Mostrando postagens com marcador Revolução Arabe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revolução Arabe. Mostrar todas as postagens

ANEL no Egito: ‘Tudo mudou, agora somos livres’

A Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre está no Egito acompanhando a revolução que segue em marcha no país árabe. Acompanhe o relato de Clara Saraiva, estudante enviada pela entidade

Clara Saraiva, 
enviada ao Egito pela Comissão Executiva Nacional da ANEL

Aeroporto do Cairo, 1º de junho
 
Cada momento proporciona um novo aprendizado, e um diferente olhar sobre a Revolução que mexeu com as profundezas desse país e de seu povo. O primeiro contato foi com Sharif, o motorista do táxi, um senhor de uns 50 anos. Ao seu lado Ahmed, um jovem que o acompanhava (Acompanhante?! Sim, estranhamos também). Ficamos a princípio um tempo a sós com Sharif, o idioma não facilitava a comunicação. Com gestos e algumas poucas palavras em inglês ele nos contou que passou 3 dias acampado na Praça Tahir. A língua, as palavras, tão diferentes das nossas, nos fazem sentir muito distantes. Mas nos entendemos perfeitamente, como se nada separasse um brasileiro de um egípcio, quando mostramos a foto que trouxemos da Praça Tahir lotada de gente e seus olhos se emocionaram instantaneamente. Ficou um tempo olhando, em silêncio, sorrindo.

No caminho, Ahmed nos contou que participou ativamente da Revolução, acampou na Praça e fez questão de dizer que foi baleado, logo mostrando a cicatriz no tornozelo e sem conseguir esconder o orgulho que sentia. Ficou alguns minutos em silêncio e se emocionou lembrando de um amigo que morreu assassinado pela policia de Mubarak.

No caminho, passamos pela gigantesca mansão de Mubarak, que Ahmed nos apontou. “E o que é agora?” – perguntamos – “Um museu?” Ele confirmou que sim, dizendo que se ousasse voltar lá ia direto pra prisão! Rimos bastante.
Chegamos ao centro do Cairo às 23 horas e a vida intensa da cidade nos chamou atenção; todas as lojas abertas, um trânsito caótico (pior que o de São Paulo!), muita gente andando pela rua, muitos homens e algumas mulheres cobertas e quase sempre acompanhadas. Ahmed falou sobre a pobreza, o desemprego, a inflação, os preços altos, e ainda disse que mesmo após a Revolução, as condições de vida continuam iguais. Perguntamos: “E o que mudou então?” Ele nos respondeu, sem titubear: “Liberdade. Tudo mudou, agora somos livres”.

PSTU E JORNAL OPINIÃO SOCIALISTA ENVIAM CORRESPONDETE AO EGITO

Vídeo Um Brasileiro no Egito 1
Primeiro dia do enviado especial do Opinião Socialista no Egito. Nesta primeira conversa, Luiz Gustavo mostra o clima no país após os ataques de partidários da ditadura na Praça Tahrir. Correspondente do PSTU foi parado em bloqueio nas estradas e dormiu no aeroporto do Cairo. Ouça a conversa. Saiba mais em www.pstu.org.br e no blog da viagem.


Vídeo Um Brasileiro no Egito 2 
Conversa por telefone com Luiz Gustavo Porf'irio, enviado do Opiniao Socialista ao Egito. Ele conta como foram os protestos nesta sexta, 4 de fevereiro, na Praca Tahir.


Video Um brasileiro no Egito 3 
Direto da praça Tahrir - Correspondente do Opinião Socialista no Egito mostra as mobilizações nesta terça, 8, exigindo a saída de Mubarak. Neste dia, cerca de um milhão e meio de pessoas comemoraram a libertação de 34 presos, entre eles o executivo do google, simbolo dos protestos.




* Acompanhe também seus relatos pelo blog Um Brasileiro no Egito  e pelo twiiter @diretodoEgito


Declaração da LIT-QI: Fora Mubarak! Pelo triunfo da revolução egípcia e árabe!

   Há um processo revolucionário que se expande por todos os países árabes. A partir da Tunísia, onde a mobilização popular derrubou o ditador Ben Alí, depois de 23 anos no poder, foi se estendendo como um rastilho de pólvora, provocando mobilizações contra governos ditatoriais em vários países árabes, laicos ou religiosos, "republicanas" ou monárquicas, desde a Mauritânia até o Iêmen, passando pela Argélia e Jordânia.
    O que tem impulsionado esse processo tem sido o aprofundamento da miséria como conseqüência dos efeitos da crise econômica mundial, com crescimento da desocupação e a alta dos preços dos alimentos devido à profunda dependência desses países ao Imperialismo.
    Esse processo revolucionário caiu com uma força gigantesca no país mais importante da região, o Egito. Faz vários dias que explodiu um grande processo revolucionário, que começou com vários milhares de pessoas nas ruas do Cairo e outras cidades do país, e foi se estendendo chegando a milhões no dia 1º de fevereiro, tendo como centro a exigência da renúncia do ditador do país. Apesar da repressão, que já provocou 140 mortes, segundo a versão oficial, a revolução não se deteve e se radicalizou depois de cada anúncio de supostas mudanças por parte de Mubarak, que trata por todos os meios se manter no poder.
    Se Mubarak cai como resultado da ação revolucionária das massas egípcias, isso teria uma imensa repercussão e aprofundaria a revolução árabe. Ao mesmo tempo, colocaria em crise todo o dispositivo imperialista de controle da região, do qual o regime Mubarak é uma peça chave. Principalmente, colocaria em risco a existência do Estado de Israel. Por isso, o governo israelense de Benjamin Netanyahu tem expressado sua preocupação e apoio a Mubarak.
    Esse processo revolucionário que tem seu eixo nas reivindicações democráticas pode afetar diretamente também os regimes teocráticos como o do Irã (que reprimiu duramente há dois anos as mobilizações que houve contra a fraude eleitoral e por liberdades democráticas). Assim como pode afetar as organizações islâmicas como o Hamas e Hezbolah. Por isso não é de se estranhar que, quando se realizaram manifestações de apoio à revolução egípcia nos territórios ocupados, elas foram reprimidas pelo Hamas em Gaza. Hamas fez o mesmo que o agente do imperialismo na Cisjordânia, a ANP (Autoridade Nacional Palestina).

Egito: país chave do mundo árabe
    Egito é o país árabe mais populoso, com mais de 80 milhões de habitante: um de cada três árabes é egípcio. A importância desse peso populacional se expressou também na vida e nos processos políticos do mundo árabe.

Leia mais: