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Aécio e Dilma NÃO nos representam!


É preciso organizar as lutas em defesa dos direitos e por um BRASIL PARA OS TRABALHADORES!

O 2° turno se aproxima e os trabalhadores e a juventude não têm nada a ganhar.
Após as eleições, os preços da gasolina e tarifas de luz e transportes vão subir. Seja quem for eleito, Aécio ou Dilma, haverá cortes nos gastos sociais para pagar a dívida pública e aumentar os lucros dos bancos. Diante da crise econômica, vão atacar os direitos dos trabalhadores e dos aposentados.

Aécio ou Dilma vão governar para banqueiros e empreiteiras, que financiaram suas campanhas milionárias, e tentar jogar sobre os ombros dos trabalhadores os prejuízos da crise.

Aécio Neves (PSDB) é representante direto dos bancos e amigo de FHC, que privatizou o patrimônio público a preço de banana. Geraldo Alckmim em São Paulo, e Anastasia em Minas Gerais, ambos do PSDB, são governos onde a brutalidade e a violência policial são a única resposta às demandas dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude.

A continuidade do governo do PT, com Dilma Rousseff, tampouco vai trazer as mudanças que os trabalhadores e a juventude brasileira querem. Em 12 anos, o PT seguiu a mesma política econômica de privilegiar banqueiros e grandes empresas. Todo ano é pago R$ 900 bilhões aos bancos, enquanto isso a saúde e educação públicas estão um caos.  

Os trabalhadores e a juventude não podem depositar qualquer confiança ou ilusão em qualquer um deles. A única forma de garantir empregos e salários dignos, saúde, educação, transportes, moradia, terra e aposentadoria é através da organização e mobilização.

2º turno: voto nulo é que fortalece a luta dos trabalhadores

O voto é um gesto político que fortalece quem o recebe. Por isso, não podemos fortalecer nenhuma das alternativas que estão disputando o 2° turno e que vão atacar os trabalhadores. Respeitamos mas não concordamos com a lógica de votar no “menos pior”. O PSTU entende que, neste 2° turno, o voto que fortalece a nossa luta é o voto nulo.

Dayse Oliveira e Zé Maria: uma campanha a serviço da classe trabalhadora, dos pobres e dos negros

A campanha de Dayse Oliveira e Zé Maria, como de todos os candidatos do PSTU, esteve a serviço das lutas dos trabalhadores e de uma estratégia de transformação socialista para o nosso país.

Debatemos a necessidade de um governo dos trabalhadores, sem patrões, para fazermos as mudanças que o Rio de Janeiro e o Brasil precisam.

O PSTU não atua só nas eleições, nossa luta é todo dia, nas greves, ocupações e manifestações dos trabalhadores e da juventude.

Por isso, o PSTU agradece o apoio e os votos recebidos e chama todos a seguirem nessa jornada.
Nosso muito obrigado!

Pezão e Crivella são farinha do mesmo saco

Proteste! Vote nulo!

Por mais que Pezão se apresente como novidade, sofremos cada dia dos 8 anos em que ele esteve ao lado de Sérgio Cabral no comando do estado do Rio de Janeiro.  
A saúde pública é uma vergonha. As escolas da rede estadual estão sucateadas.

Pezão e Cabral fizeram a festa das empreiteiras com obras superfaturadas e removeram de forma violenta milhares de famílias para atender os caprichos da FIFA e os interesses dos empresários. Este governo usou o dinheiro público em festinhas particulares em Paris e passeios de helicóptero pelo Rio.

As UPPs castigam e matam os negros e pobres das favelas. Até agora estamos nos perguntando “Cadê o Amarildo?!”

Não podemos nos enganar com Marcelo Crivella. Ele não representa uma alternativa para os trabalhadores, porque também defende os interesses dos ricos e poderosos.

Enquanto mulheres e LGBTs seguem sendo agredidos e mortos pelo machismo e homofobia, o senador compartilha ideias preconceituosas a respeito das relações conjugais, sexualidade e aborto. Crivella disse: “Eu acredito que o homossexualismo não é doença, mas é pecado”. 

Em 2009 o bispo se utilizou de atos secretos para locação de assessores em gabinetes no senado para favorecer sua filha, que acabou nomeada pelo então senador Edison Lobão(PMDB). Isto é, uma grande troca de favores entre os senadores para acobertar o nepotismo.        

Crivella declarou que “se você deixar populações vivendo na miséria, nas regiões periféricas, elas migram para roubar na capital, onde tem a maior riqueza”. O bispo se esquece que os maiores ladrões do Rio estão na própria Assembleia Legislativa e nos bairros nobres da capital. 

O PSTU defende a mais ampla liberdade religiosa, mas entende que religião e política não devem se misturar. Já Crivella toma suas decisões políticas amparado em leis divinas e dogmas religiosos.

Nossas diferenças com o PSOL neste 2° turno


A resolução do PSOL sobre o 2° turno para presidente, na prática, é um apoio envergonhado à Dilma (PT). O partido é claro em sua orientação sobre Aécio Neves: recomendamos que os eleitores do PSOL não votem em Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais”, porque o tucano e seus aliados “são os representantes mais diretos dos interesses da classe dominante e do imperialismo na América Latina”. 

Mas em relação à Dilma, não há nenhuma orientação sobre o voto. A resolução até afirma que “Dilma está distante do desejo de mudanças que tomou as ruas no ano passado”, mas se cala diante do voto. A orientação é votar nulo ou em Dilma? A confusão não é casual, mas os deputados Marcelo Freixo, Jean Willys e Paulo Ramos sabem muito bem o que querem: votam Dilma. Paulo Ramos vai mais longe e já declarou apoio a Crivella. No Amapá, o PSOL tem o candidato a vice-governador na chapa de Camilo Capiberibe (PSB) e conta com o apoio ainda do PT e PCdoB. Mais uma vez o PSOL parece trilhar o caminho do PT.

Dayse defende o fim das UPP´s e a desmilitarização da PM

Candidata do PSTU ao Palácio Guanabara
defendeu as propostas durante entrevista
ao SBT na manhã de hoje (12)
Foto: Divulgação.
   A nossa companheira Dayse Oliveira participou na manhã de hoje da sabatina promovida pelo SBT Rio, em parceria com a Folha e o portal Uol. Durante a entrevista, Dayse falou sobre os pontos mais sensíveis aos trabalhadores do estado e defendeu o programa do partido para as eleições desse ano.

   Questionada sobre a recente greve dos profissionais de educação, Dayse, que também é professora da rede estadual de ensino, afirmou que Pezão dá continuidade ao projeto de privatização da educação no RJ e que toda sociedade sai prejudicada com o descaso dos governos com a educação pública. Dayse, que está licenciada da diretoria do SEPE/RJ, vem sofrendo ataques do governo do estado, através da secretaria de educação, como parte da política de criminalização das lutas, através do corte de ponto e abertura de inquérito administrativo que pode resultar até mesmo em demissão da companheira.

   Questionada sobre a política de segurança pública, Dayse afirmou que vai acabar com as UPP´s e desmilitarizar a PM, pois a política aplicada pelos governos Pezão/Cabral vem criminalizando os jovens da periferia do RJ e tem um direcionamento muito claro: a juventude negra e pobre do nosso estado. Para combater o tráfico, Dayse defendeu a legalização das drogas, com produção e distribuição sob controle do Estado, como forma de enfraquecer o poderio econômico das organizações criminosas, prisão e confisco dos bens dos empresários e políticos que financiam o tráfico de drogas e, para os dependentes e familiares que necessitam, acompanhamento médico gratuito fornecido pelo Estado.

   Questionada sobre a relação do nosso partido com os “black blocs”, Dayse foi categórica em afirmar que o partido não possui nenhuma relação com estes grupos e que não compactuamos com as ações isoladas nos atos e manifestações praticadas por estas organizações, como já deixamos claro em diversas notas políticas em polêmicas públicas travadas desde as manifestações de junho de 2013.

Transporte
   O transporte público no RJ segue um caos. E os mais prejudicados, obviamente, são aqueles que produzem toda a riqueza do nosso estado: os trabalhadores e trabalhadoras. Para conseguirmos um transporte público de qualidade, que atenda as necessidades dos trabalhadores, com passe livre para os estudantes, idosos e desempregados, combatendo a máfia dos transportes que segue lucrando as custas do sofrimento do povo pobre, para isso é preciso reestatizar o metrô, trem e barcas, colocando as companhias sob controle dos trabalhadores.

   Conheça o PSTU – O partido das lutas e do socialismo! Filie-se!

   Siga o Pstu Rio no twitter e os nossos candidatos ao senado Heitor Fernandes e a deputado federal Cyro Garcia e Mateus Ribeiro, além da página nacional do partido no facebook.

A morte de DG: o dia em que o morro desceu, e não era carnaval

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, ela se incendeia com indignação; foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e DG

Lucas Viana, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU


   No último dia 21, Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, foi mais um negro assassinado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de janeiro (RJ). A vítima, que era dançarino do programa Esquenta, da Rede Globo, foi encontrada com sinais de tortura e baleado numa creche no morro Pavão-Pavãozinho. A polícia, num primeiro momento, alegou que o dançarino, ao fugir de um tiroteio, havia morrido em decorrência de uma queda.

   A PM esperou que isso fosse o suficiente para calar e intimidar a população local. Entretanto, a comunidade não hesitou em descer o morro e ocupar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana para denunciar os abusos e o genocídio que as polícias vêm promovendo, além de exigir justiça às vítimas e o fim das UPPs.

Era só mais um Silva
“Era trabalhador, pegava o trem lotado
Tinha boa vizinhança, era considerado
E todo mundo dizia que era um cara maneiro
(...) E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família, ele não irá dormir”

(“Era só mais um Silva”)

   DG, não por coincidência, tinha sobrenome Silva e havia encenado, em Junho de 2013, sua própria morte no curta-metragem Made in Brazil, de Wanderson Chan, que ilustra o triste cenário das comunidades ocupadas pelas UPPs, onde jovens negros, trabalhadores e pais de família são diariamente abordados, intimidados, agredidos e mortos de maneira arbitrária, com a desculpa de serem confundidos com traficantes.

   Segundo o Instituto de Segurança Pública, de 2007 a 2012, foram registrados 553 desaparecimentos nas 18 primeiras comunidades pacificadas no Rio. Só em 2010 foram 119 desaparecidos, número que aumenta ano após ano e coloca em alerta a população negra e periférica do Rio, que hoje encara a luta contra as UPPs como a luta pela sua própria sobrevivência. Depois de Amarildo, nenhuma morte passa sem que o morro desça às ruas e exija justiça.

Pavão-Pavãozinho: o dia em que o morro desceu
   O fato de a comunidade do Pavão-Pavãozinho descer até Copacabana evidencia o novo momento político em que vivemos. Em junho, o aumento das tarifas do transporte foi o estopim para que a população percebesse que as ruas são o espaço para as transformações reais na sociedade. Hoje, quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, no dia seguinte ela se incendeia com a indignação da população. Foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e agora com DG.

   Não há dúvidas, apesar da negligência nas perícias e investigações, de que se tratou de mais um assassinato cujo responsável é o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) com sua política de segurança pública, que é a principal responsável pelo genocídio da população negra em curso. Tudo isso é evidenciado quando se lê cartazes feitos por moradores do Pavão nas manifestações, como “A maquiagem da UPP é o sangue dos inocentes”; “Hugo Leonardo (...) foi tido como bandido na mídia por calúnia dos policiais (...), e DG, Edilson e Amarildo são outras vítimas da UPP. Queremos Justiça!”; “Fora UPP”; “PM assassina”. Atualmente, tão essencial quanto a luta por transporte, saúde, educação e outros direitos sociais, o que se ouve nas ruas, por parte da população negra é a reivindicação por permanecer viva e pelo direito ao futuro.

   Trata-se, em termos gerais, da luta contra a ideologia racista e do sistema que rebaixa os negros à categoria de coisas, que permitiu que fossem escravizados e mercantilizados por quase 400 anos no Brasil e que, hoje, faz com que sejam “carne barata” no mercado de trabalho, além de “justificar” o descaso do governo e da elite com o genocídio da população negra.

O mito da democracia racial e as lágrimas de crocodilo de Pezão
   O governador Pezão convidou a mãe de DG, Maria de Fátima da Silva, para uma reunião, que foi prontamente recusada pela técnica em enfermagem: “Nenhum político vai se projetar em cima da imagem do meu filho. Existem outros crimes iguais ao do meu filho que não foram solucionados até agora, como o da auxiliar de serviços gerais, Claudia da Silva Ferreira, que caiu no esquecimento (…). Eu quero uma polícia correta e digna na rua e não uma polícia assassina. E não homens armados, tendo a população como inimiga. Eu quero que ela [a polícia] aja com rigor e traga à tona a verdade desse caso”.

   A atitude louvável de Maria de Fátima vai no sentido oposto ao amplamente difundido mito da democracia racial, cujo centro é acreditar que negros e brancos possuem as mesmas oportunidades, os mesmos riscos ou que ocupam postos de igualdade na sociedade e que,por isso, todos os conflitos sociais e raciais podem ser resolvidos com um grande acordo entre a “casa grande” e a “senzala”.

   Um exemplo desse mito é o próprio programa de televisão em que DG trabalhava, o Esquenta, que espetaculariza a pobreza, a colocando como mais um produto a ser vendido e consumido, além de exibir um mundo que, na prática, não existe: onde brancos e negros convivem harmoniosamente, sem as relações de opressão ou exploração que existem na sociedade. Ou como se essas relações não fossem relevantes, como o exemplo clássico da empregada negra que samba alegremente com a patroa branca, o que não é verdade.

   No programa do último domingo, 27, que homenageou DG, a democracia racial atacou mais uma vez: o assunto da violência foi tratado de maneira abstrata, como se todos ali, de Regina Casé a Carolina Dieckman, sofressem o mesmo risco que DG e a população negra e periférica de morrerem assassinados. Ou como se um episódio do programa com condolências de globais, como Pedro Bial ou Jô Soares, fossem suficientes para fazer justiça ao caso específico do dançarino, e não a resolução do problema de conjunto, que é, entre outras coisas, a desmilitarização das polícias e a retirada das UPPs das favelas.

   Além disso,  não é verdade que Pezão, ao chamar a reunião com Maria de Fátima, estava preocupado em garantir que este e outros casos semelhantes se solucionassem ou que o genocídio da população negra se encerre. Pelo contrário, mediante a falência da política das UPPs e da revolta generalizada que faz com que a população desça do morro em protesto, Pezão aceita com gratidão a ajuda do governo de Dilma Rousseff, que ocupou, desde o início de abril, com suas Forças Armadas, o complexo da Maré.

   Portanto, mediante esta situação, não é possível conciliar a “senzala” com a “casa grande”, pois são polos com interesses opostos. De um lado, os governos fazem de tudo para garantir a Copa do Mundo para inglês ver, intensificando a ocupação das favelas e morros, para conter a população que quer lutar contra as injustiças sociais, sendo uma delas o seu próprio genocídio. De outro lado, está a população preta das periferias, como a de Pavão-Pavãozinho, que dão um exemplo de luta e resistência. Os ventos de junho seguem soprando em nosso país.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Transformar o luto em luta
   Para além do grito de justiça pelo essencial, que é a investigação rigorosa, afastamento e punição dos policiais envolvidos na morte de DG e em outros casos de desaparecimento e morte das centenas de moradores das comunidades ditas pacificadas, é uma questão urgente a retirada imediata das UPPs das favelas e morros do Rio.

   A principal desculpa para que os governos de Pezão e Dilma ocupem hoje as favelas e morros é a guerra às drogas, mas esta é uma política que, a cada dia, anuncia o seu próprio fracasso por ser a causa direta do genocídio da população pobre e preta das periferias, além do seu encarceramento em massa.

   Se o governo está realmente interessado em acabar com o tráfico, fazer justiça a DG e garantir a vida e o futuro da população negra, deve haver uma inversão de prioridades: ao invés de se investir mais de R$ 30 bilhões com a Copa das injustiças, deve se investir nos direitos sociais mais básicos, como saúde, transporte, educação e cultura, além da urgente legalização das drogas e desmilitarização das polícias.

   Entretanto, se Pezão e Dilma não estão dispostos a ouvir as ruas, o Pavão-Pavãozinho e os pretos da periferia de conjunto estão dispostos a transformar o luto em luta e fazer um novo junho acontecer, mas dessa vez com a inspiração em Palmares.

Polícia Militar faz mais vítimas inocentes no Rio de Janeiro

População revoltada ergue barricadas na Zona Sul do Rio
Foto: Ag Brasil
Da Redação

População se revolta contra os assassinatos e o terror imposto pelas UPP’s

   A população pobre e negra da periferia do Rio está se cansando de viver dias sob o domínio do medo e do terror. Agora, não só de traficantes e milicianos, mas da Polícia Militar, que fez mais vítimas inocentes e despertou a ira da população. Na manhã de 22 de abril, o jovem Douglas Rafael da Silva Pereira, 26, conhecido como DG, foi encontrado morto no morro do Pavão-Pavãozinho, Zona Sul da cidade. DG era dançarino do programa "Esquenta", da Rede Globo. Segundo a polícia, teria havido um tiroteio na madrugada do dia 21, e o corpo DG teria sido encontrado apenas horas depois.

   A morte do rapaz provocou revolta na população e desencadeou uma série de protestos na região no início do dia seguinte. Moradores foram para as ruas, ergueram barricadas e enfrentaram a polícia. Ruas de Copacabana ficaram bloqueadas, inclusive a Avenida Nossa senhora, uma das principais do tradicional bairro de classe média. Os protestos e a repressão também atingiram Ipanema. Na ofensiva da polícia contra os moradores, que contou com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e a Tropa de Choque, mais um jovem foi morto. Edilson da Silva dos Santos foi baleado na cabeça e chegou já sem vida ao hospital. Um menor de idade também teria sido atingido por tiros durante a repressão.

Execução
   A mãe do dançarino afirma que o corpo, encontrado num vão atrás de uma creche da região, tinha marcas de tortura. "Estava em posição de defesa, todo machucado", revelou à imprensa a técnica de enfermagem Maria de Fátima da Silva. "A UPP é um farsa, uma mentira. Meu filho não morreu de queda. Tenho certeza que (os policiais) torturaram e mataram ele", disse ainda. Segundo a mãe do jovem, o corpo, além de marcado de agressões, estava molhado, inclusive os documentos de DG, apesar de no dia não ter chovido.

   Moradores acusam a PM de ter confundido o dançarino com um traficante. O jovem estaria num churrasco na laje de um prédio de três andares na noite do dia 21, quando uma ronda de policiais da UPP iniciou um tiroteio. Os participantes do churrasco fugiram e Douglas, junto com um amigo, teria tentado saltar um muro para atingir outro prédio, no momento em que caiu ao bater com o peito numa divisória.

   Nessa quarta, 23, o próprio Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, confessou em entrevista coletiva que a causa da morte de DG foi realmente por um disparo de arma de fogo, já que a Polícia Civil se recusava a prestar maiores esclarecimentos sobre a morte do rapaz. Mesmo assim, os dez policiais acusados de envolvimento na ação, da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do morro Pavão-Pavãozinho, sequer foram afastados e estão nas ruas normalmente.

Terror
   A morte de DG foi apenas o estopim para uma revolta gestada pelos inúmeros abusos perpetrados pela Polícia Militar na região. "Isso que aconteceu com o Douglas já estava anunciado. Nove em cada dez jovens já foram esculachados aqui", denunciou uma moradora ao jornal O Globo. Outra moradora afirmou que um policial ameaçou de morte seu filho de 20 anos que trabalhava numa lanchonete, obrigando-o a fugir da região.

   Em seu perfil do Facebook, umas das últimas mensagens de Douglas conclamava a paz no Rio. "Paz e amor em todas as favelas e morros do Rio de Janeiro!", dizia. Mas não é isso o que a polícia quer. A violência cada vez mais extrema da Polícia Militar vem revelando o real caráter dessa política das UPP's, implementada a partir de 2008 e que conta hoje com 39 unidades espalhadas em pontos estratégicos da periferia e morros da cidade. Trata-se de ocupar a área sob a base da bala, espalhando o terror e o pânico entre a população. O caso do pedreiro Amarildo, barbaramente torturado e assassinado por policiais da UPP da Rocinha, é um símbolo da farsa dessa política de “pacificação”.
Em declaração emocionada, a mãe de DG disse que
seu filho "não vai ser outro Amarildo".
Registro feito durante o cortejo na tarde de hoje (24),
momentos antes da repressão gratuita da PM.
Foto: Coletivo Vinhetando.
   O governo Dilma, por sua vez, além de ser conivente com a política de criminalização e extermínio praticado pela polícia do Rio, disponibilizou tropas do Exército para ocupar o Complexo da Maré. As Forças Armadas vem ocupando a região desde o início de abril e devem permanecer pelo menos até o final da Copa do Mundo.

   A diferença agora, é que a população pobre e negra dos morros e favelas não está se sujeitando às mortes e arbitrariedades impostas pela Polícia Militar, e se revolta. Estavamos vendo o dia em que o morro desce sem ser carnaval, como diz o samba de Wilson das Neves.

 

Polícia Militar do Rio invade prédio e desaloja famílias com brutalidade

Foto: Midia Informal
Terreno da Telerj estava há pelo menos 10 anos vazio; polícia utiliza arma de fogo durante o despejo

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   O dia começou com cenas de guerra e barbárie para milhares de pessoas que ocupavam um terreno abandonado da Telerj, atual Oi, na Zona Norte do Rio, neste 11 de abril. A polícia deslocou um contingente de 1600 policias para cumprir uma ordem de reintegração de posse contra cinco mil pessoas que ocupavam a área desde o dia 31 de março. A ação, que começou por volta das 6h da manhã, resultou em dezenas de feridos, inclusive crianças. Cápsulas de fuzil pelo chão denunciavam que não foram apenas utilizados armamento “não letal”.

   A truculência policial contra os moradores contou com helicóptero despejando bombas de gás lacrimogêneo, numa ação que lembra muito o despejo da PM de Alckmin na ocupação do Pinheirinho, há dois anos. Tal como ocorreu em São José dos Campos (SP), os moradores denunciavam que foram expulsos pela polícia com ameaças, não conseguindo sequer recuperar seus pertences dentro dos barracos. Uma retroescavadeira do Bope, por sua vez, punha abaixo as moradias, enquanto a repressão ocorria do lado de fora do prédio.
Policial saca arma de fogo durante repressão a moradores (Ag Brasil)
Cenas de barbárie
   Para chegar ao prédio desocupado não foi fácil. A maior parte dos acessos estava bloqueada pela Polícia Militar, mesmo para moradores que se identificavam e apresentavam comprovantes de residência. O clima de tensão na região era combinado com o espetáculo midiático dos grandes veículos de imprensa, que insistiam na linha editorial de “restabelecimento da ordem”, chamando os moradores de “invasores” e “vândalos”.

   O RJTV 1ª edição, da Rede Globo, quase um diário oficial da cidade, dizia que a ação havia sido pacífica. Não foi o que eu vi. O que presenciei foram pessoas desesperadas, muitas aos prantos, após terem sido covardemente agredidas e humilhadas. Muitos integrantes do Batalhão de Choque da PM e do Bope ostentavam armas de grosso calibre em frente a uma população desarmada e desamparada. Essa mesma PM, que “sumiu” com o pedreiro Amarildo Dias de Souza, que assassinou a trabalhadora Claudia da Silva Ferreira, e que pratica os seguidos autos de resistência.

   Próximo a um supermercado da região, a prefeitura do Rio organizou um arremedo de cadastro dos moradores expulsos da Favela da Telerj, onde coletava apenas o primeiro nome e um telefone para contato. E mais nada. Revoltados, os moradores desalojados seguiram para a porta da Prefeitura do Rio e prometiam passar o final de semana acampados por lá até que o prefeito Eduardo Paes negocie e ofereça alguma alternativa.

   "Acompanhamos a desocupação da favela da Telerj e ouvimos muitos relatos de arbitrariedades", afirmou Aderson Bussinger, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e militante do PSTU. "Presenciei muitas pessoas feridas por balas de borracha, uma senhora idosa na UPA Sampaio ferida não, ouvi relatos de mães que tiveram filhos agredidos", disse, informando ainda que a Comissão de Direitos Humanos irá preparar um relatório apurando as denúncias de abuso policial.

“Tem que baixar o sarrafo mesmo”
   Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio, 27 pessoas foram presas durante a desocupação. Um jornalista do Globo chegou a ser detido enquanto tentava filmar a ação da PM com o celular, que foi confiscado e roubado por um policial. Entre os inúmeros feridos, um morador ficou cego de um olho ao ser atingido por um disparo de bala de borracha. Após a ação, pelo menos três crianças foram hospitalizadas.

   Em outra frente, moradores da Providência, Horto, Vila Autódromo e outras comunidades que têm sofrido com as remoções realizadas pelo estado ocuparam o prédio da Defensoria Pública exigindo a saída de Nilson Bruno Filho, Defensor Público Geral do Estado. Nilson tem atuado como aliado do prefeito Paes nos casos de remoções arbitrárias para as obras da Copa e Olimpíadas.

   O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, por sua vez, apoiou a ação e disse que "foi feito o que tinha que ser feito". Um diretor administrativo da secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos foi ainda mais direto e expôs com clareza como pensa esse governo. "Tem que baixar o sarrafo mesmo", escreveu Antony Faria La Ruina em uma rede social.

Uma dura rotina
   A repressão ao povo pobre e negro do Rio de Janeiro virou uma rotina. Não se trata mais de uma ação desmedida de alguns governantes desmiolados ou fruto de devaneio de um comandante de batalhão. Mas uma política consciente, orquestrada por toda cúpula dos três poderes fluminenses (Executivo, Legislativo e Judiciário) para beneficiar a especulação imobiliária e garantir as obras da Copa e das Olímpiadas. O terreno da Telerj está abandonado há cerca de 20 anos. A ação de reintegração de posse foi solicitada pela companhia telefônica Oi, empresa que possui valor de mercado superior a R$ 6,5 bilhões, e que foi a aposta do então governo Lula na criação de uma “supertele” nacional.

   A ação de reintegração de posse e a brutalidade da Polícia Militar contra os moradores mostraram ainda o verdadeiro caráter dessa polícia, comprometida com os interesses das grandes empresas e utilizada pelos governos para atacar o povo pobre e negro das periferias. Essa polícia tem que acabar!

Rebelião toma conta do COMPERJ na tarde de hoje


Um motim tomou conta das obras do COMPERJ na tarde de hoje. Depois de 40 dias de greve, um acordo foi fechado, no início desta semana, entre a categoria e os patrões, mediado pelo Sindicato da Construção Civil de Itaboraí. No entanto, um dos pontos principais das reivindicações, a exigência de que os dias parados não fossem descontados, foi negado pelas construtoras. O sindicato omitiu a informação para a categoria que, ao descobrir a situação, resolveu novamente cruzar os braços. 



Os protestos começaram a se multiplicar por vários canteiros de obra do complexo, levando cerca de 28 mil trabalhadores a protestarem contra a atitude do sindicato e a negativa dos patrões. Diante da recusa dos operários a trabalhar, a Petrobrás começou a liberar os trabalhadores por volta das 10h, mas em alguns canteiros os operários foram impedidos de deixar o complexo. A revolta aumentou e os trabalhadores ameaçaram ocupar todo o complexo. A Petrobrás reforçou a segurança, trazendo agentes de outras unidades para o local. Há informações também de que havia vários agentes a paisana armados dentro dos canteiros. 

Por volta das 11h, diretores do Sindpetro se dispuseram a entrar nos canteiros e negociar com os trabalhadores para evitar reabrir as negociações. Há dois anos, no CENPES, a interlocução do Sindpetro conseguiu evitar o pior em situação parecida. A Petrobras, no entanto, negou a ajuda dos diretores e afirmou que a situação estava sob controle. 

As atitudes da Petrobras diante da grande greve do COMPERJ, somadas a conduta apresentada pela empresa em face dos últimos acontecimentos, levantam a suspeita de que a Petrobras esteja se utilizando da greve para justificar o atraso nas obras do complexo. A recusa ao diálogo por parte da empresa, inclusive declinando a ajuda do Sindpetro, sindicato que goza do respeito dos trabalhadores do complexo, levaram ao conflito. 

O que está por trás desta crise é o total descrédito do Sindicato da Construção Civil entre os trabalhadores, que sofrem com condições de trabalho cada vez mais precárias. No último período, houve falta de água potável e para higiene nos canteiros do complexo. Além disso, as empresas forneceram comida estragada aos trabalhadores, levando mais de 200 deles ao hospital. Um operário teve a boca cortada com um caco de vidro encontrado entre a comida, e em outro episódio, uma lagartixa morta foi encontrada na comida. Depois da greve, nos dois dias em que houve trabalho, o pessoal de cozinha alertou aos trabalhadores que a comida que estava sendo servida estava fora da validade, pois havia sido adquirida para a alimentação nos dias em que as atividades estavam paralisadas. 

No fim da tarde, havia indícios e informações de que a tropa de choque da polícia militar havia entrado no complexo para acabar com a mobilização dos trabalhadores. O resultado desta operação continua desconhecido. Neste momento não é possível contactar os trabalhadores para obter informações a respeito da invasão da polícia.

Barbárie que vitimou Cláudia reforça necessidade da desmilitarização da polícia


Arthur Gibson, da redação Rio
Cláudia da Silva Ferreira, 38 anos, moradora do Morro da Congonha em Madureira, acordava todos os dias às 4h30 da manhã para ir trabalhar como auxiliar de serviços gerais no Hospital Marcílio Dias. Com o baixo salário que recebia, sustentava quatro filhos e quatro sobrinhos junto com seu marido, que trabalhava como vigia no famoso Mercadão de Madureira. No dia 16 de março, um domingo, Cláudia saiu de casa com R$ 6 para comprar pão e foi alvejada a tiros pela PM. Colocada na traseira da viatura pelos policiais, a auxiliar de serviços gerais foi arrastada por 250 metros após cair do porta-malas produzindo uma imagem correu o mundo, chocou os trabalhadores e expôs mais uma vez a política racistae assassina de segurança pública no Rio de Janeiro.
A rotina da PM subindo as favelas atirando a esmo, matando trabalhadores e jovens negros e forjando “autos de resistência” é conhecida pelos moradores das comunidades. A própria Cláudia sabia muito bem os perigos de ser negro e pobre no Rio. Weverton, seu filho de 16 anos, disse que sua mãe temia que ele pudesse acabar sendo “confundido” com um traficante e alvejado. O irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, em entrevista ao Globo, deixa claro que o procedimento que vitimou sua irmã não é novidade: “Aconteceu com ela e amanhã será com outro trabalhador. (...) Não queremos que fique impune. Senão ela será só mais um Amarildo”.

O fracasso da política de "pacificação" 
Se depender do governo do Rio de Janeiro, mais Cláudias e Amarildos serão vitimados pela ação da PM. A morte de Cláudia acontece justamente no momento em que o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, iniciam nova ofensiva em sua política de repressão das favelas através das UPP’s. Nas últimas semanas, se utilizando de uma série de ataques por parte do tráfico que resultaram na morte de 16 PM’s neste ano, o governo e a grande mídia não mediram esforços para revitalizar a imagem das Unidades de Polícia Pacificadora. Como parte deste esforço, a Vila Kennedy foi ocupada militarmente e o Complexo do Alemão invadido pelo Bope.
 O projeto das UPP’s entrou em franco descrédito depois das inúmeras arbitrariedades e violências cometidas nas comunidades, das quais a morte do ajudante de pedreiro Amarildo virou símbolo. Manifestações contra as UPP’s e a ação da PM tomaram as favelas do Rio no ano passado e seguem em 2014. Neste ano houve protestos e confrontos de moradores com policiais no Complexo do Alemão, na Praça Seca, Morro São João, Morro da Gambá, Cidade de Deus, Favela do Metrô dentre outros.
A criminosa ação da PM que resultou no assassinato de Cláudia da Silva Ferreira coloca mais uma vez na ordem do dia a luta contra a política de segurança pública do governo Sérgio Cabral. Uma política voltada para a ocupação militar das favelas como forma de reprimir uma população negra e pobre vista como criminosa pelo Estado. A repressão cotidiana da polícia na periferia do Rio foi vista também nas manifestações que tomaram a cidade desde junho passado. As prisões arbitrárias, as agressões gratuitas, a limitação do direito de ir e vir, a infiltração dos movimentos sociais, tudo o que foi característico da ação da PM durante as manifestações é transformado em cotidiano numa versão bastante piorada paraos moradores das favelas cariocas com as UPP’s. A luta contra as UPPs e pelo fim da PM ganhou força em 2013, e deve continuar em pauta. É preciso discutir de que segurança pública precisamos.

Por uma política de segurança pública que atenda os trabalhadores
Não é possível resolver o problema da segurança com a manutenção das atuais Polícias Civil e Militar. Estas são polícias pensadas para manter a ordem de coisas vigente, defender os ricos e poderosos e, por isso, tem como principal função manter os trabalhadores e o povo pobre sob constante repressão. Desta função surge também uma polícia corrupta, sempre disposta a vender seus serviços a quem pague mais ou a cobrar propina dos trabalhadores que se acostumou a reprimir. A estrutura militarizada que tem a PM e que transborda no dia-a-dia também para outras estruturas policiais impede que os policiais que discordam desta realidade possam se manifestar e se organizar para ajudar criar as condições para que esta realidade mude.
É preciso dissolver as atuais polícias e criar uma única Polícia Civil Unificada e totalmente desmilitarizada. Esta polícia deve ter como principal característica o controle de suas ações pelas entidades dos movimentos sociais e associações de moradores, para que ela não mais sirva aos interesses dos ricos e poderosos e passe a defender os interesses dos trabalhadores e da população negra e pobre das periferias. A população deveria ter o direito a eleger os chefes de polícia com mandatos revogáveis a qualquer momento. Os policiais devem ter direito à sindicalização e a eleger seus superiores.
Os agrupamentos de elite (como BOPE e CORE) voltados para invadir as favelas devem ser extintos, bem como a Tropa de Choque, cujo único objetivo é reprimir as mobilizações dos trabalhadores. As UPP’s devem ser extintas e o patrulhamento das favelas deve ser feito em diálogo com as associações de moradores.
A luta por uma nova política de segurança pública, no entanto, começa pela batalha para punir os assassinos de Claúdia, Amarildo e todos os outros trabalhadores e negros assassinados pelo governo Sérgio Cabral. As grandes manifestações que tomaram o Rio de Janeiro em 2013, e que continuam em 2014, não esqueceram dos crimes do governador do estado. É preciso continuar nas ruas, exigindo a prisão dos assassinos de Cláudia e Amarildo e fortalecendo a luta pela derrubada do maior responsável pelo massacre da população negra nas favelas do Rio, o governador Sérgio Cabral.

Atualização: Enquanto publicávamos esse artigo, a Justiça acabava de conceder liberdade aos policiais envolvido no caso de Cláudia

Um balanço necessário: Greve dos Garis derrota Eduardo Paes e anuncia novas lutas

Garis tomam a avenida Rio Branco em ato da greve (Foto: intenet)

por Arthur Gibson, da redação Rio.
O carnaval é um dos eventos culturais mais importantes de nosso país. Durante este curto período, milhões de trabalhadores ocupam as praças e avenidas do Brasil em busca de lazer e diversão. No entanto, para muitos trabalhadores, o carnaval é um principalmente um período de maior exploração.
Este é o caso dos trabalhadores da limpeza urbana. Durante os festejos momescos, os garis trabalham ainda mais duro para garantir uma cidade limpa para os foliões. Segundo alguns trabalhadores, muitos trabalham além de sua jornada sem receber nada mais por isso. O piso salarial da categoria, que era de R$ 803,00 demonstra o desprezo da prefeitura por este duro trabalho. Apesar desta realidade, a mídia e a prefeitura do Rio sempre retrataram o gari carioca como uma figura folclórica, como um símbolo do carnaval, sempre alegre e feliz por seu trabalho.

As lições de uma Greve vitoriosa
A greve dos garis foi o grande evento deste carnaval no Rio de Janeiro. Ao invés do gari feliz por ser explorado pintado pela mídia e pela prefeitura o que se viu foram garis felizes por lutar, firmes em uma batalha em que tiveram de enfrentar muitos adversários.
A greve, que começou no dia 1º de março, tinha como principais pautas o aumento do piso da categoria de R$ 803,00 para R$ 1.200,00 (37%) e o aumento do tíquete alimentação de R$ 12,00 para R$ 20,00. Ao final dos 8 dias de greve a categoria arrancou um acordo que reajusta o piso para R$ 1.100,00 e o o tíquete para R$ 20,00; uma enorme vitória diante da repressão e da intransigência do prefeito Eduardo Paes (PMDB).
Durante o período de greve os trabalhadores tiveram que dobrar a direção do sindicato (SEEACMRJ), ligada à central sindical pelega CGTB. Depois de cancelar sem maiores explicações a paralisação marcada para o dia 28/02, o sindicato foi atropelado pela categoria que deflagrou a greve no dia 1º de março. Dois dias depois, o sindicato fecha um acordo com reajuste de 9% no salário e aumento do tíquete para R$16,00 junto à Companhia Municipal de Limpeza Urbana (CONLURB). Em comunicado distribuído à categoria o sindicato dizia: “Como toda categoria testemunhou, o Sindicato não foi o responsável pela deflagração da greve”. O objetivo claro era desmontar o movimento que corria fora de seu controle e que tinha ampla adesão da categoria.
Com o aval da direção do  sindicato, que deslegitimava o movimento grevista, a COMLURB anunciou no dia 4 de março a demissão arbitrária de 300 trabalhadores que estavam em greve. Intransigentes em não reconhecer o movimento grevista, Eduardo Paes e o presidente da COMLURB Vinicius Roriz classificaram os grevistas como “marginais”, “delinquentes” e de “grupos isolados que discordam do sindicato”. Com medo das represálias, uma parte da categoria passou a ir ao trabalho para bater o ponto, mas se recusava a sair às ruas para fazer a limpeza. Diante disso Eduardo Paes mobilizou a Guarda Municipal, a polícia Milkitar e até empresas de segurança privadas para obrigar os garis a fazerem a limpeza das ruas.

Categoria demonstrou disposição e unidade  (Foto:internet)
A unidade da categoria e o apoio da população forçam o governo a recuar
A campanha da prefeitura para desacreditar os grevistas e a propaganda da imprensa sobre o caos da limpeza durante o carnaval do Rio não foram suficientes para desmobilizar a categoria nem para diminuir a solidariedade de trabalhadores de outras categorias com a greve.
Durante o carnaval surgiram muitas paródias em apoio à greve, nos atos houve importante presença de trabalhadores de outras categorias e de sindicatos combativos como o SEPE e as redes sociais trasbordaram de apoio à luta dos garis. O gari Renato Sorriso, símbolo do carnaval carioca, tantas vezes utilizado pela mídia como modelo de trabalhador explorado e feliz declarou seu apoio à greve e participou das manifestações: “Sou gari mas não só pra sorrir. Estou aqui porque acima de tudo sou gari e sou trabalhador”. Um vídeo de Eduardo Paes o prefeito jogando lixo no chão virou febre na internet e ajudou a desmoralizar ainda mais o prefeito. Este amplo apoio e solidariedade dos trabalhadores ajudou a fortalecer o movimento grevista e deixou claro para Paes que a batalha estava perdida.

Uma vitória que anuncia novas lutas
As imagens de Eduardo Paes anunciando o acordo no dia 8 de março mostram um prefeito derrotado, inventando desculpas para dizer por que não havia negociado com os grevistas antes. A vitória da categoria deve ser compreendida como parte da ofensiva de lutas que se abriu em junho do ano passado e que derrotou governos e prefeituras revogando o aumento da tarifa dos transportes.
Desde junho vemos uma maior disposição da classe trabalhadora em lutar. Há um maior apoio da população às greves, manifestações, e uma maior indignação diante da repressão e das injustiças. No ano passado, a greve dos professores do RJ colocou em xeque a política educacional de Paes e Cabral e jogou a popularidade destes governantes pra baixo. Em 2014, a luta contra o aumento dos transportes, a greve da saúde e do Comperj (que já dura um mês) e, principalmente, a greve dos garis anunciam um ano de muitas lutas.
É preciso se apoiar no exemplo vitorioso dos garis cariocas e avançar na preparação das mobilizações de 2014. Os servidores públicos federais já preparam atividades de sua campanha salarial para a próxima semana, apontando para uma forte greve nacional unificada. Além disso, o Encontro Nacional do Espaço Unidade de Ação, marcado para o dia 22 de março, vai reunir ativistas do Brasil inteiro para debater e organizar as mobilizações em nível nacional.

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Editorial: Sigamos o exemplo dos garis!
Intelectuais divulgam manifesto contra a repressão e a criminalização dos movimentos sociais