PSTU Convida: 50 anos do golpe militar no Brasil e o financiamento das empresas à ditadura (2/4, quarta-feira)




No momento em que se completam 50 anos do golpe militar no Brasil, o Pstu Rio convida a todas e todos para debater sobre os grandes grupos econômicos que investiram e lucraram com a ditadura cívico-militar brasileira.

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Rebelião toma conta do COMPERJ na tarde de hoje


Um motim tomou conta das obras do COMPERJ na tarde de hoje. Depois de 40 dias de greve, um acordo foi fechado, no início desta semana, entre a categoria e os patrões, mediado pelo Sindicato da Construção Civil de Itaboraí. No entanto, um dos pontos principais das reivindicações, a exigência de que os dias parados não fossem descontados, foi negado pelas construtoras. O sindicato omitiu a informação para a categoria que, ao descobrir a situação, resolveu novamente cruzar os braços. 



Os protestos começaram a se multiplicar por vários canteiros de obra do complexo, levando cerca de 28 mil trabalhadores a protestarem contra a atitude do sindicato e a negativa dos patrões. Diante da recusa dos operários a trabalhar, a Petrobrás começou a liberar os trabalhadores por volta das 10h, mas em alguns canteiros os operários foram impedidos de deixar o complexo. A revolta aumentou e os trabalhadores ameaçaram ocupar todo o complexo. A Petrobrás reforçou a segurança, trazendo agentes de outras unidades para o local. Há informações também de que havia vários agentes a paisana armados dentro dos canteiros. 

Por volta das 11h, diretores do Sindpetro se dispuseram a entrar nos canteiros e negociar com os trabalhadores para evitar reabrir as negociações. Há dois anos, no CENPES, a interlocução do Sindpetro conseguiu evitar o pior em situação parecida. A Petrobras, no entanto, negou a ajuda dos diretores e afirmou que a situação estava sob controle. 

As atitudes da Petrobras diante da grande greve do COMPERJ, somadas a conduta apresentada pela empresa em face dos últimos acontecimentos, levantam a suspeita de que a Petrobras esteja se utilizando da greve para justificar o atraso nas obras do complexo. A recusa ao diálogo por parte da empresa, inclusive declinando a ajuda do Sindpetro, sindicato que goza do respeito dos trabalhadores do complexo, levaram ao conflito. 

O que está por trás desta crise é o total descrédito do Sindicato da Construção Civil entre os trabalhadores, que sofrem com condições de trabalho cada vez mais precárias. No último período, houve falta de água potável e para higiene nos canteiros do complexo. Além disso, as empresas forneceram comida estragada aos trabalhadores, levando mais de 200 deles ao hospital. Um operário teve a boca cortada com um caco de vidro encontrado entre a comida, e em outro episódio, uma lagartixa morta foi encontrada na comida. Depois da greve, nos dois dias em que houve trabalho, o pessoal de cozinha alertou aos trabalhadores que a comida que estava sendo servida estava fora da validade, pois havia sido adquirida para a alimentação nos dias em que as atividades estavam paralisadas. 

No fim da tarde, havia indícios e informações de que a tropa de choque da polícia militar havia entrado no complexo para acabar com a mobilização dos trabalhadores. O resultado desta operação continua desconhecido. Neste momento não é possível contactar os trabalhadores para obter informações a respeito da invasão da polícia.

Barbárie que vitimou Cláudia reforça necessidade da desmilitarização da polícia


Arthur Gibson, da redação Rio
Cláudia da Silva Ferreira, 38 anos, moradora do Morro da Congonha em Madureira, acordava todos os dias às 4h30 da manhã para ir trabalhar como auxiliar de serviços gerais no Hospital Marcílio Dias. Com o baixo salário que recebia, sustentava quatro filhos e quatro sobrinhos junto com seu marido, que trabalhava como vigia no famoso Mercadão de Madureira. No dia 16 de março, um domingo, Cláudia saiu de casa com R$ 6 para comprar pão e foi alvejada a tiros pela PM. Colocada na traseira da viatura pelos policiais, a auxiliar de serviços gerais foi arrastada por 250 metros após cair do porta-malas produzindo uma imagem correu o mundo, chocou os trabalhadores e expôs mais uma vez a política racistae assassina de segurança pública no Rio de Janeiro.
A rotina da PM subindo as favelas atirando a esmo, matando trabalhadores e jovens negros e forjando “autos de resistência” é conhecida pelos moradores das comunidades. A própria Cláudia sabia muito bem os perigos de ser negro e pobre no Rio. Weverton, seu filho de 16 anos, disse que sua mãe temia que ele pudesse acabar sendo “confundido” com um traficante e alvejado. O irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, em entrevista ao Globo, deixa claro que o procedimento que vitimou sua irmã não é novidade: “Aconteceu com ela e amanhã será com outro trabalhador. (...) Não queremos que fique impune. Senão ela será só mais um Amarildo”.

O fracasso da política de "pacificação" 
Se depender do governo do Rio de Janeiro, mais Cláudias e Amarildos serão vitimados pela ação da PM. A morte de Cláudia acontece justamente no momento em que o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, iniciam nova ofensiva em sua política de repressão das favelas através das UPP’s. Nas últimas semanas, se utilizando de uma série de ataques por parte do tráfico que resultaram na morte de 16 PM’s neste ano, o governo e a grande mídia não mediram esforços para revitalizar a imagem das Unidades de Polícia Pacificadora. Como parte deste esforço, a Vila Kennedy foi ocupada militarmente e o Complexo do Alemão invadido pelo Bope.
 O projeto das UPP’s entrou em franco descrédito depois das inúmeras arbitrariedades e violências cometidas nas comunidades, das quais a morte do ajudante de pedreiro Amarildo virou símbolo. Manifestações contra as UPP’s e a ação da PM tomaram as favelas do Rio no ano passado e seguem em 2014. Neste ano houve protestos e confrontos de moradores com policiais no Complexo do Alemão, na Praça Seca, Morro São João, Morro da Gambá, Cidade de Deus, Favela do Metrô dentre outros.
A criminosa ação da PM que resultou no assassinato de Cláudia da Silva Ferreira coloca mais uma vez na ordem do dia a luta contra a política de segurança pública do governo Sérgio Cabral. Uma política voltada para a ocupação militar das favelas como forma de reprimir uma população negra e pobre vista como criminosa pelo Estado. A repressão cotidiana da polícia na periferia do Rio foi vista também nas manifestações que tomaram a cidade desde junho passado. As prisões arbitrárias, as agressões gratuitas, a limitação do direito de ir e vir, a infiltração dos movimentos sociais, tudo o que foi característico da ação da PM durante as manifestações é transformado em cotidiano numa versão bastante piorada paraos moradores das favelas cariocas com as UPP’s. A luta contra as UPPs e pelo fim da PM ganhou força em 2013, e deve continuar em pauta. É preciso discutir de que segurança pública precisamos.

Por uma política de segurança pública que atenda os trabalhadores
Não é possível resolver o problema da segurança com a manutenção das atuais Polícias Civil e Militar. Estas são polícias pensadas para manter a ordem de coisas vigente, defender os ricos e poderosos e, por isso, tem como principal função manter os trabalhadores e o povo pobre sob constante repressão. Desta função surge também uma polícia corrupta, sempre disposta a vender seus serviços a quem pague mais ou a cobrar propina dos trabalhadores que se acostumou a reprimir. A estrutura militarizada que tem a PM e que transborda no dia-a-dia também para outras estruturas policiais impede que os policiais que discordam desta realidade possam se manifestar e se organizar para ajudar criar as condições para que esta realidade mude.
É preciso dissolver as atuais polícias e criar uma única Polícia Civil Unificada e totalmente desmilitarizada. Esta polícia deve ter como principal característica o controle de suas ações pelas entidades dos movimentos sociais e associações de moradores, para que ela não mais sirva aos interesses dos ricos e poderosos e passe a defender os interesses dos trabalhadores e da população negra e pobre das periferias. A população deveria ter o direito a eleger os chefes de polícia com mandatos revogáveis a qualquer momento. Os policiais devem ter direito à sindicalização e a eleger seus superiores.
Os agrupamentos de elite (como BOPE e CORE) voltados para invadir as favelas devem ser extintos, bem como a Tropa de Choque, cujo único objetivo é reprimir as mobilizações dos trabalhadores. As UPP’s devem ser extintas e o patrulhamento das favelas deve ser feito em diálogo com as associações de moradores.
A luta por uma nova política de segurança pública, no entanto, começa pela batalha para punir os assassinos de Claúdia, Amarildo e todos os outros trabalhadores e negros assassinados pelo governo Sérgio Cabral. As grandes manifestações que tomaram o Rio de Janeiro em 2013, e que continuam em 2014, não esqueceram dos crimes do governador do estado. É preciso continuar nas ruas, exigindo a prisão dos assassinos de Cláudia e Amarildo e fortalecendo a luta pela derrubada do maior responsável pelo massacre da população negra nas favelas do Rio, o governador Sérgio Cabral.

Atualização: Enquanto publicávamos esse artigo, a Justiça acabava de conceder liberdade aos policiais envolvido no caso de Cláudia

10/03 - Ato Unificado pelo Dia de Luta da Mulher Trabalhadora

Nessa segunda-feira, 10 de março, 2 dias após o Dia Internacional da Mulher, diversos movimentos feministas promoveram no Rio um ato exigindo o fim da violência contra a mulher, o fim do machismo, do racismo e da lesbo/trans/bifobia e denunciando os gastos e desmandos com a preparação para a Copa do Mundo.

A marcha ocorreu da Candelária até a Central,  onde o microfone foi aberto para as falas dos manifestantes. Um forte aparato policial acompanhou todo o trajeto da marcha.

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Um balanço necessário: Greve dos Garis derrota Eduardo Paes e anuncia novas lutas

Garis tomam a avenida Rio Branco em ato da greve (Foto: intenet)

por Arthur Gibson, da redação Rio.
O carnaval é um dos eventos culturais mais importantes de nosso país. Durante este curto período, milhões de trabalhadores ocupam as praças e avenidas do Brasil em busca de lazer e diversão. No entanto, para muitos trabalhadores, o carnaval é um principalmente um período de maior exploração.
Este é o caso dos trabalhadores da limpeza urbana. Durante os festejos momescos, os garis trabalham ainda mais duro para garantir uma cidade limpa para os foliões. Segundo alguns trabalhadores, muitos trabalham além de sua jornada sem receber nada mais por isso. O piso salarial da categoria, que era de R$ 803,00 demonstra o desprezo da prefeitura por este duro trabalho. Apesar desta realidade, a mídia e a prefeitura do Rio sempre retrataram o gari carioca como uma figura folclórica, como um símbolo do carnaval, sempre alegre e feliz por seu trabalho.

As lições de uma Greve vitoriosa
A greve dos garis foi o grande evento deste carnaval no Rio de Janeiro. Ao invés do gari feliz por ser explorado pintado pela mídia e pela prefeitura o que se viu foram garis felizes por lutar, firmes em uma batalha em que tiveram de enfrentar muitos adversários.
A greve, que começou no dia 1º de março, tinha como principais pautas o aumento do piso da categoria de R$ 803,00 para R$ 1.200,00 (37%) e o aumento do tíquete alimentação de R$ 12,00 para R$ 20,00. Ao final dos 8 dias de greve a categoria arrancou um acordo que reajusta o piso para R$ 1.100,00 e o o tíquete para R$ 20,00; uma enorme vitória diante da repressão e da intransigência do prefeito Eduardo Paes (PMDB).
Durante o período de greve os trabalhadores tiveram que dobrar a direção do sindicato (SEEACMRJ), ligada à central sindical pelega CGTB. Depois de cancelar sem maiores explicações a paralisação marcada para o dia 28/02, o sindicato foi atropelado pela categoria que deflagrou a greve no dia 1º de março. Dois dias depois, o sindicato fecha um acordo com reajuste de 9% no salário e aumento do tíquete para R$16,00 junto à Companhia Municipal de Limpeza Urbana (CONLURB). Em comunicado distribuído à categoria o sindicato dizia: “Como toda categoria testemunhou, o Sindicato não foi o responsável pela deflagração da greve”. O objetivo claro era desmontar o movimento que corria fora de seu controle e que tinha ampla adesão da categoria.
Com o aval da direção do  sindicato, que deslegitimava o movimento grevista, a COMLURB anunciou no dia 4 de março a demissão arbitrária de 300 trabalhadores que estavam em greve. Intransigentes em não reconhecer o movimento grevista, Eduardo Paes e o presidente da COMLURB Vinicius Roriz classificaram os grevistas como “marginais”, “delinquentes” e de “grupos isolados que discordam do sindicato”. Com medo das represálias, uma parte da categoria passou a ir ao trabalho para bater o ponto, mas se recusava a sair às ruas para fazer a limpeza. Diante disso Eduardo Paes mobilizou a Guarda Municipal, a polícia Milkitar e até empresas de segurança privadas para obrigar os garis a fazerem a limpeza das ruas.

Categoria demonstrou disposição e unidade  (Foto:internet)
A unidade da categoria e o apoio da população forçam o governo a recuar
A campanha da prefeitura para desacreditar os grevistas e a propaganda da imprensa sobre o caos da limpeza durante o carnaval do Rio não foram suficientes para desmobilizar a categoria nem para diminuir a solidariedade de trabalhadores de outras categorias com a greve.
Durante o carnaval surgiram muitas paródias em apoio à greve, nos atos houve importante presença de trabalhadores de outras categorias e de sindicatos combativos como o SEPE e as redes sociais trasbordaram de apoio à luta dos garis. O gari Renato Sorriso, símbolo do carnaval carioca, tantas vezes utilizado pela mídia como modelo de trabalhador explorado e feliz declarou seu apoio à greve e participou das manifestações: “Sou gari mas não só pra sorrir. Estou aqui porque acima de tudo sou gari e sou trabalhador”. Um vídeo de Eduardo Paes o prefeito jogando lixo no chão virou febre na internet e ajudou a desmoralizar ainda mais o prefeito. Este amplo apoio e solidariedade dos trabalhadores ajudou a fortalecer o movimento grevista e deixou claro para Paes que a batalha estava perdida.

Uma vitória que anuncia novas lutas
As imagens de Eduardo Paes anunciando o acordo no dia 8 de março mostram um prefeito derrotado, inventando desculpas para dizer por que não havia negociado com os grevistas antes. A vitória da categoria deve ser compreendida como parte da ofensiva de lutas que se abriu em junho do ano passado e que derrotou governos e prefeituras revogando o aumento da tarifa dos transportes.
Desde junho vemos uma maior disposição da classe trabalhadora em lutar. Há um maior apoio da população às greves, manifestações, e uma maior indignação diante da repressão e das injustiças. No ano passado, a greve dos professores do RJ colocou em xeque a política educacional de Paes e Cabral e jogou a popularidade destes governantes pra baixo. Em 2014, a luta contra o aumento dos transportes, a greve da saúde e do Comperj (que já dura um mês) e, principalmente, a greve dos garis anunciam um ano de muitas lutas.
É preciso se apoiar no exemplo vitorioso dos garis cariocas e avançar na preparação das mobilizações de 2014. Os servidores públicos federais já preparam atividades de sua campanha salarial para a próxima semana, apontando para uma forte greve nacional unificada. Além disso, o Encontro Nacional do Espaço Unidade de Ação, marcado para o dia 22 de março, vai reunir ativistas do Brasil inteiro para debater e organizar as mobilizações em nível nacional.

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Editorial: Sigamos o exemplo dos garis!
Intelectuais divulgam manifesto contra a repressão e a criminalização dos movimentos sociais

Dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, um dia de luta!

Coluna do MML no ato do dia 8 de março na Lapa/Rio
Samantha Guedes, coordenação do MML

A construção das duas datas do dia 8 e 10 de março  de 2014 foi feita por várias entidades que compõe o fórum de mulheres dentre elas Movimento Mulheres em Luta da CSP-Conlutas, Quilombo Raça e Classe da CSP-Conlutas, PSTU, SEPE, LSR, PSOL, Marcha Mundial, CAMTRA entre outras entidades. No dia 8 de março onde teve o arrastão de mulheres  na  Lapa  estiveram presentes cerca de 500 pessoas. 

É importante ressaltar que o ato denunciou os bilhões que são investidos na Copa do Mundo e os R$0,26 investidos contra a violência em cada mulher no Brasil pelo governo de Dilma do PT. No ato foram feitas palavras de ordem e dentre uma delas apoiando a greve das(os) garis. 

É bom lembrarmos que no dia 10 de março às 17h na Candelária sairá uma passeata de mulheres em direção a estátua de Dandara , a continuação das denúncias, da omissão deste governo em relação as políticas públicas relacionadas as mulheres. 

A construção das duas datas do dia 8 e 10 de março foi feita por pelo Fórum de Mulheres e tem como eixo: BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES! 
CHEGA DE MACHISMO, RACISMO, LESBOFOBIA, TRANSFOBIA, BIFOBIA E DINHEIRO PARA COPA!

Leia mais em 

Chegou a hora de varrer o prefeito Paes!

Foto: Rodrigo Noel.
Mais um dia agitado na "Cidade Maravilhosa"

Por Rodrigo Noel

   O Rio de Janeiro é hoje o palco de uma das principais lutas a nível nacional. Pelo claro enfrentamento com a burocracia sindical, a grande mídia e o aparato repressivo de Paes/Cabral, a greve dos trabalhadores da Comlurb vem mostrando claramente que é possível vencer.

   Na foto que abre este breve informe, um grupo de trabalhadores animavam os centenas de trabalhadores que se concentravam na porta da prefeitura. Eles exigiam a abertura de negociações com vistas as reivindicações por melhores condições de trabalho e reajuste salarial digno.

   Depois de terem esperado por tempo suficiente e não serem sido recebidos pelos assessores da administração municipal, os garis se juntaram a outros companheiros e aos milhares caminharam pelas principais avenidas do Centro do Rio. As cenas que seguiam eram de muita disposição pra luta por parte dos trabalhadores e, das calçadas e prédios, muitos trabalhadores aplaudiam, em sinal de solidariedade, os bravos lutadores que caminhavam pelas ruas da cidade.

"Companheiro Gildo, presente!" 
   Na madrugada de 7/10/2000 o companheiro Gildo da Rocha, dirigente sindical dos garis do Distrito Federal, estava organizando um piquete da greve dos garis quando foi assassinado pela polícia. Mesmo tendo sido atingido por trás, os policiais civis que efetuaram o disparo tentaram incriminá-lo dizendo que este portava armas e drogas, mas dois meses depois toda a farsa foi desmontada após laudo criminalístico. Um dos acusados de efetuar os disparos contra Gildo morreu em um acidente e o outro foi inocentado pela justiça, mesmo com sua comprovada participação na morte do companheiro. Também por isso devemos cobrir os companheiros garis do Rio de Janeiro de solidariedade, pois nem mesmo com o sindicato de sua categoria eles podem contar e ainda têm que lutar contra a campanha feita pela grande mídia pela privatização da Companhia Municipal de Limpeza Urbana - Comlurb.

Presidente da Comlurb manda a população guardar o lixo em casa
    Em mais uma das declarações absurdas dadas pela administração de Eduardo Paes, o presidente da Comlurb, Vinicius Roriz, pediu aos moradores do Rio que não coloquem seus lixos na rua, mas que os guardem em suas casas. Isso é um sinal de que a cúpula da companhia responsável pela limpeza urbana não pretende ceder nos próximos dias e que o caos permanecerá na cidade, contando inclusive com o auxílio de capitães-do-mato da pm, guarda municipal e supervisores da companhia que coagiram centenas de trabalhadores para retomares seus postos de trabalho.

A luta continua
   Novos atos estão marcados para os próximos dias e a mobilização da categoria segue forte. Mesmo com a grande campanha de todo aparato da prefeitura, do próprio sindicato da categoria e das organizações Globo para criminalizar a greve, o apoio da população é muito grande e não para de aumentar. Os baixos salários, as precárias condições de trabalho e a justeza das reivindicações da categoria explicam em muito a solidariedade e o apoio a greve que cada vez mais tem aumentado, e deve contar com a adesão a partir de segunda-feira (10) dos Agentes de Preparação de Alimentos (APA), também vinculados a COMLURB.

Leia também:

Atualizado às 15:50h (8/03)

Carnaval de luta tem greve de garis



Dirley Santos, redação Rio.



Categoria atropela o sindicato, cruza os braços e sofre repressão da PM e da Justiça. Garis dizem que o prefeito Eduardo Paes vai varrer a cidade sozinho.

Garis botam o bloco na rua
Além dos milhares de foliões que aproveitaram este carnaval para denunciar o machismo, o racismo e a homofobia e protestar contra os desmandos da Copa e a dupla Cabral e Paes os trabalhadores da Companhia de Municipal e Limpeza Urbana (Comlurb) do Rio de Janeiro decidiram cruzar os passos e pendurar as vassouras neste carnaval.
Conhecidos como garis[1], o trabalhadores da limpeza urbana carioca, pedem reajuste salarial de R$ 803 para R$ 1,2 mil; aumento no valor do tíquete alimentação diário de R$ 12 para R$ 20 e o pagamento de horas-extras para quem trabalhar nos domingos e feriados, como previsto em lei. Lideranças do movimento denunciam que durante o carnaval os garis chegam a trabalhar dobrado e não ganham um centavo a mais.
Além da melhoria salarial os grevistas reivindicam melhores condições de trabalho e que a Comlurb abra conversas imediatamente para que possam negociar a volta ao trabalho. O prefeito Eduardo Paes, entre uma bravata e outra, diz não que existe greve e se recusa a discutir as reivindicações. Recentemente o prefeito “sugeriu” a população ficar em casa para evitar engarrafamentos ...

Apesar do sindicato Garis botam o bloco na rua. Foto:intenet
Sindicato “atravessa o samba”
O Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio (SEEACM-RJ), assim como a Comlurb, não reconhece a greve. Ligada a pelega CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), a direção do sindicato tentou desde o início da mobilização frear de todas as formas o movimento grevista.
O Sindicato chegou convocar a greve mas, à meia-noite da sexta-feira (28/2), cancelou a paralisação sem dar qualquer justificativa a categoria. Para piorar, após ser derrotada na assembleia, soltou uma nota dizendo a paralisação foi deflagrada por um grupo de garis “sem representatividade junto à categoria”.
A Comlurb, por sua vez, informou por meio de nota que está em negociação com o sindicato da categoria “como faz todos os anos no período do acordo coletivo”, porém se recusa a falar sobre a paralisação e sobre as providências para solucionar o problema do lixo que vem se acumulando nas ruas da cidade.
Além de questionarem a direção do sindicato e denunciarem a intimidação por parte de gerentes para voltarem ao trabalho, os garis reclamam muito da pouca, quando não tendenciosa cobertura, dada ao movimento pela imprensa. Alegam que estão mobilizados desde o dia 26/2 e que mesmo com o lixo se acumulando nas ruas em pleno carnaval sua luta tem tido por repercussão.  A TV Globo, que tanto gosta dos garis limpando o Sambódromo ao final dos desfiles, tem preferido entrevistar subcelebridades .... 

Justiça declara greve abusiva e PM reprime trabalhadores
Com uma rapidez raramente vista, o Tribunal Regional do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro (TRT/RJ) declarou a “abusividade e ilegalidade” da greve já no dia 1º de março, um sabadão de carnaval. A desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo concedeu liminar determinando o imediato retorno dos garis ao trabalho, sob pena de multa diária de R$ 25 mil.
Também no sábado, cerca de 1 mil garis, os líderes falam em 2 mil, participaram de um protesto em frente a prefeitura do Rio. Após realizarem passeata pela Avenida Presidente Vargas os trabalhadores decidiram se dirigir até o Sambódromo.
O protesto foi duramente reprimido pelo Batalhão de Policiamento Militar de Grandes Eventos, o mesmo responsável por reprimir as manifestações contra a Copa e como sempre sem identificação nas fardas.
Ainda neste domingo (2/3), um grupo, sem uniforme da Comlurb, escoltado por policiais militares realizou a limpeza da Avenida Rio Branco, por onde desfilaram os principais blocos do Centro do Rio que recebeu ontem o Cordão da Bola Preta.

A greve continua! Vai ter luta no carnaval e na Copa
Garis decidem pela continuidade da greve. Foto:intenet
Em assembleia na manhã desta segunda (3), garis do Rio de Janeiro decidiram continuar a greve iniciada há três dias. De acordo com a própria Comlurb dos cerca de 15 mil garis aproximadamente 3,5 mil estão parados. Já segundo lideranças do movimento o contingente de trabalhadores que aderiram à paralisação está entre 70% a 80% categoria.
É bom lembrar que além dos garis, também se encontram em greve há quase um mês os servidores dos hospitais federais. E está previsto para o dia 17/3 o início da greve dos servidores das universidades federais. Marcha à Brasília está convocado para o dia 19/3.
No próximo dia 22 de março, acontecerá em São Paulo, o Encontro Nacional do Espaço Unidade de Ação. O objetivo é reunir milhares de representantes de entidades e movimentos sindicais, estudantis e populares para unificar as mobilizações e organizar os protestos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil.
O carnaval continua mais alguns dias, agitado como nunca. E também a disposição de lutas dos trabalhadores e da juventude. Por isso é preciso cercar de solidariedade a greve dos garis e todas outras paralisações. Exigindo dos governos que atendam as reivindicações, denunciando todas as formas de repressão e chamando a unificação das lutas.

Veja o Boletin da CSP-Conlutas convocando o Encontro Nacional do espaço Unidade e Ação  aqui




[1] Com origem em escravos libertos, a categoria que ainda hoje é formada em sua maioria de negros pobres, recebeu esta denominação em “homenagem” a Pedro Aleixo Gary, empresário, que durante o Império, assinou o primeiro contrato de limpeza urbana no Brasil. Os cariocas acostumaram a chamar quem trabalhava com ele de a "turma do gari", desde então o termo foi associado aos funcionários da limpeza urbana da cidade.(N/A)

Nota do PSTU-Teresópolis: Contra a criminalização dos movimentos sociais e lutadores da Educação de Teresópolis

Profissionais da educação em conjunto com o Fórum Popular Teresópolis (FPT)
 fazem manifestação por uma escola pública, gratuita e de qualidade.

O PSTU Teresópolis denuncia e repudia a perseguição que nossa militante, professora Rosângela, e o professor Marcel vêm sofrendo por parte da diretoria do SindPMT (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis), em virtude de fazerem parte de um movimento de oposição sindical, o MPET- Movimento Professores pela Educação de Teresópolis. O fato de o Movimento discordar da atuação da diretoria do sindicato frente às necessidades da categoria, da política utilizada frente ao governo, tem feito com que essa diretoria entre em contradição com o magistério.

A presidenta do SindPMT, Andrea Pacheco, enviou, em pleno recesso escolar, notificação na qual os professores sofrem acusações que, em tempos em que o trabalhador tem redescoberto às ruas como meio de reivindicação, não tem sentido. No documento enviado para a professora e assinado pela “presidenta”, é citado que “o direito de associação não é absoluto e comporta restrições”. Ambos são acusados de cometer assédio moral contra a diretoria. Da mesma forma como os governos Cabral, Paes e Dilma preparam uma ofensiva contra as manifestações da juventude e dos trabalhadores, tentando criminalizá-los, a presidenta reprime professores, utilizando o aparato sindical, como se fosse uma continuidade do governo Arlei Rosa (PMDB). A mesma diretora gritou diante de outros professores, em reunião de comissão eleita em assembleia, que a professora era militante do PSTU, com o intuito de desmoralizá-la diante da categoria, como se não fosse direito de qualquer cidadão brasileiro a filiação a partidos políticos. O mesmo aconteceu com o professor Marcel, que foi constrangido, nessa mesma reunião, por expressar sua opinião. Isso é uma das formas de assédio moral! O Movimento do qual a professora e o professor são participantes é apartidário, mas não faz restrições a professores que façam parte de organizações ou partidos políticos. Nesse momento, o mais importante para o magistério de Teresópolis é a unidade, pois além da lutar contra o governo municipal, há também de ser vencida a burocracia sindical.

Hoje, qualquer servidor que venha a reclamar, ou mesmo discordar da diretoria, especialmente da presidenta, poderá ser sancionado com justificativa no estatuto, que foi modificado recentemente. O professor Marcel e a professora Rosângela foram ameaçados sob as penalidades previstas no art. 10. Os artigos que seguem a esse (art. 11, art. 12 e art.13), corroboram com o poder de punição da diretoria. O que antes era decidido em Assembleia Geral poderá ser decidido por um pequeno grupo. O PSTU reivindica, permanentemente, que a base faça parte de todas as decisões do sindicato, evitando, assim, que as diretorias sindicais façam conluio com os governos.

A legitimidade do MPET tem sido questionada publicamente pela diretoria sindical. No entanto, a atuação incisiva do Movimento nas assembleias e a primeira vitória da categoria, em pouco tempo de luta, mostram o contrário. O governo teve de corrigir os valores dos vencimentos dos professores, que vinham sendo pagos sem a devida diferença entre níveis desde julho de 2011. Esse foi o começo de uma luta que prosseguirá durante 2014.

Fazer parte do PSTU significa defender a democracia operária nos sindicatos, nos movimentos, pois é parte de nossa bagagem histórica.

            “É preciso lutar e é possível vencer!”