AUMENTO ABUSIVO REVOLTA A POPULAÇÃO E GOVERNO RESPONDE INTIMANDO ATIVISTAS


Barcas S/A: passagens caras, acidentes e sucateamento mostram a cara da privatização

por Heitor Fernandes - Presidente PSTU/Niterói

Nos últimos dias a polícia civil do Rio de Janeiro tem se empenhado em intimar diversos ativistas que estão divulgando pelas redes sociais o protesto que ocorrerá na manhã do dia 1º de março, em frente à estação das barcas de Niterói contra o aumento das passagens.
Segundo a edição online de 24/02 do jornal O Fluminense o delegado titular da 76ª DP (Centro), Alexandre Leite, disse que ainda está investigando a situação, mas que “ quem postou esse vídeo pode ser enquadrado no Art. 286 do Código Penal de incitação ao crime, mas nós ainda estamos investigando”. O delegado também disse que já mandou ofício avisando do protesto ao 12º BPM.
Vários outros protestos vêm ocorrendo, de maneira organizada, em frente à estação das barcas, através de panfletagens e falações com o objetivo de esclarecer e ganhar o apoio da população, mas têm sido duramente reprimidos diretamente pelos seguranças da concessionária Barcas S/A.

Privatização é o centro do problema
Vivemos em um país onde toda semana, pelo menos 37 milhões de brasileiros ficam sem o dinheiro da passagem para voltar para casa. O preço da passagem das barcas era R$ 2,80 e por dia navegam cerca de 85 mil usuários – o que já garantia um faturamento de mais de 7 milhões por mês. Agora a passagem foi aumentada para R$ 4,50, onde o governo do estado subsidiará parte desse valor, e os usuários passarão a pagar R$ 3,10. Ou seja, estamos sendo roubado duas vezes: diretamente na bilheteria, e indiretamente através de impostos.

Quem lucra com isso?
Administrada pela concessionária privada Barcas S/A, o serviço de transporte de barcas está cada vez mais precário. Isso acontece devido ao processo de privatização dos meios transportes através das concessões. Com o argumento de melhorar o serviço, os contratos de concessões foram sendo firmados sem consultar a população.
A Barcas S/A é controlada por um conjunto de empresas, entre elas a que comanda a empresa rodoviária 1001. As vítimas desse sistema privatizado são, como sempre, os trabalhadores. Após um dia inteiro de trabalho, são obrigados a suportar horas na fila, atrasos, acidentes e superlotação.

Luta da população já provocou a estatização das Barcas em 1959
A indignação popular contra este aumento absurdo ocorre 50 anos após a grande revolta que praticamente destruiu a estação, em 1959. Indignados pelo aumento da passagem, cerca de 30 mil pessoas depredaram não só a estação, mas todas as lojas e escritórios da família Carreteiro – então responsável pela administração do serviço. Até mesmo a casa dos proprietários foi alvo da fúria da população. No final do dia, o povo desfilou com as roupas da família pelas ruas.
A revolta forçou o então presidente Juscelino Kubitschek a estatizar a frota e o serviço. No final dos anos 90, porém, a onda de privatizações chegou à Baía de Guanabara e a antiga Cia. de Navegação do Rio de Janeiro (Conerj) passou ao controle do Consórcio Barcas S/A. O serviço piorou a partir de então. As filas, por sua vez, só aumentam, enquanto o número de barcas se mostra insuficiente para atender a demanda.

Vamos dizer não a este aumento abusivo e exigir a reestatização das Barcas e de todos os transportes públicos!
Hoje o que vemos na prática é que o serviço piorou, e o preço só aumentou. Os concessionários ainda contam com o apoio e cumplicidade de diversos políticos que mantém relações obscuras com essas empresas. Nossa luta é pelo fim do regime das concessões!
Queremos a reestatização das barcas, sob controle e a serviço da classe trabalhadora.

TODO@S AO ATO CONTRA O AUMENTO ABUSIVO ANS BARCAS S/A, NESTA QUINTA-FEIRA, DIA 01 DE MARÇO. A PARTIR DAS 07 DA MANHÃ NA PRAÇA ARARIBÓIA (NITERÓI). PARTICIPE!

Contra o aumento da passagem! Passe livre já!
Fora BARCAS S/A! Pela reestatização das Barcas!
Chega de Sérgio Cabral e Jorge Roberto!
Niterói para os trabalhadores!



Leia mais: 

VÍDEO: MANIFESTANTES SÃO AGREDIDOS POR SEGURANÇAS DA BARCAS S/A

Liberdade para Daciolo e todos os grevistas presos pelo governo Cabral


Familiares de presos se consolam

Policiais e bombeiros suspendem greve e exigem libertação imediata dos presos políticos

Da Redação

•  Apesar de policiais militares, civis e bombeiros terem suspendido a greve no Rio nesse dia 13, os grevistas apontados como líderes do movimento continuam presos no presídio de segurança máxima de Bangu 1. O cabo Benevenuto Daciolo e mais 10 outros bombeiros, além de nove policiais militares, estão presos na penitenciária da zona oeste do Rio. Além deles, estão detidos ainda em quartéis da polícia sete PM’s e 162 bombeiros, por terem aderido ao movimento de paralisação.

    Daciolo está em greve de fome desde que foi preso por ‘incitamento à greve’, na noite de quarta-feira, dia 8. A prisão ocorreu poucas horas após uma gravação telefônica do bombeiro com parlamentares sobre a mobilização dos militares ter sido transmitida pelo Jornal Nacional e momentos antes da desocupação da Assembleia Legislativa da Bahia, então tomada pelos grevistas.

Cabral ditador
    A determinação para a prisão dos dirigentes da greve na penitenciária de Bangu partiu diretamente do governo de Sérgio Cabral (PMDB). O governador instaurou um verdadeiro estado de exceção no Rio para sufocar a greve dos bombeiros e policiais, aprovada no dia 9. Além de determinar a prisão imediata para quem aderir à greve, editou um decreto reduzindo pela metade o prazo para investigação disciplinar dos militares, com a possibilidade de expulsão da corporação.

    A prisão dos dirigentes em Bangu, além disso, é ilegal, como apontam a própria OAB, já que a detenção de policiais militares e bombeiros deve ocorrer em locais especiais (Batalhão Especial Prisional para os PM’s e Grupamento Especial Prisional para os bombeiros). Para intimidar os policiais e isolar o movimento, Sérgio Cabral passa por cima da própria lei que diz defender ao reprimir grevistas.

Liberdade já aos presos políticos
    A brutal repressão desencadeada pelo governo petista de Jaques Wagner na Bahia, articulada com o Governo Dilma e a mobilização de tropas federais, assim como a truculenta ação de Cabral no Rio, representam uma escalada repressiva do Estado frente aos movimentos de greve. Além dos soldados do Exército, foi revelado o uso de grampos telefônicos contra grevistas, além de agentes infiltrados em assembleias e atividades do movimento.

    Governo Federal e os governos estaduais da Bahia e Rio mandam, assim, mais que uma mensagem aos demais policiais e bombeiros de outros estados. A ação rápida e enérgica foi uma demonstração de força do Estado, a dois anos da Copa e quatro das Olimpíadas, representando um marco na criminalização do direito de greve e aos movimentos sociais.

    A greve no Rio foi suspensa e será rediscutida após o carnaval. A mobilização agora se centra na libertação imediata de Daciolo e demais grevistas, presos políticos do governo Cabral.

'Mr. Kong' e o racismo à brasileira

Cena do clipe

Por Lucas Ribeiro Scaldaferri, de Fortaleza (CE)







•  Toda vez que se debate racismo no Brasil as classes dominantes apelam para o senso comum e perguntam: quem é negro no Brasil? A miscigenação sempre é invocada para camuflar o racismo e passar a idéia de que esse mal não existe em nossas terras. Mas, uma pequena reflexão já basta para desvendar o quanto nossa sociedade ainda é marcada pela chaga do racismo.

    No Brasil, o que serve de exemplo “positivo” para a sociedade sempre tem uma ancestralidade européia. É assim, por exemplo, com as apresentadoras de programas infantis, que há mais de três décadas invadem os lares brasileiros com suas cabeças loiras e que não parecem nada com a maioria da população. As novelas também reproduzem essa falsa realidade e seus galãs ou protagonistas sempre têm o “pezinho” no velho continente.

    Na educação essa realidade não é diferente. Os que hoje são adultos se lembram que nos livros didáticos as famílias negras nunca eram retratadas. As únicas figuras negras registradas eram, sempre, os escravizados ou trabalhadores domésticos.

    A herança escravagista que tratava o negro como animal irracional e sem capacidade intelectual se manteve viva mesmo depois da abolição. Ser a maioria dos miseráveis e favelados nos dias atuais é o exemplo categórico do racismo no Brasil. Ao contrário dos Estados Unidos da América (EUA), onde leis garantiam a segregação até os anos 70, o Brasil não precisou de artifícios jurídicos.

“Kong”, um desserviço e uma ofensa às mulheres e aos negros
    É por todos esses exemplos que a população negra, e em especial os jovens, precisam ter referências positivas. Pelé, o atleta do século, perdeu a chance de ser um embaixador da luta anti-racista no Brasil; como foi o maior pugilista de todos os tempos, Muhammad Ali, nos EUA. Quando alguns negros conseguem ultrapassar o filtro racista da sociedade brasileira se espera deles, no mínimo, uma postura crítica perante a situação do negro no país.

    O cantor Alexandre Pires, que foi líder do grupo Só Pra Contrariar, gravou recentemente um clipe que não traz nada que possa ajudar a população negra a ser tratada com dignidade. O clipe que leva o nome da música “Kong”, uma referência ao gorila “king Kong”.

    O inicio do vídeo é marcado por uma invasão de gorilas (homens fantasiados) numa casa cheia de mulheres. As cenas são protagonizadas por três negros: o próprio Alexandre, o jogador de futebol Neimar e o cantor Mr. Catra. Este último, durante o filme, se intitula com Mr. Kong. Uma passagem da música diz: “é no pelo do macaco que o bicho vai pegar”.

    As imagens só reforçam o estereótipo animalesco do homem negro como viril. O desserviço prestado por Alexandre, além de fortificar o racismo, é sem dúvida machista. O movimento negro deve repudiar essa manifestação evidente de racismo, que passa como se fosse uma coisa natural, típica característica do racismo à brasileira.

Greve dos dos bombeiros, PM’s e polícia civil continua no Rio

Detalhe do protesto em
Copacabana nesse dia 12
Liberdade já para Daciolo e todos os grevistas presos
 
Cyro Garcia, do Rio de Janeiro (RJ)








• A greve dos servidores da segurança pública do Rio foi aprovada numa assembléia radicalizada com a presença de mais de 4 mil trabalhadores de todas as forças envolvidas. Foi votada com entusiasmo e aprovado por unanimidade, mas desde o seu início demonstrou uma brutal contradição entre, por um lado, o ânimo e a radicalização dos trabalhadores e, por outro lado, a falta de organização.


    Na verdade, não se estabeleceu um comando unificado, nem mesmo um ponto de referência para a centralização do movimento. Por seu turno, o governador Sérgio Cabral (PMDB) respondeu à mobilização desencadeando uma repressão brutal que já começara na véspera da assembléia com a prisão do líder dos bombeiros, Cabo Benevenuto Daciolo, prosseguindo com a prisão logo no dia 10 pela manhã de mais 11 líderes do movimento, além de centenas de prisões administrativas nos quartéis. Mesmo assim a greve na sexta-feira, dia 10, foi muito forte. Na capital, as viaturas que saíram ficaram estacionadas em pontos fixos como cabines e UPP’s, se recusando a fazer as rondas e o policiamento ostensivo. A cidade ficou tranqüila, mas várias atividades foram suspensas: aulas, parte do comércio, etc... No interior a mobilização foi muito forte, principalmente em Campos e em Volta Redonda.


    Fruto da repressão, da inexperiência e da falta de um comando unificado, a insegurança, principalmente dos PM’s , fez com que aumentasse o número de viaturas nas ruas da capital. Os bombeiros guarda-vidas pararam quase que na totalidade e, como resposta, o governo decretou a prisão disciplinar por 72 horas de todos os grevistas, obrigando-os a irem para seus postos de trabalho e depois retornarem para os quartéis, sem poder se ausentar. No interior a greve continuava forte. Portanto, apesar da repressão havia um quadro de greve com desigualdades.


    No sábado estava convocada uma reunião às 15h no SINDSPREV, para se discutir os encaminhamentos da greve. Nesta reunião estavam presentes representantes de três batalhões da PM e alguns bombeiros e seus familiares, além da deputada Janira Rocha, do PSOL, e algumas entidades que apoiavam o movimento tais como o PSTU, a CSP-Conlutas e a Unidos pra Lutar. Quando a reunião se instalou recebemos um telefonema de um bombeiro avisando que o diretor Chao do Sindpol (Sindicato dos Policiais Civis) iria dar uma entrevista coletiva comunicando a suspensão do movimento grevista na CODEPOL (Coliigação dos Policiais Civis). 


    Imediatamente, Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ, presente à reunião, ligou para o Chao questionando sua intenção, uma vez que não tinha havido nenhuma assembléia para ele tomar tal atitude. Num primeiro momento Chao falou que não estava falando somente em nome da Polícia Civil, mas que também estava falando em nome dos bombeiros guarda-vidas que estavam detidos naquele momento. Apesar do questionamento Chao se manteve irredutível e a reunião deliberou pela ida dos presentes ao local onde se daria a coletiva para tentar impedir este ato. Á deputada Janira optou por permanecer no local da reunião aguardando os desdobramentos da ida dos demais participantes.


    Quando lá chegamos, o circo estava montado. Havia representantes de todos os órgãos da imprensa escrita, falada e televisada. Após uma longa discussão, se definiu que o Chao falaria somente em nome da Polícia Civil, mesmo assim, sendo questionada por uma outra liderança da polícia civil que era o Bandeira, presidente do Sinpol, outro sindicato de policiais civis. Determinou-se que subiriam para a coletiva dois representantes de cada força, sendo que o Bandeira foi vetado, indo dois representantes do Sindpol, o sindicato do Chao, para a coletiva. Em nome dos bombeiros subiu a esposa do Cabo Daciolo, Cristiane, e o Sargento Nascimento.
Infelizmente os membros da PM presentes decidiram por não participar da coletiva, solicitando que a Cristiane representasse também os PM’s. 


    Decidiu-se que a Cristiane e o Nascimento convocariam a manifestação do dia seguinte par Copacabana às 10h da manhã. Como era de se esperar, a mídia burguesa repercutiu apenas a entrevista do Chao suspendendo o movimento dos policiais civis e chamando uma assembléia para quarta-feira. O sentimento que prevaleceu entre bombeiros e PM’s foi o de que foram traídos, principalmente em função das inúmeras prisões.


    No domingo realizou-se a manifestação com a presença de algumas centenas de pessoas. O clima foi de muita emoção, principalmente pela presença de diversas mães e esposas de militares presos. A greve foi mantida e marcada uma assembléia para às 18h de segunda-feira no SINSDSPREV. 


    Torna-se fundamental a continuidade de uma ampla campanha pela libertação imediata de Daciolo e dos demais presos. Cabral está contando com o aval de Dilma Roussef, que declarou ser contra a anistia dos grevistas do Rio e da Bahia, como se ela própria não fosse uma anistiada. 


    Os bombeiros e policiais do Rio de Janeiro estão fazendo história e independentemente do resultado da greve, seu movimento tem que continuar para que eles assegurem o direito de greve e de sindicalização. 
Veja também:
Panfleto do PSTU e da Construção Socialista (PDF)
Cyro Garcia declara seu apoio aos bombeiros e policiais em luta por melhores salários no RJ (vídeo)

Greve dos dos bombeiros, PM’s e polícia civil continua no Rio

Liberdade já para Daciolo e todos os grevistas presos

CYRO GARCIA, DO RIO DE JANEIRO (RJ)



PSTU esteve mais uma vez presente em ato da greve de bombeiros e policiais


A greve dos servidores da segurança pública do Rio foi aprovada numa assembléia radicalizada com a presença de mais de 4 mil trabalhadores de todas as forças envolvidas. Foi votada com entusiasmo e aprovado por unanimidade, mas desde o seu início demonstrou uma brutal contradição entre, por um lado, o ânimo e a radicalização dos trabalhadores e, por outro lado, a falta de organização.

Na verdade, não se estabeleceu um comando unificado, nem mesmo um ponto de referência para a centralização do movimento. Por seu turno, o governador Sérgio Cabral (PMDB) respondeu à mobilização desencadeando uma repressão brutal que já começara na véspera da assembléia com a prisão do líder dos bombeiros, Cabo Benevenuto Daciolo, prosseguindo com a prisão logo no dia 10 pela manhã de mais 11 líderes do movimento, além de centenas de prisões administrativas nos quartéis. Mesmo assim a greve na sexta-feira, dia 10, foi muito forte. Na capital, as viaturas que saíram ficaram estacionadas em pontos fixos como cabines e UPP’s, se recusando a fazer as rondas e o policiamento ostensivo. A cidade ficou tranqüila, mas várias atividades foram suspensas: aulas, parte do comércio, etc... No interior a mobilização foi muito forte, principalmente em Campos e em Volta Redonda.


Fruto da repressão, da inexperiência e da falta de um comando unificado, a insegurança, principalmente dos PM’s , fez com que aumentasse o número de viaturas nas ruas da capital. Os bombeiros guarda-vidas pararam quase que na totalidade e, como resposta, o governo decretou a prisão disciplinar por 72 horas de todos os grevistas, obrigando-os a irem para seus postos de trabalho e depois retornarem para os quartéis, sem poder se ausentar. No interior as greve continuava forte. Portanto, apesar da repressão havia um quadro de greve com desigualdades.


No sábado estava convocada uma reunião às 15h no SINDSPREV, para se discutir os encaminhamentos da greve. Nesta reunião estavam presentes representantes de três batalhões da PM e alguns bombeiros e seus familiares, além da deputada Janira Rocha, do PSOL, e algumas entidades que apoiavam o movimento tais como o PSTU, a CSP-Conlutas e a Unidos pra Lutar. Quando a reunião se instalou recebemos um telefonema de um bombeiro avisando que o diretor Chao do Sindpol (Sindicato dos Policiais Civis) iria dar uma entrevista coletiva comunicando a suspensão do movimento grevista na CODEPOL (Coliigação dos Policiais Civis).


Imediatamente, Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ, presente à reunião, ligou para o Chao questionando sua intenção, uma vez que não tinha havido nenhuma assembléia para ele tomar tal atitude. Num primeiro momento Chao falou que não estava falando somente em nome da Polícia Civil, mas que também estava falando em nome dos bombeiros guarda-vidas que estavam detidos naquele momento. Apesar do questionamento Chao se manteve irredutível e a reunião deliberou pela ida dos presentes ao local onde se daria a coletiva para tentar impedir este ato. Á deputada Janira optou por permanecer no local da reunião aguardando os desdobramentos da ida dos demais participantes.


Quando lá chegamos, o circo estava montado. Havia representantes de todos os órgãos da imprensa escrita, falada e televisada. Após uma longa discussão, se definiu que o Chao falaria somente em nome da Polícia Civil, mesmo assim, sendo questionada por uma outra liderança da polícia civil que era o Bandeira, presidente do Sinpol, outro sindicato de policiais civis. Determinou-se que subiriam para a coletiva dois representantes de cada força, sendo que o Bandeira foi vetado, indo dois representantes do Sindpol, o sindicato do Chao, para a coletiva. Em nome dos bombeiros subiu a esposa do Cabo Daciolo, Cristiane, e o Sargento Nascimento.

Infelizmente os membros da PM presentes decidiram por não participar da coletiva, solicitando que a Cristiane representasse também os PM’s.


Decidiu-se que a Cristiane e o Nascimento convocariam a manifestação do dia seguinte par Copacabana às 10h da manhã. Como era de se esperar, a mídia burguesa repercutiu apenas a entrevista do Chao suspendendo o movimento dos policiais civis e chamando uma assembléia para quarta-feira. O sentimento que prevaleceu entre bombeiros e PM’s foi o de que foram traídos, principalmente em função das inúmeras prisões.


No domingo realizou-se a manifestação com a presença de algumas centenas de pessoas. O clima foi de muita emoção, principalmente pela presença de diversas mães e esposas de militares presos. A greve foi mantida e marcada uma assembléia para às 18h de segunda-feira no SINSDSPREV.


Torna-se fundamental a continuidade de uma ampla campanha pela libertação imediata de Daciolo e dos demais presos. Cabral está contando com o aval de Dilma Roussef, que declarou ser contra a anistia dos grevistas do Rio e da Bahia, como se ela própria não fosse uma anistiada.


Os bombeiros e policiais do Rio de Janeiro estão fazendo história e independentemente do resultado da greve, seu movimento tem que continuar para que eles assegurem o direito de greve e de sindicalização.



Veja álbum de fotos do ato deste domingo, 12/02, em Copacabana

Contra as prisões e a repressão à greve, todos à Copacabana neste domingo

É preciso que as entidades aprovem moções de repúdio à repressão do governo Dima, Cabral e Wagner às greves


Após a greve na Bahia, a greve dos policiais civis, militares e bombeiros do Rio foi deflagrada na noite desse 9 de fevereiro. Apenas poucas horas depois, porém, o movimento já enfrenta uma forte repressão do governo Sérgio Cabral (PMDB). 


Os policiais apontados como líderes do movimento estão sendo rapidamente presos. Na tarde desse dia 10 a própria polícia informava que 17 policiais já estavam presos, após ter informado a detenção de 59 homens. Informações do movimento de greve, no entanto, dá conta que o número de grevistas detidos passam de 150. Só do 28º Batalhão da PM, de Volta Redonda, 129 policiais estão sendo indiciados por 'crime militar'. Detenções e indiciamento por crimes de 'incitação' ocorrem em todos os batalhões.



O Comanda da PM no Rio e o governador Sérgio Cabral decidiram enfrentar a greve com brutal truculência e espalhando o terror entre os policiais. A polícia emitiu um boletim interno nessa sexta-feira determinando a prisão administrativa de todos os policiais que aderissem à greve. Além disso, os insubordinados seriam automaticamente submetidos ao Conselho de Disciplina, podendo ser expulsos da corporação. Decreto do governador alterou regra de 1978 e reduziu de 30 para 15 dias o prazo de julgamento disciplinar. Cabral instaura assim um verdadeiro estado de exceção no Rio para perseguir os policiais em greve. 




Não à repressão e truculência
Todos à Copacabana domingo
O governo Cabral quer enfrentar a greve no Rio com uma repressão ainda mais forte que Jaques Wagner (PT) na Bahia. Segue assim determinação do próprio Governo Federal, cuja estratégia é esmagar a mobilização de forma exemplar para impedir que o movimento se espalhe por outros estados. 



Para isso, utiliza a Polícia Federal para grampear telefones como as piores ditaduras. Serve-se ainda da grande imprensa, com a Rede Globo à frente, para criminalizar a greve e legitimar a repressão contra os grevistas. É preciso que as entidades de classe como as centrais, sindicatos, entidades estudantis, aprovem moções de repúdio contra essa truculência e de solidariedade ao movimento de greve, exigindo que Dilma pare de reprimir os policiais e intermedie negociações. 



No próximo domingo, dia 12, haverá um grande ato na praia de Copacabana, pela libertação do cabo Daciolo e demais policiais presos e abertura imediata de negociação. 



CYRO GARCIA PRESTA APOIO À GREVE



LEIA MAIS
Da série 'O que é', as Forças Armadas seu papel no capitalismo e a política que os revolucionários devem ter frente a ela




Fonte Portal PSTU [10/2/2012 21:37:00]

BOMBEIROS E POLICIAIS MILITARES E CIVIS DECRETAM GREVE NO RJ



Com todas as atenções, nacionais e internacionais, voltadas para a cidade do Rio de Janeiro milhares de pessoas (estima-se entre 7 mil a 20 mil) ocuparam a praça da Cinelândia para acompanhar a assembleía geral convocada pelas entidades representativas de bombeiros e policiais que iria deliberar sobre a entrada em greve apartir da sexta-feira dia 10/02.
Nem as ameaças do governador Sérgio Cabral, do Secretário Beltrame e das chefias e comandos, que apoiados na violenta represão à greve dos policiais da Bahia patrocinada pelos governos petistas de Jaques Wagner e Dilma, se negam a negociar e vem reprimindo duramente o movimento, inclusive prendendo lideranças os milhares de agentes civis e militares decidiram de forma unânime pela deflagração da greve, por unanimidade e com o aquartelamento das tropas.
Não esmoreceram nem diante da tática de embromação protagonizada pelos deputados da Alerj, que votaram um reajuste pífio e parcelado tentando enrolar as categorias e a população.
Agora, policiais de estados como Pará, Paraná, Alagoas e Rio Grande do Sul também ameaçam cruzar os braços.

Leia na íntegra a declaração de apoio do PSTU  e do grupo Construção Socialista (CS) à greve  de bombeiros e policiais civis e militares do RJ:

Todo apoio à luta dos policiais militares, bombeiros
e policiais civis por salário justo, dignidade e respeito!

O PSTU e a Construção Socialista (CS) vêm a público prestar sua solidariedade aos trabalhadores do setor de segurança do estado do Rio de Janeiro, por entender que as reivindicações são justas e que o governador Sérgio Cabral, como aconteceu há um ano atrás com os bombeiros, ignora a situação lastimável em que vivem estes servidores, ganhando um dos salários mais baixos da categoria em nível nacional. O governador finge que não existe problema com os salários e com a segurança da população. Com uma postura autoritária, não negocia um reajuste decente para os servidores, alegando que não tem verba. Se esquece que foi flagrado recentemente festejando na companhia de vários empreiteiros, que estão ganhando uma verdadeira fortuna do governo do estado com obras superfaturadas e sem licitação para a Copa e as Olimpíadas. Bilhões estão indo para as mãos destes corruptos, quando deveriam ser utilizado para melhorar a saúde e educação da população, as condições de trabalho e os salários dos servidores públicos.
Vejam o caso da educação: Cabral lhes paga R$ 877,00, está fechando dezenas de escolas e centenas de
turmas, colocando à disposição milhares de profissionais de educação, que neste momento não podem exercer a sua profissão. Tudo isso para estimular a parceria com a iniciativa privada. Na saúde a situação não é diferente: os ospitais estão caindo aos pedaços e os salários pagos aos profissionais são uma vergonha.
Outro bom exemplo para entender a lógica do ditador do Rio é a situação dos desabrigados da Região Serrana.
Depois de muitas promessas, um ano se passou e nenhuma casa foi construída na Região Serrana, e assim a
população continua nas áreas de risco por falta de opção.

A nossa arma é a GREVE!
Por tudo isso, achamos que é justo que os trabalhadores dos três segmentos se unifiquem e lutem por dignidade, por salários decentes e por segurança no trabalho. Se depender de Sérgio Cabral, todo o dinheiro do estado será enviado para empresas como a Delta Construções, que controla dezenas de obras no estado sob suspeita de irregularidade.
As lutas ocorridas na Bahia, Ceará, Piauí e Maranhão demonstram que existe uma justeza em exigir um salário decente destes governantes que estão longe do interesse do povo. O caminho para conquistar as reivindicações é a greve da Segurança Pública do estado do Rio.
O governador Jaques Wagner (PT), junto com a presidenta Dilma, está tentando jogar a população contra os policiais, querendo demonstrar que existe poder de estado, que eles é que mandam, que os policiais e seus familiares são vândalos. Bem parecido com o que fez Sérgio Cabral na luta dos bombeiros no ano passado. Os governantes mentem o tempo todo.
Enquanto tentam criminalizar aqueles que lutam por melhores salários, vendem para empresários corruptos os principais aeroportos do país, privatizando o aeroporto de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinhas) e Brasília. Uma grande jogada para os empresários, já que a tendência é de aumento significativo do lucro neste setor, com a proximidade da Copa e Olimpíadas. Quem não lembra do ex- sindicalista
Lula na década de 90 denunciando as privatizações da Light, Metrô, CEG, CSN e Vale?
Por isso, chamamos a população a não confiar nas afirmações caluniosas e falsas que tem como finalidade
derrotar a justa luta dos policiais. Exigimos do governo Dilma o encaminhamento e aprovação imediatos da PEC 300 no Congresso Nacional para resolver o problema salarial dos policiais e bombeiros. Neste momento, há a possibilidade de greves em nove estados. Com uma greve nacional garantiríamos um piso nacional para a categoria, o que ajudaria a resolver os problemas salariais nos estados.

Veja o album do PSTU RJ com fotos da assembléia.




Greve continua na Bahia e se alastra para o Rio

Jornal Nacional, noite de 8 de fevereiro. Enquanto um grupo de 350 policiais grevistas eram sitiados na Assembleia Legislativa da Bahia por forças do Exército, o telejornal de maior audiência do país veicula gravações telefônicas ‘autorizadas pela Justiça’ dos líderes da mobilização. Na gravação, dirigentes como Marcos Prisco e o cabo Benevuto Daciolo, liderança da greve dos bombeiros no Rio, aparecem articulando o movimento ou, na linguagem da Globo, ‘combinando atos de vandalismo’.

Instantes depois, o Exército reforça o efetivo que cerca os grevistas. Helicópteros dão rasantes no céu para intimidar. Não há dúvidas: a ordem é fazer a reintegração do prédio ocupado. Poucas horas depois, o cabo Daciolo é preso assim que pisa no aeroporto do Rio retornando da capital baiana. Os fatos mostram claramente. Rede Globo, Polícia e Governo Federal e os da Bahia e Rio, articularam uma ação sem precedentes de repressão para pôr fim à greve da Polícia Militar na Bahia e, principalmente, impedir que o movimento se alastre para outros estados.

A data não foi escolhida por acaso. No dia seguinte, policiais e bombeiros do Rio realizariam uma assembleia em que votariam a greve. Era preciso bater forte naquele momento. Na manhã do dia 9, os policiais baianos deixam a Assembleia após oito dias de ocupaçãopara impedir um banho de sangue e Prisco, principal dirigente da categoria no estado também é preso, junto com outros três lideranças.

Greve continua
No decorrer do dia 9, porém, o movimento dá sinais de força na Bahia. O enorme aparato repressivo deslocado pelo Governo Federal para pôr fim à greve, que incluiu 2 mil homens do Exército, só serviu para atiçar mais ainda a indignação dos policiais. Em Salvador, os policiais vão direto da Assembleia Legislativa para a sede do Sindicato dos Bancários e lá, em assembleia e diante da intransigência do governo Wagner, decidem continuar o movimento de greve.

“Ôôô, a PM parou... a culpa é do governador”, entoam os mil policiais presentes na assembleia. “A desocupação não nos derrotou, a campanha da mídia contra a greve não irá nos vencer; a PM parou e a culpa é do governador”, declarou à reportagem do Opinião Socialista um dos policiais. No final do dia, o governo Wagner anunciava o corte no ponto dos grevistas.

No mesmo momento no Rio de Janeiro, algo como sete mil policiais civis, militares e bombeiros se reuniam e lotavam a praça da Cinelândia para decretarem a greve. Entre as principais reivindicações estava a não punição aos colegas baianos e a libertação imediata do cabo Daciolo. O presidente do PSTU no Rio, Cyro Garcia, levou a solidariedade à mobilização dos policiais e responsabilizou o governo Cabral pela greve. O partido distribuiu 10 mil panfletos de solidariedade à mobilização e outros milhares de adesivos denunciando a postura ditatorial do governo carioca.

Cyro: “Greve é um direito”
“A greve é um direito ou não é?”, perguntou Cyro à multidão. Diante do uníssono “sim”, Cyro questinou: “PM é trabalhador, sim ou não?”. Com a afirmação, emendou: “Se a greve é um direito do trabalhador e os policiais são trabalhadores, então vocês tem todo o direito de fazer greve”, sendo muito aplaudido. Para Cyro, “a mesma burguesia que nega aos policiais o direito de greve, utiliza essa mesma polícia para cometer arbitrariedades como foi o caso da brutal desocupação do Pinheirinho, ou como ocorre quando o governo reprime qualquer greve ou mobilização”.

Para Cyro, é necessário mudar esse caráter da polícia, que hoje defende os direitos e interesses dos ricos, como do especulador Naji Nahas em São José dos Campos. O dirigente terminou sua fala puxando uma palavra de ordem que foi cantada por todos: ‘Sérgio Cabral, seu ditador/liberte Daciolo, que é trabalhador’.

Os policiais aprovaram a greve por unanimidade, com o aquartelamento das tropas a partir desse dia 10. Policiais de estados como Pará, Paraná, Alagoas e Rio Grande do Sul também ameaçam cruzar os braços.


Leia também




  • Fonte Portal PSTU [10/2/2012 12:16:00]

    Liberdade imediata a Daciolo e policiais presos na Bahia

    O Governo Federal, articulado com os governos de Jaques Wagner (PT) e o de Sérgio Cabral (PMDB), empreende uma repressão sem precedentes contra a mobilização dos policiais. Truculência com direito a escutas telefônicas e espionagem como nos tempos da ditadura. A presidente Dilma chegou a ir à TV afirmar que é contra a anistia aos policiais grevistas.

    Em uma das conversas interceptadas pela Polícia Federal e divulgada em primeira mão pela Globo, aparecem o cabo Daciolo conversando sobre a mobilização dos policiais no Rio com a deputada estadual do PSOL, Janira Rocha, sendo que os policiais no estado sequer haviam entrado em greve ainda. Isso mostra que a prática do grampo contra movimentos de greve é generalizada. Daciolo foi preso pelo ‘crime’ de ‘incitamento’ a motim e a deputada pode enfrentar até mesmo a perda do mandato.

    É preciso rechaçar fortemente essa repressão digna das piores ditaduras e exigir do governo Dilma a libertação imediata de Daciolo, Prisco e demais dirigentes presos. Exigir ainda a retirada das tropas federais do Rio e a abertura de negociações com os policiais grevistas.

    Unificação e desmilitarização da polícia
    A mobilização dos policiais que se alastra pelo país mostra ainda a necessidade da unificação da polícia e a desmilitarização da Polícia Militar, com o pleno direito de organização e sindicalização dos policiais.

    A proibição da sindicalização da categoria visa manter a polícia como um aparato de repressão à greve dos trabalhadores e às lutas sociais. Também é necessário criar uma nova polícia, organizada de forma radicalmente diferente da atual. Seus comandantes ou delegados deveria ser eleitos pela população da região onde atuam. É uma forma democrática de comprometer esses comandantes com a população local.

    Para o PSTU, a luta dos policiais civis, militares e dos bombeiros que se alastra pelo país deve servir de exemplo ao restante dos trabalhadores.

    Fonte Portal PSTU [10/2/2012 12:18:00]

    Leia e divulgue Panfleto do PSTU e da Construção Socialista (PDF)

    Leia também O movimento se enfrenta com a repressão

    O PT e a greve da PM na Bahia: entre o império da farsa e do terror

    Governo Wagner se nega a negociar com grevistas, chama trabalhador de bandidos, faz presos políticos e, junto com Dilma, entra para história por ser o primeiro governante do PT a usar o exército para reprimir uma greve


    No momento em que escrevemos este texto, a greve da PM na Bahia completa oito dias. No dia 31 de janeiro, a greve foi deflagrada em assembléia organizada pela ASPRA (Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado). Os policiais reivindicam a reintegração dos exonerados depois da histórica greve de 2001, a incorporação de gratificações, o pagamento do adicional de periculosidade, reajuste linear de 17,28% retroativo a abril de 2007 e a revisão no valor do auxílio alimentação. Segundo os grevistas, bandeiras reivindicadas há quase 15 anos.

    Desde a paralisação, a média de assassinatos e roubos a carros na região de Salvador dobrou. Além disso, também ocorreram saques a lojas e alguns arrastões em bairros mais populosos da capital baiana. Quem não vive em Salvador e toma conhecimento das informações acima, talvez a imagine como uma cidade fantasma, com as pessoas trancadas em suas casas e as ruas desertas, tipo filme de faroeste americano quando chega um bandido perigoso na cidade. Não é bem assim.

    Ao menos durante o dia, a vida em Salvador seguiu algo próximo do “normal”. Ou seja, a população sai para trabalhar com a mesma insegurança, o mesmo medo e a mesma violência de sempre. Tragicamente, como a exposição da população à violência é tão grande e já faz parte da rotina, ela tenta cumprir seus compromissos mesmo sem policiamento em uma das capitais mais violentas do país. 

    O que a greve acrescentou à rotina de medo da população foi algo como um “toque de recolher” ao final da tarde. À noite, a violência aumenta, além dos bairros mais periféricos viverem momentos de “acerto de contas”.

    É importante começarmos analisando a greve da PM na Bahia a partir de como ela alterou a rotina da população, porque pode parecer que foi a greve que inventou a violência no estado. Embora os crimes tenham aumentado com a greve, não foi ela que inventou a violência, a sensação de insegurança e o medo da população. Esse mérito é dos últimos governos, desde os carlistas até o do PT.

    Cuidado, você está na Bahia
    Se a Bahia fosse um país, seria um dos mais violentos da América Latina, ficando atrás apenas da Colômbia e do México. Segundo o Mapa da Violência 2011, do Instituto Sangari e Ministério da Justiça, a Região Metropolitana de Salvador, que ocupava a décima e última posição em 1998 entre as Regiões Metropolitanas do país no que diz respeito às taxas de homicídio, em apenas 10 anos passou para a terceira posição. 

    Na média das Regiões Metropolitanas do Brasil, as taxas de homicídios caíram 24,5% entre 1998 e 2008, enquanto a região que ostenta o título de “Terra da Alegria” viu estas taxas aumentaram 308,3% no mesmo período. Estes dados, é bom frisar, são com a polícia trabalhando, ou seja, esta é a “normalidade”.

    É por isso que a população sabe que, quando a greve da PM chegar ao fim, independente do seu desfecho, não acabará o medo que acompanha todos os trabalhadores e jovens no seu dia a dia, principalmente aqueles que vivem nos bairros periféricos das cidades.

    O Jeito Carlista do PT governar
    É neste quadro de violência rotineira que se instalou a greve da PM na Bahia. Com o argumento de garantir a segurança pública, o governador Wagner, do PT, anunciou, de forma truculenta e irresponsável que não negociava com trabalhadores em greve. Na TV, a declaração do governo foi num tom de “prendo e arrebento”. Declarou que considerava a greve ilegal, que atentava contra o Estado democrático de direito e evocou a necessidade de se preservar a “ordem e o império da lei”.

    No discurso e na prática, Wagner repete o mesmo modus operandi do partido carlista, antigo PFL e atual DEM. A truculência e intransigência do carlismo com os movimentos sociais, antes duramente criticada pelo PT, é reproduzida ao pé da letra. 

    foto: Raíza Rocha

    O império da farsa e do terror
    O governador requisitou a intervenção da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas e recebeu o ministro da Justiça e outras autoridades do governo federal. No dia 03 de fevereiro, tropas do Exército começaram a chegar a Salvador. No dia seguinte, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello chegaram a Bahia para acompanhar as operações do exército. Com estas ações, a condução da situação não ficou mais sob responsabilidade apenas do governo do estado, mas do Ministério da Justiça e da presidente Dilma, chefe das Forças Armadas.

    A promessa do governador com a vinda da Força Nacional era de restaurar a “normalidade”, ou seja, ao invés dos 93 homicídios registrados em Salvador em 07 dias de greve, o governo prometia o retorno à cota semanal de cerca de 46 homicídios. 

    Com uma competência impressionante, em poucos dias um contingente de cerca de 3000 homens foram mobilizados, oriundos da Força Nacional de Segurança, Polícia Federal e, principalmente, do Exército. Foi a maior operação deste tipo e cerca de 2000 ficaram na capital, cuja tarefa, garantiram as autoridades, seria fazer a segurança da população. Nasce a primeira farsa.

    Na manhã do dia 06 de fevereiro, ficou claro o porquê de tamanho empenho do governo federal. Membros da Força Nacional de Segurança, grupos de elite da Polícia Federal e quase 1000 membros do exército, além de 250 PMs, foram deslocados para a região mais segura do estado: a Assembléia Legislativa. O objetivo era prender os líderes do movimento e desocupar o saguão da Assembleia Legislativa, ocupado pelos grevistas desde o dia 31/01.

    O grande operativo responde ao medo do palácio do Planalto de que o exemplo da greve na Bahia se espalhe para outros estados. A ordem do governo federal é esvaziar o movimento grevista a qualquer custo. A última vez que o exército foi chamado para reprimir uma greve no país foi em 1995, na greve de petroleiros, no mandado de FHC. Junto com ele, Dilma ingressa no mesmo panteão em que também estão presentes pessoas como Médici, Figueiredo e Sarney. A lista já fala por si e dispensa comentários.

    A Assembleia Legislativa foi cercada pelo exército. No entanto, familiares e grevistas conseguem se manter próximos ao local, ainda que isolados por um bloqueio que os impedia de manter contato direto com os que estavam dentro da Assembleia. 

    Foram cortadas a água e luz do prédio e não se permitia o envio de comida e produtos de higiene. O exército tentou colocar tapumes de zinco para isolar a área, impedindo a visualização de como seria feita a desocupação. Com a resistência dos grevistas de fora da Assembleia, se desistiu da ação.

    Para justificar a intransigência de não negociar com grevistas, o governo Wagner seguiu o roteiro da direita na história do país: em nome da democracia, instauraram o terror. Nasce, então, a segunda farsa. 

    Sob o argumento de que os grevistas quebraram a hierarquia, romperam o “império da lei e da ordem” e feriram o Estado democrático de direito, o governo procurou dar ao movimento um caráter criminoso.

    Os presos políticos do governo Wagner
    O primeiro passo para criminalizar o movimento grevista foi arrumar um pretexto: no início da greve, como ocorreram ações de pessoas mascaradas atirando para cima e em fachadas de prédios, criando pânico na população, imediatamente o governo atribuiu estas ações aos grevistas e as usou como desculpa para não negociar. Chegou até a acusar que alguns assassinatos teriam sido cometidos por grevistas; mas, ao não apresentar provas ou mesmo investigação sobre o assunto, voltou atrás e preferiu o esquecimento.

    A própria Associação que lidera a greve condenou corretamente as ações que visam criar pânico na população e afirmou que os responsáveis, se provados, deveriam ser punidos. Ainda assim, o Estado e os partidos da base aliada usaram este mote para condenar um movimento com adesão de mais de 10 mil policiais.

    Na sequência, se pediu a prisão de 12 grevistas. Na imprensa, o governo alegava que seriam os responsáveis pelas ações de terror à população. No entanto, oficialmente a acusação era outra: “formação de quadrilha e roubo”. Como são militares, a lei brasileira não permite que eles façam greve e é sobre este argumento que se baseiam os mandatos de prisão. A suposta formação de quadrilha é pelo próprio fato de estarem em greve e o roubo é porque teriam levado viaturas da polícia para as manifestações. Como a base da prisão é a participação na greve, as prisões, se confirmadas, caracterizam perseguição política. Duas já foram realizadas e são os primeiros presos políticos do governo Wagner.

    Os Partidos da Ordem
    O PT, no momento mais agudo da repressão ao movimento, lançou uma nota exigindo “firmeza” e atribuindo a “insegurança e instabilidade” no estado à ação dos grevistas. A nota lamentava a radicalização do movimento e prestava solidariedade ao governador.

    O PCdoB foi mais realista que o rei. Em uma nota reacionária, chamou os grevistas de “vândalos” e argumentou que “o caso mais grave é a ocupação da Assembléia Legislativa”, exigindo sua “desocupação imediata”. Usou o recurso de teorias da conspiração, afirmando que “policiais militares estão sendo manipulados por ações obscuras”. Defendeu o governador e proibiu que seus militantes se associassem ao movimento.

    O recado era para os dirigentes sindicais da CTB, central que dirige a maioria dos sindicatos de servidores estaduais da Bahia. O enquadramento funcionou, pois em nenhum momento houve uma ação efetiva dos sindicatos de servidores estaduais em apoio à greve.

    Pelo fim da repressão aos grevistas!
    Dilma e Wagner vão entrar para a história do Brasil como os primeiros governantes do PT que colocou o exército para reprimir grevistas. 

    Todas as dificuldades de negociação foram impostas pelo governo. Como negociar com fuzis apontados para os grevistas e perseguição às lideranças do movimento? Enquanto fechávamos essa edição, o governo se mantinha intransigente em dialogar com o movimento. Wagner exige a cabeça dos líderes com o pedido de prisão de mais 10 grevistas.

    A situação, portanto, permanece tensa. Um banho de sangue pode acontecer caso Dilma não retire as tropas federais que cercam a Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, é preciso que Wagner garanta que nenhuma punição será efetivada contra aqueles que lutam. 

    Desde o primeiro dia de paralisação, o PSTU declarou seu apoio à greve e trouxe o debate da desmilitarização da polícia e do direito à sindicalização dos policiais militares. Para o PSTU, a luta da Polícia Militar Baiana, assim como a luta dos Bombeiros no Rio de Janeiro no ano passado, deve servir de exemplo para todo o país.

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