Capital internacional se prepara para ampliar ofensiva sobre o Banco do Brasil

Ações do Banco do Brasil agora podem ser adquiridas por mais e maiores investidores estrangeiros
Com frequência, o PT é associado à defesa das bandeiras nacionais, contra as privatizações. Isso se tornou um característica da sua história. Num certo sentido, a sua imagem ficou enlaçada a ideia de um “Brasil com Z jamais”. Daí a pergunta: o que está acontecendo? Por que a escalada das privatizações – de valoração furiosa do capital – se tem intensificado?

Quando começou a geração de governos petistas, a participação estrangeira no Banco do Brasil se encontrava num patamar bem próximo a 10%. Não custa rememorar que em meados dos segundo mandato de Luis Inácio Lula da Silva, o limite para a participação de investidores estrangeiros estava num nível próximo a 12%. Lula, todavia, decidiu ampliar essa participação para significativos 20%. Uma dádiva para o capital estrangeiro.

A chegada de Dilma Rousseff ao governo não apenas significou mais uma governante ligado ao Partido dos Trabalhadores, mas implicou numa ampliação das políticas de privatização e de reforço das posições dos chamados investidores internacionais (portos, aeroportos, rodovias, petróleo etc.). Esse fato foi demonstrado, uma vez mais, no caso do Banco do Brasil. Agora, a presidente decidiu aumentar o limite da participação estrangeira no BB. Um decreto impõe um novo teto que passa a ser de 30%.

De feito, as ações da maior instituição bancária de caráter público do país, agora podem ser adquiridas por mais e maiores investidores estrangeiros, todos famintos por abocanhar pedaços mais generosos das riquezas produzidas por uma das mais numerosas e exploradas forças de trabalho do planeta. Quer dizer: grandes acionistas internacionais elevarão a sua participação sobre o capital do banco e, portanto, o poder sobre o seu destino (salvo se alguém acredita que caberá ao pequeno investidor a supremacia desse processo).

Nunca é demais recordar que, quando da última mudança (2009), o governo informava que a Secretaria do Tesouro Nacional detinha 65,6% do capital do BB. Atualmente, essa participação se encontra num nível significativamente mais baixo: 50,73%. Assim, diminui o peso representado pelo Estado brasileiro, enquanto se eleva e se apura a parte que cabe ao capital privado (nacional e não-nacional). Em outros termos, o capital do banco, propositalmente, é aberto, e os elementos de privatização e desnacionalização se mostram implacáveis em sua dinâmica expansionista.

O decreto, já devidamente publicado no Diário Oficial da União, agora em fins de outubro, implica no fortalecimento de uma tendência que é de ampliação e aprofundamento das iniciativas do capital internacional sobre o Banco do Brasil. A questão também é provocadora no seguinte: tal conduta do condomínio governamental dilmista não é um atestado contra a sua retórica de que representaria um “projeto de desenvolvimento nacional” (ideia que é comprada, a preço de hoje, por um grupo de intelectuais)?

Em suma, privatizar e desnacionalizar se tornaram as molas-mestras de um desenvolvimentismo à moda neoliberal? Nesses termos, se o velho desenvolvimentismo contava com certo ar de dignidade, o neodesenvolvimentismo petista, em última análise, não faz da indignidade política a sua petição de fé?

Cada vez mais, o Banco do Brasil se torna mais o Banco do Brazil. E aqui voltamos ao ponto de partida do presente artigo. É curioso lembrar que muitos desses que estão no governo atual, nos anos 1980 gritavam nas ruas “Brasil com Z jamais”. Talvez eles – inspirados em A revolução dos Bichos, de George Orwell – queiram nos dar um aviso: “Brasil com Z jamais, a não ser que estejamos no governo”.

Certamente, os trabalhadores que, à primeira vista, em sua maioria, apoiam o governo, não exagerariam se perguntassem à principal gestora do país: “Que é isso, companheira?”

Julgamento de processos de anistia de perseguidos da Convergência é marcado pela emoção

Comissão de Anistia analisa processos
Foto: Raíza Rocha
Após o ato de memória e homenagem à luta da Convergência Socialista contra a ditadura, parte da 77ª Caravana da Anistia realizada no dia 25 de outubro na PUC em São Paulo, ocorreram os julgamentos dos processos políticos dos presos e perseguidos da organização antecessora do PSTU.O julgamento dos processos foi dividido em duas salas, onde, além dos julgados, muitos companheiros estavam presentes prestando homenagem.
O procedimento era: lia-se o pedido do julgado, depois a conselheira dava seu parecer, e por fim, ouvia-se aquele que estava com os processos em julgamento. Nessa hora, foi difícil conter a emoção. Ouvir as histórias, muitas narradas em voz trêmula e olhos repletos d'água, foi, além de um aprendizado aos mais jovens, de uma importância histórica singular, pois dava voz aqueles que foram proibidos pelo Estado durante muito tempo de falar o que pensavam.
Além das prisões e perseguições expostas, os julgamentos tratavam da dificuldade de arrumar emprego à época por conta da militância política, e cobravam do Estado indenização pelas perdas. Como destacou Severo Alves, “Até hoje não consigo entrar na Volkswagen”, ilustrando a dificuldade para arrumar emprego naquele período.
Outro problema apontado, além da dificuldade para conseguir emprego, foi a adaptação forçada por conta da perseguição na hora de arrumar um sustento. Como destacou Bernardo Viana, “fui obrigado a procurar outros trabalhos por conta de uma perseguição política... a carreira de jornalista foi encerrada bruscamente por conta da prisão, da clandestinidade.
Outro, que atuou como jornalista e sofreu as conseqüências por isso foi José Welmowicki, que ressaltou: “a imprensa alternativa foi muito importante nesse período. Jornais como Movimento, Versus, Pasquim, cumpriram papel fundamental na resistência ao Regime.” E terminou sua fala, depois de anistiado e de ter recebido os pedidos de desculpas do Estado Brasileiro em nome das conselheiras que compunham a mesa, dizendo: “Esse reconhecimento me dá força política.
Maria Cristina ressaltou: “É um momento histórico”, e observou: “fui perseguida por homens durante a Ditadura, e hoje, fico feliz por ser anistiada por três mulheres.”
Maria da Conceição deixou em sua fala um recado às futuras gerações: “Trotsky disse a sua companheira Natalia: A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-la plenamente.” E encerrou dizendo “socialismo é possível, temos que seguir nessa luta!
No fim dos julgamentos, depois do Ato durante a manhã, ficou a certeza da importância histórica da Convergência Socialista, dos companheiros que faziam parte da organização e de todos os outros que lutaram contra a opressão do Estado durante a Ditadura. Além disso, o evento mostrou a atualidade da discussão sobre anistia, cobrando uma Comissão da verdade, memória e justiça. Só assim, punindo os algozes da ditadura, todos que torturaram, mataram e prenderam, fecharemos nosso processo de redemocratização. Para que não se esqueça, que nunca mais aconteça.

Zé Maria divulga carta aberta ao PSOL e PCB

Uma alternativa de classe e socialista 

nas eleições de 2014


O debate sobre as eleições do ano que vem já está nas ruas. É alimentado pela imensa máquina de propaganda do governo da presidenta Dilma Rousseff,  candidata à reeleição, e também pelo esforço de seus principais adversários: Aécio Neves, do PSDB, e pela aliança Eduardo Campos/Marina Silva, do PSB e REDE. A esquerda socialista brasileira precisa se apresentar neste debate e, ao fazê-lo, apontar uma alternativa de classe e socialista para os trabalhadores e a juventude do nosso país.
As eleições de 2014 vão acontecer após o terceiro mandato petista à frente do governo federal e também das manifestações que varreram o país no mês de junho passado e que mudaram substancialmente a situação política brasileira.
O desgaste do PT
Os governos do PT souberam usar a situação diferenciada do Brasil na economia (crescimento na era Lula e recuperação rápida na crise de 2008), para angariar apoio popular, ao mesmo tempo em que mantiveram e aprofundaram um modelo econômico que em nada ficou devendo àquele aplicado pelos governos tucanos de FHC.

No entanto, este apoio popular começou a sofrer uma forte erosão a partir das manifestações de junho. Milhões foram às ruas, com a juventude à frente, para protestar contra a situação dos transportes, da saúde pública, da educação, da corrupção e um longo etc. Este imenso processo de mobilização colocou o movimento de massas na ofensiva em nosso país, deixando na defensiva a classe dominante e seus governos. Avançou também a experiência dos trabalhadores com o governo petista em episódios como o do leilão de Libra, que avançou na privatização das reservas de petróleo do nosso país, e ainda com a utilização do Exército na repressão aos movimentos sociais.
Este quadro político eleva o grau de desgaste do governo petista e amplia o espaço e as possibilidades para a construção de alternativas à esquerda. Neste sentido, não deixa de ser uma referência o resultado eleitoral, muito positivo, que teve a esquerda socialista argentina nas eleições parlamentares ocorridas recentemente naquele país.
Precisamos apresentar uma alternativa que, ao mesmo tempo faça um balanço dos governos do PT numa perspectiva de classe e socialista, e também, por óbvio, faça a crítica das outras opções da burguesia que estão disputando a consciência da população, como é o caso de Aécio Neves e Eduardo Campos/Marina.
Marina Silva é uma opção?
Marina Silva buscou construir para si, durante todo este período em que tentou viabilizar o seu partido, a Rede Sustentabilidade, uma imagem de alternativa à chamada velha política, centrando sua proposta na defesa do meio ambiente e das demandas das ruas expressas nas mobilizações de junho. No entanto, o seu passado no governo do PT, quando apoiou a legalização dos transgênicos no Brasil e a Lei que autorizou o arrendamento de áreas da floresta amazônica às madeireiras internacionais, desmente claramente qualquer compromisso com o meio ambiente. E a apressada aliança com Eduardo Campos do PSB, para viabilizar uma candidatura no próximo ano, mostra que a defesa da “nova política” e das demandas de junho não passam de pura retórica.

Uma alternativa de classe e socialista para os trabalhadores
Todos nós sabemos que as eleições não são o terreno fundamental da luta que devemos travar contra a burguesia e o capitalismo. O espaço fundamental deste enfrentamento é a luta direta, a organização e a mobilização dos trabalhadores e jovens em defesa de seus direitos e interesses. Mas também sabemos que a disputa que acontecerá nas eleições do ano que vem será, sim, um momento importante desta luta. Estará em jogo a disputa pela consciência da nossa classe em torno aos diferentes projetos para o país. E disputar a consciência e o voto da nossa classe para uma alternativa de classe e socialista é obrigação da esquerda socialista brasileira.

É a partir desta compreensão que o PSTU entende ser necessária a apresentação de uma candidatura classista e socialista nas eleições do ano que vem. Uma candidatura que não, necessariamente, precisa ser do nosso partido. Pode ser a expressão de uma frente de esquerda envolvendo os partidos da esquerda socialista que estão na oposição ao governo Dilma. Nesta carta aberta ao PSOL, que prepara o seu Congresso nacional neste momento, e ao PCB, queremos explorar esta possibilidade. A de que a candidatura classista e socialista às eleições do ano que vem seja expressão de uma Frente de Esquerda envolvendo o PSTU, PSOL e PCB.
Uma candidatura desta natureza precisa obedecer a vários critérios. Deve levantar um programa de classe, anticapitalista, que aponte a transição necessária do sistema em que vivemos para uma sociedade socialista; precisa ser isenta de qualquer relação ou participação de setores da burguesia, sob pena de repetir a trajetória do PT; precisa ser independente politicamente da burguesia e, para isso, como é obvio, não pode receber dela nenhum tipo de financiamento; e precisa ser uma candidatura a serviço das lutas e do fortalecimento da organização dos trabalhadores e da juventude.
Adiantamos estas opiniões aqui porque nos preocupam processos e exemplos que estão em curso neste momento, com a participação do PSOL, e que apontam em sentido diverso. É o caso da situação na prefeitura de Macapá. A aliança feita para eleger o prefeito e, depois, para governar, envolvendo vários setores da burguesia, está levando a um governo que ao invés de se apoiar nas lutas dos trabalhadores para mudar a vida do povo, acaba se enfrentando com as lutas para defender a manutenção do status quo. É o que ocorreu na última greve dos professores naquela cidade. Tampouco podemos ignorar os episódios de financiamento por empresas de candidaturas deste partido nas eleições passadas.
A Frente de Esquerda que possa abrigar uma candidatura de classe e socialista precisa, antes de tudo, se colocar de acordo sobre os critérios políticos acima apresentados, ainda que não tenhamos acordo em relação aos elementos de balanço aqui expostos. E, superadas estas questões, precisa ser organizada de forma a respeitar os espaços de cada um dos partidos que venham a compô-la, seja no que diz respeito à candidatura a vice, na utilização do tempo de TV e mesmo nas definições de coligações nos estados.
Nós vivemos um momento ímpar em nosso país. As manifestações que ocorreram no Brasil a partir de junho mudaram o quadro político nacional e aproximaram o Brasil do cenário político mundial, marcado pelas lutas heroicas dos trabalhadores e jovens do Norte da África e Oriente Médio e pela resistência dos povos da Europa. A esquerda socialista brasileira está ante o desafio de, nesta nova situação, fazer avançar a luta e a organização dos trabalhadores e todos os setores explorados e oprimidos em nosso país. Só assim o recrudescimento das lutas do nosso povo nos levará a mudanças efetivas no país e na vida dos trabalhadores e jovens brasileiros. A disputa colocada nas eleições do ano que vem será um momento importante deste desafio. Precisamos nos colocar a altura dele.
Saudações socialistas,
Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU
28 de outubro de 2013

PELA LIBERDADE IMEDIATA DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS DE CABRAL E PAES!!


É preciso denunciar em todos os espaços as ações violentas e criminosas da polícia e do Estado e exigir a liberdade imediata de todos os presos políticos.

✔ Liberdade imediata a todos os presos políticos de Cabral e Paes!
✔ Lutar não é crime, lutar é direito! Contra a repressão aos movimentos sociais;
✔ Em defesa de todo ativista atacado pela repressão ou perseguido pelo Estado;
✔ Construir a autodefesa dos trabalhadores em luta;
✔ Pela desmilitarização da Polícia Militar, pelo fim da PM; 
✔ Pela construção de uma polícia de caráter civil, eleita democraticamente e controlada pela comunidade.

Dilma, PT e PCdoB vendem o campo de libra

Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro.
    Centenas de manifestantes; a categoria petroleira em greve, os interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro de um lado. Do outro lado o governo do PT/PMDB e os interesses do imperialismo, das multinacionais.
   A presidenta Dilma convocou o exército; marinha (havia duas fragatas patrulhando as imediações do Hotel Windsor e mergulhadores atentos aos banhistas); Força Nacional; e a PM do Cabral para garantir que ninguém se aproximasse do Hotel Windsor e dessa forma a venda do Campo de Libra pudesse ser feita através do leilão.
   Dilma entra para a história como a maior traidora dos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro. É autêntica Quinta Coluna dos interesses do imperialismo, das multinacionais. Mas ela não está sozinha. O PT está com ela.
   O Partido dos Trabalhadores - que compõe os governos de Sergio Cabral e Eduardo Paes - é quem encabeçou a venda do Campo de Libra. Contou com apoio do PCdoB que desde a ANP - Agência Nacional do Petróleo - deu os passos necessários para permitir o Leilão. Carregarão até seu desaparecimento a mácula da venda das riquezas do solo brasileiro.

Dilma usa forças armadas contra os que defendem os interesses dos trabalhadores e do povo brasileiros
  
Artefatos em bandeira manchada de sangue
Bombas, tiros, armas químicas (gás lacrimogêneo) foram usados fartamente contra os manifestantes. As cápsulas recolhidas demonstram o potencial das armas usadas contra os manifestantes.
 As fotos realizadas pelas mais distintas mídias e entidades mostram a quantidade e a terrível e malévola qualidade das armas usadas contra os manifestantes. Lançadores de bombas capazes de disparar granadas de gás a metros e metros de altura e distância; armas de fogo disparando cartuchos com várias balas de borracha de grosso calibre ao mesmo tempo. Os ativistas recolheram, ainda, centenas de projetis plásticos semelhantes a munição de armas automáticas manuais. O aparato repressivo montado por Dilma contava ainda com caminhonetes ligeiras, dotadas de tanques de água e máquinas de alta pressão que poderiam ser lançadas a qualquer momento contra os ativistas.
   Não só o arsenal bélico, mas milhares e milhares de homens treinados em causar desconforto, dor, e sofrimento em outros seres humanos. A exemplo da tal força nacional ou dos motociclistas da PM do Rio de Janeiro, dotados de armas de fogo capazes de disparar balas de borracha de grosso calibre, que se dedicam a caçar e atirar contra manifestantes quando recebem a ordem. Não foram poucas às vezes que se viu durante a manifestação policiais da força nacional usando manifestantes como alvos para treinar pontaria, em momentos de nítida calmaria, ou seja, autênticos provocadores.
   Não contente em usar fortíssimo aparato de destacamentos de polícias especiais, a Presidenta Dilma, em demonstração de força, deslocou também tropas do exército para o birro da Barra da Tijuca, onde fica o Hotel Windsor.
   De outro lado os petroleiros presentes mostraram aos manifestantes - que entoaram juntos - as armas da classe trabalhadora: “A nossa munição é parar a produção."
   Entre os manifestantes muita garra e disposição e a certeza de estarem travando a batalha justa. As palavras de ordem não poupavam a Presidente a seu partido, o PT. Cariocamente cantavam “Ei Dilma já deu pra ver. Tu ‘privatiza’ igualzinho FHC”
   Entre as canções, paródias e palavras de ordem também se pôde ouvir “Nem a direita nem o PT, trabalhadores no poder.” De forma retumbante, como a apontar o almejado futuro, também ouviu-se: “É pra lutar, é pra valer, trabalhadores no poder!”

Dirigente petroleiro anuncia ruptura com o PT

   Já com a perspectiva do leilão acontecer, desde o carro de som levado pelos petroleiros organizou-se o encerramento da participação no dia. Aí anunciou-se que Emanoel Cancela (um dos dirigentes dos petroleiros do Rio de Janeiro) estava desfiliando-se do PT. Tal notícia foi usada como exemplo para convocar outros petistas, e também a membros do PCdoB, a romper com as organizações que estão vendendo as riquezas brasileiras. A romper com partidos que se mantém aliados a governos como Cabral e Paes no Rio de Janeiro.
   São anos e anos semeando ilusões entre os trabalhadores, os estudantes, e a juventude, entre sem terras e sem teto,  entre o povo pobre de nosso país. Com discursos hipócritas de defesa dos interesses nacionais, salpicados de 'defesa’ do socialismo, de ameaças de volta da direita, de denuncias de inventados e fantasiosos golpes, PT e PCdoB colocam a cereja envenenada no amargo bolo da traição: o leilão do Campo de Libra. Bilhões de barris de petróleo não pertencem mais aos trabalhadores e ao povo brasileiros.

Fortalecer as organizações de luta dos trabalhadores da juventude e do povo pobre
 PT e PCdoB venderam uma gigantesca riqueza que pertencia aos trabalhadores e ao povo brasileiros. Às honestas e honestos  companheiras e companheiros que existem dentro desses partidos, ou mesmo àquelas e àqueles, que - sem serem militantes orgânicos ou mesmo filiados - atuam orientados por suas políticas e discursos cabe grandes reflexões:
   Seguirão fazendo coro com esses que, aliados à mais virulenta direita do país como Collor, Renan Calheiros, Maluf, José Sarney, Cabral e Paes, estão vendendo as riquezas nacionais?
   Seguirão fortalecendo estas organizações políticas que governam para os ricos e poderosos, que estão a serviço dos interesses das multinacionais?
   Onde está a reforma agrária? Onde está a universalização de serviços como saúde e educação públicas gratuitas e de qualidade? Onde estão salários dignos para os trabalhadores?
   Após mais de uma década de governo por que tantas famílias continuam sem um teto para morar?
   Por que banqueiros e empreiteiros lucraram e lucram tanto em governos do PT/PMDB, governos apoiados e sustentados pelo PCdoB?
   Por que a Avenida Paulista está tão feliz com estes governos?
   Por que tanta violência e repressão contra os que lutam por direitos? Por que criminalizar os que lutam por direitos e em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro, se lutar não é crime?
   Buscar respostas a estas perguntas é o que está colocado para estas e estes companheiros. Mas não apenas para aqueles e aquelas que tem referências no PT e no PCdoB. Tais questionamentos também estão colocados para militantes e simpatizantes do MST, da CUT, da CTB, e da UNE. De toda e qualquer organização do campo dos movimentos sociais que, desde suas direções, ajudaram o PT e o PCdoB a semear suas ilusões. Aqui e agora não cabem mais as surradas desculpas de ser minoria nas entidades, ou de conformar uma ala esquerda.
   Com algumas dessas organizações trata-se de reorientar o rumo, com outras, em especial as citadas entidades sindicais e estudantis, trata-se de romper com elas e ajudar a construir alternativas de luta dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre como são a CSP/Conlutas - Central Sindical e Popular, e a ANEL - Assembleia Nacional de Estudantes Livre.
   Tais reflexões não são fáceis de serem feitas, em especial para as gerações que ajudaram a construir estas organizações. Para muitas e muitos ativistas trata-se de ajustar contas com a própria história de vida, mas é necessário fazê-lo.
   Para os que são das gerações mais jovens cabe romper bruscamente com os semeadores de ilusões e ajudar aquelas e aqueles que tenham dificuldades em prestar contas com o próprio passado que isso é necessário. Afinal para arrancar alegrias ao futuro é preciso semear o presente.




O dia em que o PT privatizou o Pré-sal

No dia 21 de outubro, o Governo Dilma entregou às multinacionais a maior reserva de petróleo já descoberta no Brasil

O consórcio formado pela Shell, Total, CNPC, CNOOC e Petrobras terá o direito a explorar e produzir o petróleo da área de Libra

Jeferson Choma, da Redação

O governo do PT conseguiu senão superar, ao menos se igualar, ao entreguismo tucano de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Se a marca dos governos do PSDB foi a entrega do patrimônio público nas mãos do capital financeiro, com as privatizações da Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, o governo Dilma será marcado para sempre pela entrega às multinacionais da maior reserva de petróleo descoberta desde 2008.
 
O leilão de Libra foi arrematado pelo consórcio formado pelas empresas chinesas CNPC e CNOOC, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e a Petrobras. O consórcio terá a  concessão para exploração de petróleo e gás do petróleo do Pré-sal da bacia de Santos.
 
CNPC, CNOOC e Petrobras têm 10% do grupo cada uma, enquanto Shell e Total têm 20% cada. Os 30% restantes também cabem à Petrobras, uma vez que as regras do leilão obrigam a petroleira a entrar como operadora do consórcio.
 
Estima-se que Libra tenha entre 8 e 15 bilhões de barris recuperáveis de petróleo. Mas há a possibilidade de existir ainda mais petróleo na região. Para se ter uma idéia, em 60 anos de história, a Petrobras explorou 15 bilhões de barris. Libra poderia dobrar as reservas da Petrobras, mas não foi isso o que aconteceu.
 
O campo, cujo valor é estimado em R$ 3 trilhões (provavelmente é muito mais), foi entregue por R$ 15 bilhões através do chamado “bônus de assinatura”. 
 
O entreguismo do governo gerou criticas até do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em entrevista publicada por Paulo Henrique Amorim: “Ao fixar o bônus alto você tem uma visão de curto prazo, na exploração e no desenvolvimento de um recurso que já tem o grau de confirmação muito alto – não há dúvida de que tem petróleo lá – e os riscos são só os de desenvolvimento. (...) Nessa operação de R$ 15 bilhões, o governo vai receber de imediato, mas a consequência disso é que, no lucro do futuro, o governo vai ficar com uma fatia menor. (...) Como ela vai entrar com 30% do campo, ela vai ter que pagar 4,5 bilhões – 30% de 15 bilhões é 4,5 bilhões. Isso é um dreno importante no caixa da Petrobras, nesse momento”, afirma Gabrielli.
 
Na prática, o governo brasileiro deixou de obter um lucro imenso, que poderia ser obtidos nos próximos 30 ou 40 anos, por um punhado de dólares. Mas qual é a razão do governo do PT adotar uma medida aparentemente irracional?
 
O motivo é que o governo petista, diferente, inclusive, do prórpio discurso desenvolvimentista, opera sob a mesma lógica dos governos do PSDB. Queima o patrimônio público para satisfazer as necessidades do capital financeiro. No caso do Pré-sal, o objetivo era apenas  atingir a meta de Superávit Primário deste ano. Os 15 bilhões arrecadados no leilão servirão para fechar essa meta.E um terço dessa conta será paga pela Petrobras, como afirma o próprio Gabrielli.
 
Ao mesmo tempo, a entrega do petróleo brasileiro faz parte de um conjunto de privatizações que o PT realiza neste ano: a concessão de 7 mil km de rodovias e 10 mil km de ferrovias a iniciativa privada, além da privatização dos aeroportos e portos.
 
Dia 21 de outubro entra para história como a data na qual o governo do PT abriu mão de utilizar os extraordinários recursos do Pré-sal para viabilizar um programa de desenvolvimento social do país. O impacto que teria o destino da renda do Pré-sal na melhoria da saúde, educação e reforma agrária seria imenso. Mas o PT preferiu engordar os cofres das grandes petroleiras e do capital financeiro.Trata-se de mais uma traição deste governo que não poderá passar em branco por todos aqueles que dedicaram parte de suas vidas a luta por um país justo e soberano.

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Trabalhadores protestam contra leilão do Campo de Libra em dia de greve dos petroleiros



por Rodrigo Barrenechea


Foi realizado nesta quinta um protesto contra o leilão do campo petrolífero de Libra, na bacia de Santos, no centro do Rio. Com cerca de 700 pessoas, a passeata se iniciou na Candelária, onde seguiu pela Avenida Rio Branco, até se encerrar na Cinelândia. Diversas categorias profissionais, assim como vários movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos, fizeram-se presentes no ato.
A militância do PSTU Rio presente
no ato do Rio de Janeiro.
Foto: RB


Durante todo o dia, desde a madrugada de quarta, os petroleiros se mobilizaram, paralisando a produção tanto nas refinarias quanto em terminais e na administração da Petrobrás. Estão parados os trabalhadores das refinarias de Duque de Caxias (Reduc/RJ), Manaus (Reman/AM), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Mataripe (Rlam/BA), Gabriel Passos (Regap/MG), Paraná (Repar), Alberto Pasqualine (Refap/RS), Abreu e Lima (PE), além da SIX (unidade de Xisto/PR), da FAFEN (fábrica de fertilizantes/BA), Termorio (Duque de Caxias), usinas de Biodiesel e termoeletricas.

Na Bacia de Campos, o Sindicato informa que a greve teve adesão de pelo menos 39 plataformas, que foram entregues pelos trabalhadores às equipes de contingência que a Petrobras embarcou. Destas, 15 unidades foram entregues com a produção de petróleo parada. Durante a manhã, foi realizado trancaço na sede da UO-Rio, em Macaé. No Terminal de Cabiúnas houve corte de rendição à zero hora.

Ninguém entrou na Reduc, em Duque de Caxias, Terminal de Campos Elíseos e na Termorio. Agora pela manhã, o sindicato realizou uma grande mobilização na Rodovia Washignton Luiz, que está fechada no sentido Petrópolis.

Petroleiros protestam em frente ao prédio da Petrobrás em Macaé.
 Foto: PSTU Macaé
Desde o início da madrugada de hoje (17), em Macaé, os petroleiros do Norte Fluminense das 43 plataformas da Bacia de Campos aprovaram adesão ao movimento grevista. A direção da Petrobras utilizou equipes de contingência, formada por gestores da empresa, para continuar a operar diversas unidades. São muitas as denúncias de assédio moral das chefias junto aos trabalhadores grevistas.

No terminal de Cabiúnas, o maior em processamento de gás natural da América Latina, diversas entradas foram bloqueadas na manhã de hoje. A direção da empresa utilizou de artimanhas para tentar desmobilizar a paralisação, mas os trabalhadores resistiram e estão demonstrando muita disposição para lutar contra o leilão do campo de Libra e por melhores condições de trabalho. Houve concentração de petroleiros também em Campos, no Heliporto de Farol de São Tomé.

A tarde os petroleiros foram para a frente do TRT 1ª Região para denunciar o interdito proibitório concedido à Petrobras para manter os trabalhadores embarcados nas plataformas de extração de petróleo. A decisão impõe uma multa de R$100 mil por dia, caso haja descumprimento à decisão, configurando assim um claro ataque ao direito constitucional de greve. No início da noite a Oposição Petroleira do NF, juntamente com a CSP-Conlutas e a Intersindical organizaram em Macaé um debate sobre o leilão do campo de Libra. 
No Rio de Janeiro, houve paralisação no Cenpes, na Ilha do Fundão, e um acampamento na frente do Edifício Sede da Petrobrás. Nesta segunda, dia 21, quando vai ocorrer o leilão, o SindiPetro-RJ e diversas entidades dos movimentos sociais, populares e estudantis irão se concentrar na Barra da Tijuca, onde está marcado o leilão.

O PSTU Rio, assim como a CSP-Conlutas, a Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (ANEL), o Movimento Luta Popular e várias outras organizações, estará presente nessa luta contra a entrega dessa importante riqueza, que deve pertencer aos trabalhadores e trabalhadoras do país e não às transnacionais do petróleo.

Cyro Garcia fala no ato da Rio Branco

e ouça a entrevista de Zé Maria à rádio PSTU, do RS, sobre a venda de Libra.

Petroleiros de todo o país cruzam os braços

Confira o quadro da greve nacional contra o Leilão de Libra

Paralisação do Sindipetro AL/SE

PELA LIBERDADE IMEDIATA DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS DE CABRAL E PAES!!


O que aconteceu no dia 15 de outubro de 2013, Dia do Professor, na Cinelândia, após o protesto dos profissionais da educação?
No dia do professor, 15 de outubro, os educadores deram mais uma lição de luta mobilizando quase 100 mil pessoas em solidariedade a sua greve. Um gigantesco protesto ocupou a Avenida Rio Branco de ponta aponta. Logo após o encerramento do vitorioso ato, a polícia militar desencadeou mais uma brutal repressão pelas ruas do centro da cidade.
O que se anunciava no tom de ameaça autoritária dos governos de Sérgio Cabral e Eduardo Paes (ambos do PMDB) e da grande mídia, capitaneada pela Rede Globo, se confirmou na noite desta terça-feira, 15/10.
A Polícia Militar havia ficado completamente desmoralizada por suas recentes ações, como a absurda truculência com que desocupou a Câmara dos Vereadores na madrugada de 29 de setembro; a forma com que impediu o acesso a um prédio público, o da Câmara Municipal, enquanto espancava e lançava bombas em professores no dia 1° de outubro; a tortura e morte do pedreiro Amarildo dentro de um container da UPP da Rocinha; os abusos, truculência e autoritarismo ao lidar com o direito à livre manifestação. E, por fim, desmoralizada pelo amplo apoio popular às mobilizações dos profissionais de educação, a PM se retirou das ruas no dia 7 de outubro. Sua tentativa era recuperar a moral necessário para reprimir as manifestações com a desculpa de combate ao "vandalismo".
Infelizmente, alguns caíram na armadilha e a já violência policial aconteceu também no dia 7/10. Dessa vez reanimada, no dia 15, a polícia subiu o tom da repressão, e partiu pra cima de quem ainda estava na Praça da Cinelândia após os protestos dos educadores. Prendeu aleatoriamente quem estava na escadaria da Câmara Municipal e promoveu verdadeiro terrorismo nos arredores do centro.
São vários os vídeos de policiais atirando com arma de fogo durante a passeata e a notícia de pelo menos um baleado. Mais de 200 detidos, sendo 40 presos. Dentre eles, dois carteiros, um repórter da mídia independente, vários adolescentes e até um jovem vestido de palhaço. Todos enquadrados como "formação de quadrilha" e encaminhados em ônibus para presídios.
Entre os presos, Vinicius Clemente Bahia, trabalhador dos Correios e militante do PSTU, além de estudantes e jornalistas. Todos enquadrados na recém-criada lei de crime organizado. A nova lei, sancionada por Dilma  e outra recente lei votada na Alerj tornam são mais duras e preveem penas bem maiores para os “crimes” nelas tipificados, como o uso de máscaras nos protestos.

PM dispara armas de fogo contra manifestantes e prende mais de 200
 Novamente com a desculpa de que estariam combatendo uma ação dos Black Blocs, a PM do Rio de Janeiro mostrou porque cresce o grito pela sua desmilitarização. Além das tradicionais bombas, cacetes e uso de P2 infiltrados, foram utilizadas também armas de fogo. Vários relatos e imagens de projéteis encontrados pelas pessoas estão circulando na internet.
A barbárie policial foi tão grande que, por volta das 23 horas, dezenas de policiais ocuparam a Praça da Cinelândia e retiraram a força as barracas e os manifestantes do acampamento que há semanas permanecia na frente da Câmara de Vereadores. Cercaram e prenderam, nas escadarias da Câmara, quase 200 pessoas, muitas delas nem estavam envolvidas com os enfrentamentos com a Tropa de Choque. Essas pessoas foram levadas presas em ônibus da própria PM e de uma empresa privada para delegacias em bairros distantes do centro da cidade.
O objetivo de toda essa escalada repressiva é derrotar a luta dos profissionais de educação que já dura três meses e vem questionando duramente os governos de Cabral e Paes. Além de procurar desmobilizar os setores da classe trabalhadora e da sociedade que saíram às ruas em apoio aos educadores e contra a repressão policial aos movimentos sociais.
É preciso denunciar em todos os espaços as ações violentas e criminosas da polícia e exigir a liberdade imediata de todos os presos políticos.

Liberdade imediata a todos os presos políticos de Cabral e Paes!
Lutar não é crime, lutar é direito! Contra a repressão aos movimentos sociais;
Em defesa de todo ativista atacado pela repressão ou perseguido pelo Estado;
Construir a autodefesa dos trabalhadores em luta;
Pela desmilitarização da Polícia Militar, pelo fim da PM; 
Pela construção de uma polícia de caráter civil, eleita democraticamente e controlada pela comunidade.

Roda de Conversa do Movimento Mulheres em Luta nessa Sexta


O Movimento Mulheres em Luta do Rio de Janeiro está chamando uma roda de conversa sobre o I Encontro Nacional do Movimento que ocorreu dias 4, 5 e 6 de Outubro para organizar a luta das mulheres aqui no estado. Compareça! No final teremos uma confraternização!

Sexta - 18/10/13 - 18h, no SINDSPREV RJ - Rua Joaquim Silva, 98, Lapa.

Mais de 50 MIL ocupam as ruas pela educação e contra a repressão



15/10/2013. Dia do Professor com dezena  milhares de pessoas no centro do Rio de Janeiro e diversos atos em todo país em apoio à greve da educação. 
 A cidade do Rio de Janeiro assistiu a mais uma grande manifestação em defesa da educação pública. Desde o final da tarde, educadores, estudantes e diversas categorias foram se concentrando na Candelária e seguiram em direção à Cinelândia. 
 A categoria estava presente com blusas e cartazes que expressavam sua indignação e exigiam seus direitos. Entidades do movimento social, como CSP-Conlutas, MST, diversos sindicatos e partidos políticos levaram o seu apoio à esta combativa greve da educação. 
        As greves do município, do estado e da Faetec encontram-se no seu terceiro mês. O governo Cabral segue intransigente e não negocia. Enquanto Paes tenta enganar a categoria e a população ao apresentar um plano de carreira que não contempla a maioria dos profissionais da rede e por isso é repudiado pelos educadores do município.
 Se a greve se prolonga até hoje, é por inteira responsabilidade desses governos. E a população está percebendo isso. Em recente pesquisa publicada no Extra, 86% da população concorda com a greve da educação.  
 Ontem podia-se sentir esse apoio com adesão das pessoas que saíram do trabalho e se incorporaram na manifestação e com as luzes das janelas dos prédios da avenida Rio Branco piscando enquanto o ato passava.
  Com isso, os educadores do Rio de Janeiro têm dado uma lição de combatividade e coerência, mostrando compromisso com a educação pública. Por isso, conforme Vera Nepomuceno afirmou, "o Dia do Professor virou o Dia do Profissional da Educação em Luta!".
Black Blocs e ação isolada: um desserviço à luta
Infelizmente, mais uma vez após o encerramento do ato a Cinelândia virou uma praça de guerra, com PM’s atirando bombas de efeito moral e disparando tiros com armas letais e Black Blocs arremessando pedras e quebrando bancos, orelhões etc. Nós temos feito constantemente esse debate, e faremos mais uma vez com a franqueza necessária. As ações isoladas não são a tática mais eficaz para combater Cabral e Paes.
E o pior é que esses governos, a mídia e o empresariado aproveitam disso para tentar desmoralizar e criminalizar a forte greve da educação. Vimos isso na semana passada, quando, depois de um ato vitorioso, que lotou a Avenida Rio Branco, os jornais e a tevês pautaram as ações de uma minoria e esconderam a grandiosa manifestação que reuniu milhares de pessoas. Essas ações isoladas dos chamados Black Blocs prestam um desserviço ao movimento. E não contribuem para aglutinar mais pessoas em defesa da greve da educação.
Hoje lamentavelmente isso se repetiu. Os governos tentaram jogar a população contra a greve. Afastar as pessoas das manifestações e aumentar a repressão contra os educadores. Nas primeiras notícias que estão circulando, a grande imprensa esconde o ato, e nas ruas do centro a PM de Cabral aumentou a repressão.
A PM acabou violentamente com o acampamento em frente à Câmara de Vereadores e prendeu mais de 200 pessoas nesta noite. Muitas delas nem estavam envolvidas com os enfrentamentos com a Tropa de Choque. Essas pessoas foram levadas para delegacias em bairros distantes do centro da cidade. Há também relatos de manifestantes baleados por armas de foto disparadas pela polícia.
 Vitória da mobilização: Liminar  suspende corte de ponto dos profissionais da educação 
           O Sepe conquistou ontem uma liminar que impede o corte de ponto dos profissionais da educação em greve. Segundo decisão do ministro Fux do STF, o governo estadual fica impedido de realizar cortes até o dia 22/10, quando será realizada uma audiência em Brasília entre o sindicato e o governo. Outra decisão judicial revoga a cassação da licença sindical do Sepe, que havia sido uma tentativa de desmoralizar a entidade.
           Nossa tarefa é não sair das ruas! Solidariedade ativa à greve da educação. Amanhã será maior!. Vamos aumentar a pressão sobre os governos Cabral e Paes pelo atendimento imediato das reivindicações dos educadores.

Ô, A EDUCAÇÃO PAROU...

Fora Cabral, vá com Paes está na boca do povo
foto: Paollo Rodajna
Governador Sergio Cabral, a pedido do Prefeito Eduardo Paes, reprime violentamente educadores do Rio de Janeiro

Miguel Malheiros e Susana Gutierrez do Rio de Janeiro

            São combatidos ferozmente com bombas, armas químicas (gaz lacrimogêneo e spray de pimenta), choques elétricos e pauladas.  Contra esta categoria já foram lançados os seguranças da ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro); o Batalhão de Choque da Policia Militar. Suspeita-se que já tiveram de enfrentar, inclusive, milicianos. Sem dúvida são homens e mulheres que amedrontam os governos de Cabral e Eduardo Paes.
            Mas quem são estas pessoas que tiram o sono do governador do Rio e do prefeito da capital? Pelo que lutam? Que armas possuem para contra eles serem lançados brutais aparatos de repressão?
            Estão armados com ideias e argumentos. Sua causa é justa, defendem a escola pública e a querem de qualidade. São cozinheiras, cozinheiros, auxiliares de creche, porteiras e porteiros, agentes educacionais, professoras e professores. São profissionais da educação do estado e da prefeitura do Rio de Janeiro. Nas assembleias, e nas ruas dão corpo ao SEPE (Sindicato Estadual de Profissionais da Educação), gritando a plenos pulmões: “O SEPE somos nós, nossa força, nossa voz.”
            Há uma duríssima luta em curso no Rio de Janeiro. De um lado os governos de Cabral e Paes. Governos do PMDB com o PT, sustentados e apoiados pelo PCdoB. A mesma coalizão do governo federal. Este é o lado dos que querem aprofundar os ataques à escola pública, avançando na transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. Avançando nos planos de transformar professores em monitores de turmas, em tutores.
            Para as fundações e ONG’s privadas é fundamental que os ataques de Paes e Cabral tenham sucesso. Estão de olho nos milhões de reais que podem ganhar com a produção de apostilas; de provas externas - como o SAERJ ou prova Brasil. Com a produção de aulas prontas e padronizadas, sem respeitar a diversidade de saberes. Sem respeitar as distintas origens e formações sociais no Estado ou mesmo na cidade do Rio de Janeiro. Para estes pouco importa se o mesmo modelo de aula é aplicado para estudantes moradores em uma favela, ou na Zona Rural do estado. Afinal, para estes, o que importa são os milhões de reais que podem lucrar.
            Destruir a carreira de professores para estes urubus da educação pública é parte decisiva para ocuparem espaços, lucrando com isso, dentro das escolas. Para eles a escola pública não precisa de profissionais que educam, que ensinam, que produzem e reproduzem conhecimento, ou seja professoras e professores. Para os urubus onde estudam filhos e filhas da classe trabalhadora bastam pessoas capazes de criar condições de aprendizagem. Assim substituir professores por tutores, ou criar professores polivalentes, aplicadores de métodos pré fabricados e padronizados, comprados no mercado por rios de dinheiro é um passo importante para seus objetivos de mercado.
            De outro lado estão os profissionais da educação na defesa da escola pública, na defesa de uma educação pública e de qualidade. Nessa luta batalham por ter o apoio da população. Mas é uma batalha desigual. Os grandes meios de comunicação, como a Globo, jogam o tempo todo ao lado dos governos, tentando criar condições para enfraquecer a luta dos educadores. Em contrapartida dos mais diversos setores chegam cartas e moções de solidariedade e apoio à luta em defesa da educação pública.

                 Lula se reúne com o carrasco da educação pública
            Ainda é inicial, mas educadores e população começam a estranhar o silencio da Presidenta da República, quando seus aliados, Sergio Cabral e Eduardo Paes, atuam de forma tão feroz contra homens e mulheres responsáveis por educar parcela considerável dos filhos e filhas da classe trabalhadora e do povo pobre. Não por acaso na manifestação de apoio à luta da educação que reuniu mais de 50 mil pessoas, na segunda-feira 7 de outubro, uma das faixas carregadas trazia escrito: “E aquela Dilma que ia mudar o mundo agora assiste a tudo em cima do muro."
            Mas não se trata apenas do silêncio da Presidenta. Logo após ao verdadeiro massacre sofrido pelas educadoras e educadores (30 de setembro), o ex presidente Lula visitou o Rio de Janeiro. Sua visita não foi para levar solidariedade e apoio às educadoras e educadores, que haviam sido atacados brutalmente pela PM (Policia Militar) de Cabral, a pedido de Eduardo Paes. Lula foi ao Rio de Janeiro reunir-se com o algoz da escola pública. Reuniu-se com Sergio Cabral. O objetivo da conversa não foi cobrar de seu aliado que tratasse com respeito aos educadores, atendendo suas reivindicações. Lula foi ao Rio falar com Cabral sobre as eleições de 2014. De fato o ex Presidente Lula deve um pedido de desculpas formal à categoria de profissionais da educação do Rio de Janeiro.

              Guerreiras e guerreiros da educação pública
            Os profissionais da educação sabem que lutam por sua sobrevivência como categoria profissional. O “Plano”, aprovado por Paes na Câmara de Vereadores, não passa de mal disfarçada reforma administrativa. Entre outras coisas legaliza o professor polivalente, ao criar a nomenclatura de Professor de Ensino Fundamental para lecionar do 1° ao 9° ano. De fato a nefasta ideia por trás disso é o professor dar aulas das mais diferentes disciplinas, para as mais diferentes faixas etárias. Por exemplo professores de geografia dando aulas de matemática, e assim por diante.
            Nas reuniões com responsáveis, e também nos atos e passeatas, é comum ouvir-se que não é só pelo salário, é em defesa da educação pública. É por dignidade. Neste duro enfrentamento a categoria vai aprendendo a confiar em suas forças. Descobre seus aliados, mas define que mesmo apoiadores devem se submeter aos métodos de luta da categoria.
             O destino dessa luta não se definiu. Estes bravos e heroicos homens e mulheres tratam a si mesmos de forma orgulhosa por guerreiras e guerreiros da educação pública. Enfrentam inimigos poderosos, mas arrancam forças para seguir adiante na justeza da luta e no apoio que recebem.
            Seguem fazendo assembleias com milhares de pessoas. Seguem realizando atos onde a criatividade está sempre presente. Em suas manifestações continuam pautando seus objetivos e questionando seus inimigos. Nas assembleias e nas ruas continuam cantando: “Educação na rua qual é sua missão?
Conquistar mais dinheiro pra saúde e educação!
Educação na rua o que é que você faz?

Fora Cabral e Eduardo Paes!”