PEUGEOT E MAN (EX-VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS)
NADAM EM DINHEIRO NO SUL FLUMINENSE-RJ
Por Elton Corrêa e K. Ramos, de Volta Redonda-RJ
Como era de se esperar, a política de ajuda do governo Lula as montadoras no Brasil encheu os bolsos das grandes multinacionais.
Essa é a realidade das montadoras de carros e caminhões instaladas na região Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro.
LUCROS DA PEUGEOT CRESCEU 69% EM 2010
A empresa de origem francesa, instalada há 10 anos no município de Porto Real-RJ, vendeu no ano passado 174.400 carros, um recorde histórico desde sua implantação no país. Isso fez com que ela abocanhasse uma fatia grande no mercado, passando a ser a 5ª entre as maiores vendedoras e a 1ª se comparada as montadoras instaladas no Brasil a partir da década de 90. Para se ter uma noção da exploração, por hora são produzidos 32 carros, mas a empresa quer aumentar esse número para 60 em 2011.
MAN PRODUZIA 1 CAMINHÃO AO DIA EM 1996, HOJE PRODUZ 300!
A MAN Latin América, de origem alemã, é a fabricante dos caminhões e ônibus Volkswagen. Está há 30 anos instalada na cidade de Resende-RJ. É a primeira na venda nacional de caminhões e a vice-líder no mercado de ônibus desde 1993. Ano passado, suas vendas foram superior 42% sobre 2009. Mas nada disso reflete no salário nem na Participação dos Lucros e Resultados–PLR de seus trabalhadores.
PRA MONTADORAS TUDO, AOS TABALHADORES, NADA!
Diante dos números apresentados, é revoltante saber da proposta apresentada pelos patrões. A MAN ofereceu medíocres 1,5% de aumento real nos salários para 2011, PLR de R$ 4.400,00 e um abono de R$ 1.700,00. Esse valor chega a ser menor do que foi oferecido no ano passado.
Já a Peugeot, ainda não apresentou a proposta oficial, mas já indica que seguirá o mesmo caminho da montadora alemã. A cada dia que passa os metalúrgicos do Sul Fluminense vão chegando a uma triste constatação: patrão não tem coração, só conta bancária!
BRINCANDO COM FOGO!
No dia 08 de fevereiro a MAN levou a apreciação dos trabalhadores a proposta de PLR e reajuste salarial: 2.094 votaram pelo NÃO e 70 pelo SIM. Mais de 95% dos operários deixaram o recado nas urnas. Há uma indignação crescente no chão da fábrica e já cogita-se parar a produção. No final da semana passada ocorreu espontaneamente o atraso de 1 hora na entrada de um turno.
Os metalúrgicos da Peugeot vêem atentos o movimento que está ocorrendo na montadora vizinha e começam a se mobilizar.
SINDICATO ANDA NA CONTRA-MÃO
Infelizmente, o sindicato dos metalúrgicos que é dirigido pela Central dos Trabalhadores do Brasil – CTB, ligada majoritariamente ao PCdoB, não vem fazendo a sua parte, pelo contrário, parece que joga no time contrário. A Peugeot lançou um jornal comemorativo aos 10 anos de existência na região, e em uma de suas páginas encontrava-se destacado a propaganda do sindicato homenageando a empresa por seu “grande feito econômico”. Até o momento o sindicato não mexeu uma vírgula para colocar a campanha salarial e a luta por uma PLR justa em campo.
A oposição metalúrgica, ligada a CSP CONLUTAS, está apoiando os trabalhadores em sua luta, exigindo que a direção do sindicato rompa com essa política de colaboração com as empresas, levando à frente as reivindicações dos operários até as últimas conseqüências, inclusive preparando as condições para uma futura greve unificada da categoria. Esse é o caminho da vitória!


