Eleições: sinais de mudanças

Vitória governista ... mas espaço de oposição de esquerda se amplia

por Eduardo Almeida

• As eleições burguesas expressam de forma distorcida a relação de forças na sociedade. As que estão ocorrendo no Brasil mostram a situação não revolucionária, o peso do governo. Mas também sinalizam perspectivas de mudanças, demonstrando um espaço de oposição de esquerda real no país. 


Existe um marco geral de estabilidade burguesa que explica em grande parte as vitórias eleitorais do governismo (seja federal, estadual ou municipal). Ou ainda, que a amplíssima maioria dos candidatos vitoriosos esteja no marco dos dois blocos burgueses (PT e partidos da base governista de um lado, PSDB e DEM de outro).

Mas houve diferenças com as eleições de 2008, no qual esse governismo teve um peso quase absoluto, com os prefeitos conseguindo se reeleger ou impor seus substitutos em todo o país. Dessa vez, se expressou uma experiência desigual das massas com as prefeituras, a primeira instância do poder visível. A aprovação ou não dos prefeitos atuais, por exemplo, teve um papel central nas eleições de São Paulo e Recife (rejeição a Kassab, do PSD, e João Costa, do PT), assim como na de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre (aprovação de Marcio Lacerda, Paes e Fortunatti).

Existiu também uma ruptura no plano municipal do bloco de partidos de apoio a Dilma. O mais importante foi a do PSB com o PT em Recife, Belo Horizonte e Fortaleza. O PSB venceu nas capitais de Minas Pernambuco e segue na disputa em Fortaleza. Assim cacifa seu presidente, Eduardo Campos, para as eleições de 2014, seja para um lugar privilegiado na chapa comandada pelo PT, seja para o bloco da oposição de direita (com Aécio Neves, do PSDB). 

A possível vitória petista
Está ocorrendo um segundo turno em 17 capitais e muitas outras grandes cidades, que selarão um balanço definitivo das eleições. Qualquer avaliação nesse momento deve permanecer em aberto. Mas algumas hipóteses já podem ser apontadas. 

É provável que o PT vença em São Paulo em função da alta taxa de rejeição a José Serra (PSDB). Caso isso aconteça, pode ser que o PT saia dessas eleições com uma grande vitória. Uma vitória importante no estado de São Paulo (incluindo ABC, a região de São José dos Campos, além de Osasco e Guarulhos) que pode alavancar a disputa pelo governo do estado em 2014. Uma vitória nacional, caso ganhe a maioria das outras disputas municipais. 

Vai se materializar aqui um elemento muito importante da situação nacional: o peso do governo petista. Existe ainda uma alta aprovação de Dilma, que segue com índices próximos a 70% de aprovação. Caso eleja Haddad, Lula terá repetido sua vitória com Dilma, elegendo um antes quase desconhecido na principal cidade do país. 

Existe a possibilidade de uma vitória de conjunto do PT e dos partidos da base governista nessas eleições, selando mais uma derrota da oposição de direita.

Um sinal do novo: o espaço de oposição de esquerda se amplia
Mas existe um elemento novo nessas eleições. O espaço de oposição de esquerda se expressou como não havia ocorrido desde o início dos governos petistas. Em 2006, a maior expressão disso foi Heloísa Helena (6,85%, frente PSOL-PSTU-PCB). Agora houve votações bem maiores em muitas cidades do país. 

A ida dos candidatos do PSOL, como Edmilson Rodrigues, em Belém, e de Clésio para o segundo turno, em Macapá, assim como votações de peso em Freixo no Rio (28%); Roseno (12%), em Fortaleza; e Vera (6,68%), do PSTU, em Aracaju, indicam um dado novo da realidade.

Pode ser que esteja começando a se expressar um desgaste pela esquerda do PT em função da tendência da estagnação na economia que está chegando à consciência das massas. Pode ser reflexo do ascenso sindical existente no país, que apesar de não ser generalizado tem originado enfrentamentos com o governo. Em menor nível, pode ser também reflexo dos desgastes causados pelas denúncias de corrupção no escândalo do mensalão. 

O Brasil está, lentamente, se aproximando da instabilidade internacional. Ainda tem uma economia em crescimento, embora pequeno, um governo de prestígio. Mas existe essa aproximação lenta através das mudanças da economia, no ânimo da vanguarda que acompanha as revoluções no Oriente Médio e Norte da África, assim como as mobilizações dos trabalhadores e da juventude na Europa. 

Mas esse espaço pode sinalizar modificações na realidade política brasileira. Como estamos falando de um fenômeno inicial, de um elemento de transição dentro da situação não revolucionária, tudo isso pode retroceder. Mas é um dado alentador que exista nos dias de hoje, e que sinaliza um processo que pode se ampliar na realidade concreta da luta de classes pós-eleitoral.

Outra coisa é a resposta dada a esse espaço de oposição de esquerda pelos distintos partidos que intervém nessa luta. O PSOL está armando novas frentes populares, bem semelhantes as que foram construídas no passado pelo PT. Em Belém, Edmilson procura o PMDB para costurar uma aliança para o segundo turno. Em Macapá, o PSOL se aliou ao PV, PSB, PRTB. Em ambas as cidades, o PSOL defende um programa que em nada se diferencia dos apresentados pelo PT. Ou seja, o PSOL se apropria do espaço a esquerda para recriar as mesmas receitas do PT.

Ao contrário, o PSTU apresentou candidaturas como as de Vera em Aracaju com um programa classista e socialista, não precisando girar a direita para ganhar votos. Assim também foi em Belém e Natal, com a eleição de Cleber e Amanda, vitórias construídas com um perfil oposto ao do PT e da burguesia. 


  • Editorial: Uma grande vitória no terreno do inimigo
  • Não ao novo PNE do governo. 10% do PIB para Educação Pública Já

    O plano é um grande ataque à educação pública brasileira. A sistematização da Contrarreforma Universitária do governo


    • No último dia 16, terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou – por meio de sua Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – o novo Plano Nacional de Educação(PNE). Na meta sobre financiamento, os deputados incluíram a estratégia de destinar 50% do Fundo Social do Pré-sal à Educação. A promessa é chegar ao final de dez anos investindo 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. Como o projeto foi votado em caráter conclusivo, ele já segue direto ao Senado, sem passar pelo plenário da Câmara.



     
    Marcha em Brasília ( 24/08/2011)
    O caos da educação em nosso país não é novidade para ninguém. Já são décadas de completo descaso, que perpetuaram um sistema educacional totalmente distante das necessidades da maioria da população. Sofremos com estatísticas escandalosas de analfabetismo, com mais da metade das crianças fora das creches, e com menos de 5% dos jovens com idade universitária cursando o ensino superior público. A votação na Câmara acontece exatamente quando o debate acerca dessa realidade vem ganhando cada vez mais audiência na sociedade.

    Crescem, igualmente, as lutas em defesa da educação. Só nos últimos dois anos, vivenciamos uma onda de greves dos professores estaduais pela aplicação do piso salarial e a greve nacional da educação superior, a maior da última década. Essas mobilizações superaram as reivindicações econômicas das categorias e questionaram o projeto educacional do governo Dilma. 
     
    O movimento estudantil e os setores da sociedade que lutam em defesa da educação pública precisam se posicionar, agora, diante da votação da Câmara e da proposta do novo PNE. O governo federal e a União Nacional dos Estudantes (UNE) estão propagandeando que o projeto será um grande avanço e comemoram a votação dos deputados. Mas será que temos mesmo motivos para festejar? 

    Novo PNE: a contrarreforma universitária
    A reivindicação de 10% do PIB para a educação pública é uma reivindicação antiga de professores, pedagogos, intelectuais e estudantes brasileiros. Melhorias profundas na educação de nosso país só virão com um aumento significativo do investimento público na área. Por isso, a votação da Câmara no último dia 16 pode gerar expectativas e esperanças em muitos jovens e educadores.

    No entanto, ao contrário daquilo que propagam os governistas, a promessa de investir 10% do PIB na área da educação não significa uma vitória do movimento estudantil. Na verdade, além de adiar esse investimento para 2023, a meta é parte do novo PNE. O plano é um grande ataque à educação pública brasileira, pois traz em si, na forma de políticas estatais, todos os ataques e retrocessos incluídos nos programas educacionais dos governos Lula e Dilma. 

    Dessa forma, todo o investimento público em educação no país, em todos os níveis, será destinado à aplicação das metas do novo PNE. Ou seja, esse financiamento será destinado a aplicar os programas educacionais que desqualificaram e privatizaram ainda mais a educação brasileira no último período. É a continuidade da transferência de dinheiro público para os empresários do ensino pago.

    O novo PNE consolida as metas do REUNI, os métodos de avaliação SINAES e ENADE, a expansão do FIES, a ampliação do ensino à distância, a criação do PRONATEC e o novo ENEM. É a sistematização da Contrarreforma Universitária do governo federal. Suas metas beneficiaram a expansão do ensino privado e o sucateamento do ensino superior público. Dessa forma, o plano acentua a tendência de transformar as universidades brasileiras em pólos de produção de mão de obra semiespecializada, com a finalidade de atender às demandas do mercado, respondendo ao papel brasileiro na Divisão Internacional do Trabalho, de exportador de commodities e plataforma de produção e exportação das multinacionais.

    Uma resposta à greve nacional da educação
    A greve nacional da educação, que durou mais de três meses, paralisou as atividades em quase todas as universidades e institutos federais de ensino superior do país. A luta se expandiu e unificou o conjunto do funcionalismo público federal. A força da mobilização impôs uma derrota ao governo federal, obrigando-o a negociar e fazer concessões às categorias. A greve marcou um novo momento na luta em defesa da educação pública brasileira porque abriu um grande desgaste da política educacional do governo petista, especialmente do REUNI.

    A aprovação do novo PNE no último dia 16 é uma clara reposta do governo Dilma e da UNE frente à conjuntura de mobilização e ao questionamento da política educacional do MEC. Com a promessa dos 10% do PIB, o governo busca dialogar com a reivindicação de todo o movimento e, assim, encobrir os ataques contidos no novo PNE. O movimento não pode cair nessa manobra. É hora de exigir o investimento de 10% do PIB em educação pública já, sem as metas do REUNI e com o fim do repasse de verbas públicas ao ensino privado.

    Esse episódio também demonstra o nível de atrelamento da UNE ao poder público brasileiro e ao governo federal. A velha entidade, que traiu a greve nacional da educação e procurou deslegitimar o Comando Nacional de Greve Estudantil, tentar sair de sua defensiva. Depois de anos defendendo as políticas educacionais do PT, a UNE comemora a votação do novo PNE na Câmara. Dessa forma, a entidade tenta confundir os estudantes do país, apresentando um grande ataque à educação pública como se fosse uma vitória do movimento estudantil. A UNE não fala em nosso nome!

    Fundo Social do Pré-sal não é garantia de investimento em Educação
    O debate acerca da votação do novo PNE trouxe à tona a discussão sobre a extração do petróleo no Brasil. O governo federal está divulgando que o novo marco regulatório da exploração petrolífera no país é uma medida nacionalista, pois seus recursos seriam designados, através do Fundo Social do Pré-sal, às áreas sociais e ao combate à pobreza. No entanto, a nova legislação está muito longe de ser uma iniciativa nacionalista, pois conserva os leilões iniciados no governo FHC e perpetua o fim do monopólio estatal sobre petróleo brasileiro. O PT apenas modificou a forma da entrega dos recursos naturais do país ao capital estrangeiro, trocando as concessões pelo regime de partilha.

    Em segundo lugar, o Fundo Social do Pré-Sal, anunciado pelo governo como um mecanismo de arrecadar dinheiro para a educação, saúde, cultura, esporte, tem o objetivo de construir uma poupança pública a ser investida na sociedade. No entanto, o governo federal não diz ao povo brasileiro que o fundo tem um caráter contábil e financeiro e, mais, que seus recursos deverão ser resultantes do retorno sobre o capital privado investido no processo de exploração do Pré-sal, incluindo aí os royalties. Além disso, os recursos do fundo serão destinados, preferencialmente, a ativos financeiros no exterior, com o intuito de suavizar a volatilidade das rendas e dos preços da economia nacional.

    O que tudo isso quer dizer? Que, acima de tudo, os especuladores internacionais terão a preferência sobre as aplicações do Fundo Social. Com isso, o fundo, antes de ser um meio de promoção da justiça social, é um instrumento de capitalização dos acionistas estrangeiros. Assim, além do Fundo Social beneficiar o capital financeiro, não se pode ter nenhuma garantia, hoje, que metade dos seus recursos será suficiente para atingir um patamar de investimento de 10% do PIB em educação.

    A UNE, entidade que organizou a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 50, acaba, hoje, mais uma vez ao lado do governo federal, defendendo a entrega do petróleo brasileiro às multinacionais. 

    Nós, da juventude do PSTU, defendemos o fim de todas as concessões e somos contrários ao regime de partilha. Para colocarmos de fato os recursos naturais do país a serviço da maioria da população, é preciso nacionalizar toda a exploração do petróleo, desde a extração até o refino.

    O governo federal não necessita do Fundo Social do Pré-sal para investir 10% do PIB na educação pública. Atualmente, quase 50% do Orçamento Geral da União são endereçados ao pagamento dos juros da dívida pública, enquanto a educação fica com menos de 5%. Dilma precisa, na verdade, romper seus compromissos com os banqueiros e mudar as prioridades de sua política econômica.

    Educação é um direito 
    A juventude do PSTU defende uma educação pública, gratuita e universal em todos os níveis. Nessa luta será fundamental a unidade entre os estudantes e o povo pobre e trabalhador, que está excluído do sistema educacional brasileiro. Para criarmos às condições de garantir o direito ao estudo para todos, é imprescindível não só aumentar significativamente o investimento público em educação pública, mas também acabar com o repasse de verbas públicas ao ensino privado e estatizar as principais empresas da educação no país, como as redes de cursinho pré-vestibular e os grandes monopólios das faculdades pagas.

    Como primeiras medidas no caminho dessas transformações, defendemos imediatamente o fim do novo PNE do governo e o investimento de 10% do PIB para Educação Pública já.

    Leia o artigo completo aqui

    Maracanã: Querem privatizar a nossa alegria.

    Por Thiago Hasten



    A década de 90 foi marcada por privatização de grandes empresas estatais, de grande valor estratégico para a soberania do país, como por exemplo, a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, Telebrás, entre outros exemplos. O mais curioso é que tratava-se de empresas altamente rentáveis, abocanhadas por um ferocidade selvagem do capital privado nacional e internacional. Todas elas vendidas na velocidade da luz, por ninharias simbólicas, enfim, a preço de banana. Preço de banana em um país de políticos de banana. 


    Depois de 20 anos a população fez uma experiência traumática com os péssimos serviços realizados pelas empresas privadas, e repudia nas ruas e urnas todos aqueles que ousam reivindica-las. É isso que indica todas as pesquisas de opinião. Não à toa, os candidatos petistas acusam os tucanos de privatistas e vendilhões da pátria. Mera retórica, porque a própria Dilma vendeu nossos aeroportos, estradas, ferrovias e agora se omite e consente a privatização do ex-maior do mundo.

    Não precisa ser um gênio para adivinhar, que por trás da venda inescrupulosa do Maracanã, está Sérgio Cabral e o empresário dono no mundo Eike Batista, pai de um playboy assassino, que matou um trabalhador que andava humildemente de bicicleta. É muita sujeira.

    O blog Eu Sou Flamengo divulgou as condições inacreditáveis que se dará a privatização, ou melhor, a doação: “Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa)”.

    Como se não bastasse, o Maracanã está sendo reformado para atender as exigências da corrupta FIFA, sem levar em consideração as nossas tradições culturais e futebolísticas. Dá para imaginar um Flamengo X Vasco com aquelas cadeiras ridículas no lugar das arquibancadas? Essas cadeiras não são para nós. Essa Copa não é para o povo trabalhador. Será um espetáculo para as classes dominantes, que desconhecem o prazer das arquibancadas, do abraço desconhecido, da  contagiante ola, da chuva de papel picado, da chuva de água molhada, do mosaico, enfim, desconhecem o espetáculo das massas. A burguesia nacional e internacional não sabem o que é torcer. Para eles o futebol é business.

    Estamos no aguardo do pronunciamento da presidenta Dilma, que na verdade permite e incentiva que Cabral faça o trabalho sujo da privatização. A hora é de união de todas as torcidas, de todas as cores, de todos os estados, para impedir que privatizem a nossa alegria.

    Paz entre as torcidas, guerra aos senhores!

    -- 
    @thiagohasten


    TODO APOIO A LUTA DOS ÍNDIOS kAIOWÁS




    Leia carta aberta de Zé Maria: "Dilma, impeça o massacre contra os Guarani-Kaiowás" 

    CSP-Conlutas chama à luta contra o Acordo Coletivo Especial



    Vídeo Produzido Pela CSP-Conlutas contra o Acordo Coletivo Especial (ACE) anteprojeto de Lei proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que prevê que o negociado prevaleça sobre o que está garantido na CLT.
    A CSP-Conlutas orienta a todas as entidades filiadas a divulgarem em seus veículos de comunicação o vídeo contra o Acordo Coletivo Especial (ACE). Esse material também servirá de apoio para os seminários que estão previstos para ocorrer nos estados.
    O vídeo faz o resgate dos ataques aos direitos trabalhistas desde a época do FHC e conclama a todos os trabalhadores e combaterem mais essa tentativa de flexibilização da CLT. Direitos não se negociam, não ao ACE!


    E também veja:

    Informativo da Secretaria Executiva Nacional n° 03

    Próxima reunião da Coordenação Nacional acontece em 26, 27 e 28 de outubro

    Texto do Zé Maria, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas

    Entrevista com a Professora Graça Druck, da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

    Manifesto de Juristas de todo o país e o Manifesto de Sindicatos e dirigentes sindicais de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

     

    PSOL e as alianças com a direita: uma novela que não vale a pena ver de novo

    Campanha de Edmilson veicula
                 apoio de Lula na TV


    Essas eleições municipais, de conjunto, marcaram um aumento do espaço à esquerda no país. Apesar de, num cenário de desaceleração da economia, o governo Dilma manter sua alta popularidade e o PT gozar de significativo crescimento, em geral a oposição de esquerda se fortaleceu.

    Tal espaço pode se comprovar por resultados como o do PSOL, que elegeu 49 vereadores em todo o país e o seu primeiro prefeito em uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro, Itaocara. A candidatura de Marcelo Freixo na capital do estado angariou o expressivo apoio de 28% dos eleitores. Já o PSTU elegeu dois vereadores em duas capitais e teve resultados como o de Vera Lúcia em Aracaju, com 6,68% dos votos, a maior votação da história do partido em um cargo executivo. Em Belo Horizonte, Vanessa Portugal teve quase 20 mil votos (1,55%), num cenário de enorme pressão pelo chamado ‘voto útil’ na candidatura petista.

    O PSOL teve ainda dois candidatos que passaram para o segundo turno em duas capitais: em Belém e Macapá. No entanto, o que poderia significar uma importante vitória para a esquerda socialista e o avanço de um projeto realmente popular em duas capitais, com governos voltados às necessidades da maioria da população, está se tornando em seu contrário. O arco de alianças firmado pelo PSOL nessas cidades indica dois projetos políticos que, se eleitos, não serão alternativa aos partidos tradicionais.

    Em Belém, a propaganda eleitoral com Lula declarando apoio a Edmilson Rodrigues (PSOL) no último dia 21, reivindicando seus mandatos e dizendo que "a boa relação entre os municípios e o Governo Federal é muito importante", chocou boa parte da esquerda, incluindo a própria base do PSOL. Na verdade, o acordo com o PT já havia sido firmado na semana anterior, divulgado em ato público e sem consulta aos demais partidos da frente. A declaração de Lula nesse domingo coroou essa política.

    Além do PT, o partido de Edmilson firmou alianças com o PDT e até mesmo com um vereador do DEM. Diante disso, o PSTU se viu obrigado a romper a coligação, firmada sob o compromisso da independência de classe e do governo. O PSTU já criticava publicamente o financiamento de empresas na campanha do candidato do PSOL, assim como a presença do PCdoB na frente. Agora, as coligações com o PT, o apoio do governo e partidos de direita descaracterizam completamente a candidatura que expressava o sentimento da população, sobretudo mais pobre e humilde, por mudança. O PSTU está chamando o voto crítico em Edmilson, mas alerta que, permanecendo essas alianças, nada vai mudar.

    Já em Macapá a situação é ainda mais dramática, pois a coligação do PSOL se dá com a direita mais retrógrada e oligárquica, de partidos como o DEM, PTB e PSDB. Costurada pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) com a própria família Sarney, a coligação com o candidato Clécio Luís à frente vem provocando uma justa indignação de correntes e militantes do PSOL. E para agravar ainda mais esse cenário, Randolfe no ato público que celebrou as alianças afirmou o seguinte: "Estamos apontando não simplesmente uma aliança política, estamos apontando um caminho político novo no Amapá" (clique aqui para ver o vídeo). Ou seja, para o senador, não se trata apenas de uma coligação eleitoral, mas um novo rumo na política do partido.

    A contradição é ainda maior se recordarmos que Randolfe ganhou notoriedade justamente na CPI que investigava a ligação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o senador cassado Demóstenes Torres, do DEM. Em reportagem da revista Veja, Randolfe defendeu essa política de alianças. "Não podemos ter vocação para ser um PSTU”, disse à revista. Randolfe talvez ache que o PSOL tem vocação para ser um novo PT, pois atua fortemente para que isso aconteça.

    Para onde vai o PSOL?
    Belém e Macapá provocaram o veemente repúdio de vários militantes e algumas correntes do PSOL. O atual presidente do partido, o deputado Ivan Valente, porém, segue defendendo a 'flexibilização' das alianças. "O segundo turno é uma coisa diferente, como vamos recusar apoios?", declarou à Veja. “É preciso trazer recursos, investir nessas cidades. Não dá para ser intransigente" afirmou ainda o deputado, mostrando uma surpreendente guinada à direita e já revelando como será um eventual governo do PSOL.

    A verdade, porém, é que essas duas campanhas constituem um lamentável marco para o PSOL, que refaz em passos rápidos os caminhos do PT. O Partido dos Trabalhadores levou pelo menos duas décadas para se adaptar completamente à institucionalidade e se tornar uma sigla como as demais. O PSOL, insistindo nesse vale-tudo eleitoral, vai completar esse ciclo em um tempo bem menor. Basta lembrar que, da polêmica sobre o recebimento de R$ 100 mil da Gerdau pela campanha de Luciana Genro em Porto Alegre em 2008, até a ampliação dessa prática de financiamento de empresas e coligação com a direita, se passaram somente quatro anos.

    A polêmica agora nem tem mais como centro a prioridade que o PSOL confere às eleições, mas das concessões que está fazendo para eleger. Todo militante honesto sabe que, uma vez eleito, esses apoios e alianças cobrarão seu preço no futuro e esses mandatos, inevitavelmente, acabarão em decepção. Ou seja, nem mesmo como um projeto reformista eleitoral essa política serve. É importante sim eleger parlamentares socialistas que, uma vez eleitos, atuem como tribunos dos trabalhadores. O que não dá para fazer é abandonar os princípios e fazer das eleições um fim em si mesmo, como o PSOL em Belém e Macapá.

    Os dois vereadores que o PSTU elegeu nessas eleições, embora pareça um resultado bastante modesto, foram conquistados através de campanhas sem o financiamento de empresas, alianças com a direita ou o governo, nem rebaixando um programa socialista para as cidades. Ou seja, mostraram que, ao contrário do que se diz, é possível sim eleger sem se vender ou abrir mão de princípios.

    Não se trata aqui de tripudiar sobre o PSOL. A questão é que esse tema não se refere apenas a determinado partido, mas ao conjunto da esquerda socialista. A experiência do PT mostrou como a adaptação e a degeneração de um partido classista, ao invés de fortalecer seus 'concorrentes', traz mais ceticismo à classe, que passa a ver os partidos como 'todos iguais' e cai na prostração. É uma vitória da direita.

    Fazemos um chamado aos militantes honestos do PSOL, para que exijam da direção do partido a mudança nos rumos dessas candidaturas, ou que rompam com o partido. É importante que o PSOL reveja sua política e não trilhe o mesmo caminho do PT. Essa novela, não vale a pena ver de novo.

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    PSTU rompe com frente em Belém e chama voto crítico em Edmilson Rodrigues (PSOL)

    CSP-Conlutas faz raio- X das eleições municipais 2012 em todo o país

    No dia 7 de outubro foram realizadas as eleições para prefeitos e vereadores em todas as cidades do Brasil. Nas capitais, dos oito candidatos que disputavam a reeleição, apenas quatro foram reeleitos: Eduardo Paes (PMDB), no Rio de Janeiro, Márcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte; Paulo Garcia (PT), em Goiânia; e José Fortunati (PDT) de Porto Alegre.
    Das 83 cidades do Brasil com mais de 200 mil eleitores (nas quais poderiam ocorrer o segundo turno), apenas 33 definiram suas eleições no primeiro turno. No dia 28 de outubro acontecerá o segundo turno das eleições nas demais cidades.
    Apesar de o PMDB ser o partido com mais prefeitos eleitos, a legenda mais bem votada foi o PT. O PT teve um crescimento importante, alcançando a marca de 628 prefeitos eleitos no primeiro turno e contou com 17,2 milhões de votos computados para este cargo, 12,4% do eleitorado nacional.
    O PMDB e o PSDB tiveram menos prefeitos eleitos em todo o país no primeiro turno deste ano, em comparação com as eleições municipais de 2008, enquanto o PT e o PSB ampliaram o número de prefeituras.
    O PSD, partido criado em 2011 para abrigar o grupo político do prefeito Gilberto Kassabi, de São Paulo, foi o quarto partido com maior número de prefeitos eleitos, 494. O PSOL teve um prefeito eleito. O partido menos votado foi o PCO, com pouco mais de 4 mil votos.
    Aumenta o número de mulheres eleitas – Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o número de mulheres eleitas cresceu 31,8% de 2008 para 2012. Foram eleitas 663 prefeitas nas cidades brasileiras, alcançando 12,03% do eleitorado do país.
    Esta foi a primeira eleição municipal sob a vigência da lei 12.034/2009, que estabelece que cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo.
    Nas cidades com resultados já definidos, o estado com maior número de prefeituras que devem ser comandadas por mulheres é Minas Gerais, com 71 eleitas, seguido por São Paulo, com 67, Bahia (64), Paraíba (49) e Maranhão (41).
    Teresa Surita (PMDB) foi a única mulher até o momento a ser eleita prefeita em uma capital, em Boa Vista, Roraima.
    Aumenta índice de abstenção de votos – Somando votos brancos e nulos e os eleitores que não compareceram às urnas, 25% da população não votaram nessas eleições municipais em todo país, isso representa 35 milhões de pessoas.
    A capital que teve o maior número de votos brancos e nulos foi São Paulo, onde quase 900 mil eleitores não escolheram um prefeito na votação, além dos 1,5 milhão de eleitores que deixaram de comparecer às urnas. Os 2,4 milhões que não escolheram candidato na capital paulista representam 28% do eleitorado, podendo ter mudado o rumo da escolha do futuro prefeito.
    Eleições e luta de classes – Para o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Sebastião Carlos, o Cacau, as eleições, ainda que de maneira distorcida, refletem a situação política e econômica conjuntural do país.
    Além disso, como são eleições municipais, são fortemente influenciadas pelas distintas conjunturas locais. “Estamos vivendo uma situação em que o governo federal, capitaneado pelo PT e partidos aliados, tem um peso muito grande junto à população. Os reflexos da crise econômica internacional ainda são mediados pelas políticas compensatórias do governo, pela estabilidade econômica e o crescimento em alguns setores da indústria, comércio e serviços. Essa situação também favorece os outros partidos nos governos dos municípios e estados”, analisa.
    As eleições de 2012 são uma confirmação dessa realidade, mas com o segundo turno por ocorrer em 50 cidades, sendo 17 capitais, temos, portanto, um resultado ainda em aberto.
    Uma vitória de Haddad em São Paulo, se ocorrer, consolida um quadro de vitória nacional do PT e dos partidos da base governista.
    Se Serra (PSDB) vencer, o resultado se equilibra, pelo peso econômico e político da capital paulista, dando sobrevida aos projetos políticos do tucano. Por enquanto, Aécio se fortalece no PSDB com a vitória em Belo Horizonte, para a eleição de 2014.
    O PSB, apesar de ser parte da base do governo Dilma, é um capítulo a parte porque está se movimentando em função da negociação de 2014, e teve duas vitórias importantes contra o PT, em Belo Horizonte e no Recife e ainda disputa em outras capitais no segundo turno.
    Esse fortalecimento pode ser usado como parte da negociação com o PT ou para o lançamento de outra frente burguesa, com Eduardo Campos/PSB na cabeça ou em composição com outros setores como o PSDB, PPS e demais partidos do campo da oposição de direita ao governo Dilma.
    Partidos de esquerda se fortaleceram – No marco de eleições com hegemonia do bloco governista e algumas vitórias importantes da oposição burguesa, existiu um espaço à esquerda expressivo, maior do que na última eleição presidencial.
    “Partidos de esquerda, em particular o PSOL, mas também o PSTU e o PCB conseguiram eleger parlamentares e ampliar sua audiência junto aos trabalhadores e setores populares”, ressalta Cacau.
    Ainda segundo Cacau, “é possível que esse fortalecimento esteja ligado a elementos da situação política e econômica do país, afinal, há uma tendência à estagnação da economia, com um crescimento pífio do PIB em 2012 e um ascenso sindical, das lutas econômicas, que se mantém desde meados de 2010. O julgamento do mensalão e as denúncias de corrupção contra diversos partidos também podem ter influenciado, ainda que menos do que se especulou nas últimas semanas da campanha”.
    O membro da CSP-Conlutas acredita que isso pode ter provocado algum grau de desgaste junto aos partidos da frente popular, assim como na oposição de direita, levando a um espaço de oposição de esquerda significativo, ainda que minoritário. “Esse espaço, muito possivelmente, é produto de elementos de transição presentes na conjuntura”, conclui Cacau.
    As perspectivas para o próximo período, do ponto de vista dos trabalhadores, apontam para mais enfrentamentos, sejam esses nas lutas econômicas, salariais ou por moradia e também por direitos como a saúde, educação e aposentadoria, já que os partidos dos dois grandes blocos não se diferenciam.

    PSTU ELEGE VEREADORES SOCIALISTAS: NATAL E BELÉM EM FESTA!


    Transmissão ao vivo em Natal: http://www.justin.tv/cajutv#/w/3940314736

    Assista ao vivo em Belém http://ustre.am/GW8f

    Cyro Garcia agradece aos eleitores e toda militância

    Cyro encerra campanha: 
    "muito obrigado pelos votos e à nossa militância"

    "Fizemos uma campanha maravilhosa, muito bonita e aguerrida. Mantivemos nossa independência política, não recebemos um centavo sequer de quaisquer empresas e não nos furtamos a denunciar a atual prefeitura. Ocupamos um espaço muito importante contando apenas com o valoroso apoio dos trabalhadores que se somaram à nossa campanha. Mesmo com o bloqueio da grande mídia que não nos convida para os debates, mesmo com o tempo de um minuto na TV, fizemos a denúncia dos problemas que a classe trabalhadora enfrenta cotidianamente na nossa cidade e apresentamos nosso programa socialista para a educação, a saúde, transportes, segurança etc.", afirma Cyro.

    Mais uma vez, a campanha do PSTU teve como objetivo ser um ponto de apoio às lutas dos trabalhadores na cidade do Rio de Janeiro. Divulgamos e estivemos presentes em várias delas, como a do funcionalismo federal, servidores da saúde, com especial atenção ao IASERJ, bancários, carteiros, professores. Foi, enfim, uma campanha dedicada a alavancar as iniciativas de lutas dos trabalhadores cariocas.

    Agora o PSTU quer agradecer ao enorme apoio que encontrou entre o eleitorado. "Agradeço a todos que nos ajudaram no dia-a-dia da campanha, com palavras de incentivo, participando das atividades, divulgando nossos candidatos. Quero também dar meu muito obrigado à incansável militância do meu partido, que acreditou na campanha e no nosso programa socialista, mesmo diante de tantas adversidades. Saímos da campanha muito motivados e vitoriosos, confiando que cada voto recebido significa um voto contra a direita, contra Eduardo Paes e sua política fascista de extermínio dos pobres, contra a situação atual desta cidade. Um voto no fortalecimento das lutas e na oposição de esquerda e socialista!", disse Cyro Garcia.

    (Release #2 enviado para a imprensa #AsCom)

    Voto útil é o voto nos candidatos socialistas das lutas

    Estamos na reta final da campanha eleitoral, momento de definir em quem votar. Muitos concordam com as propostas que defendemos, mas pensam em votar no PT ou em outros partidos para “evitar a vitória da direita” ou para “votar em candidaturas viáveis”, ou seja, pensam em dar o chamado voto útil.

    Essa é uma das piores tradições da política brasileira. O discurso do voto útil sempre foi utilizado pelos partidos maiores para sufocar e calar os partidos de menor expressão eleitoral. A classe trabalhadora torna-se, então, refém de um círculo vicioso infinito, e quem se beneficia com isso são os ricos e poderosos.

    Voto útil pra quem?
    Enganam-se os trabalhadores que consideram que, com o PT no poder, existe um governo de esquerda ou um governo dos trabalhadores. O plano econômico em vigor no país é neoliberal, com o mesmo conteúdo do que foi aplicado por FHC. Está apoiado nas multinacionais e nos bancos que tiveram, nos dois governos Lula e no de Dilma, lucros maiores que nos tempos do PSDB. Até mesmo as privatizações foram mantidas pelo PT e, agora, ampliadas por Dilma às rodovias, ferrovias e aeroportos. Não é por acaso que as empreiteiras e os bancos dão mais dinheiro para as campanhas do PT que para as do PSDB e do DEM.

    Isso pode piorar. O governo Dilma está estudando a aplicação dos Acordos Coletivos Especiais (ACEs), uma proposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que não passa de uma reforma trabalhista disfarçada, pois estaria acima da legislação e poderia levar a cortes do décimo terceiro salário, das férias e de outros direitos para supostamente evitar o desemprego.

    Enquanto isso, existe uma desigualdade social imensa no país. Para os trabalhadores, a saúde, a educação e os transportes continuam terríveis. Os salários são baixos, e o endividamento bate recorde. O voto no PT não é um voto útil para os trabalhadores, mas exatamente o contrário. Será realmente um voto útil, mas para os empresários, os banqueiros, as multinacionais, o imperialismo…

    Votar em candidatos “viáveis”?
    Outra versão do voto útil é o voto nos viáveis, ou seja, naqueles que têm chance de vencer. É mais um engano. O critério da viabilidade é extremamente antidemocrático. É mais uma expressão do conformismo, da aceitação da situação atual, de não apostar na mudança, no programa anticapitalista, nas lutas.

    O eleitor tem de votar nos candidatos com os quais concorda. Os que estejam de acordo com o programa e o perfil do PSTU devem votar nós. Além disso, existem candidatos do PSTU com chances reais de se elegerem.

    Voto útil é o voto no PSTU
    Sabemos que as eleições são um jogo viciado. Só a mobilização e a luta dos trabalhadores podem dar fim à exploração, à opressão e à fome. Mas as eleições são uma oportunidade para fortalecer as lutas e divulgar o programa socialista.

    Os candidatos do PSTU têm históricos de lutas. Eleger um vereador revolucionário é ter um mandato à disposição dos trabalhadores e do povo. Representa um ponto de apoio nas greves, na luta por moradia, por uma educação pública de qualidade, contra o sucateamento imposto pelos governos federal, estadual e municipal. Eleger um candidato do PSTU é um ponto de apoio para a luta da juventude contra o aumento da passagem, para estatizar o transporte e subsidiar tarifas.

    Um vereador do PSTU também vai denunciar as falcatruas do regime. Bem diferente dos candidatos dos grandes partidos, ele não vai ter os privilégios comuns a todos os parlamentares. Eles ganharão o mesmo salário que recebiam antes de ser eleitos.
    Aqueles que concordam conosco devem votar em nossos candidatos. Esse voto vai fortalecer um programa de contraposição aos programas de direita defendidos tanto pelo PT quanto pelo PSDB-DEM. Ainda que um candidato do PSTU não se eleja, o voto nele terá sido extremamente útil para deixar claro que nossa proposta tem eco entre os trabalhadores e jovens. Para expressar que os que não se conformam estão crescendo. Para demonstrar a insatisfação entre os lutadores e socialistas.

    Una-se à nossa campanha votando e ajudando a convencer seus colegas de trabalho, familiares e vizinhos a votar em nossos candidatos. Procure um comitê de campanha, participe das reuniões e debates, leve panfletos e adesivos para seu local de trabalho, escola ou universidade.

    Você também pode contribuir financeiramente para nossas campanhas. Dessa forma, você estará ajudando a construir uma campanha socialista, livre e independente dos patrões.

    Una-se a nós e filie-se ao PSTU para fortalecer o partido das lutas e do socialismo.

    O fenômeno Freixo e a luta pelo socialismo



    O fenômeno Freixo e a luta pelo socialismo
    Esse artigo nasceu da necessidade de realizarmos um debate franco e aberto com vários ativistas, independentes ou do PSOL, que lutam pelo socialismo e hoje depositam suas expectativas no grande apelo de Marcelo Freixo. Respeitamos muito sua trajetória como militante pelos direitos humanos e sua atuação a frente da CPI das milícias, mas nem por isso hesitaremos em fazer uma polêmica dura e sincera com o candidato do Psol. Somos da tradição que consideramos muito frutíferos os debates sinceros e honestos, sem subterfúgios e calúnias, entre a esquerda. Esse debate tem por objetivo ser um ponto de apoio para debatermos qual programa precisamos defender no Rio janeiro para derrotar Paes e o projeto do capital.

    O que expressa a totalidade dos votos de Marcelo Freixo?
    Marcelo Freixo, do PSOL, candidato à esquerda da frente popular apresenta intenções de votos acima dos 15%, quadro que deve se confirmar até domingo. Este fenômeno eleitoral apresenta inúmeras contradições. Muitos afirmam que a dimensão da candidatura de Marcelo Freixo expressa um passo importante na luta dos trabalhadores e jovens em busca da ruptura com o capitalismo na perspectiva de luta revolucionária pelo socialismo. Não acreditamos nessa afirmação. Freixo é um fenômeno eleitoral e midiático forte e quanto fenômeno eleitoral não é fruto de uma mudança na correlação de forças entre as classes na nossa cidade. Apesar do numero de votos, esses votos não expressam um apoio da classe trabalhadora as transformações profundas na sociedade nos rumos do socialismo.
    Esta campanha não reflete com força as principais lutas e enfrentamentos de classe do último período (bombeiros; greve da educação; campanhas salariais; luta contra as remoções), muito menos se construiu por um ascenso da lutas de classes, nem atrai o conjunto dos trabalhadores, em especial, a classe operária. O que é demonstrado, principalmente, pela afirmação pública de Freixo dizendo que depende da situação para que seu governo corte o ponto dos grevistas. Afirma ainda que não existirão greves em seu governo. Tal fato é impossível, pois significaria que a resolução de todos os problemas sentidos pelos trabalhadores se dá pelo seu governo e não pela luta direta da classe trabalhadora.
    A força de Freixo não é produto da luta dos trabalhadores contra a burguesia. É um fenômeno restritamente eleitoral e midiático que tem como base sua superexposição na mídia (tropa de elite 2, a cobertura da grande imprensa, relação com artistas etc), sua atuação na ALERJ e o enfraquecimento da direita. Sendo assim, seus votos são a totalidade dos votos da oposição a Paes.

    As origens e limites do crescimento eleitoral de Freixo
    Há uma contradição no crescimento eleitoral de Freixo. Ao mesmo tempo em que é pautado no rebaixamento programático, é limitado pela força da frente popular. E daí decorre que não adianta o quanto se rebaixe o programa, seu crescimento eleitoral esbarra na força política da frente popular encabeçada por Eduardo Paes, mas sustentada pelo PT e PCDOB. Estes dois partidos, hoje, dirigem o movimento de massas e o conjunto dos trabalhadores. Aí reside a fortaleza política de Paes onde Freixo não consegue entrar.
    Pela fragilidade de uma alternativa forte da direita, que está frágil desde as disputas escandalosas entre Cesar Maia e Garotinho, e que não encontrou apelo com Otavio Leite - de um PSDB em frangalhos - e muito menos com a Aspasia - figura de pouca expressão do PV - Freixo se consolida como única figura viável aos votos de oposição a Paes.  Os votos em Freixo são tanto os a esquerda de Paes, quanto os a direita, já que não há um programa claro sendo defendido em sua campanha. Não é ao acaso o apoio da Andrea Gouvea Vieira, renomada socialite e vereadora do PSDB, que: ou significam um giro a direita no programa do PSOL ou uma concordância desta representante da FIRJAN e da burguesia carioca com o “socialismo” cidadão e republicano pregado por Freixo.

    A base de sustentação e os rumos estratégicos da campanha do PSOL
    Freixo atrai muitos jovens, alguns setores dos trabalhadores e a classe média, a partir de um programa mínimo de enfrentamento com Paes e uma revisão -e não ruptura- do atual projeto do capital para a cidade do RJ. Atrai cada dia mais setores pelo rebaixamento programático e pela adequação ao discurso da viabilidade. Não faz uma campanha balizada no classismo, muito menos, na perspectiva de ruptura para o socialismo. Admite a governabilidade com o capital e a possibilidade de humanização das relações capital-trabalho repetindo velhos erros do PT.
    Como ele mesmo diz, está disputando uma eleição não liderando uma revolução. Há algo nocivo nisso. Tudo que ele diz educa a atual geração de jovens, que fecham com ele, ao reformismo e o respeito a ordem acima de tudo. Freixo educa os que o apoiam ao projeto da viabilidade; de que é possível melhorar o sistema por dentro e sem um luta tenaz da classe trabalhadora – conceito que parece ter abolido. Não basta encantar os jovens e trazê-los ao mundo político se não for sob a perspectiva socialista e revolucionária. A campanha do PSOL é clara: afirma que para resolvermos os problemas da cidade precisamos apenas de vereadores éticos, republicanos e preocupados com o Rio de Janeiro.
    Não adianta aglutinarmos milhões se a razão para isso não for construir uma perspectiva revolucionária real a partir dos problemas mais elementares sentidos pelos trabalhadores e jovens. Quanto fenômeno eleitoral reformista, Freixo reforça a confiança no próprio regime democrático-burguês, como fica claro no trecho abaixo:“A relação com a Câmara de Vereadores, no nosso governo, vai deixar de ser uma feira de cargos e benefícios pontuais, para recuperar a sua condição de “Parlamento”. De “Gaiola de Ouro” queremos ajudar a Câmara Municipal a retomar a denominação de “Casa do Povo”, lugar dos grandes debates e da cultura política da Cidade;” - Governabilidade sem subserviências e clientelismos. Fone:http://www.marcelofreixo50.com.br/programa/198-governabilidade-sem-subserviencias-e-clientelismos.html Acessado em 01/10/2012.
    Muitos nos chamam de utópicos. Mas utópica é essa perspectiva de que é possível reformar e aperfeiçoar as instituições dos ricos. Essa ideia não é nova e remonta ao século XVIII. Temos uma escolher a fazer: ou mudamos a estrutura da sociedade e seu regime político, portanto, as suas instituições a partir de uma revolução social ou novamente a esquerda será tragada pelos palácios, gabinetes e negociatas cumprindo o papel de administrador dos interesses do grande capital com a aparência mais humana como o PT, por exemplo. Nós fizemos a nossa escolha: com a palavra o Psol.

    O Programa do PSOL: de generalidades à concessões ao capital!
    Os rumos estratégicos do PSOL apresentados acima estão condensados no atual programa apresentado para as eleições cariocas. Trata-se de um programa reformista que intercala generalizações com concessões ao grande capital para garantir a governabilidade. Não é um programa igual ao do PT atualmente, mas que se levarmos as últimas consequências guarda similaridades. As pequenas mudanças, no sentido do que é possível fazer num governo sem nenhuma mudança estrutural, lembram as transformações pelo qual passaram o programam do PT ao longo da década de 90 até ficar completamente desfigurado.
    No terreno candente da educação se limita ao aumento gradativo de verbas, “auditar todos os contratos com empresas privadas que apresentarem suspeitas de malversação”, mas não diz uma linha sobre o ensino privado que aprofunda as desigualdades sociais colocando uma disjuntiva entre a educação para os ricos e a educação para os pobres. Para os transportes não propõe acabar com as concessões dos transportes dando fim a máfia da fetranspor, defende Criar imediatamente o Fundo Municipal de Transportes e realizar estudos e planejamentos para a criação de novas categorias de tarifa. Mais do que aumentar o tempo do bilhete único, é possível implementar descontos para usuários mais frequentes que não recebam vale-transporte, tarifas especiais para grandes eventos, entre outras idéias que podem ser desenvolvidas a partir de um domínio público sobre os fluxos financeiros do sistema”. Ou seja, pretende conciliar a concessão privada com tarifas subsidiadas com o dinheiro público a partir da criação de um fundo municipal.
    O que mais preocupa, entretanto, é sua proposta de “Definir diretrizes claras e criar um ambiente de segurança jurídica para empreendedores de todos os tamanhos, sem privilégios”. Aqui parece que a questão da desigualdade do sistema capitalista está no fato dos privilégios que os governos dão aos grandes empreendimentos em detrimento dos pequenos. Para reverter a atual dinâmica do capital se trata de igualar as oportunidades para a pequena e a grande burguesia? Acreditamos que não. Na verdade, se trata de fazer um governo dos trabalhadores atacando o lucro da grande burguesia que goza da riqueza social produzida pelos trabalhadores. A dúvida maior é o que significa: “Criar condições para fazer do Rio um verdadeiro pólo tecnológico global: integração com o Pólo do Fundão, laboratórios da UFRJ, empresas empreendedoras e segmentos industriais de alta tecnologia que quiserem se instalar na cidade”? Criar condições para o desenvolvimento de indústrias de alta tecnologia? Como criará essas condições? Isenção fiscal? Financiamento público? Redução de direitos trabalhistas? Nenhuma afirmação a respeito dessas generalidades. As escorregadas à direita seguem com a Auditoria da dívida pública, a defesa da UPP social, a privatização do saneamento na zona oeste, etc.

    A frente de esquerda no RJ e a viabilidade dos revolucionários nas eleições
    É duro dizer isso, mas, na situação atual que vivemos, os revolucionários aparecem de fato como inviáveis. E não há atalho para a revolução. Aqui não se trata de sermos derrotistas ou fatalistas. Participamos das eleições e temos muito orgulho da campanha que fazemos, buscando incessantemente o voto de cada trabalhador e estudante para o programa socialista que apresentamos. Nestas eleições, em Belém e Natal, o PSTU fará uma votação bastante expressiva. Temos o fenômeno Amanda Gurgel que está entre as candidatas mais citadas nas pesquisas eleitorais para a vereança de Natal. E em Belém a partir de um grande trabalho de base e presença nas lutas da construção civil teremos uma boa votação com o Cléber Rabelo. Além disso, em Aracaju, a partir da frente de esquerda com o PSOL, Vera Lucia do PSTU, atinge 7% para prefeita. Estes fatos demonstram, principalmente, que é possível termos um bom resultado eleitoral sem rebaixar o programa e apontando a perspectiva de uma mudança radical na sociedade.
    O papel dos revolucionários nas eleições burguesas, na atual conjuntura, é apresentar para as massas que a resolução de seus problemas mais elementares para necessariamente pela ruptura com o capitalismo e a construção do socialismo. Os reformistas enxergam que há um grande problema nisso que é o fato de hoje o “socialismo” não dar voto e disso não temos medo.  
    É sabido por todos que queríamos apresentar nossas posições de dentro de uma frente eleitoral com o PSOL no rio de janeiro. O PSOL não só recusou qualquer tipo de debate programático como vetou a frente na proporcional. Sem debate programático a frente seria estéril. Seria uma adesão ao programa do PSOL. Com a negativa da frente na proporcional se expressou ainda com mais força as intenções do PSOL: queriam adesões a campanha do Freixo e não frente política. Talvez poucas coisas sejam tão nocivas a esquerda quanto a arrogância. E esta característica psicológica do reformismo pequeno burguês, na atual campanha eleitoral, cada dia que passa, só cresce.