PSTU participa do ato unificado na final da Copa das Confederações

O PSTU esteve, na manhã deste domingo, dia da final da Copa das Confederações, no grande ato unificado que reuniu cerca de 5 mil pessoas nas ruas da Tijuca e entornos do Maracanã. A população foi às ruas para lutar por uma série de revindicações. Os manifestantes protestavam contra a privatização do Maracanã, por uma Petrobrás 100% estatal e por mais verbas para a saúde e educação. Além disso, o movimento gritava palavras de ordem contra a criminalização dos movimentos sociais e pela desmilitarização da PM e contra as ações policiais na Maré, que deixaram mais de 13 pessoas mortas no decorrer da semana. 


Muitos cartazes e bandeiras vermelhas marcaram a presença de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos. O ato começou com a concentração na Praça Saens Peña, passou pelo entorno do Maracanã até chegar na Praça Afonso Pena, na Tijuca. Grande parte das organizações presentes participarão da paralisação marcada para o próximo dia 11, afirmando que a luta ainda não terminou.

Julio Anselmo, da Juventude do PSTU, no Ato unificado na final da Copa das Confederações:

http://youtu.be/wtJw4BZhC28

Ato unificado na final da Copa das Confederações:


http://youtu.be/9klBWaT9aDo

Em entrevista coletiva, Cyro Garcia denuncia ataques sofridos pelo PSTU-RJ por grupos de extrema direita

Cyro Garcia esteve acompanhado do jovem Julio Anselmo e
Aderson Bussinger, da Comissão de Direitos
 Humanos da OAB-RJ
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Na manhã de ontem (28), no Centro do Rio, o PSTU-RJ convocou uma coletiva de imprensa, com a intenção de expôr para todos e todas a nossa versão do ocorrido durante a manifestação realizada no dia 20/06 em que 15 companheiros/as do nosso partido foram hospitalizados devido a agressões físicas.

   Para Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ, associou o ataque a uma ação organizada por grupos de ultra-direita que já vinham sistematicamente ameaçando e tentando agredir ativistas de organizações sindicais combativas e integrantes de partidos esquerda.

   Em outras cidades do país militantes do nosso partido foram agredidos na mesma semana, como em São Paulo e Maringá. Os agressores possuíam características físicas semelhantes, além do modo de operar. Cyro foi além: "Não há nada de espontâneo. Foi algo orquestrado! Esses grupos se apóiam, por um lado, num sentimento de rechaço aos partidos tradicionais, devido aos seguidos estelionatos eleitorais, e no sentimento anti-partido insuflado pela grande imprensa", afirmou.

   Para Julio Anselmo, da juventude do nosso partido, o ataque não foi apenas dirigido ao PSTU: "esses integrantes de grupos de extrema-direita ordenavam que fossem abaixadas bandeiras de centros acadêmicos. É um ataque ao movimento social organizado e a democracia!", disse.

   O PSTU continuará em campanha, juntamente com outras entidades e partidos políticos, para denunciar toda forma de agressão e atentado a democracia.

Manifestação pacífica no Centro do Rio é marcada por bandeiras vermelhas

Passeata nas ruas do Centro
reúnem cerca de 10 mil ativistas
Por E. Dau, do Rio

PSTU esteve presente à manifestação portando faixas e bandeiras

   Uma nova manifestação tomou as ruas do Centro do Rio de Janeiro na tarde desta quinta-feira. Com cerca de 10 mil pessoas presentes, a passeata percorreu a Av. Rio Branco, desde a Candelária até a Cinelândia. No fim da manifestação, os militantes do PSTU fizeram um grande ato nas escadarias da Câmara de Vereadores, exigindo, entre outras coisas, que a redução de R$ 0,20 nas passagens de ônibus seja deduzida dos lucros dos empresários, e não dos investimentos em áreas sociais. Os ativistas reivindicavam também a estatização dos meios de transporte coletivo.
 
Manifestantes realizam ato
nas escadarias da Câmara dos Vereadores
   Um dia depois de uma plenária histórica em frente ao prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, que reuniu mais de 4 mil pessoas, muitos manifestantes  voltaram ao Largo de São Francisco, onde fica o Instituto, para a concentração. De lá, marcharam em direção à Candelária, onde se encontraram com o ato, que ficou marcado pela presença massiva de bandeiras vermelhas de organizações de esquerda. Além do PSTU, estiveram presentes o PCB e o PSOL. Diversas organizações como CSP-Conlutas e ANEL também participaram. Dezenas de ativistas do Corpo de Bombeiros também participaram da manifestação, lutando pela PEC 300 e pela reincorporação dos afastados pelo governo Cabral, como o Cabo Daciolo.

Plenária unificada contra o aumento
das passagens, no IFCS
   Os pedestres que passavam pelas ruas do centro manifestaram amplo apoio às pautas do movimento e à passeata. Na altura da Av. Nilo Peçanha, atendendo aos chamados vindos do carro de som e dos manifestantes, trabalhadores dos escritórios também manifestaram seu apoio à passeata piscando as luzes de suas salas. Houve ainda, por várias vezes, chuvas de papéis picados atirados das janelas, arrancando aplausos dos manifestantes. 

   Uma semana depois do ato que ficou marcado pelas agressões às organizações de esquerda, o clima da passeata era de tranquilidade e respeito às diversas organizações. "Nossas bandeiras vermelhas, depois de muita luta, foram respeitadas. Agora, os próximos passos devem ser a ampliação das mobilizações junto aos trabalhadores, o aprofundamento das reivindicações e a auto-organização de forma democrática e eficiente. A juventude continuará cumprindo esse papel", afirmou Julio Anselmo, da juventude do PSTU. 


ANEL e CSP-Conlutas também
participaram da manifestação
Coletiva de Imprensa
 
   Na manhã de hoje (28) , o PSTU realizou uma coletiva de imprensa para prestar esclarecimentos sobre as agressões sofridas na quinta-feira da semana passada (20), com a presença do presidente estadual do nosso partido, o companheiro Cyro Garcia.

   O partido encaminhará uma queixa-crime à polícia, exigindo a responsabilização criminal dos elementos nazifascistas e policiais infiltrados na manifestação, que agrediram covardemente a militantes de esquerda. Na coletiva, documentos e imagens que identificam os agressores foram divulgados. Maiores detalhes em breve.

Atualizada às 15:20h.

Sobre as bandeiras do PSTU nas manifestações e os anarquistas

Por Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU

   Um tema em particular tem tido certa relevância nos últimos dias: os vários ataques feitos por grupos organizados contra bandeiras de partidos ou organizações sindicais presentes nas manifestações que sacodem o país de norte a sul. No enfrentamento desta discussão, temos tratado de separar dois fenômenos que se misturam aí, mas são diferentes. Primeiro, o sentimento geral da massa contra os partidos e políticos. Perfeitamente compreensível, pois o que a massa conhece dos partidos e políticos é essa bandalheira, corrupção e estelionato eleitoral que vemos todos os dias. Confiamos em nossa idéias e na nossa classe, sabemos que, com o tempo, os trabalhadores aprenderão a diferenciar um partido e os políticos que estão na sua luta dos que praticam a bandalheira institucionalizada da política tradicional brasileira.

   Outro fenômeno são os ataques organizados a todos que portavam bandeiras de alguma organização da classe trabalhadora (partidos ou sindicatos) nos atos. Tratam-se, em sua maioria, de grupos fascistas, neonazistas (carecas, integralistas, etc), ou grupos de gente despolitizada, contratados e instrumentalizados pela direita tradicional (DEM, PMDB, PSDB) para atacar as organizações dos trabalhadores. Querem conscientemente impedir que os trabalhadores tenham relevância como classe nas mobilizações. Estes precisam ser combatidos como se combate o fascismo.

   Escrevo esta nota porque, em declarações minhas, e em material do PSTU, os grupos anarquistas foram citados como parte destes setores que atacaram nossas bandeiras e nossos militantes de forma organizada nos atos. Tenho tido o cuidado, nas declarações à imprensa e artigos que escrevo, de nunca generalizar, pois há grupos que se reivindicam anarquistas mas que tem atuação diferente em relação a esta questão. Infelizmente, não temos controle sobre o que a imprensa publica. E, de qualquer forma, houve publicações do partido que trataram esta questão em forma generalizante.

   Quero dizer sobre isso, em primeiro lugar, que houve sim ataques de grupos anarquistas aos nossos militantes e às nossas bandeiras. Isso aconteceu comigo pessoalmente na manifestação do dia 17 de junho em São Paulo. Vários militantes identificados como anarquistas foram às vias de fato comigo e chegaram ao enfrentamento físico com a nossa militância, exigindo que baixássemos as bandeiras. Mas eu sei perfeitamente que não são todas as organizações anarquistas que atuam desta, ou que tem esta postura de intolerância em relação à outras organizações da classe trabalhadora.

   Em São Paulo mesmo, onde ocorreu este episódio há grupos que atuam diferente e que respeitam as bandeiras das demais organizações. No Rio de Janeiro há organizações que conhecemos e sabemos que tem outra postura, falo da FARJ (Federação Anarquista do Rio de Janeiro) e a UNIPA (União Popular Anarquista). Cito estas não porque sejam as únicas nessa condição ou porque tenhamos alguma proximidade política. Não temos. Cito porque conhecemos vários de seus militantes e dirigentes em nossa atuação cotidiana. São companheiros que respeitamos e que nos respeitam politicamente.

   Torno pública esta nota por uma razão. Se em alguma declaração do partido deixamos entender que acusávamos a todas as organizações anarquistas pelos ataques às nossas bandeiras, foi um erro. E erro quando se faz, se corrige. Pede-se desculpas pelo dano causado. É o que estamos fazendo aqui.

Saudações socialistas e revolucionárias,

Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU

Entidades sindicais e do movimento social convocam dia nacional de luta para quinta-feira

Neste dia 27, organizar em todo país greves, paralisações e manifestações de rua

CSP-Conlutas e Espaço Unidade de Ação
Vivemos um momento muito importante em nosso país. A juventude brasileira deu o exemplo e foi às ruas protestar contra o preço e a qualidade do transporte coletivo nas grandes cidades. Desencadeou com isso um amplo processo de mobilização popular que sacudiu o Brasil nos últimos dias, em protesto contra todas as mazelas que tem afligido a vida dos trabalhadores, trabalhadoras e da juventude.

Todo este processo de mobilização já conquistou vitórias importantes, como a redução do preço das tarifas em várias cidades, incluindo as maiores do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, a luta deve continuar, precisamos transformar esta vitória na primeira de uma série de muitas outras. Só desta forma poderemos transformar para melhor o nosso país e a vida dos trabalhadores brasileiros.

Para isso é muito importante, além da participação nas mobilizações que estão acontecendo, que a classe trabalhadora entre de forma organizada nesta luta, trazendo suas reivindicações e cobrando dos governos o seu atendimento. Precisamos cobrar do governo Dilma que, ao invés de ficar fazendo propaganda na TV, atenda as demandas dos trabalhadores. E a mesma cobrança devemos fazer aos governos estaduais e municipais, sejam eles do PT, do PSDB ou do PMDB.

São estes governos, do federal aos municipais, os responsáveis pela situação em que se encontra o país e vida do nosso povo. Eles tem muita agilidade e disposição política quando é para atender aos interesses das empreiteiras, dos bancos, das indústrias e do Agronegócio. Mas quando se trata de atender às nossas demandas parecem uma lesma paralítica!

Por esta razão a CSP-Conlutas, e as entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, decidiram convocar seus sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis, a organizarem uma dia de lutas em todos o país, no dia 27 de junho. A orientação é fazer greves, paralisações e manifestações de rua, aquilo que for mais adequado à situação concreta de cada categoria, cidade ou região. O que é fundamental é que, por todo o país hajam manifestações dos trabalhadores cobrando o atendimento de suas reivindicações.

Acreditamos que esta iniciativa da CSP-Conlutas e do Espaço de Unidade de Ação deve ser só uma primeira iniciativa, assim como fez também o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que paralisou fábricas dias atrás para exigir melhoria e redução do preço do transporte coletivo. A necessidade do momento é generalizar iniciativas para por nossa classe em luta, organizar uma greve geral que possa obrigar o governo Dilma, os governos dos estados e dos municípios a atender as demandas dos trabalhadores e da juventude.

Para isso é preciso que as centrais sindicais majoritárias no país se disponham a lutar contra o governo, pois são eles os responsáveis por toda esta situação e é destes governos que precisamos cobrar as mudanças e o atendimento das nossas reivindicações. Só dessa forma seria possível unir nossas forças para colocarmos a classe trabalhadora na direção de todos este processo de lutas e fazer dele uma força que mude para melhor o Brasil. É com essa compreensão que a CSP-Conlutas e as entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, ao mesmo tempo que convocam o Dia Nacional de Lutas para 27 de junho, mantem a discussão com as demais centrais sindicais, propondo a convocação conjunta de uma jornada de lutas muito mais ampla, em base a uma pauta que possa ser comum.

Nossas reivindicações:

- Menos recursos para a Copa e para as grandes obras / mais recursos para a saúde educação / plano de obras para construir moradias populares, hospitais e escolas /
- Redução do preço da tarifa de transporte e melhoria da qualidade / implantação da tarifa social ou tarifa zero / estatização dos transportes coletivos;
- Congelamento dos preços dos alimentos e das tarifas públicas;
- Aumento dos salários para compensar a inflação;
- Reforma agrária;
- Menos dinheiro para os bancos e mais recursos para políticas sociais como os 10% do PIB para a educação pública, já e pagamento do piso nacional dos educadores / Suspender o superávit primário e o pagamento da dívida externa e interna para bancos e especuladores;
- Redução da jornada de trabalho;
- Fim do fator previdenciário / Recomposição do valor das aposentadorias / Anulação da reforma da previdência de 2003;
- Defesa do patrimônio público / Contra as privatizações e os leilões do petróleo / Contra o PL 092 que privatiza o serviço público / Revogação da EBSERH que privatiza os hospitais;
- Contra a precarização do trabalho e o PL 4330, das terceirizações;
- Contra a corrupção / contra a PEC 37;
- Contra a repressão, a violência policial e a criminalização das lutas e organizações dos trabalhadores.

Trata-se aqui de uma plataforma base, que pode ser acrescida de demandas que estejam faltando, ou mesmo ser utilizada de forma parcial, de modo a focar nas questões concretas de cada categoria ou setor social.

Organização das lutas
Por outro lado, é preciso organizar a luta em cada estado e região. É muito importante que as entidades busquem construir, a exemplo do que vem sendo feito do Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, uma coordenação (coordenação, comitê, assembleia, a forma não importa, importa o conteúdo) para as lutas que estão em curso, envolvendo todas as entidades e organizações que queiram lutar. A disposição de luta é fundamental, mas sem organização não iremos longe.

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Nota do PSTU-RJ: Governos e grande mídia incitam neonazistas e infiltrados da polícia a agredirem organizações sindicais e partidos de esquerda

GOVERNOS E GRANDE MÍDIA INCITAM NEONAZISTAS E INFILTRADOS DA POLÍCIA
A AGREDIREM ORGANIZAÇÕES SINDICAIS E PARTIDOS DE ESQUERDA

Ontem, dia 20/6, a cidade do Rio de Janeiro realizou o maior ato do país. Segundo estimativas 1 milhão de pessoas podem ter tomado as ruas do centro da capital fluminense para comemorar a histórica vitória da revogação dos aumentos de passagens no Rio, em São Paulo e em dezenas de outras cidades pelo país e para mostrar que os setores mobilizados reivindicam mais do que os R$0,20 de diminuição e que continuaremos nas ruas.
Contudo, a disputa pelo direcionamento dos rumos deste imenso movimento tem colocado a burguesia e os movimentos sociais e partidos de esquerda em lados bem opostos. Por isso, a burguesia, os governos e os grandes meios de comunicação fizeram um giro e passaram a defender e até convocar os atos. Mas seu objetivo com isso é insuflar setores reacionários, que antes eram contrários às manifestações, para dividir e descreditar a luta justa da classe trabalhadora e de juventude!
O brado incessante contra a presença dos partidos políticos, notadamente o PSTU, feito pela grande mídia, pelos governos e por figuras conhecidas do quem tem de mais reacionário na política brasileira como o deputado Jair Bolsonaro chamando a que se impedisse os partidos políticos e entidades sindicais “de forma oportunista roubassem a direção das manifestações” tinha um objetivo, impedir a afirmação de uma alternativa de luta, organizada e de esquerda neste processo.
Um dia depois de uma agressão generalizada de bandos neonazistas aos militantes dos partidos e sindicatos que provocou ferimentos em inúmeros militantes dos movimentos sociais, a grande imprensa, como pudemos ver, por exemplo, no Jornal O Globo e no canal Globo News hoje pela manhã, procura nos criminalizar ao mostrar o cordão de isolamento que fizemos, juntamente com integrantes de outras organizações como PCB, PSOL, PCR, estudantes independentes e até membros do PT, PCdoB e PSB para proteger a coluna dos movimentos sociais.
Não escondemos, pelo contrário, reconhecemos, e até consideramos, de certa forma, progressivo, este rechaço massivo aos partidos políticos e as instituições do Estado. Afinal a burguesia desde sempre, e o PT de Lula e Dilma ao se alçar ao governo federal, governam contra o povo trabalhador atacando seus direitos básicos como transporte, saúde, educação, moradia e salários.
Mas infelizmente, como sempre, eles buscam falsear as coisas da forma que lhes convém mostrando somente o cordão formado para defender os militantes sociais e não o bando de agressores, composto por diversos homens, de porte físico de academia, provavelmente adeptos de lutas, encapuzados que nos hostilizaram por todo o ato. Na prática seu brado contra os partidos serve para incentivar estas agressões e contra isto nos defendemos e nos defenderemos sempre, não aceitando a criminalização feita pela grande mídia e pelos governos.
Na realidade afirmamos é que este sentimento está sendo aproveitado criminosamente pela pelo aparato policial, por setores neonazistas e bando de marginais para atacar os comunistas, socialistas, ativistas estudantis, sindicalistas e demais setores de esquerda.
O PSTU afirma publicamente que nenhuma agressão partiu dos militantes da esquerda, mas sim veio dos provocadores. Agressão esta que por toda uma agitação feita nas redes sociais e na grande mídia anteriormente ao ato de ontem e que já vem de algum tempo, como por exemplo, no caso das ameaças feitas pelo bando denominado Combat 18, que recentemente já havia ameaçado as sedes do PSTU e do PCB e agredido um nordestino em Niterói.
Afirmamos também que sempre buscamos a unidade daqueles que lutam, estando presentes nas plenárias e fóruns de preparação dos atos, que sempre respeitamos todos os setores honestos e combativos, presentes na manifestação, e que não recuaremos perante nenhuma agressão fascista, policial ou de marginais infiltrados.

Não lutamos apenas por 0,20 centavos;
Pela continuidade das mobilizações. É possível conquistar mais vitórias;
Pelo ataque ao lucro dos empresários dos transportes. Contra a isenção fiscal;
Pela estatização sem indenização dos meios de transporte coletivos;
Pela implementação da tarifa zero;
Menos dinheiro para Copa e Olimpíadas e mais dinheiro para saúde, educação e transporte;
Reajuste geral de salários;
Contra a criminalização e repressão aos movimentos sociais;
Pela desmilitarização da Polícia Militar;
Por uma polícia civil unificada controlada pelos trabalhadores;
Em defesa das liberdades democráticas e da livre manifestação das organização sindicais, estudantis e partidos políticos;
Frente única das organizações dos trabalhadores e dos movimentos sociais organizados contra os grupos neonazistas;
Pela mobilização permanente da classe trabalhadora para conquistas nossas reivindicações;
Nem PT, nem a direita! Por um governo dos trabalhadores! 


Direção Municipal PSTU-RJ.

20/06 - Ato, deste dia .reúne mais de 300 mil pessoas, apesar da redução das tarifas por Paes e Cabral, mostrando que os setores mobilizados reivindicam mais do que os R$0,20 de diminuição.

Porém, de tanto insuflar a massa, a burguesia e os grandes meios de comunicação conseguiram seu intento: dividiram a manifestação e vão terminar por descreditar a luta justa da classe trabalhadora e juventude!

Por volta das 15:30, os militantes dos movimentos sociais, entidades estudantis e partidos de esquerda se reuniram no Largo de São Francisco, para formar uma coluna unificada e participar do ato de forma pacífica, com suas bandeiras e faixas, mostrando que os verdadeiros inimigos são os governos Cabral, Paes e Dilma.

Seguiram pela rua Uruguaiana e, ao virar na Av. Presidente Vargas, diversas pessoas dos assim chamados "sem-partido" começaram a vaiar e a hostilizar a coluna, mais ainda sem nenhum confronto.

Pouco depois, cerca de 500 metros dali, a questão tornou-se bem mais séria. Na retaguarda da coluna, formou-se um grande grupo de provocadores, formado principalmente por homens, a maioria mascarados e sem cartazes. A partir desse momento, a apreensão e o temor de agressão por parte de provocadores se instalou na coluna.

As provocações foram aumentando, apesar do esforço de diversos ativistas, que tentavam acalmar os ânimos e impedir os provocadores de iniciar alguma agressão. Quando a coluna aproximou-se da Central do Brasil, aqueles que tentavam apaziguar não aguentaram a pressão dos provocadores e terminaram por retirar-se, o que piorou a situação e levou a alguns conflitos físicos.

Na altura da Praça XI, o conflito se generalizou, quando o grupo de provocadores conseguiu romper o bloqueio que foi feito na retaguarda da coluna. A partir desse momento, houveram diversas brigas, com vários militantes agredidos e diversos feridos, alguns com gravidade. Fomos barbaramente agredidos, levando mais de 15 pessoas a hospitais próximos. Houve lançamento de bombas, pedras e os mastros das bandeiras que foram roubadas pelo grupo de agressores.

Nesse momento, percebendo que poderia haver um conflito maior, a esquerda como um todo cerrou fileiras. Militantes do PSTU, PCB, PSOL, PCR e até mesmo do PT e PC do B uniram-se em defesa dos movimentos sociais, entidades estudantis e sindicais e das pessoas que vieram ao ato portando suas bandeiras vermelhas e faixas de protesto.

Após um novo confronto generalizado, o ato dispersou-se completamente ao chegar na Prefeitura, dado o clima de tensão e medo que tomou conta das pessoas. Afortunadamente, neste momento, mesmo havendo correria, a coisa se acalmou um pouco, pois os provocadores dirigiram-se à prefeitura.

O PSTU Rio de Janeiro afirma publicamente que nenhuma agressão partiu dos militantes da esquerda, mas sim veio dos provocadores, que só podemos entender que não pertenciam aos que vieram protestar pacificamente, mas a grupos fascistas e a policiais inflitrados no ato.

Afirmamos também que sempre buscamos a unidade daqueles que lutam, estando presentes nas plenárias e fóruns de preparação dos atos, que sempre respeitamos a todos os setores honestos e combativos, presentes na manifestação, e que não recuaremos perante nenhuma agressão fascista, policial ou de marginais infiltrados.

Da redação do Rio de Janeiro

Revogado o aumento da tarifa, segue a luta pelas demais reivindicações

Por Zé Maria de Almeida, metalúrgico e presidente nacional do PSTU

   Uma vitória muito importante da onda de protestos que ocorre em todo o país foi conquistada ontem: a revogação do aumento da tarifa dos ônibus em São Paulo, no Rio e em várias outras cidades brasileiras. Sem dúvida uma vitória muito importante, mas que não esgota o processo de lutas em curso.

   O aumento das tarifas de ônibus longe de ser a causa única destes protestos, foi apenas a gota d’água que fez transbordar um mar de insatisfações da população brasileira. E a luta precisa continuar, para dar conta de todos os demais problemas que estão martirizando a vida dos trabalhadores e jovens do nosso país.

   Há alguns destes problemas que se evidenciaram nestes dias de manifestações. Revogar o aumento é importante, mas o preço segue sendo muito caro. É preciso baixar o preço do transporte, implantar a tarifa social ou tarifa zero, afinal transporte é direito de todos e obrigação do estado, conforme diz a Constituição. Não pode ser um direito apenas dos que tem dinheiro para pagar (na cidade de São Paulo, 34% dos deslocamentos são feitos a pé ou de bicicleta, porque as pessoas não têm dinheiro para pagar ônibus).
Para tudo isso, é necessário estatizar todo transporte público de São Paulo. É preciso parar de dar dinheiro para os empresários, garantindo assim o direito dos trabalhadores ao transporte público e de qualidade.

   Outro questionamento que segue sem resposta é: porque tanto dinheiro para a Copa, se os governos dizem que não tem recursos para melhorar a saúde e a educação? Particularmente nestes dias de Copa das Confederações, mas também até a Copa do Mundo do ano que vem, temos de seguir nas ruas, cobrando nossos governantes sobre esta questão.

   A luta contra a corrupção e a impunidade é outro tema importante. Neste sentido, foi muito bom ver nas manifestações cartazes contra a PEC 37 que quer ampliar a impunidade dos políticos corruptos. Ou mesmo a bandeira contra a repressão e a criminalização dos movimentos sociais.

As bandeiras da classe trabalhadora e seus métodos e luta:

   Outra coisa muito importante, na continuidade deste processo, é estimular que a nossa classe participe dela de forma cada vez mais organizada. Ontem no Rio Grande do Sul, em uma reunião convocada por iniciativa do CPERS, se organizou um comitê de sindicatos e movimentos sociais para organizar a luta. Já tem manifestação convocada para amanhã, sexta feira. Exemplos assim, temos de reproduzir em todo o país.

   Para isso vai ser fundamental agregar, nas bandeiras que têm sido levantadas nas manifestações, as reivindicações relativas às demandas mais sentidas da classe trabalhadora. Aumento dos salários, congelamento dos preços dos alimentos e das tarifas, fim do fator previdenciário, anulação da reforma da previdência de 2003, contra o projeto de lei da terceirização (PL 4330), contra as privatizações, pagamento do piso nacional dos professores, reforma agrária, respeito ao direto dos trabalhadores do campo, investimentos na saúde, educação, moradia, saneamento básico, e um longo etc. Na verdade, as demandas dos diversos setores da nossa classe apontam para a necessidade de outro modelo econômico para o país.

   É preciso que todas as organizações da classe trabalhadora assumam este desafio e esta tarefa. A CSP-Conlutas está participando do processo e está buscando mobilizar suas bases neste sentido. As grandes centrais sindicais deveriam, na verdade, convocar uma greve geral neste momento. A necessidade agora é que todos estejam na luta. Nada menos que isso é aceitável para qualquer organização da classe trabalhadora.

   Neste mesmo sentido, é importante reforçar o chamado a que todos venham para a luta. Ainda ontem participei de uma reunião onde ouvi críticas à possibilidade de a juventude do PT participar das manifestações com suas bandeiras. Penso o contrário. Que bom que a juventude do PT quer somar-se à luta pela redução da tarifa, agora, da redução do preço da passagem e pelas demais demandas do povo que está nas ruas. Alguns podem dizer que trata-se de uma contradição, pois o governo é do PT. Eu diria que é uma boa contradição. Quanto mais gente do PT estiver nas ruas lutando, menos força terão os governos do PT para fazer o que estão fazendo contra o povo e, isso, de alguma forma vai levar a uma superação desta contradição. Que venham então as bandeiras do PT para somar-se à luta pelas reivindicações dos trabalhadores e da juventude brasileira.

O caráter de classe das manifestações:

   Se os trabalhadores entram nesta batalha, de forma organizada, não só participando das mobilizações de rua, mas também com seus métodos de luta tradicionais (greves, paralisações, ocupações), teremos muito mais força para conquistarmos nossas demandas. Outro aspecto fundamental aqui é que a entrada da classe trabalhadora é decisiva para assegurar a esta onda de protestos um caráter classista, fechando espaços para a utilização que a direita possa fazer deste processo.

   Já vimos em nossa história o apelo contra a corrupção ser utilizado pela direita para manipular o povo e fortalecer seus projetos (lembremos o que foi o fenômeno Jânio Quadros). É preciso levantar bem alto a bandeira contra a corrupção, pois ela é generalizada, seja nos governos do PSDB, do PMDB e, lamentavelmente, mesmo nos governos do PT. Mas é preciso dar a esta bandeira um viés de classe, agregando a ela as bandeiras e demandas da classe trabalhadora contra a exploração capitalista.

As manifestações e os partidos:

   Uma das contradições mais evidentes que pudemos observar nestas manifestações foi a resistência à presença das bandeiras dos partidos políticos. O senso comum da população aponta hoje, compreensivelmente, para o rechaço, quando não repúdio aos políticos e partidos políticos. Compreensível porque a prática que a população vê, destes partidos e destes políticos, é a pior possível, com a generalização da corrupção e do estelionato eleitoral.

   No entanto, este não é o problema mais grave. Este problema, venceremos com paciência e perseverança, pois as massas vão acabar por compreender a diferença entre estes partidos tradicionais e seus políticos e aqueles partidos e políticos que estão na luta do povo. E vai acabar por entender a importância dos partidos efetivamente comprometidos com os trabalhadores para a transformação do nosso país. O PSTU, partido do qual sou militante, é um destes partidos, que não só está nesta luta ao lado da juventude e dos trabalhadores, mas que tem como objetivo ser um instrumento de luta política da classe trabalhadora e da juventude brasileira para construirmos uma sociedade socialista.

   O mais grave neste processo é a utilização instrumental deste senso comum das massas por setores organizados que se dizem de esquerda (alguns se apresentam como anarquistas, ou punks), para atacar os partidos e agredir militantes que levam suas bandeiras nas manifestações. Eu sou de uma geração que lutou pelo fim da ditadura em nosso país. Fui preso e torturado para que, entre outras coisas, houvesse liberdade de organização para a nossa classe e para que todos pudessem manifestar publicamente suas opiniões. Inclusive pela liberdade de manifestação destes setores que hoje atacam nas ruas o direito à existência do nosso partido.

   Sei perfeitamente que não são todas as organizações anarquistas nem todos os punks que tem esta postura, faço esta ressalva porque não quero cometer injustiças. Mas não posso deixar de apontar a gravidade do erro cometido por estes setores. Começo por lembrar que, historicamente, em nosso país, quem sempre quis acabar com os partidos políticos foram as ditaduras militares. Há saudosos da ditadura em nosso país que acham que a solução dos problemas começa com a supressão das liberdades. De que lado se encontram estes grupos que querem proibir a existência dos partidos?

   Por outro lado, para aqueles que reclamam da esquerda brasileira, lembro que os partidos políticos são expressões organizativas criadas na luta da nossa classe contra o capitalismo. São não apenas necessários, mas imprescindíveis, se temos como objetivo da nossa luta acabar com o capitalismo e construir uma sociedade socialista. A apologia do autonomismo, expressa em frases como “o povo unido governa sem partido”, serve apenas para manter o povo prisioneiro dos partidos que hoje governam a sociedade.

   Disseminam a ilusão de que basta o povo querer que o capitalismo acabe, levando assim à paralisia do povo ante tarefas que são decisivas para sua libertação da exploração e opressão do capitalismo: a organização de instrumentos, de massas e políticos, que lhe permitam planejar e organizar, de forma consciente, a luta contra este sistema para, aí sim, colocar fim ao capitalismo. Ao disseminarem ilusões, ajudam a perpetuar a dominação da direita e não a libertação da classe trabalhadora.

   É preciso acabar com esta contradição: lutar contra a repressão da PM e tentar ao mesmo tempo reprimir a existência de partidos políticos. É preciso dar um caráter de classe às lutas que estão em curso. Massificá-las ainda mais com a entrada da classe de forma organizada nestes protestos. E agregar às demandas atuais as reivindicações dos trabalhadores que apontem para outro modelo econômico em nosso país. Vamos à luta!

Vitória: mobilização nas ruas reduz tarifas no Rio e em São Paulo

Foi apenas o começo! É preciso manter mobilização nas ruas contra os gastos da Copa e por investimentos em Saúde e Educação!

A manifestação nas ruas produziu sua primeira grande vitória. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) anunciaram a redução da tarifas dos trens, metrôs e ônibus no início da noite desta quarta-feira.
Além da revogação do aumento da tarifa anunciada no Rio e em São Paulo, 10 cidades já haviam anunciado a redução da passagem, seja através da anulação do aumento ou a redução do índice do reajuste. O aumento já havia sido revogado em João Pessoa, Porto Alegre e Goiânia. Foi reduzida em Cuiabá, Recife, Manaus, Natal e Vitória. As cidades de Caxias do Sul (RS) e Foz do Iguaçu (PR) também anunciaram redução, além da cidade de Campinas (SP).
O recuo dos governos é histórico! Foi produto direto das grandes mobilizações da população realizadas nos últimos dias. Uma prova incontestável de que só com o povo na rua é possível arrancar conquistas. No entanto, é preciso destacar que a medida anunciada, assim como a de muitas outras prefeituras a nível nacional, é apenas uma “suspensão”.  Isto é, acuados pela mobilização de rua, os governos foram obrigados a dar um passo atrás, e tentarão no futuro reajustar a passagem.
Por outro lado, a luta contra as máfias dos transportes continua. As máfias das empresas privadas de ônibus são uma das principais fontes de financiamento das campanhas eleitorais dos partidos burgueses, como o PSDB, o DEM, o PMDB e PSB. Atualmente, mesmo partidos reformistas, como o PT e o PCdoB, vem se utilizando desta fonte de financiamento para suas campanhas. Como diz o velho ditado: quem paga a banda, escolhe a música.
As mesmas empresas que “doam” quantias generosas a esses partidos são as grandes beneficiadas com a farra das “concessões” de compras, obras e serviços sociais e públicos realizados a cada mudança de comando nas prefeituras, governos estaduais e federal. Muitas destas empresas concessionárias são inclusive de parentes, amigos ou testas de ferro de políticos corruptos.
Por isso, o PSTU defende a estatização do transporte público e a gratuidade das passagens. Isso está longe de ser uma utopia, já foi discutido nos velhos tempos do PT, quando Erundina era prefeita de São Paulo, mas não foi aprovado e acabou esquecido. O valor das passagens deve ser subsidiado pelo aumento progressivo de impostos sobre os mais ricos. 

Vamos para ruas no dia 20 de junho!
A revogação do aumento das tarifas nessas cidades foi apenas o começo. É preciso agora continuar as mobilizações nas cidades onde a tarifa não diminuiu. Neste dia 20 de junho, quinta-feira, será realizada um dia nacional de protestos pelo país. Vamos às ruas para comemorar essa grande vitória! Mas é preciso continuar nas ruas para arrancar outras reivindicações. Afinal, como diz a palavra de ordem que ganhou as ruas, “tem dinheiro para Copa, mas não tem pra saúde e educação!”.

 No Brasil, o que está sendo questionado nas ruas não é apenas a redução em alguns centavos das passagens de ônibus, mas a elevação geral do custo de vida, os gastos governamentais com a Copa do Mundo, as parcerias público-privadas e a degradação dos serviços públicos de Saúde e Educação. É preciso lutar contra covardes remoções de moradores pobres em função das obras dos jogos! É preciso acabar com a repressão e desmantelar a Tropa de Choque. Liberdade para todos os presos políticos do PSDB  e PT e o fim de todos os processos! Quem luta não é criminoso!
Mas também é preciso identificar os responsáveis pelo atual estado de coisas do país.  A desaceleração da economia já se manifesta, entre outras coisas, com a inflação que vem corroendo o poder de compra dos salários, que já são baixos. Enquanto isso, o endividamento explode nas famílias. Por outro lado, a juventude, majoritária nos protestos país a fora, percebe que não há mais perspectivas de futuro diante dessa realidade.
A resposta do governo Dilma a desaceleração da economia é de mais arrocho salarial. Também pretende ampliar o chamado “superávit primário” que significa mais cortes no orçamento da Saúde e Educação. 
Por tudo isso, a luta deve prosseguir. Essa foi apenas a primeira vitória!
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O povo na rua, Dilma a culpa é sua!


17 de junho de 2013 já entrou para a história

100 mil no Rio de Janeiro (RJ), 65 mil em São Paulo, 50 mil em Belo Horizonte (MG), 20 mil em Porto Alegre (RS), 15 mil em Belém (PA), 10mil em Curitiba (PR), 10 mil em Brasília (DF) e muitas outras dezenas de milhares país a fora. Ao todo, doze capitais assistiram protestos e muitas outras cidades tiveram manifestações. Algumas delas foram até os palácios dos governos e do Congresso Nacional, tentaram “tomar as bastilhas” do poder corrupto da burguesia brasileira.  
17 de junho de 2013 já entrou para a história. Não se via no Brasil uma manifestação com essa dimensão há 21 anos, ou seja, desde as grandes manifestações do Fora Collor.  Mas por que o Brasil foi às ruas neste dia 17?  
Sem dúvida nenhuma, o aumento da passagem em São Paulo, realizado por Haddad (PT) e Alckmin (PSDB), ao lado da brutal repressão do dia 13 de junho, foi a faísca que incendiou os protestos.  No entanto, as manifestações expressam um profundo descontentamento que vai desde os primeiros sinais da desaceleração da economia – na qual o repique inflacionário é sem dúvida o elemento mais sentido – até a revolta da população contra o abandono e o descaso dos serviços públicos diante da bilionária roubalheira das megas obras da Copa do Mundo. E, em todos estes assuntos, a culpa é do governo Dilma, do PT.
A desaceleração da economia que se manifesta, entre outras coisas com a inflação, tem minado a sensação de “bem estar” provocada pela estabilidade econômica e ampliação do consumo através do crédito. A inflação vem corroendo o poder de compra dos salários, que já são baixos. Além disso, os salários se tornam mais reduzidos pelas dívidas crescentes acumuladas pelas famílias.  O governo Dilma, por sua vez, responde jogando no lixo o seu suposto “desenvolvimentismo”  (que na verdade, sempre foi o velho neoliberalismo,  associado às políticas sociais compensatórias) para aplicar o velho receituário tucano pautado no superávit primário, juros altos e câmbio flutuante.Em outras palavras, isso significa mais cortes no orçamento da saúde e educação. Significa  mais arrocho salarial e endividamento.  
Esses são elementos de instabilidade, porém não significam que o país esteja à beira de uma recessão. Mas significam que a há uma percepção diferente sobre a economia. Não há mais um “mar de rosas” que o governo supunha existir. Uma das expressões desse processo foi a primeira queda da popularidade da Dilma de 8 % e as vaias contra a presidenta durante a abertura da Copa das Confederações em Brasília.
Tem dinheiro pra Copa, mas não tem pra saúde, educação...
Os governos da direita privatizaram a saúde e sucatearam os hospitais públicos. Os governos petistas fizeram a mesma coisa. A maioria da população (70%) sofre para marcar consultas e fazer exames pelo SUS. Outra parte da população é refém dos mandos e desmandos dos planos privados.

A educação do país se encontra em pedaços. A burguesia condena milhões de crianças e jovens a não terem acesso à educação. O Brasil está em 88º lugar no ranking da educação, entre 126 países, ficando atrás de Honduras, Equador e Bolívia. O salário dos professores é uma vergonha, e quando se mobilizam são tratados com repressão pelos governos.
Toda essa situação contrasta com os bilhões dados às empreiteiras nas negociatas que levantaram os estádios para a Copa. Hoje, os gastos com os doze estádios superam R$ 10 bilhões. O pior de tudo é que o governo Dilma vai fazer com os estádios o que já faz com o petróleo: vai privatizar tudo a preço de banana como já fez com o Maracanã.
Uma Copa corrupta que também foi marcada pelas covardes remoções de moradores pobres em função das obras de infraestrutura.  Está prevista a remoção de 250 mil pessoas das suas casas, segundo o Comitê Popular da Copa - 2014. Uma Copa que colocou a soberania do país nas mãos da FIFA e de suas empresas patrocinadoras, chegando ao absurdo de aprovar uma lei – a Lei Geral da Copa – que suprime a legislação do país e impõe até a censura. Inclusive, a Lei da Copa foi a justificativa para a Tropa de Choque reprimir a manifestação de Belo Horizonte que seguia para o Mineirão. “Aqui só entra com a autorização da FIFA”, disse um coronel da PM.
Quem não lembra da famosa frase de Jerome Valcke, da FIFA, que chegou a dizer que precisaria “chutar o traseiro” do Brasil pra agilizar a dita lei? As manifestações do dia 17 foram a resposta. Foi o “chute no traseiro” da FIFA dada pelo povo brasileiro.  
Protesto Em São Paulo
Tarifa Zero já
PT e PSDB são totalmente reféns da máfia das empresas de ônibus. Suas campanhas eleitorais são financiadas por estas empresas. Segundo dados da própria prefeitura, publicados na página de internet da Revista Exame, o município de São Paulo, em 2013, deve gastar R$ 1,25 bilhão para subsidiar empresas privadas de ônibus. O reajuste de R$ 3,20 foi uma retribuição a essa máfia. O PSTU defende o fim do reajuste já! Também defendemos a Tarifa Zero que não é nenhuma utopia, como tenta nos fazer crer a burguesia. Nos velhos tempos do PT, na época da administração de Erundina (1989-1992), se discutiu um projeto de Tarifa Zero, pago através do aumento progressivo dos impostos dos mais ricos.

Repressão aumenta em todo o país
Há uma visível ofensiva da burguesia e dos governos contra o direito à manifestação e protestos. O governo Dilma e os governos estaduais reprimem greves de trabalhadores (como a dos operários de Belo Monte), manifestações indígenas (Terenas, no Mato Grosso do Sul) e, agora, qualquer tipo de manifestação contra os gastos da Copa e contra o aumento do transporte.  Como foi feito na África do Sul, sede da Copa anterior, o governo Dilma tenta impor um retrocesso aos direitos fundamentais da população.  

Dilma assim não dá! O povo vai continuar na rua!
O povo vai seguir na rua. Novas manifestações já estão sendo marcadas por todo o país. O PSTU estará em todas elas exigindo:
- Revogação dos aumentos das passagens!
- Abaixo a repressão! Em defesa do direito de mobilização! Punição para os mandantes da repressão!
- Unificar as lutas em um dia nacional contra o aumento dos transportes e a repressão!
- Pelo transporte público e gratuito! Estatização dos transportes!
- Pela desmilitarização da PM! Fim da tropa de choque!
- Dilma, congele os preços dos alimentos e tarifas!
- Dilma, revogue as privatizações dos estádios como o Maracanã!
- Pela suspensão dos leilões do petróleo! Petrobrás 100% estatal!
- 10% PIB para educação!
- 2% do PIB para o transporte!
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Nesta sexta, 21/6: Venha debater com o PSTU as manifestações no Brasil e as lutas que estão ocorrendo no mundo.


Lutemos juntos contra os governos

Eduardo Almeida Neto, da Direção Nacional do PSTU

Nas mobilizações da juventude contra o aumento das passagens em todo o país tem sido comum ouvir os gritos de “sem partido” ou “abaixem as bandeiras”. Existe um setor importante dos jovens que manifestam um rechaço aos partidos pela prática corrupta e de defesa da burguesia dos partidos majoritários, inclusive do PT.

Entendemos esse rechaço aos partidos dominantes e nos somamos a ele. A política hoje é entendida por esses partidos majoritários como uma forma de “se arrumar”, de ganhar dinheiro. Em particular, entendemos esse repúdio como uma expressão do desencanto com o PT, partido que se anunciava “contra tudo o que está aí” e que, quando está no governo, é o maior defensor do “que está aí”: a mesma corrupção, a mesma prática política.

Mas isso não significa que concordemos com a ideia de que “todos os partidos são iguais”. Esse tipo de visão ajuda a manter a dominação dos mesmos partidos de sempre, como o PSDB de Alckmin e o PT de Haddad e Dilma. Se “todos os partidos são iguais”, para que mudar?

O PT e PSDB adoram quando veem o rechaço a todos os partidos. A Rede Globo também, tanto que deu destaque a isso em seu noticiário. Por quê? Em primeiro lugar porque isso divide e enfraquece o movimento. Em segundo lugar porque significa que não se construirá nenhuma alternativa contra eles.

Não, nem todos os partidos são iguais. Por exemplo, quais os partidos que apoiam essa mobilização e estavam nela? A maioria dos que ali estavam votou no PT e no PSDB. Ou seja, votaram nos partidos contra os quais estamos lutando. Votaram nos partidos que ordenaram a repressão das mobilizações. Deveriam refletir que esses partidos não servem. Ao pensar que “nenhum partido serve”, termina ajudando o PT e PSDB que seguirão mandando no país, se alternando para aplicar o mesmo programa da burguesia.

Os erros dos anarquistas
As classes dominantes riem quando ouvem a bobagem histórica falada pelos grupos anarquistas: “O povo unido governa sem partido”. Não existe na história nenhum exemplo de que se tenha feito uma revolução sem uma direção revolucionária. E o que o Brasil precisa é de uma revolução. Os anarquistas cumprem nesse caso um papel reacionário, a serviço das classes dominantes, ao falar ao mesmo tempo contra os partidos burgueses e contra os partidos revolucionários como o PSTU.

A história já demonstrou esse papel reacionário dos anarquistas: quando ocorreu realmente uma revolução, como na Espanha em 37, e se esteve perante a necessidade de definir o que se faria com o governo e o Estado burguês, os anarquistas acabaram por participar, na Catalunha, de um governo junto com partidos reformistas e a burguesia. É como se os anarquistas, perante uma revolução no Brasil, se rendessem e aceitassem participar de um governo com o PT e o PMDB. É a consequência de quem não vê a necessidade de um partido até que ela se imponha, e aí aceita simplesmente os mesmos partidos de sempre.

Entendemos o sentimento antipartido da população. Rejeitamos duramente, no entanto, quando grupos anarquistas e neofascistas querem tirar nossas bandeiras. Isso já aconteceu nesses atos e, invariavelmente, provoca conflitos. Nem a ditadura conseguiu fazer com que baixássemos nossas bandeiras e não vai ser qualquer grupo anarquista ou neofascista que irá fazê-lo. Todos têm direito de levantar suas bandeiras e faixas. Não vai se impor nenhuma visão autoritária baseada no atraso.

Lutemos juntos contra os governos. Esse tipo de postura só divide e enfraquece o movimento. Enquanto a polícia nos atira bombas, é um enorme equívoco dividir a luta.

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Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massas

Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massas

Por Henrique Canary

Certa vez, Margaret Thatcher, a primeira-ministra mais odiada da história da Inglaterra, afirmou: “Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos.” Diante de nossos olhos, em uma única frase, vemos resumida toda a filosofia neoliberal, reacionária e burguesa que domina o mundo há quase três séculos. Desde que o capitalismo existe, as classes dominantes e seus pensadores tentam nos convencer exatamente desta ideia: a de que os meus interesses como indivíduo são opostos aos interesses da sociedade como um todo. E quando esses interesses entram em conflito, o que deve prevalecer são os interesses individuais, mesmo em detrimento de toda a sociedade. É a filosofia perfeita para justificar a propriedade privada e o lucro individual.

Assim, a necessidade de “manter as vias livres” para que carros particulares possam circular é a justificativa mais importante para a repressão exercida pela PM de São Paulo durante os atos contra o aumento. Não importa se são 12 mil nas ruas por uma causa justa. O que importa é que os indivíduos devem poder passar com seus carros. A luta dos movimentos sociais sempre foi por romper com essa lógica: por organizar os explorados e oprimidos; dar a eles a noção da igualdade de seus interesses; estruturar suas forças; dar estabilidade, continuidade e alcance à sua luta; combater a ideologia liberal-individualista.

Liberalismo burguês: a verdadeira filosofia do anarquismo
O anarquismo é hoje uma força influente nos movimentos contra o aumento das passagens em todo o país. Sua ideia central é a defesa de um movimento “horizontal”, formado apenas por “indivíduos”, sem partidos ou sindicatos, sem qualquer organização, estrutura e estabilidade. Essa ideia parece muito boa, mas é muito ruim. O movimento contra o aumento precisa da classe trabalhadora para vencer, precisa atrair os movimentos sociais organizados, e é justamente aí que a “horizontalidade” e a “individualização” do movimento exibem seus limites.

Gostemos ou não, a dura realidade é que os trabalhadores são explorados, oprimidos e alienados pelo capitalismo. Por isso, quando dispersos em “individualidades”, os trabalhadores podem muito pouco, ou quase nada. Um “indivíduo” trabalhador, sozinho, não conquista um aumento salarial, não enfrenta o patrão, não pára uma fábrica, não ocupa uma rua ou uma praça, não coloca a linha de produção para funcionar. Tudo o que os trabalhadores fazem – seja no trabalho ou na luta econômica e política – o fazem de maneira coletiva e organizada. Só podem fazer assim porque isso é da natureza de sua classe. Somente quando se organizam e se submetem conscientemente à disciplina de um coletivo, quando entrelaçam seus braços em um piquete e resistem coletiva e disciplinadamente à investida dos fura-greve – somente aí é que os trabalhadores começam a adquirir algum “poder”, alguma liberdade.

A “liberdade individual”, tal como defendida pelo liberalismo e pelo anarquismo, pode ser uma boa ideia para as classes médias da sociedade. São elas que lutam pela própria sobrevivência de modo sempre individual, com seus pequenos empreendimentos comerciais e empregos competitivos. Mas para a classe operária, as coisas são diferentes. A força dos trabalhadores está em sua organização, mais do que em seu número ou em suas individualidades.

Por isso, o surgimento de simples sindicatos só foi possível historicamente graças a uma luta prolongada contra a burguesia. Partidos políticos operários, então – pior ainda. Se contabilizarmos a história geral de todo o movimento operário mundial, na maior parte do tempo os partidos operários estiveram na ilegalidade. Em larga escala histórica, a existência de partidos operários legais é uma exceção. O direito dos trabalhadores à organização foi arrancado a ferro e sangue e é uma gigantesca vitória sobre o inimigo de classe. E a burguesia entende isso.

No Brasil, que vive em uma “democracia” há quase trinta anos, as pessoas tem uma tendência a desvalorizar essa enorme conquista. Os partidos estão desgastados e a maioria deles abusou da paciência dos trabalhadores, é verdade. Mas não seria justo aplicar a todos os partidos a mesma medida que a burguesia quer impor aos movimentos sociais como um todo: semi-proibí-los, escondê-los, forçá-los a se manifestar apenas em situações específicas, torná-los insignificantes perante as grandes massas, desmoralizá-los. Ou não é justamente isso que a mídia e os governos tentam fazer com o movimento em geral?

O “apartidarismo”: supressão da liberdade, sob gritos de liberdade
Assim, há nos movimentos contra o aumento uma ideia que é muito difundida: a de que partidos políticos não deveriam levar bandeiras, não deveriam se manifestar em atos e passeatas. A justificativa é sempre a mesma: “a união de todos”. Mas há um problema nessa justificativa. Como “unir” todo mundo se se proíbe alguns de se manifestarem, de expressarem, por meio de uma bandeira, o que pensam do mundo e as causas que apoiam?

Ora, o movimento de massas lutou muito no passado, entre outras coisas por democracia e liberdades políticas. Muito sangue foi derramado e muitos lutadores tombaram para que houvesse hoje no Brasil um mínimo de liberdade pelo menos para fundar um partido político e levantar uma bandeira em praça pública.

Mas alguns setores anarquistas cumprem um papel verdadeiramente vergonhoso. Tentam proibir, inclusive por meio da força física, que os militantes dos partidos políticos exerçam uma liberdade elementar: a liberdade de expressão, de levantar uma bandeira, de dizer “nós apoiamos este movimento”. Não é exatamente por essa mesma liberdade que estamos nas ruas neste exato momento? Não lutamos pelo direito de poder lutar?

Suponhamos que seja proibido aos militantes de partidos políticos levantarem suas bandeiras. Afinal, nem todos os que participam da passeata são, por exemplo, do PSTU. Muito bem. Mas fica a pergunta: e se os militantes LGBT resolverem apoiar a causa e levarem suas belas bandeiras coloridas? Serão proibidos de lavantá-las? Faremos com eles o que os setores mais reacionários da sociedade fazem? Os expulsaremos da manifestação? Afinal, nem todos os que participam da passeata são homossexuais e a causa LGBT não contempla toda a passeata! Vamos agir da mesma forma que agem Marco Feliciano e Silas Malafaia? “Mas o movimento LGBT não é um partido!”, dirão alguns. Muito bem. Mas é uma causa. É uma ideia. É um sonho, da mesma forma que o socialismo. A bandeira vermelha é o símbolo deste sonho.

Ou então: se os militantes do MST levarem suas bandeiras, serão também proibidos de levantá-las? Por acaso o  MST não é também um movimento social tão organizado e legítimo quanto os partidos políticos? Ou o MTST? Ou a bandeira negra da Anarquia? Ou a bandeira lilás da luta das mulheres? Ou do movimento negro? Vamos forçar todos a baixarem suas bandeiras? Não é exatamente a diversidade de bandeira e opiniões que faz um movimento forte? Não são todos os movimentos sociais também e ao mesmo tempo movimentos políticos? Ou se há uma diferença entre esses dois tipos de movimento, quem determina quais os movimentos são puramente “sociais” e quais são “políticos”? Onde está esta fronteira tão bem definida que alguns companheiros dizem enxergar? Quem decidirá quais bandeiras baixar e quais não? Tudo isso não parece um pouco... autoritário? Não seria mais democrático e lógico admitir simplesmente que todos podem e devem levar suas bandeiras e tornar com isso a passeata tão colorida que ninguém ouse dizer que o movimento pertence a essa ou àquela organização?
Lutar contra as bombas... e as ideias do inimigo!
A ideologia “apartidária”, pregada pelos anarquistas (e muitas vezes apoiada por setores sinceros e bem intencionados do movimento) parece muito progressiva, mas é muito reacionária. É a ideologia mais conservadora que existe porque é o liberalismo levado às últimas consequências: só admite indivíduos; ignora o caráter necessariamente coletivo e necessariamente organizado das ações da classe trabalhadora. Com isso, o movimento cai no jogo malandro das classes dominantes e se enfraquece, pois expulsa de antemão da luta o ator mais importante de toda e qualquer transformação social mais profunda: a classe trabalhadora e suas organizações.

Não é à toa que os governos e a imprensa sempre se remetem ao fato de que existem, supostamente, “partido infiltrados” neste e naquele movimento. Querem fazer as pessoas acreditar que só são válidos os movimentos individuais, sem qualquer organização. Querem ver as pessoas dispersas. Se para isso usarão bombas de gás lacrimogêneo ou ideias – tanto faz. Enquanto isso, eles mesmos (os governantes e a imprensa) têm seus próprios partidos, os financiam e os protegem. Que nobres! Que sacrifício fazem! Se “sujam” com a política para que as pessoas não tenham que se sujar! Ao quererem proibir a participação de partidos nas mobilizações de massas, os anarquistas só jogam água neste moinho burguês; combatem as bombas do inimigo, mas inalam e se contaminam de suas ideias.

Além disso (e para piorar), é por terem essa visão individualista ao extremo, que os setores anarquistas são, em geral, os primeiros a romper a disciplina do coletivo. Caem nas provocações da polícia e decidem por sua própria conta realizar ações que só prejudicam a luta e desmoralizam a todos, como danificar estações de metrô, se enfrentar com trabalhadores do comércio e do transporte e um longo etc. Para os anarquistas, portanto – liberdade individual irrestrita!; para os militantes dos partidos – baixem as bandeiras! Como Luis XIV, o rei da França que dizia ser ele próprio a encarnação do Estado (“O Estado sou eu”, dizia), os anarquistas agem segundo um princípio parecido, o mesmo de Margaret Thatcher, o mesmo do liberalismo: o de que só existe o indivíduo e (vejam que sorte!) o indivíduo... sou eu!

O RIO PAROU ... E MAIS DE CEM MIL FORAM PRA RUA!

O RIO PAROU ... E MAIS DE CEM MIL FORAM PRA RUA!

Quem estava no Rio de Janeiro, ontem (17/6), presenciou um dia histórico: a Avenida Rio Branco, totalmente tomada, da Candelária até a Cinelândia, por bem mais de 100 mil manifestantes. Não se via no Brasil uma manifestação com essa dimensão há 21 anos, ou seja, desde as grandes manifestações do Fora Collor. 
Foram 100 mil só no Rio de Janeiro (RJ) que se somaram as centenas de milhares de milhares de pessoas que ocuparam as ruas em todo o Brasil apenas poucos dias depois da brutal repressão policial, ocorrida dia 13/6, contra as manifestações contra o aumento das passagens que sacudiram várias cidades do país, que deixaram um saldo de centenas de feridos e presos: só em São Paulo foram mais de 200 presos e dezenas de vítimas entre elas 7 jornalistas (dos quais um ameaçado de perder a visão).
         Desta vez havia muito mais estudantes, muitos organizados pela Anel e vindos da UFRJ, da Uerj, da Unirio, da UFF, do Cefet e de escolas estaduais. Estavam ainda presentes, convocados por alguns sindicatos e pela CSP_Conlutas os petroleiros, os servidores públicos federais e estaduais, bancários, comerciários, operários metalúrgicos do Rio, Baixada e Niterói. Além de integrantes dos movimentos de luta contra as opressões, como o LGBT, o Movimento Mulheres em Luta (MML) e o Quilombo Raça e Classe.
A repressão desferida pelos governos estaduais e municipais, no caso Sérgio Cabral e Eduardo Paes no Rio, e que contou com apoio entusiástico do governo Federal, do PT e burguesia e seus meios de comunicação desta vez não pode se impor e os trabalhadores e a juventude puderam desfilar sua disposição de luta por toda a avenida.
  

Não é só por 0,20 centavos, é por nossos direitos!

 
Mas por que o Brasil foi às ruas neste histórico dia 17 de junho de 2013? 
Começou com a luta contra o aumento das passagens e por melhorias nos transportes públicos, mas desde a brutal repressão do dia13/6 as manifestações expressam um profundo descontentamento que vai desde os primeiros sinais da desaceleração da economia e aumento da inflação, dos baixos salários e do crescente endividamento das pessoas até a revolta contra o sucateamento dos serviços públicos e roubalheira bilionária das obras para a Copa do Mundo.
E, em todos estes assuntos, a culpa é do governo Dilma, do PT; que respondem aplicando ainda mais o velho receituário tucano do neoliberalismo,  associado às políticas sociais compensatórias) e pautado no superávit primário, juros altos e câmbio flutuante, aplicando mais cortes no orçamento da saúde e educação e diminuindo ainda mais o poder de compra dos salários.
Uma das expressões desse processo foi a primeira queda da popularidade da Dilma de 8 % e as vaias contra a presidenta durante a abertura da Copa das Confederações em Brasília tirando da sua zona de conforto nos índices de popularidade.

Lutemos juntos contra os governos

 Tem sido comum ouvir os gritos de “sem partido” ou “abaixem as bandeiras” nas manifestações entendemos esse rechaço aos partidos dominantes pela prática corrupta e de defesa da burguesia dos partidos majoritários e nos somamos a ele.
Em particular, entendemos esse repúdio como uma expressão do desencanto com o PT, partido que se anunciava “contra tudo o que está aí” e que, quando está no governo, é o maior defensor do “que está aí”: a mesma corrupção, a mesma prática política.
Mas infelizmente nesta passeata ocorreu algo muito grave. Grupos anarquistas e neofascistas quiseram tentaram arrancar nossas bandeiras das mãos de nossos militantes, e vimos isto ocorrer em outras cidades.
Nem a ditadura conseguiu fazer com que baixássemos nossas bandeiras e não vai ser qualquer grupo anarquista ou neofascista que irá fazê-lo. Todos têm direito de levantar suas bandeiras e faixas ou de não fazê-lo.
Entendemos o sentimento antipartido da população, mas não vai se impor nenhuma visão autoritária baseada no atraso; pois rejeitaremos duramente qualquer tentativa de imposição autoritária e violenta sobre o que defendemos ou deixamos de defender, e isso inclui nossas bandeiras.
Lutemos juntos contra os governos. Esse tipo de postura só divide e enfraquece o movimento. Enquanto a polícia nos atira bombas, é um enorme equívoco dividir a luta. 
Chega de repressão! Dilma, assim não dá! O povo vai continuar na rua!


Contra a repressão ao movimento e aos lutadores! Liberdade para os presos!


Há uma visível ofensiva da burguesia e dos governos contra o direito à manifestação e protestos. O governo Dilma e os governos estaduais reprimem greves de trabalhadores (como a dos operários de Belo Monte), manifestações indígenas (Terenas, no Mato Grosso do Sul) e, agora, qualquer tipo de manifestação contra os gastos da Copa e contra o aumento do transporte.  Como foi feito na África do Sul, sede da Copa anterior, o governo Dilma tenta impor um retrocesso aos direitos fundamentais da população.
Ainda diversos manifestantes seguem presos arbitrariamente sob falsas acusações por parte da polícia e do estado. É necessário que mais entidades sindicais e populares e advogados dos movimentos sociais se coloquem a disposição do esforço pela libertação imediata desses verdadeiros presos políticos e o acompanhamento dos processos judiciais.

O povo vai seguir na rua. Dia 20/6, quinta-feira, estaremos de volta às ruas. Concentração será na Candelária, às 17 horas. O PSTU estará presente exigindo:
- Revogação dos aumentos das passagens! Sem oneração para os cofres públicos!
- Abaixo a repressão! Em defesa do direito de mobilização! Punição para os mandantes da repressão!
- Unificar as lutas em um dia nacional contra o aumento dos transportes e a repressão!
- Pelo transporte público e gratuito! Estatização dos transportes!
- Pela desmilitarização da PM! Fim da tropa de choque!
- Dilma, congele os preços dos alimentos e tarifas!
- Dilma, revogue as privatizações dos estádios como o Maracanã!
- Pela suspensão dos leilões do petróleo! Petrobrás 100% estatal!
- 10% PIB para educação!
- 2% do PIB para o transporte!