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Trabalhadores da saúde se mobilizam contra o desmonte da saúde federal no RJ

Trabalhadores da Saúde Federal
 novamente no NERJ 
Dirley Santos , da Redação

Os trabalhadores da Saúde Federal do Rio de Janeiro, estiveram, na manhã desta quarta-feira (14/01), novamente no NERJ (Núcleo Estadual do Rio de Janeiro) exigindo explicações do governo federal frente a estadualização-privatização. 

A mobilização dos trabalhadores arrancou uma audiência com representantes do Ministério da Saúde. De acordo com Cíntia Teixeira, trabalhadora da saúde e militante da CSP-Conlutas/RJ, "O governo desmentiu a estadualização, mas nós cobramos uma nota oficial contra a entrega para as OS's". também foi exigida uma posição contra o despejo do núcleo sindical dos servidores do Hospital Cardoso Fontes. 

Ainda segundo Cíntia "o governo federal tem que assumir a sua responsabilidade perante o sistema público de saúde", pois está claro que o atual sistema de regulação de leitos não funciona e por conta disso pessoas estão morrendo nas UPA's.

A categoria realizará nova assembléia no dia 22/01 (5a feira) para organizar a campanha salarial deste ano e a continuidade da luta contra estadualização-privatização.

Fotos: Cíntia Teixeira

Trabalhadores da Saúde Federal
protestam em frente ao NERJ

Trabalhadores da Saúde Federal em audiência com o governo federal


Lutaremos! Visando a privatização, governos realizam manobra e atacam a saúde federal

CSP-Conlutas/RJ 

O governo federal em parceria com o governo estadual do RJ fazem uma manobra em estadualizar os 6 hospitais federais entregando a gestão para as OSs ou fundações. Há dois anos a CSP-Conlutas e Fórum de Saúde seguem denunciado os contratos com as OSs que somam por ano 2 bilhões de reais.

E o que vemos é a continuidade com faltas de leitos e demora nos atendimentos ambulatoriais e cirurgias. Falta de insumos e manutenção das edificações das unidades, e farsa do sistema SISREG (Sistema de Regulação de Internações).

A luta contra a EBSERH vem fortalecendo trincheiras sendo necessário que os trabalhadores se reorganizem para barrar mais esta tentativa de privatização.

Ato dos trabalhadores do Hospital de Ipanema contra a privatização (6/01/41)

Confira abaixo a matéria de O Dia do RJ:

Transferência para o estado de hospitais federais de Rio está sendo negociada
Pezão discute com ministro da saúde detalhes relacionados ao repasse de fundos para o manutenção das unidades

Por Fernando Molica

Rio – A transferência ao estado dos seis hospitais federais de Rio está sendo negociada pelo governador Pezão e o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ambos concordam com a medida, mas ainda discutem detalhes relacionados ao repasse de recursos do ministério e serviço das unidades.

O orçamento anual dos seis hospitais — Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores — chega a R$ 4,5 bilhões. O estado quer garantir o recebimento desta verba por muitos anos.

Problemas
Apesar do orçamento generoso, os hospitais federais enfrentam muitos problemas — 600 de seus leitos foram fechados nos últimos anos, obras intermináveis prejudicam o atendimento no Andaraí e em Bonsucesso.

Contrato de gestão
A administração dos hospitais caberia a organizações sociais (como o caso do Instituto do Cérebro) ou à Fundação Saúde, ligada ao estado. Haveria um contrato de gestão para determinar metas a serem cumpridas.

Integração
Pezão quer uma integração entre as redes federal, estadual e municipal; não está descartada a possibilidade de o estado ficar também com institutos como o de ortopedia (Into). Pela proposta, a prefeitura ficaria com o atendimento básico: em 2015, receberia do Estado os dois postos de atendimento e poderá assumir os hospitais Rocha Faria e Albert Schweitzer.

Reunião
No dia 7, Chioro, Pezão e Eduardo Paes terão uma reunião em Brasília.

Saiba mais http://cspconlutas.org.br/

Por que o ato com Lula, no RJ, não representa a defesa do pré-sal?

O que o Brasil precisa é da volta do monopólio e de uma Petrobrás 100% estatal


   A utilização da figura de Lula em uma suposta "defesa do pré-sal" atende a interesse eleitoreiro. Assim como Aécio e Marina utilizam-se de qualquer matéria relacionada à Petrobrás para ganhar votos, o governo do PT faz o mesmo, ao adotar, no discurso, ideias que não praticou.

   Os governos do PT leiloaram mais campos que o de FHC. Dilma realizou o maior leilão do mundo, entregando o Campo de Libra. Como agora, à época também praticou estelionato eleitoral, dizendo de forma categórica que defenderia o pré-sal e depois, em seu governo, promoveu este capítulo vexatório de entreguismo como nunca antes na história deste país. Com a aproximação das eleições, Dilma entregou Búzios, Entorno de Iara, Florim e NE de Tupi diretamente para a Petrobrás, tratamento diferente ao dedicado ao campo de Libra.

   Talvez por isso a “manifestação” tenha sido convocada repentinamente, inclusive sem a participação da CAMPANHA “O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO!”, por entidades que se colocaram nos últimos anos muito longe das lutas em defesa da Petrobrás e do pré-sal (como a CUT e a FUP) e em seu panfleto se limite a apontar os grandes avanços que o PT teria feito para o petróleo brasileiro.

   Marina e Aécio podem até criticar a política do governo petista para o setor e Dilma pode até aproveitar a fama dos tucanos, ou o gancho da declaração de Marina sobre o pré-sal, mas a verdade é que compartilham de ideias neoliberais e privatizantes bem parecidas.

   O que o povo brasileiro necessita é de uma alternativa de verdade, um programa construído pelos movimentos sociais. Este é o sentido da Carta Compromisso aprovada no Congresso da FNP - Federação Nacional dos Petroleiros - e assinada pelo meu candidato a presidente, Zé Maria. É por isso que eu ‪#‎TôComZé‬ e ‪#‎Voto16‬.

   Defender o pré-sal não é ir a um ato convocado de forma oportunista pelo governo, mas estar, junto com os petroleiros e demais movimentos dos trabalhadores, lutando contra os leilões, pela volta do monopólio dos hidrocarbonetos e por uma Petrobrás 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores brasileiros.

* Brayer Lira é geofísico da Petrobras e diretor licenciado do Sindipetro-RJ e da FNP – Federação Nacional dos Petroleiros - e candidato a deputado estadual pelo PSTU-RJ, com o número 16.001.

Greve na saúde federal começa com força no Rio


Funcionários do Hospital Servidores do Estado (HSE) protestam na rua

                                                               Por Cintia Teixeira, militante do PSTU
e integrante do Setorial de Saúde e Saúde do Trabalhador da CSP-Conlutas

Em greve por tempo indeterminado desde segunda-feira (3/02) os servidores da saúde federal do Rio, lotados em hospitais e institutos federais, buscam impedir a implementação do ponto eletrônico e garantir a carga horária de 30 horas semanais.
A categoria decidiu pela greve porque o Ministério da Saúde se recusou a suspender o início da implantação do ponto eletrônico, que já está em fase de testes.
As assembleias locais realizadas nos oito hospitais federais ratificaram a decisão da assembleia geral de apontar o início da paralisação e os trabalhadores decidiram boicotar o ponto eletrônico, não registrando sua presença nele.
Estas medidas nada mais são que medidas do governo Dilma para acelerar o processo de privatização dos hospitais federais. O governo planeja transferir o controle destas unidades para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), criada para terceirizar a administração destes hospitais.
Ao invés de romper com a cartilha neoliberal e privatista de FHC e do FMI desde 2003 os governos do PT e seus aliados a seguem, sucateando os serviços públicos, desviando verbas publicas, deixando os servidores sem condições de trabalho e impedindo o atendimento digno à população.

Com ponto eletrônico e EBSERH governo Dilma ataca conquistas
Programado para começar a funcionar no próprio dia 3/02 o ponto eletrônico, chamado também de controle biométrico, na prática desrespeita a garantia da carga horária de 30 horas semanais e o direito de duplo-vínculo.
De acordo com a categoria, o ponto está programado para cobrar uma jornada de 40 horas semanais – sendo que os hospitais funcionam sob a jornada de 30 horas há cerca de 30 anos.
Os trabalhadores também afirmam que a transferência do controle das unidades federais de saúde para a eventual entrada da EBSERH ou de empresas similares nos hospitais significará o fim definitivo da carreira da seguridade social.
Greve começa forte e radicalizada
Já no primeiro dia de greve foram realizados atos públicos pela manhã e à tarde, que seguem ocorrendo. Houveram manifestações no Hospital Cardoso Fontes (em Jacarepaguá), no Hospital da Lagoa (Zona Sul) e no Hospital dos Servidores (Centro).
Também se encontram entre as principais reivindicações da greve da categoria a campanha em defesa do serviço público de qualidade; a participação na marcha nacional do funcionalismo público em Brasília, no dia 05 de fevereiro e a inclusão da tabela salarial do Seguro Social.

É preciso unificar as lutas
Realmente o ano de 2014 começou com ares de 2013. Desde o final do ano passado, apesar do intenso calor, protestos contra falta de água e luz, contra as remoções provocadas pela Copa, manifestações contra os aumentos de passagens, os rolezinhos nos shoppings e diversas outras mobilizações têm sacudido o país.
Por tudo isso, nós do PSTU consideramos necessário cercar com toda a solidariedade a greve dos servidores federais, assim como as dos rodoviários em várias cidades (como Porto Alegre) e fazemos um chamado pela construção um calendário unificado de lutas e mobilizações reunindo as greves, as lutas contra os aumentos das passagens, as mobilizações por moradia e contra os gastos da Copa e os rolezinhos.

CALENDÁRIO DE GREVE E MOBILIZAÇÃO
04/02 – terça-feira
- Ato no Hospital da Lagoa
05/02 – quarta-feira
- Ato no Hospital do Andaraí
- Reunião do Comando de Greve - Sindsprev RJ (Rua Joaquim Silva, 98 – Lapa)
06/02 – quinta-feira

- Ato público unificado com concentração no Hospital de Bonsucesso

Eduardo Paes semeia o caos e autoritarismo no Rio


   A cada dia que passa, a política do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, traz sérios prejuízos a população da cidade. Obras faraônicas, caos no trânsito, negociatas com ONG´s
Fotos: Tânia Rego - Ag. Brasil
e empresas, autoritarismo e truculência, eis as marcas de seu mandato.

   A tragédia da Linha Amarela é a expressão mórbida do desastre que significa a gestão pemedebista em aliança com o PT. Mantém uma via expressa privatizada dentro da cidade, que cobra um absurdo pelo pedágio e oferece péssimos serviços à população. A LAMSA, concessionária da via expressa, enriquece às custas de um dos pedágios mais caros do Brasil e não cumpre sua tarefa de fiscalizar a via e organizar o trânsito como deveria. Afinal de contas, para essas empresas o lucro fala mais alto que a vida. 
   É obrigação da Prefeitura romper a concessão e multar a LAMSA e retomar para sua responsabilidade o controle e gerenciamento da Linha Amarela. É preciso, ainda, alertar que,
Bombeiro presta primeiros socorros às vítimas do acidente,
que deixou 4 mortos e ao menos 5 feridos
assim como a LAMSA, existem diversos outros órgãos privados gerindo escolas, unidades de saúde básica, serviços de trânsito etc. Esse é o modelo do Eduardo Paes: entrega total dos serviços da Prefeitura a tubarões e picaretas.

   Neste momento, prestamos solidariedade às famílias das vitimas dessa tragédia absurda e vamos intensificar as mobilizações para acabar com a farra de Eduardo Paes e seus comparsas.

Funcionários da Embratel fazem ato pela readmissão de Cacá

Fotos: Paollo Rodajna
Foi realizado, na última quarta-feira (15/01/2014), um ato contra a demissão de Carlos Augusto Machado, conhecido como Cacá, ex-dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações (SINTTEL) e representante dos empregados no Conselho Deliberativo do fundo de pensão Telos. Numa clara atitude de agressão ao direito democrático de organização, a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) alegou estar realizando uma suposta reestruturação. Até agora, esta atingiu apenas Carlos Augusto.Não é de hoje que a Embratel demite por perseguição a ativistas; com a sua privatização no governo FHC, diversos trabalhadores foram demitidos, salários foram arrochados, direitos retirados, ataques feitos ao fundo de pensão dos trabalhadores. Logo em 1998, após a privatização foram demitidos 1500 funcionários (15,43% do total) através do PDV; já em 2004, quando a Telmex assumiu controle, foram demitidos mais de 1200 trabalhadores. Em 2012 foram 3 dirigentes sindicais demitidos por perseguição, e agora Carlos Augusto.
Cacá fala no ato contra sua demissão
Contra mais essa arbitrariedade, diversos ativistas e funcionários fizeram um ato na porta da empresa, contando com a participação de representantes do Andes-SN, SINTTEL, CSP-Conlutas, ANEL, o vereador Paulo Eduardo Gomes (ex-funcionário e ativista da Embratel) e outras, os quais prestaram sua solidariedade ao trabalhador até então demitido.A mobilização reuniu cerca de 100 pessoas, as quais, ao final das falas dos representantes das diversas organizações já citadas, gritaram pelo retorno do companheiro à empresa.Assim, os presentes no ato reafirmaram o compromisso de lutar pela readmissão do ex-dirigente do sindicato. 

Um novo leilão de gás e petróleo

Da Redação

Além do entreguismo, governo Dilma quer iniciar exploração de gás não-convencional que tem enorme impacto socioambiental

   Foi realizado nesta quinta-feira, 28, a 12ª Rodada de Licitações de petróleo e gás realizada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). O leilão ocorre pouco tempo depois da privatização do petróleo do Pré-sal, com a venda do campo de Libra. Dessa vez, foram arrematados 72 dos 240 blocos exploratórios terrestres nas bacias do Paraná, Parnaíba, Acre-Madre de Dios, Sergipe-Alagoas, Parecis, São Francisco e Recôncavo. A privatização dos blocos rendeu aproximadamente R$ 165,2 milhões. 

   No total, 12 empresas arremataram os blocos, sendo 8 brasileiras e 4 estrangeiras. Entre elas estão a Petrobras, Alvopetro, Bayar, Companhia Paranaense de Energia, Cowan, GDF Suez, Geopark, Nova Petróleo, Ouro Preto, Petra Energia, Trayectoria e Tucumann.

   Desta vez, o objetivo da ANP foi leiloar blocos com potencial para gás natural não convencional ou gás extraído de um tipo de rocha sedimentar chamada folhelho. A extração deste tipo de gás requer o uso de técnicas pra lá de questionáveis no que se refere à questão socioambiental. Foi por isso que várias entidades sindicais de petroleiros e organizações ambientais denunciaram o leilão.

   A extração do gás não convencional é questionada por conta dos riscos e danos que pode gerar ao meio ambiente e as comunidades contíguas aos campos de exploração. Um dos problemas mais graves é, principalmente, a poluição da água, usada em quantidades colossais na técnica de exploração chamada de "fraturamento hidráulico" ou simplesmente “fracking”. Este tipo de técnica requer a explosão das rochas injetando no subsolo grande quantidade de água, areia e produtos químicos altamente tóxicos que vão contaminar lençóis freáticos e, principalmente, os aquíferos que ficam sobre o folhelho que contém o gás.

   Boa parte dos poços de gás não-convencional está logo abaixo do aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, e de um sistema de aquíferos pouco pesquisados na região amazônica (aquíferos Solimões e Alter do Chão).

   Hoje, nos EUA, o uso deste tipo de técnica é bastante questionado, pois resulta na contaminação do solo e da água afetando milhões de pessoas. Segundo o geólogo da Petrobras, Dalton dos Santos, o Brasil não precisa extrair gás não – convencional. “Estamos num momento de descoberta de mega-campos de petróleo e gás convencional. Diferente dos EUA que tem quase 90% de suas reservas esgotadas”, diz. O geólogo, que também é diretor do sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas, explica que a opção por explorar gás não-convencional obedece a uma pressão dos EUA. “Não temos dúvida. Querem explorar aqui para justificar a extração feita por eles lá”, explica.

   A exploração deste tipo de gás ainda vai afetar populações indígenas isoladas na Amazônia. O bloco AC-T-8, arrematado pela Petrobras, localiza-se no município de Mâncio Lima (AC), na fronteira com o Peru, nos limites diretos de duas terras indígenas e do Parque Nacional da Serra do Divisor. O bloco está a 10 metros da Terra Indígena da etnia Poyanawa e a 39 metros da terra da etnia Nukini.

Capital internacional se prepara para ampliar ofensiva sobre o Banco do Brasil

Ações do Banco do Brasil agora podem ser adquiridas por mais e maiores investidores estrangeiros
Com frequência, o PT é associado à defesa das bandeiras nacionais, contra as privatizações. Isso se tornou um característica da sua história. Num certo sentido, a sua imagem ficou enlaçada a ideia de um “Brasil com Z jamais”. Daí a pergunta: o que está acontecendo? Por que a escalada das privatizações – de valoração furiosa do capital – se tem intensificado?

Quando começou a geração de governos petistas, a participação estrangeira no Banco do Brasil se encontrava num patamar bem próximo a 10%. Não custa rememorar que em meados dos segundo mandato de Luis Inácio Lula da Silva, o limite para a participação de investidores estrangeiros estava num nível próximo a 12%. Lula, todavia, decidiu ampliar essa participação para significativos 20%. Uma dádiva para o capital estrangeiro.

A chegada de Dilma Rousseff ao governo não apenas significou mais uma governante ligado ao Partido dos Trabalhadores, mas implicou numa ampliação das políticas de privatização e de reforço das posições dos chamados investidores internacionais (portos, aeroportos, rodovias, petróleo etc.). Esse fato foi demonstrado, uma vez mais, no caso do Banco do Brasil. Agora, a presidente decidiu aumentar o limite da participação estrangeira no BB. Um decreto impõe um novo teto que passa a ser de 30%.

De feito, as ações da maior instituição bancária de caráter público do país, agora podem ser adquiridas por mais e maiores investidores estrangeiros, todos famintos por abocanhar pedaços mais generosos das riquezas produzidas por uma das mais numerosas e exploradas forças de trabalho do planeta. Quer dizer: grandes acionistas internacionais elevarão a sua participação sobre o capital do banco e, portanto, o poder sobre o seu destino (salvo se alguém acredita que caberá ao pequeno investidor a supremacia desse processo).

Nunca é demais recordar que, quando da última mudança (2009), o governo informava que a Secretaria do Tesouro Nacional detinha 65,6% do capital do BB. Atualmente, essa participação se encontra num nível significativamente mais baixo: 50,73%. Assim, diminui o peso representado pelo Estado brasileiro, enquanto se eleva e se apura a parte que cabe ao capital privado (nacional e não-nacional). Em outros termos, o capital do banco, propositalmente, é aberto, e os elementos de privatização e desnacionalização se mostram implacáveis em sua dinâmica expansionista.

O decreto, já devidamente publicado no Diário Oficial da União, agora em fins de outubro, implica no fortalecimento de uma tendência que é de ampliação e aprofundamento das iniciativas do capital internacional sobre o Banco do Brasil. A questão também é provocadora no seguinte: tal conduta do condomínio governamental dilmista não é um atestado contra a sua retórica de que representaria um “projeto de desenvolvimento nacional” (ideia que é comprada, a preço de hoje, por um grupo de intelectuais)?

Em suma, privatizar e desnacionalizar se tornaram as molas-mestras de um desenvolvimentismo à moda neoliberal? Nesses termos, se o velho desenvolvimentismo contava com certo ar de dignidade, o neodesenvolvimentismo petista, em última análise, não faz da indignidade política a sua petição de fé?

Cada vez mais, o Banco do Brasil se torna mais o Banco do Brazil. E aqui voltamos ao ponto de partida do presente artigo. É curioso lembrar que muitos desses que estão no governo atual, nos anos 1980 gritavam nas ruas “Brasil com Z jamais”. Talvez eles – inspirados em A revolução dos Bichos, de George Orwell – queiram nos dar um aviso: “Brasil com Z jamais, a não ser que estejamos no governo”.

Certamente, os trabalhadores que, à primeira vista, em sua maioria, apoiam o governo, não exagerariam se perguntassem à principal gestora do país: “Que é isso, companheira?”

Dilma, PT e PCdoB vendem o campo de libra

Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro.
    Centenas de manifestantes; a categoria petroleira em greve, os interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro de um lado. Do outro lado o governo do PT/PMDB e os interesses do imperialismo, das multinacionais.
   A presidenta Dilma convocou o exército; marinha (havia duas fragatas patrulhando as imediações do Hotel Windsor e mergulhadores atentos aos banhistas); Força Nacional; e a PM do Cabral para garantir que ninguém se aproximasse do Hotel Windsor e dessa forma a venda do Campo de Libra pudesse ser feita através do leilão.
   Dilma entra para a história como a maior traidora dos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro. É autêntica Quinta Coluna dos interesses do imperialismo, das multinacionais. Mas ela não está sozinha. O PT está com ela.
   O Partido dos Trabalhadores - que compõe os governos de Sergio Cabral e Eduardo Paes - é quem encabeçou a venda do Campo de Libra. Contou com apoio do PCdoB que desde a ANP - Agência Nacional do Petróleo - deu os passos necessários para permitir o Leilão. Carregarão até seu desaparecimento a mácula da venda das riquezas do solo brasileiro.

Dilma usa forças armadas contra os que defendem os interesses dos trabalhadores e do povo brasileiros
  
Artefatos em bandeira manchada de sangue
Bombas, tiros, armas químicas (gás lacrimogêneo) foram usados fartamente contra os manifestantes. As cápsulas recolhidas demonstram o potencial das armas usadas contra os manifestantes.
 As fotos realizadas pelas mais distintas mídias e entidades mostram a quantidade e a terrível e malévola qualidade das armas usadas contra os manifestantes. Lançadores de bombas capazes de disparar granadas de gás a metros e metros de altura e distância; armas de fogo disparando cartuchos com várias balas de borracha de grosso calibre ao mesmo tempo. Os ativistas recolheram, ainda, centenas de projetis plásticos semelhantes a munição de armas automáticas manuais. O aparato repressivo montado por Dilma contava ainda com caminhonetes ligeiras, dotadas de tanques de água e máquinas de alta pressão que poderiam ser lançadas a qualquer momento contra os ativistas.
   Não só o arsenal bélico, mas milhares e milhares de homens treinados em causar desconforto, dor, e sofrimento em outros seres humanos. A exemplo da tal força nacional ou dos motociclistas da PM do Rio de Janeiro, dotados de armas de fogo capazes de disparar balas de borracha de grosso calibre, que se dedicam a caçar e atirar contra manifestantes quando recebem a ordem. Não foram poucas às vezes que se viu durante a manifestação policiais da força nacional usando manifestantes como alvos para treinar pontaria, em momentos de nítida calmaria, ou seja, autênticos provocadores.
   Não contente em usar fortíssimo aparato de destacamentos de polícias especiais, a Presidenta Dilma, em demonstração de força, deslocou também tropas do exército para o birro da Barra da Tijuca, onde fica o Hotel Windsor.
   De outro lado os petroleiros presentes mostraram aos manifestantes - que entoaram juntos - as armas da classe trabalhadora: “A nossa munição é parar a produção."
   Entre os manifestantes muita garra e disposição e a certeza de estarem travando a batalha justa. As palavras de ordem não poupavam a Presidente a seu partido, o PT. Cariocamente cantavam “Ei Dilma já deu pra ver. Tu ‘privatiza’ igualzinho FHC”
   Entre as canções, paródias e palavras de ordem também se pôde ouvir “Nem a direita nem o PT, trabalhadores no poder.” De forma retumbante, como a apontar o almejado futuro, também ouviu-se: “É pra lutar, é pra valer, trabalhadores no poder!”

Dirigente petroleiro anuncia ruptura com o PT

   Já com a perspectiva do leilão acontecer, desde o carro de som levado pelos petroleiros organizou-se o encerramento da participação no dia. Aí anunciou-se que Emanoel Cancela (um dos dirigentes dos petroleiros do Rio de Janeiro) estava desfiliando-se do PT. Tal notícia foi usada como exemplo para convocar outros petistas, e também a membros do PCdoB, a romper com as organizações que estão vendendo as riquezas brasileiras. A romper com partidos que se mantém aliados a governos como Cabral e Paes no Rio de Janeiro.
   São anos e anos semeando ilusões entre os trabalhadores, os estudantes, e a juventude, entre sem terras e sem teto,  entre o povo pobre de nosso país. Com discursos hipócritas de defesa dos interesses nacionais, salpicados de 'defesa’ do socialismo, de ameaças de volta da direita, de denuncias de inventados e fantasiosos golpes, PT e PCdoB colocam a cereja envenenada no amargo bolo da traição: o leilão do Campo de Libra. Bilhões de barris de petróleo não pertencem mais aos trabalhadores e ao povo brasileiros.

Fortalecer as organizações de luta dos trabalhadores da juventude e do povo pobre
 PT e PCdoB venderam uma gigantesca riqueza que pertencia aos trabalhadores e ao povo brasileiros. Às honestas e honestos  companheiras e companheiros que existem dentro desses partidos, ou mesmo àquelas e àqueles, que - sem serem militantes orgânicos ou mesmo filiados - atuam orientados por suas políticas e discursos cabe grandes reflexões:
   Seguirão fazendo coro com esses que, aliados à mais virulenta direita do país como Collor, Renan Calheiros, Maluf, José Sarney, Cabral e Paes, estão vendendo as riquezas nacionais?
   Seguirão fortalecendo estas organizações políticas que governam para os ricos e poderosos, que estão a serviço dos interesses das multinacionais?
   Onde está a reforma agrária? Onde está a universalização de serviços como saúde e educação públicas gratuitas e de qualidade? Onde estão salários dignos para os trabalhadores?
   Após mais de uma década de governo por que tantas famílias continuam sem um teto para morar?
   Por que banqueiros e empreiteiros lucraram e lucram tanto em governos do PT/PMDB, governos apoiados e sustentados pelo PCdoB?
   Por que a Avenida Paulista está tão feliz com estes governos?
   Por que tanta violência e repressão contra os que lutam por direitos? Por que criminalizar os que lutam por direitos e em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro, se lutar não é crime?
   Buscar respostas a estas perguntas é o que está colocado para estas e estes companheiros. Mas não apenas para aqueles e aquelas que tem referências no PT e no PCdoB. Tais questionamentos também estão colocados para militantes e simpatizantes do MST, da CUT, da CTB, e da UNE. De toda e qualquer organização do campo dos movimentos sociais que, desde suas direções, ajudaram o PT e o PCdoB a semear suas ilusões. Aqui e agora não cabem mais as surradas desculpas de ser minoria nas entidades, ou de conformar uma ala esquerda.
   Com algumas dessas organizações trata-se de reorientar o rumo, com outras, em especial as citadas entidades sindicais e estudantis, trata-se de romper com elas e ajudar a construir alternativas de luta dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre como são a CSP/Conlutas - Central Sindical e Popular, e a ANEL - Assembleia Nacional de Estudantes Livre.
   Tais reflexões não são fáceis de serem feitas, em especial para as gerações que ajudaram a construir estas organizações. Para muitas e muitos ativistas trata-se de ajustar contas com a própria história de vida, mas é necessário fazê-lo.
   Para os que são das gerações mais jovens cabe romper bruscamente com os semeadores de ilusões e ajudar aquelas e aqueles que tenham dificuldades em prestar contas com o próprio passado que isso é necessário. Afinal para arrancar alegrias ao futuro é preciso semear o presente.




O dia em que o PT privatizou o Pré-sal

No dia 21 de outubro, o Governo Dilma entregou às multinacionais a maior reserva de petróleo já descoberta no Brasil

O consórcio formado pela Shell, Total, CNPC, CNOOC e Petrobras terá o direito a explorar e produzir o petróleo da área de Libra

Jeferson Choma, da Redação

O governo do PT conseguiu senão superar, ao menos se igualar, ao entreguismo tucano de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Se a marca dos governos do PSDB foi a entrega do patrimônio público nas mãos do capital financeiro, com as privatizações da Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, o governo Dilma será marcado para sempre pela entrega às multinacionais da maior reserva de petróleo descoberta desde 2008.
 
O leilão de Libra foi arrematado pelo consórcio formado pelas empresas chinesas CNPC e CNOOC, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e a Petrobras. O consórcio terá a  concessão para exploração de petróleo e gás do petróleo do Pré-sal da bacia de Santos.
 
CNPC, CNOOC e Petrobras têm 10% do grupo cada uma, enquanto Shell e Total têm 20% cada. Os 30% restantes também cabem à Petrobras, uma vez que as regras do leilão obrigam a petroleira a entrar como operadora do consórcio.
 
Estima-se que Libra tenha entre 8 e 15 bilhões de barris recuperáveis de petróleo. Mas há a possibilidade de existir ainda mais petróleo na região. Para se ter uma idéia, em 60 anos de história, a Petrobras explorou 15 bilhões de barris. Libra poderia dobrar as reservas da Petrobras, mas não foi isso o que aconteceu.
 
O campo, cujo valor é estimado em R$ 3 trilhões (provavelmente é muito mais), foi entregue por R$ 15 bilhões através do chamado “bônus de assinatura”. 
 
O entreguismo do governo gerou criticas até do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em entrevista publicada por Paulo Henrique Amorim: “Ao fixar o bônus alto você tem uma visão de curto prazo, na exploração e no desenvolvimento de um recurso que já tem o grau de confirmação muito alto – não há dúvida de que tem petróleo lá – e os riscos são só os de desenvolvimento. (...) Nessa operação de R$ 15 bilhões, o governo vai receber de imediato, mas a consequência disso é que, no lucro do futuro, o governo vai ficar com uma fatia menor. (...) Como ela vai entrar com 30% do campo, ela vai ter que pagar 4,5 bilhões – 30% de 15 bilhões é 4,5 bilhões. Isso é um dreno importante no caixa da Petrobras, nesse momento”, afirma Gabrielli.
 
Na prática, o governo brasileiro deixou de obter um lucro imenso, que poderia ser obtidos nos próximos 30 ou 40 anos, por um punhado de dólares. Mas qual é a razão do governo do PT adotar uma medida aparentemente irracional?
 
O motivo é que o governo petista, diferente, inclusive, do prórpio discurso desenvolvimentista, opera sob a mesma lógica dos governos do PSDB. Queima o patrimônio público para satisfazer as necessidades do capital financeiro. No caso do Pré-sal, o objetivo era apenas  atingir a meta de Superávit Primário deste ano. Os 15 bilhões arrecadados no leilão servirão para fechar essa meta.E um terço dessa conta será paga pela Petrobras, como afirma o próprio Gabrielli.
 
Ao mesmo tempo, a entrega do petróleo brasileiro faz parte de um conjunto de privatizações que o PT realiza neste ano: a concessão de 7 mil km de rodovias e 10 mil km de ferrovias a iniciativa privada, além da privatização dos aeroportos e portos.
 
Dia 21 de outubro entra para história como a data na qual o governo do PT abriu mão de utilizar os extraordinários recursos do Pré-sal para viabilizar um programa de desenvolvimento social do país. O impacto que teria o destino da renda do Pré-sal na melhoria da saúde, educação e reforma agrária seria imenso. Mas o PT preferiu engordar os cofres das grandes petroleiras e do capital financeiro.Trata-se de mais uma traição deste governo que não poderá passar em branco por todos aqueles que dedicaram parte de suas vidas a luta por um país justo e soberano.

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Trabalhadores protestam contra leilão do Campo de Libra em dia de greve dos petroleiros



por Rodrigo Barrenechea


Foi realizado nesta quinta um protesto contra o leilão do campo petrolífero de Libra, na bacia de Santos, no centro do Rio. Com cerca de 700 pessoas, a passeata se iniciou na Candelária, onde seguiu pela Avenida Rio Branco, até se encerrar na Cinelândia. Diversas categorias profissionais, assim como vários movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos, fizeram-se presentes no ato.
A militância do PSTU Rio presente
no ato do Rio de Janeiro.
Foto: RB


Durante todo o dia, desde a madrugada de quarta, os petroleiros se mobilizaram, paralisando a produção tanto nas refinarias quanto em terminais e na administração da Petrobrás. Estão parados os trabalhadores das refinarias de Duque de Caxias (Reduc/RJ), Manaus (Reman/AM), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Mataripe (Rlam/BA), Gabriel Passos (Regap/MG), Paraná (Repar), Alberto Pasqualine (Refap/RS), Abreu e Lima (PE), além da SIX (unidade de Xisto/PR), da FAFEN (fábrica de fertilizantes/BA), Termorio (Duque de Caxias), usinas de Biodiesel e termoeletricas.

Na Bacia de Campos, o Sindicato informa que a greve teve adesão de pelo menos 39 plataformas, que foram entregues pelos trabalhadores às equipes de contingência que a Petrobras embarcou. Destas, 15 unidades foram entregues com a produção de petróleo parada. Durante a manhã, foi realizado trancaço na sede da UO-Rio, em Macaé. No Terminal de Cabiúnas houve corte de rendição à zero hora.

Ninguém entrou na Reduc, em Duque de Caxias, Terminal de Campos Elíseos e na Termorio. Agora pela manhã, o sindicato realizou uma grande mobilização na Rodovia Washignton Luiz, que está fechada no sentido Petrópolis.

Petroleiros protestam em frente ao prédio da Petrobrás em Macaé.
 Foto: PSTU Macaé
Desde o início da madrugada de hoje (17), em Macaé, os petroleiros do Norte Fluminense das 43 plataformas da Bacia de Campos aprovaram adesão ao movimento grevista. A direção da Petrobras utilizou equipes de contingência, formada por gestores da empresa, para continuar a operar diversas unidades. São muitas as denúncias de assédio moral das chefias junto aos trabalhadores grevistas.

No terminal de Cabiúnas, o maior em processamento de gás natural da América Latina, diversas entradas foram bloqueadas na manhã de hoje. A direção da empresa utilizou de artimanhas para tentar desmobilizar a paralisação, mas os trabalhadores resistiram e estão demonstrando muita disposição para lutar contra o leilão do campo de Libra e por melhores condições de trabalho. Houve concentração de petroleiros também em Campos, no Heliporto de Farol de São Tomé.

A tarde os petroleiros foram para a frente do TRT 1ª Região para denunciar o interdito proibitório concedido à Petrobras para manter os trabalhadores embarcados nas plataformas de extração de petróleo. A decisão impõe uma multa de R$100 mil por dia, caso haja descumprimento à decisão, configurando assim um claro ataque ao direito constitucional de greve. No início da noite a Oposição Petroleira do NF, juntamente com a CSP-Conlutas e a Intersindical organizaram em Macaé um debate sobre o leilão do campo de Libra. 
No Rio de Janeiro, houve paralisação no Cenpes, na Ilha do Fundão, e um acampamento na frente do Edifício Sede da Petrobrás. Nesta segunda, dia 21, quando vai ocorrer o leilão, o SindiPetro-RJ e diversas entidades dos movimentos sociais, populares e estudantis irão se concentrar na Barra da Tijuca, onde está marcado o leilão.

O PSTU Rio, assim como a CSP-Conlutas, a Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (ANEL), o Movimento Luta Popular e várias outras organizações, estará presente nessa luta contra a entrega dessa importante riqueza, que deve pertencer aos trabalhadores e trabalhadoras do país e não às transnacionais do petróleo.

Cyro Garcia fala no ato da Rio Branco

e ouça a entrevista de Zé Maria à rádio PSTU, do RS, sobre a venda de Libra.

Petroleiros de todo o país cruzam os braços

Confira o quadro da greve nacional contra o Leilão de Libra

Paralisação do Sindipetro AL/SE