Acidente nas barcas: Concessionária lucra com o descaso!

Por Patrícia Santiago
Na segunda-feira, 28, por volta do meio-dia, a barca que levava passageiros do Rio para Niterói bateu no píer deixando 55 trabalhadores feridos. De acordo com os passageiros que estavam presentes na hora do acidente, as pessoas entraram em pânico e ficaram sem qualquer tipo de orientação. Como se não bastasse, o atendimento demorou mais 40 minutos para chegar.

Quem atravessa a Baía de Guanabara todos os dias não se espantou. Os passageiros são submetidos a filas enormes, superlotação, poltronas quebradas, calor excessivo, além de ser nítida a falta assistência técnica. Indignada, Renata Corrêa, Diretora do Sindicato dos Profissionais de Educação de Niterói desabafa: “Quando entram na barca, os passageiros são tratados como se fossem uma boiada, isso precisa acabar!”.

Quem lucra com o descaso?
Por dia navegam cerca de 85 mil usuários, o que garante um faturamento de sete milhões e trezentos e setenta e oito mil reais por mês. Esses números revelam que a única justificativa para o descaso é a sede pelo lucro da concessionária Barcas S/A. Quanto menos investimento, mais dinheiro sobra.

NÃO ao aumento da passagem! Reestatização já!
O preço da passagem, hoje de R$ 2,80, é um absurdo em relação ao salário mínimo. O bolso do trabalhador é que mais sente. Para piorar a situação, as BARCAS S/A estão tentando aumentar a passagem para R$ 4,50!!! Esse aumento abusivo, que parece até uma piada, foi aprovado vergonhosamente na Câmara de Vereadores de Niterói!

Vivemos em um país onde toda semana, pelo menos 37 milhões de brasileiros ficam sem o dinheiro da passagem para voltar para casa. Isso acontece devido ao processo de privatização dos meios transportes através das concessões. Com a desculpa de melhorar o serviço, os contratos de concessões foram sendo firmados sem a consulta popular.

Hoje o que vemos na prática é que o serviço não melhorou e o preço só aumentou. Os concessionários ainda contam com o apoio e cumplicidade de diversos políticos que mantém relações obscuras com essas empresas. Nossa luta é pelo fim do regime das concessões! Queremos a reestatização das barcas, sob controle e a serviço da classe trabalhadora.

Contra o aumento da passagem!
Fora BARCAS S/A! Pela reestatização das Barcas!
Chega de Jorge Roberto!
Queremos Niterói para os trabalhadores!

Cyro Garcia lança livro no Rio e CCOB realiza homenagem companheira Teresa

   Os companheiros e companheiras do Centro Cultural Octávio Brandão (CCOB) prestam uma homenagem à companheira Teresa Bastos neste sábado, 19/11, a partir das 14h. Logo após a atividade, às 16h, o companheiro Cyro Garcia (presidente do PSTU-RJ) lançará seu mais recente livro "PT: de oposição à sustentação da ordem", da editora Achiamé (também disponível aqui).

   O CCOB está localizado próximo a estação do metrô de Maria da Graça, à Rua Miguel Ângelo, 120.

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O teleférico do Complexo do Alemão e as lições de uma barbárie contemporânea

Da Redação

    Ano passado, logo após a reeleição, o governo do estado do Rio de Janeiro implantava no Complexo do Alemão mais uma Unidade de Polícia Pacificadora, a chamada UPP. Com a desculpa de trazer a paz, combater o tráfico de drogas, libertar os moradores e garantir o tal “Estado Democrático de Direito”, Sérgio Cabral ampliava seu projeto de criminalização da pobreza. Esta política foi um dos pilares da sua campanha eleitoral e conta até hoje com o apoio de amplos setores da sociedade.  As Forças Armadas que ocupam estas comunidades seguem o treinamento realizado na vergonhosa intervenção militar que o Brasil faz no Haiti.

      No mês de novembro, esta ocupação completa um ano. A mídia e o governo apresentam um cenário maravilhoso sobre os benefícios da UPP. Porém, os relatos que ouvimos diariamente de nossos alunos, responsáveis e colegas, moradores do Complexo do Alemão, é bem diferente.

       Recentemente, fizemos um “passeio” numa das obras mais divulgadas nas propagandas do governo do estado: O TELEFÉRICO DO COMPLEXO DO ALEMÃO.  O que a princípio seria o famoso “matar a curiosidade” se transformou num revelador quadro da política facista da tríplice aliança Dilma/Cabral/Paes. Como somos profissionais de educação, resolvemos escrever este artigo para o “Opinião Socialista”, pois não poderíamos deixar de compartilhar nossas análises da barbárie contemporânea a qual estão sendo submetidos o conjunto de trabalhadores e a juventude destas comunidades.

       Ao entrar na estação Bonsucesso, enfrentamos o primeiro problema: o elevador não funcionava e tivemos que subir uma imensa escadaria para chegar até a bilheteria. Moradores tem direito a uma passagem de ida e volta diária, após cadastramento. Visitantes pagam R$1,00 para subir e, R$1,00 para descer.

       Após a compra do bilhete, uma escada rolante nos leva até o embarque. Fomos atendidos por jovens trabalhadores, cena que se repete em todas as estações. Simpaticamente nos ajudam a entrar no teleférico já que ele se movimenta bastante. Sua estrutura é extremamente frágil para um meio de transporte. Para detectar isso não é preciso grandes estudos. Os bancos são desconfortáveis e ficamos com a sensação que um carro de montanha russa de parque de diversões causava uma impressão de segurança maior. O teleférico tem capacidade para transportar 10 pessoas. Estávamos em um grupo de quatro, por isso, não compreendemos como seria possível tal lotação, nem como garantir o transporte de cadeirantes e de carrinhos de bebê, já que o espaço é pequeno.

      Passamos por todas as estações: Adeus, Baiana, Alemão, Fazendinha e Palmeiras. Durante este trajeto, percebemos que o teleférico não é simplesmente um meio de transporte. Ele é funcional ao mundo do capital, pois serve para controlar e vigiar toda a massa da classe trabalhadora pauperizada que ali vive. Do alto podíamos observar não só a geografia do Rio de Janeiro, mas toda a movimentação ocorrida na comunidade. Era possível ver, detalhadamente, as cenas cotidianas do interior das casas: pessoas lavando roupas, assistindo televisão, dormindo ou voltando do mercado. Parecíamos espectadores de um “Big Brother da vida real”.

      Reconhecemos algumas escolas e creches da região. Afinal, como profissionais de educação este era um dos principais focos do nosso “olhar”, já que diariamente convivemos com as péssimas condições de trabalho e o drama da falta de vagas para estudantes. O número de casas, e obviamente de moradores e alunos, era superior ao que imaginávamos. Muito maior do que comportaria a quantidade de unidades escolares que existem na rede pública. Mas a ausência de políticas governamentais para esta população não acontecia só nesta parte.

     Havia uma grande quantidade de lixo espalhado. Não identificamos postos de saúde ou hospitais. Era perceptível que várias casas estavam em situação de risco. Muitos moradores cobriam caixas d’água e tentavam resolver os problemas ocasionados pela chuva do dia anterior, possivelmente para evitar riscos de doenças. Contraditoriamente, os governos que anunciaram uma epidemia de dengue para o verão, culpam a população. Os mesmos que deram a saúde pública para as OS’s e desviam verbas da saúde e educação, estavam ausentes neste momento. A única presença do Estado visível estava na concentração de militares fortemente armados, prontos a reprimir a população.

       Chegando a última estação, descemos do teleférico e pudemos observar algumas paredes de construções que restaram das demolições, onde se lia a frase pintada em vermelho: “Esta propriedade pertence ao governo do Estado”. Havia também algumas barracas com a venda de comidas e bebidas. Os banheiros estavam fechados.

       Na volta, após o impacto inicial da ida, tivemos a certeza do significado do teleférico e do resultado da UPP naquelas comunidades.

       A ocupação militar não garantiu uma vida melhor aos moradores. Apesar de uma sala de Cinema, de citação e personagens em novelas, da propaganda da mídia, do aumento de ONG’s e do teleférico, os trabalhadores continuam sem emprego, saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e saneamento básico.  Violência, tráfico de drogas, pobreza e criminalização continuam latentes.

     Para disfarçar a ausência de política para estes problemas os governos concedem bolsa família, bolsa carioca e uma série de outras políticas compensatórias. Tais programas permitem que os trabalhadores dessas comunidades não vivam em pobreza absoluta, garantem a manutenção do “exército industrial de reserva” e, também controlam a organização e mobilização por melhores condições de vida e trabalho.

     As Unidades de Polícia Pacificadora, defendida por Dilma, Cabral e Paes, impõe uma nova política de segurança, criando a ilusão da humanização do capitalismo. Com esse discurso ajudam seus aliados, banqueiros e empresários, a continuar explorando a juventude e os trabalhadores. Desta forma, mantêm o lucro dos verdadeiros barões das drogas, que não vivem nestas comunidades e, escondem a principal questão: como o tráfico ocorre se não existem indústrias bélicas, nem plantação e laboratório para o refino de drogas?

   A criminalização da pobreza desloca o domínio do confronto direto, com os verdadeiros culpados, para a ocupação territorial nas áreas onde vivem populações trabalhadoras de baixa e baixíssima renda. Desta forma é possível o governo justificar a intervenção militar, controlar e garantir a manutenção da exploração da burguesia nacional e internacional.

   O teleférico nos fez perceber que os problemas dos trabalhadores não serão solucionados apenas com a luta pela educação. Uma mudança só será possível com o fim do capitalismo e a construção de uma nova sociedade, através da luta dos trabalhadores.


Nota: Após o envio deste artigo, o governo estadual implantava mais uma UPP na maior favela da América Latina: a Rocinha. O discurso é o mesmo de um ano atrás, assim como as prisões de traficantes. Coincidentemente, ocorre após denúncias do fracasso da política das UPP’s e, às vésperas do ano eleitoral.

Ocupação da Rocinha pela polícia não vai resolver o problema da segurança

Operação faz parte da política de militarização das favelas e criminalização da pobreza

Da redação



 
   Helicóptero sobrevoa favela no Rio

•    Com cerca de 3 mil homens, com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) à frente e a participação de veículos blindados da Marinha, a Secretaria de Segurança do Rio colocou em marcha, na madrugada de 12 para 13 de novembro, a cinematográfica operação “Choque da Paz”, que consistiu na tomada da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, na Zona Sul da cidade.

    A invasão, chamada de ‘pacificação’, contou ainda com um verdadeiro batalhão de jornalistas como retaguarda. Imagens veiculadas exaustivamente pelos telejornais reproduziam cenas que poderiam muito bem ter saído do Iraque, não fosse o cenário de barracos apinhados e ruelas estreitas da paisagem carioca.

    Em uma cena montada para as grandes redes de TV, policiais hasteavam a bandeira do Brasil e a do Rio na favela, como símbolo da chegada do “Estado de Direito” à região. Consta que os policiais tiveram que esperar o final da corrida de Fórmula 1 para que a rede Globo pudesse transmitir ao vivo o “evento”. ‘A Rocinha é nossa’, estampou o jornal O Globo no dia seguinte à ocupação.

Militarização e criminalização da pobreza
    A ocupação da Rocinha foi alardeada pelo conjunto da imprensa como um marco na gestão do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, e do governo de Sérgio Cabral. Fecha-se um cinturão de favelas ocupadas ao redor de áreas nobres da cidade e abre-se caminho para a 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), já anunciada com 1.500 homens. A meta do governo Cabral é a criação de 40 UPP’s ao todo na cidade, com vistas à Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas de 2016, criando uma espécie de “zona verde” para seus amigos empresários desfrutarem das belezas do Rio.

    O governo e a imprensa divulgam a ocupação militar na maior favela do país como uma ‘libertação’ dos cerca de 100 mil moradores da região. Com a tomada do controle do tráfico, agora os serviços públicos básicos poderiam chegar ao local. O prefeito Eduardo Paes já anunciou o aumento de 100 garis. “O grande desafio no primeiro momento é o lixo”, declarou à imprensa.

    Paes e Cabral ignoram o histórico de abusos e violência que marcaram outras ocupações, como a do Complexo do Alemão em 2010, na qual os policiais deixaram um rastro de agressões e roubos. O furto aos domicílios foram tão freqüentes que começaram a ser chamados de ‘garimpo’ pelos próprios policiais, que se referiam às comunidades como ‘Serra Pelada’. As inúmeras denúncias realizadas pelos moradores, inclusive de um trabalhador que teve o seu Fundo de Garantia roubado, foram ignoradas.

    Para não ocorrer novamente os mesmos escândalos, o governo Cabral adotou uma estratégia inusitada: os policiais foram proibidos de usar mochilas durante as operações na Rocinha. Isso mesmo, a solução para evitar que o “garimpo” se repetisse na Rocinha foi impedir... as mochilas.

Leva na mala
    Na versão oficial, alardeada pela imprensa e o governo, a polícia e as Forças Armadas empreendem uma guerra contra o tráfico pelo controle das áreas das favelas. A realidade, por outro lado, não é tão maniqueísta. Recentemente, a prisão do homem apontado como o chefe do tráfico na Rocinha, o Nem, mostrou a relação entre o crime e a corporação. O traficante estava escondido no porta-malas de um carro escoltado por policiais, que até agora não conseguiram explicar o que faziam por lá.

    O próprio Nem declarou em entrevista aquilo que todo mundo já sabe: metade de seu rendimento ia para subornar policiais. Suborno que necessitaria de centenas de mochilas para carregar. Como se impedir isso? Proibindo também o tráfego de veículos nas favelas?



Milícias
    Quando não existe uma relação de cooperação pura e simples entre tráfico e polícia, existe uma relação de competição pelo controle da área e de serviços clandestinos como TV a cabo pirata e venda de gás. É aí que entram as milícias, associações de policiais que tomam determinada área para explorar seus moradores. A atuação das milícias nas áreas ocupadas do Rio é mais um elemento que mostra que a presença policial nas favelas não significa maior segurança ou qualquer tipo de vantagem à população.

    Os traficantes podem não controlar hoje as áreas das três favelas ocupadas. Mas o consumo de drogas, principalmente das áreas nobres da Zona Sul do Rio, não vai acabar. Quem vai fornecer isso? Ninguém garante, por exemplo, que a própria polícia, através das atuais ou de novas milícias, não fique tentada a gerenciar um mercado tão lucrativo.

    A tese de que os policiais envolvidos nas operações são novos e, assim, ainda não ‘contaminados’ pela corrupção que corrói a corporação tampouco é factível. A própria estrutura da polícia é viciada, com o alto escalão comprometido e articulado com a Justiça e políticos de expressão. Influência que torna as milícias, inclusive, ainda mais perigosa que o tráfico, com alto poder de pressão e retaliação. O assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto último em Niterói, inclusive com o envolvimento de um comandante, mostrou a força desses bandidos fardados, que também ameaçam a vida do deputado Marcelo Freixo (PSOL).

    Longe de ser uma medida contra o crime e em favor das populações pobres, a política de ocupação militar das comunidades do Rio faz parte de uma estratégia de militarização das favelas e de criminalização da pobreza, com o único objetivo de controlar aquelas áreas para garantir a tranqüilidade para a Copa e os Jogos Olímpicos. A população carente continuará no fogo cruzado entre traficantes e a polícia, enquanto lhes são negados serviços básicos como saúde, educação, saneamento e a mais básica infra-estrutura urbana.

    E o governo Cabral, por sua vez, poderá prosseguir em sua política fascista de remoções e expulsão dos pobres das áreas visadas para os jogos.

Descriminalização das drogas e fim da polícia
    O combate às drogas é apenas um pretexto para ocupar e reprimir as comunidades negras e pobres. Enquanto a polícia prende e exibe à imprensa os peixes pequenos, os grandes beneficiados pelo tráfico de drogas e armas estão bem longe das favelas. Políticos, juízes, a alta hierarquia da polícia gozam de absoluta imunidade enquanto a população se vê à mercê da violência dos bandidos e dos desmandos e abusos policiais.

    Enquanto a produção e consumo de drogas forem proibidos, vai continuar havendo tráfico, violência e um pretexto para se atacar a população marginalizada. A única forma de se golpear o tráfico é através da descriminalização das drogas e seu controle através do Estado. Só assim se poderá tirar o monopólio que existe hoje, informalmente, dos grandes traficantes.

    Da mesma forma, enquanto houver essa polícia que existe hoje, vai continuar existindo violência contra a população pobre e negra. A função destaa polícia é a manutenção do status quo, da ordem atual, o que passa pela defesa dos interesses de quem está no poder. Por isso o PSTU defende a extinção da polícia e a criação de uma força de segurança popular, democrática, controlada pela população e que realmente defenda seus interesses e a sua segurança.

Cabral e Garotinho se unem por royalties

Américo Gomes, do Ilaese

• De forma novamente grotesca, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), busca criar uma demonstração artificial de regionalismo para convencer o Governo Federal a dar mais dinheiro dos royalties para o estado do Rio.

Nesta luta pelo dinheiro público, Cabral conta com o apoio de seu arqui-inimigo, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), seu arquialiado Eduardo Paes (PMDB), e mais um sem número de prefeitos do estado e membros da bancada do Rio no Congresso, incluindo o senador Lindberg Farias (PT).

Garotinho tem base eleitoral em Campos, que seria o município mais afetado pela nova distribuição e que é administrado por sua esposa, Rosinha. Juntos, pretendem realizar na quinta-feira, 10 de novembro, uma manifestação de 100 mil pessoas no centro do Rio.

Bancada pelo dinheiro público e o aparato do estado, com direito a ponto facultativo aos servidores do estado e prefeitura e requisição de trabalhadores das obras do PAC. Com ônibus, trem e metrô de graça para levar todo mundo. Estão previstas caravanas vindas do interior, obviamente, também com passagens de graça e “ajuda de custo” para o lanche. A manifestação está até sendo convocada por faixas e por propaganda na TV, contra a "injustiça" com o Rio de Janeiro.

Além disso, o estado do Rio prepara recurso ao Supremo Tribunal Federal para questionar o novo marco regulatório tão logo ele seja aprovado pela Câmara e sancionado pela presidente. O cenário é realmente insólito. Pois do outro lado, defendendo o novo marco regulatório, está todo o governo da Frente Popular, o PT, Lula, a presidente Dilma, Haroldo Lima, o PCdoB, e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e o Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).

Um ativista desavisado poderia ficar em dúvida sobre de que lado estar, e tentando descobrir quem defende realmente os interesses dos trabalhadores e da população mais carente. Mas tudo não passa de uma grande farsa.

Entregaram a fartura na mesa do imperialismo
O novo marco regulatório mantém a entrega de nosso petróleo às multinacionais, agora em regime de partilha. Não existe praticamente mudança entre este regime e o de concessão. Mas, independente disso, 29% do Pré-Sal já foi leiloado, a sua área mais rica, que contém o complexo Pão de Açúcar com os blocos de Azulão, Bem-Ti-Vi, Carioca e Caramba.

Nota de solidariedade ao deputado estadual Marcelo Freixo

Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ

   É com muita indignação que o PSTU acompanha a viagem forçada à Europa do deputado Marcelo Freixo. Após receber sucessivas ameaças de morte e não poder contar com o poder público para garantir sua proteção e de sua família, o deputado viu-se obrigado a aceitar o convite da Anistia Internacional e refugiar-se longe daqui para acumular forças e reorganizar seu esquema de segurança. Apenas em outubro foram descobertos sete planos das milícias para colocar fim a vida de Marcelo.

   Em 2008 o deputado presidiu na Assembleia Legislativa a “CPI das Milícias”, na qual indiciou mais de 200 pessoas, entre elas policiais, políticos e bandidos de todo tipo. Mesmo após a comprovação da veracidade das ameaças, a Secretaria de Segurança nada fez para reforçar a segurança do parlamentar, apesar dos apelos reiterados de Freixo. Para agravar ainda mais a situação, os milicianos que fizeram as ameaças fugiram da prisão e estão livres para executar seu plano maligno.

   A rede de influências e a trama na qual está inserido o deputado é de extrema complexidade. Não se trata simplesmente de uma luta do poder público, ou do “Estado democrático de direito”, contra grupos armados independentes, que aterrorizam a nossa cidade. Se assim fosse, a solução seria mais fácil. O problema é que as milícias estão por fora, mas, sobretudo, por dentro do aparato de Estado. Elas são impulsionadas pelos baixíssimos salários dos policiais e incentivadas por políticos ligados a setores marginais da burguesia carioca. 

   Não se trata de um problema isolado ou de ordem pessoal do deputado. O Rio de Janeiro vem passando por uma reforma de higienização e de criminalização da pobreza. As remoções de comunidades carentes como a da Favela do Metrô, estão a serviço de um plano de obras para favorecer grandes empreiteiras como a Delta e Odebrech.

   Atrás de toda a festa entorno da Copa do Mundo e das Olimpíadas existe uma política de repressão contra os pobres e um farto banquete para os ricos. Enquanto os bombeiros, profissionais da educação e o pessoal da saúde recebem um salário indigno e humilhante, o senhor governador Sérgio Cabral viaja de helicóptero para se confraternizar com seu amigo Eike Batista. 

   O que está em jogo é mais do que a vida individual do valente deputado. O que está em jogo é o futuro da esquerda, dos lutadores sociais, de cada militante que não se intimida e nem abaixa a sua bandeira.

   A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma alternativa frente à política opressora, exploradora e racista de Cabral e Paes. O PSTU chama a construção de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista para as eleições municipais de 2012. Aqueles que lutam juntos nas ruas, também devem se unir nessas eleições. Essa frente deve ser encabeçada pelo deputado do PSOL Marcelo Freixo, e composta também pelo PSTU e PCB, respeitando seus respectivos lastros sociais.

   Em nada fortalece a esquerda e o combate aos ricos e poderosos a aliança com partidos inimigos como o PV de Gabeira, Zequinha Sarney, Sirkis e companhia. No entanto, foi essa a decisão do Congresso Estadual do PSOL, que infelizmente foi levada adiante por Marcelo Freixo em suas conversas com Gabeira.

   Para quem não se lembra, o PV esteve na gestão César Maia (DEM), que promoveu a mesma política de higienização social e perseguição aos trabalhadores camelôs.

   A militância do PSOL pode contar com o PSTU para seguir na luta pela Frente de Esquerda sem PV e sem patrões.

Lançamento da campanha pelos 10% do PIB pra educação reúne cerca de 400 pessoas no Rio

Ato-show contou com a presença de Monarco e Almir Guineto

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Atnágoras Lopes dá o seu recado durante a atividade
    A noite desta quinta-feira (20) coloca um novo marco para o movimento social no Rio de Janeiro. Com a organização da CSP-Conlutas e da secretaria regional do ANDES, comemorou-se o dia do professor com atividades durante todo o dia na Cinelândia, tradicional palco de manifestações populares da capital fluminense.

   Após as aulas públicas, apresentações de trabalhos, panfletagens e atividades de diálogo com a população, os ativistas puderam apreciar as apresentações dos grandes sambistas Monarco e Almir Guineto, que também prestaram apoio a campanha pelos 10% do PIB pra educação.


   Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas esteve presente e também deu o seu recado: "
Estamos discutindo com os companheiros da construção civil de Belém sobre a necessidade de levarmos a campanha pelos 10% do PIB pra educação pra dentro dos canteiros de obra. Os operários sabem da importância de ter uma educação de qualidade, pois a escola pública faz parte de sua vida, do seu cotidiano e de seus filhos", disse.

   Confira
aqui algumas fotos do evento que reuniu cerca de 400 pessoas.

Praça Tiradentes: a explosão veio do espetáculo

Por Raphael Botelho

   Ao chegar, na manhã desta quinta, ao campus do Largo de São Francisco da UFRJ, algo mais que o burburinho cotidiano se esgueirava pelos corredores. O ronronar dos motores dos helicópteros das televisões acima do pátio anunciava que não seria uma manhã costumeira, anunciando a desgraça. Não tardou para inundar o prédio as notícias de um restaurante da Praça Tiradentes, vizinha de nosso local de estudo, simplesmente ter explodido.

   Como se adiantava a hora do almoço esperei uma tragédia incomensurável. A praça é um dos principais pontos de circulação do centro do Rio. Localizado antes da famosa Lapa, e depois da Avenida Presidente Vargas, principal artéria do centro. Contam ao seu entorno ruas estreitas que são palco do desfile de multidões diariamente, muitas em busca dos produtos do SAARA (centro de comércio popular). Alguns metros depois, a Avenida Rio Branco, centro financeiro do rio, circulam outros milhares, a qualquer hora do dia. Rota de uma infinidade de linhas de ônibus que levam e trazem para a labuta hordas de trabalhadores. A explosão foi por volta das 7h, e se combinou com o fechamento de um sinal de trânsito. Se fosse uma hora mais tarde, com certeza estaria nas manchetes do mundo todo.

   Antes de chegar à praça já pisávamos nos estilhaços de vidros, que horas depois ainda se espalhavam por todos os lados. 3 mortos e 17 feridos. A cena, que não devia nada a qualquer cena de bombardeio dos filmes hollywoodianos de guerra, contrastava fortemente com a recente reforma estética da praça em frente. Nas vezes que comemos lá, embora simples, o local não parecia perigoso. Novamente, as aparências enganam. 

   Logo começam a surgir algumas perguntas. Essa região do centro é antiga, falta infraestrutura e é conhecida pelos incêndios nos sobrados históricos de dois, três andares, – muito convenientes à especulação imobiliária da região, e aos estacionamentos privados –. Em vez de aproveitar os suntuosos investimentos no Rio para levar afiação elétrica, tubulações de água e gás de qualidade e condizentes com o crescimento da cidade ao centro histórico, a prefeitura preferiu reformar a praça para dar mais calçada aos bares e restaurantes da região.
E que condições de trabalho são essas que permitem a simples possibilidade de uma explosão equivalente a dez quilos de dinamite? Que bares e restaurantes são esses, que constroem a imagem do Brasil festeiro lá fora, e quase sempre sobrevivem à custa da mão de obra super explorada de imigrantes e seus filhos, dos moradores das favelas e da periferia, negros e mulheres que para pagar suas contas, são empurrados a trabalhar em cima de uma bomba relógio? Foi assim com o chef de cozinha Severino Antônio, e o sushiman Josimar dos Santos Barros. 

   Mas a cena mais chocante viria a ser exibida no final da tarde. Uma câmera da companhia de transportes filmou a terceira vítima fatal, Matheus Macedo de Andrade, indo para o trabalho. O bancário de apenas 19 anos, foi arremessado ao outro lado da rua.

   Depois dos bueiros-bomba (dois explodiram a cem metros do restaurante há alguns meses), revelando as condições de manutenção do serviço privatizado de energia, depois da morte de seis pessoas no famoso bondinho de Santa Tereza, revelando a falta de investimento público em transporte, depois dos inúmeros casos de violência onde os algozes são policiais e bandidos, será que Matheus também morreu, fruto do acaso? A cidade do Rio está revelando décadas de descaso com a infraestrutura urbana em detrimento da vida do população. Nenhuma esfera, de nenhum poder é responsável por mais essa catástrofe nos governos da dobradinha Paes no município do Rio e Cabral no governo do estado? Qquando será a próxima? 

 “E a vida já não é mais vida
No caos ninguém é cidadão
As promessas foram esquecidas
Não há Estado, não há mais nação
Perdido em números de guerra
Rezando por dias de paz
Não vê que a sua vida aqui se encerra
Com uma nota curta nos jornais”

“O Calibri”, dos Paralamas do Sucesso.

O Rio precisa de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista

   Companheiros e companheiras Obama esteve no Brasil e quebramos o consenso que a imprensa e os governantes e partidos da ordem, tentaram construir em torno à presença do chefe maior do Imperialismo. As bandeiras do PSTU, as bandeiras do PSOL, as bandeiras do PCB tremularam nas ruas do Rio de Janeiro anunciando e exigindo: GO HOME.

   Na luta dos bombeiros que tinge de vermelho nossa cidade, nosso estado, lá se encontra os militantes do PSTU, do PSOL e do PCB.


   Nas greves e paralisações da educação, na luta da saúde, agora na campanha dos 10% do PIB para educação pública basta olhar para o lado e encontra-se um camarada de batalha, uma companheira de luta do PSOL, do PCB, do PSTU. Para ser sinceros muitas vezes disputando a política mais justa, mais acertada, para fazer valer os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora.

   Boa parte da vanguarda dessas lutas, ao aproximar-se o calendário eleitoral, via como natural – muitos até como necessária – uma frente dos partidos da esquerda que não se vende e não se rende. Para nós do PSTU uma Frente Classista e Socialista composta pelo PSTU, o PSOL e o PCB é uma boa ferramenta para fornecer uma candidatura classista e uma plataforma para atender as demandas mais sentidas de nossa classe. Inclusive com o PSOL tendo a cabeça da chapa, onde nós do PSTU nos dispomos a indicar a vice.

   Uma frente assim deve envolver, necessariamente, as candidaturas proporcionais. Formando um pólo forte, somando os votos da legenda, proporcionando aos partidos envolvidos possibilidades de eleger candidatos ligados à luta dos trabalhadores. Mais que isso, nesse momento, uma Frente Classista e Socialista não se justificaria frente aos trabalhadores, o povo pobre, e os setores médios se ficasse reduzida apenas à candidatura a prefeitura. Diante da vanguarda, uma frente parcial (sem aliança nas proporcionais), fortaleceria a idéia de divisão da esquerda, enfraquecendo o pólo político que tal frente se converteria.

   Uma frente parcial diminui a possibilidade de termos uma bancada maior e mais representativa, das várias posições de esquerda, na Câmara de Vereadores. Menos vereadores O Rio precisa de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista com posições de esquerda na Câmara são menos apoiadores para os duros enfrentamentos que virão no futuro em nossa cidade.

   Assim, esta frente, ao se concretizar, deve respeitar o peso das organizações envolvidas, estender-se em coligação também nas proporcionais, e viabilizar a participação nas propagandas eleitorais de rádio e TV.

   De nosso ponto de vista esta frente deve apresentar uma plataforma eleitoral que aponte para a resolução dos problemas mais sentidos da classe trabalhadora, do povo pobre, e das camadas médias da sociedade. O transporte público seguro, eficiente e de qualidade. Uma saúde e uma educação públicas que atendesse de tal forma a população que ter plano de saúde no Rio, ou matricular em escola particular fosse perda de dinheiro.

   Estes são alguns exemplos, outros não faltam como a valorização dos funcionários públicos com aumento imediato de salários; a revogação da Reforma da Previdência do Eduardo Paes,  o fim das remoções, a luta contra Lei da Copa..., e, no caso do Rio de Janeiro, um longo etcetera.

   Para financiar iniciativas de tal monta (que necessariamente deveriam incluir um plano de construção de casas populares, invertendo a lógica capitalista de ocupação do espaço urbano) dois problemas deveriam ser encarados de frente: o não cumprimento e a luta pelo fim da Lei de Responsabilidade Fiscal; e a mobilização da população pelo não pagamento da dívida pública.

   Entretanto mal os partidos burgueses – que vivem de iludir a maioria da população uma eleição atrás da outra – se atiraram em sua corrida eleitoral costurando alianças a serem desfeitas adiante, o PSOL, infelizmente, se jogou nesta lógica nefasta para a esquerda.

   O que pode haver de comum entre Gabeira e o companheiro Marcelo Freixo? O que há de comum entre o PSOL , o partido de Chico Alencar, de Osmarino Amâncio, Janira Rocha, Babá, Eliomar Coelho, e o PV de Sirkis, Gabeira e Zequinha Sarney?

   Companheira, companheiro, as movimentações da direção do PSOL com o PV enfraquecem a luta dos trabalhadores e do povo por um lado, mas por outro – infelizmente – colocamo PSOL, aos olhos de milhares, como mais um partido da ordem, como mais um dos partidos que fazem de tudo, qualquer coisa, para chegar lá. Os trabalhadores, o povo pobre e os setores médios já possuem o PT neste papel.

   Esta é a lógica das movimentações junto a empresários (segundo a grande imprensa tendo a frente o cineasta José Padilha, de ‘Tropa de Elite) para financiar a campanha eleitoral. Nunca é demais lembrar: quem paga a banda escolhe a música.

   Você que está lendo será capaz de votar em Gabeira? Será capaz de dizer ao seu vizinho, ao seu colega de trabalho que junto a Gabeira, Sirkis e Zequinha Sarney se poderá caminhar na solução dos problemas mais sentidos da maioria da nossa população?

   Companheiras e companheiros está em vossas mãos. Está na disposição militante de cada um e cada uma de vocês derrotar esta política. Mudar este curso nefasto que compromete a história do seu partido e mancha a história militante de cada um e cada uma de vocês.

   Vocês terão uma dura batalha pela frente. De nossa parte aguardamos que sejam vitoriosos e suspendam imediatamente toda negociação com o PV. Esperamos que a militância do PSOL desautorize qualquer tentativa de aliança com o PV, ao contrário imponha as imediatas conversações para a conformação da Frente Classista e Socialista entre o PSOL, o PCB e o PSTU.

   Entretanto, companheira, companheiro, se vocês não forem vitoriosos nesta batalha, desde já assumimos um compromisso com cada uma e cada um de vocês: aqueles e aquelas que se reivindicam da esquerda classista e socialista não ficarão sem alternativa nas eleições.

   Os trabalhadores, o povo pobre, os setores médios não ficarão sem uma alternativa classista. As bandeiras socialistas não serão deixadas de lado pela disputa eleitoral. Entre nossos companheiros e companheiras do PSTU lançaremos um nome como alternativa.

   Se esta for a tarefa que a realidade nos colocar, queremos contar com sua participação para elaborarmos juntos uma plataforma eleitoral que expresse as necessidades e os anseios dos trabalhadores.

Em defesa do marxismo. Leon Trotsky. Dia 21/10, na FND-UFRJ

   Teaser de divulgação do lançamento do livro "Em Defesa do Marxismo", de Leon Trotsky, dia 21/10, na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ (Rua Moncorvo Filho, 08 - Centro - Rio de Janeiro; próximo a Central do Brasil, ao lado do Campo de Santana).

Crise atinge alta cúpula da polícia no Rio de Janeiro

Por Jacob Rodrigues, do Rio de Janeiro (RJ)

• No estado do Rio, a mais alta cúpula da segurança pública dos sucessivos governos foi diretamente acusada dos diversos tipos de crimes. De formação de quadrilha a assassinato.

Este é o Estado onde o ex-chefe da Polícia Civil dos governos Garotinho e Rosinha, Álvaro Lins, responde a uma série de processos criminais, tendo inclusive amargado cadeia no presídio de segurança máxima Bangu 8.

Nos últimos dias um terremoto atinge mais uma vez a cúpula. Desta vez na Polícia Militar. A partir do assassinato da Juíza Patricia Aciolly, onde, segundo a imprensa, todos os indícios apontam para as fileiras da Policia Militar, os chefões da PM parecem um castelo de cartas: caem.

O comandante da PM pediu exoneração. Os coronéis que chefiavam as UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora) foram substituídos e novas mudanças são anunciadas enquanto fechávamos esse texto.

Megaeventos
Há no estado do Rio uma ofensiva dos ricos e poderosos de tomarem para si fatias maiores do espaço urbano. Não se pode pensar a realização de eventos como a Copa do mundo, Olimpíadas, ou mesmo a prevista visita do novo Papa, deslocados dessa lógica.

Esta é a mesma lógica que faz recrudescer o gatilho fácil. Somos o estado onde já se teve a gratificação faroeste. Um prêmio dado a policiais por mortes. São os famosos ‘autos de resistência’. Grande parte dos quais escamoteiam a execução pura e simples.

A tentativa de impor uma brutal contenção social, expulsando comunidades inteiras, sob as mais diferentes alegações, é parte desse projeto para redesenhar o espaço urbano. É parte de transformar o que foi a especulação imobiliária anos atrás em lucros reais. Dessa vez, financiados com dinheiro público nas mega obras dos mega eventos.

Há precedentes históricos. A burguesia carioca, junto aos latifundiários, bradava no início do século passado que era necessário expulsar as classes perigosas do centro da cidade. Para essa elite não havia dúvidas, as classes perigosas eram especialmente os trabalhadores, o povo pobre e, em especial, o povo negro.

Uma indústria na ilegalidade
Depois de décadas de abandono e sucateamento do parque industrial da cidade e do Estado, uma parcela dessa burguesia percebeu que é possível obter lucros astronômicos combinando uma perna em atuação legal e outra na ilegalidade.

Projeta-se a exploração de linhas de vans ilegais em um setor da cidade gerando um lucro diário da ordem de R$ 200 mil. Sem falar no controle da distribuição e venda de botijões de gás, gatonet, e taxas de segurança.

   Isto não pode ser feito sem um aparato armado que garanta a segurança do negócio. Tal segurança é feita por empresas na legalidade, por meninos do tráfico, mas também por uma parcela da própria polícia, em especial a PM, que ultrapassa a barreira da legalidade.

   Essa é a polícia que, sob as ordens de Cabral, prendeu 409 bombeiros. Mas esta é também a polícia sobre a qual não faltam acusações. Vão desde o assassinato da juíza, passam pelo recebimento de propina nas áreas invadidas e ocupadas por UPP’s, passam pelo extermínio de parcela da população – em especial a população pobre e negra (o caso do menino Juan é emblemático), chegando até a formação de milícias, que não passam de quadrilhas organizadas para extorquir o povo pobre.

   O tráfico de drogas e de armas é outra faceta de uma indústria atuando na ilegalidade.

   Não estão na cidade ou no Estado os complexos industriais produtores de armas e munições na escala em que são utilizados no Rio de Janeiro. Tampouco as plantações e os laboratórios para a preparação da cocaína, do crack, maconha, e agora o terrível OX.

   O volume comercializado, a dimensão do capital envolvido, apontam para o necessário financiamento dessa indústria de risco. Não é nas comunidades, nos morros, nos bairros populares que os financiadores deveriam ser procurados. Para isso o que deve ser feito é seguir o caminho desse dinheiro manchado com o sangue de nosso povo pobre. Manchado com o sangue de nossa juventude, especialmente nossa juventude negra.

   Porém não será com uma polícia construída e mantida para defender a propriedade privada que isso se dará. Esta polícia transforma-se – e os fatos o demonstram – em beneficiária direta desse mal disfarçado jogo de atuar na legalidade com os pés na ilegalidade.

Polícia para quem precisa. Mas que polícia?
   As UPP’s são a menina dos olhos do governador Sergio Cabral. Este é governador dos 13 presos políticos do Consulado dos Estados Unidos. Dos tiros contra professores, da prisão de bombeiros. Este é o homem que declarou que as mulheres das favelas são fábricas de produzir marginais.

   Sob seu comando tanques ocuparam as comunidades. Sob sua direção comunidades inteiras vivem sob o controle das UPP’s. Entretanto não há indício de nenhuma investigação buscando identificar os financiadores da indústria da morte.

   Por um lado UPP’s, por outro a ocupação direta da chamada Força Nacional. Soldados, em grande parte utilizados na ocupação do Haiti, controlam militarmente regiões como o Complexo do Alemão. A população, em particular as mulheres, são vítimas das mais variadas arbitrariedades e abusos.

   Infelizmente, o Deputado Marcelo Freixo (PSOL), um crítico costumeiro da política de UPP’s, frente à resistência que começa a se expressar entre os moradores do Complexo do Alemão contra a ocupação da Força Nacional, passa reivindicar a instalação de UPP’s, para ‘conseguir a paz’.

   Precisamos de uma polícia de outro tipo. A realidade demonstra que a existência de uma polícia militarizada transita perigosamente entre a legalidade e a ilegalidade.

   É urgente a extinção da Policia Militar. A investigação de todos os seus membros e a construção de uma única policia, desmilitarizada, controlada pelos trabalhadores e a população. Uma polícia com seus chefes eleitos diretamente. Com direito a construção de sindicatos e direito de greve.

   Precisamos inverter a ordem. As investigações precisam recair sobre os financiadores, e sobre os que lucram rios de dinheiro com a indústria da morte. Isto não pode ser feito por uma polícia a serviço da propriedade privada, por uma polícia que atua para os ricos e poderosos e que se beneficia da própria ilegalidade.

   Esta ordem só começará a ser invertida quando ricos e poderosos começarem a freqüentar as cadeias do outro lado das grades.

Lançamento da nova edição do livro "Em defesa do marxismo", dia 21/10

Lançamento da nova edição do livro "Em defesa do marxismo", de Leon Trotsky, com a apresentação de Valério Arcary, historiador e membro da Direção Nacional do PSTU.

Dia 21/10, às 18:30h, na FND-UFRJ.

Participe e divulgue!


Sobre o reconhecimento do “Estado palestino”

Pela derrota de EUA e Israel na ONU!

RONALD LEÓN, DA LIT-QI



• A luta histórica do povo palestino contra o Estado nazista-sionista de Israel, que é parte central da luta de todos os povos do mundo contra a dominação imperialista de conjunto, novamente se encontra no centro da polêmica mundial.

   O atual líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, apresentou no dia 23 de setembro, diante o Conselho de Segurança da ONU uma demanda para o reconhecimento oficial da Palestina como Estado independente, com plenos e idênticos direitos de todas as demais nações. Este status lhe permitiria, por exemplo, denunciar perante a justiça internacional a ocupação de seus territórios por forças sionistas. Na atualidade a Palestina tem, dentro da ONU, um status que não é de Estado, mas sim de entidade “observadora permanente”.

   Essa proposta defendida pelas autoridades palestinas encontra grande simpatia e expectativa não só no mundo árabe, mas também no conjunto da esquerda e do ativismo mundial. No entanto, é preciso colocar com clareza que essa proposta, além de ser escandalosamente limitada, abandona as reivindicações históricas do povo palestino. A proposta de Abbas à ONU propõe conformar um “mini-Estado” palestino cujas fronteiras serão anteriores a de 1967, e com um território compreendido por Gaza, Cisjordânia e a parte de Jerusalém, como capital. Ou seja, é, de fato, uma capitulação a Israel, pois legitima o roubo dos territórios palestinos que usurparam os sionistas em 1948. Segundo publicações da rede de TV Al Jazeera, o presidente Abbas aceitou condições como a permanência dos colonos israelenses que ocupam Cisjordânia, e que esse novo Estado palestino não possua Forças Armadas próprias. Aceitou que até uma força militar da OTAN (Aliança Militar do Atlântico Norte) seja colocada no seu território.

   Outro elemento importante, é que Abbas só faz essa proposta neste momento devido à impressionante pressão do processo revolucionário que sacode ao mundo árabe, historicamente simpatizante da causa palestina. Basta ver a recente manifestação contra a embaixada de Israel no Egito.

   No entanto, apesar de todas as limitações que tem a reivindicação de Abbas, o imperialismo norte-americano e obviamente Israel se opõem categoricamente à proposta. Barak Obama já anunciou que os EUA recusarão a ideia de um Estado independente palestino e que, se for necessário, farão valer seu direito ao veto. O presidente norte-americano declarou ainda, de forma enganosa, que a "paz não chegará mediante declarações e resoluções na ONU (…). Em último caso, são os israelenses e os palestinos, e não nós, os que devem chegar a um acordo sobre as questões que lhes dividem: as fronteiras e a segurança, os refugiados e Jerusalém”.

   Com sua acostumada hipocrisia, acrescentou, ao mesmo tempo, que ambos os setores têm “aspirações legítimas". No mesmo sentido, o próprio Abbas declarou e chamou Israel a que reconheça um Estado palestino e não a "perder a oportunidade para a paz".

   Nós, da LIT-QI, não mudamos absolutamente em nada nossa posição histórica, que parte da necessidade da destruição do Estado nazista-sionista de Israel como condição indispensável para que exista paz na região. Reivindicamos uma Palestina livre, laica, democrática e não racista. Nunca haverá paz enquanto exista o Estado genocida de Israel, na medida em este é um enclave, um estado Policial dos interesses imperialistas na região. Também não mudamos nossa caracterização sobre a direção política palestina atual: a ANP é uma direção absolutamente entreguista e que trai as bandeiras históricas de seu povo.

   Por tudo isso não pode existir e nem conviver “pacificamente” dois Estados. Israel nasceu como um instrumento da contrarrevolução no Oriente Médio. Foi concebido e sustentado pelas potências imperialistas e Stalin. Nós não confiamos de forma alguma na ONU. Sabemos que as decisões votadas nesse espaço nunca poderão servir como solução de fundo para a questão palestina. Tanto é aasim, que a ONU (que hoje pretende atuar como juiz supremo para conceder ou não o direito dos palestinos a ter um Estado) foi a que dividiu Palestina em novembro de 1947, lhe roubando o 54% de seu território em favor de Israel. Nessa época, foram expulsos de suas terras ancestrais mais de 700 mil palestinos, suportando uma série de ofensivas assassinas, no qual o novo Estado nazista-sionista arrasava e massacrava populações inteiras em seu afã de se consolidar. Desde então, o povo palestino vive confinado em campos de refugiados em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e em outras dezenas de outros países.

Estamos pelo voto favorável ao novo Estado palestino
   Nós da LIT-QI estamos pela derrota da posição dos EUA e de Israel nesta votação que se realizará na ONU. Nossa posição parte de um momento em que ocorrerá uma votação sobre uma questão muito concreta (o reconhecimento ou não o novo Estado palestino). O imperialismo está negando a Palestina os direitos básicos que têm outras nações. O direito a um Estado independente palestino pode está gerando uma série de mobilizações na Palestina e em outros pontos do mundo árabe. Por isso, nos posicionamos pelo direito democrático e pela derrota do imperialismo ianque e de Israel nessa votação. Isto não significa, porém, que concordemos com a proposta de Abbas. No entanto, é claro que uma derrota do imperialismo e do sionismo nessa votação, fortaleceria o processo revolucionário árabe e enfraqueceria Israel, muito questionado na região.

   Israel, em razão dos golpes da revolução árabe, encontra-se a cada vez mais isolado. Recebeu golpes no Egito, que se expressou no episódio da embaixada israelense; outro com o afastamento da Turquia, que antes era um de seus principais aliados na área; e outro na Jordânia.  Esses golpes colocaram Israel em uma situação complexa. A tarefa é, por meio das mobilizações a nível internacional e nacional, isolar o Estado sionista cada vez mais. Sabemos que a solução real e a satisfação às reivindicações palestinas não passam pelas negociações, nem ao menos pela ONU. No entanto, podemos aproveitar o fato de que se esteja discutindo a questão para gerar ou potencializar processos de mobilização, além de redobrar esforços na campanha contra Israel.

   É nesse marco que devemos seguir impulsionando a campanha mundial de boicote e pelas sanções contra Israel à qual se somaram inúmeras organizações palestinas e não palestinas, desde 2005. Apesar de seus limites, ao não propor a destruição do Estado de Israel, a campanha coloca objetivos muito progressivos, como o direito de retorno para todos os refugiados palestinos e o fim de todas as agressões israelenses e do bloqueio a Gaza. Ademais, é imperioso exigir em todos os países a ruptura de relações diplomáticas e comerciais com os sionistas.

   Não obstante, insistimos e seguimos sustentando que a única maneira de defender realmente os direitos do povo palestino é lutar pela bandeira original da antiga OLP (Organização para a Libertação da Palestina): a luta pela destruição do Estado de Israel e a construção de um Estado Palestino laico, democrático e não racista, em todo o território de Palestina.