Mostrando postagens com marcador Quilombo Raça e Classe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quilombo Raça e Classe. Mostrar todas as postagens

Pelo carnaval de rua livre, autêntico e não mercadológico

Por Rafael Nunes, do Movimento Luta Popular 


Não existe expressão maior de liberdade para o Carioca que não seja a palavra “Carnaval”. No fim de semana anterior que precede a folia, nos dias oficiais em que as ruas estão tomadas e no final de semana seguinte derradeiro, as pessoas largam suas mascaras em casa, deixam apenas de existir e passam a “ser”!

O tempo corre diferente, mas é pontual, o bloco nem sempre espera! A fanfarronice é caprichosa e exige um planejamento, um trabalho de fantasias dos pés até a cabeça, investimentos em confetes, serpentinas e todos dão duro na alegria de chegar até o final do cortejo. Depois todos se abraçam e já combinam o próximo bloco, cordão ou rancho, que pode sair a qualquer momento. Todos se apressam!

Os melhores dias do ano precisam ser aproveitados plenamente. As pessoas sentem-se livres, dançam em qualquer avenida (a espontaneidade afloresce), bebem já pela manhã, emendam madrugadas, urinam em plena segunda na porta do edifício do trabalho; sente-se um clima de amizade e de interações coletivas, tudo parece como deveria ser.

Onde existem multidões existe oportunidade! Assim funciona nossa sociedade e nada parece ser completamente livre num sistema de antagonismos sociais. Para se pensar o maior espetáculo do mundo, o carnaval oficial das grandes escolas, é só nos remetermos a um corajoso e imortal samba do Império Serrano de 1982. “Super Escolas de Samba S/A, Super-alegorias. Escondendo gente bamba. Que covardia! Bum, bum paticumbum prugurundum. O nosso samba minha gente é isso aí”. 

Infelizmente os blocos de carnaval, que ganharam força a partir de seus próprios ideais de liberdade, também sofrem essa nociva pressão mercadológica. Esse ano, o novo salto de qualidade veio com a divulgação de festas privadas, nos dias oficiais de carnaval, com ingressos caros, dentro do ex-Maracanã (desfigurado e privatizado). E para nossa surpresa consta um bloco alternativo como uma das atrações. 

No ano passado, do dia para a noite, criaram-se blocos que nunca haviam desfilado, venderam abadás e prometeram colocar cordas para preservas foliões privilegiados do restante das massas. Ocorreu uma revolta, que partiu da consciência de ideário de carnaval de rua, pelos Cariocas e assim o Prefeito foi obrigado a baixar um decreto proibindo esse tipo de comercialização. 

Sem dúvida uma grande vitória da luta contra a mercantilização do carnaval. Parcial, pois essa mesma prefeitura financia blocos temáticos de rock, funk, covers, e outras sandices turísticas com generosas somas de recursos financeiros, enquanto os blocos tradicionais, que tocam as eternas marchinhas de carnavais ficam relegados às cotizações dos próprios foliões. Sem contar que essa mesma instância governamental ainda faz uma série de exigências para autorizar os desfiles dos blocos, que na prática os tira da rua, contribuindo ainda mais para a elitização da festa e a busca por grandes patrocinadores, que emporcalham as ruas com suas logomarcas.

Muita coisa está errada, mas o carnaval popular do Rio de Janeiro, de Rua, ainda é livre e a maioria dos seus blocos auto financiados e autênticos, na tradição musical e nos desfiles. A alegria, a emoção e a liberdade mais uma vez se farão presentes com os blocos familiares de Vila Isabel ou da Grande Tijuca, os da alegria autêntica do subúrbio e da baixada, em especial os de Madureira, os fabulosos da Região Portuária, onde sempre relembramos a farsa da democracia racial, os imprescindíveis blocos livres do Centro, com destaque o nosso Cordão do Boi Tolo, que luta contra a mercantilização do carnaval de rua, Embaixadores da Folia, Prata Preta e o Bloco Secreto, os blocos encantados de Santa Teresa e Laranjeiras, os muitos e maravilhosos blocos históricos e tradicionais da Zona Sul.

Justiça ou Bárbarie? Justiceiros são inspirados por ideologias neonazistas

Jovem agredido e preso no Flamengo (Foto: reprodução Facebook)

Por Dirley Santos e Arthur Gibson, redação Rio.

31 de janeiro, sexta-feira à noite ...
Um adolescente negro, de 15 anos, é perseguido pelas ruas. Pego, é violentamente espancado, leva uma facada na orelha e tem sua roupa arrancada. Depois da surra, chorando, é preso nu a um poste, como em umpelourinho improvisado.
Uma situação que remeteria a cenas de cinema, retratando o racismo da KuKluxKlan nos EUA da primeira metade do século passado, ou mesmo a pinturas sobre os períodos colonial e imperial no Brasil.Mas aconteceu em pleno século XXI, na Av. Rui Barbosa, zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
A motivação? O jovem, menor de idade,estaria supostamente assaltando pessoas na região.
Seus algozes? Jovens brancos, de classe média, moradores da região que resolveram “fazer justiça com as próprias mãos”.
 O rapaz só foi libertado após a chegada de soldados do Corpo de Bombeiros, que precisaram usar um maçarico para abrir a trava de bicicleta que o prendia e depois o levaram para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Agressores pertencem a grupo de ”justiceiros”
Ao que tudo indica, a agressão foi obra de um grupo local organizado de jovens, inspirados em ideologiasfascistas, autodenominados “Justiceiros do Flamengo”.Segundo depoimento do jovem agredido, o grupo, que frequentaria uma academia ao ar livre na Enseada de Botafogo, era composto por cerca de 30 homens que chegaram em 15 motos, atacando a ele e a outros dois jovens com capacetes, rasteiras e joelhadas. Um deles estaria armado com pistola.
De acordo com a própria polícia, o grupo vem atuando desde o ano passado agredindo e torturando a todos que julgam suspeitos. Um grupo que supostamente fazia uma ação foi detido. Sem antecedentes criminais, eles serão investigados por formação de quadrilha e por corrupção de menores. Mas comonenhum dos acusados foi identificado pela vítima; eles pagaram fiança e foram liberados, provavelmente em menos tempo do que o jovem que eles prenderam ao poste demoroupara se livrar da tranca no pescoço.
O jovem agredido, por sua vez, se encontra refugiado em um abrigo da prefeitura após ter fugido do Hospital Souza Aguiar, no centro, por não se sentir seguro.

Grupos de extermínios se fortalecem no Brasil
Uma onda de ataques a supostos criminosos e moradores de rua em diversos bairros por parte de grupos que se autointitulam “justiceiros” vem se tornando rotina na região metropolitana do Rio de Janeiro. Recentemente casos semelhantes aconteceram na região da Lapa, na praia de Copacabana e no bairro da Tijuca. 
Em São Gonçalo um jovem, que trabalha como caseiro, foi confundido com assaltante e foi linchado até a morte no bairro de Maria Paula. Pelo menos mais quatro pessoas foram espancadas em ruas da cidade no mesmo período, mas conseguiram sobreviver. Um vídeo que circula nas redes sociais e foi inclusive transmitido em TV aberta um jovem, supostamente usuário de drogas, foi assassinado com um tira na cabeça, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A antropóloga e ativista social Yvonne Bezerra, que foi quem primeiro socorreu o jovem agredido, lembra que nos anos de 1980 existiam gangues de jovens, de classe média da Zona Sul, que saíam às ruas bem vestidos, armados de pau e tacos de beisebol para bater em pessoas em situação de rua.
A existência de grupos deste tipoé a face mais dura de uma socieda de capitalista baseada em preconceitos racistas, machistas e homofóbicos e em uma mentalidade de segurança pública que defende o “olho por olho, dente por dente”, “bandido bom, é bandido morto”.
De acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), a cada 100 mil jovens, 53,4, com idades entre 14 e 25 anos, foram assassinados, em 2011. E entre 1908 e 20111, as mortes por homicídio, tiveram um aumento de 326,1%. Criando um caldo de cultura de mais violência entre a população.

Homem amarrado nu no bairro da Tijuca
Na  grande mídia: apologia. Nas nas redes sociais: polêmica
Em diversas postagens sobre o tema, principalmente em veículos da mídia grande, páginas de apoiadores e organizações neonazistas e comunidades de policiais e militares, é possível ver um número grande de pessoas declarando apoio as ações dos “justiceiros”.
Em boa parte destas declarações pipocam principalmente frases e xingamentos contra moradores de rua, negros e homossexuais. Além de ameaças aos que questionam e criticam estes grupos. A própria Yvonne Bezerra, denunciou que vem recebendo seguidas ameaças em seu perfil no Facebook.
Chegou-se ao ponto da apresentadora do Jornal do SBT, Rachel Sherazade declarar publicamente seu apoio a ação ocorrido no bairro do Flamengo, chegando a afirma que “O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”. Contudo choveram críticas e repúdio a jornalista por parte de vários setores da sociedade.
Como escreveu também no Facebook o estudante João Pedro de Sá, poeta e ativista filiado ao PSTU “Se esse jovem não estava na Pedra do Sal (...) ouvindo a alta poesia da música negra, tomando cerveja e conversando com seus amigos sobre seu trabalho de mestrado não é porque tenha um delírio malévolo de assaltar pessoas, fruto de uma natureza mais maligna ou menos humana que qualquer pessoa, mas porque não existe espaço objetivo pra dignidade e felicidade de todos no projeto capitalista, racista e violento de país que dirige o Brasil. Sem entender isso, não se entende nada e, facilmente, até mesmo sem perceber, se cai no colo dos fascistas”.

É preciso denunciar e combater o crescimento destes “justiceiros”
O atual ressurgimento destes grupos de "justiceiros" no Rio de Janeiro é fruto do crescimento de bandos neonazistas e suas ideologias entre jovens da classe média carioca
Por outro lado também contribui a falência da política de segurança públicaque se apoia na farsa da pacificação através da ocupação militar das comunidades pobres, do não enfrentamento consequente ás milícias formada por paramilitares e na não punição aos policiais e oficiais corruptos.
A própria Anistia Internacional, segundo seu diretor para o Brasil, Atila Roque, já disse preocupada com o apoio que estes crimes cometidos por "justiceiros" tem obtido junto a expressivos setores da sociedade.
Não se pode deixar naturalizar isso, é necessário demonstrar absoluto repúdio e responder com urgência e à altura este tipo de ação reacionária. Pois estes grupos são irmãos siameses de bandos neonazistas (se não os próprios) que em ano passado tentaram intimidar e provocar os movimentos sociais, fixando cartazes próximo às sedes do PCB e do PSTU e atacando as colunas destes partidos e de setores dos movimentos sociais nas manifestações de junho.
Nós do PSTU seguimos, como na época da prisão dos neonazistas de Niterói e dos ataques de junho, conclamando“a todos os demais partidos e entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONG’s, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e parlamentares para que façamos uma ampla campanha antineonazista para que indivíduos e grupos como estes não proliferem impunemente”.

Rolezinho no Leblon: O poder da repressão e a sociedade do espetáculo

Por Bruna Barlach, do Rio

Na onda dos “Rolezinhos” que começaram em São Paulo, e muito por conta da repressão a eles, vimos pipocar em todo o país eventos no facebook chamando rolezinhos em shoppings de diferentes cidades pelo país, incluindo o Rio de Janeiro. Certamente o marcado para o Shopping Leblon foi, desde o início, o mais polêmico.

Símbolo máximo da burguesia carioca (e brasileira) e da segregação socioeconômica, o Leblon é o um dos bairros onde há mais riqueza concentrada por cabeça no mundo. Seja por olhares atravessados, seja pelos preços proibitivos, Leblon não é lugar pra pobre. E não é e ponto final.

Tanto não é lugar pra pobre que os donos do shopping solicitaram na Justiça para que o evento fosse proibido, argumentando que tal evento era incompatível com o shopping. Uma juíza acatou o pedido e proibiu o rolezinho. Felizmente advogados ligados às causas populares conseguiram a liberação do ato. Diante disse, foi declarado que o shopping simplesmente não abriria as suas portas.

A mídia grande logo noticiou que o shopping não abriria as suas portas, o que colaborou em grande parte para o esvaziamento do rolezinho, que acabou por ter ares de uma pequena manifestação. Aos poucos foram chegando ativistas de diferentes movimentos, moradores de diferentes locais, perto, longe, das favelas, cada qual trazia sua vontade de se manifestar contra a repressão e os casos de racismo explícito que o rolezinho tem desencadeado nos shoppings.

Muitos vieram só para olhar. Era notável no olhar e na fala de muitos moradores da região que aquelas pessoas lhe eram estranhas, estranhas demais, quase exóticas. Outros estavam assustados, muito mais pela grande quantidade de policiais que cercava a região e impedia a entrada não só no shopping (que também estava “protegido” por dezenas de seguranças uniformizados e à paisana) do que pelo próprio rolezinho.

Ao som de funk e diferentes músicas de protesto foram cantadas palavras de ordem contra a repressão, contra o racismo e também contra a copa, que é pauta em todas as manifestações deste ano. Com algumas horas de rolezinho na porta do shopping, os manifestantes acabaram sendo surpreendidos pela tropa de choque, que veio demonstrar mais uma vez que vivemos num estado onde a democracia não é para todos e que mesmo uma manifestação pelo direito de todos estarem dentro de um shopping, símbolo máximo do consumismo, é repreendida pela força policial de forma violenta.

As mentiras que a mídia conta
Dezenas de câmeras, inúmeros repórteres das grandes emissoras de TV nacionais e até diversos correspondentes internacionais. A mídia grande chegou com tudo no rolezinho no Leblon para recolher material para contar suas grandes mentiras.

As entrevistas tinham por objetivo muito mais desmascarar os manifestantes do que discutir de fato o porque é tão importante que esse rolezinho esteja acontecendo. Em telefones celulares, falavam baixo sobre como o shopping perdia dinheiro enquanto alguns jovens atrapalhavam um dia normal na vida das pessoas. Aguardem essas e outras mentiras nos grandes jornais e portais da internet.

O rolezinho é resistência e luta
A origem controversa do rolezinho pode ter criado dúvidas sobre a importância política destes eventos. O capitalismo vende uma imagem de democracia e igualdade de oportunidades, mas quando os jovens da periferia, pobres, pretos, tentaram usufruir do seu direito democrático de consumir e vimos claramente o que aconteceu.

No capitalismo nem o consumo é democrático. Ele tem recorte de cor e recorte de classe. A repressão, os shoppings fechados, pessoas negras sendo revistadas e tendo seu direito de ir e vir negado revelam a segregação social, que acontece em todas as partes e está agora estampada nos muros dos shoppings.

Toda lutadora e todo lutador deve não só denunciar essa injustiça, mas estar lado a lado, juntos e misturados; construindo a resistência contra toda forma de repressão e segregação racial e social. Ocupar a cidade deveria ser um direito de todos e até que seja, permaneceremos dando nossos rolezinhos., nos shoppings e nas ruas.



Atividades marcam Dia da Consciência Negra no RJ

"A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor, Candeia
O tempo que o Samba viver
O sonho não vai se acabar
E ninguém vai esquecer, Candeia"


(O sonho não acabou,  Luis Carlos da Vila)


No 20 de novembro, o Quilombo Raça e Classe e o Luta Popular, entidades filiadas à CSP-Conlutas, participaram e ajudaram a construir diversas atividades em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Dia começou na Amendoeira, em São Gonçalo

comunidade debate na Amendoeira
A primeira atividade ocorreu logo cedo no bairro de Amendoeira, na cidade de São Gonçalo. Representantes do Quilombo Raça e Classe, do movimento o Luta Popular e da CSP-Conlutas realizaram uma conversa com a comunidade local. O objetivo da atividade foi iniciar a reconstrução da associação de moradores do bairro que vem tocando algumas lutas específicas.
Após o debate os participantes fizeram uma confraternização comendo um delicioso angu e regada a uma cervejinha gelada, para refrescar o intenso calor.

Samba de resistência nos subúrbios cariocas
Já do outro lado da Baía de Guanabara também foi dia de combater a farsa da democracia racial rolou debate e atividades culturais. Na comunidade do Jacarezinho e no tradicional subúrbio carioca de Osvaldo Cruz rolaram debates e atividades culturais.
A negrada, com raça e classe, trocou inúmeras idéias sobre a questão racial no Brasil e no mundo, em especial sobre a violência contra a juventude negra e a preservação da cultura afro.
No Buraco do Galo o dia contou com muito samba de raiz, mostrando toda a resistência da tradição cultural dos negros brasileiros. Tudo isso acompanhado de uma bela feijoada e uma cerveja gelada.

tradicional roda de samba no Buraco do Galo

Neste dia 21/11 tem Marcha da Periferia nas ruas do Rio
Já nesta quinta-feira, 21/11, ocorrerá nas ruas do centro da cidade a Marcha da Periferia. Uma passeata seguirá da Candelária até o busto de Zumbi, lembrando os guerreiros e guerreiras De palmares. A concentração está marcada às 17 horas.

Agenda da Marcha da Periferia com Raça, Classe e Gênero no Rio de Janeiro

19 de Novembro
NOVA IGUAÇU
Marcha da Periferia com Raça e Classe e os Comerciários no Calçadão de Nova Iguaçu a partir das 10:00 h. 

20 de Novembro
SÃO GONÇALO 
No dia da Consciência Negra a Associação de Amigos e Moradores da Amendoeira organiza um evento onde será comemorada a data e apresentada à população a CSP - Conlutas, o Quilombo RaçaeClasse e também o Luta Popular.

Evento: https://www.facebook.com/events/240281122795990/?ref_dashboard_filter=upcoming&source=1

"Consciência Negra no Quilombo do Jacaré". Favela do Jacarezinho.

"Feijoada de Zumbi do Buraco do Galo", na tradicional Roda de Samba do Buraco do Galo, em Osvaldo Cruz.

Atividade Cultural no Chapéu Mangueira, de 10 às 17 horas.

21 de Novembro
RIO DE JANEIRO
2a MARCHA DA PERIFERIA - Em 2013 a Marcha da Periferia, que traz como tema “PELOS AMARILDOS… DA COPA EU ABRO MÃO”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros Movimentos de Opressões, Sociais, Estudantis e Entidades Sindicais. 
Passeata da Candelária até o busto de Zumbi dos Palmares; Concentração às 17h. 

Abertura do I Seminário Nacional da FENAJUFE de Combate ao Racismo e de Identidade Negra no Judiciário Federal e MPU -  19:00h.  O seminário ocorrerá até o dia 23/11.
22 de Novembro
JAPERI
 “JAÇARAUPERI” Ato político e cultural pelo Dia da Consciência Negra, na Praça Olavo Bilac, em Engenheiro Pedreira/Japerí, a apartir das 16 horas.

24 de Novembro
RIO DE JANEIRO
"Dandaras de Luta", atividade no Bar do Rumba, na Favela do Jacarézinho, a partir das 12 horas.

25 de Novembro
RIO DE JANEIRO 
Passeata pelo Dia Latino-americano e Caribenho de luta contra a violência contra a mulher, concentração na Candelária a partir das 16 horas.

"Mesa da Questão Racial", no auditório da Faculdade Nacional  Direito FND/UFRJ – próximo ao Campo de Santana, a partir das 16 horas.

26 de Novembro
RIO DE JANEIRO
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência", na Sede do PSTU – Rua da Lapa, 180 sb lj/Lapa, a partir das 18:30 horas.

NOVA IGUAÇU
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência" – O Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e Região organizará um debate na terça, dia 26 de Novembro, às 19h, no estacionamento ao lado do Sindicato (Rua Dr. Barros Jr., 396, Centro de Nova Iguaçu) em conjunto com o movimento Quilombo Raça e Classe e a CSP-Conlutas.




27 de Novembro
BELFORD ROXO
Atividade sobre a questão racial no SEPE Belford Roxo (à confirmar o formato).

Veja calendário de atividades completo aqui 


fontes: Quilombo Raça e Classe e CSP- Conlutas

Rumo à 2ª Marcha Nacional da Periferia com o Quilombo Raça e Classe

Com o tema “Pelos Amarildos... da Copa eu abro mão”, marcha acontece em várias cidades e estados do Brasil

A Marcha da Periferia foi uma semente plantada em 2006 por membros do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”.  Essa iniciativa decorreu da percepção dos integrantes desta organização de que os conflitos entre a juventude negra estavam se deslocado dos enfrentamentos entre os bairros para o interior dos bairros. A esse processo passaram a chamar de “Guerra Interna” e identificar como uma clara política de Estado para controle social da juventude negra e pobre. 

Cabe lembrar, entretanto, que desde 1989 o Quilombo Urbano já realizava os festivais de Hip Hop na semana da Consciência Negra como um momento de confraternização entre a juventude das periferias de São Luís em homenagem a Zumbi de Palmares e outras referências históricas do povo negro, e de coroamento das atividades políticas e culturais que o Quilombo Urbano e outros grupos de Hip Hop realizavam nas comunidades pobres e negras durante todo ano.


Sendo assim, os festivais de Hip Hop foi o embrião das Marchas da Periferia.   Nos primeiros anos de sua realização, as ações da Marcha da Periferia ficaram limitadas ao Hip Hop e algumas entidades do movimento popular e das esquerdas maranhense. Entretanto, a partir de 2011, a Marcha da Periferia ganhou uma dimensão nacional impulsionado pelo Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e fortalecida pelas entidades sindicais, movimentos populares, de opressões e estudantis filiados à CSP- Conlutas – Central Sindical e Popular. Em 2013, a Marcha da Periferia, que traz como tema “Pelos Amarildos... da Copa eu abro mão”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros movimentos de opressões, sociais, estudantis e entidades sindicais.

Por que devemos marchar na periferia?

Na introdução brasileira do livro “Miséria das Prisões” o sociólogo francês Wacquant (1999) afirma que existe uma “ditadura pura” instalada nos bairros pobres do nosso país. E não é exagero. O Estado de exceção conforme demonstra Agamben (2003) tem se tornado uma regra geral contra os pobres em todo o mundo. Por isso, mesmo que a ideia de Estado mínimo deve ser relativizada, pois se ele é mínimo no campo das políticas sociais está cada vez mais robustecido em sua ponta repressora.


Enquanto os governos neoliberais dos últimos vinte anos “satanizavam” o Estado provedor do bem estar social, para que o mesmo fosse exorcizado do meio da classe trabalhadora, o investimento em segurança pública crescia assustadoramente. Em 2008, o investimento em repressão cresceu 15%, o equivalente a R$ 47,6 bilhões segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Por outro lado, basta verificar o contingente de indivíduos aprisionados no Brasil nos últimos anos. Dados divulgados pelo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apontam que nos últimos cinco anos o número de presos no Brasil cresceu 37%.  Temos na atualidade o terceiro mais populoso sistema carcerário do mundo com 494.598 presos, perdendo apenas para Estados Unidos que têm 2.297.400 presos e a China com 1.620.000, países esses que possuem uma população muito superior a nossa.


Não precisa ser analista político para constatar que os direitos constitucionais da democracia burguesa, especialmente o direito à vida, fica postado no “pé dos morros” ou nas fronteiras dos bairros de periferia, apenas as polícias entram nessas localidades com força total.


Por ano, mais de 25 mil jovens continuam sendo mortos por armas de fogo no Brasil, a grande maioria são negros e muitos mortos por policias. Juntas, as policias de São Paulo e do Rio de Janeiro matam mais do que aquela que é considerada a polícia mais violenta do mundo, a de Nova Iorque.  Se já não bastasse o etnocídio (eliminação cultural) da população negra via ideologia do branqueamento, o Estado brasileiro tem intensificado o genocídio (eliminação física) da população afro-brasileira que reside nos bairros pobres.


Em quase todos os estados brasileiros existem bairros de maioria negra ocupados pela Força de Segurança Nacional. Uma das mais propagandeadas políticas do governo Dilma na área de segurança pública é a nacionalização das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadoras).


O caso do Ajudante de Pedreiro Amarildo de Souza, negro e morador da favela da Rocinha no Rio de Janeiro, onde tudo leva a crê que foi sequestrado, torturado e assassinado por policiais de uma UPP instalada naquela comunidade, é um exemplo cabal do caráter racista e repressor desse tipo de política de Estado, que é parte do processo de criminalização da pobreza e de extermínio da população negra.


A realização dos “grandes eventos” no Brasil como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 tem a intensificado o processo de criminalização da pobreza e do extermínio da população negra. Centenas de milhares de famílias que residiam em comunidades próximas aos locais onde esses jogos serão realizados já foram, autoritariamente, removidas.


Mas não só a população negra e pobre de maneira geral sofre esse processo, é necessário também silenciar os movimentos sociais que nascem do interior dessas camadas sociais com o objetivo de enfrentar e reverter tais situações. Por todo o Brasil, centenas de lideranças comunitárias, quilombolas, camponesas, ambientalistas e advogados estão marcados para morrer, algumas das quais já perderam suas vidas.  Nos bairros pobres qualquer manifestação popular é criminosamente associada pelos governos e pela grande mídia ao tráfico de drogas e ao crime organizado, enquanto os crimes cometidos pelo Estado policial contra seus moradores é quase sempre divulgados como resultado de enfretamento entre “bandidos” e policiais.


Por outro lado, salta aos olhos os pomposos gastos dos diversos governos com as obras faraônicas da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O 1,5 bilhão de reais que seriam destinados aos megaeventos se transformou em fabulosos 45 bilhões, conforme anuncia o próprio governo federal.  Esses gastos contrastam com a situação de pobreza da maioria da população que padecem com a destruição dos serviços públicos básicos como educação, saúde, moradia e mobilidade social. Essa contradição foi a causa principal das jornadas de junho e das paralisações nacionais das centrais sindicais em agosto e setembro que levaram milhões de pessoas às ruas por todo o país.


 Considerando a situação limite em que se encontra a massa negra proletarizada do Brasil e a “derrama” de dinheiro público aos empresários dos megaeventos, definiu-se como temática para a Marcha Nacional da Periferia de 2013: “Pelos Amarildos, da Copa eu abro mão”. O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe faz o chamado a todos os setores combativos da classe trabalhadora, dos movimentos negro, quilombola, indígena, mulheres, estudantil, popular independente dos governos e patrões para construir, organizar e participar da construção da Marcha da Periferia numa perspectiva de Raça, Classe, Gênero e Socialista, buscando organizar, formar e responder as demandas de luta da classe trabalhadora negra e pobre do Brasil!


Atos que já estão organizados

Dia 20 de Novembro – Minas Gerais
Dia 20 de Novembro – São Paulo
Dia 21 de Novembro – Rio de Janeiro
Dia 22 de Novembro – Alagoas
Dia 22 de Novembro -  Maranhão

LEIA MAIS


Polícia mata cinco pessoas por dia no Brasil


O abismo social entre negros e brancos continua

CSP-Conlutas e Quilombo, com raça e classe, na África do Sul

A convite do International Labour Research and Information Group (ILRIG, Grupo de Pesquisa e Informação Internacional sobre o Trabalho), a CSP-Conlutas e o Quilombo Raça e Classe, representada pelos autores deste artigo, irá participar, esta semana, na Cidade do Cabo (África do Sul) do curso “Novas formas: organizando na Era do Neoliberalismo”.
A Escola de Formação, que contará com a participação de cerca de 200 representantes de vários países da região e outras partes do mundo, é destinada a discutir a reorganização dos movimentos sociais que vem sendo provocada tanto pelos desafios impostos pela lógica neoliberal, quanto pela cooptação e traições das direção tradicionais e majoritárias dos movimento sociais, a exemplo do PT, CUT e UNE (no Brasil) ou do Congresso Nacional Africano (CNA) e do Congresso Sul Africano de Sindicatos (Cosatu).
O curso terá início no sábado, dia 22, e neste artigo (que pretendemos ser o primeiro de uma série) iremos apresentar sua pauta, que já dá a dimensão da atividade e o quanto ela tem a ver com o que estamos lutando para construir no Brasil.
Muitas vozes, um só luta
Este foi o lema da Reunião Internacional, realizada em maio de 2012, logo após o primeiro 1º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, do qual participaram entidades dos movimentos sociais representantes de algumas dezenas de países, dentre eles o ILRIG, da África do Sul, com a qual a nossa central tem mantido um diálogo constante, em torno de temas relativos à reorganização e de diversas lutas, particularmente no setor de mineração e os atingidos pela Vale.

Fruto desta relação e das proximidades que existem entre o que vemos no Brasil, com o governo do PT, e na África do Sul, hoje governada pelo CNA, a CSP-Conlutas e o Quilombo foram convidados não só para participar da Escola, mas também integrar  duas mesas para compartilhar a experiência que estamos construindo no Brasil.
A luta pela reorganização: África, Brasil e Canadá
Não por acaso, a primeira atividade programada é uma mesa intitulada “A situação das lutas da classe trabalhadora antes e depois de Marikana” (onde ocorreu, no ano passado, o vergonhoso e lamentável massacre, promovido pela policia, que deixou 34 mortos e cerca de 70 feridos).

A mesa será coordenada por um representante do Sindicato Geral dos Trabalhadores da Indústria da África do Sul (GIWUSA) – uma entidade independente que organiza diversos setores da classe operária, como construção civil, químicos, e trabalhadores do transporte – e por uma organização do movimento popular chamada Khanya, que irá debater o massacre de Marikana dentro do processo de globalização.
Na sequência, será a vez da CSP-Conlutas compartilhar sua experiência na mesa“Organizando: antes e agora, no Brasil” , na qual iremos contar um pouco de nossa história, o porquê da ruptura com a CUT e, principalmente, como nos organizamos e funcionamos nos dias de hoje. Este primeiro bloco de debates será fechado pela USW, a entidade sindical canadense que organiza os trabalhadores da mineração e aço.

Ainda no domingo, os participantes serão divididos em grupos de trabalho que se deterão sobre setores e movimentos específicos no processo de reorganização: sindical, popular, das mulheres e da juventude. 
Aprendendo com as novas experiências
O curso propriamente dito terá início com um painel conduzido por Leonard Gentle, coordenador do ILRIG e intitulado “Experiências de organização, no passado e no presente: lições e desafios para os movimentos atuais”. Logo após, os participantes serão divididos em grupos que, no decorrer da semana, irão intercalar sessões de estudos e reuniões dos grupos de trabalho mencionados acima, com mesas e painéis (coordenados por entidades sindicais e populares de diversas regiões e setores) com os seguintes temas:

  •  Greves e protestos populares na atualidade: oportunidades e desafios para nossos movimentos.
  • Qual deve ser a posição dos sul-africanos diante das eleições de 2014?
  • Exemplos de novas formas de organização: ativismo cultural, novos locais de trabalho, novas formas de internacionalismo e distintas formas de organização.
  • Movimentos popular e sem-terra.
     
O segundo painel coordenado pelos representantes da CSP-Conlutas e do Quilombo Raça e Classe, intitulado “Exemplos de novas formas de organização” será na quinta, em uma mesa que também contará com a participação da USW e da entidade que dirige os trabalhadores das minas de ouro da Tanzânia.
As atividades serão finalizadas com outro painel sobre o massacre – “Marikana, um ano depois: rumo a um novo movimento”.
E, como ninguém é de ferro, tudo isto será acompanhado por apresentações culturais (saraus, teatro e cinema), além de visitas a movimentos e regiões da Cidade do Cabo.
Um aprendizado inestimável
Como fica evidente pela programação, o evento tem enorme importância para o processo político e organizativo que estamos vivendo no Brasil desde a chegada do PT ao poder e, particularmente, desde a fundação da CSP-Conlutas, o que nos dá a certeza de que iremos aprender muito (e contribuir da forma que for possível) em relação a um debate fundamental para os rumos das lutas mundo afora: a necessidade de buscar novas formas de organização, independente dos governos, dos patrões e, também, das velhas direções que, hoje, viraram as costas para os trabalhadores e abraçaram o projeto neoliberal.

Um aprendizado ainda mais importante na medida em que aponta para o único caminho para superar a atual situação: o internacionalismo. Por isso, no decorrer das atividades iremos tentar manter nossos companheiros e companheiras acompanhando estes debates através de artigos diários.
Wilson Silva é membro do Quilombo Raça e Classe e da Secretaria de Negras e Negros do PSTU e Rafael Ávila é do Metabase de Inconfidentes

Plenária de centrais sindicais prepara o dia 30 de agosto no Rio de Janeiro

No dia 24 de agosto, sábado passado, reuniram-se a CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, Fórum de Saúde-RJ, Fórum em Defesa da Escola Pública, Fórum de Lutas-RJ, ANDES-SN, ASFOC, ASINES, Base da ASIBAMA, SEPE-RJ, SINDSCOPE, Minoria da Direção do SINDPETRO-RJ, Minoria da direção do SINDSPREV-RJ, Oposição Bancária, Oposição de Correios, Oposição de Jornalistas, Oposição do SINDJUSTIÇARJ, Oposição Sintuferj Vermelho, ANEL-RJ, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e Movimento Favela Não Se Cala para preparar o 30 de agosto no Rio de Janeiro.

A pauta foi a seguinte:
1. Informes;
2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto e;
3. Encaminhamentos.


1. Informes

a) Houve uma reunião nacional das centrais em que a CSP-Conlutas não compareceu pois não recebeu comunicado dela. Esta reunião foi acertada entre as centrais que estão participando da negociação do PL 4330, em Brasília (A CSP-Conlutas, a CTB e a NCST não participam destas negociações pois defendem o arquivamento do projeto de Lei). A CUT ficou de convidar todas as centrais, já que a reunião aconteceria na sua sede, em São Paulo. Todas as centrais foram convidadas, menos a CSP-Conlutas.
O que houve de importante na reunião é que, aparentemente a NCST e a UGT quiseram sair fora da convocação do dia 30, alegando dificuldades para fazer a paralisação. Foi feita uma mediação na reunião, definindo o dia 30 como Dia Nacional de Mobilizações. E foi definido um centro na pauta de reivindicações: a rejeição do PL4330. Também como prioridade a redução da jornada e o fim do fator previdenciário.
Na quarta feira, 21 de agosto, na sede da CUT-RJ, houve uma reunião das centrais para organizar as atividades de preparação do dia 30 de agosto. Estiveram presentes a CUT, CTB, FS e CSP-Conlutas. Estas Centrais decidiram intensificar a mobilização e realiar as seguintes atividades: o café da manhã com os parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, no dia 26 de agosto, ás 9 h., no Sindicato dos Bancários; ato público contra os juros altos, em frente ao Banco Central, dia 27 de agosto, às 11 h.; Participar da reunião na sede da OAB-RJ, no dia 28 de agosto, ás 10 h., com o MTE e o MPT para tratar da interferência do Estado nas organizações sindicais e; mobilização total para o dia 30, definido em maioria a Central do Brasil como local do Ato Político, com concentração a partir das 15 h.

b) Houve informes das diversas representações sobre a organização das categorias e movimentos para as atividades do dia 30, em vários pontos da cidade. 

c) A Oposição do Sindjustiça informou que a direção do sindicato convocou o congresso da
categoria, começando no dia 30. Informou que, por este motivo, não participará do primeiro dia do congresso, que ocorre no município de Paulo de Frontin.


2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto

Diante dos informes e das posições políticas das centrais a Plenária Classista resolve:

a) Convocar um ato público no dia 30 de agosto, com passeata até a ALERJ, com concentração a partir das 17 h., na Candelária, contra a política econômica do Governo Dilma e pelo Fora Cabral;

b) Formar um Comando Político para dirigir o ato e a passeata com representantes das seguintes entidades: CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, ANDES, SINASEFE e Fórum de Luta-RJ;

c) As tarefas deste comando, além do já citado no ponto anterior, são: participar dos Atos da
semana de 26 a 29 e no dia 30, na Central, convocado pelas centrais sindicais, com uma fala
convocando todos os presentes nestes atos para participarem do ato da Plenária Classista, na Candelária; elaborar uma carta aos trabalhadores e ao povo explicando os motivos, os objetivos da manifestação e a necessidade da construção de uma greve geral e; garantir toda a infraestrutura do ato e passeata;


3. Encaminhamentos.

Diante das tarefas deliberadas no ponto anterior a Planária Classista resolve:

a) O Comando Político deve elaborar uma carta para ser apresentada ao Congresso do
SINDJUSTIÇA;

b) O Comando Político deve elaborar uma carta em apoio à luta de correios, bancários, petroleiros e demais categorias, entidades e movimentos em luta;

c) O Comando Político deve participar da reunião do Fórum de Luta do Rio de Janeiro para
convocar o ato da Plenária Classista;

d) O Comando Político deve convocar todas as entidades da base da CONDSEF para o ato;

e) O Comando Político deve realizar sua primeira reunião para dar início aos encaminhamentos acima deliberados na segunda feira, 26 de agosto, às 18 horas, na sede da CSP-Conlutas.

25 de julho: dia de luta e resistência da mulher negra

Foto: Diego Cruz
Em 1992, a República Dominicana sediou o Iº Encontro de Mulheres Negras, quando foi instituído o dia 25 de Julho como o "Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha". O objetivo da data era buscar refletir sobre o papel das mulheres negras nesses continentes, dando visibilidade às lutas e à resistência das descendentes da diáspora africana, marcadas pela cruel combinação de exploração capitalista, racismo, machismo e lesbofobia.
 
Neste contexto, não podemos deixar de lembrar da heróica resistência das mulheres negras haitianas, vitimadas todos os dias pelas mais diversas formas de violência. Por isso, fortalecemos a campanha e exigimos “Fora as Tropas do Haiti", brasileiras e da ONU!
 
No Brasil, as mulheres negras e jovens são a maioria das vítimas de violência doméstica, além de estar mais constantemente expostas à violência sexual e policial. Ao mesmo tempo, vivendo em um pais, onde um jovem negro tem 139% mais chances de ser assassinado que um branco, todos os dias, as mulheres, em especial as mulheres negras, sofrem com a perda de seus filhos, irmãos e companheiros, nas periferias e favelas todos os dias. 
 
A pobreza tem cor
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 16,2 milhões de brasileiros, 8,5% da população, estão em situação de extrema pobreza, vivendo com renda per capita de até R$ 70,00/mês. Desse total, 70,8% são afrodescendentes e 50% têm, no máximo, 19 anos de idade, na sua maioria mulheres (IBGE-2010). Negras são as que ganham os piores salários (chegam a receber 50% a a menos que homens brancos na mesma função) e encontram-se nos trabalhos mais precarizados e vulneráveis. Dos 7,2 milhões que exerciam trabalho doméstico, em 2009 (IPEA), 93% são mulheres. Dentro deste grupo, 61,6% negras.
 
As mulheres negras também estão nos serviços públicos, no setor de serviços e na educação pública, principalmente nos anos iniciais. E não é por acaso que os salários desta categoria são os mais baixos, como tambémo que tem menos tem direito. As mulheres e jovens negras também são a maioria nos estágios temporários, telemarketings e empresas terceirizadas, mas são as que menos estão presentes dentro das salas de aula das universidades públicas.
 
A presença das mulheres negras em postos de trabalho menos especializados, subempregos sem carteira assinada e nas terceirizações, expressa as desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira, abismo que se aprofunda ainda mais quando combinados com os efeitos do machismo e da exploração.
 
O PSTU diz que o Dia 25 de Julho é mais um dia de luta das mulheres negras trabalhadoras, e este dia deve ser mais uma data para as mulheres se organizarem. Neste dia 25, temos que nos organizar também para que no dia 30 de agosto, junto à classe trabalhadora, construamos junto um novo dia nacional de paralisações. 
 

11 de julho: um dia de luta também contra as opressões


Zona Sul de São Paulo
O dia 11 de julho de 2013 já entrou para a História com uma das maiores e mais importante mobilizações já vistas neste país. Marcado pela entrada da classe operária, com suas bandeiras e métodos de luta, nas mobilizações contra as políticas econômicas e demais descaminhos do governo do PT, o “11 de julho” também foi marcado pela unidade dos movimentos sociais, inclusive os que lutam contra o racismo, o machismo e a homofobia.
Do Norte ao Sul do país, os manifestantes exigiram o “Fora Feliciano”, repudiaram a violência contra as mulheres e o “estatuto do nascituro” (ou a “bolsa-estupro”, que é o seu verdadeiro significado) e protestaram contra a discriminação racial e genocídio da juventude negra levado a cabo pela forças de repressão do Estado.
No interior das colunas organizadas pela CSP-Conlutas, movimentos como o Quilombo Raça e Classe, Mulheres em Luta e o Setorial LGBT da entidade, levantaram estas bandeiras, com orgulho, lado a lado das bandeiras dos movimentos sindical, estudantil e popular, com a certeza de que a única forma de lutar consequentemente contra a opressão é em estreita unidade com os trabalhadores e a juventude, e no combate direto ao sistema que oprime para explorar ainda mais.
Mulheres trabalhadoras em luta
Um exemplo particularmente significativo da combinação da luta contra a opressão e a exploração foi dado na metalúrgica Chris Cintos, na Zona Sul de S. Paulo, onde oMovimento Mulheres em Luta (MML) saudou milhares de trabalhadoras que paralisaram a fábrica e se juntaram ao arrastão que tomou as ruas dos “corredores” de fábricas da região e seguiu até o Largo Treze, no centro do bairro.

A empresa, que se apresenta como a maior fabricante de cintos de segurança do país, conquistou este título às custas da extrema exploração de cerca de 1800 trabalhadores, a sua grande maioria mulheres (dentre delas, muitas negras). Uma exploração fortemente alimentada pelo machismo.
Enquanto se organizavam para a assembleia, as trabalhadoras davam exemplos e mais exemplos do que passam no interior da fábrica. Uma regra absurda faz com que, quando têm que levar seus filhos ao médico, as operárias sejam descontadas no dia da consulta e no domingo; o assédio sexual é constante e o assédio moral acompanha o absurdo ritmo de trabalho que é imposto por chefetes que atuam de forma ditatorial e patriarcal no interior da fábrica.  
Também foi contra tudo isto que as operárias aclamaram a proposta do sindicato de parar a fábrica logo após terem entrado para o turno da manhã. E também foi por sentirem, no dia a dia, a opressão machista que as trabalhadoras saudaram com grande entusiasmo a fala da professora Janaina Rodrigues, da oposição da Apeoesp, dirigente do MML e da Secretaria de Mulheres do PSTU, logo após a votação da adesão à greve.
“Hoje, os brasileiros estão fazendo História, promovendo um forte e combativo dia de paralisação nacional. E vocês, aqui e agora, estão construindo um lindo capítulo desta história. Especialmente vocês, mulheres, são motivo de orgulho para todos nós. Estão demonstrando que são guerreiras e dando um importante passo para quebrar as amarras do machismo e da exploração que as oprimem e impõem precárias condições de vida. Um passo ainda mais certeiro, porque dado ao lado de milhões de outros trabalhadores, num dia de enfrentamento não só contra os patrões da fábrica, mas também contra Dilma, Alckmin, Haddad e todos aqueles que mantém esta situação inaceitável ”, disse Janaína.
Nossa luta é todo dia! Contra o machismo, o racismo e a homofobia!
Enquanto o ato avançava pelas ruas e avenidas da Zona Sul, Janaína destacou a importância da paralisação da Chris Cintos: “Para nós, do MML, o que vimos hoje, aqui, justifica nossa própria razão de existir. Dentre todas as fábricas paralisadas na Zona Sul, esta é a que tinha o maior número de mulheres e o exemplo que elas deram tem uma importância histórica para o tipo de movimento que queremos construir. Por um lado, aqui estão concentrados, de forma gritante, todos os horrores que são enfrentados pelas mulheres da classe trabalhadora, todos os dias. Por outro, ao aderirem ao movimento, estas mulheres deram uma demonstração de sua garra e de que a luta contra o machismo é, também, uma luta contra o sistema que dele se beneficia”.

Assim como muitos outros que paralisaram as fábricas pela manhã, várias trabalhadoras se juntaram ao ato na Paulista, no meio da tarde. E, lá, também puderam ouvir a fala de Ana Luiza Figueiredo. Ana Luiza falou em nome do PSTU e também destacou a importância da luta contra a opressão e a exploração.
“Estamos aqui para lutar pelos nossos direitos e por melhores condições de vida mas, também, não podemos esquecer que exigimos o fim de toda e qualquer forma de opressão e da absurda exploração que é imposta a milhões daqueles que são historicamente marginalizados. Também estamos aqui para dizer em alto e bom som ‘Fora Feliciano’, ‘Não ao estatuto do nascituro’, ‘Chega de genocídio da juventude negra e pobre nas periferias’, lembrou a dirigente do PSTU.