GREVE NO COMPERJ CONTINUA!


Após 11 dias de greve operários do COMPERJ votam acordo, mas patronal se nega a pagar. A greve continua!
 Danilo Gomes, de São Gonçalo – RJ


Na ultima terça-feira (dia 19), os operários do COMPERJ em assembléia lotada aprovaram o final da greve após ouvir nova proposta apresentada.

A proposta de acordo salarial que deveria ser assinado pelo sindicato e a patronal, se aproximava das reivindicações dos trabalhadores no inicio da greve e tem conquistas como 10% de aumento salarial, o pagamento diário de 30 minutos de horas “in tinere`s” (que corresponde a 5% de aumento no salário), aumento no vale refeição de R$ 300,00 para R$360,00 (sendo o mês de março no valor de R$720) e a garantia do pagamento da PLR até o próximo dia 22, além de conquistar o abono dos dias de greve.

Porém, no dia seguinte, os trabalhadores foram pegos de surpresa pela patronal que dizia não aceitar uma parte do acordo votado. No mesmo dia pela manha uma parte significativa das empresas já estava parada novamente e a tarde não havia mais ninguém trabalhando.

O sindicato cutista foi à porta das empresas com panfleto em mãos dizendo que o acordo havia sido assinado e pedindo ao trabalhador que retornasse ao trabalho, sem sucesso. Os trabalhadores do COMPERJ continuam em greve até a gerência se posicionar, sendo que na próxima segunda-feira, 25/02,  haverá uma nova assembleia da categoria

O PSTU e a CSP Conlutas seguem firmes ao lado dos trabalhadores nessa luta.  Sem acordo assinado é canteiro parado!




Operários da construção civil do Comperj entram em greve por tempo indeterminado

Assembleia dos operários do Comperj

Na última quarta-feira, dia 06, os operários da construção civil do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cansados dos desmandos da patronal, declararam greve por tempo indeterminado. 

A greve foi decretada em uma assembleia lotada, com quase 15 mil trabalhadores. Desde o início, a única palavra de ordem que se ouvia era “greve, greve, greve”. Na primeira assembleia, a categoria aprovou uma pauta com as seguintes reivindicações: aumento salarial de 12%, garantia de “horas in tinere” (pagamento das horas de trajeto casa X trabalho), aumento do vale refeição entre outras. 

Porém, na terceira assembléia, a que decretou a greve, receberam uma contraproposta da patronal de aumento de 7,5% no salário e no vale refeição , mas sem o pagamento das horas in tinere.

Depois da reivindicação pelo aumento salarial, a segunda maior reivindicação dos trabalhadores é as horas in tinere devido ao tempo que se gasta para chegar ao Comperj, de difícil acesso. Não existe transporte público que passa por lá, apenas os ônibus das empresas e carros. 

A obra do Comperj é a terceira maior obra do PAC 2, do governo Dilma, e também o maior investimento individual da Petrobrás na história. A obra possui investimentos calculados em R$ 22,1 bilhões.

O governo Dilma tem que intervir desde já em favor dos trabalhadores do Comperj. A direção do Sindicato, ligado à CUT, que na última greve foi atropelada pela categoria, estava com a proposta de paralisação para depois do carnaval e sem um plano de lutas. Novamente, os trabalhadores passaram por cima da sua direção pelega e decretaram greve.

A luta para garantir conquistas está apenas começando. A construção civil já deu demonstrações que não esta disposta a aceitar os abusos dos patrões e dos governos de plantão. Unidos, os trabalhadores podem sair vitoriosos de qualquer batalha! Desde já, o PSTU está solidário aos trabalhadores da construção civil do Comperj.

Relembre a luta em 2012



A classe trabalhadora foi a maior vítima da Ditadura Militar

Trabalhadores compõem a maior parte dos mortos da repressão no período

FÁBIO JOSÉ C. DE QUEIROZ, DE FORTALEZA (CE)

 
 
  Trabalhadores e não os estudantes foram as maiores vítimas da repressão

• O perfil dos mortos e desaparecidos da Ditadura Militar, resultante do trabalho da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, demonstra o conteúdo de classe do sistema de poder militar que se instalou no Brasil depois do golpe de Estado de 1964. Isso se delineia com clareza à medida que conhecemos os números e os nomes das pessoas que são encobertas pelos torpes algarismos. 

Efetivamente, é preciso sujeitar esses números e dados a uma exemplar análise de classe.

Em primeiro lugar, ainda que uma imensa massa documental permaneça ignorada e omitida, a escassez de documento já não é o fator impeditivo a não habilitar uma real e frutífera investigação do caráter de classe do regime de força. Polêmicas e controvérsias à parte, já é possível confirmar a tese de que a Ditadura Militar estava a serviço do capital contra o trabalho, da burguesia contra a classe trabalhadora, ainda que devam aparecer aqueles que, em nome da “complexidade das coisas”, não se furtarão de acusar essa tese de reducionista.

Ora, vejamos. Das 437 pessoas que constam nas categorias de “Mortos e Desaparecidos Políticos”, 248 (56% do total) eram trabalhadores. Tomando e destrinchando esse número funesto, notaremos que a maioria era constituída de operários (55 ao todo). Além do operariado, há forte presença de camponeses (40), professores (23), bancários (17) e jornalistas (12). Irredutivelmente, esse é o quadro.

Nessas condições, essas informações estão em flagrante contradição com pontos de vista firmados de que foram os estudantes os principais alvos da ditadura, ainda que estes tomados individualmente devam ser considerados os maiores mártires do militarismo: 125 entre mortos e desaparecidos. Mas quando somamos os diversos estratos da classe trabalhadora que foram presas fatais do poder ditatorial, contamos 258 vítimas ao todo.

Aqui, não se trata de saber quem é mais ou menos importante. Na memória dilacerada dos oprimidos, todos são semelhantemente importantes. Nesse ponto, o que é válido é estabelecer uma linha histórica fundamental do caráter de classe dos governos militares que, brutal e imerecidamente, dominaram a cena política brasileira por cerca de duas décadas. O que importa é entender o significado desse mapa simbólico, embebido de sangue, onde os alfinetes introduzidos na letal representação cartográfica exprimem majoritariamente a classe dos assalariados levada ao cadafalso.

Imaginem uma cor para cada segmento: azul para os estudantes; verde para os militares; cinza para os religiosos; vermelho para os trabalhadores. O resultado é que o vermelho predominaria ante os olhos atônitos. Medido por esse padrão, não há como ignorar o fato de que as FFAA em nenhum momento deixou de ser o governo da classe economicamente dominante.

Tais fatos se inscrevem em um quadro mais amplo em que constavam intervenções nos sindicatos, prisões de lideranças sindicais, proibição de greves, ríspida contenção salarial, superexploração da força de trabalho para além das condições conhecidas e penetração bárbara do capital internacional no Brasil. No contexto dessa lastimável situação enredou-se a dívida externa que, hoje, alcança o patamar de 422 bilhões de dólares. 

Assim, começa a se desenhar com alguma nitidez a verdadeira natureza do militarismo triunfante. Falamos de natureza porque foi se cristalizando num modelo: o modo ditatorial de governar a serviço do capital.

Ressalvas à parte, ao se observar atentamente o que existe detrás dos números é que a ofensiva física contra os trabalhadores, traduzida em mortos e desaparecidos (igualmente mortos), era a expressão mais aterradora de um projeto de rendição do Brasil a um projeto global do imperialismo. A relativa autonomia das FFAA terminava em sua adesão a esse projeto das multinacionais e dos governos imperialistas. A função dos militares brasileiros foi cumprida tenazmente, uma vez que transformaram o país em um cativeiro ideológico à força de ferro e fogo. A presença de 35 militares na lista dos mortos e desaparecidos demonstra que a corporação militar, como qualquer outra instituição, não constitui uma unidade indissolúvel, mas também é atravessada por contradições e antagonismos. A igreja, que apoiou publicamente o golpe de Estado de primeiro de abril de 1964, perdeu três dos seus membros na longa noite da ditadura.

Dessa perspectiva, não há lugares para a omissão e a condescendência. Ao trabalhador, ao estudante, ao religioso, ao militar, a todos e a cada um, sem embargo, cabe a tarefa de exigir não apenas a apuração dos crimes da ditadura, mas, do mesmo modo, a punição exemplar de todos os envolvidos na prática de terrorismo de Estado.

De Frente com a Homofobia

Em entrevista na TV, pastor Silas Malafaia dissemina ódio aos homossexuais


FLÁVIO BANDEIRA, DA SECRETARIA LGBT DO PSTU


Reprodução
Silas Malafaia no programa De Frente com Gabi

• A entrevista do pastor Silas Malafaia ao programa "De Frente com Gabi", comandado pela jornalista Marília Gabriela, provocou revolta nas redes sociais. O líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristoficou entre os tópicos mais comentados no Twitter essa segunda-feira, dia 4, e uma onda de postagens, comentários, paródias e 'virais' sobre a entrevista ocupou o Facebook. O programa foi ao ar no dia 3 de fevereiro, com recorde de audiência e, um dia após a sua exibição, já possuía mais de um milhão de acessos no YouTube. 


A revolta não poderia ser diferente. Silas Malafaia aproveitou, mais uma vez, o momento em frente às câmeras para disseminar e incitar ódio aos homossexuais. Durante a entrevista, esbravejou que sua Igreja “cura” o comportamento homossexual e a transexualidade, marcou sua posição contrária ao PLC 122 que criminaliza a homofobia e disse “amar os homossexuais assim como ama os bandidos”.



As declarações do pastor são todas oriundas de muito preconceito e embasadas em teorias deterministas e arcaicas do início do século XX. Até mesmo recorre à genética, mas sem nenhum embasamento científico, para reafirmar suas posições preconceituosas.



A situação LGBT
Os homossexuais e toda a comunidade LGBT do nosso país têm conquistado importantes vitórias nos últimos anos. Isso é inegável. O reconhecimento da união estável em 2011 pelo STF; o posterior reconhecimento de uniões civis pelo STJ, seguido pelos Tribunais de Justiça de Alagoas, Bahia, Piauí e agora São Paulo são avanços para o conjunto da sociedade, contudo, existe ainda muita cotradição na sociedade brasileira.



Não podemos considerar como vitória o fato de o Brasil seguir sendo o país onde os homossexuais são mais assassinados no mundo. Há uma concentração de 44% na taxa de homicídio de LGBT´s aqui. A entrevista de Silas bem como sua citação de que “um tapa na cara de um hétero tem o mesmo peso do que um gay” é um desserviço, pois desqualifica o que tipificamos de crime homofóbico. Mais do que isso: é um desdém e desprezo por todas as organizações e movimentos sociais que hoje pesquisam, estudam, elaboram e publicizam o grave problema dos crimes contra homossexuais.



Outro elemento triste da entrevista é o profundo desrespeito que o pastor comete contra as famílias e casais de homossexuais que vivem em nosso país. O ultimo censo do IBGE realizado em 2010 aponta que existem 60 mil casais homossexuais no Brasil. Independente das motivações filosóficas e morais de qualquer religioso, as relações homoafetivas existem e seus desdobramentos em famílias e recomposições familiares também. Isso precisa ser divulgado e recriminado qualquer forma de discriminação.



Alem disso, no hall de derrotas que os LGBT´s sofrem em nosso país há o completo silêncio da Presidenta Dilma frente a todos os ataques que sofremos. OS LGBT´s formam um grupo de milhares de pessoas no país e não têm qualquer garantia nest governo. O PT e seus aliados no Congresso Nacional seguem sem aprovar nenhuma medida que de fato contribua para o combate à homofobia em nosso país.



A importância de aprovar o PLC – 122 que criminaliza a Homofobia
O tom da entrevista, o histórico de sucessivas manifestações homofóbicas feitas por Silas Malafaia, Bolsonaro, Myriam Rios, Padre Fábio de Melo em rede nacional e o quadro geral da homofobia em nosso país não pode deixar as organizações políticas e o conjunto dos movimentos LGBT´s sem se manifestarem sobre o tema. 



É necessário seguir combatendo e chamando todos os movimentos sociais a se manifestarem contra todas as formas de discriminação. Não podemos mais silenciar frente às bárbaras mortes LGBT´s e de suas lideranças em nosso país e não exigir punições severas.



A entrevista do Malafaia colocou milhares de trabalhadores brasileiros de frente com a sua homofobia. Muito preconceito, discriminação fundamentados em teorias vazias que são citadas para dividir opiniões e confundir a grande massa.



Nós do PSTU somos completamente contrários a todas as posições homofóbicas. Acreditamos que a aprovação do PLC – 122 é uma pauta necessária para o conjunto da classe trabalhadora de nosso país. Em nossa opinião, a aprovação desta lei está atrasada, pois caso estivesse em vigor, tal pastor não poderia ir a um canal de televisão aberto, com concessão estatal como o SBT, incitar o ódio contra uma população que vem sendo paulatinamente agredida e assassinada por esse ódio. 



Para nós, posturas como a do Malafaia e de todos os homofóbicos de plantão contribuem para o ódio e para o aumento da violência contra os homossexuais.



Por isso reivindicamos:
- A imediata Aprovação do PLC – 122;

- A imediata aprovação da União Civil para Casais homossexuais em todo território nacional, bem como o direito de adoção;

- Liberação do Kit Anti – Homofobia para todas as escolas públicas e particulares.



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Governo aumenta a gasolina para manter os lucros dos investidores estrangeiros

Medida foi exigida pelos acionistas da Petrobrás e deve provocar escalada inflacionária

Reajuste vai desencadear inflação

Poucos dias após a presidente Dilma ter ido à TV anunciar a redução da conta de luz, o governo autoriza a Petrobrás a reajustar o preço do combustível. O aumento divulgado nesse dia 30 de janeiro estabelece um reajuste para as refinarias de 6,6% na gasolina e 5,4% no óleo diesel. Estima-se que o reajuste final ao consumidor nas bombas deve ficar em torno dos 4% e um pouco menos em relação ao diesel.


O aumento se deve à pressão dos investidores e da diretoria da Petrobrás, que estariam reclamando da diferença entre o preço que a estatal compra o combustível importado e o valor em que vende o produto no Brasil. Para a direção da estatal, a defasagem entre o preço internacional do combustível e o que é praticado aqui estaria causando um prejuízo de quase R$ 2 bi por mês. O crescimento de 80% do consumo de gasolina nos últimos 4 anos teria aprofundado a dependência ao produto importado e o “rombo” na empresa. 



Com o aumento, a Petrobrás deve ganhar mais R$ 650 milhões por mês para equilibrar suas contas ou, em outras palavras, turbinar os resultados dos investidores. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificou o reajuste afirmando se tratar de “uma pequena correção que não vai atrapalhar ninguém”.



Com o que chamam de “prejuízo”, o valor de mercado da Petrobrás despencou no último período, indo de 200 bilhões de dólares em 2010 para os atuais 80 bilhões. Como a empresa deve divulgar um relatório sobre seus resultados no 4º trimestre de 2012 ao mercado no próximo dia 4 de fevereiro, o aumento serve para melhorar os indicadores da Petrobrás e a sua imagem entre os investidores da Bolsa de Nova Iorque. 



Em declaração ao jornal Brasil Econômico, representante da Citi Corretora explicou como o mercado vê a má situação da empresa: “O resultado deve ser fraco em função de perdas com a depreciação cambial e também importação elevada de combustível” . Para o analista, espera-se um lucro de “apenas” R$ 4,7 bilhões para o período.



População pobre paga o pato
Apesar de o governo estimar o impacto do reajuste em apenas 0,3% na inflação final de 2013, a verdade é que esse aumento provoca um efeito cascata em que os mais prejudicados como sempre, são os mais pobres. Se o aumento da gasolina chega menor na bomba devido à inserção de outros componentes, como álcool, no caso do diesel todo o reajuste é repassado ao frete rodoviário, encarecendo o transporte de mercadorias e, por tabela, uma infinidade de produtos básicos.



O aumento do combustível afeta toda a economia, inclusive o transporte coletivo. Serve como justificativa, por exemplo, para uma nova rodada de reajustes nas tarifas do transporte urbano nos municípios. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) adiou o aumento na tarifa a fim de evitar um desgaste maior ao governo Dilma, mas já anunciou novo reajuste para junho deste ano. O mesmo já está ocorrendo nas demais cidades.



Por uma Petrobrás 100% estatal
Esse novo aumento revela a lógica de mercado que rege a atuação da Petrobrás, uma empresa oficialmente estatal mas que está, na prática, entregue ao capital privado estrangeiro. Mais da metade das ações da empresa é negociada na Bolsa de Nova Iorque e o resultado vem sendo uma gestão que, longe de estar direcionada às necessidades do povo brasileiro, apenas visa garantir o retorno dos acionistas.



Isso se reflete no preço da gasolina, uma das mais caras do mundo, o que encarece também o transporte e o preço final dos produtos mais básicos. Provoca também uma pressão cada vez maior, no interior da empresa, por produtividade e resultados, com a degradação das condições de segurança dos trabalhadores da Petrobrás, o avanço das terceirizações e falta de investimentos. 



Uma série de interdições de plataformas da empresa no último período pela própria Agência Nacional do Petróleo (ANP) já provocou uma queda na produção do petróleo de 2,3% no último ano, segundo o jornal carioca O Globo, num momento em que a demanda cresce cada vez mais.



Apesar dessa situação, a Petrobrás ainda lucra e muito. Não há nada que justifique esse aumento no preço do combustível que não a garantia dos lucros dos rentistas estrangeiros. E, ao contrário do que Mantega disse, vai sim “atrapalhar” muita gente, para variar os mais pobres. Esse reajuste mostra a importância de se retomar a campanha em defesa de uma Petrobrás 100% estatal, voltada aos interesses do povo brasileiro e não de um punhado de investidores de Nova Iorque. 

Juventude do PSTU esteve no Acampamento Internacional de Observadores aos Guarani-Kaiowá

Militância presenciou a situação dramática da etnia Guarani-Kaiowá


VANESSA MONTEIRO CUNHA, DE SÃO PAULO 


Comunidades indígenas estão cada vez mais encurraladas pela expansão do agronegócio
• O ano de 2012 passa a compor a história dos Guarani-Kaiowá nos marcos de um grande drama. Confinados em terras cada vez menores, sob a mira dos pistoleiros e a omissão do governo federal, encontram-se em luta não só pelas condições necessárias para a manutenção de sua cultura, mas para a sobrevivência de cada um de seus membros. A carta dos indígenas da comunidade de Pyelito Kue - datada de outubro de 2012 – na qual declararam que iriam resistir até o fim à ação de despejo, comoveu grande parcela da sociedade e ganhou repercussão nacional e internacional.


Com o intuito de dar visibilidade à luta dos Guarani-Kaiowá por suas terras originárias, denunciar o etnocídio declarado e expandir a rede de solidariedade, foi realizado, nos dias 22 de dezembro de 2012 a 5 de janeiro de 2013, o Primeiro Acampamento Internacional de Observadores aos Guarani-Kaiowá, na aldeia Takwara, município de Juti/MS. O acampamento, composto por aproximadamente 30 pessoas, contou com a participação de diversas organizações e movimentos sociais, tais como Luta Popular, CSP-Conlutas, ANEL, Tribunal Popular da Terra, Associação de Geógrafos do Brasil (AGB), PSTU, PSOL, entre outros. A presença de um observador da Catalunha gerou repercussão e sensibilizou uma parcela da juventude catalã que realizou, no último dia 18, um ato em solidariedade aos Guarani-Kaiowá em frente à embaixada brasileira. Além disso, notícias acerca do acampamento foram publicadas em cinco jornais europeus durante a sua realização.



Nós, da juventude do PSTU, estivemos presentes e podemos avaliar, dado a experiência ombro a ombro com os Guarani-Kaiowá que, desde a repercussão gerada em outubro do ano passado até hoje, nada mudou.



Ao latifúndio tudo, aos povos indígenas nada
A etnia Guarani-Kaiowá sofre, há mais de meio século, com a expropriação sistemática de suas terras originárias. Em 1988, com o advento da Constituição, formalizou-se a obrigatoriedade do Estado na demarcação e homologação das terras devolutas aos povos indígenas, que as têm como direito inalienável. No entanto, esta não é só uma tarefa descumprida. O que existe, nos últimos anos, é o processo contrário. 



Por um lado, governantes buscam aplicar emendas constitucionais que colocam em cheque este direito, como a PEC 215, que propõe que a demarcação e homologação das terras indígenas e quilombolas sejam realizadas diretamente pelo Congresso Nacional e não pelo poder executivo. Por outro, fazendeiros fazem ocupações ilegais e contam com a omissão da justiça federal. Atualmente, dos 9700 hectares reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) à comunidade Guarani-Kaiowá da aldeia Takwara, apenas 90 são ocupados, todo o restante foi tomado para o plantio de soja e cana. Ao longo do acampamento, os indígenas deixaram bastante clara a centralidade da terra para sua sobrevivência: sem terra não há educação, saúde, moradia e sua própria história.



O cotidiano de guerra dos Guarani - Kaiowá
À medida que aumenta a resistência dos povos indígenas na luta pelas suas terras tradicionais, aumenta também a violência por parte dos fazendeiros, jagunços e do próprio Estado. Nos últimos nove anos, foram registrados 273 assassinatos a lideranças Guarani-Kaiowá. Dentre os quais se encontra o assassinato de Marcos Veron, em 2003, que ocorreu em meio à tortura, perseguição e estupro de indígenas, como represália à luta que se conformava com maior força desde 2001. Desta forma, assassinatos, ameaças e o altíssimo grau de suicídio, em particular entre a juventude, configuram o cenário constante de medo. Durante uma das expedições que realizamos nas terras da takwara, nos deparamos com um jagunço a cavalo, de espingarda nas costas, que foi coibido pela nossa presença. Esta situação expressa – ainda que muito pouco – a violência cotidiana. 



Esta não é, contudo, a única forma sob a qual se manifesta a violência nas aldeias. O confinamento se agrava com o fato de que as poucas terras ocupadas pelos indígenas possuírem uma parcela significativa improdutiva ao plantio, o que se combina com o extermínio da biodiversidade por conta do agronegócio. Em uma reunião, apenas com as mulheres da aldeia, as indígenas nos relataram com bastante dor como a ocupação das terras tem interferido no cotidiano da comunidade. As águas estão contaminadas, a caça e o plantio são precários, a fome é generalizada. Há relatos de crianças com tuberculose, ainda em fase de amamentação, obrigadas a se alimentar apenas com mandioca e água, devido à escassez. 



Também tem sido cada vez mais recorrente uma série de doenças – tais como intoxicação, tuberculose e câncer – perante as quais pouco ou quase nada podem fazer. Os remédios extraídos da mata, cultivados por conhecimento secular, já não se encontram como antes. O povo Guarani – Kaiowá sofre com a fome, com a moradia absolutamente precária (barracões de madeira ou apenas lona), bem como com a falta de recursos para garantir a educação às crianças. A única escola existente na aldeia Takwara nunca foi inaugurada, a infraestrutura é frágil a ponto de, nas tempestades, os telhados voarem. Não há manutenção e a maioria dos materiais necessários aos alunos é paga pelos próprios professores da aldeia, que recebem um salário de aproximadamente R$600,00. 



Governo Dilma e órgãos representativos na outra margem... 
Toda essa miséria não corresponde, no entanto, ao relato da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão governamental responsável pela questão indígena. Segundo a FUNAI, cestas básicas seriam enviadas quinzenalmente; as casas seriam de alvenaria; a educação de qualidade e a saúde acompanhada por agentes da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), com médicos que visitam as aldeias duas vezes por semana. Atualmente, a FUNAI cumpre um desserviço aos povos indígenas ao, por um lado, mascarar a situação real das comunidades e, por outro, ainda quando faz algum tipo de exigência ao governo, se mantém descolada das lutas pela retomada de terras. Estas foram as principais denúncias feitas pelas próprias lideranças. 



Neste momento, está sendo analisado um projeto na Câmara, em conjunto com a FUNAI, que prevê acordo entre índios e agronegócio. Esta medida abre margem para o agenciamento de indígenas ao trabalho semiescravo nas lavouras, exploração historicamente utilizada em nosso país. Diferentemente do que coloca Nelson Padovani (PSC-PR), autor do projeto, não é possível conciliar os interesses do agronegócio e dos povos indígenas.



O governo Dilma tem também sua parcela de culpa no drama social dos Guarani-Kaiowá, que se aproxima da barbárie. Durante o governo Dilma, cresceram a violência por parte do Estado aos indígenas e se reduziu o orçamento para a regularização fundiária destes territórios. As ordens de despejo vêm diretamente da Justiça Federal, as homologações também. Portanto, é diretamente responsabilidade de Dilma o aprofundamento do quadro lamentável de violência e criminalização do povo Guarani – Kaiowá. De acordo com Araldo Veron, cacique e professor da aldeia, somente a resistência garantirá as terras.



"Eu estou completamente desacreditado neles [governo PT], porque não adianta falar ‘Dilma, eu quero que você demarque nossa terra! Dilma, eu quero que você homologue nossa terra!’ (...) Não adianta, ela é só uma figura, não vai fazer nada. Se nós, índios kaiowá e guarani, não fizermos a retomada mesmo, do nosso jeito e da nossa vontade, ela não vai fazer nada. Nós vamos partir pra luta e não vamos desanimar. O que quero dizer a ela é que, querendo ou não, vamos fazer a retomada de nossas terras, nem que para isso seja derramado mais sangue de lideranças.”



Resistência e luta Guarani – Kaiowá 
Mal viramos as costas à terra vermelha da Takwara, seguiram-se os ataques. Dia 6 de janeiro, os arredores da aldeia foram incendiados, sob a suspeita de ação criminosa. No dia 26 de janeiro, os indígenas perderam cerca de 20 hectares devido a um novo incêndio na aldeia, amedrontando toda a população. Dia 27, o cacique Ademir Salina, liderança da aldeia Remanso, no município de Japorã/MS, sofreu ameaça de morte. 



Assim, a resistência aos ataques de seus inimigos e a luta pela retomada de suas terras sagradas, onde viveram seus antepassados, seguirão bravamente. Seguirão resistindo e lutando enquanto o governo mantiver sua política de privilégio ao agronegócio e aos latifundiários, ignorando as reivindicações históricas do movimento indígena. Esta é a única forma de retomarem, junto com a tekoha (terra), a perspectiva de uma vida digna às próximas gerações, onde possam seguir produzindo e reproduzindo sua cultura.