Eduardo Paes semeia o caos e autoritarismo no Rio


   A cada dia que passa, a política do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, traz sérios prejuízos a população da cidade. Obras faraônicas, caos no trânsito, negociatas com ONG´s
Fotos: Tânia Rego - Ag. Brasil
e empresas, autoritarismo e truculência, eis as marcas de seu mandato.

   A tragédia da Linha Amarela é a expressão mórbida do desastre que significa a gestão pemedebista em aliança com o PT. Mantém uma via expressa privatizada dentro da cidade, que cobra um absurdo pelo pedágio e oferece péssimos serviços à população. A LAMSA, concessionária da via expressa, enriquece às custas de um dos pedágios mais caros do Brasil e não cumpre sua tarefa de fiscalizar a via e organizar o trânsito como deveria. Afinal de contas, para essas empresas o lucro fala mais alto que a vida. 
   É obrigação da Prefeitura romper a concessão e multar a LAMSA e retomar para sua responsabilidade o controle e gerenciamento da Linha Amarela. É preciso, ainda, alertar que,
Bombeiro presta primeiros socorros às vítimas do acidente,
que deixou 4 mortos e ao menos 5 feridos
assim como a LAMSA, existem diversos outros órgãos privados gerindo escolas, unidades de saúde básica, serviços de trânsito etc. Esse é o modelo do Eduardo Paes: entrega total dos serviços da Prefeitura a tubarões e picaretas.

   Neste momento, prestamos solidariedade às famílias das vitimas dessa tragédia absurda e vamos intensificar as mobilizações para acabar com a farra de Eduardo Paes e seus comparsas.

Rolezinho no Leblon: O poder da repressão e a sociedade do espetáculo

Por Bruna Barlach, do Rio

Na onda dos “Rolezinhos” que começaram em São Paulo, e muito por conta da repressão a eles, vimos pipocar em todo o país eventos no facebook chamando rolezinhos em shoppings de diferentes cidades pelo país, incluindo o Rio de Janeiro. Certamente o marcado para o Shopping Leblon foi, desde o início, o mais polêmico.

Símbolo máximo da burguesia carioca (e brasileira) e da segregação socioeconômica, o Leblon é o um dos bairros onde há mais riqueza concentrada por cabeça no mundo. Seja por olhares atravessados, seja pelos preços proibitivos, Leblon não é lugar pra pobre. E não é e ponto final.

Tanto não é lugar pra pobre que os donos do shopping solicitaram na Justiça para que o evento fosse proibido, argumentando que tal evento era incompatível com o shopping. Uma juíza acatou o pedido e proibiu o rolezinho. Felizmente advogados ligados às causas populares conseguiram a liberação do ato. Diante disse, foi declarado que o shopping simplesmente não abriria as suas portas.

A mídia grande logo noticiou que o shopping não abriria as suas portas, o que colaborou em grande parte para o esvaziamento do rolezinho, que acabou por ter ares de uma pequena manifestação. Aos poucos foram chegando ativistas de diferentes movimentos, moradores de diferentes locais, perto, longe, das favelas, cada qual trazia sua vontade de se manifestar contra a repressão e os casos de racismo explícito que o rolezinho tem desencadeado nos shoppings.

Muitos vieram só para olhar. Era notável no olhar e na fala de muitos moradores da região que aquelas pessoas lhe eram estranhas, estranhas demais, quase exóticas. Outros estavam assustados, muito mais pela grande quantidade de policiais que cercava a região e impedia a entrada não só no shopping (que também estava “protegido” por dezenas de seguranças uniformizados e à paisana) do que pelo próprio rolezinho.

Ao som de funk e diferentes músicas de protesto foram cantadas palavras de ordem contra a repressão, contra o racismo e também contra a copa, que é pauta em todas as manifestações deste ano. Com algumas horas de rolezinho na porta do shopping, os manifestantes acabaram sendo surpreendidos pela tropa de choque, que veio demonstrar mais uma vez que vivemos num estado onde a democracia não é para todos e que mesmo uma manifestação pelo direito de todos estarem dentro de um shopping, símbolo máximo do consumismo, é repreendida pela força policial de forma violenta.

As mentiras que a mídia conta
Dezenas de câmeras, inúmeros repórteres das grandes emissoras de TV nacionais e até diversos correspondentes internacionais. A mídia grande chegou com tudo no rolezinho no Leblon para recolher material para contar suas grandes mentiras.

As entrevistas tinham por objetivo muito mais desmascarar os manifestantes do que discutir de fato o porque é tão importante que esse rolezinho esteja acontecendo. Em telefones celulares, falavam baixo sobre como o shopping perdia dinheiro enquanto alguns jovens atrapalhavam um dia normal na vida das pessoas. Aguardem essas e outras mentiras nos grandes jornais e portais da internet.

O rolezinho é resistência e luta
A origem controversa do rolezinho pode ter criado dúvidas sobre a importância política destes eventos. O capitalismo vende uma imagem de democracia e igualdade de oportunidades, mas quando os jovens da periferia, pobres, pretos, tentaram usufruir do seu direito democrático de consumir e vimos claramente o que aconteceu.

No capitalismo nem o consumo é democrático. Ele tem recorte de cor e recorte de classe. A repressão, os shoppings fechados, pessoas negras sendo revistadas e tendo seu direito de ir e vir negado revelam a segregação social, que acontece em todas as partes e está agora estampada nos muros dos shoppings.

Toda lutadora e todo lutador deve não só denunciar essa injustiça, mas estar lado a lado, juntos e misturados; construindo a resistência contra toda forma de repressão e segregação racial e social. Ocupar a cidade deveria ser um direito de todos e até que seja, permaneceremos dando nossos rolezinhos., nos shoppings e nas ruas.



Um novo rolé para Rodrigo Constantino

Arte do chargista Latuff

   Caro Rodrigo Constantino. Li sobre o seu Joaquim. Gostaria de lhe apresentar a história de Maria.

   Maria era uma menina muito pobre, que estudava em uma escola pública e morava numa favela. Cansada, após apoiar a greve dos professores, resolveu dar um rolezinho em uma biblioteca. Ela sabia que aquilo mudaria sua vida, pois seus professores sempre indicavam isso, e ela fazia constantemente. Diferente de muitas pessoas da classe média. Que tem livros em suas casas, mas não leem.

   Lá, ela descobriu os clássicos e muitos contemporâneos. Sófocles, Shakespeare, Kafka, Dostoiévski, Camus, Mas ela se cansara de tantos brancos europeus mortos. Com Elisa Lucinda, navegou pelas entranhas da natureza de ser mulher negra imperfeita. Com MV Bill, chegou ainda mais fundo no “horror”, entendendo o que acontece quando a polícia entra na favela sem respeitar morador.

   A fome lhe ensinou sobre a propriedade privada, e a PM lhe explicou o poder da “mão visível”, segurando uma arma, que acaba levando a um resultado terrível, com  cada um seguindo os próprios interesses.

   Lima Barreto foi fundamental para sua compreensão das vantagens comparativas e do privilégio branco. Ela soube que mesmo em trocas voluntárias em que tivesse menos habilidade em tudo, ainda assim elas poderiam ser mutuamente benéficas. Só que na sociedade brasileira não acontece isso

   Com Milton Santos, soube entender o relativismo cultural, e que é necessário ter conhecimento sobre a história e cultura afro-brasileira e africana. Compreendeu, ainda, que o conceito da Grande Sociedade Aberta, é uma falácia à brasileira, que o Estado brasileiro mantém segredos para si mesmo; é uma sociedade autoritária, uma sociedade em que nem  todos são respeitados, com o conhecimento de todos.  Assim como os curtos limites da tolerância desta.

   Abdias do Nascimento foi crucial para que ficasse mais atenta àquilo que não se vê de imediato, ou seja, o Racismo das oportunidades das escolhas ou políticas públicas. Isso a ajudou a criticar a visão míope de muito governante em busca de votos, com suas medidas populistas e assistencialistas de cunho racistas.

   De Malcom X ela absorveu as verdadeiras características das mentiras da democracia americana, da escravidão nada voluntária que esse país impôs aos negros,o que ajudou a construir uma nação próspera, porém injusta. A morte do reverendo Martin Luther King  sepultou de vez qualquer confiança na política americana, que tivesse sobrevivido após a lavagem cerebral dos programas na televisão.

   Mano Brown, intelectual brasileiro, deixou bem claro com suas letras que os poderes executivos, judiciário e legislativo são corrompidos e o poder absoluto corrompe absolutamente. Que  o ser humano é descartável no Brasil..

   Ela mergulhou na Escola Pública. Descobriu com seus professores de História, Filosofia e Sociologia, e nunca mais levou a sério o Globo ou a Veja. Já tinha noção clara de que, mesmo sob tanta propaganda, o sistema capitalista não poderia funcionar, pela impossibilidade das crises cíclicas do capitalismo.

   Dos pensadores conservadores, como Burke, John Adams, Russell Kirk, Oakeshott, Isaiah Berlin, Irving Babbitt e Theodore Dalrymple, capturou a importância do que falava Kabengele Munanga: que esses eram brancos europeus mortos, que pouco acrescentavam às tradições e cultura afro-brasileira, que  os limites da razão, os riscos das ideologias e utopias, o enorme perigo das revoluções são sementes a serem cultivadas.

   Passou também a desconfiar da democracia burguesa, entendendo que esta é a simples tirania da minoria sobre a maioria.  As bem constantes incursões do BOPE lhe ensinaram sobre os necessários limites constitucionais do poder estatal. Montesquieu, coitado, reescreveria sobre a divisão dos poderes, ao se ver numa favela.

   Cabral, o governador, foi como uma luz ao lhe mostrar a “destruição destruidora”.Da Educação, da Saúde, da Segurança Pública. Agora temia mais o avanço tecnológico, as inovações capitalistas,  pois sabia que estas  geravam mais riqueza( para quem tinha já muito dinheiro) e eliminava novos empregos.


   Muniz Sodré  lhe mostrou a falácia da meritocracia na Educação, e Renato Emerson, a eficácia das cotas raciais.

   Lendo – e  entendendo – as critícas ao mundo capitalista de seus tempos, de Orwell, Huxley, Ayn Rand e Koestler, ficou apaixonada por todo tipo de tentação,pelas “soluções mágicas” que criariam um “mundo melhor” ou uma nova humanidade.  Sabia que o coletivismo era o caminho para a destruição do individualismo egocêntrico.

   Estudou Economia, com Marcelo Paixão, e ficou sabendo que “vários “intelectuais” colocavam as “ideias abstratas acima dos seres de carne e osso, louvando a Humanidade, mas agindo com profundo desdém em relação aos próximos”. E aprendeu que a isso dá-se o nome de “Editorial de O Globo”.

   Descobriu também que possuia a música em si. Funk, clássica. Pagode. De tudo escutou, pois tudo lhe era humano e belo:  Mozart, Kiss, Beethoven, Paralamas, Brahms, Titãs, Bach, ABBA, Chopin, Rachmaninoff, Florence, Tchaikovsky, e ficou encantada.  Aquilo tudo esteve e está em sua alma! Foi Joãozinho 30, e sua estética do Luxo e do Lixo, quem lhe demonstrou a importância da beleza em nossas vidas. Fazia agora tudo: filmava, compunha, dançava, pintava; posto que tudo é arte, nada é arte.

   Leu muito os poetas negros Arnaldo Xavier (1948-2004) e Ricardo Aleixo, e ficou interessada na experimentação e na intersecção entre as linguagens.

   Com Cidinha da Silva, prosadora refinada, aprendeu a situar seu texto na nervura do presente, atenta aos ardis das representações e das afecções a que são submetidos os negros contra um pano de fundo multimídia.

   Maria tinha um espírito lutador, e desejava muito melhorar de vida. Foi com sua bagagem cultural com os amigos no shoping, tentar a sorte, dar um rolé.  Era verão, tava calor,  anos 2014, com mais oportunidades de se divertir. Sempre olhara para os playboys com ódio, nunca inveja. Eram uma afronta para ela, um exemplo a ser combatido. Hoje ela é um militante de sucesso e vive em paz.

   Em sua velha comunidade, é chamada  de “irmã”. Por ser negra acusam-na de se comportar como um “negra feminista” e defender sua raça. E ela sempre entendeu dessa forma. Para ela, o normal é desejar mudar a vida, dela e dos seus. Combater  a discriminação dessa “missão civilizadora” racista, machista e exploradora e não desfrutar dela. Até hoje ela é muito grata pelo rolezinho que decidiu dar no shoping, e perceber o quando sempre fora discriminada pela hipócrita “alta cultura” quando jovem.

População de Duque de Caxias sofre com falta de abastecimento de água e energia

Em alguns bairros, as torneiras estão secas
desde o ano passado
População indignada vai às ruas e realiza protestos nos bairros

Por Allewerton da Silva Silveira, de Duque de Caxias/RJ
   

   Nós últimos dias, a população da Baixada Fluminense, em especial a população da cidade de Duque de Caxias (RJ), tem sofrido com a constante e permanente falta do abastecimento de água e energia elétrica.

   Nos bairros da cidade que contam com fornecimento de água, as torneiras estão secas desde o ano passado. Por toda a cidade eclodem protesto contra o descaso da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE).

   Nos bairros que contam com abastecimento da concessionária de energia elétrica AMPLA, trabalhadores sofrem principalmente com o descaso. As constantes interrupções no fornecimento de energia já deixaram a população com até cinco dias sem energia elétrica. A população indignada foi pra rua e  uma onda de protestos tomou os bairros da cidade. Piquetes, barricadas nos bairros do distrito de Imbariê, em Duque de Caxias, e ônibus incendiado durante os piquetes.

   Na região de Imbariê, os protestos foram mais radicalizados pelo fato de que o não fornecimento de energia ameaça a própria subsistência da população, pois  a região não conta com abastecimento de água, mesmo o distrito tendo um reservatório da CEDAE. Isto porque a população conta com poços artesianos ou aberto dependendo de bombas elétricas para ter água potável no seu uso diário, o que ainda encarece sua conta de luz. Neste sentido, parte da população de Duque de Caxias fica refém, exclusivamente, da concessionária de energia AMPLA. Nos somamos à população na luta por melhorias nos serviços prestados por essas empresas!

Defendemos também o fim da concessão dada a Ampla para gerir o fornecimento de energia! Pela Estatização da concessionária de energia!
Defendemos a expansão do sistema de abastecimento de água assim como a interligação dos sistemas de captação e abastecimento da região metropolitana!
Fiscalização permanente e manutenção preventiva do fornecimento de água e luz!

“Pode chover, pode molhar, Sérgio Cabral eu vou te derrubar!”

Concentração do ato, na Candelária
Foto: RB.
Por Rodrigo Noel, do Rio

Um verão de luta para os trabalhadores (veja aqui e aqui o panfleto distribuído pelo PSTU-RJ)

   No final da tarde de ontem (16) a juventude e os trabalhadores do Rio deram mais uma demonstração pública que não vão admitir um novo aumento nas tarifas de ônibus na cidade. Apesar do intenso calor durante todo o dia, a chuva forte acompanhou o ato, que seguiu sem maiores problemas da Candelária até a ALERJ.

   Organizado pelo Fórum de Lutas contra o aumento da passagem, o ato contou com a participação de cerca de 1.000 pessoas, entre trabalhadores e estudantes. Apesar da presença numerosa da polícia militar, tradicional elemento provocador nas manifestações, o ato transcorreu tranquilo.

    Nós do PSTU exigimos a estatização do sistema de transporte público (trem, barcas, metrô e ônibus), sob controle dos trabalhadores. Exigimos um transporte público de qualidade, eficiente e que funcione durante o dia e a noite, atendendo a toda população. Cabral e Paes não são aliados dos trabalhadores e começam 2014 concedendo mais benesses a máfia do transporte público com aumentos nos ônibus intermunicipais e municipais da capital fluminense.

'Só no Rio acontece isso?'
   Em São Gonçalo, na região metropolitana do RJ, não é diferente. O prefeito Neilton Mulim, aliado do ex-governador Anthony Garotinho, se comprometeu durante a campanha a reduzir o valor da passagem. Assim como Dilma fez com o pré-sal, Neilton também descumpriu sua promessa e anunciou reajuste nas tarifas de ônibus.

   A juventude e os trabalhadores da cidade já anunciaram sua resposta e na próxima terça-feira (21) vão as ruas exigir o fim do consórcio São Gonçalo de transportes e que, no mínimo, o prefeito cumpra sua promessa de reduzir o valor da passagem para R$1,50 e sem a concessão de subsídios.

Funcionários da Embratel fazem ato pela readmissão de Cacá

Fotos: Paollo Rodajna
Foi realizado, na última quarta-feira (15/01/2014), um ato contra a demissão de Carlos Augusto Machado, conhecido como Cacá, ex-dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações (SINTTEL) e representante dos empregados no Conselho Deliberativo do fundo de pensão Telos. Numa clara atitude de agressão ao direito democrático de organização, a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) alegou estar realizando uma suposta reestruturação. Até agora, esta atingiu apenas Carlos Augusto.Não é de hoje que a Embratel demite por perseguição a ativistas; com a sua privatização no governo FHC, diversos trabalhadores foram demitidos, salários foram arrochados, direitos retirados, ataques feitos ao fundo de pensão dos trabalhadores. Logo em 1998, após a privatização foram demitidos 1500 funcionários (15,43% do total) através do PDV; já em 2004, quando a Telmex assumiu controle, foram demitidos mais de 1200 trabalhadores. Em 2012 foram 3 dirigentes sindicais demitidos por perseguição, e agora Carlos Augusto.
Cacá fala no ato contra sua demissão
Contra mais essa arbitrariedade, diversos ativistas e funcionários fizeram um ato na porta da empresa, contando com a participação de representantes do Andes-SN, SINTTEL, CSP-Conlutas, ANEL, o vereador Paulo Eduardo Gomes (ex-funcionário e ativista da Embratel) e outras, os quais prestaram sua solidariedade ao trabalhador até então demitido.A mobilização reuniu cerca de 100 pessoas, as quais, ao final das falas dos representantes das diversas organizações já citadas, gritaram pelo retorno do companheiro à empresa.Assim, os presentes no ato reafirmaram o compromisso de lutar pela readmissão do ex-dirigente do sindicato. 

Embratel demite Carlos Augusto, ativista sindical e representante dos empregados

Atitude da empresa foi claramente retaliação política


Da redação


Numa clara atitude de agressão ao direito democrático de expressão e participação sindical, a Embratel demitiu, na última sexta-feira, 10, o engenheiro Carlos Augusto Machado, empregado da empresa há quase 39 anos, ex-dirigente do sindicato da categoria no Rio de Janeiro e representante dos empregados no Conselho Deliberativo do fundo de pensão Telos. O motivo alegado foi uma suposta reestruturação em curso na empresa, que se prepara para a fusão com a Claro, do mesmo grupo econômico da Embratel.
Mas tal reestruturação atingiu, até agora, apenas Carlos Augusto, com histórico profissional respeitado na empresa, poucos meses depois de ter se encerrado seu período de estabilidade sindical. A demissão ocorreu logo após ele ter participado ativamente da última campanha salarial da categoria em dezembro de 2013, posicionando-se contra a proposta da empresa, e de ter contestado na Telos, em janeiro de 2014, o fechamento do Plano de Previdência privada existente desde 1998 e a criação de um novo plano com perdas de vários benefícios para os empregados. Não foram apenas coincidências. Estes foram os verdadeiros motivos da demissão.
A Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) foi privatizada em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e é hoje uma empresa do Grupo América Móvil, controlado pelo milionário mexicano Carlos Slim, considerado o segundo homem mais rico do mundo pelo último levantamento da revista Forbes. O grupo controla, também no Brasil, a Claro, operadora de celular, e a NET TV a cabo. Do grupo Embrapar, integrado pela Embratel, fazem parte ainda a Claro TV (TV por assinatura), a Star One (satélites), a Primesys e a BrasilCenter (Call center). O atual presidente da Embratel é o mexicano José Formoso Martinez.
Lutar não é crime
Num país governado há anos por um presidente vindo do movimento sindical e por uma presidente que participou da luta contra a ditadura, é de se questionar onde ficam os direitos de expressão e manifestação dos trabalhadores. Depois de tantas lutas pelos direitos democráticos, participar de uma assembleia, defender os direitos dos trabalhadores, manifestar-se contra injustiças e más condições de trabalho ainda é considerado como crime ou faltas graves pelas empresas.
Em atitudes como esta da Embratel, fica evidente que a realidade dentro das empresas é muito diferente do discurso de “valorização dos empregados” que elas tentam propagandear. Nestas horas, se revela que o debate democrático, o direito de expressão e participação sindical dos empregados não é sequer tolerado. Não chegamos ainda a um patamar civilizado de relações de trabalho. Vigora nas empresas um autoritarismo que age para intensificar cada vez mais a exploração, retirar direitos dos empregados e multiplicar os resultados para os acionistas.
Hoje, a realidade do país está mudando. As manifestações de junho de 2013 estão aí para provar. Cada vez mais as pessoas querem ter respeitado seus direitos a uma vida melhor. E para isso é necessário que os direitos de expressão também sejam respeitados e não reprimidos e criminalizados. Uma atitude como esta da Embratel é um claro desrespeito ao direito de manifestação e organização sindical. Por isso, precisa ser combatido e denunciado.
O Sinttel-Rio, sindicato dos trabalhadores em telecomunicações no Rio, e outras organizações sindicais e políticas vão cobrar da empresa, nos próximos dias, a reversão da demissão. Chamamos a todos a denunciar esta atitude da Embratel e a se somar a esta luta.
Provisoriamente, e-mails sobre o assunto poderão ser encaminhados ao Sinttel-Rio (sinttelrio@sinttelrio.org.br), para redirecionamento à Embratel.
CARLOS AUGUSTO MOREIRA MACHADO, engenheiro pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ingressou na Embratel em março de 1975. Foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do RJ (Sinttel-Rio) no período no 1990-1992 e 2002-2012, Presidente da Associação dos Empregados da Embratel (AEBT-RJ) entre 1996-2002, e da Comissão Nacional de Negociação dos Empregados da Embratel entre 1996-2012. Também é representante eleito pelos empregados da Embratel na Telos, fundo de pensão da empresa, desde 2001 até hoje, seja como efetivo ou suplente no Conselho Deliberativo. Participou do Partido dos Trabalhadores (PT) desde sua fundação até 1992, onde integrava a corrente Convergência Socialista. Em 1994 ingressou no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), do qual participa atualmente. Tem 60 anos.

Somos todos Nívia de Araújo! Chega de violência contra à mulher em São Gonçalo!


(Rosa Russo, da Secretaria de Mulheres do PSTU de São Gonçalo e Itaboraí e Roni Yuri, do PSTU-SGI)

O funcionário terceirizado da Petrobras Leonardo Carvalho de Oliveira, de 25 anos, se entregou na noite deste sábado, por volta de 21h10, dia 4/1, na 73ª DP (Neves), em São Gonçalo. Ele estava sendo procurado pela polícia por suspeita de jogar a ex-namorada, a estudante de direito Nívia Araújo, 24 anos, do terraço da casa dela, no Rocha.

O caso ganhou repercussão na mídia e chocou não só os moradores de São Gonçalo, mas todo o país. Mais uma vez, uma mulher é brutalmente agredida até a morte no Brasil. Depois de passar o Réveillon com um grupo de amigas, Nívia fora surpreendida em sua própria casa pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento. Leonardo arrombou a porta e, depois de quebrar todo o quarto da jovem, a jogou do terraço.

A jovem, que sofreu traumatismo craniano, fraturas nos braços, perna e coluna e perfuração do pulmão, foi socorrida pelos bombeiros e levada para o Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, mas a gravidade das lesões impediu qualquer chance de sua vida ser salva. Na tarde de sexta-feira, Nívia teve morte cerebral decretada pelos médicos.


Leonardo, que já carrega denúncias anteriores por agressão e ameaças a outras mulheres, agora alega, através de seus advogados, que a jovem teria caído sozinha do terraço.

A sociedade não pode mais tolerar este tipo de brutalidade contra a mulher. Elisa, Eloá, Nívia... elas e tantas outras anônimas são assassinadas diariamente no Brasil. Não podemos nos calar! Exigimos a prisão imediata para o agressor. Leonardo não pode responder em liberdade! Pessoas como ele são uma ameaça real às mulheres e à sociedade como um todo.

Mas não pode ser só isso. A Lei Maria da Penha foi uma grande vitória do movimento feminista brasileiro, mas ainda é insuficiente para garantir que casos como este não se repitam. Faltam casas abrigo para mulheres agredidas que dependam financeiramente do agressor e seus filhos; faltam delegacias especializadas e centros de atendimento às vítimas de agressão machista.

Enfim, muita luta ainda precisa ser travada para que não vejamos mais Nívias, Elisas e Eloás morrendo todos os dias em nossa cidade e em nosso país. O PSTU se solidariza com a família de Nívea. A melhor forma de homenagear a estudante é mantendo-se firme na luta contra o machismo, que mata milhares de mulheres todos os anos e ataca toda a classe trabalhadora!




--->Exigimos justiça para Nívia de Araújo! Prisão imediata para Leonardo!
--->Chega de violência contra a mulher! Mulher não é propriedade, relacionamento não é algema!
--->Chega de machismo! Salário igual para trabalho igual, direitos iguais para todos!
--->Ampliação e aplicação das verbas da Lei Maria da Penha! Construção de casas-abrigo e Delegacias da Mulher já!
--->Não ao Estatuto do Nascituro! Não à Bolsa-Estupro de Marco Feliciano!





Rio 50 Graus, Uma cidade que não seduz: Repressão, remoções e falta de água e luz.

PM de Sérgio Cabral reprime em remoção feita pela prefeitura de Eduardo Paes 
Fonte: Mídia Informal


Juzerley Santos, redação RJ

Sol escaldante, praias lotadas e clima geral de férias? Que nada o verão carioca está sendo marcado por protestos populares e a repressão policial.

Mostrando que os ares de junho ainda estão presentes, manifestações têm ocorrido pela região metropolitana do Rio, apesar do intenso calor. Algumas motivadas pelos problemas cotidianos que os trabalhadores do Rio de Janeiro enfrentam, como falta de água e luz ou devido às remoções da Copa e a crescente criminalização e o extermino do povo pobre e negro nas favelas.

De dia falta água
Já na primeira semana de 2014, no dia 4/01, moradores do Santo Cristo, na Zona portuária da capital, protestaram interditando ruas do bairro contra a falta d'água na região. A Cedae, empresa responsável pelo fornecimento de água, responsabiliza reparos de vazamentos e remanejamento de tubulações, provocados pela derrubada do viaduto da Perimetral pelos transtornos. Já a concessionária Porto Novo, responsável pela derrubada do viaduto,  afirma que as obras não têm relação com a falta d'água em Santo Cristo.  Faltaram culpar os próprios usuários ...
A própria grande imprensa relatou inúmeros casos de falta d’água em bairros das zonas Norte e Oeste da cidade e em municípios da Região Metropolitana, como São Gonçalo e Duque de Caxias. O que provocou manifestações como na Vila Ati, no Tanque (Zona Oeste do Rio) onde moradores protestaram com baldes vazios.
A Cedae negou a falta de água generalizada e informou que nesta época do ano, o consumo aumenta cerca de 30%, acarretando muitos “problemas pontuais”. Pronto culparam os usuários ...

De noite falta luz
Moradores fecham a Niterói-Manilha contra falta de luz
Fonte: Magé on line
Ainda antes da virada de ano, os moradores de diversos bairros de  Niterói (Icaraí, Engenho do Mato) e de São Gonçalo (Colubandê, Engenho Pequeno, Porto Novo) sofreram com problemas de falta de luz. Outras cidades também foram seriamente impactadas como Campos, Angra dos Reis, Petrópolis, Teresópolis,  Araruama, Maricá e Magé.
Com a demora na resolução do problema alimentos e remédios se estragaram, comerciantes ficaram de portas fechadas e as pessoas sofriam ainda mais com o calor já que não podiam apelar para ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. 
Na cidade do Rio também ocorreram protestos contra apagões. Como nas imediações da Mangueira e do Morro da Matriz, no Rio, e nos bairros do proto Novo e Engenho pequeno, em São Gonçalo, com fechamento e interrupção de tráfego em vias importantes através de barricadas de pneus e galhos de árvores.
Tanto a Ligh quanto a Ampla, concessionárias responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica no estado, responsabilizaram o aumento no consumo e os temporais e ventanias pelos problemas e interrupções no fornecimento de energia.
É bom frisar que a ampla (que atende Niterói, São Gonçalo, região dos lagos e Norte Fluminense) é a nona colocada entre as 30 empresas mais acionadas, segundo o próprio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Mangueira teu cenário é de luta
Charge do cartunista Latuff em solidariedade
aos moradores da Favela do Metrô
Na Mangueira, desde o dia 05/01, a comunidade tem se enfrentado com a Polícia Militar por conta de protestos contra o assassinato do jovem, Wellington Sabino. Moradores denunciam que os disparos que vitimaram Wellington foram dados por um PM.
No dia 07/01, moradores da Favela do Metrô (comunidade vizinha a Mangueira) em protesto contra as remoções. A Polícia Militar que estava na comunidade desde cedo para impor a ordem de remoção e derrubada das moradias reprimiu violentamente a manifestação lançando bombas de gás lacrimogêneo e agredindo inclusive grávidas, crianças e idosos.
Com a continuidade e o aumento da presença policial, à noite, os moradores fecharam a Radial Oeste, principal via de ligação entre o centro e a zona Norte na região. Mesmo liberada pela PM a via foi novamente fechada por barricadas na manhã seguinte (8/01) gerando novos enfrentamentos.
A Favela do metrô é uma comunidade extremamente carente, com moradias sem água e sem luz e esgoto correndo a céu aberto.  Mas é caracterizada pela presença de inúmeras oficinas de automóveis. Ironicamente a prefeitura de Eduardo Paes, que prometera urbanizar a área, pretende agora derrubar tudo para fazer um estacionamento de carros para o Maracanã.

“Não vai ter Copa”
Em 2014 povo na rua questionará gastos com a Copa
É interessante notar que essa semana imprensa e apoiadores do governo ficaram histéricos com a repercussão nos jornais da palavra de ordem “Não vai ter Copa”. Afirmaram como contraponto “Sim, teremos Copa” e saíram com vários artigos e matérias condenando aqueles que continuam a questionar e criticar os mandos e desmandos por trás de tudo que tem envolvido a preparação da Copa e das Olimpíadas.
Evidentemente sabemos que o mais provável é que a Copa aconteça. Até porque um grande esquema midiático, policial e judiciário está sendo montando para garantir a festa da Fifa, Globo e governos.  Aliás, quem coloca em risco a Copa é o próprio governo Dilma e seus aliados que acabam de oficializar a montagem de uma tropa de choque nacional com mais de 10 mil homens para reprimir os protestos que estão previstos para a época do evento.
Mas, tudo isso, não impedirá que os indignados, os removidos, que os barrados dessa “festa”  saíam as ruas. A bronca com falta de água e luz em vários bairros do Rio e Grande Rio e a manifestação contra a remoção e repressão na Favela do Metrô na Mangueira representam a expressão viva do lema “Não vai ter Copa” que tanto amedrontam os governos e as autoridades policiais. 


                                                                                                                                                                         

Ano novo e a PM do Rio é a mesma: segue matando!




Ao contrário do clima de euforia e otimismo que a imprensa tenta retratar, a passagem de ano no Rio de Janeiro teve tons de tragédia para algumas famílias, vítimas da violência do Estado. Uma delas foi a família do funcionário aposentado do Banco do Brasil, José Onildo Menezes, psiquiatra, militante da área de saúde, que presta atendimento voluntário na sede da CSP-Conlutas RJ.

Na madrugada da última segunda-feira, dia 30/12, quatro amigos passavam de carro pela Linha Amarela, dentre eles João Pedro, neto de José Onildo, e teriam furado uma blitz da PM. Os policiais perseguiram o carro, alvejando-o com cerca de 50 tiros, até pará-lo. João Pedro, de 23 anos, estudante de cinema, morreu com um tiro de fuzil nas costas. A versão dos policiais é de que os rapazes teriam atirado contra o carro da PM, buscando justificar sua ação e a morte de João Pedro. No entanto, nenhuma arma foi encontrada no carro dos rapazes. A história contada pelos policiais é absurda e segue uma prática comum da PM, de inventar fatos e forjar provas para justificar suas ações violentas.

No primeiro dia do ano, João Pedro foi enterrado em meio a grande comoção dos familiares e amigos. Ele foi mais uma vítima da política de segurança do governador Sérgio Cabral, que legitima a ação violenta da PM. Infelizmente, a prática de atirar primeiro e perguntar depois, de forjar provas para criminalizar inocentes, é comum dentro da PM. Vimos isso acontecer nas manifestações populares e vemos acontecer todos os dias na nossa cidade, vitimando sobretudo jovens, negros e pobres. O caso do desaparecimento de Amarildo é emblemático e nos mostrou que somente com pressão popular podemos deixar acuados a PM e o governo, questionando a sua política de segurança. Os cartazes e os gritos de “Cadê o Amarildo?” que tomaram as ruas do país foram fundamentais para levar adiante a investigação do desaparecimento do ajudante de pedreiro e a responsabilização dos policiais envolvidos. Sem isso, seria apenas mais um negro pobre assassinado pela polícia e prevaleceria a versão mentirosa desta de que Amarildo tinha relação com o tráfico. O caso de Amarildo expôs também a política de “pacificação” das comunidades com a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora. As comunidades que receberam as UPPs sofrem hoje com a opressão dessa polícia corrupta e assassina.
Desconectado da realidade, dos casos de violência que ocuparam os jornais nos últimos dias do ano e do papel que a PM cumpre, o governador Sérgio Cabral postou no seu twitter: “encerrar o sétimo ano de governo com milhões de pessoas nas comunidades vivendo em paz é muita felicidade para quem se dedica à vida pública” e ainda disse que “temos uma Polícia Militar e Civil na sua imensa maioria motivada e dedicada à tarefa da paz no Rio”.

A política de segurança de Sérgio Cabral, centrada nas UPPs, não gera paz ou transforma a vida da população das comunidades onde são instaladas, apenas substitui a opressão do tráfico pela opressão da polícia. A Polícia Militar está dedicada sim à tarefa de matar, vitimando sobretudo a população negra e pobre do nosso Estado e, muitas vezes, jovens de classe média como João Pedro.

São muitos os Amarildos e Joãos na nossa cidade! Para que suas histórias não se repitam, é preciso, neste ano novo, reeditar as manifestações de rua que aconteceram em 2013, ainda maiores e com maior participação popular. É preciso gritar mais alto uma das reivindicações que marcaram aquelas manifestações: queremos o fim da Polícia Militar! Pois essa polícia e suas práticas não nos representam!

Solidarizamo-nos com o companheiro José Onildo e toda a família de João Pedro, assassinado brutalmente pela PM no último dia 30. Compartilhamos o sentimento de revolta e nos somamos à tarefa de fazer com que a verdade apareça e os policiais envolvidos sejam punidos.