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A morte de DG: o dia em que o morro desceu, e não era carnaval

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, ela se incendeia com indignação; foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e DG

Lucas Viana, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU


   No último dia 21, Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, foi mais um negro assassinado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de janeiro (RJ). A vítima, que era dançarino do programa Esquenta, da Rede Globo, foi encontrada com sinais de tortura e baleado numa creche no morro Pavão-Pavãozinho. A polícia, num primeiro momento, alegou que o dançarino, ao fugir de um tiroteio, havia morrido em decorrência de uma queda.

   A PM esperou que isso fosse o suficiente para calar e intimidar a população local. Entretanto, a comunidade não hesitou em descer o morro e ocupar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana para denunciar os abusos e o genocídio que as polícias vêm promovendo, além de exigir justiça às vítimas e o fim das UPPs.

Era só mais um Silva
“Era trabalhador, pegava o trem lotado
Tinha boa vizinhança, era considerado
E todo mundo dizia que era um cara maneiro
(...) E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família, ele não irá dormir”

(“Era só mais um Silva”)

   DG, não por coincidência, tinha sobrenome Silva e havia encenado, em Junho de 2013, sua própria morte no curta-metragem Made in Brazil, de Wanderson Chan, que ilustra o triste cenário das comunidades ocupadas pelas UPPs, onde jovens negros, trabalhadores e pais de família são diariamente abordados, intimidados, agredidos e mortos de maneira arbitrária, com a desculpa de serem confundidos com traficantes.

   Segundo o Instituto de Segurança Pública, de 2007 a 2012, foram registrados 553 desaparecimentos nas 18 primeiras comunidades pacificadas no Rio. Só em 2010 foram 119 desaparecidos, número que aumenta ano após ano e coloca em alerta a população negra e periférica do Rio, que hoje encara a luta contra as UPPs como a luta pela sua própria sobrevivência. Depois de Amarildo, nenhuma morte passa sem que o morro desça às ruas e exija justiça.

Pavão-Pavãozinho: o dia em que o morro desceu
   O fato de a comunidade do Pavão-Pavãozinho descer até Copacabana evidencia o novo momento político em que vivemos. Em junho, o aumento das tarifas do transporte foi o estopim para que a população percebesse que as ruas são o espaço para as transformações reais na sociedade. Hoje, quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, no dia seguinte ela se incendeia com a indignação da população. Foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e agora com DG.

   Não há dúvidas, apesar da negligência nas perícias e investigações, de que se tratou de mais um assassinato cujo responsável é o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) com sua política de segurança pública, que é a principal responsável pelo genocídio da população negra em curso. Tudo isso é evidenciado quando se lê cartazes feitos por moradores do Pavão nas manifestações, como “A maquiagem da UPP é o sangue dos inocentes”; “Hugo Leonardo (...) foi tido como bandido na mídia por calúnia dos policiais (...), e DG, Edilson e Amarildo são outras vítimas da UPP. Queremos Justiça!”; “Fora UPP”; “PM assassina”. Atualmente, tão essencial quanto a luta por transporte, saúde, educação e outros direitos sociais, o que se ouve nas ruas, por parte da população negra é a reivindicação por permanecer viva e pelo direito ao futuro.

   Trata-se, em termos gerais, da luta contra a ideologia racista e do sistema que rebaixa os negros à categoria de coisas, que permitiu que fossem escravizados e mercantilizados por quase 400 anos no Brasil e que, hoje, faz com que sejam “carne barata” no mercado de trabalho, além de “justificar” o descaso do governo e da elite com o genocídio da população negra.

O mito da democracia racial e as lágrimas de crocodilo de Pezão
   O governador Pezão convidou a mãe de DG, Maria de Fátima da Silva, para uma reunião, que foi prontamente recusada pela técnica em enfermagem: “Nenhum político vai se projetar em cima da imagem do meu filho. Existem outros crimes iguais ao do meu filho que não foram solucionados até agora, como o da auxiliar de serviços gerais, Claudia da Silva Ferreira, que caiu no esquecimento (…). Eu quero uma polícia correta e digna na rua e não uma polícia assassina. E não homens armados, tendo a população como inimiga. Eu quero que ela [a polícia] aja com rigor e traga à tona a verdade desse caso”.

   A atitude louvável de Maria de Fátima vai no sentido oposto ao amplamente difundido mito da democracia racial, cujo centro é acreditar que negros e brancos possuem as mesmas oportunidades, os mesmos riscos ou que ocupam postos de igualdade na sociedade e que,por isso, todos os conflitos sociais e raciais podem ser resolvidos com um grande acordo entre a “casa grande” e a “senzala”.

   Um exemplo desse mito é o próprio programa de televisão em que DG trabalhava, o Esquenta, que espetaculariza a pobreza, a colocando como mais um produto a ser vendido e consumido, além de exibir um mundo que, na prática, não existe: onde brancos e negros convivem harmoniosamente, sem as relações de opressão ou exploração que existem na sociedade. Ou como se essas relações não fossem relevantes, como o exemplo clássico da empregada negra que samba alegremente com a patroa branca, o que não é verdade.

   No programa do último domingo, 27, que homenageou DG, a democracia racial atacou mais uma vez: o assunto da violência foi tratado de maneira abstrata, como se todos ali, de Regina Casé a Carolina Dieckman, sofressem o mesmo risco que DG e a população negra e periférica de morrerem assassinados. Ou como se um episódio do programa com condolências de globais, como Pedro Bial ou Jô Soares, fossem suficientes para fazer justiça ao caso específico do dançarino, e não a resolução do problema de conjunto, que é, entre outras coisas, a desmilitarização das polícias e a retirada das UPPs das favelas.

   Além disso,  não é verdade que Pezão, ao chamar a reunião com Maria de Fátima, estava preocupado em garantir que este e outros casos semelhantes se solucionassem ou que o genocídio da população negra se encerre. Pelo contrário, mediante a falência da política das UPPs e da revolta generalizada que faz com que a população desça do morro em protesto, Pezão aceita com gratidão a ajuda do governo de Dilma Rousseff, que ocupou, desde o início de abril, com suas Forças Armadas, o complexo da Maré.

   Portanto, mediante esta situação, não é possível conciliar a “senzala” com a “casa grande”, pois são polos com interesses opostos. De um lado, os governos fazem de tudo para garantir a Copa do Mundo para inglês ver, intensificando a ocupação das favelas e morros, para conter a população que quer lutar contra as injustiças sociais, sendo uma delas o seu próprio genocídio. De outro lado, está a população preta das periferias, como a de Pavão-Pavãozinho, que dão um exemplo de luta e resistência. Os ventos de junho seguem soprando em nosso país.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Transformar o luto em luta
   Para além do grito de justiça pelo essencial, que é a investigação rigorosa, afastamento e punição dos policiais envolvidos na morte de DG e em outros casos de desaparecimento e morte das centenas de moradores das comunidades ditas pacificadas, é uma questão urgente a retirada imediata das UPPs das favelas e morros do Rio.

   A principal desculpa para que os governos de Pezão e Dilma ocupem hoje as favelas e morros é a guerra às drogas, mas esta é uma política que, a cada dia, anuncia o seu próprio fracasso por ser a causa direta do genocídio da população pobre e preta das periferias, além do seu encarceramento em massa.

   Se o governo está realmente interessado em acabar com o tráfico, fazer justiça a DG e garantir a vida e o futuro da população negra, deve haver uma inversão de prioridades: ao invés de se investir mais de R$ 30 bilhões com a Copa das injustiças, deve se investir nos direitos sociais mais básicos, como saúde, transporte, educação e cultura, além da urgente legalização das drogas e desmilitarização das polícias.

   Entretanto, se Pezão e Dilma não estão dispostos a ouvir as ruas, o Pavão-Pavãozinho e os pretos da periferia de conjunto estão dispostos a transformar o luto em luta e fazer um novo junho acontecer, mas dessa vez com a inspiração em Palmares.

Morte de Santiago Andrade não pode justificar criminalização das manifestações

Jornalistas prestam homenagem a Santiago Andrade durante manifestação no Centro do Rio
Foto: Paollo Rodajna (10.fev.2014)
Bruna Barlach e Erick Dau, redação Rio.

Santiago de Andrade teve morte cerebral decretada no dia 10/02. Santiago, jornalista, cinegrafista, trabalhador é mais uma vítima da violência de Estado. Desde junho de 2013, com o crescimento das manifestações em todo o país, temos visto a ação truculenta e descabida do aparato policial, em especial da PM do Rio de Janeiro a mando do governo estadual.

O luto não é só de sua família, à qual devemos todos prestar solidariedade, nem só da categoria dos jornalistas, o luto é de toda a classe trabalhadora. É preciso situar a morte do cinegrafista dentro do contexto de luta no qual vivemos. As bandeiras de luta que são levantadas pelas manifestações são contrárias aos interesses do governo e da burguesia e por isso a grande repressão a estes movimentos.

Jornalistas são obrigados a cobrir atos sem condições dignas de trabalho
Ao mesmo tempo em que vivemos um momento de recrudescimento da luta de classes com o governo federal do PT e seus partidos aliados, como é o caso do Cabral, do PMDB, vemos as condições de trabalhos de toda a classe trabalhadora sofrer uma grande piora. Não seria diferente para a categoria dos jornalistas.

Na cobertura das manifestações os jornalistas têm se deparado com diversos problemas, principalmente a falta de equipamentos mínimos de segurança para trabalho, como foi o caso de Santiago, funcionário da Band, que não possuía sequer um capacete (o que poderia ter salvo sua vida). Além disso, o cinegrafista trabalhava sozinho, sem assistente, o que é pré-requisito obrigatório para o exercício da sua função. Isto ocorre porque as grandes empresas de mídia cortam todo e qualquer custo com o trabalhador visando somente ampliar seus lucros.

A morte de Santiago não pode servir para legitimar o aumento da repressão
Independentemente das investigações e sobre quem recaia o dolo, ou seja, a culpa pelo arremesso do rojão que atingiu a cabeça de Santiago, precisamos compreender que alguma coisa está fora de ordem quando numa tarde de quinta-feira as ruas se transformam em verdadeiras praças de guerra, com a polícia sendo acionada para coibir, reprimir e agredir indiscriminadamente as pessoas para impedir que a manifestação prossiga.

Não podemos esquecer que a manifestação do dia 06 de fevereiro, quando o ocorreu o incidente, lutava contra o aumento do preço dos transportes, medida imposta pelo prefeito Eduardo Paes, do PMDB, apesar da evidente bronca da população. Nada mais legítimo para os trabalhadores, estudantes e ativistas que protestar contra este aumento, que só serve para ampliar o lucro dos grandes empresários do transporte do Rio e que prejudica diretamente a população no seu direito mais básico: o direito de ir e vir.

Seguiremos na rua! Cabral (Dilma e Paes) a culpa é sua!
Enquanto a conta recair nas costas dos trabalhadores e não dos verdadeiros responsáveis pelos superfaturamentos das obras dos megaeventos, dos donos das empresas de ônibus e da burguesia como um todo, ainda veremos as ruas do Rio e de diversas cidades do país sendo ocupadas pelas manifestações. Manifestantes que buscam direitos básicos, como saúde, educação e transporte. Sim, direitos básicos, mas que são negados pelos governos, que preferem reprimir os protestos do que ceder às suas reivindicações.

Mas, sabemos uma coisa sobre a morte de Santiago de Andrade: a culpa é do estado de guerra que o governador Cabral criou contra as manifestações, com a cumplicidade do prefeito Eduardo Paes. É da Dilma que estimula criação de medidas anti mobilizações para tentar calar os movimentos e impedir que as pessoas lutem por seus direitos básicos, como o acesso à saúde, a educação, ao transporte e moradia.

As lutas seguirão e junto às lutas os jornalistas estarão nas ruas cobrindo os atos. Resta saber se os patrões vão se responsabilizar pela segurança dos seus funcionários ou se continuarão a colocar a vida dos jornalistas em risco em busca do melhor ângulo, do furo de reportagem, com a maior redução de custos. Os jornalistas precisam estar ao lado dos movimentos sociais e entenderem que antes de serem jornalistas, são trabalhadores, e que estamos todos juntos nessa luta.

Nós do PSTU, não concordamos com ações isoladas que somente contribuem com o clima de repressão e afastam os trabalhadores das manifestações. Passamos grande parte do último ano travando uma profunda, mas respeitosa, polêmica com vários setores do movimento social a respeito de nossas diferenças táticas. No entanto, em primeiro lugar, repudiamos as tentativas da grande imprensa e do governo de criminalizar os manifestantes e usar esta tragédia para atacar o justo direito de ir às ruas por suas reivindicações.

Nota do PSTU sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade
Torcer pelo Brasil é lutar por direitos, democracia e contra as injustiças da Copa

Mobilização no Rio manda recado aos governos: Agora e na Copa vai ter luta!

Manifestantes ocupam gare da  Central do Brasil (06.fev.2014)    Foto: Erick Dau

Por Arthur Gibson, da redação Rio.

Neste dia 6 de fevereiro os trabalhadores e a juventude saíram mais uma vez às ruas contra o aumento do transporte no Rio de Janeiro. O vitorioso ato, que reuniu quase 5 mil pessoas, foi convocado pelo Fórum de Luta do Rio de Janeiro e partiu da Candelária até a Central do Brasil.

A confirmação do aumento da tarifa do ônibus para este dia 8 pelo Prefeito Eduardo Paes fortaleceu o sentimento de que é preciso voltar às ruas. Este foi o maior e mais marcante dos 4 atos já realizados desde que Paes anunciou sua intenção de aumentar a tarifa. E isto mesmo com o anúncio de que a prefeitura ampliaria de maneira bastante parcial o direito à meia-passagem e passe-livre estudantil como forma de tentar desmobilizar a juventude.

No entanto tanto o prefeito Eduardo Paes (PMDB) quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidenta Dilma Roussef (PT) podem ter a certeza de que teremos mais um ano de muitas lutas. Assim como em 2013, a luta não é apenas contra o aumento da passagem. Nesta quinta-feira puderam ser vistas faixas e palavras de ordem pela estatização dos transportes, contra os gastos bilionários com a FIFA e a Copa do Mundo, pela derrubada do governador Sérgio Cabral, pelo fim da PM e em defesa de mais investimento em saúde, segurança, transporte e educação públicos, dentre outros temas.

Diante da mobilização dos trabalhadores o governo Cabral e a prefeitura de Paes mais uma vez responderam com uma brutal repressão. Ao chegar à Central do Brasil, a PM expulsou os manifestantes com bombas, balas e cassetetes desatando um grande enfrentamento nas vias públicas. O saldo de mais essa ação truculenta da PM foi de vários feridos, e mais uma vez os governos sinalizam que não estão dispostos a ouvir as reivindicações das ruas.

Uma polêmica necessária
Alguns setores da esquerda seguem defendendo que o principal eixo das mobilizações deva ser o “Não vai ter Copa”. Achamos importante fazer aqui novamente esta polêmica. Neste momento, apesar de termos importantes mobilizações elas ainda são bastante minoritárias. A grande ambição daqueles que estão hoje na luta deve ser fazer com que as manifestações se massifiquem, que amplos setores da classe façam parte destas manifestações. Para isto, utilizamos as palavras de ordem para lançar aos trabalhadores uma tarefa, propor-lhes um motivo para ir às ruas.

A esmagadora maioria da classe trabalhadora quer que a Copa aconteça, e gosta da ideia de que ela seja no Brasil. Assim, sair às ruas dizendo “Não vai ter Copa” equivale a propor aos trabalhadores que se mobilizem para barrar a Copa que eles querem que aconteça. De concreto acaba por jogar contra a massificação da mobilização.

No entanto, apesar de quererem a Copa, os trabalhadores estão fartos da corrupção, dos desvios de dinheiro da falta de investimento nas áreas sociais, das remoções e da morte de operários. É preciso convocar os trabalhadores para irem às ruas agora e na Copa, numa grande mobilização por mais verbas para saúde, educação, segurança e transporte públicos e contra a transferência de dinheiro público para Copa, FIFA e grandes empresas.

Protesto contra o aumento das passagens no Rio é marcado por forte repressão policial



por Rodrigo Barrenechea


Fotos: RB
  Nesta quinta, 6 de fevereiro, realizou-se mais um ato contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro. O reajuste, de R$2,75 para R$3,00, foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes apesar de posição contrária do Tribunal de Contas do Município - fato que só veio a público após o anúncio do aumento e esteve cercado de uma guerra pela imprensa. Paes, por outro lado, lançou mão de uma medida paliativa, ao acenar com a extensão do passe-livre a estudantes universitários beneficiários de programas sociais como as cotas e o PROUNI. Nós, do PSTU, achamos que o passe-livre deve ser irrestrito, não apenas a todos os universitários, mas também a todos os estudantes da educação básica, e sem limitação no número de viagens, como ocorre hoje em dia.
  
 Por volta de 4500 pessoas participaram da manifestação, iniciada na Candelária e que prosseguiu ocupando duas das pistas da Avenida Presidente Vargas. O destino, desta vez, era a Central do Brasil, que num outro ato já tinha sido cenário de um "roletaço", com o acesso aos trens sendo liberado pela ação dos ativistas. Participaram do ato, em sua maioria, jovens, mas trabalhadores de diversas categorias e participantes de movimentos sociais também fizeram-se presentes. A presença de partidos e movimentos de esquerda, assim como do Fórum de lutas do RJ, com uma grande faixa, deu a tônica do ato.
  
Tropa de choque da PM preparada para reprimir
os manifestantes nas proximidades da Central do Brasil

Ao chegar à estação Central do Brasil, um forte aparato repressivo já aguarda os manifestantes; no entanto, a PM não pôde impedir, num primeiro momento, a entrada dos ativistas. Isso garantiu, mais uma vez, o "roletaço", com muitos subindo nas catracas e permitindo o acesso dos passageiros aos trens sem pagar passagem. Contudo, passado algum tempo, a tropa de choque iniciou a repressão, com o uso de cassetetes e bombas, tanto de efeito moral quanto de gás lacrimogêneo.

  Aos poucos, os manifestantes foram sendo retirados da estação, que aos poucos foi sendo fechada pelos seguranças da Supervia, com a ajuda da tropa de choque da PM. Foi a partir daí que a repressão policial se intensificou, com mais bombas sendo lançadas de forma a tentar dispersar os grupos que se postavam próximo aos acessos da Central. Foi por esse momento que uma das bombas atingiu na cabeça de um cinegrafista da TV Band, levando-o ao hospital com afundamento de crânio e em estado grave. 

      Para nós do PSTU, o fato de haver um conflito nas ruas do centro da cidade, em plena tarde de uma quinta-feira, é de exclusiva responsabilidade do governo e suas policias. A permanente repressão policial é que tem causado os feridos graves durante os protestos. 

  A repressão continuou noite adentro, mas uma boa parte dos manifestantes acabou por recuar para perto do Campo de Santana em busca de abrigo, retornando pela Presidente Vargas. Há o relato de pelo menos dois feridos graves, o cinegrafista da televisão e um idoso que teria sido atropelado por um ônibus, além de vários detidos pela PM.


  Fica claro aqui duas coisas: que o transporte público, que deveria ser encarado como um direito da população, é visto como uma mercadoria; e que, como é tradicional no Estado burguês, o "direito à propriedade" é sagrado - no caso, a propriedade das empresas de transporte -, sendo defendido com todas as armas pelos governos e tratando a população como inimiga, na mais velha tradição da Ditadura Militar. Portanto, duas medidas são absolutamente necessárias: a estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores, de forma a garantir a Tarifa Zero sem subsídios aos donos das empresas, aliados de primeira hora dos governos; e a imediata desmilitarização da polícia, autêntica herdeira do regime militar de 1964. Contudo, como os governos Paes e Cabral, do PMDB, são aliados do PT de Lula e Dilma, o governo federal nada fará no sentido de garantir nem sequer a discussão dessas propostas...

    O PSTU Rio se solidariza com as famílias dos feridos com gravidade, assim como com os demais agredidos e detidos pela selvagem repressão da PM do ditador Cabral. Mesmo de saída, ele não deixa de lançar suas bombas contra a luta dos trabalhadores e da juventude. Porém, isso não vai nos intimidar, e - como já ficou consagrado desde o ano passado, nas Jornadas de Junho - "amanhã vai ser maior!"
  
editado às 00:45 de 08/02/14

“Pode chover, pode molhar, Sérgio Cabral eu vou te derrubar!”

Concentração do ato, na Candelária
Foto: RB.
Por Rodrigo Noel, do Rio

Um verão de luta para os trabalhadores (veja aqui e aqui o panfleto distribuído pelo PSTU-RJ)

   No final da tarde de ontem (16) a juventude e os trabalhadores do Rio deram mais uma demonstração pública que não vão admitir um novo aumento nas tarifas de ônibus na cidade. Apesar do intenso calor durante todo o dia, a chuva forte acompanhou o ato, que seguiu sem maiores problemas da Candelária até a ALERJ.

   Organizado pelo Fórum de Lutas contra o aumento da passagem, o ato contou com a participação de cerca de 1.000 pessoas, entre trabalhadores e estudantes. Apesar da presença numerosa da polícia militar, tradicional elemento provocador nas manifestações, o ato transcorreu tranquilo.

    Nós do PSTU exigimos a estatização do sistema de transporte público (trem, barcas, metrô e ônibus), sob controle dos trabalhadores. Exigimos um transporte público de qualidade, eficiente e que funcione durante o dia e a noite, atendendo a toda população. Cabral e Paes não são aliados dos trabalhadores e começam 2014 concedendo mais benesses a máfia do transporte público com aumentos nos ônibus intermunicipais e municipais da capital fluminense.

'Só no Rio acontece isso?'
   Em São Gonçalo, na região metropolitana do RJ, não é diferente. O prefeito Neilton Mulim, aliado do ex-governador Anthony Garotinho, se comprometeu durante a campanha a reduzir o valor da passagem. Assim como Dilma fez com o pré-sal, Neilton também descumpriu sua promessa e anunciou reajuste nas tarifas de ônibus.

   A juventude e os trabalhadores da cidade já anunciaram sua resposta e na próxima terça-feira (21) vão as ruas exigir o fim do consórcio São Gonçalo de transportes e que, no mínimo, o prefeito cumpra sua promessa de reduzir o valor da passagem para R$1,50 e sem a concessão de subsídios.

Repressão e Democracia

por Júlio Anselmo, da Juventude do PSTU Rio


   Muitos ativistas, diante da absurda escalada da repressão policial, imediatamente comparam o momento atual com a ditadura militar ou Estado de Exceção. Isso é fruto da ideia de que na democracia não há repressão às lutas. Mas a realidade mostra que isso não é verdade: a democracia burguesa reprime, e violentamente. Não bastou termos derrubado a ditadura, pois está comprovado que o Estado, mesmo na democracia, só serve aos interesses dos ricos e poderosos, se configurando numa ditadura velada sobre os trabalhadores. Não há outro nome! O que vemos é a repressão da democracia burguesa. Este é o Estado democrático de direito quando os trabalhadores e jovens se levantam.

Contra a repressão e a criminalização da luta dos trabalhadores!

Desde junho, vimos cenas chocantes da brutalidade e truculência da polícia militar. Numa tentativa de acabar com as crescentes mobilizações, que seguem questionando os interesses dos ricos e poderosos, os governos lançam uma brutal repressão contra os que lutam. Juntos com o poder judiciário estão numa força tarefa para perseguir os ativistas. Buscam supostos mecanismos legais para prendê-los, se utilizando da espionagem e monitoramento, numa das maiores ondas repressivas desde a redemocratização.
Os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – de PSDB, PMDB e PT – prendem ativistas nas passeatas ou em suas casas recorrendo à lei de segurança nacional da ditadura ou à absurda Lei de Organização Criminosa sancionada por Dilma em Agosto. Agora, o ministro da justiça tenta nacionalizar a repressão, utilizando a Policia Federal e propondo a ampliação das penas aos manifestantes. Lembremos ainda o papel nefasto da presidente  Dilma que, além de cúmplice dos ataques à luta dos estudantes e trabalhadores, fez o mesmo para garantir a venda do Pré-Sal, enviando o Exército e a Força Nacional para reprimir os protestos. O PT usa a violência estatal para entregar nossas riquezas naturais às multinacionais.

Defender a democracia dos ricos ou questioná-la profundamente?

O PSOL diz¹ que numa democracia é inadmissível a repressão policial. Nas passeatas ouvimos seus militantes cantando: “Lutar não é crime; Democracia de verdade não reprime”. Com franqueza e honestidade queremos iniciar uma discussão na esquerda para contribuir com o debate sobre as alternativas ao capitalismo.
Dizer que a democracia burguesa não reprime é embelezá-la. É por meio das palavras tentar torná-la o que ela não é, nem jamais poderia ser.  Essa é a finalidade dos reformistas, que defendem irrestritamente a democracia burguesa, numa estratégia de melhorar a sociedade, aos poucos, a partir de pequenas conquistas parlamentares. Com o aumento da repressão, os reformistas clamam pela defesa ou aperfeiçoamento das instituições da democracia. Para se justificar forjam uma suposta ofensiva ditatorial na sociedade. Entretanto, atualmente, não há uma luta entre democracia versus ditadura, mas sim o aumento da polarização entre as classes sociais, com uma luta encarniçada entre os trabalhadores e a burguesia. Aqui não se trata de defender a democracia burguesa, mas sim de questioná-la profundamente. Exigir a radicalização da democracia ou a reforma política-eleitoral não basta, pois isso reforça a hipocrisia e dissimulação da burguesia, perpetuando a exploração e opressão sobre os trabalhadores.
A posição do PSOL fica mais evidente nas opiniões do Deputado Estadual Marcelo Freixo: “Temos que disputar uma concepção de sociedade que não pode negar os canais democráticos. Destruir o prédio da ALERJ não muda a péssima qualidade dos deputados que trabalham dentro da ALERJ. O que muda é o fortalecimento do processo democrático”². “E o que a sociedade quer, principalmente, é uma maior radicalidade na participação popular nas decisões governamentais"³. “A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força”⁴. Fica claro, a opinião de Freixo, de que as transformações se darão através das eleições, iniciativas parlamentares e o respeito as instituições do regime democrático. Esquecem que esta foi a tônica do falido projeto do PT, que se mostrou inviável, já que a burguesia é quem controla o poder econômico e político da sociedade.
Parece que não entendem que esta democracia não atende aos trabalhadores. Os liberais dizem que somos iguais perante a lei, mas é verdade também que a burguesia contrata os melhores advogados, compram juízes e que as leis são feitas para lhes beneficiar. Há uma suposta liberdade de expressão, mas não dizem que é a burguesia que detém os veículos de imprensa com grande circulação. Dizem que a democracia é liberdade. Mas os trabalhadores não têm a liberdade de deixar de trabalhar todos os dias para participar da vida política. Podemos reivindicar, mas, já é sabido por todos, que uma hora ou outra, chegará a polícia para reprimir. Essa é a democracia dos ricos que os reformistas nas horas mais agudas da luta de classes, ao longo da história, insistem em tentar salvar, salvando junto a dominação burguesa.

Em defesa das liberdades democráticas: ditadura nunca mais!

O imperialismo em nome da democracia declara guerras por lucros, domina os povos por todo o mundo e explora cada dia mais os trabalhadores. Vários setores da esquerda passaram a adotar a defesa da democracia como valor universal, ajudando o imperialismo a esconder-se atrás deste discurso para melhor sustentar sua dominação e exploração, iludindo os trabalhadores. Há também aqueles que em nome de um suposto enfrentamento com o imperialismo estão aliados as ditaduras mais sanguinárias da história como Assad na Síria, se colocando contra a luta do povo por democracia.
Defender a democracia burguesa quando estamos numa ditadura burguesa é muito progressivo, pois melhora as condições de mobilização dos trabalhadores, fortalecendo-os para questionarem a própria dominação burguesa. Democracia e ditadura são formas diferentes de dominação burguesa, e, portanto, não podem ser igualadas em uma análise marxista séria. Na democracia há melhores condições para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores.  Por isso também, defendemos amplas liberdades democráticas, que favoreçam a mobilização e emancipação dos trabalhadores, como: direito a manifestação, ao voto, aos trabalhadores construírem partidos, tempo igual de televisão entre os partidos, direito de criar sindicatos e de se sindicalizar, reforma agrária, desmilitarização das polícias, etc. A conquista das liberdades democráticas, ao longo da história, foram resultado das lutas da classe trabalhadora, da força do movimento operário e dos combates por ele travados. Tal fato, entretanto, não torna a democracia burguesa um regime socialmente neutro, e muito menos um regime favorável aos trabalhadores.
Lutamos implacavelmente contra as ditaduras burguesas, principalmente, aquelas sustentadas pelo imperialismo como na Síria. É motivo de orgulho, a Convergência socialista, organização que deu origem ao PSTU, ter seu papel reconhecido oficialmente na luta contra a ditadura. Isto é bem diferente de manter a luta dos trabalhadores nos marcos da democracia burguesa, defendendo-a e iludindo-os como fez o PT afirmando que a saída estratégia é a luta parlamentar.

Pelo poder dos trabalhadores!

A greve dos petroleiros, professores e demais categorias demonstram a força dos trabalhadores. As bombas e tiros provam que não há saída por dentro do sistema capitalista! Não há possibilidades de conciliação entre os interesses dos trabalhadores e da burguesia. Quem diz que governa para todos, tenta disfarçar que governa para os ricos. Está demonstrado pela realidade que para as nossas reivindicações serem satisfeitas temos que transformar radicalmente a sociedade. A única alternativa estratégica é a luta revolucionária contra a burguesia e a tomada do poder político pelos trabalhadores, construindo suas próprias instituições e organismos democráticos de auto-governo. Não queremos apenas maior participação popular nas decisões governamentais, como afirma Freixo, queremos que os trabalhadores decidam tudo. Contra as promessas de reformas políticas ou eleitorais, feitas por demagogos, supostamente, democratas, a saída é a revolução socialista dos explorados e oprimidos.  Só assim será possível exterminar a dominação burguesa que condena a humanidade a dor, miséria e sofrimento.


PELA LIBERDADE IMEDIATA DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS DE CABRAL E PAES!!


É preciso denunciar em todos os espaços as ações violentas e criminosas da polícia e do Estado e exigir a liberdade imediata de todos os presos políticos.

✔ Liberdade imediata a todos os presos políticos de Cabral e Paes!
✔ Lutar não é crime, lutar é direito! Contra a repressão aos movimentos sociais;
✔ Em defesa de todo ativista atacado pela repressão ou perseguido pelo Estado;
✔ Construir a autodefesa dos trabalhadores em luta;
✔ Pela desmilitarização da Polícia Militar, pelo fim da PM; 
✔ Pela construção de uma polícia de caráter civil, eleita democraticamente e controlada pela comunidade.

Mais de 50 MIL ocupam as ruas pela educação e contra a repressão



15/10/2013. Dia do Professor com dezena  milhares de pessoas no centro do Rio de Janeiro e diversos atos em todo país em apoio à greve da educação. 
 A cidade do Rio de Janeiro assistiu a mais uma grande manifestação em defesa da educação pública. Desde o final da tarde, educadores, estudantes e diversas categorias foram se concentrando na Candelária e seguiram em direção à Cinelândia. 
 A categoria estava presente com blusas e cartazes que expressavam sua indignação e exigiam seus direitos. Entidades do movimento social, como CSP-Conlutas, MST, diversos sindicatos e partidos políticos levaram o seu apoio à esta combativa greve da educação. 
        As greves do município, do estado e da Faetec encontram-se no seu terceiro mês. O governo Cabral segue intransigente e não negocia. Enquanto Paes tenta enganar a categoria e a população ao apresentar um plano de carreira que não contempla a maioria dos profissionais da rede e por isso é repudiado pelos educadores do município.
 Se a greve se prolonga até hoje, é por inteira responsabilidade desses governos. E a população está percebendo isso. Em recente pesquisa publicada no Extra, 86% da população concorda com a greve da educação.  
 Ontem podia-se sentir esse apoio com adesão das pessoas que saíram do trabalho e se incorporaram na manifestação e com as luzes das janelas dos prédios da avenida Rio Branco piscando enquanto o ato passava.
  Com isso, os educadores do Rio de Janeiro têm dado uma lição de combatividade e coerência, mostrando compromisso com a educação pública. Por isso, conforme Vera Nepomuceno afirmou, "o Dia do Professor virou o Dia do Profissional da Educação em Luta!".
Black Blocs e ação isolada: um desserviço à luta
Infelizmente, mais uma vez após o encerramento do ato a Cinelândia virou uma praça de guerra, com PM’s atirando bombas de efeito moral e disparando tiros com armas letais e Black Blocs arremessando pedras e quebrando bancos, orelhões etc. Nós temos feito constantemente esse debate, e faremos mais uma vez com a franqueza necessária. As ações isoladas não são a tática mais eficaz para combater Cabral e Paes.
E o pior é que esses governos, a mídia e o empresariado aproveitam disso para tentar desmoralizar e criminalizar a forte greve da educação. Vimos isso na semana passada, quando, depois de um ato vitorioso, que lotou a Avenida Rio Branco, os jornais e a tevês pautaram as ações de uma minoria e esconderam a grandiosa manifestação que reuniu milhares de pessoas. Essas ações isoladas dos chamados Black Blocs prestam um desserviço ao movimento. E não contribuem para aglutinar mais pessoas em defesa da greve da educação.
Hoje lamentavelmente isso se repetiu. Os governos tentaram jogar a população contra a greve. Afastar as pessoas das manifestações e aumentar a repressão contra os educadores. Nas primeiras notícias que estão circulando, a grande imprensa esconde o ato, e nas ruas do centro a PM de Cabral aumentou a repressão.
A PM acabou violentamente com o acampamento em frente à Câmara de Vereadores e prendeu mais de 200 pessoas nesta noite. Muitas delas nem estavam envolvidas com os enfrentamentos com a Tropa de Choque. Essas pessoas foram levadas para delegacias em bairros distantes do centro da cidade. Há também relatos de manifestantes baleados por armas de foto disparadas pela polícia.
 Vitória da mobilização: Liminar  suspende corte de ponto dos profissionais da educação 
           O Sepe conquistou ontem uma liminar que impede o corte de ponto dos profissionais da educação em greve. Segundo decisão do ministro Fux do STF, o governo estadual fica impedido de realizar cortes até o dia 22/10, quando será realizada uma audiência em Brasília entre o sindicato e o governo. Outra decisão judicial revoga a cassação da licença sindical do Sepe, que havia sido uma tentativa de desmoralizar a entidade.
           Nossa tarefa é não sair das ruas! Solidariedade ativa à greve da educação. Amanhã será maior!. Vamos aumentar a pressão sobre os governos Cabral e Paes pelo atendimento imediato das reivindicações dos educadores.

Plano de Carreira é aprovado ao som de bombas lançadas contra os educadores





Hoje (1º/10) foi realizado o ato “Educação em luto”, em repúdio à repressão contra os educadores do município que estão em greve e lutam pela educação pública e contra a votação do projeto de plano de carreira apresentado pelo prefeito que representa um verdadeiro ataque aos profissionais e à educação pública. Por volta das 13h, milhares de ativistas estavam em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, quando receberam a adesão de bancários, educadores da rede estadual e trabalhadores da Faetec. Essa unificação de diversas categorias em luta já foi uma grande vitória para os trabalhadores do Rio de Janeiro.

Mas não eram só os ativistas que se reuniam na Cinelândia... A PM, chefiada pelo coronel José Luís Castro Menezes e sob a direção de Sergio Cabral, instalou um verdadeiro exército para reprimir os manifestantes. Foram muitas bombas de gás lacrimogêneo, agressão a ativistas e dezenas de presos. Com as bombas, os policiais conseguiram afastar a manifestação da Câmara dos Vereadores. Mas eles não se contentaram com isso, e foram avançando em toda a extensão da Av. Rio Branco. Os educadores resistiram bravamente, e durante muito tempo não desfizeram sua coluna. Realmente foi necessário um grau de truculência muito grande para conseguir dispersar a manifestação. 


Grupos se mantiveram em diversos pontos da cidade. Os que permaneceram em frente à Câmara dos Vereadores sofreram ainda mais ataques de bombas de efeito moral. Houve grupos que foram para o IFCS (campus da UFRJ), outros ficaram na Candelária e na Alerj. 

A violenta repressão policial que a população assistiu hoje tinha como objetivo garantir a votação de um plano de carreira que é um dos piores ataques que a educação pública já sofreu. A sanha pela aprovação era tão grande, que mesmo quando os barulhos das bombas ecoaram dentro da Câmara, não houve suspensão da votação. Seguranças da Câmara retiraram à força o vereador Leonel Brizola Neto por estar contra a votação.
 


Quando houve as grandes manifestações em junho, uma das principais reivindicações era pela melhoria na educação. O que está acontecendo, e em todos os níveis da educação pública, é o contrário, e a depender dos governos, a educação vai ficar pior. Por isso é fundamental que a população entenda que esta não é uma luta por aumento salarial, é uma luta de todos aqueles que mantêm seus filhos em escolas públicas, ou que a duras penas pagam escolas particulares por causa da péssima qualidade da educação pública. Enfim, é uma luta de todos os trabalhadores.






Enquanto isso...  PT e PC do B não rompem com governos que reprimem trabalhadores

É preciso cobrar do PT e do PCdoB e da sua militância honesta que estes partidos rompam com os governos de Paes e Cabral. Não é possível que esses partidos, que dizem representar os trabalhadores, e que inclusive atuam no Sindicato dos Profissionais de Educação do RJ – SEPE, continuem num governo que joga bombas, bate e prende professores. Que o vice-prefeito Adilson Pires, do PT, renuncie já! Ou será considerado conivente com os desmandos e a violência ditatorial de Cabral e Paes contra os movimentos sociais do Rio de Janeiro.
 
 Ato contra a repressão aos movimentos sociais

Amanhã, quarta-feira, às 17h, será realizado um ato contra a violência e a repressão contra os movimentos sociais. A truculência é a marca do governo Cabral, que já a utilizou contra bombeiros, educadores, os ativistas das grandes manifestações deste ano, além dos moradores das favelas cariocas; e também do governo Paes, que sempre apoiou a política de segurança de Cabral e a tem utilizado contra os educadores da rede municipal desde que estes entraram em greve. Hoje, após mais essa demonstração de intransigência e repressão gratuita, mais do que nunca é necessário nos unirmos para refletir e agir coletivamente e assim enfrentarmos nossos inimigos.



TROPA DE CHOQUE REPRIME MANIFESTAÇÃO NA CINELÂNDIA


Foi uma segunda-feira cheia de atos públicos massivos e vitoriosos e de muita tensão. Os profissionais da educação, em um esforço heróico, resistiram a todo tipo de provocação e agressão por parte da Polícia Militar. Contudo, a PM que se encontrava cercando o prédio da Câmara Municipal de Vereadores, finalmente no meio da noite avançou sobre os manifestantes. 

Há informações de pelo menos 5 detidos e diversas pessoas feridas e atingidas por gás de pimenta.

TROPA ATACA A IMPRENSA E A OAB
Momentos antes houve confronto também entre soldados da PM e manifestantes, parte deles ligados aos Balck Blocs, nas imediações da Avenida Almirante Barroso com Avenida Rio Branco.

Contudo, a tropa de choque quando chegou foi para agredir os membros da imprensa que cobriam a manifestação e membros da OAB que buscavam solucionar o confronto.

Pelo menos três pessoas foram detidas, dois membros da imprensa (sendo um deles um diretor da Regional 2 do Sepe) e um jovem manifestante. 

Acompanhe pelo link do SEPEAOVIVO http://pt.twitcasting.tv/sepeaovivo

Fotos: Paollo Rodajna


Cerca de 10 mil profissionais de educação do Rio permanecem em frente a Câmara de Vereadores

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Os educadores estão desde a manhã de hoje pressionando os vereadores e a presidência da Câmara de Vereadores da capital para que retirem o caráter de urgência do projeto de plano de carreira da categoria. Para o sindicato da categoria, a proposta não contempla 93% da categoria e institucionaliza ainda mais penalidades para os trabalhadores da educação.

   No último sábado a polícia militar, usando de sua tradicional truculência e arbitrariedade, desocupou o plenário da casa legislativa, onde se encontravam cerca de 200 educadores, além de dezenas que permaneciam acampados do lado de fora da câmara. Para Alex Trentino, diretor do SEPE e militante do PSTU, a pm está, no mínimo, equivocada: "Enquanto a pm reprimia os educadores do Rio, uma aluna de 9 anos de uma escola da Rocinha era estuprada e assassinada a 100m da UPP. É pra lá
que a pm tem que ir!"
, afirmou.

   O líder do governo na câmara marcou uma audiência na com o Sepe na manhã de hoje, mas a polícia impediu a entrada dos representantes da categoria durante toda a manhã e ainda cercou os educadores que permaneciam acampados na calçada da câmara. Apesar de não surpreender, é preciso repudiar o abuso da polícia militar ao agredir os ativistas presentes e "distribuir" spray de pimenta para os presentes a manifestação pacífica. Depois de muita negociação e pressão da categoria, a direção do sindicato foi autorizada a entrar na "casa do povo".

Em breve postaremos mais informações.