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Quem é o mais prejudicado com as chuvas no Rio de Janeiro?

PSTU-RJ

Destruição causada pela chuva na serra fluminense
Lamentavelmente, a história se repete todos os anos. Com a proximidade do verão, os temporais atingem o estado do Rio de Janeiro e, como sempre, são os trabalhadores que sofrem, que perdem suas vidas, seus bens, suas casas.

Esta semana, o estado do Rio de Janeiro foi atingido por um forte temporal. Em Macaé, houve morte e centenas de desabrigados. Em Nova Iguaçu, Belford Roxo, Japeri, Queimados e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, mais mortes e milhares de desabrigados. Na capital, bairros inteiros ficaram embaixo d’água.

As duas principais rodovias, Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra, ficaram várias horas interditadas por terem bolsões de água em vários pontos, impedindo deslocamento de caminhões, ônibus e carros de passeio. Um verdadeiro absurdo. Milhares de pessoas presas, sem poder se deslocar. Pessoas sendo obrigadas a subir em cima dos ônibus para não se afogarem.

Bairros como Pavuna, Jardim América, Fazenda Botafogo, Madureira, Complexo do Alemão, Bonsucesso, Manguinhos, Jacaré, Jacarepaguá e vários outros, tiveram alagamentos com prejuízos incalculáveis a milhares de trabalhadores. A enchente destruiu móveis e eletrodomésticos. Para muitos, foi a destruição não só das casas mas dos sonhos de um 2014 melhor do que 2013.

Agora são milhares sem casa. Os que têm casa, não têm móveis. Muitos perderam o carro usado, que não tinha seguro. Alguns ainda têm de pagar o financiamento ao banco. Tudo isso por irresponsabilidade do governador Sergio Cabral e do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, dos empresários e políticos corruptos.

O país da Copa é o país da corrupção e do descaso com os trabalhadores
Não podemos ter dúvidas. DilmaRousseff, Cabral, seus prefeitos e parlamentares são os responsáveis. Há mais de quatro estão queimando bilhões de reais em obras. Mas o que se vê são as empreiteiras enriquecendo, são obras sem licitação, estruturalmente erradas e, principalmente, obras que não são prioritárias. Por que derrubaram a Perimetral? Por que as novas casas no morro do Bumba desabaram antes de os moradores entrarem nelas? O que pode explicar uma via como a Avenida Brasil dez horas submersa? A novíssima Binário, no porto, ficar alagada? Uma das explicações é o descaso com o estado do Rio, com as nossas vidas.

No Complexo do Alemão, mais de 400 pessoas ocupam a Biblioteca da região. Não recebem socorro da parte do Estado e da Prefeitura. Tem sido assim sempre. Agora, os governantes dizem que tomarão medidas de emergência para que tais coisas não voltem ocorrer. Dá pra confiar? Por que não tomaram antes?

Depois do desastre, dos prejuízos e da justa indignação com eles, estes corruptos demonstram preocupação. É óbvio que as obras prioritárias não foram feitas. O simples recolhimento do lixo nos bairros pobres não é feito. As dragagens dos rios e a construção de estrutura de escoamento para as águas pluviais passam longe de ser prioridade de Cabral, Paes e demais prefeitos do estado.

Dilma, que aplica a mesma política nacionalmente, se junta com Cabral e Paes para reprimir os saques produzidos pelos moradores atingidos pelas enchentes. Fazem cara de espantados com os justos protestos que explodem espontaneamente em vários lugares do estado, motivados unicamente pela revolta de ter perdido tudo.

Não é da Força de Segurança Nacional que o estado do Rio precisa. Precisamos de um governo que governe para os trabalhadores, para a juventude e para o povo pobre. Não queremos polícia nacional, para além de tudo que já estamos passando, nos reprimir. O que nós queremos e precisamos é morar em áreas seguras para criar nossos filhos sem o risco de desabamentos de encostas, de desabarem nossas casas. Queremos, e precisamos que o dinheiro que pagamos em impostos não seja roubado pelas empreiteiras e pelos governos através dessas obras de fachada que, quando chega a temporada de chuva, se mostram ineficientes.

Os moradores atingidos pelas chuvas e pelas enchentes têm sim direito de protestar ao terem sede e fome, de água, comida e justiça. Os governantes precisam parar de lamúrias e conversa e garantir remédios, água, comida e o que mais for necessário.

Fora Cabral e Eduardo Paes
O PSTU há três anos defende que Sérgio Cabral não tem autoridade para dirigir o nosso estado. Não pode ser governador quem bate em professor, quem se envolve em negócios nebulosos com empreiteiras, quem privatiza o Maracanã.

Não podemos nos calar diante de mais uma tragédia anunciada que poderia ser evitada e que trouxe desespero para milhares de famílias. É necessário que todas as famílias atingidas tenham imediatamente e sem burocracia um aluguel social de R$ 1.000. Todos os atingidos pelas enchentes que tiveram os seus bens perdidos têm de ser indenizados imediatamente pelo Estado e pelas prefeituras sem nenhum custo para a população.

Todos que se encontram em área de risco têm de ser removidos para locais seguros e que sejam construídas moradias em locais apropriados. É preciso exigir o fim das obras de fachadas que só favorecem as empreiteiras e um plano de obras públicas para evitar novas enchentes.

O PSTU defende a saída imediata do Governador Sergio Cabral e o responsabiliza por mais esta tragédia. Denunciamos a tentativa de Dilma e do governador Sergio Cabral de criminalizar os atingidos pelas chuvas. É necessário exigir que não sejam enviadas polícias nem a Força de Segurança Nacional. O que a população precisa é de água, comida, medicamentos, roupas e outros artigos, não de repressão.


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PSTU faz campanha de solidariedade as vítimas das chuvas de Macaé

O PSTU esteve no Morro de Santana, local onde morreu o pequeno Tiago e muitos moradores perderam tudo o que tinham após as fortes chuvas do dia 02/12/13 em Macaé. Tragédias como essa vitimaram milhares no Morro do Bumba em Niterói, na Região Serrana do Rio e na Baixada Fluminense no início do ano. Essas catástrofes não são naturais, tratam-se da pior consequência da exclusão social e da falta de investimentos nas periferias de todas as cidades brasileiras.



Veja também: Sabrina Luz entrevista Marcos, morador do Morro de Santana, Macaé-RJ
Sabrina Luz entrevista Marcos Francisco dos Reis, morador do Morro de Santana-Macaé, que ajudou a socorrer seus vizinhos: um casal com 4 filhos, uma das crianças era Tiago, de 6 anos, que infelizmente morreu. Toda a solidariedade aos desabrigados! Essa tragédia não é natural.

PSTU presta solidariedade aos desabrigados das chuvas de Macaé


Os militantes do PSTU estiveram na manhã desta terça-feira, 03/12, no Colégio Ancyra Pimentel para levar uma primeira doação do partido aos desabrigados das chuvas de Macaé. “A solidariedade aos desabrigamos é o mínimo que podemos fazer. Convocamos todos os nossos companheiros a organizarem em seus locais de trabalho e com os amigos, uma rede de coleta para ajudar essas famílias”, afirmou, o petroleiro Mateus Ribeiro.

Sabrina Luz, coordenadora do SEPE-Macaé e militante do PSTU, também esteve presente nesta manhã no Colégio Ancyra levando solidariedade aos desabrigados e afirma: “Estamos articulando como SEPE a campanha de doações para os desabrigados, mas é importante destacar: a tragédia causada pelas chuvas não é natural! É consequência da falta de investimentos na periferia da cidade, é causada pela miséria que obriga milhares de pessoas a terem que viver em lugares perigosos. Para que este sofrimento não se repitam Aluízio precisa iniciar emergencialmente um plano de construção de bairros populares planejados, com plena infraestrutura urbana e os primeiros beneficiados devem ser os desabrigados”

Chuvas no Rio: Mais uma vez, população é vítima do descaso dos governos

                                                  Van cai em rua alagada do bairro de Xerém, em Duque de Caxias


Mal chega o ano de 2013 e as tragédias naturais já tomaram conta do estado do Rio. Desta vez, são as cidades de Angra dos Reis, Belford Roxo, Duque de Caxias, Petrópolis e Teresópolis que sofrem com o descaso dos governos.

Neste período, a população do Rio sofre com as chuvas de verão. De poucos anos para cá houve, deslizamentos em diversos morros da Cidade Maravilhosa, no morro do Bumba em Niterói, além da tragédia na Região Serrana, todos com o mesmo saldo: pessoas mortas, desaparecidas, desalojadas, muitas vezes perdendo tudo que tinham. Apesar da recorrência, nada é feito pelos governos municipais, estadual e federal.




Todos devem se lembrar do drama vivido pelos moradores da Região Serrana afetados pelas chuvas que fizeram desabar morros inteiros durante aquela sinistra madrugada de 12 de janeiro de 2011, matando milhares de pessoas. Quando estouraram os fatos, os políticos de plantão logo vieram à luz das câmeras e holofotes da mídia para culpar a natureza, esquecendo-se de que foram e são responsáveis pelo caos provocado pelas chuvas. Realmente, a chuva não pode ser evitada, é um fato. Mas isso não pode servir de desculpa para a apatia de governos omissos e corruptos.

Sabe-se que existem tecnologias e medidas, desde as mais simples às mais complexas, para prevenção de desastres naturais que já deveriam estar em pleno funcionamento em todas as cidades do país e não estão. Infelizmente, quem paga o preço é o trabalhador, que não pode morar num terreno que ofereça segurança e é empurrado para os piores lugares para se viver nas cidades: encostas e despenhadeiros sem o mínimo de condições de serem habitados.

Os recursos provenientes do governo federal são escassos, e são, muitas vezes, desviados, como ficou evidente em Nova Friburgo. Em 2011, o governo da presidente Dilma orçou os insuficientes R$ 442,5 milhões para o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, quando, na verdade, se precisaria de muito mais num país de dimensões continentais que todo ano é atacado pelas chuvas, secas, geadas, queimadas e erosões de todo tipo. Para piorar a situação, o governo federal executou apenas 40% do referido valor, sendo que ao estado do Rio de Janeiro se destinou apenas 0,6%.

Não podemos mais deixar que aconteça novamente o que aconteceu na Região Serrana, onde dois anos depois das enchentes nenhuma casa foi entregue aos desabrigados. Nós, do PSTU, somos solidários à população das áreas atingidas e convocamos os trabalhadores a organizarem-se para garantir seus direitos.

Baixada: trabalhadores são as vítimas
Dessa vez, Duque de Caxias foi o município que mais sofreu com essas primeiras chuvas do ano. Os rios Saracuruna, Inhomirim e Capivari transbordaram devido ao excesso de chuvas. Em Xerém casas foram destruídas, ruas sumiram, há pessoas desaparecidas e mortas.

As autoridades afirmam que a tragédia em Duque de Caxias foi fruto de uma cabeça d’água, ou seja, acúmulo de água que aumenta o nível dos rios e desce em forma de enxurrada arrastando tudo que vê pela frente, incontrolável. Entretanto, se esquecem de mencionar também são responsáveis pelas consequências desse fenômeno.

É sabido que o lixo não é recolhido de forma correta há meses em Duque de Caxias, ficando entulhado pelas ruas. Esse lixo dificultou o escoamento da água e, junto com a lama, invadiu ruas, destruiu casas e matou pessoas. Por isso, ao contrário do que querem fazer crer as autoridades, nada disso é fruto dos desvarios da natureza ou destino divino. O ex-prefeito Zito está com as mãos sujas desse sangue, pois até o dia 31 de dezembro de 2012 era o responsável pelo acúmulo de lixo pela cidade que, além de ajudar a causar a tragédia, ainda piorou os seus efeitos, trazendo sérios riscos de doença para a população.

O governo do Estado, de Sérgio Cabral, chega ao seu sexto ano batendo todos os recordes quando o assunto é descaso com os riscos das chuvas de verão. A tragédia de Xerém se junta a tantas outras com o mesmo desfecho: morrem centenas de pessoas, famílias perdem tudo e não se faz nada.

Os políticos responsáveis pela aplicação das verbas na prevenção de acidentes naturais, coletas de lixo e saneamento básico que não o fizeram devem ser responsabilizados pela tragédia e presos.

História se repete em Teresópolis e Petrópolis
Mais uma vez a tragédia bate à porta de Teresópolis e Petrópolis. Essas cidades atravessam novamente um período difícil com chuvas fortes, que provocam deslizamentos de terras, mortes e destruição. Fica evidente o descaso dos governos que seguem no poder na cidade.

Arlei Rosa (PMDB), atual prefeito de Teresópolis, era vereador na época da tragédia em janeiro de 2011, quando o então prefeito Jorge Mário (PT), cassado por corrupção, permanecia no executivo. O que esperar de um governo que participou e foi conivente daquele caos? Até hoje não existe uma casa sequer construída para os afetados que perderam suas residências naquele ano. E já estamos em 2013! Exatamente dois anos vão se completar, e nada...

As notícias que chegam de Petrópolis e Nova Friburgo também mostram que nada é feito para prevenção de desastres naturais. Além das chuvas de dois anos atrás na região serrana que provocou um dos maiores desastres naturais do Brasil, em 6 de abril de 2012, mais chuvas provocaram mortes e destruição em Teresópolis. Diversos pontos foram atingidos, mas é como se nada tivesse acontecido. Um dos bairros mais afetados, Santa Cecília, onde inclusive uma senhora perdeu sua vida, nada foi feito, além de asfalto na época de campanha, a instalação de sirenes e uma placa que faz alerta sobre riscos das chuvas de verão.

Agora as chuvas estão voltando. Se dependermos da vontade dos governos municipal, estadual e federal, a tragédia se repetirá.

Diante do estado de urgência o PSTU propõe
– Executar um plano de obras públicas para prevenir novos deslizamentos, limpeza e canalização de rios e córregos e obras de escoamentos das chuvas.

– Reconstruir imediatamente hospitais, escolas, creches, pontes.

– Construir de moradias populares com investimento maciço em saneamento básico em quantidade suficiente para combater o déficit habitacional e a especulação imobiliária, garantindo moradias dignas, seguras e gratuitas para os trabalhadores.

– Promover uma ampla campanha de vacinação em massa para evitar a proliferação de doenças como cólera, febre amarela, leptospirose etc.

– Abrir os hotéis das regiões em que haja desabrigados para acolhê-los enquanto não tiverem uma moradia segura.

– Repudiar a criminalização da pobreza. Os moradores das áreas de risco não são os responsáveis pelos deslizamentos e nem moram em despenhadeiros porque gostam. Com um salário mínimo de R$ 678, é impossível morar em local digno e seguro.

Moradores de Nova Friburgo fazem ato contra negligência dos governos com enchentes

Da Redação

No próximo dia 12, quinta-feira, o Fórum Sindical e Popular de Nova Friburgo encabeçará um ato público em protesto contra o desleixo com que as autoridades têm tratado o problema das enchentes na região. A manifestação acontece às 17h no Obelisco da praça Demerval B. Moreira.

“Todo mês de janeiro, a história se repete”, diz o texto de um panfleto distribuído à população. Há anos, em vários pontos do país, a população pobre e os trabalhadores são obrigados a enfrentar enchentes e deslizamentos de terras que provocam mortes e muitos danos materiais e morais. A cada ano, milhares ficam desabrigados no Brasil por conta de tragédias que podiam ser evitadas.

“Os governos corruptos, a especulação imobiliária, a ocupação irregular do solo, motivados pelos interesses capitalistas e pelo descaso com os trabalhadores e a população pobre, são os grandes responsáveis pelas tragédias sucessivas”, afirma o folheto.

Algumas atividades preparatórias para a manifestação estão sendo organizadas. Nesta segunda, 9, às 17h, haverá uma panfletagem. O ponto de encontro é em frente ao IENF. Na terça, 10, às 18h, acontece uma reunião do Fórum, no Sindicato dos Vestuários, para definir outras ações antes do ato.

Abaixo, leia o texto do panfleto na íntegra.


UM ANO DE DESCASO!
MORADIA E RECONSTRUÇÃO JÁ!


TODOS AO ATO PÚBLICO
DIA 12 DE JANEIRO (QUINTA)
ÀS 17h – NO OBELISCO DA PRAÇA DERMEVAL B. MOREIRA

Todo mês de janeiro, a história se repete. Em várias cidades do interior fluminense e de muitos estados no Brasil, as enchentes e os deslizamentos de terras provocam alagamentos e mortes, além de deixar milhares de pessoas desabrigadas. Os governos corruptos, a especulação imobiliária, a ocupação irregular do solo, motivados pelos interesses capitalistas e pelo descaso com os trabalhadores e a população pobre, são os grandes responsáveis pelas tragédias sucessivas.

Em Nova Friburgo, um ano após a catástrofe, o que vemos? Os governos municipal, estadual e federal muito prometeram e quase nada fizeram, principalmente nos bairros mais pobres. Nenhuma casa foi construída, nenhuma obra de contenção foi realizada nas comunidades populares. Empresários aproveitam a situação para demitir centenas de trabalhadores na indústria e nas escolas particulares.

Autoridades e técnicos admitem cinicamente o estado de calamidade em que a cidade se encontra e dizem que a saída é “rezar para não chover”! CHEGA DE DESCASO E ENROLAÇÃO! Somente através da luta organizada, conquistaremos nossos direitos. EXIGIMOS A IMEDIATA CONSTRUÇÃO DE CASAS DIGNAS PARA A POPULAÇÃO DESALOJADA E EM ÁREA DE RISCO! PLANO DE OBRAS NAS ENCOSTAS, COM TRANSPARÊNCIA E CONTROLE DAS VERBAS PELO PODER POPULAR!

SEM ORGANIZAÇÃO E LUTA NÃO HÁ CONQUISTAS!
MORADIA, TRABALHO, DIGNIDADE!
FÓRUM SINDICAL E POPULAR DE NOVA FRIBURGO

Moradores de Nova Friburgo fazem ato contra negligência dos governos com enchentes

No próximo dia 12, quinta-feira, o Fórum Sindical e Popular de Nova Friburgo encabeçará um ato público em protesto contra o desleixo com que as autoridades têm tratado o problema das enchentes na região. A manifestação acontece às 17h no Obelisco da praça Demerval B. Moreira.



“Todo mês de janeiro, a história se repete”, diz o texto de um panfleto distribuído à população. Há anos, em vários pontos do país, a população pobre e os trabalhadores são obrigados a enfrentar enchentes e deslizamentos de terras que provocam mortes e muitos danos materiais e morais. A cada ano, milhares ficam desabrigados no Brasil por conta de tragédias que podiam ser evitadas.


“Os governos corruptos, a especulação imobiliária, a ocupação irregular do solo, motivados pelos interesses capitalistas e pelo descaso com os trabalhadores e a população pobre, são os grandes responsáveis pelas tragédias sucessivas”, afirma o folheto.

Algumas atividades preparatórias para a manifestação estão sendo organizadas. Nesta segunda, 9, às 17h, haverá uma panfletagem. O ponto de encontro é em frente ao IENF. Na terça, 10, às 18h, acontece uma reunião do Fórum, no Sindicato dos Vestuários, para definir outras ações antes do ato.

Abaixo, leia o texto do panfleto na íntegra.


UM ANO DE DESCASO!
MORADIA E RECONSTRUÇÃO JÁ!

TODOS AO ATO PÚBLICO
DIA 12 DE JANEIRO (QUINTA)
ÀS 17h – NO OBELISCO DA PRAÇA DERMEVAL B. MOREIRA

Todo mês de janeiro, a história se repete. Em várias cidades do interior fluminense e de muitos estados no Brasil, as enchentes e os deslizamentos de terras provocam alagamentos e mortes, além de deixar milhares de pessoas desabrigadas. Os governos corruptos, a especulação imobiliária, a ocupação irregular do solo, motivados pelos interesses capitalistas e pelo descaso com os trabalhadores e a população pobre, são os grandes responsáveis pelas tragédias sucessivas.

Em Nova Friburgo, um ano após a catástrofe, o que vemos? Os governos municipal, estadual e federal muito prometeram e quase nada fizeram, principalmente nos bairros mais pobres. Nenhuma casa foi construída, nenhuma obra de contenção foi realizada nas comunidades populares. Empresários aproveitam a situação para demitir centenas de trabalhadores na indústria e nas escolas particulares.

Autoridades e técnicos admitem cinicamente o estado de calamidade em que a cidade se encontra e dizem que a saída é “rezar para não chover”! 


CHEGA DE DESCASO E ENROLAÇÃO! Somente através da luta organizada, conquistaremos nossos direitos. EXIGIMOS A IMEDIATA CONSTRUÇÃO DE CASAS DIGNAS PARA A POPULAÇÃO DESALOJADA E EM ÁREA DE RISCO! PLANO DE OBRAS NAS ENCOSTAS, COM TRANSPARÊNCIA E CONTROLE DAS VERBAS PELO PODER POPULAR!

SEM ORGANIZAÇÃO E LUTA NÃO HÁ CONQUISTAS!
MORADIA, TRABALHO, DIGNIDADE!
FÓRUM SINDICAL E POPULAR DE NOVA FRIBURGO


Releia e reveja também:

Enchentes: mais uma tragédia no Rio de Janeiro

ALEXANDRE BARBOSA, 
Do rio de janeiro (RJ)


Nova Friburgo no último domingo
Morro do Bumba em Niterói, Teresópolis, Nova Friburgo e agora o Noroeste fluminense. Todo ano é a mesma história: as chuvas chegam, e a população pobre do estado do Rio de Janeiro perde suas casas, os poucos bens que possuem, seus amigos e até a própria vida. A única coisa que, as vezes, muda é a cidade da tragédia.


A irresponsabilidade e o descaso das autoridades não têm limites. Há exato um ano, a região serrana do Rio viveu uma tragédia sem precedentes. Foram mais de 900 mortos, 500 desaparecidos e milhares de desabrigados. Ao longo de um ano, quase nada foi feito pra evitar uma nova tragédia. O que se viu foram denúncias de corrupção nas prefeituras, quedas de prefeitos e abandono das vítimas.


Segundo reportagem do Jornal do Brasil, os moradores de Nova Friburgo, na região serrana, devem “Rezar para não chover”. Foi o que afirmou o assessor de Meio Ambiente do Crea-RJ, o engenheiro civil sanitarista Adacto Ottoni, que vistoriou a cidade após a tragédia provocada pela chuva no ano passado e voltou à região nesta quarta-feira. Até agora, medidas simples como o reflorestamento ainda não foram tomadas, ampliando o risco de uma nova desgraça.


Desta vez, a tragédia já deixou mais de 20 mil desabrigados. As cidades de Itaperuna (5 mil desabrigados) e Lage de Muriaé (2,5 mil desabrigados) somam-se à macabra estatística do governo Sérgio Cabral. Em um ano, são mais mil mortes e quase 75 mil pessoas atingidas pelas chuvas.


O PSTU é solidário aos atingidos pelas chuvas. Exigimos que os governos construam casas em locais seguros para todos os desabrigados e liberem, em caráter emergencial, R$ 10 mil para todos os atingidos, independentemente de FGTS.


Os governos, negligentes com a situação de risco das famílias que são atingidas ano após ano são os culpados pelo drama da população. É preciso que os governos executem um verdadeiro plano de obras públicas para evitar novas tragédias. O governo Sérgio Cabral tem de ser responsabilizado criminalmente, já que sabia das ameaças de tragédias e nada fez.


Além disso, é urgente que os atingidos pelas chuvas sejam isentados das tarifas públicas de luz, IPTU, água, etc., tendo o direito de permanecerem em hotéis não afetados para até a construção de suas casas.


O mínimo que se espera é que as comunidades de trabalhadores que foram atingidas, ou seja, daqueles que ganham o pão com o suor do próprio rosto, tenham seus bens materiais repostos pelos governos responsáveis por conta de sua omissão através dos anos. O governo federal, o governo estadual de Sérgio Cabral e os prefeitos são os responsáveis pela tragédia e devem ser punidos.

Chuvas em MG: Descaso que se transforma em tragédia



Praça Tiradentes: a explosão veio do espetáculo

Por Raphael Botelho

   Ao chegar, na manhã desta quinta, ao campus do Largo de São Francisco da UFRJ, algo mais que o burburinho cotidiano se esgueirava pelos corredores. O ronronar dos motores dos helicópteros das televisões acima do pátio anunciava que não seria uma manhã costumeira, anunciando a desgraça. Não tardou para inundar o prédio as notícias de um restaurante da Praça Tiradentes, vizinha de nosso local de estudo, simplesmente ter explodido.

   Como se adiantava a hora do almoço esperei uma tragédia incomensurável. A praça é um dos principais pontos de circulação do centro do Rio. Localizado antes da famosa Lapa, e depois da Avenida Presidente Vargas, principal artéria do centro. Contam ao seu entorno ruas estreitas que são palco do desfile de multidões diariamente, muitas em busca dos produtos do SAARA (centro de comércio popular). Alguns metros depois, a Avenida Rio Branco, centro financeiro do rio, circulam outros milhares, a qualquer hora do dia. Rota de uma infinidade de linhas de ônibus que levam e trazem para a labuta hordas de trabalhadores. A explosão foi por volta das 7h, e se combinou com o fechamento de um sinal de trânsito. Se fosse uma hora mais tarde, com certeza estaria nas manchetes do mundo todo.

   Antes de chegar à praça já pisávamos nos estilhaços de vidros, que horas depois ainda se espalhavam por todos os lados. 3 mortos e 17 feridos. A cena, que não devia nada a qualquer cena de bombardeio dos filmes hollywoodianos de guerra, contrastava fortemente com a recente reforma estética da praça em frente. Nas vezes que comemos lá, embora simples, o local não parecia perigoso. Novamente, as aparências enganam. 

   Logo começam a surgir algumas perguntas. Essa região do centro é antiga, falta infraestrutura e é conhecida pelos incêndios nos sobrados históricos de dois, três andares, – muito convenientes à especulação imobiliária da região, e aos estacionamentos privados –. Em vez de aproveitar os suntuosos investimentos no Rio para levar afiação elétrica, tubulações de água e gás de qualidade e condizentes com o crescimento da cidade ao centro histórico, a prefeitura preferiu reformar a praça para dar mais calçada aos bares e restaurantes da região.
E que condições de trabalho são essas que permitem a simples possibilidade de uma explosão equivalente a dez quilos de dinamite? Que bares e restaurantes são esses, que constroem a imagem do Brasil festeiro lá fora, e quase sempre sobrevivem à custa da mão de obra super explorada de imigrantes e seus filhos, dos moradores das favelas e da periferia, negros e mulheres que para pagar suas contas, são empurrados a trabalhar em cima de uma bomba relógio? Foi assim com o chef de cozinha Severino Antônio, e o sushiman Josimar dos Santos Barros. 

   Mas a cena mais chocante viria a ser exibida no final da tarde. Uma câmera da companhia de transportes filmou a terceira vítima fatal, Matheus Macedo de Andrade, indo para o trabalho. O bancário de apenas 19 anos, foi arremessado ao outro lado da rua.

   Depois dos bueiros-bomba (dois explodiram a cem metros do restaurante há alguns meses), revelando as condições de manutenção do serviço privatizado de energia, depois da morte de seis pessoas no famoso bondinho de Santa Tereza, revelando a falta de investimento público em transporte, depois dos inúmeros casos de violência onde os algozes são policiais e bandidos, será que Matheus também morreu, fruto do acaso? A cidade do Rio está revelando décadas de descaso com a infraestrutura urbana em detrimento da vida do população. Nenhuma esfera, de nenhum poder é responsável por mais essa catástrofe nos governos da dobradinha Paes no município do Rio e Cabral no governo do estado? Qquando será a próxima? 

 “E a vida já não é mais vida
No caos ninguém é cidadão
As promessas foram esquecidas
Não há Estado, não há mais nação
Perdido em números de guerra
Rezando por dias de paz
Não vê que a sua vida aqui se encerra
Com uma nota curta nos jornais”

“O Calibri”, dos Paralamas do Sucesso.

Chuvas no Rio de Janeiro: o alerta do descaso - Autoridades parecem esperar por nova tragédia.

Sem transporte trabalhadores sofrem para voltar para casa

No final da tarde de 5 de abril de 2010, uma chuva começou a cair sobre a cidade do Rio de Janeiro. Foi o prenúncio de uma tragédia que paralisou a cidade por dois dias e deixou um rastro de mortes e destruição. Só no Rio, a chuva provocou 48 mortes, e em Niterói 105. Nessa a cidade, ocorreu a mais cruel (e evitável) tragédia: o deslizamento do morro do Bumba.

Pouco mais de um ano depois, uma nova forte chuva mostrou o quanto a cidade ainda está vulnerável à tragédia, apesar de todas as promessas dos políticos. Ruas alagadas, pessoas encurraladas em carros e ônibus pela água e desabamento de encostas voltaram a assombrar a população carioca nesse dia 26 de abril. Em pouco mais de 24 horas chegou a chover mais de 274 mililitros, o que afetou, sobretudo, a região da Tijuca e o centro da cidade.

Mais uma vez o descaso dos governantes foi evidente. Apesar de fazer muita propaganda depois de comprar um radar por R$ 2,5 milhões, o governo só lançou um alerta avisando sobre tempestade meia hora antes – tempo prá lá de insuficiente para a população tomar as precauções necessárias. Especialmente a população trabalhadora que voltava do trabalho no momento em que as vias foram alagadas. Para se ter uma pequena dimensão do descaso do Prefeito Eduardo Paes (PMDB), câmaras de trânsito indicavam “trânsito bom” em ruas alagadas.

O prefeito, por sua vez, comemorou dizendo que o sistema funcionou. Como exemplo, citou os alarmes e sirenes de prevenção a deslizamento instalado nas favelas. O prefeito não diz, porém, que o sistema é insuficiente e sequer abrange a maioria das comunidades. Moradores do Morro São João, no bairro do Engenho Novo e um dos mais atingidos, tiveram suas casas soterradas. A comunidade não tem sirene de alerta. Já em comunidades onde há sirenes, como no Morro do Formiga, na Tijuca, o drama enfrentado era outro: os moradores não tinham para onde ir e muitos moradores acabaram ficando em suas casas. Duas crianças foram soterradas.

Atingidos pelas enchentes de Nova Friburgo farão novo protesto

Mais de cinco mil ainda estão desabrigados, e casas prometidas nem começaram a ser construídas

Liomar Gomes Pinto, de Nova Friburgo (RJ)

No próximo dia 12, acontecerá uma grande manifestação em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Em janeiro deste ano, a cidade foi arrasada pelas enchentes, e, até agora, a população não teve uma resposta do governo ao problema.

A manifestação está sendo organizada pelo Fórum Sindical e Popular, composto por sindicatos, centrais e organizações de esquerda. O protesto acontece a partir das 15h na Praça Dermeval Barbosa Moreira.

Nova Friburgo é hoje uma bomba prestes a explodir, com atos e manifestações por toda a parte. Três meses após a tragédia, pouca coisa mudou. São mais de cinco mil desabrigados. No último fim de semana, um prédio de três andares desabou num bairro próximo ao centro.

A população ainda luta pelo aluguel social. Já estão começando as demolições, mas as casas populares prometidas não começaram a ser construídas.

O PSTU está com os moradores de Nova Friburgo. O partido vai apoiar e construir junto um grande ato no dia 12 de abril.

Leia, abaixo, o manifesto de convocação para o ato, assinado pelas entidades e organizações envolvidas.


Ato Público
12 de Abril – Terça, a partir das 15h
Obelisco (Praça Dermeval Barbosa Moreira)


Dignidade, Moradia e Trabalho!

Depois da catástrofe, são aproximadamente 5 mil desabrigados e desalojados em Nova Friburgo.

Os governos Municipal, Estadual e Federal até agora só fizeram promessas para solucionar os problemas do povo principalmente nos bairros mais pobres. Em muitos lugares, a falta de energia elétrica, telefones e transportes continuam e a chuva dos últimos dias mergulhou a cidade no caos.

Os trabalhadores e a população pobre são os que mais sofrem com a falta de estrutura da cidade. O aluguel social não supre a necessidade dos desabrigados. As obras feitas na cidade não dão conta nem de manter o centro da cidade e as vias públicas desobstruídos.

As demolições já começaram e não há notícia do começo da construção de casas para os desabrigados, mostrando que pode acontecer aqui o mesmo que aconteceu em Santa Catarina , Angra dos Reis e Niterói: Teremos que voltar para as áreas de risco e ficarmos por nossa conta e risco?

Por isso, nós do Fórum Sindical e Popular de Nova Friburgo convidamos a todos para, no dia 12 de Abril , ocupar a praça e cobrar, num Ato Público, a solução competente e rápida para os problemas dos moradores de nossa cidade.

Que o dia 12 seja um dia de luta para que a tragédia do descaso dos governos não venha a se abater sobre o povo mais pobre e os trabalhadores de nossa cidade.

É HORA DE FALAR E DE SER OUVIDO!

  • Aluguel social para todos os desabrigados e desalojados;



  • Início imediato da construção das casas;



  • Não deslocamento das pessoas de seus bairros;



  • Atendimento imediato dos pedidos de limpeza e obras nos bairros;



  • Dignidade para quem está nos abrigos!Vagas nos hotéis já!



  • Fórum Sindical e Popular de Nova Friburgo


    Assinam:
    COMAMOR, Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Metalúrgicos, Construção Civil, Vestuário, Comércio, Hoteleiros, Bancários, Químicos, Marceneiros, Sindsprev, Sinpro, SEPE, Movimento Educacionista, Associação de Docentes da FFSD, CSPConlutas, Intersindical, PSOL, PCB, PSTU, PDT, PT, Grupo de Artes “Theatro D.Eugênia”



  • Fórum de Saúde do Rio de Janeiro faz ato no Dia Mundial da Saúde

    Fórum de Saúde do Rio de Janeiro faz ato no Dia Mundial da Saúde

    da redação*

    • Em 7 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Saúde. No Rio, o Fórum de Saúde do Rio de Janeiro vai fazer um ato para defender a saúde pública e exigir a instalação da uma CPI da saúde no estado, que já foi criada.

    O fórum elaborou um documento para ser entregue na Assembleia Legislativa no dia da manifestação. “A atenção à saúde é direito fundamental de toda a sociedade, e dever do Estado, do Poder Executivo em particular, a prestação de um serviço público de qualidade, gratuito, integral e universal. Tais princípios se contrastam com a condição precária da saúde em nosso estado, uma situação em muitos aspectos de abandono, que compromete a um só tempo a dignidade de profissionais e pacientes, o direito à saúde e à vida da população usuária. São inúmeras e reiteradas as denúncias de irregularidades”, diz o texto.

    Nova Friburgo: uma cidade que tem medo


    Córrego Dantes é uma das regiões mais atingidas pelas chuvas em Nova Friburgo. Uma família, a última que ficou naquela área de risco, está sendo intimada a deixar sua casa. Eles resistem mesmo sabendo dos perigos que estão correndo. Água e luz já foram cortadas, e a família diz que não vai sair. Além do casal, moram também dois filhos. O conselho tutelar já ameaçou tirar as crianças da mãe se não forem levadas para um local seguro.

    Comunidade do Rui, outra área bastante afetada. Somos convidados para um aniversário. A dona da festa chegou a abrigar 80 pessoas que perderam suas casas. São 18h e começa a chover. Os dois companheiros presentes, Paulo, bancário de São Paulo, e Kellé, de Nova Friburgo, ficaram assustados, mas nada comparado com o desespero das crianças a cada trovão.

    Poderíamos relatar outras centenas de casos. Hoje vivemos numa cidade que tem medo. Fatos como estes poderiam ser evitados se os governos colocassem em prática apenas uma das reivindicações dos cartazes do PSTU colados por toda cidade: abrir vagas nos hotéis para os desabrigados.

    Os governos são os culpados
    A Austrália também teve suas enchentes nesse começo de ano. Algumas áreas de Brisbane, ao sul de Quesland, receberam mais de 400 milímetros de chuvas, fazendo com que o total de chuvas acumulada em 13 dias superasse a marca de 800 milímetros. Lá na Austrália, foram 20 mortos.

    Em Nova Friburgo, choveu 378 milímetros de 1º a 13 de janeiro de 2011. O número oficial de mortos foi 430. Aliás, número bastante contestado por toda a população. Um vereador da direita, dono de uma rede de TV local, fala em mais de 800 mortos. O dono de uma funerária deu uma declaração falando que liberou mais de 700 caixões. Famílias inteiras estão desaparecidas.

    RELATO: Militantes do PSTU participam de comboio solidário organizado pela CSP Conlutas

    Pessoas ainda usam máscaras contra contaminação

    Diferentes do centro de Nova Friburgo, periferia e bairros afastados se encontram em completo abandono pelos governos
    Rafael Nunes,

       Estivemos novamente em Nova Friburgo, dessa vez junto a um comboio organizado pela CSP-Conlutas RJ, através de doações financeiras e de donativos de sindicatos e ativistas de todo o país. Saímos na quinta-feira, 20, com aproximadamente oito toneladas de alimentos, roupas e materiais de higiene e limpeza.
    Graças à solidariedade dos moradores da Comunidade do Metrô, que cederam um caminhão-baú de mudanças, foi possível levar todas as doações. Essa comunidade, mesmo estando ameaçada de remoção pelos governos, por conta dos jogos olímpicos, não só não deixou de ajudar como também foi fundamental com o auxílio do veículo. Retirar todos os mantimentos e garrafas de água, assim como todas as doações que se encontravam nas sedes da CSP-Conlutas e do Sindisprev RJ, exigiu o esforço de muitos militantes.
        Chegar à cidade após uma semana das tragédias já é bem mais fácil e, com uma trégua das chuvas, o sol incandesce, as ruas secando rapidamente, as lamas que viram nuvens de poeira, de cheiro envelhecido, levantadas por carros e caminhões. Praticamente toda a população usa máscaras cirúrgicas para conseguir respirar em meio a essas neblinas de terra.
        O centro de Friburgo, diferentemente da semana passada, quando militantes do Rio foram localizar companheiros na cidade e atestaram cenas de calamidade com ruas, prédios e casas cobertos de lama, carros soterrados e prédios inteiros que vieram abaixo, dessa vez essa localidade se encontrava em rápida recomposição. A passos largos, os governos vão limpando e reconstruindo a vitrine da cidade.

    Ao chegar a Friburgo, fomos encaminhados à sede do Sindicato dos Metalúrgicos onde iríamos obter informações e orientações de como seria feita à entrega dos donativos. Lá, recebemos a informação de que iríamos a um bairro operário chamado Parque Califórnia que, diferentemente do centro, se encontrava assim como outros, em completo abandono.
        Em alguns bairros mais afastados, havia a preocupação com a segurança devido a relatos de saques feitos por moradores que ainda não tinham visto a presença dos governos após dias dos acontecimentos das tragédias. As cenas que nós nos deparamos, ao sair do sindicato em direção ao bairro afetado eram aterrorizantes. A máxima de que o povo pobre e da periferia sofrem muito mais durante as tragédias, mediante ao abandono dos governos, pode ser comprovada na prática.
        Encontramos diversas encostas com entulhos de construções, casas inteiras dentro de um rio, carros ainda submersos em lama e entulhos. Em alguns locais, cenas de profunda tristeza devido a corpos que ainda permanecem soterrados. Muitas histórias de sobrevivência contadas pelos moradores impressionaram. Completamente abandonados à própria sorte, durante os temporais, se viraram sozinhos para conseguir escapar do maremoto de água e da avalanche. Em alguns locais, como uma casa que visitamos, a água chegou até o quarto andar, invadindo o quarto de uma senhora que sobreviveu agarrada a um colchão.
        Depois de algumas dificuldades, de vencer os obstáculos das chuvas e de pequenas ruas e vielas de barro, chegamos a uma grande encruzilhada ao pé de um morro. Paramos os veículos e em pouco tempo uma enorme fila foi sendo organizada em frente ao caminhão. Sem nenhum problema ou confusão fizemos toda a distribuição de cestas básicas, garrafas de água, fraldas, absorventes e preservativos. As roupas e os produtos de higiene e limpeza seriam distribuídos no domingo, devido à necessidade ainda de separação.
       Depois de algumas horas, de toda a distribuição daqueles mantimentos, seguimos no final da noite novamente para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos para uma reunião de balanço e de iniciativas. Uma reunião bastante cheia, que comemorou o sucesso do comboio. Os militantes dos sindicatos combativos da região agradeceram a todos e todas pela solidariedade.
        Foi apontada a necessidade de continuar a recolher donativos para um outro comboio para a região, em duas semanas, através de um comitê de solidariedade com entidades de fora e de dentro de Friburgo. A criação ainda de uma associação de pessoas atingidas pelas chuvas para brigar pelos direitos dos moradores e culpabilizar os governos por todas essas tragédias.
        Foi citada, ainda, a necessidade de encontrar e organizar todos os ativistas lutadores da cidade que ainda estão incomunicáveis ou desaparecidos. O Sindicato dos Metalúrgicos de Nova Friburgo permanecerá aberto para organizar os ativistas e servir de base de apoio para as doações.
        Só as organizações de esquerda podem lutar pelos direitos dos moradores atingidos
    Após duas semanas das tragédias, os governos, junto com setores da imprensa, tentam o máximo possível tirar o foco das catástrofes, fazendo, como sempre, maquiagens e retoques. É fundamental que os partidos políticos de esquerda, organizações sindicais e populares e ativistas estejam próximos a uma realidade que não está mais nos jornais, mas que se está ainda bastante presente.
        O PSTU, mais uma vez, esteve em Friburgo e viu as péssimas condições em que se encontram os trabalhadores das regiões periféricas atingidas pelas chuvas e a falta dos serviços mais básicos de ajuda à população. O número de mortos, desalojados e desabrigados, que é muito maior do que os números oficiais, caminha junto com a falta de investimentos dos governos federal, estadual e municipal em obras de prevenção e reforma urbana.
        Na medida em que as notícias não vão se pautando mais pela realidade dos mais carentes, menos ainda os governos vão se vendo obrigados a melhorar as condições de vida dessa população. É necessário organizar as entidades sociais e reagrupar os trabalhadores de todas as regiões atingidas, para que nunca mais sejam esquecidos e que tragédias sociais como essa não aconteçam mais.

    VEJA TAMBÉM:


  • Participe! Campanha nacional em solidariedade às vitimas das enchentes

  • GALERIA DE FOTOS: O comboio classista e a destruição

  •  Militantes do PSTU vão em busca dos seus companheiros após chuvas no RJ - 18/01/11







  • SOLIDARIEDADE: Caravana da CSP-Conlutas vai até Friburgo

    Ativistas levam cestas básicas para trabalhadores atingidos pelas enchentes

    Um formidável exemplo de solidariedade operária foi realizado nesta quinta-feira. Uma caravana organizada pela CSP - Conlutas do Rio de Janeiro chegou à nova Friburgo para prestar solidariedade e ajuda aos trabalhadores atingidos pela tragédia das enchentes.

    A caravana, composta por um caminhão e nove carros, partiu com cerca de 200 cestas básicas e 300 kits de limpeza. Os produtos foram arrecadados junto a sindicatos e aos trabalhadores do estado.

    Os ativistas da CSP-Conlutas realizaram uma reunião no Sindicato dos Metalúrgicos de Friburgo, filiado à Conlutas, para organizar a distribuição dos donativos. “Vamos ao bairro Jardim Califórnia distribuir alimentos. Mas também vamos entregar uma carta à população fazendo exigências ao poder público”, explicou Cyro Garcia, da CSP-Conlutas-RJ.

    Entre as exigências listadas está a necessidade da liberação imediata de verbas para a reconstrução e a liberação de no mínimo 10 mil reais para cada família afetada pelo desastre. “A liberação do FGTS por parte do governo é insuficiente. Nem todo mundo tem FGTS e, além disso, os trabalhadores não devem pagar pelo desastre”, explicou Cyro.

    Além disso, a CSP-Conlutas - RJ exige que os hotéis da região, todos vazios neste momento, sejam utilizados para abrigar a população que perdeu suas casas, além da isenção de tarifas públicas por um ano.
    ASSISTA O VÍDEO DO PSTU-RJ CHAMANDO A SOLIDARIEDADE

    Carta dos movimentos sociais de Nova Friburgo à população

    Basta de irresponsabilidade e mortes. As tragédias podem ser evitadas!

    A região serrana do Estado do Rio de Janeiro assistiu, na madrugada do último dia 12, a reprise de um filme de catástrofes. Ao amanhecer é que se pôde visualizar e ter as primeiras dimensões do ocorrido. O cenário era de devastação e tragédia: ruas inundadas, encostas desbarrancadas, residências desmoronadas, pessoas desesperadas e aos prantos, pela perda de parentes, amigos e vizinhos.
    Na contramão do individualismo competitivo e ganancioso praticado pela burguesia, a população prontamente dedicou-se à solidariedade no socorro imediato às vítimas. Eram voluntários cavando com as próprias mãos, rompendo isolamentos, oferecendo teto e consolando os que tudo haviam perdido, mesmo que derramando lágrimas pelos entes queridos e pelo quadro geral de desolação.
    Após os momentos iniciais de incredulidade e pavor, as pessoas se perguntavam: não seria possível evitar tamanha perda material e de centenas de vidas? Já não se produziu conhecimento científico capaz de prever fenômenos naturais como este e evitar as conseqüências tão devastadoras? Não existem exemplos no mundo de tragédias similares para as quais foram encontradas soluções de forma a reduzir ao mínimo as perdas? A quem caberia tomar as iniciativas necessárias a impedir tamanha catástrofe? Por que as autoridades não tomaram as medidas preventivas?
    Na verdade, os trágicos acontecimentos são o reflexo direto de diversos fatores que atuam em conjunto, tais como a devastação da cobertura vegetal do planeta e o lançamento, na atmosfera, de um enorme volume dos chamados gases do efeito estufa, como o gás carbônico (CO2), o metano (CH4) e muitos outros.
    No entanto, a causa mais grave e evidente é a ocupação desordenada de encostas, margens de rios e outros espaços impróprios nas cidades, sem respeito às exigências técnicas de segurança. As áreas de risco são ocupadas por vias públicas e famílias de baixa renda que não têm para onde ir e precisam estar perto dos centros urbanos, mas também por habitações voltadas às camadas de rendas média e alta, construídas em ações de especulação imobiliária.
    De igual forma, a falta de estudos e ações preventivas, aliada ao despreparo e à precariedade dos equipamentos das entidades de Defesa Civil e à total falta de concatenação dos governos e dos diversos órgãos que têm a possibilidade de atuar em situações de emergência, denuncia a visão imediatista dos políticos burgueses, praticantes da troca fisiológica de favores por votos, deixando ao léu qualquer perspectiva de administração planejada das cidades em prol do interesse popular. Fica clara a total falta de compromisso dos governos com as camadas populares e suas necessidades.
    Neste momento de dor e sofrimento, a tarefa imediata é prestar solidariedade, arregaçar as mangas, ajudar as vítimas. Mas uma tragédia como essa é uma demonstração clara de que o uso do solo para os interesses do capital, a ocupação das cidades em benefício dos ricos, a falta de participação direta da maioria da população nas decisões políticas não podem continuar.
    Já passou a hora de a população, que paga seus impostos e produz a riqueza através do trabalho, mudar este estado de coisas. A classe trabalhadora tem o direito de receber de volta e a fundo perdido os recursos (no lugar do saque do Fundo de Garantia) para adquirir moradia digna em local seguro, com todos os equipamentos urbanos e sociais que o Estado tem a obrigação de oferecer: pavimentação, iluminação pública, saneamento básico (coleta de lixo, água potável e esgoto tratado), energia elétrica (com tarifas equivalentes às contas de luz das indústrias), telefonia, transporte público a preços justos, educação, cultura e lazer. Se há dinheiro sobrando para socorrer grandes empresas e bancos durantes as crises do capitalismo, é inaceitável não haver recursos para salvar e manter a vida dos trabalhadores. Além disso, é preciso decretar a garantia de empregos e salários.
    É urgente a união dos movimentos e organizações representativas dos trabalhadores para ações conjuntas no caminho da (re)construção das cidades sobre novas bases, visando ao atendimento dos interesses populares:
    - plano emergencial para atendimento às necessidades imediatas das populações atingidas pela tragédia, com acolhimento aos desabrigados, aluguel social, alimentação e atendimento médico;
    - isenção de impostos, taxas e tarifas aos atingidos pela catátrofe;
    - recurso a fundo perdido para aquisição de bens móveis extraviados;
    - campanha de saúde preventiva para toda a população;
    - garantia de empregos e salários;
    - formação de conselhos populares para acompanhamento da aplicação das verbas federais nos municípios arrasados pelas chuvas e das políticas públicas a serem adotadas;
    - construção de moradias populares em áreas seguras e com dignas condições de vida (infraestrutura, saúde, educação, transporte);
    - plano permanente de preservação ambiental, na contramão da lógica capitalista destruidora;
    - construção do Poder Popular com vistas à democracia direta na tomada de decisões.

    Assinam: Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos, Têxteis, Vestuário, SINDSPREV, SINPRO e SEPE, AD da Faculdade Santa Dorotéia, PCB, PSTU e PSOL.

    Solidariedade e um plano dos trabalhadores para reconstruir a Região Serrana

    Direção Estadual do Rio de Janeiro

    O país está comovido com a catástrofe que atingiu a Região Serrana, uma das mais belas do estado do Rio de Janeiro. A classe trabalhadora vem dando uma verdadeira lição de solidariedade e de luta pela vida. Mutirões e comboios de ajuda humanitária estão sendo organizados espontaneamente pelo Brasil. Em Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e adjacências homens e mulheres cavam com as próprias mãos para desenterrar o que ainda resta de esperança.

    Os movimentos sociais não devem medir esforços para organizar e moralizar àqueles que foram brutalmente atingidos pelas chuvas e também pela pobreza.

    A dificuldade e o sofrimento da população da região não podem esconder, que os governantes também têm sua parcela de responsabilidade. Não foi a primeira vez que desastres como estes assolaram o povo pobre do estado do Rio. Quem não se lembra do deslizamento do Morro do Bumba em Niterói, ou dos desmoronamentos em Angra do Reis no verão do ano passado? É preciso tirar lições desses repetitivos acontecimentos e cobrar iniciativas eficazes dos governantes responsáveis.

    É preciso dizer que foi o próprio governo do PT do então presidente Lula, e agora da presidenta Dilma Roussef, que orçou os insuficientes 442,5 milhões de reais ao Programa de Prevenção e Preparação para Desastres. Quando na verdade se precisaria de muito mais em um país de dimensões continentais que todo ano é atacado pelas chuvas, secas, geadas, queimadas e erosões de todo tipo. Para piorar a situação, o governo federal executou apenas 40% do referido valor, sendo que ao estado do Rio de Janeiro se destinou apenas 0,6%.

    Ainda somos obrigados a assistir o governador Sérgio Cabral (PMDB) dizer que o Rio não tem o que reclamar. Talvez seja porque ele não teve sua casa e família destruídas, e esteja muito bem acomodado no Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca.

    É muito comum que em momentos como esse os políticos responsabilizem a natureza pelo caos social gerado e desenvolvam campanhas puramente midiáticas pensando em angariar mais votos nas eleições futuras. A chuva de fato não pode ser impedida, mas pode ser prevista pelos institutos de meteorologia, assim como os deslizamentos podem ser evitados e as mortes minimizadas.

    Os números são muito contrastantes quando comparamos a quantidade de mortos e feridos em terremotos de mesma intensidade como no último que ocorreu no Haiti, onde morreram cerca de 316 mil habitantes, e no Japão, que não chegou sequer a uma dezena. Queremos dizer que se os governos do estado e da União tivessem investido junto às prefeituras em infraestrutura, monitoramento dos rios e solo e realizado obras de prevenção, o caos poderia ter sido evitado pelo menos nas proporções em que se deram.

    No município de Areal, por exemplo, com uma medida muito simples se evitou que a desgraça se alastrasse. A prefeitura comunicou pela rádio local que o leito do rio estava subindo rapidamente e ordenou o deslocamento da população ribeirinha. Resultado: nenhuma morte.

    A Região Serrana totaliza oficialmente no momento 633 mortos e 133 desaparecidos, sendo que apenas são considerados desaparecidos aqueles que foram procurados. Ou seja, esse número lamentavelmente ainda vai crescer muito, e a previsão é de mais chuva até quinta-feira. A expectativa é que nos próximos dias a tragédia alcance 1.500 mortos.

    A chuva não poupou ninguém. Ricos e pobres perderam seus bens e familiares. Mas é inegável que o dinheiro faz toda diferença nessa hora. Enquanto os trabalhadores e o povo pobre estão isolados em locais inacessíveis e sem nenhuma forma de comunicação, os ricos são removidos dos escombros de suas mansões por helicópteros particulares.

    O plano que Dilma e Cabral estão apresentando é totalmente insuficiente. A primeira medida apresentada é a liberação de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como se estivesse fazendo um grande favor. Quando na verdade o dinheiro do FGTS por direito conquistado já é dos próprios trabalhadores, e não vai resolver a vida de ninguém. Postura bem diferente adotou Dilma quando apoiou um reajuste de 62% aos parlamentares e 132% para ela própria.

    A outra medida apontada pelos governantes é a construção de apenas 5 mil unidades habitacionais, quando os movimentos sociais da região elaboram uma reivindicação de pelo menos 30 mil casas.

    Diante do estado de calamidade o PSTU propõe:

    – Prestar toda solidariedade aos atingidos pela chuva da Região Serrana. Que os movimentos sociais de conjunto realizem campanhas de angariação de água, medicamentos, comidas, materiais de higiene e limpeza e organizem comboios com destino às cidades mais afetadas.

    – Um verdadeiro plano de obras públicas para prevenir novos deslizamentos e reconstruir hospitais, escolas, creches, pontes e garantir moradias dignas e seguras aos trabalhadores gratuitamente.

    – Construir de 30 mil moradias populares com investimento maciço em saneamento básico para combater o déficit habitacional e a especulação imobiliária.

    – Romper imediatamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal e investir o dinheiro na reconstrução da região.

    – Realizar uma ampla campanha de promoção de saúde assegurando uma higiene adequada e água potável para todos.

    – Investir em tecnologias de prevenção de desastres naturais através de um permanente monitoramento do solo e rios e contenção de encostas.

    – Limpar e canalizar rios e córregos e realizar obras de escoamentos das chuvas.

    – Repudiar a criminalização da pobreza. Os moradores das áreas de risco não são os responsáveis pelos deslizamentos e nem moram em despenhadeiros porque gostam. Com um salário mínimo de R$ 540 não se pode morar em um local digno e seguro.

    – Abrir os hotéis da região para a população desabrigada.