PEUGEOT E MAN (EX-VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS) NADAM EM DINHEIRO NO SUL FLUMINENSE-RJ


PEUGEOT E MAN (EX-VOLKSWAGEN CAMINHÕES E ÔNIBUS)
NADAM EM DINHEIRO NO SUL FLUMINENSE-RJ
Por Elton Corrêa e K. Ramos, de Volta Redonda-RJ
Como era de se esperar, a política de ajuda do governo Lula as montadoras no Brasil encheu os bolsos das grandes multinacionais.
Essa é a realidade das montadoras de carros e caminhões instaladas na região Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro.
 
LUCROS DA PEUGEOT CRESCEU 69% EM 2010
A empresa de origem francesa, instalada há 10 anos no município de Porto Real-RJ, vendeu no ano passado 174.400 carros, um recorde histórico desde sua implantação no país. Isso fez com que ela abocanhasse uma fatia grande no mercado, passando a ser a 5ª entre as maiores vendedoras e a 1ª se comparada as montadoras instaladas no Brasil a partir da década de 90. Para se ter uma noção da exploração, por hora são produzidos 32 carros, mas a empresa quer aumentar esse número para 60 em 2011.
 
MAN PRODUZIA 1 CAMINHÃO AO DIA EM 1996, HOJE PRODUZ 300!
A MAN Latin América, de origem alemã, é a fabricante dos caminhões e ônibus Volkswagen. Está há 30 anos instalada na cidade de Resende-RJ. É a primeira na venda nacional de caminhões e a vice-líder no mercado de ônibus desde 1993. Ano passado, suas vendas foram superior 42% sobre 2009. Mas nada disso reflete no salário nem na Participação dos Lucros e Resultados–PLR de seus trabalhadores.
 
PRA MONTADORAS TUDO, AOS TABALHADORES, NADA!
Diante dos números apresentados, é revoltante saber da proposta apresentada pelos patrões. A MAN ofereceu medíocres 1,5% de aumento real nos salários para 2011, PLR de R$ 4.400,00 e um abono de R$ 1.700,00. Esse valor chega a ser menor do que foi oferecido no ano passado.
Já a Peugeot, ainda não apresentou a proposta oficial, mas já indica que seguirá o mesmo caminho da montadora alemã. A cada dia que passa os metalúrgicos do Sul Fluminense vão chegando a uma triste constatação: patrão não tem coração, só conta bancária!
  BRINCANDO COM FOGO!
No dia 08 de fevereiro a MAN levou a apreciação dos trabalhadores a proposta de PLR e reajuste salarial: 2.094 votaram pelo NÃO e 70 pelo SIM. Mais de 95% dos operários deixaram o recado nas urnas. Há uma indignação crescente no chão da fábrica e já cogita-se parar a produção. No final da semana passada ocorreu espontaneamente o atraso de 1 hora na entrada de um turno.
Os metalúrgicos da Peugeot vêem atentos o movimento que está ocorrendo na montadora vizinha e começam a se mobilizar.
   
SINDICATO ANDA NA CONTRA-MÃO
Infelizmente, o sindicato dos metalúrgicos que é dirigido pela Central dos Trabalhadores do Brasil – CTB, ligada majoritariamente ao PCdoB, não vem fazendo a sua parte, pelo contrário, parece que joga no time contrário. A Peugeot lançou um jornal comemorativo aos 10 anos de existência na região, e em uma de suas páginas encontrava-se destacado a propaganda do sindicato homenageando a empresa por seu “grande feito econômico”. Até o momento o sindicato não mexeu uma vírgula para colocar a campanha salarial e a luta por uma PLR justa em campo.
A oposição metalúrgica, ligada a CSP CONLUTAS, está apoiando os trabalhadores em sua luta, exigindo que a direção do sindicato rompa com essa política de colaboração com as empresas, levando à frente as reivindicações dos operários até as últimas conseqüências, inclusive preparando as condições para uma futura greve unificada da categoria. Esse é o caminho da vitória!

Direto do Egito - Após 15 dias no Egito, brasileiro volta ao Brasil e faz palestra no Rio

Correspondente do Opinião Socialista registrou os diversos momentos da revolução, dos ataques a jornalistas até a queda de Mubarak


     De volta ao Brasil depois de passar 15 dias acompanhando os atos no Cairo, Luiz Gustavo Porfírio fará palestras nos estados. Nesta sexta-feira, 18/02, às 18h, ele contará a sua experiência em uma palestra no Centro do Rio (Tv. do Paço, 23, 14º andar).Foi incrível poder ver de perto uma revolução acontecendo. E testemunhar a força do povo egípcio, que não desistiu, mesmo depois de quase 300 mortes”, conta. Luiz chegou ao Cairo no dia 2 de fevereiro, horas depois de bandos avançarem contra os manifestantes na Praça, com cavalos e camelos. Neste período, Luiz  esteve diariamente na Praça Tahrir, com os manifestantes que acabaram retirando o ditador Hosni Mubarak do comando do país e enviou notícias através de um blog e uma conta no twitter (@diretodoEgito), onde publicava notícias direto dos atos na Praça. As imagens impressionaram o mundo todo e, junto com as ameaças aos jornalistas, mostraram também o risco que envolvia a cobertura.
     “Passei por muitas barreiras, com homens armados, com barras de ferro. A primeira vez que me senti seguro foi na Praça, após o ato de sexta-feira”, revela. Luiz conta que o povo egípcio e os jovens acampados na Praça Tahrir eram muito solidários. “Foi uma experiência única que aconteceu ali naqueles dias. Uma fraternidade, onde todos participavam, com um só objetivo. Era muito bonito de se ver”, conta.
     Um dos momentos mais marcantes para ele ocorreu na Praça Tahrir, no dia 10, quando Mubarak fez um discurso na TV. “Todos acharam que ele iria renunciar naquele dia, e correram para a Praça. Descobri que é possível juntar um milhão de pessoas em total silêncio”, lembra. A renúncia só veio no dia seguinte, e Luiz estava lá, acompanhando a festa dos egípcios. “Fui abraçado, beijado. Nunca vi tanta alegria reunida”.
     Luiz é historiador e pesquisa a história e a luta do povo palestino. Mesmo deixando o Egito, ele seguirá acompanhando o destino desse país. “Eles conseguiram derrubar um ditador, mas o governo ainda está na mão dos militares". Segundo ele, várias lideranças querem um governo civil no país e todas as liberdades. "Eles não querem uma revolução pela metade”, afirma.
     Ele também estará em um debate nesta quinta-feira (17), em São Paulo. A cobertura completa da viagem está no blog http://umbrasileironoegito.wordpress.com e do twitter (@diretodoEgito), que ele seguirá atualizando nas próximas semanas.

Prefeitura do Rio, através da coerção e da violência, tenta remover comunidade carente no Rio



   Rafael Nunes, do Rio de Janeiro

   Já algum tempo estamos acompanhando, com diversos movimentos sociais e entidades, como a CSP-Conlutas RJ, a Comunidade do Metrô, que se localiza na Radial Oeste, próximo ao Maracanã, estádio que vai ser palco da final da Copa do Mundo. Desde o começo do ano passado, esta comunidade com 4.500 pessoas vem sofrendo com ameaças sucessivas de remoção por parte da Prefeitura do Rio, com o apoio dos governos federal e estadual. Tudo para transformar aquele espaço em palco e circo para os jogos mundiais.
    Como ocorre em outras comunidades, a Prefeitura adotou uma postura intimidatória ao invés de dialogar com os moradores. Desde a primeira vez que as autoridades estiveram presentes na Comunidade do Metrô, sem nenhum mandado judicial ou respaldo jurídico, ameaçaram os moradores e tentam uma remoção a força.
A única saída apontada pelas autoridades é uma mudança para Cosmos, um bairro localizado a 60 km daquela região e infestado por milicianos. Um ato inconstitucional. A maioria dos moradores, sabiamente, recusou a proposta e desde então eles começaram a se organizar e resistir.
    Várias lideranças surgiram. A associação de moradores se reconstruiu com as lutas e o projeto de remoção da Prefeitura foi sendo parcialmente derrotado. As propostas que foram sendo firmadas pelos moradores são a permanência na região e a reurbanização de toda aquela comunidade. Nenhuma mudança para locais distantes e em áreas de riscos.
    Infelizmente, não existe diálogo com os atuais governos quando se trata de defender os mais oprimidos dos grandes interesses corporativos. O secretário de Habitação, em outubro de 2010, criminaliza toda a comunidade ao afirmar que se tratava de uma invasão informal e que todos seriam removidos. Passaram-se cinco meses e com toda a selvageria da Prefeitura apenas 70 famílias foram removidas para Cosmos.
    Muitos voltaram por conta das fortes taxas de cobrança que estão sendo obrigados a arcar. Os governos, entendendo o risco de serem derrotados pela organização popular, modificaram temporariamente o projeto de remoção forçada para Cosmos e partiram para dividir o movimento através de pequenas concessões e intimidações. A primeira foi conceder para 40 famílias sorteadas, em um universo de 670 famílias, o direito de morar nos conjuntos habitacionais da Mangueira, comunidade vizinha a do Metrô.
    Uma reivindicação dos movimentos sociais que a Prefeitura não atendeu por completo tentando dividir o movimento. Comemoramos as 40 moradias, mas exigimos a permanência de todas as 670 famílias naquela região. Sabemos que na Mangueira não há casas populares para todos e por conta disso exigimos também a construção de todas as casas necessárias com a participação dos moradores.
    Outra tática fascista da Prefeitura do Rio tem sido a coerção. No sábado, 12, e na segunda-feira, 14 de fevereiro, a Prefeitura começou a demolição de dezenas de casas na comunidade, dos moradores sorteados para as habitações populares na Mangueira. Mais uma vez sem nenhum documento de interdição ou autorização para aquela ação, começaram a quebrar paredes, tetos, janelas e portas de diversas casas comprometendo a segurança, a saúde e a habitação dos moradores que lá permanecem, já que as construções estão todas coladas. Um ato completamente selvagem e ilegal que coloca em risco a vida de famílias inteiras.
    Pessoas passavam no meio de escombros e pancadas de marretadas que colocam paredes inteiras abaixo. Estivemos presentes, na segunda-feira, com apoio jurídico da CSP-Conlutas e por algum tempo conseguimos paralisar as demolições. A polícia foi chamada e como força do estado, infelizmente, para garantir a continuidade da quebradeira. A subprefeitura apareceu para ameaçar os moradores, alguns passando mal, que reclamavam do barulho, da poeira e entulho que entravam nas casas.
    Intimidaram ainda os que protestavam conosco dizendo que se continuassem não teriam moradia em nenhum local. Sabemos que a Prefeitura corre contra o tempo para garantir aquele espaço, palco da final da Copa do Mundo, “limpo” de pobres e oprimidos.
    Esta semana será de mais uma rodada de negociação com a Prefeitura através da articulação da associação de moradores, CSP-Conlutas e do gabinete de alguns deputados. Exigimos que se pare com a quebradeira das casas enquanto não se resolver a questão de todos os moradores. Queremos ainda a permanência de todas as famílias carentes na região, uma reurbanização com a participação da associação de moradores e nenhuma cobrança de taxa.
    Fazemos ainda um chamado para todos os setores de esquerda a visitarem e apoiarem a luta da comunidade contra a barbárie. Infelizmente nenhum vereador ou deputado esteve presente apoiando a luta daquelas famílias. É visível a ilegalidade daquelas ações onde as famílias estão sendo coagidas a aceitar as condições da Prefeitura que violam o direito dos moradores de ficarem em suas casas e as leis orgânicas do município. É fundamental e necessária uma grande articulação de todos os lutadores para impedir os projetos de limpeza étnica que os governos fazem visando “embelezar” a cidade para os Jogos Mundiais.
    Nos vídeos e fotos, é possível ver a barbárie cometida pelas autoridades governamentais. As imagens são bastante fortes e mostram moradores desesperados e passando mal enquanto a polícia garante que a prefeitura derrube casas no meio das moradias ocupadas.

VEJA O VÍDEO:

Reunião nacional da CSP-Conlutas prepara resistência contra anunciados ataques do governo Dilma

www.conlutas.org.br

   Nesses dias 4, 5 e 6 de fevereiro, a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, em São Paulo, reuniu 194 pessoas entre representantes e observadores credenciados de todo o país. Eram representações de sindicatos, minorias sindicais, oposições, movimentos populares, de lutas contra opressão e estudantes.
    A manhã de domingo foi dedicada à apresentação e votação dos relatórios das reuniões setoriais de trabalho, além da aprovação das resoluções referentes aos temas debatidos nos dois dias anteriores.
    A reunião foi palco de ricos debates. Entre eles a situação internacional a partir da crise econômica, os ataques aos trabalhadores, assim como sua resistência; além do apoio à revolução democrática que vem ocorrendo no Egito e em diversos países árabes.
    No ponto nacional o centro do debate foram os ataques que o governo Dilma Roussef pretende fazer aos trabalhadores brasileiros em decorrência da crise e a organização da resistência a esses ataques por meio da unidade dos setores que querem lutar. Entre as atividades organizadas há a abertura da campanha salarial dos servidores públicos federais, em 16 de fevereiro, em Brasília, e o ato conjunto de diversas entidades em defesa dos direitos e da aposentadoria no dia 24 de fevereiro em Brasília também. Além dessas atividades já há um calendário de lutas que será divulgado juntamente com as resoluções da reunião.
    A Coordenação aprovou ainda a continuação da Campanha de Solidariedade Classista às Vitimas das Enchentes, assim como o repúdio à presença da Polícia Militar, as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) nos morros cariocas.
    A reunião também fez uma avaliação de sua implantação nos estados e aprovou a realização as plenárias ou reuniões de Coordenação Estadual para eleger suas respectivas secretarias e conselhos fiscais nos estados que ainda não o fizeram. Também será discutida a data para o próximo congresso nacional da Central.
    Houve ainda informe da reunião sobre a reorganização com setores de esquerda, Intersindical, Unidos pra Lutar e TLS, com respectivos pontos de acordo para debate.
    A reunião debateu e aprovou o relatório do Conselho Fiscal e de finanças, assim como os relatórios decorrentes dos debates das setoriais de trabalho – Mulheres, Negros e Negras, GLBT, Aposentados, Saúde, Servidores Públicos Federais - e inúmeras moções. 
   Todas as resoluções serão publicadas em breve na página da CSP-Conlutas e enviadas pela rede.

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PSTU E JORNAL OPINIÃO SOCIALISTA ENVIAM CORRESPONDETE AO EGITO

Vídeo Um Brasileiro no Egito 1
Primeiro dia do enviado especial do Opinião Socialista no Egito. Nesta primeira conversa, Luiz Gustavo mostra o clima no país após os ataques de partidários da ditadura na Praça Tahrir. Correspondente do PSTU foi parado em bloqueio nas estradas e dormiu no aeroporto do Cairo. Ouça a conversa. Saiba mais em www.pstu.org.br e no blog da viagem.


Vídeo Um Brasileiro no Egito 2 
Conversa por telefone com Luiz Gustavo Porf'irio, enviado do Opiniao Socialista ao Egito. Ele conta como foram os protestos nesta sexta, 4 de fevereiro, na Praca Tahir.


Video Um brasileiro no Egito 3 
Direto da praça Tahrir - Correspondente do Opinião Socialista no Egito mostra as mobilizações nesta terça, 8, exigindo a saída de Mubarak. Neste dia, cerca de um milhão e meio de pessoas comemoraram a libertação de 34 presos, entre eles o executivo do google, simbolo dos protestos.




* Acompanhe também seus relatos pelo blog Um Brasileiro no Egito  e pelo twiiter @diretodoEgito


Declaração da LIT-QI: Fora Mubarak! Pelo triunfo da revolução egípcia e árabe!

   Há um processo revolucionário que se expande por todos os países árabes. A partir da Tunísia, onde a mobilização popular derrubou o ditador Ben Alí, depois de 23 anos no poder, foi se estendendo como um rastilho de pólvora, provocando mobilizações contra governos ditatoriais em vários países árabes, laicos ou religiosos, "republicanas" ou monárquicas, desde a Mauritânia até o Iêmen, passando pela Argélia e Jordânia.
    O que tem impulsionado esse processo tem sido o aprofundamento da miséria como conseqüência dos efeitos da crise econômica mundial, com crescimento da desocupação e a alta dos preços dos alimentos devido à profunda dependência desses países ao Imperialismo.
    Esse processo revolucionário caiu com uma força gigantesca no país mais importante da região, o Egito. Faz vários dias que explodiu um grande processo revolucionário, que começou com vários milhares de pessoas nas ruas do Cairo e outras cidades do país, e foi se estendendo chegando a milhões no dia 1º de fevereiro, tendo como centro a exigência da renúncia do ditador do país. Apesar da repressão, que já provocou 140 mortes, segundo a versão oficial, a revolução não se deteve e se radicalizou depois de cada anúncio de supostas mudanças por parte de Mubarak, que trata por todos os meios se manter no poder.
    Se Mubarak cai como resultado da ação revolucionária das massas egípcias, isso teria uma imensa repercussão e aprofundaria a revolução árabe. Ao mesmo tempo, colocaria em crise todo o dispositivo imperialista de controle da região, do qual o regime Mubarak é uma peça chave. Principalmente, colocaria em risco a existência do Estado de Israel. Por isso, o governo israelense de Benjamin Netanyahu tem expressado sua preocupação e apoio a Mubarak.
    Esse processo revolucionário que tem seu eixo nas reivindicações democráticas pode afetar diretamente também os regimes teocráticos como o do Irã (que reprimiu duramente há dois anos as mobilizações que houve contra a fraude eleitoral e por liberdades democráticas). Assim como pode afetar as organizações islâmicas como o Hamas e Hezbolah. Por isso não é de se estranhar que, quando se realizaram manifestações de apoio à revolução egípcia nos territórios ocupados, elas foram reprimidas pelo Hamas em Gaza. Hamas fez o mesmo que o agente do imperialismo na Cisjordânia, a ANP (Autoridade Nacional Palestina).

Egito: país chave do mundo árabe
    Egito é o país árabe mais populoso, com mais de 80 milhões de habitante: um de cada três árabes é egípcio. A importância desse peso populacional se expressou também na vida e nos processos políticos do mundo árabe.

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Na posse dos deputados, manifestantes protestam contra aumento abusivo dos salários

Detalhe de manifestação em frente ao Congresso
Protesto exigiu o mesmo aumento no valor do salário mínimo
 Da redação

   Enquanto os deputados tomavam posse do novo mandato no Congresso Nacional, do lado de fora manifestantes protestavam contra o aumento abusivo dos salários dos parlamentares, aprovado no final da última legislatura.
    Cerca de 200 manifestantes, entre ativistas da CSP-Conlutas, ANEL, PSTU, Rede Estudantil Classista, entre outros que compõem o “Comitê contra o aumento dos Parlamentares de Brasília”, expressaram indignação frente ao aumento de 62%, que elevará os salários para quase R$ 27 mil.
    Os manifestantes saíram da rodoviária de Brasília e percorreram em passeata até o Congresso Nacional. Com faixas e cartazes, os manifestantes compararam o valor do salário dos deputados com o salário mínimo que o governo admite dar, de apenas R$ 545.
    Um manifesto foi distribuído exigindo a imediata revogação do reajuste aos deputados, e um aumento de 62% no salário mínimo, rumo ao mínimo definido pelo Dieese. O texto denunciava ainda o corte no Orçamento anunciado pelo governo a fim de fazer superávit primário.

Manifestantes reivindicam aumento do mínimo no Ministério do Trabalho
    “Embora pequeno esse grupo aqui representa melhor o povo brasileiro do que quem está lá dentro. A maioria da população está muito irritada com isso”, disse Zé Maria, dirigente da CSP-Conlutas e do PSTU, à imprensa. Logo depois, o grupo foi até o Ministério do Trabalho, onde ocupou todo o saguão de entrada, exigindo reajuste digno ao salário mínimo.
    Assim que terminou o ato, Zé Maria participou de uma reunião com a OAB a fim de definir novas ações na Justiça contra o aumento dos deputados.
    Além do ato em Brasília, também ocorreram manifestações no Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba, enquanto ocorria a posse dos deputados estaduais. No twitter, internautas digitaram a tag #contraoaumento como forma de protesto. 

AINDA:

VEJA TAMBÉM VÍDEO: Protesto no RJ contra o aumento dos deputados


RELATO: Militantes do PSTU participam de comboio solidário organizado pela CSP Conlutas

Pessoas ainda usam máscaras contra contaminação

Diferentes do centro de Nova Friburgo, periferia e bairros afastados se encontram em completo abandono pelos governos
Rafael Nunes,

   Estivemos novamente em Nova Friburgo, dessa vez junto a um comboio organizado pela CSP-Conlutas RJ, através de doações financeiras e de donativos de sindicatos e ativistas de todo o país. Saímos na quinta-feira, 20, com aproximadamente oito toneladas de alimentos, roupas e materiais de higiene e limpeza.
Graças à solidariedade dos moradores da Comunidade do Metrô, que cederam um caminhão-baú de mudanças, foi possível levar todas as doações. Essa comunidade, mesmo estando ameaçada de remoção pelos governos, por conta dos jogos olímpicos, não só não deixou de ajudar como também foi fundamental com o auxílio do veículo. Retirar todos os mantimentos e garrafas de água, assim como todas as doações que se encontravam nas sedes da CSP-Conlutas e do Sindisprev RJ, exigiu o esforço de muitos militantes.
    Chegar à cidade após uma semana das tragédias já é bem mais fácil e, com uma trégua das chuvas, o sol incandesce, as ruas secando rapidamente, as lamas que viram nuvens de poeira, de cheiro envelhecido, levantadas por carros e caminhões. Praticamente toda a população usa máscaras cirúrgicas para conseguir respirar em meio a essas neblinas de terra.
    O centro de Friburgo, diferentemente da semana passada, quando militantes do Rio foram localizar companheiros na cidade e atestaram cenas de calamidade com ruas, prédios e casas cobertos de lama, carros soterrados e prédios inteiros que vieram abaixo, dessa vez essa localidade se encontrava em rápida recomposição. A passos largos, os governos vão limpando e reconstruindo a vitrine da cidade.

Ao chegar a Friburgo, fomos encaminhados à sede do Sindicato dos Metalúrgicos onde iríamos obter informações e orientações de como seria feita à entrega dos donativos. Lá, recebemos a informação de que iríamos a um bairro operário chamado Parque Califórnia que, diferentemente do centro, se encontrava assim como outros, em completo abandono.
    Em alguns bairros mais afastados, havia a preocupação com a segurança devido a relatos de saques feitos por moradores que ainda não tinham visto a presença dos governos após dias dos acontecimentos das tragédias. As cenas que nós nos deparamos, ao sair do sindicato em direção ao bairro afetado eram aterrorizantes. A máxima de que o povo pobre e da periferia sofrem muito mais durante as tragédias, mediante ao abandono dos governos, pode ser comprovada na prática.
    Encontramos diversas encostas com entulhos de construções, casas inteiras dentro de um rio, carros ainda submersos em lama e entulhos. Em alguns locais, cenas de profunda tristeza devido a corpos que ainda permanecem soterrados. Muitas histórias de sobrevivência contadas pelos moradores impressionaram. Completamente abandonados à própria sorte, durante os temporais, se viraram sozinhos para conseguir escapar do maremoto de água e da avalanche. Em alguns locais, como uma casa que visitamos, a água chegou até o quarto andar, invadindo o quarto de uma senhora que sobreviveu agarrada a um colchão.
    Depois de algumas dificuldades, de vencer os obstáculos das chuvas e de pequenas ruas e vielas de barro, chegamos a uma grande encruzilhada ao pé de um morro. Paramos os veículos e em pouco tempo uma enorme fila foi sendo organizada em frente ao caminhão. Sem nenhum problema ou confusão fizemos toda a distribuição de cestas básicas, garrafas de água, fraldas, absorventes e preservativos. As roupas e os produtos de higiene e limpeza seriam distribuídos no domingo, devido à necessidade ainda de separação.
   Depois de algumas horas, de toda a distribuição daqueles mantimentos, seguimos no final da noite novamente para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos para uma reunião de balanço e de iniciativas. Uma reunião bastante cheia, que comemorou o sucesso do comboio. Os militantes dos sindicatos combativos da região agradeceram a todos e todas pela solidariedade.
    Foi apontada a necessidade de continuar a recolher donativos para um outro comboio para a região, em duas semanas, através de um comitê de solidariedade com entidades de fora e de dentro de Friburgo. A criação ainda de uma associação de pessoas atingidas pelas chuvas para brigar pelos direitos dos moradores e culpabilizar os governos por todas essas tragédias.
    Foi citada, ainda, a necessidade de encontrar e organizar todos os ativistas lutadores da cidade que ainda estão incomunicáveis ou desaparecidos. O Sindicato dos Metalúrgicos de Nova Friburgo permanecerá aberto para organizar os ativistas e servir de base de apoio para as doações.
    Só as organizações de esquerda podem lutar pelos direitos dos moradores atingidos
Após duas semanas das tragédias, os governos, junto com setores da imprensa, tentam o máximo possível tirar o foco das catástrofes, fazendo, como sempre, maquiagens e retoques. É fundamental que os partidos políticos de esquerda, organizações sindicais e populares e ativistas estejam próximos a uma realidade que não está mais nos jornais, mas que se está ainda bastante presente.
    O PSTU, mais uma vez, esteve em Friburgo e viu as péssimas condições em que se encontram os trabalhadores das regiões periféricas atingidas pelas chuvas e a falta dos serviços mais básicos de ajuda à população. O número de mortos, desalojados e desabrigados, que é muito maior do que os números oficiais, caminha junto com a falta de investimentos dos governos federal, estadual e municipal em obras de prevenção e reforma urbana.
    Na medida em que as notícias não vão se pautando mais pela realidade dos mais carentes, menos ainda os governos vão se vendo obrigados a melhorar as condições de vida dessa população. É necessário organizar as entidades sociais e reagrupar os trabalhadores de todas as regiões atingidas, para que nunca mais sejam esquecidos e que tragédias sociais como essa não aconteçam mais.

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