Mostrando postagens com marcador Programa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Programa. Mostrar todas as postagens

MANIFESTO: O RIO DE JANEIRO PRECISA DE UMA FRENTE DE ESQUERDA PARA DEFENDER NAS ELEIÇÕES O PROGRAMA DAS MOBILIZAÇÕES


Em 2014, mais uma vez os trabalhadores participarão do processo eleitoral. A mídia, como sempre, tenta nos convencer que teremos que escolher apenas entre as grandes candidaturas burguesas. De um lado, Pezão (PMDB), o candidato do atual governador Sérgio Cabral, representa a continuidade do mesmo modelo corrupto e autoritário de governar. O PT se apresenta como alternativa através de Lindbergh Farias, prometendo grandes mudanças para o Rio de Janeiro. No entanto, o mesmo PT foi responsável por eleger Sérgio Cabral e foi parte fundamental do seu governo repressor. Por fora, corre a candidatura de Anthony Garotinho (PR), ex-governador e condenado por formação de quadrilha e corrupção.
Estes candidatos, apesar de concorrerem entre si, representam o mesmo projeto. São os candidatos que representam os interesses dos grandes banqueiros e empresários que financiam suas campanhas. Caso sejam eleitos, vão privilegiar o lucro destas grandes empresas que se alimentam dos contratos corruptos com o estado e da exploração dos trabalhadores. Por causa do projeto que defendem, estes candidatos não são capazes de dar uma resposta às demandas vistas nas ruas em 2013 e que continuam nas ruas em 2014.
É preciso apresentar nas eleições um projeto que expresse as reivindicações das grandes lutas que sacudiram o país. Enquanto a grande imprensa tenta passar a imagem de que apenas Garotinho, Pezão e Lindbergh são os candidatos viáveis nesta eleição a esquerda precisa quebrar esta falsa polarização e afirmar uma alternativa. Precisamos de uma Frente de Esquerda entre o PCB o PSOL e o PSTU no Rio de Janeiro.
Esta Frente deve dar corpo à insatisfação dos trabalhadores com tudo o que está aí. Deve se colocar claramente como oposição de esquerda ao PT, PMDB, PSDB, DEM, PR, PV e todos os demais partidos e candidaturas que representam a burguesia. Precisa se colocar como oposição ao governo Dilma e aos governos Cabral e Paes, todos cúmplices no projeto de repressão aos movimentos sociais e defesa dos lucros dos empresários. Deve defender um programa que aponte as mudanças profundas que são necessárias fazer: estatização das grandes empresas e do sistema financeiro e o não pagamento da dívida pública para colocar as riquezas do país a serviço dos trabalhadores. Com estes recursos deve investir em transporte, educação e saúde públicas de qualidade.
Deve defender intransigentemente o fim dos privilégios às grandes empresas com as isenções de impostos, deve colocar um fim aos abusos cometidos para a realização da Copa do Mundo da FIFA. Isso significa reestatizar o Maracanã e acabar com a transferência de dinheiro público para as obras da Copa e com as remoções das comunidades.
O Programa da Frente de Esquerda deve se colocar claramente contra a repressão aos movimentos sociais e a criminalização da pobreza. Deve defender a desmilitarização da Polícia, o fim da PM e das Tropas de Choque, e a criação de uma nova Polícia Civil unificada democrática e sob controle dos trabalhadores. 
Deve ser uma candidatura que estimule e defenda a luta dos trabalhadores e as suas organizações. Deve denunciar as instituições desta democracia dos ricos que só servem para propagar a corrupção e multiplicar os lucros dos grandes empresários. A Assembleia Legislativa do RJ funciona como um grande balcão de negócios onde a voz dos trabalhadores não é ouvida. O Judiciário jamais mostrou qualquer interesse em defender a população dos abusos cometidos pelo governo e combater a farra com dinheiro público. Assim, a Frente de Esquerda deve impulsionar toda iniciativa de organização dos trabalhadores independente dos governos e patrões.
Neste chamado por uma Frente de Esquerda compreendemos que é necessário reafirmar que apenas mantendo a total independência dos grandes banqueiros e empresários seremos capazes de defender o programa das ruas. Assim, a Frente de Esquerda precisa se comprometer a não estabelecer nem se utilizar de nenhum tipo de apoio de partidos ou candidatos burgueses. Também necessita se financiar apenas com dinheiro dos trabalhadores, sem nenhum tipo de doação de empresas.
A partir destas bases programáticas e de princípio é possível estabelecer um diálogo que nos leve a estabelecer uma Frente de Esquerda que respeite o peso e a representação social de cada partido que a compõe na divisão das candidaturas e do tempo de TV. Neste sentido queremos fazer um debate franco com os companheiros do PSOL.
Nos últimos anos não foi possível construir uma Frente de Esquerda no RJ graças à intransigência da direção do PSOL. Nas discussões de eleições anteriores ficou clara a falta de disposição da direção do PSOL em estabelecer um diálogo que levasse à formação de uma Frente efetivamente. Na prática, ao vetarem a participação do PSTU na coligação proporcional e fecharem as portas para a elaboração de um programa em conjunto, exigiram uma mera adesão do PSTU ao seu candidato. Desta maneira, desrespeitando a história, trajetória e a representação do PSTU nos movimentos sociais, acabaram por inviabilizar uma Frente de Esquerda no Rio de Janeiro.
Fazemos um chamado à militância do PSOL e do PCB para possamos, obedecendo aos critérios acima discutidos, avançar para uma Frente de Esquerda que apresente uma alternativa socialista nestas eleições.

A essência da luta de classes: uma polêmica com Marcelo Freixo

Thiago Hastenreiter, do Rio de Janeiro
Em entrevista realizada pela Revista Fórum (24/04/2013), Marcelo Freixo fala sobre direitos humano, sistema prisional, Marco Feliciano, estratégias eleitorais e luta de classes.
As declarações do deputado do PSOL ganham grande importância e influência na consciência dos trabalhadores e da juventude, sobretudo, os do Rio de Janeiro, ainda mais depois de uma eleição onde obteve praticamente 1 milhão de votos. Por entender que o debate é essencial para a elaboração programática da esquerda socialista, o PSTU sente-se na obrigação de afirmar onde temos acordos, e principalmente onde temos profundos desacordos com o deputado.
Comecemos pelos acordos
Consideramos um acerto importante quando Freixo refuta o senso comum divulgado pela mídia oficial que massifica a ideologia do “Estado paralelo”, como se governo, milícias e traficantes não tivessem uma ligação umbilical e orgânica. “Não estamos falando do Estado paralelo (...). São agentes públicos, com interesses privados, com domínio de território e agindo com os instrumentos públicos, ou seja, é um Estado leiloado a determinadas forças, não é paralelo”.
A criminalização da pobreza e de seus territórios e a permanência de um Estado penal crescente em detrimento de um Estado que garanta os direitos sociais básicos da população, ou a total insuficiência dos Cap’s AD para acolher os usuários dependentes de drogas legais e ilegais, são pontos de acordo com o PSTU. O problema do crack, por exemplo, não pode ser encarado como uma questão de segurança pública, mas sim de saúde pública.
As vítimas de homicídios no Brasil encontram-se nos extratos mais pauperizados da população, principalmente na população negra, que têm seus direitos negados desde seu nascimento, arrastando junto consigo séculos de escravidão. São os primeiros a morrer, e os últimos a conseguir um emprego. Constituem, portanto, na melhor das hipóteses o “exército industrial de reserva” ou estão subempregados em serviços precarizados sem a garantia de direitos trabalhistas. E na pior das hipóteses pertencem aos setores desclassados e marginalizados, isto é, estão fora do processo produtivo da sociedade.
Por fim, também repudiamos as declarações de Marco Feliciano e sua permanência na presidência da Comissão dos Direitos Humanos. Inclusive, estivemos juntos na marcha na orla de Copacabana dia 7 de abril.

Polêmicas necessárias e inadiáveis

MACAÉ, UMA CIDADE PARTIDA.


Há em Macaé duas cidades em uma só. De um lado há uma cidade mais organizada, com índices econômicos e sociais melhores, e de outro há uma cidade que fica em segundo plano, constantemente abandonada por um transporte público ineficiente. Toda ponte liga dois pontos separados. Em Macaé, a ponte da Barra é o símbolo da profunda divisão na cidade.

Os números mostram que, da “ponte pra baixo” (Centro, Imbetiba, Praia Campista, Bairro da Glória, Cavaleiros, Mirante da Lagoa) há uma Macaé mais branca e com rendimentos muito acima da média brasileira. Da “ponte pra cima” (Barra, Nova Holanda, Fronteira, Parque Aeroporto, Barreto, Engenho da Praia, Ajuda e Lagomar) há uma Macaé mais negra e parda, com menores rendimentos embora com mais horas trabalhadas. Do lado de lá os imigrantes são norte-americanos, e europeus tratados “a pão de ló”. Do lado de cá, os imigrantes são nordestinos e nortistas, que com o suor de seus rostos lutam por uma vida mais digna nessa cidade que lhes oferece o “pão que o diabo amassou”.

O que nos mostra a tragédia do ônibus no Rio de Janeiro

A tragédia

Terça-feira, 2 de abril, aproximadamente 16:30 horas: um ônibus da linha 328 (Bananal/Castelo), saído da Ilha do Governador em direção ao centro, tombou de cima de um viaduto e causou a morte de 7 pessoas, deixando outras 10 feridas. O coletivo caiu de rodas para cima, teve o teto totalmente amassado e derramou grande quantidade de óleo; levou mais de uma hora para ser retirado da pista lateral da Avenida Brasil, principal via da cidade.

Parece mentira, mas mesmo em ritmo de grandes investimentos para a Copa do Mundo a cidade do Rio de Janeiro vive mais uma tragédia anunciada.
O acidente teria sido causado, segundo testemunhas que desceram do ônibus pouco antes da queda, por uma confusão entre o motorista do coletivo e um passageiro. Há relatos de que o estudante teria primeiro reclamado porque o motorista não teria parado para ele e há ainda informações que o motorista, além de bastante grosseiro, estaria dirigindo em alta velocidade e teria passado por vários pontos sem parar.
A discussão entre ambos teria levado o jovem, que seria estudante da UFRJ, a dar um chute no rosto do motorista, o que teria causado o desmaio do mesmo e ocasionado o acidente.
A Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso ao Rio e recente tema de novela global, ficou totalmente interditada por cerca de 20 minutos e no sentido centro por mais de duas horas, provocando um congestionamento de nove quilômetros. Foram necessários 80 bombeiros e 3 helicópteros para o resgate às vítimas.

Vítimas eram trabalhadores e jovens

Havia pelo menos 16 pessoas dentro do ônibus. A maioria era composta por trabalhadores e estudantes. As vítimas fatais foram Marcos do Nascimento, de 42 anos; José de Jesus, de 42 anos; Ângela Maria Reis da Silva, 62 anos; o gerente comercial Luiz Antônio do Amaral, de 41 anos pai de três filhas, de 2, 7 e 18 anos; o cearense Francisco Batista de Souza, carpinteiro, de 40 anos que pretendia trabalhar nas obras da Transcarioca; Oséas da Silva Cardoso, 39 anos e Luciana Chagas da Silva.
Dos 10 feridos, 4 ficaram em estado grave. Além do motorista do ônibus, com fratura no fêmur e traumatismo craniano, foram internados um jovem de 18 anos, em estado gravíssimo com traumatismo craniano, um senhor de 80 anos, também com traumatismo craniano e uma jovem de 18 anos, com um trauma no tórax.

A realidade do caos no transporte público

Circular de ônibus no Rio é um sofrimento diário A fórmula da combustão: motoristas estressados e sem treinamento adequado somado a passageiros apressados, cansados e submetidos a viagens desconfortáveis e, para completar, horas seguidas de engarrafamento.
Motoristas e cobradores de ônibus estão entre as categorias mais exploradas. Jornadas de trabalho estafantes e a dupla função (dirigir e cobrar passagens) coloca em risco a vida de rodoviários e passageiros. Sem contar os baixos salários, terminais sem banheiros, descontos ilegais nos salários e por aí vai. A organização sindical e iniciativas de mobilização pela base por parte dos rodoviários (já que a direção do sindicato é muito questionada) são duramente reprimidas pela patronal com demissões, como no caso da recente construção da greve em meados de março, chegando mesmo a violência armada.
O estresse dos motoristas é frequentemente apontado, por especialistas e mesmo por usuários, como uma das principais causas de acidentes. No caso em questão, o motorista também exercia a dupla função de motorista/cobrador. A sua companheira acrescentou que ele trabalhava na empresa há três anos e que costumava fazer hora extra todo dia.

A ineficiência da fiscalização

De acordo com levantamento estatístico do Corpo de Bombeiros, nos últimos quatro anos, a média de acidentes envolvendo ônibus foi de quase dois acidentes com vítimas por semana. Só em 2011 foram registrados 126 casos; e em 2012, 84 casos.
Também em 2012 a ouvidoria da Secretaria Municipal de Transportes recebeu 28.294 reclamações sobre ônibus, sendo as queixas mais frequentes a “falta de urbanidade” (educação) por parte do motorista e o comprometimento com a integridade dos passageiros.
Em parte, esta ineficiência se aprofundou a partir da inexplicável redução no número de fiscais da Secretaria Municipal de Transportes, apesar de ter aumentado a frota de ônibus, táxis e vans. Atualmente, apenas 40 agentes fiscalizam 33 mil táxis, quase 9 mil ônibus e 6 mil vans. Em 2006, eram 53 agentes. Uma redução de um quarto do efetivo!
Mas o mais criminoso são os cinco registros relativos a “não indicação do condutor” por parte da empresa, prática comum utilizada a fim de evitar a suspensão da carteira de habilitação do motorista, devido ao excesso de multas.
Apesar disso, o prefeito Eduardo Paes não pretende ampliar o número de agentes. O prefeito chegou a afirmar que “o modelo de fiscalização que depende de um grande número de profissionais favorece a corrupção”, e não pretende contratar mais fiscais; defendendo como mais eficiente um sistema eletrônico, associado a punições rigorosas às empresas, incluindo o cancelamento da concessão. Coisa inimaginável de ser implantada no Rio de Janeiro, dadas as conhecidas denúncias de favorecimento entre a prefeitura e os donos de empresas rodoviárias, os conhecidos tubarões do transporte.

A verdadeira cara do governo e dos patrões: informações falsas e impunidade

A Fetranspor (sindicato dos empresários de ônibus), se apressou em divulgar uma nota na qual dizia “lamentar profundamente o acidente com um ônibus” e que se solidarizava com as famílias das vítimas.
Pois bem, Francilene dos Santos, esposa do motorista, ao chegar ao hospital reclamou da empresa de ônibus Paranapuã, que, segundo ela, não prestou qualquer auxílio ao trabalhador e nem procurou a família para prestar qualquer assistência.
A nota dos empresários ainda afirmava que “o motorista era antigo na casa e sem retrospecto de acidentes” e que “o ônibus estava em dia com suas vistorias, tinha seis anos de uso e era dotado de tacógrafo, GPS e câmeras”, e a própria Secretaria Municipal de Transportes chegou a divulgar que o ônibus estava autorizado a circular, pois a vistoria mais recente ocorrera em 3 de julho de 2012.
Na verdade, o ônibus estava com o licenciamento de vistoria do Detran vencido – o último aconteceu em 2011; acumulava 46 multas desde 2008, totalizando R$ 4.443,59! Doze penalidades foram relativas a avanço de sinal, 14 por excesso de velocidade e ainda outras tantas por parar em desacordo com Código de Trânsito Brasileiro, desobedecer às ordens de autoridades competentes e parar nas pistas de rolamento das vias de transporte rápido.
Já o prefeito Eduardo Paes (PMDB), lamentou o acidente e afirmou que ainda não poderia apontar culpados. "Por enquanto há muitas versões, muito boato. Prefiro esperar", afirmou, se eximindo de qualquer responsabilidade.
Por isso, quando falamos em tragédia anunciada, não estamos fazendo sensacionalismo.

A criminalização das vítimas, olha ela aí de novo...
A polícia, por sua vez, pretende indiciar e pedir a prisão preventiva do estudante e do motorista por crime doloso (com a intenção de matar!), se negando a reconhecer qualquer influência das precárias condições de trabalho e do transporte público como causa da queda do ônibus.
Segundo o delegado o motorista também teria culpa “por não ter parado no ponto, ter estimulado a briga verbalmente e não ter chamado a polícia quando começou a confusão, assumindo o risco do acidente”. Contra o estudante pesa ainda uma anotação na polícia, ocorrida em 2012, devido a uma briga com vizinhos.

A solução dos trabalhadores

O PSTU entende que tragédias como essa, mais do que consequência de erros individuais, são fruto da irresponsabilidade e da busca voraz pelo lucro em detrimento dos direitos básicos da população, como boas condições de transporte, no caso dos usuários, e de trabalho, no caso dos rodoviários.
A opção criminosa pelo transporte rodoviário, feita há décadas passadas, entupindo as cidades de ônibus e automóveis, levou ao caos os sistemas de transportes urbanos no Brasil e no mundo. As conseqüências são engarrafamentos, poluição, passagens caras, superlotação e estresse generalizado. Acidentes como esse se repetem pelo país afora. Por ano morrem no Brasil mais de 50 mil pessoas em acidentes de trânsito; são mais de meio milhão de mortes em uma década, fora os mutilados ¬– retrato de uma verdadeira guerra!
O lucro, objetivo único dos empresários de ônibus, faz com que os veículos fiquem em péssimo estado, motoristas e cobradores estejam sobrecarregados, usuários fiquem impacientes pelas humilhações diárias que passam nos coletivos.
O PSTU luta pela estatização de todo o transporte rodoviário e pela reestatização do Metrô, das Barcas e da SuperVia e continuamos a defender pelo transporte público seja cobrada uma tarifa social de R$ 1,00.
E há condições para isso; afinal estamos gastando 1 bilhão de reais para “reconstruir” o Maracanã, que havia recentemente passado por uma reforma milionária, para a Copa de 2014, para depois reformá-lo de novo para as Olimpíadas sabe-se lá por quanto mais; tudo isso com dinheiro público, do bolso suado dos trabalhadores.
Por isso, para melhorar o transporte público, defendemos o fim das concessões de serviços de transporte às empresas privadas, pois apenas assim seria possível garantir um transporte de qualidade para os trabalhadores. Além disso, é preciso criar Conselhos Populares, reunindo trabalhadores rodoviários e a população usuária para gerir democraticamente o sistema de transporte. Só assim teremos mudanças significativas, e entrar num ônibus, no metrô, no trem não vai ser mais uma batalha diária.

Eleições: sinais de mudanças

Vitória governista ... mas espaço de oposição de esquerda se amplia

por Eduardo Almeida

• As eleições burguesas expressam de forma distorcida a relação de forças na sociedade. As que estão ocorrendo no Brasil mostram a situação não revolucionária, o peso do governo. Mas também sinalizam perspectivas de mudanças, demonstrando um espaço de oposição de esquerda real no país. 


Existe um marco geral de estabilidade burguesa que explica em grande parte as vitórias eleitorais do governismo (seja federal, estadual ou municipal). Ou ainda, que a amplíssima maioria dos candidatos vitoriosos esteja no marco dos dois blocos burgueses (PT e partidos da base governista de um lado, PSDB e DEM de outro).

Mas houve diferenças com as eleições de 2008, no qual esse governismo teve um peso quase absoluto, com os prefeitos conseguindo se reeleger ou impor seus substitutos em todo o país. Dessa vez, se expressou uma experiência desigual das massas com as prefeituras, a primeira instância do poder visível. A aprovação ou não dos prefeitos atuais, por exemplo, teve um papel central nas eleições de São Paulo e Recife (rejeição a Kassab, do PSD, e João Costa, do PT), assim como na de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre (aprovação de Marcio Lacerda, Paes e Fortunatti).

Existiu também uma ruptura no plano municipal do bloco de partidos de apoio a Dilma. O mais importante foi a do PSB com o PT em Recife, Belo Horizonte e Fortaleza. O PSB venceu nas capitais de Minas Pernambuco e segue na disputa em Fortaleza. Assim cacifa seu presidente, Eduardo Campos, para as eleições de 2014, seja para um lugar privilegiado na chapa comandada pelo PT, seja para o bloco da oposição de direita (com Aécio Neves, do PSDB). 

A possível vitória petista
Está ocorrendo um segundo turno em 17 capitais e muitas outras grandes cidades, que selarão um balanço definitivo das eleições. Qualquer avaliação nesse momento deve permanecer em aberto. Mas algumas hipóteses já podem ser apontadas. 

É provável que o PT vença em São Paulo em função da alta taxa de rejeição a José Serra (PSDB). Caso isso aconteça, pode ser que o PT saia dessas eleições com uma grande vitória. Uma vitória importante no estado de São Paulo (incluindo ABC, a região de São José dos Campos, além de Osasco e Guarulhos) que pode alavancar a disputa pelo governo do estado em 2014. Uma vitória nacional, caso ganhe a maioria das outras disputas municipais. 

Vai se materializar aqui um elemento muito importante da situação nacional: o peso do governo petista. Existe ainda uma alta aprovação de Dilma, que segue com índices próximos a 70% de aprovação. Caso eleja Haddad, Lula terá repetido sua vitória com Dilma, elegendo um antes quase desconhecido na principal cidade do país. 

Existe a possibilidade de uma vitória de conjunto do PT e dos partidos da base governista nessas eleições, selando mais uma derrota da oposição de direita.

Um sinal do novo: o espaço de oposição de esquerda se amplia
Mas existe um elemento novo nessas eleições. O espaço de oposição de esquerda se expressou como não havia ocorrido desde o início dos governos petistas. Em 2006, a maior expressão disso foi Heloísa Helena (6,85%, frente PSOL-PSTU-PCB). Agora houve votações bem maiores em muitas cidades do país. 

A ida dos candidatos do PSOL, como Edmilson Rodrigues, em Belém, e de Clésio para o segundo turno, em Macapá, assim como votações de peso em Freixo no Rio (28%); Roseno (12%), em Fortaleza; e Vera (6,68%), do PSTU, em Aracaju, indicam um dado novo da realidade.

Pode ser que esteja começando a se expressar um desgaste pela esquerda do PT em função da tendência da estagnação na economia que está chegando à consciência das massas. Pode ser reflexo do ascenso sindical existente no país, que apesar de não ser generalizado tem originado enfrentamentos com o governo. Em menor nível, pode ser também reflexo dos desgastes causados pelas denúncias de corrupção no escândalo do mensalão. 

O Brasil está, lentamente, se aproximando da instabilidade internacional. Ainda tem uma economia em crescimento, embora pequeno, um governo de prestígio. Mas existe essa aproximação lenta através das mudanças da economia, no ânimo da vanguarda que acompanha as revoluções no Oriente Médio e Norte da África, assim como as mobilizações dos trabalhadores e da juventude na Europa. 

Mas esse espaço pode sinalizar modificações na realidade política brasileira. Como estamos falando de um fenômeno inicial, de um elemento de transição dentro da situação não revolucionária, tudo isso pode retroceder. Mas é um dado alentador que exista nos dias de hoje, e que sinaliza um processo que pode se ampliar na realidade concreta da luta de classes pós-eleitoral.

Outra coisa é a resposta dada a esse espaço de oposição de esquerda pelos distintos partidos que intervém nessa luta. O PSOL está armando novas frentes populares, bem semelhantes as que foram construídas no passado pelo PT. Em Belém, Edmilson procura o PMDB para costurar uma aliança para o segundo turno. Em Macapá, o PSOL se aliou ao PV, PSB, PRTB. Em ambas as cidades, o PSOL defende um programa que em nada se diferencia dos apresentados pelo PT. Ou seja, o PSOL se apropria do espaço a esquerda para recriar as mesmas receitas do PT.

Ao contrário, o PSTU apresentou candidaturas como as de Vera em Aracaju com um programa classista e socialista, não precisando girar a direita para ganhar votos. Assim também foi em Belém e Natal, com a eleição de Cleber e Amanda, vitórias construídas com um perfil oposto ao do PT e da burguesia. 


  • Editorial: Uma grande vitória no terreno do inimigo
  • Maracanã: Querem privatizar a nossa alegria.

    Por Thiago Hasten



    A década de 90 foi marcada por privatização de grandes empresas estatais, de grande valor estratégico para a soberania do país, como por exemplo, a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, Telebrás, entre outros exemplos. O mais curioso é que tratava-se de empresas altamente rentáveis, abocanhadas por um ferocidade selvagem do capital privado nacional e internacional. Todas elas vendidas na velocidade da luz, por ninharias simbólicas, enfim, a preço de banana. Preço de banana em um país de políticos de banana. 


    Depois de 20 anos a população fez uma experiência traumática com os péssimos serviços realizados pelas empresas privadas, e repudia nas ruas e urnas todos aqueles que ousam reivindica-las. É isso que indica todas as pesquisas de opinião. Não à toa, os candidatos petistas acusam os tucanos de privatistas e vendilhões da pátria. Mera retórica, porque a própria Dilma vendeu nossos aeroportos, estradas, ferrovias e agora se omite e consente a privatização do ex-maior do mundo.

    Não precisa ser um gênio para adivinhar, que por trás da venda inescrupulosa do Maracanã, está Sérgio Cabral e o empresário dono no mundo Eike Batista, pai de um playboy assassino, que matou um trabalhador que andava humildemente de bicicleta. É muita sujeira.

    O blog Eu Sou Flamengo divulgou as condições inacreditáveis que se dará a privatização, ou melhor, a doação: “Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa)”.

    Como se não bastasse, o Maracanã está sendo reformado para atender as exigências da corrupta FIFA, sem levar em consideração as nossas tradições culturais e futebolísticas. Dá para imaginar um Flamengo X Vasco com aquelas cadeiras ridículas no lugar das arquibancadas? Essas cadeiras não são para nós. Essa Copa não é para o povo trabalhador. Será um espetáculo para as classes dominantes, que desconhecem o prazer das arquibancadas, do abraço desconhecido, da  contagiante ola, da chuva de papel picado, da chuva de água molhada, do mosaico, enfim, desconhecem o espetáculo das massas. A burguesia nacional e internacional não sabem o que é torcer. Para eles o futebol é business.

    Estamos no aguardo do pronunciamento da presidenta Dilma, que na verdade permite e incentiva que Cabral faça o trabalho sujo da privatização. A hora é de união de todas as torcidas, de todas as cores, de todos os estados, para impedir que privatizem a nossa alegria.

    Paz entre as torcidas, guerra aos senhores!

    -- 
    @thiagohasten


    PSOL e as alianças com a direita: uma novela que não vale a pena ver de novo

    Campanha de Edmilson veicula
                 apoio de Lula na TV


    Essas eleições municipais, de conjunto, marcaram um aumento do espaço à esquerda no país. Apesar de, num cenário de desaceleração da economia, o governo Dilma manter sua alta popularidade e o PT gozar de significativo crescimento, em geral a oposição de esquerda se fortaleceu.

    Tal espaço pode se comprovar por resultados como o do PSOL, que elegeu 49 vereadores em todo o país e o seu primeiro prefeito em uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro, Itaocara. A candidatura de Marcelo Freixo na capital do estado angariou o expressivo apoio de 28% dos eleitores. Já o PSTU elegeu dois vereadores em duas capitais e teve resultados como o de Vera Lúcia em Aracaju, com 6,68% dos votos, a maior votação da história do partido em um cargo executivo. Em Belo Horizonte, Vanessa Portugal teve quase 20 mil votos (1,55%), num cenário de enorme pressão pelo chamado ‘voto útil’ na candidatura petista.

    O PSOL teve ainda dois candidatos que passaram para o segundo turno em duas capitais: em Belém e Macapá. No entanto, o que poderia significar uma importante vitória para a esquerda socialista e o avanço de um projeto realmente popular em duas capitais, com governos voltados às necessidades da maioria da população, está se tornando em seu contrário. O arco de alianças firmado pelo PSOL nessas cidades indica dois projetos políticos que, se eleitos, não serão alternativa aos partidos tradicionais.

    Em Belém, a propaganda eleitoral com Lula declarando apoio a Edmilson Rodrigues (PSOL) no último dia 21, reivindicando seus mandatos e dizendo que "a boa relação entre os municípios e o Governo Federal é muito importante", chocou boa parte da esquerda, incluindo a própria base do PSOL. Na verdade, o acordo com o PT já havia sido firmado na semana anterior, divulgado em ato público e sem consulta aos demais partidos da frente. A declaração de Lula nesse domingo coroou essa política.

    Além do PT, o partido de Edmilson firmou alianças com o PDT e até mesmo com um vereador do DEM. Diante disso, o PSTU se viu obrigado a romper a coligação, firmada sob o compromisso da independência de classe e do governo. O PSTU já criticava publicamente o financiamento de empresas na campanha do candidato do PSOL, assim como a presença do PCdoB na frente. Agora, as coligações com o PT, o apoio do governo e partidos de direita descaracterizam completamente a candidatura que expressava o sentimento da população, sobretudo mais pobre e humilde, por mudança. O PSTU está chamando o voto crítico em Edmilson, mas alerta que, permanecendo essas alianças, nada vai mudar.

    Já em Macapá a situação é ainda mais dramática, pois a coligação do PSOL se dá com a direita mais retrógrada e oligárquica, de partidos como o DEM, PTB e PSDB. Costurada pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) com a própria família Sarney, a coligação com o candidato Clécio Luís à frente vem provocando uma justa indignação de correntes e militantes do PSOL. E para agravar ainda mais esse cenário, Randolfe no ato público que celebrou as alianças afirmou o seguinte: "Estamos apontando não simplesmente uma aliança política, estamos apontando um caminho político novo no Amapá" (clique aqui para ver o vídeo). Ou seja, para o senador, não se trata apenas de uma coligação eleitoral, mas um novo rumo na política do partido.

    A contradição é ainda maior se recordarmos que Randolfe ganhou notoriedade justamente na CPI que investigava a ligação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o senador cassado Demóstenes Torres, do DEM. Em reportagem da revista Veja, Randolfe defendeu essa política de alianças. "Não podemos ter vocação para ser um PSTU”, disse à revista. Randolfe talvez ache que o PSOL tem vocação para ser um novo PT, pois atua fortemente para que isso aconteça.

    Para onde vai o PSOL?
    Belém e Macapá provocaram o veemente repúdio de vários militantes e algumas correntes do PSOL. O atual presidente do partido, o deputado Ivan Valente, porém, segue defendendo a 'flexibilização' das alianças. "O segundo turno é uma coisa diferente, como vamos recusar apoios?", declarou à Veja. “É preciso trazer recursos, investir nessas cidades. Não dá para ser intransigente" afirmou ainda o deputado, mostrando uma surpreendente guinada à direita e já revelando como será um eventual governo do PSOL.

    A verdade, porém, é que essas duas campanhas constituem um lamentável marco para o PSOL, que refaz em passos rápidos os caminhos do PT. O Partido dos Trabalhadores levou pelo menos duas décadas para se adaptar completamente à institucionalidade e se tornar uma sigla como as demais. O PSOL, insistindo nesse vale-tudo eleitoral, vai completar esse ciclo em um tempo bem menor. Basta lembrar que, da polêmica sobre o recebimento de R$ 100 mil da Gerdau pela campanha de Luciana Genro em Porto Alegre em 2008, até a ampliação dessa prática de financiamento de empresas e coligação com a direita, se passaram somente quatro anos.

    A polêmica agora nem tem mais como centro a prioridade que o PSOL confere às eleições, mas das concessões que está fazendo para eleger. Todo militante honesto sabe que, uma vez eleito, esses apoios e alianças cobrarão seu preço no futuro e esses mandatos, inevitavelmente, acabarão em decepção. Ou seja, nem mesmo como um projeto reformista eleitoral essa política serve. É importante sim eleger parlamentares socialistas que, uma vez eleitos, atuem como tribunos dos trabalhadores. O que não dá para fazer é abandonar os princípios e fazer das eleições um fim em si mesmo, como o PSOL em Belém e Macapá.

    Os dois vereadores que o PSTU elegeu nessas eleições, embora pareça um resultado bastante modesto, foram conquistados através de campanhas sem o financiamento de empresas, alianças com a direita ou o governo, nem rebaixando um programa socialista para as cidades. Ou seja, mostraram que, ao contrário do que se diz, é possível sim eleger sem se vender ou abrir mão de princípios.

    Não se trata aqui de tripudiar sobre o PSOL. A questão é que esse tema não se refere apenas a determinado partido, mas ao conjunto da esquerda socialista. A experiência do PT mostrou como a adaptação e a degeneração de um partido classista, ao invés de fortalecer seus 'concorrentes', traz mais ceticismo à classe, que passa a ver os partidos como 'todos iguais' e cai na prostração. É uma vitória da direita.

    Fazemos um chamado aos militantes honestos do PSOL, para que exijam da direção do partido a mudança nos rumos dessas candidaturas, ou que rompam com o partido. É importante que o PSOL reveja sua política e não trilhe o mesmo caminho do PT. Essa novela, não vale a pena ver de novo.

    LEIA MAIS
    PSTU rompe com frente em Belém e chama voto crítico em Edmilson Rodrigues (PSOL)

    O fenômeno Freixo e a luta pelo socialismo



    O fenômeno Freixo e a luta pelo socialismo
    Esse artigo nasceu da necessidade de realizarmos um debate franco e aberto com vários ativistas, independentes ou do PSOL, que lutam pelo socialismo e hoje depositam suas expectativas no grande apelo de Marcelo Freixo. Respeitamos muito sua trajetória como militante pelos direitos humanos e sua atuação a frente da CPI das milícias, mas nem por isso hesitaremos em fazer uma polêmica dura e sincera com o candidato do Psol. Somos da tradição que consideramos muito frutíferos os debates sinceros e honestos, sem subterfúgios e calúnias, entre a esquerda. Esse debate tem por objetivo ser um ponto de apoio para debatermos qual programa precisamos defender no Rio janeiro para derrotar Paes e o projeto do capital.

    O que expressa a totalidade dos votos de Marcelo Freixo?
    Marcelo Freixo, do PSOL, candidato à esquerda da frente popular apresenta intenções de votos acima dos 15%, quadro que deve se confirmar até domingo. Este fenômeno eleitoral apresenta inúmeras contradições. Muitos afirmam que a dimensão da candidatura de Marcelo Freixo expressa um passo importante na luta dos trabalhadores e jovens em busca da ruptura com o capitalismo na perspectiva de luta revolucionária pelo socialismo. Não acreditamos nessa afirmação. Freixo é um fenômeno eleitoral e midiático forte e quanto fenômeno eleitoral não é fruto de uma mudança na correlação de forças entre as classes na nossa cidade. Apesar do numero de votos, esses votos não expressam um apoio da classe trabalhadora as transformações profundas na sociedade nos rumos do socialismo.
    Esta campanha não reflete com força as principais lutas e enfrentamentos de classe do último período (bombeiros; greve da educação; campanhas salariais; luta contra as remoções), muito menos se construiu por um ascenso da lutas de classes, nem atrai o conjunto dos trabalhadores, em especial, a classe operária. O que é demonstrado, principalmente, pela afirmação pública de Freixo dizendo que depende da situação para que seu governo corte o ponto dos grevistas. Afirma ainda que não existirão greves em seu governo. Tal fato é impossível, pois significaria que a resolução de todos os problemas sentidos pelos trabalhadores se dá pelo seu governo e não pela luta direta da classe trabalhadora.
    A força de Freixo não é produto da luta dos trabalhadores contra a burguesia. É um fenômeno restritamente eleitoral e midiático que tem como base sua superexposição na mídia (tropa de elite 2, a cobertura da grande imprensa, relação com artistas etc), sua atuação na ALERJ e o enfraquecimento da direita. Sendo assim, seus votos são a totalidade dos votos da oposição a Paes.

    As origens e limites do crescimento eleitoral de Freixo
    Há uma contradição no crescimento eleitoral de Freixo. Ao mesmo tempo em que é pautado no rebaixamento programático, é limitado pela força da frente popular. E daí decorre que não adianta o quanto se rebaixe o programa, seu crescimento eleitoral esbarra na força política da frente popular encabeçada por Eduardo Paes, mas sustentada pelo PT e PCDOB. Estes dois partidos, hoje, dirigem o movimento de massas e o conjunto dos trabalhadores. Aí reside a fortaleza política de Paes onde Freixo não consegue entrar.
    Pela fragilidade de uma alternativa forte da direita, que está frágil desde as disputas escandalosas entre Cesar Maia e Garotinho, e que não encontrou apelo com Otavio Leite - de um PSDB em frangalhos - e muito menos com a Aspasia - figura de pouca expressão do PV - Freixo se consolida como única figura viável aos votos de oposição a Paes.  Os votos em Freixo são tanto os a esquerda de Paes, quanto os a direita, já que não há um programa claro sendo defendido em sua campanha. Não é ao acaso o apoio da Andrea Gouvea Vieira, renomada socialite e vereadora do PSDB, que: ou significam um giro a direita no programa do PSOL ou uma concordância desta representante da FIRJAN e da burguesia carioca com o “socialismo” cidadão e republicano pregado por Freixo.

    A base de sustentação e os rumos estratégicos da campanha do PSOL
    Freixo atrai muitos jovens, alguns setores dos trabalhadores e a classe média, a partir de um programa mínimo de enfrentamento com Paes e uma revisão -e não ruptura- do atual projeto do capital para a cidade do RJ. Atrai cada dia mais setores pelo rebaixamento programático e pela adequação ao discurso da viabilidade. Não faz uma campanha balizada no classismo, muito menos, na perspectiva de ruptura para o socialismo. Admite a governabilidade com o capital e a possibilidade de humanização das relações capital-trabalho repetindo velhos erros do PT.
    Como ele mesmo diz, está disputando uma eleição não liderando uma revolução. Há algo nocivo nisso. Tudo que ele diz educa a atual geração de jovens, que fecham com ele, ao reformismo e o respeito a ordem acima de tudo. Freixo educa os que o apoiam ao projeto da viabilidade; de que é possível melhorar o sistema por dentro e sem um luta tenaz da classe trabalhadora – conceito que parece ter abolido. Não basta encantar os jovens e trazê-los ao mundo político se não for sob a perspectiva socialista e revolucionária. A campanha do PSOL é clara: afirma que para resolvermos os problemas da cidade precisamos apenas de vereadores éticos, republicanos e preocupados com o Rio de Janeiro.
    Não adianta aglutinarmos milhões se a razão para isso não for construir uma perspectiva revolucionária real a partir dos problemas mais elementares sentidos pelos trabalhadores e jovens. Quanto fenômeno eleitoral reformista, Freixo reforça a confiança no próprio regime democrático-burguês, como fica claro no trecho abaixo:“A relação com a Câmara de Vereadores, no nosso governo, vai deixar de ser uma feira de cargos e benefícios pontuais, para recuperar a sua condição de “Parlamento”. De “Gaiola de Ouro” queremos ajudar a Câmara Municipal a retomar a denominação de “Casa do Povo”, lugar dos grandes debates e da cultura política da Cidade;” - Governabilidade sem subserviências e clientelismos. Fone:http://www.marcelofreixo50.com.br/programa/198-governabilidade-sem-subserviencias-e-clientelismos.html Acessado em 01/10/2012.
    Muitos nos chamam de utópicos. Mas utópica é essa perspectiva de que é possível reformar e aperfeiçoar as instituições dos ricos. Essa ideia não é nova e remonta ao século XVIII. Temos uma escolher a fazer: ou mudamos a estrutura da sociedade e seu regime político, portanto, as suas instituições a partir de uma revolução social ou novamente a esquerda será tragada pelos palácios, gabinetes e negociatas cumprindo o papel de administrador dos interesses do grande capital com a aparência mais humana como o PT, por exemplo. Nós fizemos a nossa escolha: com a palavra o Psol.

    O Programa do PSOL: de generalidades à concessões ao capital!
    Os rumos estratégicos do PSOL apresentados acima estão condensados no atual programa apresentado para as eleições cariocas. Trata-se de um programa reformista que intercala generalizações com concessões ao grande capital para garantir a governabilidade. Não é um programa igual ao do PT atualmente, mas que se levarmos as últimas consequências guarda similaridades. As pequenas mudanças, no sentido do que é possível fazer num governo sem nenhuma mudança estrutural, lembram as transformações pelo qual passaram o programam do PT ao longo da década de 90 até ficar completamente desfigurado.
    No terreno candente da educação se limita ao aumento gradativo de verbas, “auditar todos os contratos com empresas privadas que apresentarem suspeitas de malversação”, mas não diz uma linha sobre o ensino privado que aprofunda as desigualdades sociais colocando uma disjuntiva entre a educação para os ricos e a educação para os pobres. Para os transportes não propõe acabar com as concessões dos transportes dando fim a máfia da fetranspor, defende Criar imediatamente o Fundo Municipal de Transportes e realizar estudos e planejamentos para a criação de novas categorias de tarifa. Mais do que aumentar o tempo do bilhete único, é possível implementar descontos para usuários mais frequentes que não recebam vale-transporte, tarifas especiais para grandes eventos, entre outras idéias que podem ser desenvolvidas a partir de um domínio público sobre os fluxos financeiros do sistema”. Ou seja, pretende conciliar a concessão privada com tarifas subsidiadas com o dinheiro público a partir da criação de um fundo municipal.
    O que mais preocupa, entretanto, é sua proposta de “Definir diretrizes claras e criar um ambiente de segurança jurídica para empreendedores de todos os tamanhos, sem privilégios”. Aqui parece que a questão da desigualdade do sistema capitalista está no fato dos privilégios que os governos dão aos grandes empreendimentos em detrimento dos pequenos. Para reverter a atual dinâmica do capital se trata de igualar as oportunidades para a pequena e a grande burguesia? Acreditamos que não. Na verdade, se trata de fazer um governo dos trabalhadores atacando o lucro da grande burguesia que goza da riqueza social produzida pelos trabalhadores. A dúvida maior é o que significa: “Criar condições para fazer do Rio um verdadeiro pólo tecnológico global: integração com o Pólo do Fundão, laboratórios da UFRJ, empresas empreendedoras e segmentos industriais de alta tecnologia que quiserem se instalar na cidade”? Criar condições para o desenvolvimento de indústrias de alta tecnologia? Como criará essas condições? Isenção fiscal? Financiamento público? Redução de direitos trabalhistas? Nenhuma afirmação a respeito dessas generalidades. As escorregadas à direita seguem com a Auditoria da dívida pública, a defesa da UPP social, a privatização do saneamento na zona oeste, etc.

    A frente de esquerda no RJ e a viabilidade dos revolucionários nas eleições
    É duro dizer isso, mas, na situação atual que vivemos, os revolucionários aparecem de fato como inviáveis. E não há atalho para a revolução. Aqui não se trata de sermos derrotistas ou fatalistas. Participamos das eleições e temos muito orgulho da campanha que fazemos, buscando incessantemente o voto de cada trabalhador e estudante para o programa socialista que apresentamos. Nestas eleições, em Belém e Natal, o PSTU fará uma votação bastante expressiva. Temos o fenômeno Amanda Gurgel que está entre as candidatas mais citadas nas pesquisas eleitorais para a vereança de Natal. E em Belém a partir de um grande trabalho de base e presença nas lutas da construção civil teremos uma boa votação com o Cléber Rabelo. Além disso, em Aracaju, a partir da frente de esquerda com o PSOL, Vera Lucia do PSTU, atinge 7% para prefeita. Estes fatos demonstram, principalmente, que é possível termos um bom resultado eleitoral sem rebaixar o programa e apontando a perspectiva de uma mudança radical na sociedade.
    O papel dos revolucionários nas eleições burguesas, na atual conjuntura, é apresentar para as massas que a resolução de seus problemas mais elementares para necessariamente pela ruptura com o capitalismo e a construção do socialismo. Os reformistas enxergam que há um grande problema nisso que é o fato de hoje o “socialismo” não dar voto e disso não temos medo.  
    É sabido por todos que queríamos apresentar nossas posições de dentro de uma frente eleitoral com o PSOL no rio de janeiro. O PSOL não só recusou qualquer tipo de debate programático como vetou a frente na proporcional. Sem debate programático a frente seria estéril. Seria uma adesão ao programa do PSOL. Com a negativa da frente na proporcional se expressou ainda com mais força as intenções do PSOL: queriam adesões a campanha do Freixo e não frente política. Talvez poucas coisas sejam tão nocivas a esquerda quanto a arrogância. E esta característica psicológica do reformismo pequeno burguês, na atual campanha eleitoral, cada dia que passa, só cresce.

    Votar útil é votar no PSTU! Contra burguês, vote 16!


    O voto útil e a viabilidade eleitoral no Rio de Janeiro
    O Brasil tem eleições de 2 em 2 anos. Agora estamos vivendo eleições para prefeitos e vereadores. Em 2014 serão para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. E desta forma as classes dominantes (e a maioria da esquerda) semeiam ilusões de que vivemos em uma democracia e que o “voto é a arma do cidadão”.
    Uma geração de combativos militantes que fundaram a CUT e o PT passaram décadas apostando na eleição de Lula para mudar a realidade brasileira. Foram quatro tentativas (1989, 1994, 1998 e 2002) até que se concretizasse o “governo democrático e popular”. Ao longo de todos esses anos o PT foi rebaixando seu programa para ganhar mais votos e se aliando a setores da burguesia para se tornar uma candidatura viável. A expressão máxima dessa política foi a chapa encabeçada por Lula e acompanhada por José Alencar, poderoso empresário têxtil de Minas Gerais. O resultado dessa história você já conhece.
    O discurso do voto útil sempre foi utilizado por partidos maiores para sufocar e calar os partidos de menor expressão eleitoral. Até mesmo o PT teve que enfrentar esse discurso em seu nascedouro contra o gigantesco MDB. Hoje o PT se apoia no voto útil para impedir a “volta da direita” no comando do país. Nós também somos radicalmente contra o retorno da turma do PSDB/DEM e os enfrentamos sem trégua nas cidades e estados onde governam. Em 2014, sem dúvida, o PT utilizará esse mesmo discurso para chamar o voto em Dilma contra a eventual candidatura da direita.
    A classe trabalhadora torna-se então refém desse círculo vicioso infinito e os verdadeiros beneficiados por essa ciranda eleitoral são os ricos e poderosos do país. O voto útil na verdade é útil apenas para os empresários, banqueiros e latifundiários que continuam governando o Brasil. 

    As candidaturas viáveis do PSOL
    Em algumas cidades do país, como o Rio de Janeiro e Belém, o PSOL apresenta candidaturas que pontuam alto nas pesquisas de opinião e passam uma ideia de viabilidade eleitoral, não sem fazer concessões programáticas e ampliar o arco de alianças. No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (18% das intenções de voto) batalhou e conquistou o apoio da vereadora tucana Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), talvez a empresária mais conhecida da cidade. Agora expõe com orgulho o apoio de brizolistas (PDT) como se fossem os paladinos da educação pública. Jefferson Moura, por exemplo, exalta na TV o apoio de Marina Silva à sua candidatura, “esquecendo-se” que Marina enquanto ministra do Meio Ambiente, liberou o cultivo de sementes transgênicas e o arrendamento da mata amazônica às madeireiras. Enfim, a ampliação do arco de alianças expandiu-se à direita, e não à esquerda como gostaria o PSTU.
    Quando chamamos a formação de uma Frente de Esquerda nas eleições para enfrentar Eduardo Paes e sua coligação com 20 partidos, defendemos a construção de um programa classista e socialista bem diferente do defendido por Freixo. 

    Vejamos alguns pontos polêmicos entre PSOL e PSTU:
    a)      O corte do ponto dos grevistas
    Na entrevista ao RJTV da Rede Globo, Freixo foi perguntado pelo repórter se ele teria pulso firme enquanto prefeito diante de uma possível greve. O deputado não vacilou em responder categoricamente que teria pulso firme sim, e foi além. Questionado se cortaria o ponto dos grevistas Freixo afirmou: “Depende, depende da situação. Depende do setor, depende da negociação, depende do que tiver acontecendo”. O PSTU e o PSOL se encontrariam aqui em trincheiras opostas. O PSTU incondicionalmente ao lado dos grevistas, e o PSOL avaliando se cortaria o ponto ou não. 

    b)      UPP’s
    O PSTU é contra a política de segurança pública do Sr. Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame, que tem como carro chefe a Unidade de Polícia Pacificadora, respaldada de amplo apoio nas elites e na classe média, que não toleram a desvalorização de seus imóveis e o convívio com os setores pauperizados da população. A verdade é que aos poucos as comunidades vêm fazendo uma experiência prática com as UPP’s, que dispensa análises de sociólogos, cientistas políticos e advogados ligados aos direitos humanos. Em muitas comunidades visitadas pelo PSTU e Cyro Garcia, se escutou denúncias de moradores que foram violentados, humilhados e tiveram suas liberdades cerceadas pela presença da PM nos morros cariocas. Basta relembrar a moradora da Rocinha que foi estuprada em abril por três policiais do Batalhão de Choque. É evidente que não se pode trocar a opressão do tráfico pela opressão da polícia. Freixo defendeu em seu programa de TV às UPP’s e fez um adendo para que as mesmas levassem também direitos sociais às comunidades. O problema é que a UPP que existe é está que leva terror e inibe as manifestações culturais como os bailes funks, por exemplo. Freixo trabalha com uma lógica evolucionista que é a seguinte: primeiro chega a segurança, depois a saúde e educação. Por que tem que ser assim? O PSTU não concorda com essa lógica, e defende a imediata implantação de todos os direitos sociais nas favelas cariocas e a criação de uma única polícia de caráter civil, eleita democraticamente pelas próprias comunidades, com mandatos revogáveis e controladas pelos moradores. 

    c)       Os contratos, as Organizações Sociais (OS’s) e os serviços públicos
    Os hospitais públicos estão sendo privatizados paulatinamente pelas OS’s, que lucram de forma perversa com o desespero da população desassistida. Os transportes são controlados por uma máfia que trata os trabalhadores como cargas que se amontoam no interior dos trens e ônibus e pagam uma tarifa exorbitante em troca de um péssimo serviço.
    No site de Marcelo Freixo encontra-se a seguinte afirmação: Vamos respeitar todos os contratos! (...) Não se trata de uma “caça às bruxas”, vamos respeitar todos os contratos, desde que estes respeitem os princípios da razoabilidade, da impessoalidade, da moralidade, da eficiência, da economicidade e tantos outros insculpidos na nossa Constituição (...)”.   
    Pois bem, e se os contratos com algumas OS’s respeitarem os princípios da razoabilidade? Afinal, o que seria razoável quando se fala em saúde pública? O problema desses contratos não é somente a sua lisura e transparência entre as partes. Mas sim o caráter privatista que os mesmos apresentam. 
    O PSTU defende a imediata ruptura com a Lei de Responsabilidade Fiscal e a criação de uma lei de responsabilidade social; a estatização completa dos serviços públicos; e o subsídio da prefeitura para garantir as passagens a R$ 1,00.  

    d)      Sobre as remoções
    Pensávamos que no terreno das remoções não teríamos polêmicas com Marcelo Freixo. Afinal de contas, Paes vem promovendo uma política de higienização social e remoções contra os pobres para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas. No entanto, a respeito da remoção da comunidade do Horto, instalada no interior do Jardim Botânico, Freixo priorizou a preservação do parque e deixou em segundo plano a permanência dos moradores que ali se encontram: A área não pode conviver com um número grande de moradores. É um patrimônio tombado. O mais importante é garantir a preservação do Jardim Botânico e de sua área de pesquisas”. Esta primeira declaração repercutiu muito mal. Miguel Baldez – jurista consagrado de grande prestígio nos movimentos sociais e especialista em regularizações de ocupações e assentamentos – disparou furioso em defesa da comunidade do Horto: Não há meias remoções, nem as autorizadas por equivocadas decisões judiciais podem ser admitidas. O povo do Horto aguarda o urgente desmentido do Sr. Marcelo Freixo. Não se pode acender vela a Deus e flertar com o diabo…”. Marcelo Freixo atendeu aos pedidos e finalmente se colocou contra a remoção da comunidade do Horto. 

    O voto útil é no 16!
    Como podemos ver o PSTU e o PSOL têm programas bem diferentes. Podemos até mesmo dizer que são opostos em alguns pontos. E o voto é a de certa forma uma expressão desses programas. Então, se você se identificou mais com o programa do PSOL, vote Marcelo Freixo. Mas se você se identificou mais com o programa do PSTU, vote Cyro Garcia.
    Não vale a pena rebaixar o programa como fez o PT e faz hoje o PSOL em troca de um punhado de votos. Essa prática petista em nada fortalece a luta dos trabalhadores e da juventude. Ao contrário. Deseduca e semeia ilusões que podemos mudar a realidade que nos rodeia através das eleições.
    Abrir mão de nossas ideias a favor de um suposto “voto útil” é apostar na via institucional. O voto nos candidatos do PSTU, mesmo que estes não sejam eleitos, são valiosíssimos porque marcam um diferencial contra o círculo vicioso da democracia burguesa, e fortalecem a construção de uma alternativa socialista e revolucionária em nossa cidade. 

    Contra burguês, vote 16!