Partido terá chapa própria para todos os cargos nestas eleições. Cyro Garcia será o candidato prioritário a deputado federal e Heitor Fernandes disputará vaga ao senado.
Por Arthur Gibson, da redação
Em clima de muito entusiasmo, a militância do PSTU decidiu em Convenção Estadual a chapa para concorrer às eleições. O nome escolhido para a candidatura ao Governo do Estado foi o da professora da rede estadual Dayse Oliveira. Moradora de São Gonçalo e negra, Dayse tem a cara das trabalhadoras e trabalhadores do Rio de Janeiro.
Com larga trajetória de luta, foi voz ativa nas últimas greves da educação no estado. Dayse, que será a única mulher a disputar as eleições para o governo, já foi candidata a vice-presidente em 2002, a prefeita de São Gonçalo em 2004 e 2012, e a senadora em 2006.
| Convenção Estadual foi realizada na sede do partido e reuniu delegados de todo o Estado Fotos: RB |
Para o senado, o PSTU indicará Heitor Fernandes, liderança dos trabalhadores dos Correios. Para deputados estadual e federal, o PSTU terá vários candidatos nas principais cidades do RJ. Todos eles são lutadores reconhecidos em diversas categorias da classe trabalhadora. A principal candidatura será a de Cyro Garcia para deputado federal.
O cenário das eleições no RJ
Nestas eleições, a esquerda socialista tem uma importante
tarefa. A retomada das lutas em junho de 2013 deu um novo fôlego ao movimento grevista no país. Os trabalhadores desconfiam dos políticos, do congresso, da justiça. O governo Dilma enfrenta queda de popularidade. No Rio, Sérgio Cabral foi escorraçado pelos trabalhadores a ponto de não conseguir se candidatar a nada. As UPP's, principal política dos governos federal e estadual no Rio de Janeiro, são bastante criticadas pelos trabalhadores.
| Cyro Garcia será candidato a Deputado Federal, com a proposta de mudar radicalmente o modelo político e econômico do país, apoiando-se nas lutas da classe trabalhadora |
Diante deste cenário, é preciso fazer um duro balanço dos governos federal e estadual. A candidatura de Pezão (PMDB) representa a continuidade da política repressiva, corrupta e de privilégio aos ricos de Sérgio Cabral. Não à toa, sua primeira medida foi a violenta desocupação de famílias que moravam no prédio abandonado da TELERJ. Lindbergh (PT) quer aparecer como novidade, mas não é uma alternativa para os trabalhadores. Seu partido elegeu Cabral e fez parte do seu governo até os últimos minutos. Garotinho (PR) tenta aproveitar o desgaste do PT e de Cabral para voltar ao governo como salvador da pátria. Seu governo, no entanto, também foi marcado pela corrupção e repressão aos trabalhadores.
Por que não haverá Frente de Esquerda no RJ
Diante deste cenário de desgaste dos partidos tradicionais e de fortalecimento das lutas dos trabalhadores, seria fundamental uma candidatura unitária da esquerda que defendesse uma mudança de verdade. O PSTU se colocou a favor da construção de uma Frente de Esquerda com o PSOL e o PCB que encampasse esta tarefa.
Infelizmente, o PSOL mais uma vez se negou a compor uma Frente com o PSTU no Rio. Segundo o PSOL-RJ, não seria possível fazer a Frente, já que ela não se realizou na candidatura a presidente. Se isto fosse verdade, não teríamos a Frente se constituindo em vários estados como SP, MG, CE. O PSOL também alega que o PSTU teria exigido um tempo privilegiado de TV. No entanto, apesar de discordarmos da proposta de divisão de tempo do PSOL, jamais nos negamos a negociar uma proposta de comum acordo. Na realidade, os dirigentes deste partido avaliam que a candidatura de Cyro Garcia ameaçaria a eleição de um candidato do PSOL. Com base nesta visão, puramente eleitoreira, se negaram a continuar as negociações para uma Frente de Esquerda.
Uma polêmica programática com o PSOL
Diante deste cenário, tanto PSOL quanto PSTU terão candidaturas para o governo nestas eleições. Apesar disto, não achamos que estamos em campos opostos nestas eleições. Ambas são candidaturas de oposição de esquerda ao governo. No entanto não podemos deixar de demonstrar preocupação com as recentes declarações do candidato Tarcísio Motta.
Perguntado pelo jornal O Dia se seria contra as UPP's, o candidato do PSOL respondeu: “Não. Mas ela precisa ser mais do que isso. (...) É preciso construir uma política de segurança que tenha a garantia de direitos básicos das pessoas”. Nós, do PSTU, achamos que não é possível remodelar as UPP's, tornando-as um projeto melhor. Não é possível uma candidatura socialista que não denuncie implacavelmente esta política que promove a tortura, matança e repressão de negros e negras nas favelas.
Nesta mesma entrevista, Tarcísio Motta se mostra disposto a governar dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A LRF é um mecanismo criado para que os governos limitem seu investimento com as áreas sociais e possam enriquecer os banqueiros. Nenhum governo poderá resolver os problemas da saúde, educação, transporte, moradia e segurança sem romper a aliança com banqueiros e empresários e revogar a LRF.
Uma alternativa socialista nas lutas e nas eleições
Nestas eleições, as candidaturas do PSTU estarão a serviço da luta dos trabalhadores. Faremos de nossa campanha um palanque onde os trabalhadores poderão ser ouvidos. Nossas propostas apontam para uma ruptura com
o modelo político e econômico atual. Queremos o fim dos privilégios dos políticos, que devem receber um salário igual ao de um operário. Os políticos que não cumprirem suas promessas de campanha devem ter seus mandatos revogados.
| A professora Dayse Oliveira é moradora de São Gonçalo e traz a cara da classe operária: mulher, negra e da periferia |
Com Dayse Oliveira candidata ao governo do RJ, queremos denunciar a violência que sofrem as mulheres e os negros nas favelas e a exploração dos operários de nosso estado. Seremos implacáveis no combate à violência policial, defendendo a desmilitarização da PM e o fim imediato das UPP's. Lutaremos pelos direitos das mulheres, exigindo o fim da diferença salarial entre homens e mulheres, descriminalização do aborto, e creches públicas, gratuitas e de qualidade.
Faremos uma campanha independente dos patrões, sem receber nenhum centavo de nenhuma empresa. Nestas eleições, com os candidatos do PSTU, os trabalhadores terão uma alternativa socialista e vinculada às lutas.




