Acidente nas barcas: Concessionária lucra com o descaso!

Por Patrícia Santiago
Na segunda-feira, 28, por volta do meio-dia, a barca que levava passageiros do Rio para Niterói bateu no píer deixando 55 trabalhadores feridos. De acordo com os passageiros que estavam presentes na hora do acidente, as pessoas entraram em pânico e ficaram sem qualquer tipo de orientação. Como se não bastasse, o atendimento demorou mais 40 minutos para chegar.

Quem atravessa a Baía de Guanabara todos os dias não se espantou. Os passageiros são submetidos a filas enormes, superlotação, poltronas quebradas, calor excessivo, além de ser nítida a falta assistência técnica. Indignada, Renata Corrêa, Diretora do Sindicato dos Profissionais de Educação de Niterói desabafa: “Quando entram na barca, os passageiros são tratados como se fossem uma boiada, isso precisa acabar!”.

Quem lucra com o descaso?
Por dia navegam cerca de 85 mil usuários, o que garante um faturamento de sete milhões e trezentos e setenta e oito mil reais por mês. Esses números revelam que a única justificativa para o descaso é a sede pelo lucro da concessionária Barcas S/A. Quanto menos investimento, mais dinheiro sobra.

NÃO ao aumento da passagem! Reestatização já!
O preço da passagem, hoje de R$ 2,80, é um absurdo em relação ao salário mínimo. O bolso do trabalhador é que mais sente. Para piorar a situação, as BARCAS S/A estão tentando aumentar a passagem para R$ 4,50!!! Esse aumento abusivo, que parece até uma piada, foi aprovado vergonhosamente na Câmara de Vereadores de Niterói!

Vivemos em um país onde toda semana, pelo menos 37 milhões de brasileiros ficam sem o dinheiro da passagem para voltar para casa. Isso acontece devido ao processo de privatização dos meios transportes através das concessões. Com a desculpa de melhorar o serviço, os contratos de concessões foram sendo firmados sem a consulta popular.

Hoje o que vemos na prática é que o serviço não melhorou e o preço só aumentou. Os concessionários ainda contam com o apoio e cumplicidade de diversos políticos que mantém relações obscuras com essas empresas. Nossa luta é pelo fim do regime das concessões! Queremos a reestatização das barcas, sob controle e a serviço da classe trabalhadora.

Contra o aumento da passagem!
Fora BARCAS S/A! Pela reestatização das Barcas!
Chega de Jorge Roberto!
Queremos Niterói para os trabalhadores!

Cyro Garcia lança livro no Rio e CCOB realiza homenagem companheira Teresa

   Os companheiros e companheiras do Centro Cultural Octávio Brandão (CCOB) prestam uma homenagem à companheira Teresa Bastos neste sábado, 19/11, a partir das 14h. Logo após a atividade, às 16h, o companheiro Cyro Garcia (presidente do PSTU-RJ) lançará seu mais recente livro "PT: de oposição à sustentação da ordem", da editora Achiamé (também disponível aqui).

   O CCOB está localizado próximo a estação do metrô de Maria da Graça, à Rua Miguel Ângelo, 120.

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O teleférico do Complexo do Alemão e as lições de uma barbárie contemporânea

Da Redação

    Ano passado, logo após a reeleição, o governo do estado do Rio de Janeiro implantava no Complexo do Alemão mais uma Unidade de Polícia Pacificadora, a chamada UPP. Com a desculpa de trazer a paz, combater o tráfico de drogas, libertar os moradores e garantir o tal “Estado Democrático de Direito”, Sérgio Cabral ampliava seu projeto de criminalização da pobreza. Esta política foi um dos pilares da sua campanha eleitoral e conta até hoje com o apoio de amplos setores da sociedade.  As Forças Armadas que ocupam estas comunidades seguem o treinamento realizado na vergonhosa intervenção militar que o Brasil faz no Haiti.

      No mês de novembro, esta ocupação completa um ano. A mídia e o governo apresentam um cenário maravilhoso sobre os benefícios da UPP. Porém, os relatos que ouvimos diariamente de nossos alunos, responsáveis e colegas, moradores do Complexo do Alemão, é bem diferente.

       Recentemente, fizemos um “passeio” numa das obras mais divulgadas nas propagandas do governo do estado: O TELEFÉRICO DO COMPLEXO DO ALEMÃO.  O que a princípio seria o famoso “matar a curiosidade” se transformou num revelador quadro da política facista da tríplice aliança Dilma/Cabral/Paes. Como somos profissionais de educação, resolvemos escrever este artigo para o “Opinião Socialista”, pois não poderíamos deixar de compartilhar nossas análises da barbárie contemporânea a qual estão sendo submetidos o conjunto de trabalhadores e a juventude destas comunidades.

       Ao entrar na estação Bonsucesso, enfrentamos o primeiro problema: o elevador não funcionava e tivemos que subir uma imensa escadaria para chegar até a bilheteria. Moradores tem direito a uma passagem de ida e volta diária, após cadastramento. Visitantes pagam R$1,00 para subir e, R$1,00 para descer.

       Após a compra do bilhete, uma escada rolante nos leva até o embarque. Fomos atendidos por jovens trabalhadores, cena que se repete em todas as estações. Simpaticamente nos ajudam a entrar no teleférico já que ele se movimenta bastante. Sua estrutura é extremamente frágil para um meio de transporte. Para detectar isso não é preciso grandes estudos. Os bancos são desconfortáveis e ficamos com a sensação que um carro de montanha russa de parque de diversões causava uma impressão de segurança maior. O teleférico tem capacidade para transportar 10 pessoas. Estávamos em um grupo de quatro, por isso, não compreendemos como seria possível tal lotação, nem como garantir o transporte de cadeirantes e de carrinhos de bebê, já que o espaço é pequeno.

      Passamos por todas as estações: Adeus, Baiana, Alemão, Fazendinha e Palmeiras. Durante este trajeto, percebemos que o teleférico não é simplesmente um meio de transporte. Ele é funcional ao mundo do capital, pois serve para controlar e vigiar toda a massa da classe trabalhadora pauperizada que ali vive. Do alto podíamos observar não só a geografia do Rio de Janeiro, mas toda a movimentação ocorrida na comunidade. Era possível ver, detalhadamente, as cenas cotidianas do interior das casas: pessoas lavando roupas, assistindo televisão, dormindo ou voltando do mercado. Parecíamos espectadores de um “Big Brother da vida real”.

      Reconhecemos algumas escolas e creches da região. Afinal, como profissionais de educação este era um dos principais focos do nosso “olhar”, já que diariamente convivemos com as péssimas condições de trabalho e o drama da falta de vagas para estudantes. O número de casas, e obviamente de moradores e alunos, era superior ao que imaginávamos. Muito maior do que comportaria a quantidade de unidades escolares que existem na rede pública. Mas a ausência de políticas governamentais para esta população não acontecia só nesta parte.

     Havia uma grande quantidade de lixo espalhado. Não identificamos postos de saúde ou hospitais. Era perceptível que várias casas estavam em situação de risco. Muitos moradores cobriam caixas d’água e tentavam resolver os problemas ocasionados pela chuva do dia anterior, possivelmente para evitar riscos de doenças. Contraditoriamente, os governos que anunciaram uma epidemia de dengue para o verão, culpam a população. Os mesmos que deram a saúde pública para as OS’s e desviam verbas da saúde e educação, estavam ausentes neste momento. A única presença do Estado visível estava na concentração de militares fortemente armados, prontos a reprimir a população.

       Chegando a última estação, descemos do teleférico e pudemos observar algumas paredes de construções que restaram das demolições, onde se lia a frase pintada em vermelho: “Esta propriedade pertence ao governo do Estado”. Havia também algumas barracas com a venda de comidas e bebidas. Os banheiros estavam fechados.

       Na volta, após o impacto inicial da ida, tivemos a certeza do significado do teleférico e do resultado da UPP naquelas comunidades.

       A ocupação militar não garantiu uma vida melhor aos moradores. Apesar de uma sala de Cinema, de citação e personagens em novelas, da propaganda da mídia, do aumento de ONG’s e do teleférico, os trabalhadores continuam sem emprego, saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e saneamento básico.  Violência, tráfico de drogas, pobreza e criminalização continuam latentes.

     Para disfarçar a ausência de política para estes problemas os governos concedem bolsa família, bolsa carioca e uma série de outras políticas compensatórias. Tais programas permitem que os trabalhadores dessas comunidades não vivam em pobreza absoluta, garantem a manutenção do “exército industrial de reserva” e, também controlam a organização e mobilização por melhores condições de vida e trabalho.

     As Unidades de Polícia Pacificadora, defendida por Dilma, Cabral e Paes, impõe uma nova política de segurança, criando a ilusão da humanização do capitalismo. Com esse discurso ajudam seus aliados, banqueiros e empresários, a continuar explorando a juventude e os trabalhadores. Desta forma, mantêm o lucro dos verdadeiros barões das drogas, que não vivem nestas comunidades e, escondem a principal questão: como o tráfico ocorre se não existem indústrias bélicas, nem plantação e laboratório para o refino de drogas?

   A criminalização da pobreza desloca o domínio do confronto direto, com os verdadeiros culpados, para a ocupação territorial nas áreas onde vivem populações trabalhadoras de baixa e baixíssima renda. Desta forma é possível o governo justificar a intervenção militar, controlar e garantir a manutenção da exploração da burguesia nacional e internacional.

   O teleférico nos fez perceber que os problemas dos trabalhadores não serão solucionados apenas com a luta pela educação. Uma mudança só será possível com o fim do capitalismo e a construção de uma nova sociedade, através da luta dos trabalhadores.


Nota: Após o envio deste artigo, o governo estadual implantava mais uma UPP na maior favela da América Latina: a Rocinha. O discurso é o mesmo de um ano atrás, assim como as prisões de traficantes. Coincidentemente, ocorre após denúncias do fracasso da política das UPP’s e, às vésperas do ano eleitoral.

Ocupação da Rocinha pela polícia não vai resolver o problema da segurança

Operação faz parte da política de militarização das favelas e criminalização da pobreza

Da redação



 
   Helicóptero sobrevoa favela no Rio

•    Com cerca de 3 mil homens, com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) à frente e a participação de veículos blindados da Marinha, a Secretaria de Segurança do Rio colocou em marcha, na madrugada de 12 para 13 de novembro, a cinematográfica operação “Choque da Paz”, que consistiu na tomada da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, na Zona Sul da cidade.

    A invasão, chamada de ‘pacificação’, contou ainda com um verdadeiro batalhão de jornalistas como retaguarda. Imagens veiculadas exaustivamente pelos telejornais reproduziam cenas que poderiam muito bem ter saído do Iraque, não fosse o cenário de barracos apinhados e ruelas estreitas da paisagem carioca.

    Em uma cena montada para as grandes redes de TV, policiais hasteavam a bandeira do Brasil e a do Rio na favela, como símbolo da chegada do “Estado de Direito” à região. Consta que os policiais tiveram que esperar o final da corrida de Fórmula 1 para que a rede Globo pudesse transmitir ao vivo o “evento”. ‘A Rocinha é nossa’, estampou o jornal O Globo no dia seguinte à ocupação.

Militarização e criminalização da pobreza
    A ocupação da Rocinha foi alardeada pelo conjunto da imprensa como um marco na gestão do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, e do governo de Sérgio Cabral. Fecha-se um cinturão de favelas ocupadas ao redor de áreas nobres da cidade e abre-se caminho para a 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), já anunciada com 1.500 homens. A meta do governo Cabral é a criação de 40 UPP’s ao todo na cidade, com vistas à Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas de 2016, criando uma espécie de “zona verde” para seus amigos empresários desfrutarem das belezas do Rio.

    O governo e a imprensa divulgam a ocupação militar na maior favela do país como uma ‘libertação’ dos cerca de 100 mil moradores da região. Com a tomada do controle do tráfico, agora os serviços públicos básicos poderiam chegar ao local. O prefeito Eduardo Paes já anunciou o aumento de 100 garis. “O grande desafio no primeiro momento é o lixo”, declarou à imprensa.

    Paes e Cabral ignoram o histórico de abusos e violência que marcaram outras ocupações, como a do Complexo do Alemão em 2010, na qual os policiais deixaram um rastro de agressões e roubos. O furto aos domicílios foram tão freqüentes que começaram a ser chamados de ‘garimpo’ pelos próprios policiais, que se referiam às comunidades como ‘Serra Pelada’. As inúmeras denúncias realizadas pelos moradores, inclusive de um trabalhador que teve o seu Fundo de Garantia roubado, foram ignoradas.

    Para não ocorrer novamente os mesmos escândalos, o governo Cabral adotou uma estratégia inusitada: os policiais foram proibidos de usar mochilas durante as operações na Rocinha. Isso mesmo, a solução para evitar que o “garimpo” se repetisse na Rocinha foi impedir... as mochilas.

Leva na mala
    Na versão oficial, alardeada pela imprensa e o governo, a polícia e as Forças Armadas empreendem uma guerra contra o tráfico pelo controle das áreas das favelas. A realidade, por outro lado, não é tão maniqueísta. Recentemente, a prisão do homem apontado como o chefe do tráfico na Rocinha, o Nem, mostrou a relação entre o crime e a corporação. O traficante estava escondido no porta-malas de um carro escoltado por policiais, que até agora não conseguiram explicar o que faziam por lá.

    O próprio Nem declarou em entrevista aquilo que todo mundo já sabe: metade de seu rendimento ia para subornar policiais. Suborno que necessitaria de centenas de mochilas para carregar. Como se impedir isso? Proibindo também o tráfego de veículos nas favelas?



Milícias
    Quando não existe uma relação de cooperação pura e simples entre tráfico e polícia, existe uma relação de competição pelo controle da área e de serviços clandestinos como TV a cabo pirata e venda de gás. É aí que entram as milícias, associações de policiais que tomam determinada área para explorar seus moradores. A atuação das milícias nas áreas ocupadas do Rio é mais um elemento que mostra que a presença policial nas favelas não significa maior segurança ou qualquer tipo de vantagem à população.

    Os traficantes podem não controlar hoje as áreas das três favelas ocupadas. Mas o consumo de drogas, principalmente das áreas nobres da Zona Sul do Rio, não vai acabar. Quem vai fornecer isso? Ninguém garante, por exemplo, que a própria polícia, através das atuais ou de novas milícias, não fique tentada a gerenciar um mercado tão lucrativo.

    A tese de que os policiais envolvidos nas operações são novos e, assim, ainda não ‘contaminados’ pela corrupção que corrói a corporação tampouco é factível. A própria estrutura da polícia é viciada, com o alto escalão comprometido e articulado com a Justiça e políticos de expressão. Influência que torna as milícias, inclusive, ainda mais perigosa que o tráfico, com alto poder de pressão e retaliação. O assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto último em Niterói, inclusive com o envolvimento de um comandante, mostrou a força desses bandidos fardados, que também ameaçam a vida do deputado Marcelo Freixo (PSOL).

    Longe de ser uma medida contra o crime e em favor das populações pobres, a política de ocupação militar das comunidades do Rio faz parte de uma estratégia de militarização das favelas e de criminalização da pobreza, com o único objetivo de controlar aquelas áreas para garantir a tranqüilidade para a Copa e os Jogos Olímpicos. A população carente continuará no fogo cruzado entre traficantes e a polícia, enquanto lhes são negados serviços básicos como saúde, educação, saneamento e a mais básica infra-estrutura urbana.

    E o governo Cabral, por sua vez, poderá prosseguir em sua política fascista de remoções e expulsão dos pobres das áreas visadas para os jogos.

Descriminalização das drogas e fim da polícia
    O combate às drogas é apenas um pretexto para ocupar e reprimir as comunidades negras e pobres. Enquanto a polícia prende e exibe à imprensa os peixes pequenos, os grandes beneficiados pelo tráfico de drogas e armas estão bem longe das favelas. Políticos, juízes, a alta hierarquia da polícia gozam de absoluta imunidade enquanto a população se vê à mercê da violência dos bandidos e dos desmandos e abusos policiais.

    Enquanto a produção e consumo de drogas forem proibidos, vai continuar havendo tráfico, violência e um pretexto para se atacar a população marginalizada. A única forma de se golpear o tráfico é através da descriminalização das drogas e seu controle através do Estado. Só assim se poderá tirar o monopólio que existe hoje, informalmente, dos grandes traficantes.

    Da mesma forma, enquanto houver essa polícia que existe hoje, vai continuar existindo violência contra a população pobre e negra. A função destaa polícia é a manutenção do status quo, da ordem atual, o que passa pela defesa dos interesses de quem está no poder. Por isso o PSTU defende a extinção da polícia e a criação de uma força de segurança popular, democrática, controlada pela população e que realmente defenda seus interesses e a sua segurança.

Cabral e Garotinho se unem por royalties

Américo Gomes, do Ilaese

• De forma novamente grotesca, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), busca criar uma demonstração artificial de regionalismo para convencer o Governo Federal a dar mais dinheiro dos royalties para o estado do Rio.

Nesta luta pelo dinheiro público, Cabral conta com o apoio de seu arqui-inimigo, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), seu arquialiado Eduardo Paes (PMDB), e mais um sem número de prefeitos do estado e membros da bancada do Rio no Congresso, incluindo o senador Lindberg Farias (PT).

Garotinho tem base eleitoral em Campos, que seria o município mais afetado pela nova distribuição e que é administrado por sua esposa, Rosinha. Juntos, pretendem realizar na quinta-feira, 10 de novembro, uma manifestação de 100 mil pessoas no centro do Rio.

Bancada pelo dinheiro público e o aparato do estado, com direito a ponto facultativo aos servidores do estado e prefeitura e requisição de trabalhadores das obras do PAC. Com ônibus, trem e metrô de graça para levar todo mundo. Estão previstas caravanas vindas do interior, obviamente, também com passagens de graça e “ajuda de custo” para o lanche. A manifestação está até sendo convocada por faixas e por propaganda na TV, contra a "injustiça" com o Rio de Janeiro.

Além disso, o estado do Rio prepara recurso ao Supremo Tribunal Federal para questionar o novo marco regulatório tão logo ele seja aprovado pela Câmara e sancionado pela presidente. O cenário é realmente insólito. Pois do outro lado, defendendo o novo marco regulatório, está todo o governo da Frente Popular, o PT, Lula, a presidente Dilma, Haroldo Lima, o PCdoB, e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e o Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).

Um ativista desavisado poderia ficar em dúvida sobre de que lado estar, e tentando descobrir quem defende realmente os interesses dos trabalhadores e da população mais carente. Mas tudo não passa de uma grande farsa.

Entregaram a fartura na mesa do imperialismo
O novo marco regulatório mantém a entrega de nosso petróleo às multinacionais, agora em regime de partilha. Não existe praticamente mudança entre este regime e o de concessão. Mas, independente disso, 29% do Pré-Sal já foi leiloado, a sua área mais rica, que contém o complexo Pão de Açúcar com os blocos de Azulão, Bem-Ti-Vi, Carioca e Caramba.

Nota de solidariedade ao deputado estadual Marcelo Freixo

Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ

   É com muita indignação que o PSTU acompanha a viagem forçada à Europa do deputado Marcelo Freixo. Após receber sucessivas ameaças de morte e não poder contar com o poder público para garantir sua proteção e de sua família, o deputado viu-se obrigado a aceitar o convite da Anistia Internacional e refugiar-se longe daqui para acumular forças e reorganizar seu esquema de segurança. Apenas em outubro foram descobertos sete planos das milícias para colocar fim a vida de Marcelo.

   Em 2008 o deputado presidiu na Assembleia Legislativa a “CPI das Milícias”, na qual indiciou mais de 200 pessoas, entre elas policiais, políticos e bandidos de todo tipo. Mesmo após a comprovação da veracidade das ameaças, a Secretaria de Segurança nada fez para reforçar a segurança do parlamentar, apesar dos apelos reiterados de Freixo. Para agravar ainda mais a situação, os milicianos que fizeram as ameaças fugiram da prisão e estão livres para executar seu plano maligno.

   A rede de influências e a trama na qual está inserido o deputado é de extrema complexidade. Não se trata simplesmente de uma luta do poder público, ou do “Estado democrático de direito”, contra grupos armados independentes, que aterrorizam a nossa cidade. Se assim fosse, a solução seria mais fácil. O problema é que as milícias estão por fora, mas, sobretudo, por dentro do aparato de Estado. Elas são impulsionadas pelos baixíssimos salários dos policiais e incentivadas por políticos ligados a setores marginais da burguesia carioca. 

   Não se trata de um problema isolado ou de ordem pessoal do deputado. O Rio de Janeiro vem passando por uma reforma de higienização e de criminalização da pobreza. As remoções de comunidades carentes como a da Favela do Metrô, estão a serviço de um plano de obras para favorecer grandes empreiteiras como a Delta e Odebrech.

   Atrás de toda a festa entorno da Copa do Mundo e das Olimpíadas existe uma política de repressão contra os pobres e um farto banquete para os ricos. Enquanto os bombeiros, profissionais da educação e o pessoal da saúde recebem um salário indigno e humilhante, o senhor governador Sérgio Cabral viaja de helicóptero para se confraternizar com seu amigo Eike Batista. 

   O que está em jogo é mais do que a vida individual do valente deputado. O que está em jogo é o futuro da esquerda, dos lutadores sociais, de cada militante que não se intimida e nem abaixa a sua bandeira.

   A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma alternativa frente à política opressora, exploradora e racista de Cabral e Paes. O PSTU chama a construção de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista para as eleições municipais de 2012. Aqueles que lutam juntos nas ruas, também devem se unir nessas eleições. Essa frente deve ser encabeçada pelo deputado do PSOL Marcelo Freixo, e composta também pelo PSTU e PCB, respeitando seus respectivos lastros sociais.

   Em nada fortalece a esquerda e o combate aos ricos e poderosos a aliança com partidos inimigos como o PV de Gabeira, Zequinha Sarney, Sirkis e companhia. No entanto, foi essa a decisão do Congresso Estadual do PSOL, que infelizmente foi levada adiante por Marcelo Freixo em suas conversas com Gabeira.

   Para quem não se lembra, o PV esteve na gestão César Maia (DEM), que promoveu a mesma política de higienização social e perseguição aos trabalhadores camelôs.

   A militância do PSOL pode contar com o PSTU para seguir na luta pela Frente de Esquerda sem PV e sem patrões.