do capitalismo e a construção de uma nova sociedade, através da luta dos trabalhadores.
Nota: Após o envio deste artigo, o governo estadual implantava mais uma UPP na maior favela da América Latina: a Rocinha. O discurso é o mesmo de um ano atrás, assim como as prisões de traficantes. Coincidentemente, ocorre após denúncias do fracasso da política das UPP’s e, às vésperas do ano eleitoral.
Ocupação da Rocinha pela polícia não vai resolver o problema da segurança
Operação faz parte da política de militarização das favelas e criminalização da pobreza
| Da redação |
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| Helicóptero sobrevoa favela no Rio | ||
• Com cerca de 3 mil homens, com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) à frente e a participação de veículos blindados da Marinha, a Secretaria de Segurança do Rio colocou em marcha, na madrugada de 12 para 13 de novembro, a cinematográfica operação “Choque da Paz”, que consistiu na tomada da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, na Zona Sul da cidade.
A invasão, chamada de ‘pacificação’, contou ainda com um verdadeiro batalhão de jornalistas como retaguarda. Imagens veiculadas exaustivamente pelos telejornais reproduziam cenas que poderiam muito bem ter saído do Iraque, não fosse o cenário de barracos apinhados e ruelas estreitas da paisagem carioca.
Em uma cena montada para as grandes redes de TV, policiais hasteavam a bandeira do Brasil e a do Rio na favela, como símbolo da chegada do “Estado de Direito” à região. Consta que os policiais tiveram que esperar o final da corrida de Fórmula 1 para que a rede Globo pudesse transmitir ao vivo o “evento”. ‘A Rocinha é nossa’, estampou o jornal O Globo no dia seguinte à ocupação.
Militarização e criminalização da pobreza
A ocupação da Rocinha foi alardeada pelo conjunto da imprensa como um marco na gestão do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, e do governo de Sérgio Cabral. Fecha-se um cinturão de favelas ocupadas ao redor de áreas nobres da cidade e abre-se caminho para a 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), já anunciada com 1.500 homens. A meta do governo Cabral é a criação de 40 UPP’s ao todo na cidade, com vistas à Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas de 2016, criando uma espécie de “zona verde” para seus amigos empresários desfrutarem das belezas do Rio.
O governo e a imprensa divulgam a ocupação militar na maior favela do país como uma ‘libertação’ dos cerca de 100 mil moradores da região. Com a tomada do controle do tráfico, agora os serviços públicos básicos poderiam chegar ao local. O prefeito Eduardo Paes já anunciou o aumento de 100 garis. “O grande desafio no primeiro momento é o lixo”, declarou à imprensa.
Paes e Cabral ignoram o histórico de abusos e violência que marcaram outras ocupações, como a do Complexo do Alemão em 2010, na qual os policiais deixaram um rastro de agressões e roubos. O furto aos domicílios foram tão freqüentes que começaram a ser chamados de ‘garimpo’ pelos próprios policiais, que se referiam às comunidades como ‘Serra Pelada’. As inúmeras denúncias realizadas pelos moradores, inclusive de um trabalhador que teve o seu Fundo de Garantia roubado, foram ignoradas.
Para não ocorrer novamente os mesmos escândalos, o governo Cabral adotou uma estratégia inusitada: os policiais foram proibidos de usar mochilas durante as operações na Rocinha. Isso mesmo, a solução para evitar que o “garimpo” se repetisse na Rocinha foi impedir... as mochilas.
Leva na mala
Na versão oficial, alardeada pela imprensa e o governo, a polícia e as Forças Armadas empreendem uma guerra contra o tráfico pelo controle das áreas das favelas. A realidade, por outro lado, não é tão maniqueísta. Recentemente, a prisão do homem apontado como o chefe do tráfico na Rocinha, o Nem, mostrou a relação entre o crime e a corporação. O traficante estava escondido no porta-malas de um carro escoltado por policiais, que até agora não conseguiram explicar o que faziam por lá.
O próprio Nem declarou em entrevista aquilo que todo mundo já sabe: metade de seu rendimento ia para subornar policiais. Suborno que necessitaria de centenas de mochilas para carregar. Como se impedir isso? Proibindo também o tráfego de veículos nas favelas?

Milícias
Quando não existe uma relação de cooperação pura e simples entre tráfico e polícia, existe uma relação de competição pelo controle da área e de serviços clandestinos como TV a cabo pirata e venda de gás. É aí que entram as milícias, associações de policiais que tomam determinada área para explorar seus moradores. A atuação das milícias nas áreas ocupadas do Rio é mais um elemento que mostra que a presença policial nas favelas não significa maior segurança ou qualquer tipo de vantagem à população.
Os traficantes podem não controlar hoje as áreas das três favelas ocupadas. Mas o consumo de drogas, principalmente das áreas nobres da Zona Sul do Rio, não vai acabar. Quem vai fornecer isso? Ninguém garante, por exemplo, que a própria polícia, através das atuais ou de novas milícias, não fique tentada a gerenciar um mercado tão lucrativo.
A tese de que os policiais envolvidos nas operações são novos e, assim, ainda não ‘contaminados’ pela corrupção que corrói a corporação tampouco é factível. A própria estrutura da polícia é viciada, com o alto escalão comprometido e articulado com a Justiça e políticos de expressão. Influência que torna as milícias, inclusive, ainda mais perigosa que o tráfico, com alto poder de pressão e retaliação. O assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto último em Niterói, inclusive com o envolvimento de um comandante, mostrou a força desses bandidos fardados, que também ameaçam a vida do deputado Marcelo Freixo (PSOL).
Longe de ser uma medida contra o crime e em favor das populações pobres, a política de ocupação militar das comunidades do Rio faz parte de uma estratégia de militarização das favelas e de criminalização da pobreza, com o único objetivo de controlar aquelas áreas para garantir a tranqüilidade para a Copa e os Jogos Olímpicos. A população carente continuará no fogo cruzado entre traficantes e a polícia, enquanto lhes são negados serviços básicos como saúde, educação, saneamento e a mais básica infra-estrutura urbana.
E o governo Cabral, por sua vez, poderá prosseguir em sua política fascista de remoções e expulsão dos pobres das áreas visadas para os jogos.
Descriminalização das drogas e fim da polícia
O combate às drogas é apenas um pretexto para ocupar e reprimir as comunidades negras e pobres. Enquanto a polícia prende e exibe à imprensa os peixes pequenos, os grandes beneficiados pelo tráfico de drogas e armas estão bem longe das favelas. Políticos, juízes, a alta hierarquia da polícia gozam de absoluta imunidade enquanto a população se vê à mercê da violência dos bandidos e dos desmandos e abusos policiais.
Enquanto a produção e consumo de drogas forem proibidos, vai continuar havendo tráfico, violência e um pretexto para se atacar a população marginalizada. A única forma de se golpear o tráfico é através da descriminalização das drogas e seu controle através do Estado. Só assim se poderá tirar o monopólio que existe hoje, informalmente, dos grandes traficantes.
Da mesma forma, enquanto houver essa polícia que existe hoje, vai continuar existindo violência contra a população pobre e negra. A função destaa polícia é a manutenção do status quo, da ordem atual, o que passa pela defesa dos interesses de quem está no poder. Por isso o PSTU defende a extinção da polícia e a criação de uma força de segurança popular, democrática, controlada pela população e que realmente defenda seus interesses e a sua segurança.
A Imbecilidade dos que pensam que os operários são imbecis
Por Rafael Nunes, do Rio de Janeiro
Estivemos hoje na porta do Maracanã levando nossa solidariedade para os trabalhadores operários da construção pesada, que reconstroem o maior e mais famoso estádio brasileiro. Trabalhadores que têm entrado constantemente em greves e enfrentam gigantescas corporações corruptas, governos e pelegos em busca de dignidade e reconhecimento. Aqueles operários, que são largamente conhecidos como “peões de trecho”, largam famílias às vezes em outros estados e vão buscando empregos onde aparecem. Lançam-se nas estradas brasileiras e só param onde conseguem um trabalho e quase sempre temporários e precarizados. Suportam condições físicas e psicológicas extremamente desfavoráveis para sobreviverem e guardam poucas perspectivas de grandes mudanças em suas vidas. Economizam o quanto podem e moram quase que na totalidade em favelas, locais esses onde devemos prestar muita atenção. Esses milhões de brasileiros natos são nada mais nada menos que boa parte dos responsáveis pela construção de todas as riquezas desse país e inversamente a essa realidade são os mais explorados e tragicamente desvalorizados como pessoas.
Conversando bem cedo na entrada das obras com alguns deles, identificamos uma solidariedade e unidade que dificilmente vemos em outros setores, principalmente nos da classe média. A luta de cada um dentro das obras repercute até para os que, ao lado de fora, tentam uma chance de começar a batalhar também. Apesar de serem obrigados a mudar constantemente de canteiros de obras e empreiteiras, seja pelas péssimas condições de trabalho ou demissões constantes, guardam toda uma experiência e maturidade que levam para qualquer lugar. Então esses guerreiros sabem bem com quem estão lidando. Sejam as empreiteiras que arrecadam milhões e gozam de todos os privilégios do estado e dos governos fantoches ou muitos sindicatos, frágeis e voláteis, que estão mais interessados em acabar com as mobilizações e greves, do que representar a categoria e levar as lutas até as conquistas necessárias. Traições essas que infelizmente, saltaram enormemente com as sucessivas capitulações, apoios e participações desses, nos governos de Lula, Dilma e Cabral no Rio.
Os trabalhadores do Maracanã, assim com os da construção civil de Belém, Fortaleza, de Jirau, Santo Antonio, Suape ou nas obras do Estádio do Mineirão em Belo Horizonte, estão promovendo uma onda de greves que está sacudindo o país contra as humilhações, os desrespeitos e a superexploração. Devemos dedicar o mais amplo e irrestrito apoio a esses heróis e indignarmos com a situação dos operários do Maracanã, que são obrigados a trabalhar com alto risco de vida e não possuem médicos nas obras e nem planos de saúde, ficam o dia inteiro nas construções e a comida que é servida vem sempre estragada ou com larvas, trabalham numa obra onde os gastos com as empreiteiras serão astronômicos, em mais de 1 bilhão de reais enquanto recebem parcos R$ 1.180,00 de salário e possuem ainda um vale fome de apenas R$ 100,00. Se não bastasse a superexploração, ainda, estapafurdiamente, são obrigados a sofrerem humilhações e assédios morais por superiores e engenheiros.
A clareza programática que surgia em cada conversa, com cada operário, nos animava a perceber que todas as ideologias, criadas pelo Sindicato do Consorcio, de que as obras do Estádio da final da Copa do Mundo, deveriam encher de orgulho aqueles trabalhadores, vinham ao chão. Uma imbecilidade das empreiteiras pensarem que aqueles trabalhadores são tão ingênuos assim. A análise da situação econômica e política do país assim como o papel que cumpre as empreiteiras e os sindicatos pelegos mostram em alto e bom som que os operários da construção pesada do Maracanã sabem identificar os problemas e através das greves mostram muito bem como buscar as soluções.
Estivemos hoje na porta do Maracanã levando nossa solidariedade para os trabalhadores operários da construção pesada, que reconstroem o maior e mais famoso estádio brasileiro. Trabalhadores que têm entrado constantemente em greves e enfrentam gigantescas corporações corruptas, governos e pelegos em busca de dignidade e reconhecimento. Aqueles operários, que são largamente conhecidos como “peões de trecho”, largam famílias às vezes em outros estados e vão buscando empregos onde aparecem. Lançam-se nas estradas brasileiras e só param onde conseguem um trabalho e quase sempre temporários e precarizados. Suportam condições físicas e psicológicas extremamente desfavoráveis para sobreviverem e guardam poucas perspectivas de grandes mudanças em suas vidas. Economizam o quanto podem e moram quase que na totalidade em favelas, locais esses onde devemos prestar muita atenção. Esses milhões de brasileiros natos são nada mais nada menos que boa parte dos responsáveis pela construção de todas as riquezas desse país e inversamente a essa realidade são os mais explorados e tragicamente desvalorizados como pessoas.
Conversando bem cedo na entrada das obras com alguns deles, identificamos uma solidariedade e unidade que dificilmente vemos em outros setores, principalmente nos da classe média. A luta de cada um dentro das obras repercute até para os que, ao lado de fora, tentam uma chance de começar a batalhar também. Apesar de serem obrigados a mudar constantemente de canteiros de obras e empreiteiras, seja pelas péssimas condições de trabalho ou demissões constantes, guardam toda uma experiência e maturidade que levam para qualquer lugar. Então esses guerreiros sabem bem com quem estão lidando. Sejam as empreiteiras que arrecadam milhões e gozam de todos os privilégios do estado e dos governos fantoches ou muitos sindicatos, frágeis e voláteis, que estão mais interessados em acabar com as mobilizações e greves, do que representar a categoria e levar as lutas até as conquistas necessárias. Traições essas que infelizmente, saltaram enormemente com as sucessivas capitulações, apoios e participações desses, nos governos de Lula, Dilma e Cabral no Rio.
Os trabalhadores do Maracanã, assim com os da construção civil de Belém, Fortaleza, de Jirau, Santo Antonio, Suape ou nas obras do Estádio do Mineirão em Belo Horizonte, estão promovendo uma onda de greves que está sacudindo o país contra as humilhações, os desrespeitos e a superexploração. Devemos dedicar o mais amplo e irrestrito apoio a esses heróis e indignarmos com a situação dos operários do Maracanã, que são obrigados a trabalhar com alto risco de vida e não possuem médicos nas obras e nem planos de saúde, ficam o dia inteiro nas construções e a comida que é servida vem sempre estragada ou com larvas, trabalham numa obra onde os gastos com as empreiteiras serão astronômicos, em mais de 1 bilhão de reais enquanto recebem parcos R$ 1.180,00 de salário e possuem ainda um vale fome de apenas R$ 100,00. Se não bastasse a superexploração, ainda, estapafurdiamente, são obrigados a sofrerem humilhações e assédios morais por superiores e engenheiros.
A clareza programática que surgia em cada conversa, com cada operário, nos animava a perceber que todas as ideologias, criadas pelo Sindicato do Consorcio, de que as obras do Estádio da final da Copa do Mundo, deveriam encher de orgulho aqueles trabalhadores, vinham ao chão. Uma imbecilidade das empreiteiras pensarem que aqueles trabalhadores são tão ingênuos assim. A análise da situação econômica e política do país assim como o papel que cumpre as empreiteiras e os sindicatos pelegos mostram em alto e bom som que os operários da construção pesada do Maracanã sabem identificar os problemas e através das greves mostram muito bem como buscar as soluções.
Frente Nacional dos Torcedores convoca todos e todas para audiência com Ministério Público Federal
Veja o informe
Confira o cartaz da convocatória
Nada está perdido! A Frente nacional dos Torcedores conseguiu marcar com o Procurador do Ministério Público Federal (MPF), Dr. Maurício Andreiuolo uma Audiência Pública sobre o Maracanã. A mutilação do bem tombado, o estupro do maior estádio do mundo, são atos que não podem ficar impunes!
Embargar a obra é possível. Existe base legal para isso. No entanto, é preciso mobilizar a sociedade, é necessário convocar toda a galera para invadir o auditório do MPF e mostrar a força da luta pela preservação do Estádio Mário Filho – Maracanã! Para que você nunca deixe de cantar que “Domingo irá ao Maracanã, torcer para o time que você é fã”, para que o Maraca volte a ser do povo, para que a cobertura não seja derrubada, para que futuramente a Geral volte a existir, enfim, é mais do que necessária sua presença na Audiência Pública. É preciso mais que isso, é preciso convocar amigos, familiares, irmãos de arquibancada, é preciso lotar as galerias do Ministério Público Federal! É indispensável dar sustentação política forte, com a presença de bastante gente, para que o Procurador possa agir juridicamente, para que o processo seja vitorioso, para que o Maracanã volte a ser do povo!
NADA ESTÁ PERDIDO!
A FRENTE LUTA PELO TORCEDOR!
AHA-UHU O MARACANÃ SEMPRE SERÁ NOSSO! SEMPRE SERÁ DO POVO!
VAMOS VENCER!
MAS, PRA ISSO, o MARACANÃ PRECISA DE VOCÊ!
A FRENTE LUTA PELO TORCEDOR!
AHA-UHU O MARACANÃ SEMPRE SERÁ NOSSO! SEMPRE SERÁ DO POVO!
VAMOS VENCER!
MAS, PRA ISSO, o MARACANÃ PRECISA DE VOCÊ!
SALVAR O MARACANÃ FAZ PARTE DO PROCESSO DE SALVAR O FUTEBOL DA CORRUPÇÃO E ROUBALHEIRA!



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