A Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre está no Egito acompanhando a revolução que segue em marcha no país árabe. Acompanhe o relato de Clara Saraiva, estudante enviada pela entidade
Clara Saraiva,
enviada ao Egito pela Comissão Executiva Nacional da ANEL
Cada momento proporciona um novo aprendizado, e um diferente olhar sobre a Revolução que mexeu com as profundezas desse país e de seu povo. O primeiro contato foi com Sharif, o motorista do táxi, um senhor de uns 50 anos. Ao seu lado Ahmed, um jovem que o acompanhava (Acompanhante?! Sim, estranhamos também). Ficamos a princípio um tempo a sós com Sharif, o idioma não facilitava a comunicação. Com gestos e algumas poucas palavras em inglês ele nos contou que passou 3 dias acampado na Praça Tahir. A língua, as palavras, tão diferentes das nossas, nos fazem sentir muito distantes. Mas nos entendemos perfeitamente, como se nada separasse um brasileiro de um egípcio, quando mostramos a foto que trouxemos da Praça Tahir lotada de gente e seus olhos se emocionaram instantaneamente. Ficou um tempo olhando, em silêncio, sorrindo.
No caminho, Ahmed nos contou que participou ativamente da Revolução, acampou na Praça e fez questão de dizer que foi baleado, logo mostrando a cicatriz no tornozelo e sem conseguir esconder o orgulho que sentia. Ficou alguns minutos em silêncio e se emocionou lembrando de um amigo que morreu assassinado pela policia de Mubarak.
No caminho, passamos pela gigantesca mansão de Mubarak, que Ahmed nos apontou. “E o que é agora?” – perguntamos – “Um museu?” Ele confirmou que sim, dizendo que se ousasse voltar lá ia direto pra prisão! Rimos bastante.
Chegamos ao centro do Cairo às 23 horas e a vida intensa da cidade nos chamou atenção; todas as lojas abertas, um trânsito caótico (pior que o de São Paulo!), muita gente andando pela rua, muitos homens e algumas mulheres cobertas e quase sempre acompanhadas. Ahmed falou sobre a pobreza, o desemprego, a inflação, os preços altos, e ainda disse que mesmo após a Revolução, as condições de vida continuam iguais. Perguntamos: “E o que mudou então?” Ele nos respondeu, sem titubear: “Liberdade. Tudo mudou, agora somos livres”.
Chegamos ao centro do Cairo às 23 horas e a vida intensa da cidade nos chamou atenção; todas as lojas abertas, um trânsito caótico (pior que o de São Paulo!), muita gente andando pela rua, muitos homens e algumas mulheres cobertas e quase sempre acompanhadas. Ahmed falou sobre a pobreza, o desemprego, a inflação, os preços altos, e ainda disse que mesmo após a Revolução, as condições de vida continuam iguais. Perguntamos: “E o que mudou então?” Ele nos respondeu, sem titubear: “Liberdade. Tudo mudou, agora somos livres”.

