Dor e desespero numa tragédia provocada pelos governantes. Relato de militante do PSTU que estava próximo ao bondinho

'Chegava em casa quando vi um cenário de cartão postal se transformar num verdadeiro inferno'

Leia o relato de militante do PSTU que estava próximo ao acidente do bondinho de Santa Teresa, que deixou cinco mortos

Rafael Nunes, do Rio de Janeiro (RJ)
 


 
 
   Destroços do bondinho

• Não há pedidos de desculpas, ninguém se responsabiliza, nenhum secretário é demitido, nada! Após o trágico acidente do bondinho em Santa Teresa, para quem estava lá como eu, a impressão é que pelo menos uma grande novidade, dessas de governos fajutos, fosse anunciada. Nada! A morte, para eles, virou uma grande banalização e agora os governos estão matando até nos bondinhos.

Chegava em casa, no ultimo sábado à tarde, de muito sol e alegria, quando ouvi e vi um cenário de cartão postal, de paz, de lazer e tranquilidade se transformar instantaneamente num verdadeiro inferno. Não cheguei a tempo de ver nosso Nelson, o maquinista, um trabalhador, um verdadeiro herói, que ficou até o fim e deu sua vida para tentar salvar a vida de todos, gritar para as pessoas saírem da frente, pois inacreditavelmente o bondinho descia com freio perdido. Mas cheguei a ouvir o estrondo, parecia que uma casa tinha desabado, e alguns minutos depois a tempo e, graças à solidariedade humana, outros passantes e moradores chegaram também, para ajudar no que fosse possível. Não dava tempo de ficar olhando o estado do bondinho, eram muitos feridos. Não vale a pena, por toda a cena terrível, entrar nos detalhes, mas havia criancinhas, idosos, famílias e turistas com muitos ferimentos e muitos em estado grave. O som do bairro era de muita dor, choro e desespero.

Era inacreditável, que algo tão bonito, atração do bairro, um bichinho de estimação dos moradores tivesse feito tão largo estrago. O próprio bondinho estava totalmente destruído e não tínhamos ainda nem noção de todo o estrago causado já que o trenzinho de madeira, tombado, havia se partido, perdendo a metade para cima e todos os bancos se quebraram transformando tudo em estacas afiadas prendendo as pessoas nas ferragens. Um fotógrafo dos sindicatos e que está sempre presente nas nossas passeatas, é morador e vi quando apareceu com sua câmera e registrava as cenas de guerra. Para todos nós são imagens impublicáveis, mas que deveriam ser mostradas e anexadas em processos, que criminalizem judicialmente nossos governantes, em especial o governador e seu secretário de transportes, pelo descaso e irresponsabilidade e também pelos feridos, muitos em estado grave, e ainda pelo assassinato das cinco vítimas fatais.

Os bombeiros chegaram em grande quantidade e mesmo assim ainda foi preciso que mais moradores chegassem para ajudar com os feridos, ou segurando o teto do bondinho para que fosse feito o resgate dos que ficaram por baixo, alguns saíam mortos. Os próprios ônibus, que circulam no bairro, tiveram que ajudar na locomoção dos feridos sem gravidades. Uma grande quantidade de ambulâncias chegava e saia a todo o momento levando os feridos mais graves. À medida que os bombeiros iam controlando completamente a situação, os moradores iam se reunindo em uma grande torcida pelo Nelson, que era uma figura querida dos moradores e trabalhava nos bondinhos há décadas. Sabíamos que tinha se ferido com muita gravidade, mas ainda não tínhamos informes de seu falecimento.

Ligávamos para nossos amigos do bairro para passar e buscar informações já que, em Santa Teresa, quase todos se conhecem. A indignação e emoção tomaram conta de todos, pois outros acidentes já haviam ocorrido e a manutenção dos bondinhos, de 115 anos, e dos trilhos sempre foi completamente precária. Todos choravam muito e a maioria de nós, sujos de sangue, ferrugem e graxa nos encontrávamos completamente desnorteados com toda aquela situação. Os relatos dos moradores, emocionados, que contavam cada detalhe do ocorrido e que denunciavam os governos, eram ignorados pela grande imprensa que chegou muito tempo depois.

Quem anda pelas ruazinhas do bairro sabe que foi uma tragédia bastante anunciada. Os trilhos em vários trechos ou estão muito levantados em relação ao piso de paralelepípedo ou então estão muito abertos em suas extremidades, o que facilitaria um descarrilamento e os fios de contato também precisam ser substituídos. Os moradores e a associação de moradores cansam de denunciar a péssima conservação dos bondes, mas nunca são ouvidos. Alguns têm mais de cinqüenta anos, outros mais de cem e quando as peças quebram, são substituídas por outras remodeladas ou improvisadas.


Detalhe de manchas de sangue nos destroços do bondinho

São poucos os bondes que operam nos trilhos e isso faz também com que fiquem lotados já que a passagem de 0,60 centavos é muito mais barata que os ônibus convencionais. No Bonde da tragédia havia mais de 60 pessoas a bordo quando o limite é de 40 pessoas. Vale a pena lembrar que não é só turista que anda de bonde, muitos moradores de Santa Teresa são pobres e moram em favelas. O trenzinho tem uma referência e uma função social na economia que centenas de pessoas fazem para chegar e voltar do trabalho, escolas e universidades. Não é por acaso que os moradores defendem o bonde estatal, com preços populares, mas sem nenhum sucateamento.

Para nós, do PSTU, ainda é fundamental que seja controlado pelos trabalhadores do bonde e moradores. Para os governos essa lógica não presta. São corruptos! A malha ferroviária de Santa Teresa é a única que restou da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística, conhecida Central, que substituiu a Flumitrens, que administrava toda a linha férrea do Rio de Janeiro. Tudo foi privatizado e quando o serviço é estatal e a preços populares, como a operação do Bonde de Santa Teresa, o que sobra é o sucateamento e o descaso dos governos. Substituíram a tecnologia do bondinho por protótipos de VLT, “Veículo Leve Sobre os Trilhos” e desde então os acidentes são constantes levando no ano passado a morte da professora Andréa de Jesus Rezende.

Voltando à trágica cena, em um determinado momento os choros viraram prantos, pois chegava a informação que o Nelson não havia sobrevivido. Os moradores juntos gritavam “Nelson, Nelson, Nelson” em lembrança e homenagem ao maquinista e efusivamente “Fora Cabral” e “Fora Julio Lopes”, atual secretário de transportes, que esteve no local e foi vaiado e xingado pelos moradores. Em respeito ainda ao trabalho dos bombeiros, os moradores aos gritos lembravam também a perseguição e a prisão que sofreram pelo governador.

Muito tempo depois do acidente, os moradores ainda não conseguiam ir para casa. Muitos profundamente abalados queriam saber algum informe das pessoas que ajudaram a socorrer e auxiliavam ainda parentes e amigos que chegavam a todo o momento buscando informações sobre o acidente e as vítimas.

Um ato para ficar na história da cidade e do bairro
O dia seguinte, 28 de agosto, foi um dia de luto para o bairro e também para toda a cidade. À tarde acabamos por nos encontrar todos de novo em frente ao bondinho destruído. O ato já vinha sendo convocado nas redes sociais, mas só tomou fôlego quando começaram a remover o bonde em direção à garagem, que fica numa parte mais alta de Santa Teresa, próximo ao Largo dos Guimarães. Com o bonde sendo empurrado nos trilhos, os moradores iam descendo de suas casas e cerca de 200 pessoas foram acompanhando na frente muito emocionadas. Era visível que muitas pessoas não haviam dormido e outras estavam à base de remédios. Era comovente reencontrar o bonde, amigos do bairro, as pessoas que ajudaram no resgate às vitimas e homenagear o maquinista Nelson.

Todos iam gritando “Fora Cabral! Fora Julio Lopes!” E com um mega fone denunciado cada irregularidade que íamos encontrando nos trilhos e nos fios de alta tensão. O Bondinho, todo destruído e com manchas de sangue, ia desfilando como em marcha fúnebre, pela principal rua do bairro, puxado por um caminhão e empurrado por um trator. Muitos turistas e transeuntes que ainda não tinham visto o bondinho se desesperavam e caiam em prantos instantaneamente.

A polícia militar, de forma deplorável, talvez a mando do ditador do Rio, Sérgio Cabral, posicionou mais de cinco viaturas entre a manifestação e o bondinho e com as sirenes de todos os carros ligadas, faziam um barulho assustador. Uma clara tentativa de coerção e de intimidação à manifestação. Com isso, os manifestantes cantavam palavras de ordem de que a polícia deveria era ir prender o governador e seu secretário, responsáveis pela tragédia.

No final da manifestação, foi lembrado e homenageado novamente os mortos e foi marcada as novas manifestações. No dia 1º de setembro, estaremos às 9h da manhã em protesto na estação do bondinho na Carioca e depois às 21h no Largo dos Guimarães.



  • Chega de autoritarismo e irresponsabilidade do Sérgio Cabra


  • Fora Cabral e o secretário de transporte Julio Lope


  • Não à privatização e nem o sucateamento, queremos a operação dos bondes sob controle dos trabalhadores e moradores do bairro


  • Não à modernização dos bondes que só fizeram matar pessoas


  • Exigimos a recuperação de todos eles para que não aja mais superlotaçã


  • Somos contra as mentiras de que não existem peças no mercado, exigimos a preservação dos bondes com peças nova


  • Contra os desvios de verbas do Bondinho, através do Governo do Estado com a empresa T`Trans.

  • Enquanto Jorge Roberto entrega a cidade aos empresários, população organiza resistência [NITERÓI]

       Niterói vive 3 anos de um duro desgoverno. Não é exagero afirmarmos que moramos em uma cidade abandonada. Nesse momento, queremos nos solidarizar aos trabalhadores da educação da cidade, que se encontram em greve há 29 dias.

       A rede municipal de educação é uma das menores da região metropolitana. Faltam vagas em muitas das escolas e vagas em berçários. A Fundação Municipal de Educação, presidida por Cláudio Mendonça (secretário estadual de educação durante a gestão Rosinha Garotinho), diz que não tem verba para atender as reivindicações dos trabalhadores. Entretanto, foram gastos de R$4 milhões com Lego, R$5 milhões para Fundação Getúlio Vargas, entre outros gastos excessivos e questionáveis. Por isso, exigimos a abertura das contas da Fundação Municipal de Educação, dinheiro público precisa ser controlado pelo povo e seus gastos precisam ser conhecidos pela população.
    Assista aqui o vídeo da ocupação da câmara pelos educadores

       A intransigência do governo em não receber os profissionais de educação, levou a ocupação da prefeitura pelos trabalhadores na última quarta-feira (24). Tamanha pressão levou o governo a recuar e agendar uma audiência dos educadores com o próprio prefeito (algo inédito na história da cidade) para a próxima terça-feira (30).

       Precisamos construir uma alternativa dos trabalhadores para a nossa cidade. Não podemos suportar tanto descaso com a saúde, como a proposta de fechamento do Hospital Orêncio de Freitas no Barreto. O governo do Estado entregou a gestão deste hospital ao município, mas o (des)governo de Jorge Roberto Silveira sufoca a administração da unidade cortando suas verbas e ameaçando de fechamento. Até mesmo a conferência municipal de saúde, tradicionalmente controlada pelos governos, votou pelo não fechamento do hospital.

       A precarização dos serviços públicos e a 'doação' de dinheiro aos empresários da cidade é uma marca da gestão de Jorge Roberto. Somente nos últimos 12 meses, já fomos presenteados com a entrega da Clin para a iniciativa privada, redução de 50% dos impostos pagos pelos empresários de ônibus, spray de pimenta para os desabrigados do Bumba e a farra das construtoras na cidade. É importante lembrarmos que todos esses desmandos tiveram a conivência da maioria fisiológica que o governo mantém no legislativo municipal. Não podemos mais suportar tanta irresponsabilidade!
    Se educar é um direito, reivindicar boas condições de trabalho e melhor qualidade no ensino é um dever!

    SOMOS TODOS EDUCADORES!
    FORA JORGE!

    Tarde de protesto e luto no Rio pelo assassinato da Juíza Patrícia Acioly

    • Na tarde desta segunda, 22, cerca de 150 estudantes de Direito realizaram um protesto em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em repúdio ao assassinato da Juíza Patrícia Acioly. Estiveram presentes na manifestação diversas entidades estudantis, sindicais e populares entre elas, a ANEL, a CSP-Conlutas e Associação de Moradores de Vigário Geral, que lembrou os 18 anos de umas das maiores chacinas já ocorridas no Rio, por grupos policiais de extermínio.

    Quem assassinou Patrícia Acioly?
    Enquanto acontecia a manifestação, o Comandante-Geral da PM reconhecia publicamente que houve a participação de PMs na execução da juíza da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, morta com 21 tiros na porta de casa.

    A notícia não surpreendeu. A Juíza Patrícia Acioly era umas das principais figuras no combate as milícias no Rio de Janeiro. No último ano, havia condenado mais de 60 policiais envolvidos em esquemas de corrupção e homicídios.

    Patrícia não foi apenas mais uma vítima da violência policial. O caso da Juíza revela o quanto esse modelo democrático vivido em nosso país é limitado. Parlamentares atuam em uma rede de corrupção com policiais milicianos, estes por sua vez, possuem a certeza da impunidade diante de um Judiciário vendido aos interesses do alto escalão político e econômico. Mas Patrícia não se vendeu. E por isso, sua morte foi acima de tudo uma represália!

    No Rio de Janeiro, morrem por dia 3 jovens assassinados pela polícia, em sua maioria negros, de comunidades carentes. De acordo com organismos internacionais, a polícia do Rio é a que mais mata em todo o mundo. A banalização da vida evidenciada nos Autos de Resistência desmascaram a intensa repressão do Estado que existe por trás do discurso demagogo da pacificação. A verdade é que o silêncio ouvido nas favelas cariocas não vem da paz e sim do medo.

    Essa política de segurança pública baseada na criminalização da pobreza e na repressão aos movimentos sociais e ativistas como Patrícia Acioly implementada por Sérgio Cabral é uma clara opção pela manutenção do lucro dos empresários e empreiteiros. Famílias inteiras estão tendo o direito à moradia violado em prol das superfaturadas construções Olímpicas. Outras estão vivendo acuadas sob a mira de policiais e milícias para garantir a especulação imobiliária de determinadas regiões na cidade.

    Por isso, as milícias são um braço extra-oficial da política de segurança pública. Funcionam como agentes reguladores do ciclo da violência, corrupção e lucro no qual os governantes do nosso Estado e a cúpula do Poder Judiciário estão diretamente envolvidos.

    Exigimos assim, a solução imediata do caso Patrícia Acioly. Não só com a punição dos atiradores, mas também daqueles que deram a ordem de puxar o gatilho.

    # Pela solução do Caso Patrícia Acioly!
    # Pelo fim da Política de Segurança de Extermínio!
    # Fora Cabral e suas milícias!
    # Pelo direito à moradia, saúde e educação!
    # Dissolução da polícia. Criação de uma nova polícia civil unificada, com eleições para os cargos superiores e direito de sindicalização e greve, sob controle da comunidade.

    Todo a apoio à greve dos operários das obras do Maracanã

    Arrancar agora todas as reivindicações, nem um passo atrás!

    Atnágoras Lopes, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas

    • Saibam que a luta de vocês é motivo de orgulho para todos os operários da construção civil de nosso país e que todos nós acreditamos que a força dessa mobilização, a resistência e a persistência de vocês será capaz de arrancar melhores condições de salário, de saúde e de segurança.

    Assim como vocês, que ontem viram um de nossos companheiros ser vítima de um grave acidente de trabalho, nós estamos indignados com a forma como as empreiteiras vem tratando os trabalhadores nas milhares de obras espalhadas pelo nosso país. Para essas construtoras, o que interessa é acelerar a entrega das obras para garantir seus lucros e atender as pressões dos governantes. Se, para conseguir isso, pelo descaso, centenas de operários perderem a vida, eles não estão nem aí. Eles querem seus lucros.

    Queremos transmitir nosso irrestrito apoio à greve que vocês agora realizam, pois entendemos que somente assim é que nós conseguiremos arrancar todas as reivindicações, derrotar a ganância das empreiteiras e, nesse caso, a inércia e conivência do governo federal e estadual.

    O governo fala de crescimento econômico, que o país melhorou, que somos a 8ª economia do mundo, que teremos Copa do Mundo, Olimpíadas, que estamos preparados para enfrentar crises, enfim, que o país cresceu e a vida melhorou. Mas está está cada vez evidente, porém, que esse crescimento está sendo garantido às custas de uma brutal exploração, de baixos salários e até da própria vida de quem trabalha. Dessa forma, não podemos mais permitir que esta situação continue.

    A greve dos operários da obra do Maracanã é, para nós da CSP-Conlutas, mais uma atitude heroica de resistência dos trabalhadores da construção como foram as greves que ocorreram em Jirau-RO e se espalharam por todo país, levantando cerca de 100 mil companheiros no primeiro semestre. Trata-se de uma luta contra as empreiteiras e o governo e, às vezes, até contra alguns sindicatos que, lamentavelmente, em vez de garantir o apoio à greve prefere ficar ao lado dos patrões.

    Colocamos nossa central e toda nossa militância à disposição dos companheiros da obras do Maracanã para que assim, juntos, possamos derrotar os que nos exploram e arrancar as nossas conquistas.

    Toda nossa solidariedade ao companheiro acidentado e a sua família;

    Nenhum passo à traz, até a vitória.

    “Se o Brasil cresceu, trabalhador que o que é seu!”

    PSTU condena agressão homofóbica sofrida por companheiro do PSOL em Niterói

    Nota do PSTU sobre a agressão ao companheiro Juninho da CST/PSOL

    Juventude do PSTU de Niterói/São Gonçalo

    • Recentemente a praça da Cantareira, em Niterói (RJ), foi palco de um acontecimento que não pode ser definido como nada menos que repulsivo: Silaedson “Juninho” Silva, estudante de Letras da UFF e militante da CST/PSOL, foi perseguido, insultado e agredido fisicamente nos arredores da praça por ser homossexual durante a madrugada da última quinta-feita, dia 4 de agosto. O camarada está abalado, mas passa bem.

       Juninho, infelizmente, não é uma exceção em nosso país. Há alguns meses atrás, Guilherme Rodrigues, da Letras da USP, militante do PSTU e da Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), sofreu uma agressão muito semelhante na região da Avenida Paulista; no ano passado, um jovem homossexual de 14 anos foi torturado até a morte em São Gonçalo; e a própria Cantareira já teve o caso do jovem Ferruccio, que foi espancado até ficar desfigurado em plena praça.

       Todos esses e muitos outros casos apontam para uma triste estatística: o Brasil ocupa a liderança isolada no ranking de países que mais matam LGBT’s do mundo, com uma média de um homossexual morto a cada 36 horas apenas por sua orientação sexual (254 mortos de 2010, segundo o Grupo Gay da Bahia). O número deve, inclusive, ser bem maior, já que esses são os apenas os casos em que se registra a motivação do crime como homofobia.

       Dilma e o PT, de forma lamentável para um governo que diz lutar pelos direitos dos LGBTs, se recusam a tomar medidas contra isso: o PLC 122, que criminaliza a homofobia, está engavetado há anos, e o kit anti-homofobia preparado pelo MEC foi vetado pela presidente numa tentativa de aplacar a ultraconservadora bancada evangélica da Câmara e proteger o ministro Palocci, afundado até o pescoço em escândalos milionários de corrupção. Entre os aliados do governo estão o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), um assumido inimigo dos direitos dos LGBT’s, que fala barbaridades para quem quiser ouvir.

       Nós do PSTU acreditamos que toda pessoa deve ser livre para amar quem quiser e ser tratada como todas as outras. A homofobia, assim como todas as opressões, é um instrumento da burguesia para dividir a classe trabalhadora e assim melhor explorá-la. Nas palavras de Malcom X, conhecido dirigente do movimento negro norte-americano, “não há capitalismo sem racismo, machismo e homofobia”. Apenas combinando as lutas contra a exploração e toda forma de opressão pode a classe trabalhadora se libertar; apenas com a construção da sociedade socialista todos terão o direito de amar.

  • Toda solidariedade ao companheiro Juninho!

  • Prisão para os agressores!

  • Aprovação da PLC 122 já! Homofobia é crime!

  • Cassação do mandato e prisão para Jair Bolsonaro!

  • Aprovação do kit anti-homofobia!

  • Direitos iguais para os LGBTs!

  • Contra toda forma de opressão e exploração!

  • Celso Amorim: retire as tropas do Haiti

    O Brasil vive uma ocupação militar, a serviço das multinacionais. Desafiamos o governo Dilma e o novo ministro a acabar com essa triste história

    ZÉ MARIA
    Presidente nacional do PSTU e ex-candidato a Presidência da República




    Ag Brasil
    Celso Amorim, novo ministro da Defesa
    • Nesse dia 4 de agosto, a presidente Dilma Roussef demitiu o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Para o posto foi escolhido o ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim. Na dança das cadeiras do governo Dilma, foi o terceiro ministro posto para fora. A troca foi criticada pela oposição de direita e pelos militares, e comemorada por muitos setores de esquerda.

    Entre estes últimos, foi possível perceber duas ideias. A primeira, de que Dilma estaria alterando a orientação da pasta, comandada por Jobim desde 2007. A segunda, de que Celso Amorim representaria uma política mais progressista e independente, como teria mostrado na condução da política externa do governo Lula, de viés supostamente 'antiimperialista'.

    Mas, seria mesmo assim? Teria Dilma, de repente, decidido alterar o foco do Ministério da Defesa?

    Dilma se viu praticamente obrigada a demitir Jobim após as inúmeras críticas e declarações constrangedoras ditas pelo então ministro à imprensa. Primeiro, na comemoração dos 80 anos de FHC, Jobim declarou que “agora, os idiotas perderam a modéstia”, o que muitos imediatamente associaram ao governo do PT.

    Pouco depois, em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro nomeado por Lula confessou que votara em José Serra nas eleições presidenciais. Que Jobim era ligado ao PSDB todos já sabiam. Além de ter sido nomeado ministro do STF por FHC, já havia sido ministro da Justiça do tucano. O que muitos acharam inconseqüente foi ele ter declarado abertamente sua preferência.

    A gota d’água veio com as críticas de Jobim às ministras de Dilma, Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, à revista Piauí. Sob o risco de se desmoralizar, Dilma não viu alternativa a não ser anunciar a demissão de Nelson Jobim.

    Ou seja, a retirada do ministro não ocorreu por discordâncias na atuação de Jobim à frente do ministério.

    Dilma não é contra o plano de Jobim de privatizar os aeroportos, coisa que seu governo está fazendo agora. Não há nenhum questionamento no uso de militares de todas as forças na ocupação de morros e comunidades do Rio de Janeiro, como no Complexo do Alemão, em uma experiência que promete se repetir. E o governo do PT, assim como Jobim, tampouco defende a revisão da lei da anistia, que mantém os assassinos e torturadores da ditadura impunes, como o ex-comandante do DOI-CODI, Carlos Alberto Ustra. Nem se coloca a favor da abertura dos arquivos secretos, que poderiam jogar luz nos crimes cometidos em nome do Estado, inclusive durante os anos de chumbo.

    Celso Amorim
    Apesar de atabalhoada, a troca de Jobim por Amorim imprimiria uma alteração na lógica da Defesa? Os defensores do novo ministro se baseiam na política externa do governo Lula. Nos oitos anos de Lula, a movimentação do Brasil na política internacional foi um dos únicos, senão o único, elemento pinçado por aqueles que defendiam a tese do ‘governo em disputa’, para mostrar uma faceta de esquerda de Lula.

    Era citada, por exemplo, a aproximação do Brasil com países do Oriente Médio, como o Irã, o que gerou na época críticas do governo dos EUA. A articulação do G20 em contraposição ao G8 em plena crise econômica mundial foi outro aspecto visto como uma posição independente de Lula, dirigida por Celso Amorim, assim como as visitas e declarações do então presidente em favor de Fidel Castro e de governantes como Chávez e Morales.

    Um aspecto fundamental da política externa, porém, é sempre “esquecido”. Desde 2004 o Brasil lidera tropas militares que ocupam o Haiti. Sob a justificativa de “ajuda humanitária”, os soldados da ONU que fazem parte da Minustah, já reprimiram inúmeras vezes mobilizações de trabalhadores e estudantes no país.

    Como candidato à Presidência, eu estive no Haiti após o terremoto. Fui o único candidato a visitar o país. Meses depois da tragédia, a ajuda não havia chegado. O papel das tropas da ONU foi de proteger o aeroporto e a zona franca e, depois, de levar o vírus da cólera ao país, causando uma epidemia. Até hoje, a situação é a mesma.

    Desde o primeiro momento, o PSTU denunciou a ocupação militar do Haiti. Os soldados comandados pelo Brasil de Lula e Dilma atuam para estabilizar o país, reprimir os movimentos sociais e garantir os interesses dos EUA na região. Recentes divulgações de telegramas diplomáticos, pelo WikiLeaks, confirmam isso.

    Programa Quinzenal - Dívida Pública

    'Dia do Orgulho Hetero' aprovado pela Câmara de São Paulo vai reforçar homofobia

    Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirma que não “não viu nenhum problema” no projeto do vereador Carlos Apolinário (DEM)

    Da redação

      Divulgação
     
       Vereador Carlos Apolinário (DEM)

    • Nesse dia 2 de agosto a Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou o projeto de Lei do vereador Carlos Apolinário (DEM) que institui na capital o “Dia do Orgulho Heterossexual”. De acordo com o próprio projeto do vereador ligado às igrejas evangélicas, a prefeitura deverá ficar responsável por, nesse dia, “conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes”.

    Aprovado, o projeto foi levado para a sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que pode vetar ou não. Embora tenha se negado a divulgar qual será a sua decisão, o prefeito já afirmou que não viu “nenhum problema” no projeto aprovado pelos vereadores, “um projeto como outro qualquer”, declarou à imprensa.

    Há anos tramitando na Câmara, o projeto foi desengavetado num momento em que crescem os ataques e discursos homofóbicos no país. A aprovação do “Dia do Orgulho Heterossexual” foi amplamente repudiado nas redes sociais, como no Twitter, e chegou a ganhar repercussão internacional. Por outro lado, não são poucos os que mostram simpatia à medida.

    Orgulho de quê?
    Em defesa de seu projeto, Apolinário repete que “ser gay é um direito, não um privilégio”. E que, já que existe o “Dia do Orgulho Homossexual”, ele teria também o direito de celebrar a sua heterossexualidade. Discurso esse repetido também por seus apoiadores. “É preciso que os gays aprendam a viver em sociedade, respeitando a ordem e os bons costumes. Vamos combater a homofobia e a heterofobia, pois ser gay é um direito e não um privilégio” , escreveu o vereador em um artigo publicado no paulistano Diário de São Paulo.

    Seria assim mesmo? “Um grupo oprimido afirma o seu orgulho como forma de reivindicar o seu espaço, a luta por igualdade, contra a inferiorização social”, afirma Douglas Borges, da Secretaria LGBT do PSTU. Já um “Dia do Orgulho Heterossexual” só serviria para “reafirmar o padrão heteronormativo, reafirmar uma posição ideológica já dominante”. Ainda mais, num período de aumento da homofobia, “acirrar a polarização social”. Reforçaria, assim, o ódio contra os homossexuais.

    Seria tão absurdo como criar o “Dia do Orgulho Branco”. “Quem ganha com isso são justamente aqueles que pensam como o deputado Jair Bolsonaro” , afirma Douglas, que vê ainda um perigo fascista no discurso moralista de em “defesa da ordem e dos bons costumes”. “Isso faz recordar o movimento reacionário que se vinculava à moral dominante e que serviu de base de apoio ao Golpe Militar de 1964 (marcha da familia com Deus e pela liberdade)"