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Defender a Petrobras é defender uma empresa 100% estatal e os direitos dos seus trabalhadores


Enquanto os trabalhadores do Comperj percorriam Brasília para obter apoios na sua luta pelo pagamento de direitos, Lula defendia o governo Dilma/PT em ato na ABI, supostamente em defesa da Petrobras.

Por Cristina Portela, da redação.

Uma comissão de trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) esteve em Brasília na última semana de fevereiro com o objetivo de convencer o governo Dilma a intervir para que os seus salários e direitos, suspensos há mais de três meses, sejam pagos. Na capital, eles acamparam em frente ao Congresso Nacional, reuniram-se com parlamentares e representantes do governo. No dia 25, foram recebidos pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que se comprometeu a reunir representantes da empresa, do sindicato de trabalhadores, da Petrobras e do poder judiciário para no dia 9 de março, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro. A finalidade do encontro é obter um acordo para acelerar o pagamento dos direitos devidos aos trabalhadores.
Durante a estada em Brasília, a comissão participou também do 34º Congresso do Andes Sindicato Nacional e do ato de lançamento da campanha salarial dos servidores públicos federais.
Desde o final do ano passado que 2.400 funcionários da Alumini Engenharia, empresa que presta serviços no Comperj, estão sem receber salários, além de outros 469 demitidos que não tiveram os seus direitos pagos. A Alumini responsabiliza a Petrobras, enquanto esta lava as mãos e diz que não tem nada com isso. Nessa queda de braço, quem paga o pato são os trabalhadores.
Esses, ao contrário dos corruptos e corruptores investigados pela Operação Lava Jato, não são marajás. Segundo Natália Russo, diretora do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro), eles ganham entre 1.400 (pedreiros, carpinteiros, etc.) e 5.000 reais (soldadores, encarregados, etc.) por mês e, sem dinheiro, já estão passando dificuldades e têm as suas prestações em atraso. Uma boa parte desses trabalhadores foi recrutada fora do Rio de Janeiro, em especial no Pará e na Bahia, mas também no Maranhão, em Pernambuco e Alagoas, o que agrava ainda mais a situação.
A luta desses trabalhadores, cujo marco foi a passeata pela ponte Rio-Niterói em 10 de fevereiro último, tem recebido a solidariedade da sua classe. Entre as entidades sindicais que estão a ajudar  destaca-se a Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff), que contribuiu com 120 cestas básicas. A diretora do Sindipetro conta que, em apenas uma hora durante o período de almoço dos petroleiros do Centro Administrativo da Petrobras, no Edifício Ventura, centro do Rio, foram recolhidos 869 reais.
A CSP-Conlutas prossegue a campanha “SOS Comperj: os trabalhadores não pagarão pela crise”, numa iniciativa que visa também os outros desempregados do Estado. O objetivo é unificar a luta contra as demissões e ampliar a frente de solidariedade aos trabalhadores do Comperj, da qual fazem parte, entre outras entidades, o Sindipetro-RJ, o Sindipetro-Caxias, o Sindicato dos Metalúrgicos, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), Aduff, Andes Sindicato Nacional, além de parlamentares do PSOL. A onda de demissões que começou – calcula-se que já há 20 mil desempregados no país em consequência do escândalo de corrupção da Petrobras - precisa ser travada com a unidade e a luta dos trabalhadores, a exemplo da Volks do ABC paulista e da GM de São José do Campos.

Em Brasília, durante o acampamento em frente ao Congresso Nacional, os operários do Comperj receberam o apoio do Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal, Andes Sindicato Nacional, Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel), entre outras entidades.

Funcionários da Embratel fazem ato pela readmissão de Cacá

Fotos: Paollo Rodajna
Foi realizado, na última quarta-feira (15/01/2014), um ato contra a demissão de Carlos Augusto Machado, conhecido como Cacá, ex-dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações (SINTTEL) e representante dos empregados no Conselho Deliberativo do fundo de pensão Telos. Numa clara atitude de agressão ao direito democrático de organização, a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) alegou estar realizando uma suposta reestruturação. Até agora, esta atingiu apenas Carlos Augusto.Não é de hoje que a Embratel demite por perseguição a ativistas; com a sua privatização no governo FHC, diversos trabalhadores foram demitidos, salários foram arrochados, direitos retirados, ataques feitos ao fundo de pensão dos trabalhadores. Logo em 1998, após a privatização foram demitidos 1500 funcionários (15,43% do total) através do PDV; já em 2004, quando a Telmex assumiu controle, foram demitidos mais de 1200 trabalhadores. Em 2012 foram 3 dirigentes sindicais demitidos por perseguição, e agora Carlos Augusto.
Cacá fala no ato contra sua demissão
Contra mais essa arbitrariedade, diversos ativistas e funcionários fizeram um ato na porta da empresa, contando com a participação de representantes do Andes-SN, SINTTEL, CSP-Conlutas, ANEL, o vereador Paulo Eduardo Gomes (ex-funcionário e ativista da Embratel) e outras, os quais prestaram sua solidariedade ao trabalhador até então demitido.A mobilização reuniu cerca de 100 pessoas, as quais, ao final das falas dos representantes das diversas organizações já citadas, gritaram pelo retorno do companheiro à empresa.Assim, os presentes no ato reafirmaram o compromisso de lutar pela readmissão do ex-dirigente do sindicato.