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Conivência de classe, uma burguesia sincera

Joana Havelange é filha de Ricardo Teixeira
Foto: UADERJ.
   Por Elias Alfredo, metroviário e integrante do Quilombo Raça e Classe-RJ (editado pela redação)

   Filha de Ricardo Teixeira e neta de João Havelange, ambos afastados do futebol por envolvimento casos de corrupção na FIFA Joana Havelange revela a falta de pudor da elite brasileira

   Uma burguesa sincera, com seus princípios burgos, não vai protestar, não vai questionar, não vai fazer nada diante do assalto, promovido pelos seus pares.

   Os mesmos responsáveis, como ela bem assume, por obras hiperfaturadas, as milhares de remoções ocorridas a força, acabando com vínculos sociais, culturais históricos, de milhares de famílias, que perderam seus imóveis, em nome da Copa do Mundo deles.

   Sim ela não vai protestar, pois ela está, preocupada em mostrar aos turistas cinicamente, que no Brasil está "tudo bem". É provável ser capaz de dizer, que estamos na mais plena paz do mundo. Apesar do custo de vida que assola a vida de uma grande maioria de brasileiros,da classe trabalhadora, que vivem dignamente de seus parcos salários honestamente.

   Sim, os pares dessa senhora burguesa roubaram e vilipendiaram sobre as vidas de milhões, mais ela não vai e não tem porque protestar, afinal de contas os burgueses são muito solidários uns com outros.

   Enquanto isso o povo segue sem escolas e hospitais públicos de qualidade, salários decentes, moradias e transportes dignos; mas essa senhora não vai e nem tem porque protestar, faz parte do show dela, dos governos municipais, estaduais, federal, empresários e banqueiros, estarem todos juntos e às vezes em silêncio roubarem o povo unidos.

   Num silêncio absoluto e sepulcral burguês! Isso chama-se compromisso de classe, da classe burguesa. É de dar asco essa gente!

Plenária de centrais sindicais prepara o dia 30 de agosto no Rio de Janeiro

No dia 24 de agosto, sábado passado, reuniram-se a CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, Fórum de Saúde-RJ, Fórum em Defesa da Escola Pública, Fórum de Lutas-RJ, ANDES-SN, ASFOC, ASINES, Base da ASIBAMA, SEPE-RJ, SINDSCOPE, Minoria da Direção do SINDPETRO-RJ, Minoria da direção do SINDSPREV-RJ, Oposição Bancária, Oposição de Correios, Oposição de Jornalistas, Oposição do SINDJUSTIÇARJ, Oposição Sintuferj Vermelho, ANEL-RJ, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e Movimento Favela Não Se Cala para preparar o 30 de agosto no Rio de Janeiro.

A pauta foi a seguinte:
1. Informes;
2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto e;
3. Encaminhamentos.


1. Informes

a) Houve uma reunião nacional das centrais em que a CSP-Conlutas não compareceu pois não recebeu comunicado dela. Esta reunião foi acertada entre as centrais que estão participando da negociação do PL 4330, em Brasília (A CSP-Conlutas, a CTB e a NCST não participam destas negociações pois defendem o arquivamento do projeto de Lei). A CUT ficou de convidar todas as centrais, já que a reunião aconteceria na sua sede, em São Paulo. Todas as centrais foram convidadas, menos a CSP-Conlutas.
O que houve de importante na reunião é que, aparentemente a NCST e a UGT quiseram sair fora da convocação do dia 30, alegando dificuldades para fazer a paralisação. Foi feita uma mediação na reunião, definindo o dia 30 como Dia Nacional de Mobilizações. E foi definido um centro na pauta de reivindicações: a rejeição do PL4330. Também como prioridade a redução da jornada e o fim do fator previdenciário.
Na quarta feira, 21 de agosto, na sede da CUT-RJ, houve uma reunião das centrais para organizar as atividades de preparação do dia 30 de agosto. Estiveram presentes a CUT, CTB, FS e CSP-Conlutas. Estas Centrais decidiram intensificar a mobilização e realiar as seguintes atividades: o café da manhã com os parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, no dia 26 de agosto, ás 9 h., no Sindicato dos Bancários; ato público contra os juros altos, em frente ao Banco Central, dia 27 de agosto, às 11 h.; Participar da reunião na sede da OAB-RJ, no dia 28 de agosto, ás 10 h., com o MTE e o MPT para tratar da interferência do Estado nas organizações sindicais e; mobilização total para o dia 30, definido em maioria a Central do Brasil como local do Ato Político, com concentração a partir das 15 h.

b) Houve informes das diversas representações sobre a organização das categorias e movimentos para as atividades do dia 30, em vários pontos da cidade. 

c) A Oposição do Sindjustiça informou que a direção do sindicato convocou o congresso da
categoria, começando no dia 30. Informou que, por este motivo, não participará do primeiro dia do congresso, que ocorre no município de Paulo de Frontin.


2. Preparação das atividades do dia 30 de agosto

Diante dos informes e das posições políticas das centrais a Plenária Classista resolve:

a) Convocar um ato público no dia 30 de agosto, com passeata até a ALERJ, com concentração a partir das 17 h., na Candelária, contra a política econômica do Governo Dilma e pelo Fora Cabral;

b) Formar um Comando Político para dirigir o ato e a passeata com representantes das seguintes entidades: CSP-Conlutas, Intersindical, Unidade Classista, ANDES, SINASEFE e Fórum de Luta-RJ;

c) As tarefas deste comando, além do já citado no ponto anterior, são: participar dos Atos da
semana de 26 a 29 e no dia 30, na Central, convocado pelas centrais sindicais, com uma fala
convocando todos os presentes nestes atos para participarem do ato da Plenária Classista, na Candelária; elaborar uma carta aos trabalhadores e ao povo explicando os motivos, os objetivos da manifestação e a necessidade da construção de uma greve geral e; garantir toda a infraestrutura do ato e passeata;


3. Encaminhamentos.

Diante das tarefas deliberadas no ponto anterior a Planária Classista resolve:

a) O Comando Político deve elaborar uma carta para ser apresentada ao Congresso do
SINDJUSTIÇA;

b) O Comando Político deve elaborar uma carta em apoio à luta de correios, bancários, petroleiros e demais categorias, entidades e movimentos em luta;

c) O Comando Político deve participar da reunião do Fórum de Luta do Rio de Janeiro para
convocar o ato da Plenária Classista;

d) O Comando Político deve convocar todas as entidades da base da CONDSEF para o ato;

e) O Comando Político deve realizar sua primeira reunião para dar início aos encaminhamentos acima deliberados na segunda feira, 26 de agosto, às 18 horas, na sede da CSP-Conlutas.

Protesto no Rio contra os gastos da Copa e a privatização do Maracanã reúne 5 mil

Da redação 

Manifestação no dia da final da Copa das Confederações também denunciou as remoções e a criminalização das lutas sociais

 
   Uma manifestação contra a privatização do Maracanã e os gastos públicos com a Copa reuniu cerca de 5 mil pessoas nesse dia 30 no Rio de Janeiro, dia da final da Copa das Confederações. O protesto, convocado pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, reivindicou a anulação da privatização do estádio, o fim das remoções e os despejos forçados, além de mais recursos para a saúde, educação e os transportes, incluindo o passe-livre. O ato contou com a participação de partidos de esquerda, como o PSTU, além de entidades e organizações do movimento sindical e popular.
   A passeata partiu da Praça Saens Peña em direção ao Maracanã, passando pelas ruas São Francisco Xavier e Haddck. A polícia antecipou o bloqueio realizado nas proximidades do estádio e impediu que os manifestantes passassem. O centro da cidade e as redondezas do estádio amanheceram completamente sitiados pela polícia e soldados do Exército. Mesmo assim, porém, os organizadores da manifestação impediram qualquer provocação por parte da polícia e não houve confrontos.



   No caminho, a população demonstrava apoio aos manifestantes, com palmas e chuvas de papel picado. Uma enorme faixa, carregada pelos manifestantes e pendurada no alto de um prédio dizia "Unfair Players: Fifa, Police, Cabral, Paes" (em português "Jogo sujo: Fifa, Polícia, Cabral, Paes). A manifestação terminou na Praça Afonso Pena, Zona Norte da cidade.

“Após a vitória contra os aumentos das passagens continuamos nas ruas por saúde, transporte e educação", afirmou Júlio Anselmo, da juventude do PSTU. "Os pactos, Dilma, não vão resolver os nossos problemas, nós temos que continuar nas ruas mobilizados na defesa da educação e da saúde pública, contra a privatização do Maracanã e em defesa do petróleo brasileiro, para conquistarmos um país melhor", disse, se dirigindo à presidente.

VEJA MAIS
Vídeo: Júlio Anselmo, da Juventude do PSTU, no ato

Um censo, dois brasis, vários problemas


Não há nada a se comemorar dos resultados
recém divulgados do Censo 2010

Wilson H. Silva
da redação do Opinião Socialista e membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU
 
Os primeiros dados do Censo 2010 foram publicados na semana passada, revelando que o Brasil tem uma população oficial de 190.755.799 pessoas. De imediato, a informação que causou mais impacto foi a constatação de algo há muito conhecido, apesar de sempre negado: o Brasil é um país de maioria não-branca.

Contudo, para além do tema racial, o Censo revelou uma série de outras contradições que merecem ao menos serem citadas e comentadas sob uma perspectiva diferente da maioria que tem circulado pela grande mídia, onde analistas burgueses, membros do governo e setores dos movimentos sociais alinhados com o lulismo têm usado e abusado dos dados para se vangloriarem dos supostos feitos e avanços sociais da Frente Popular.

Antes de mais nada, é sempre bom lembrar que, quando nos referimos a pesquisas, números e estatísticas – para além das sempre possíveis manipulações – estamos num campo fértil para todo e qualquer tipo de interpretação, a começar pelos parâmetros de comparação.

Enquanto estava no governo, Lula nos cansou com discursos iniciados com a frase “nunca houve antes na história...”, para enfatizar os “avanços” de seu governo. Como toda frase de efeito, contudo, esta também só serve para mascarar realidades muito mais complexas.

Primeiro, porque, para um governo que se diz representante dos interesses do povo, não deveria haver muito o que se comemorar com a constatação das tímidas melhorias nas estáticas que revelam as condições de vida dos brasileiros em relação à história recente, marcada por uma ditadura, um presidente ladrão e seguidas administrações tucanas.

Segundo, porque a principal constatação do Censo é aquela que realmente revela o caráter do governo de Frente Popular, iniciado por Lula e continuado por Dilma: a manutenção dos privilégios de um punhado de burgueses, em detrimento da existência de milhões de miseráveis e despossuídos.

E por isso mesmo, o dado mais importante constatado pelo Censo (e que determina e relativiza todos os demais) é um dos que menos tem sido ressaltado pela grande mídia e seus analistas: independentemente de qualquer “avanço pontual” nos índices sociais, existem, rigorosamente, “dois brasis”, separados pela enorme abismo criado pela sociedade de classes.