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Rodoviários do Rio decidem: Vai ter greve!

Após aprovação da greve categoria realiza passeata
pela Presidente Vargas em direção à Central do Brasil foto: Piero Martins

Por Dirley Santos, da redação
     Nesta terça-feira (27) cerca de 300 rodoviários se reuniram em assembleia na Candelária e após avaliarem que não houve nenhum avanço nas negociações com as empresas de ônibus decidiram entrar em greve de 24 horas a partir de 0 hora desta quarta-feira (28). Após a decisão os trabalhadores saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas em direção à Central do Brasil.
     Os rodoviários reivindicam um aumento de 40% no salário — pelo qual passariam a receber quase R$ 2,5 mil, além de cesta básica de R$ 400– que atualmente é de R$ 100. Outra reivindicação importante é o fim da dupla função, onde motoristas também trabalham como trocadores. Uma nova assembleia acontecerá na sexta-feira (30).
     Já a direção do Sindicato dos Rodoviários (Sintraturb) mantém o acordo assinado com a patronal, apesar da evidente insatisfação da maioria da categoria. Em um evidente jogo de cena um representante do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Urbano (Sintraturb) esteve no local, porém se recusou a falar para os trabalhadores que estavam na assembleia.
     Por "coincidência" o presidente do Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus, Lélis Teixeira, descarta a abertura de uma nova negociação e afirmou que já entrou com pedido na Justiça para que a paralisação seja considerada ilegal.
     Mas os trabalhadores vão mostrar sua força e a derrotar a ganância e a intransigência dos governos e patrões e a traição das direções pelegas.
     Agora é o momento de darmos toda força a greve rodoviária, fortalecendo os piquetes nas garagens para convencer os trabalhadores que ainda não aderiram a paralisação a se integrarem de vez na luta.
    Todo apoio a greve dos rodoviários do Rio e em todo o país!

Em tempo:

Rodoviários de Niterói decretam estado de greve

Amanhã (4ª), às 15h, decidem se entram ou não em greve
Por Rodrigo Noel, da redação
Após aprovação da greve categoria saiu
em passeata pelo centro de Niterói foto:DB
Cerca de 250 companheiros e companheiras rodoviários decidiram hoje em assembleia decretar estado de greve em Niterói, São Gonçalo e demais localidades. Apesar da ostensiva presença policial, após a assembleia a categoria realizou um ato pelas ruas do Centro de Niterói. Amanhã, às 15h, a categoria realizará nova assembleia em frente ao Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro, com a pauta sobre a votação da adesão ou não a greve.


O Movimento Rodoviários em Luta - Niterói e São Gonçalo até Arraial do Cabotem exigido, dentre outras coisas, o fim da dupla função motorista-cobrador lembrando que "dirigir e cobrar é tão perigoso quanto dirigir e falar ao celular", além de apontar diversas cidades onde movimentação semelhante resultou em vitórias para a categoria e para a população, dado o risco que apresenta a chamada dupla função.

Dia 30 é marcado por paralisações, bloqueios de estradas e manifestações

Manifestantes ocupam mais uma vez as escadarias da Alerj (Foto: RB)

O dia de hoje começou agitado em diversas cidades pelo país. O dia de luta organizado pelas centrais sindicais (CSP-Conlutas, CTB, CUT, Força Sindical, UGT, NCST e CGTB) e o MST começou com paralisações em importantes categorias de trabalhadores pelo país, como rodoviários em BH, metalúrgicos da GM em São José dos Campos-SP, mineradores da CSN e Vale em Mariana-MG, construção civil em Fortaleza e Belém.
No Rio de Janeiro setores da educação em greve como as redes municipal e estadual de educação e outras que também paralisaram as atividades como o Pedro II, o Ines, UFRJ, Escola Técnica de Química, Faetec, além de escolas técnicas do interior fortaleceram o dia nacional de paralisações. Bancários pararam até o meio dia as agências da Av. Rio Branco e houve protesto na hora do almoço no Sedan (BB). Metroviários também paralisaram 50% dos funcionários do prédio da parte estatal da empresa, localizado em Copacabana. Pela manhã foi realizada uma caminhada de dentro da comunidade do Jacarezinho e trabalhadores da UFRJ bloquearam a entrada do Fundão (UFRJ).
No centro da cidade os petroleiros fizeram um trancaço nos prédios do Edise e Ventura, atrasando o início do expediente por aproximadamente duas horas. Houve também concentração na frente do TABG e do Edita. Os trabalhadores de turno do CENPES atrasaram duas horas, incluindo parte dos terceirizados. Ainda no Rio de Janeiro, os operários do Comperj, que realizou três paralisações parciais nesta semana contra os calotes das empresas também engrossaram as mobilizações.

Veja como foi o Dia 30 em outras cidades do estado:
Caxias – Petroleiros atrasam entrada em 1h 30min na Reduc.  
Niterói, Macaé, Friburgo – Greve das redes estadual e municipais, assim como paralisação nos pólos da UFF e da UFRJ.
Nova Iguaçu – Universidade Rural com ocupação da reitoria e passeata no calçadão da cidade.  
São Gonçalo – Trabalhadores da educação estadual e municipal em greve por tempo indeterminado e Comperj paralisou parcialmente.  
Volta Redonda - Greve da construção civil (14 empreiteiras da CSN) e algumas agências bancárias.  


Manifestantes ocupam as ruas do Rio denunciando o governo Dilma e exigindo o fora Cabral
No final da tarde após, concentração na Candelária, trabalhadores e estudantes realizaram passeata com mais de duas mil pessoas até a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A manifestação, além de incorporar as reivindicações específicas de cada categoria e setor mobilizado, primou pela denúncia da política econômica do governo Dilma e a luta pelo Fora Cabral.

Centrais governistas dividem Dia Nacional de Luta e fazem ato separado
Há pouco mais de um mês, as paralisações e mobilizações do dia 11 de julho se tornaram um marco da entrada em cena da classe trabalhadora organizada e suas entidades na memorável jornada de junho.
            Pautando reivindicações classistas como mudança na política econômica, a redução da jornada de trabalho e mais verbas para a educação e saúde, os trabalhadores em todo o país forçaram até as entidades governistas como a CUT, CTB e a Força Sindical a mobilizarem suas bases e a convocar o dia 30 de agosto.
            Porém, já na construção do dia 30 percebia-se um recuo na postura da CUT CTB e da Força, que se confirmou na decisão destas entidades em não organizar nas categorias que dirigem paralisações e por realizar um ato separado na Central do Brasil evitando se chocar com os governos Cabral e Dilma.
            Setembro vem ai e continuaremos na luta ao lado dos trabalhadores e da juventude com a realização do Grito dos Excluídos do dia 7, apoiando as greves dos profissionais da educação municipal e estadual, e impulsionando as campanhas salariais de petroleiros, bancários e correios.

Movimento Nacional de Oposição bancária convoca o dia 30/8 pela base



Leia carta do MNOB ao Comando Nacional da Categoria Bancária chamando a construção do dia 30/8

Durante os últimos 3 meses temos debatido a dimensão da ameaça que representa o Projeto de Lei (PL) 4330/2004. Na Conferência Nacional de Bancários foi votado um calendário de mobilizações que colocava a categoria bancária na vanguarda  da resistência a este projeto. Houve participação nas manifestações do dia 06/08 e deslocamento de vários dirigentes sindicais bancários a Brasília, a fim de impedir a votação na CCJC. O problema é que a estratégia de negociação da mesa quadripartite ( centrais, empresários, governo e parlamentares ) não está impedindo a permanência da ameaça da aprovação. Isto porque o governo federal não tem se posicionado como aliado dos trabalhadores neste embate : o projeto apresentado, na mesa pelo governo mantinha os ataques do projeto original de Sandro Mabel. Por isto, outras centrais sindicais se retiraram das negociações. Precisamos ter clareza : se nossa resistência se restringir a dirigentes sindicais e continuarmos centrando forças na mesa quadripartite, não teremos força para barrar o PL.

Por outro lado, o fortalecimento do dia nacional de paralisações, 30/08, será um ponto fundamental para enterrarmos este projeto e levantarmos a pauta geral aprovada pelas Centrais Sindicais. Com uma forte paralisação e manifestações poderemos dar uma grande visibilidade a luta contra o PL e pelos demais itens. Caso consigamos garantir uma forte adesão de categorias que entram em luta no segundo semestre, como bancários, metalúrgicos, petroleiros e Correios, poderemos deixar o governo e os empresários acuados e alcançarmos nossas conquistas.

Em que pese o dia 30/08 constar do calendário de luta de nossa categoria, é necessário que sejamos francos entre nós. Os principais Sindicatos ainda não convocaram assembleias para definir a adesão dos bancários. Estampa-se nos jornais que no dia 30 haverá uma greve geral, mas os grandes Sindicatos não têm se dedicado a organizar a categoria para que participe ativamente deste dia. Precisamos envolver a categoria nas atividades do dia de luta e da campanha salarial para obtermos sucesso.

Por isto, fazemos um chamado ao Comando Nacional e a todos os Sindicatos de bancários

Vamos fortalecer nosso exército para o embate. Vamos girar todos os esforços para preparar o dia 30 na base da categoria. Vamos orientar nacionalmente que sejam convocadas assembléias em todas as bases,  chamando a categoria para se envolver e decidir como se dará sua participação neste importante dia de luta.


Plenária de centrais sindicais prepara o dia 30 de agosto no Rio de Janeiro

No dia 24 de agosto, sábado passado, reuniram-se a CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, Fórum de Saúde-RJ, Fórum em Defesa da Escola Pública, Fórum de Lutas-RJ, ANDES-SN, ASFOC, ASINES, Base da ASIBAMA, SEPE-RJ, SINDSCOPE, Minoria da Direção do SINDPETRO-RJ, Minoria da direção do SINDSPREV-RJ, Oposição Bancária, Oposição de Correios, Oposição de Jornalistas, Oposição do SINDJUSTIÇARJ, Oposição Sintuferj Vermelho, ANEL-RJ, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e Movimento Favela Não Se Cala para preparar o 30 de agosto no Rio de Janeiro.

A pauta foi a seguinte:
1. Informes;
2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto e;
3. Encaminhamentos.


1. Informes

a) Houve uma reunião nacional das centrais em que a CSP-Conlutas não compareceu pois não recebeu comunicado dela. Esta reunião foi acertada entre as centrais que estão participando da negociação do PL 4330, em Brasília (A CSP-Conlutas, a CTB e a NCST não participam destas negociações pois defendem o arquivamento do projeto de Lei). A CUT ficou de convidar todas as centrais, já que a reunião aconteceria na sua sede, em São Paulo. Todas as centrais foram convidadas, menos a CSP-Conlutas.
O que houve de importante na reunião é que, aparentemente a NCST e a UGT quiseram sair fora da convocação do dia 30, alegando dificuldades para fazer a paralisação. Foi feita uma mediação na reunião, definindo o dia 30 como Dia Nacional de Mobilizações. E foi definido um centro na pauta de reivindicações: a rejeição do PL4330. Também como prioridade a redução da jornada e o fim do fator previdenciário.
Na quarta feira, 21 de agosto, na sede da CUT-RJ, houve uma reunião das centrais para organizar as atividades de preparação do dia 30 de agosto. Estiveram presentes a CUT, CTB, FS e CSP-Conlutas. Estas Centrais decidiram intensificar a mobilização e realiar as seguintes atividades: o café da manhã com os parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, no dia 26 de agosto, ás 9 h., no Sindicato dos Bancários; ato público contra os juros altos, em frente ao Banco Central, dia 27 de agosto, às 11 h.; Participar da reunião na sede da OAB-RJ, no dia 28 de agosto, ás 10 h., com o MTE e o MPT para tratar da interferência do Estado nas organizações sindicais e; mobilização total para o dia 30, definido em maioria a Central do Brasil como local do Ato Político, com concentração a partir das 15 h.

b) Houve informes das diversas representações sobre a organização das categorias e movimentos para as atividades do dia 30, em vários pontos da cidade. 

c) A Oposição do Sindjustiça informou que a direção do sindicato convocou o congresso da
categoria, começando no dia 30. Informou que, por este motivo, não participará do primeiro dia do congresso, que ocorre no município de Paulo de Frontin.


2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto

Diante dos informes e das posições políticas das centrais a Plenária Classista resolve:

a) Convocar um ato público no dia 30 de agosto, com passeata até a ALERJ, com concentração a partir das 17 h., na Candelária, contra a política econômica do Governo Dilma e pelo Fora Cabral;

b) Formar um Comando Político para dirigir o ato e a passeata com representantes das seguintes entidades: CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, ANDES, SINASEFE e Fórum de Luta-RJ;

c) As tarefas deste comando, além do já citado no ponto anterior, são: participar dos Atos da
semana de 26 a 29 e no dia 30, na Central, convocado pelas centrais sindicais, com uma fala
convocando todos os presentes nestes atos para participarem do ato da Plenária Classista, na Candelária; elaborar uma carta aos trabalhadores e ao povo explicando os motivos, os objetivos da manifestação e a necessidade da construção de uma greve geral e; garantir toda a infraestrutura do ato e passeata;


3. Encaminhamentos.

Diante das tarefas deliberadas no ponto anterior a Planária Classista resolve:

a) O Comando Político deve elaborar uma carta para ser apresentada ao Congresso do
SINDJUSTIÇA;

b) O Comando Político deve elaborar uma carta em apoio à luta de correios, bancários, petroleiros e demais categorias, entidades e movimentos em luta;

c) O Comando Político deve participar da reunião do Fórum de Luta do Rio de Janeiro para
convocar o ato da Plenária Classista;

d) O Comando Político deve convocar todas as entidades da base da CONDSEF para o ato;

e) O Comando Político deve realizar sua primeira reunião para dar início aos encaminhamentos acima deliberados na segunda feira, 26 de agosto, às 18 horas, na sede da CSP-Conlutas.

Unir as mobilizações no dia 30 de agosto

Depois das gigantescas passeatas de junho e do ensaio de greve geral de 11 de julho, agosto promete dar continuidade ao novo momento que vive o país




Eduardo Almeida, da redação
A imprensa e o governo estão mostrando a realidade atual como uma “volta à normalidade”, porque já não se vê mobilizações do porte das de junho. É apenas mais uma tentativa de tentar fazer parecer que a situação retrocedeu para aquela anterior.
No entanto, houve uma mudança na situação do país, acabando com a estabilidade política que existia. Mudou a relação de forças na sociedade: antes de junho, as classes dominantes reinavam tranqüilas. Agora, existe uma ofensiva das massas e uma postura defensiva dos governos e das grandes empresas.
Isso pode ser comprovado com facilidade. Algumas centenas de pessoas ocupam Câmaras de Vereadores, e a polícia não se anima a reprimir. Um pequeno grupo pode parar a Avenida Paulista – o santuário do capital financeiro – a qualquer momento. Isso ocorre porque existe um grande apoio da população às mobilizações. Uma repressão poderia desencadear lutas muito maiores.
Hoje, as manifestações não têm a característica de antes, com as passeatas unificadas. Mas têm a radicalidade do momento atual, ainda assustando os governos, o que lhes dá muito mais possibilidades de vitórias do que antes de junho. É o momento em que os movimentos sociais devem ir à luta para conseguir que suas reivindicações sejam vitoriosas.
Muitas dessas lutas já estão em curso, algumas se iniciam. No Rio, o “Fora Cabral” reúne distintos setores e pode se massificar. Os estudantes retomam as aulas e continuarão a luta pelo passe-livre. Novas câmaras de vereadores podem ser ocupadas. Os trabalhadores, em suas distintas categorias, estão preparando campanhas salariais.
As centrais sindicais chamaram um novo dia nacional de paralisações, no dia 30 de agosto, que pode unificar todas essas mobilizações. Podemos ter mais greves que no dia 11 de julho, com a incorporação das campanhas salariais, junto com grandes mobilizações da juventude pelo passe-livre e tantas outras reivindicações. Agosto pode ser uma combinação de junho e de julho.
A crise de Dilma
O governo Dilma Rousseff (PT) foi desgastado pelas mobilizações de junho e não se recuperou. Apesar da política da CUT e do PT, as últimas pesquisas indicam que já existe uma desaprovação majoritária ao governo.
Isso se estende aos governos municipais e estaduais. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), é o recordista de impopularidade, com 12% de aprovação. Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, tem o apoio de apenas 18% do povo. Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, tem 26%. Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, só 25%.
A grande burguesia aceitava e apoiava o PT no governo porque este garantia a estabilidade econômica e política do país e os altíssimos lucros deles. O PT continua garantindo os lucros, mas não a estabilidade. Por isso, começa a haver divisões entre a burguesia. Dilma começou a enfrentar oposição das grandes empresas, embora ainda tenha um grande apoio desses setores. A imprensa começou a ser mais hostil com Dilma, e a base governista no Congresso está em rebelião aberta.
Dilma reage à divisão da burguesia fazendo mais concessões ao capital financeiro. Retomou a alta da taxa de juros, reiterou a meta de superávit primário, de 2,3%, com consequente corte de gastos públicos. Isso se choca com as promessas de concessões ao movimento de massas, como mais verbas para gastos sociais.
A resposta do governo perante as mobilizações aumentou a crise. A primeira proposta de constituinte foi detonada em apenas um dia. A segunda, do plebiscito, acabou também derrotada pela base governista no Congresso. A política social mais importante – o plano para a saúde – é contestada abertamente pelas entidades médicas, com passeatas e greves nas ruas. Pode ser que acabe também em derrota do governo. Não existe uma resposta política clara perante a crise aberta em junho.
Elementos de crise na democracia dos ricos
A ofensiva das massas se chocou com as instituições da democracia burguesa. Não se visualiza, no entanto, uma alternativa a elas mais avançada. A democracia dos ricos não representa o clamor das ruas.
Porém se expressa, no Brasil, uma das consequências da restauração do capitalismo no Leste europeu, com o retrocesso da consciência dos trabalhadores e da juventude. A atual inexistência de sociedades não capitalistas e a ação das direções reformistas levam a um horizonte estratégico limitado às democracias. Mesmo quando se questiona a democracia burguesa, não consegue se enxergar alternativa a ela. Embora exista um enorme repúdio aos partidos, ao Congresso, aos “políticos” etc., ainda se reivindica apenas a radicalização da democracia.
A ruptura com a CUT e o PT
A reorganização mais importante do movimento de massas desde o fim da ditadura militar foi a provocada pelo grande ascenso operário da década de 1980, que gerou a CUT e o PT. Foi um processo apoiado nas grandes lutas do proletariado brasileiro e gerou um dos maiores partidos operários de todo o mundo, levando Lula ao governo em 2002.
Hoje, no entanto, o PT e a CUT se transformaram no maior freio do movimento de massas já visto na história desse país. Desviaram grandes mobilizações políticas, como o “Fora Collor”, que terminou na posse do vice Itamar, e o “Fora FHC e FMI”, canalizado para a eleição de Lula.
Com Lula e Dilma no poder, o PT e a CUT convenceram, por dez anos, os trabalhadores a esperar pequenas concessões, enquanto asseguravam gigantescos lucros para as multinacionais. Agora, isso está em crise.
As mobilizações de junho aconteceram sem os aparatos, em particular da CUT e do PT. A CUT não pode evitar a greve do dia 11 de julho, nem que essa mobilização se chocasse com o governo Dilma. A ofensiva das massas vai destruindo a hegemonia de 30 anos do PT e da CUT entre os trabalhadores. Não está completa essa ruptura, mas se iniciou um processo histórico.
Esse processo também está em curso na juventude trabalhadora. Não parece haver ainda uma ruptura majoritária com o governo Dilma nem com o PT na classe operária, mas, aparentemente, existe uma forte crise com o governo de um amplo setor. Uma alternativa também não se viabilizou ainda por causa do medo da direita. Pode ser que essa crise avance até uma ruptura, ou pode ser que haja uma recomposição do governo. Isso poderia ocorrer caso vingasse o projeto Lula em 2014.
Caso acabe a hegemonia reformista do PT e da CUT, existe a possibilidade de massificação de alternativas, como a CSP-Conlutas e a ANEL.
Publicado no Opinião Socialista 465

Entrevista com Paulo Barela: "Dia 6 é antessala da grande paralisação nacional que queremos construir no dia 30 de agosto"

As centrais sindicais CSP-Conlutas, Força Sindical e CUT estão convocando um dia de manifestação contra o PL 4.330. Este projeto de lei, se aprovado, derrubará a norma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que veda a contratação de terceirizados para as atividades-fins da empresa. No Rio de Janeiro, haverá um ato na Cinelândia às 10 horas para expressar o repúdio dos trabalhadores a esse projeto. O Opinião Socialista entrevistou Paulo Barela, trabalhador do IBGE e membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas.

Paulo Barela, dirigente da CSP Conlutas
OS: Qual é a posição da central sobre a PL 4330, apresentada pelo Deputado Sandro Mabel (PR/GO) que abre caminho para ampliar a terceirização?

Barela: A CSP-CONLUTAS considera esse projeto de lei como mais uma das medidas da burguesia para flexibilizar os direitos trabalhistas em nosso país e jogar nas costas dos trabalhadores e das trabalhadoras os custos de uma séria crise do capitalismo. A terceirização é precarização do trabalho e o rebaixamento da remuneração média que só cumpre com um propósito: garantir o aumento da taxa de lucro das empresas. Infelizmente, o governo Dilma-PT, com seu arco de alianças conservadoras no Congresso Nacional, está engendrando mais esse ataque aos direitos dos trabalhadores em nosso país.

OS: O dia 6 de agosto está sendo convocado pelas centrais como um dia de luta contra a PL 4330. Quais são as atividades programadas?

Barela: Nós, da CSP-CONLUTAS, estamos juntos com as outras centrais sindicais na luta contra esse projeto e estamos programando uma série de manifestações e protestos públicos por todo o país. O objetivo é chamar a atenção do governo e do Congresso Nacional, colocando milhares de trabalhadores nessas atividades e transformar esse dia na antessala da grande paralisação nacional que queremos construir no dia 30 de agosto.

OS: O dia 6 substitui o dia 30 como a CUT quer em alguns estados?

Barela: De forma nenhuma! Lamentavelmente a CUT, presa ao seu compromisso de garantir a governabilidade e apoio ao governo Dilma-PT, quer limitar a luta dos trabalhadores à retirada do PL-4330. Por isso, elegeram o dia 6 de agosto como centro de suas ações. Como falamos acima, o dia 6 de agosto é muito importante pela luta contra as terceirizações, mas o entendemos como alavanca para a construção de uma verdadeira greve geral no país no dia 30 de agosto. Nossa pauta é muito mais ampla e parte da exigência de uma mudança global na política econômica do governo.


Dia Nacional de Paralisações reuniu cerca de 15 mil no RJ
OS: Quais são as as reivindicações que estão na pauta do dia 30?

Barela: Exigimos o fim dos leilões do petróleo e das privatizações dos portos, aeroportos, estádios. Queremos a reversão das leis que criaram o FUNPRESP (previdência privada no serviço público) e a EBSERH (privatização dos Hospitais Universitários). Exigimos 10% do PIB para educação pública e mais verbas para a saúde pública. Queremos reforma agrária sob controle dos trabalhadores, investimentos em emprego e obras públicas que atendam a população pobre de nosso país. Nesse sentido, seguiremos exigindo de todas as centrais, inclusive da CUT, que organizem os trabalhadores para exigir do governo e dos patrões o atendimento dessa pauta. Assim, estamos orientando as entidades filiadas à CSP-CONLUTAS a intensificação do trabalho pela base para construir a paralisação das categorias nesse dia 30 de agosto. Mas não é só! Queremos aproveitar a paralisação para construir grandes atos públicos por todo o país. Paramos algo em torno de três milhões de trabalhadores no dia 11 de julho, agora temos a oportunidade de dobrar ou triplicar esse número.

Editorial: É preciso dar um passo adiante

Leia o editorial do Opinião Socialista nº 465

Muitos trabalhadores e estudantes que apoiavam o PT vivem, hoje, uma crise: sabem que Dilma está fazendo um desastre no governo, mas têm medo da “volta da direita”.
Em geral, esses ativistas participam ou apoiam as mobilizações que estão sacudindo o país. Ficam indignados com a situação e sabem da responsabilidade do governo petista. Chegam à beira da ruptura completa com o PT, mas recuam, pois “a direita pode se aproveitar”.
É muito importante que esse trabalhador ou estudante observe que o desgaste causado pelas grandes mobilizações atinge tanto o PT como o PSDB. O repúdio das ruas se choca raivosamente contra os dois maiores pólos partidários. Os partidos de direita, hoje, estão tão ou ainda mais acuados do que o PT.
As mobilizações de junho colocaram o país em destaque no cenário internacional por terem um caráter histórico. As passeatas foram superiores ao movimento do “Fora Collor”. A greve de 11 de julho foi um ensaio de greve geral, superior a chamada greve geral de 1983.
Essa sacudida histórica está colocando a necessidade de uma nova direção para o movimento. Quem permanecer colado ao PT vai acabar se chocando com o que há de melhor existente nas lutas. Nesse país, nada será o mesmo depois de junho. Nem o PT.
Já estão gravadas na memória da população as imagens das passeatas gigantescas que se deram contra o governo Dilma. Na consciência de milhões e milhões de brasileiros, a referência das greves do ABC, que deram origem ao PT, vai ser substituída pela das passeatas contra o governo petista.
O PT e o PSDB se desgastaram muito por serem expressões da democracia dos ricos. Esses partidos implementaram planos de governo a serviço das grandes empresas. A corrupção é parte integrante da prática petista, assim como da oposição burguesa. Na verdade, o PT foi (e está sendo) parte fundamental das posições da “direita”.
É preciso pensar com a ousadia necessária. É hora de romper com o PT para ajudar na formação de outra referência de esquerda. A dimensão das mobilizações permite pensar na construção de uma nova alternativa que se contraponha tanto à direita como ao PT.
Caso exista uma ruptura com o PT de todo um setor, de muito dos ativistas que lutam, será possível construir uma alternativa de esquerda com maior rapidez. Caso não exista essa possibilidade, a direita pode ocupar espaços de oposição.
É hora de dar um passo adiante, de ruptura com o PT. O PSTU é um partido revolucionário socialista. Continuemos a lutar juntos, como na preparação do dia 30 de agosto, Dia Nacional de Paralisações. E vamos construir, juntos, uma nova alternativa de esquerda revolucionária.