| Fora Cabral, vá com Paes está na boca do povo foto: Paollo Rodajna |
Governador Sergio Cabral, a pedido do Prefeito Eduardo Paes, reprime violentamente educadores do Rio de Janeiro
Miguel Malheiros e Susana Gutierrez do Rio de Janeiro
São combatidos ferozmente com bombas, armas químicas (gaz lacrimogêneo e spray de pimenta), choques elétricos e pauladas. Contra esta categoria já foram lançados os seguranças da ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro); o Batalhão de Choque da Policia Militar. Suspeita-se que já tiveram de enfrentar, inclusive, milicianos. Sem dúvida são homens e mulheres que amedrontam os governos de Cabral e Eduardo Paes.
Mas quem são estas pessoas que tiram o sono do governador do Rio e do prefeito da capital? Pelo que lutam? Que armas possuem para contra eles serem lançados brutais aparatos de repressão?
Estão armados com ideias e argumentos. Sua causa é justa, defendem a escola pública e a querem de qualidade. São cozinheiras, cozinheiros, auxiliares de creche, porteiras e porteiros, agentes educacionais, professoras e professores. São profissionais da educação do estado e da prefeitura do Rio de Janeiro. Nas assembleias, e nas ruas dão corpo ao SEPE (Sindicato Estadual de Profissionais da Educação), gritando a plenos pulmões: “O SEPE somos nós, nossa força, nossa voz.”
Há uma duríssima luta em curso no Rio de Janeiro. De um lado os governos de Cabral e Paes. Governos do PMDB com o PT, sustentados e apoiados pelo PCdoB. A mesma coalizão do governo federal. Este é o lado dos que querem aprofundar os ataques à escola pública, avançando na transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. Avançando nos planos de transformar professores em monitores de turmas, em tutores.
Para as fundações e ONG’s privadas é fundamental que os ataques de Paes e Cabral tenham sucesso. Estão de olho nos milhões de reais que podem ganhar com a produção de apostilas; de provas externas - como o SAERJ ou prova Brasil. Com a produção de aulas prontas e padronizadas, sem respeitar a diversidade de saberes. Sem respeitar as distintas origens e formações sociais no Estado ou mesmo na cidade do Rio de Janeiro. Para estes pouco importa se o mesmo modelo de aula é aplicado para estudantes moradores em uma favela, ou na Zona Rural do estado. Afinal, para estes, o que importa são os milhões de reais que podem lucrar.
Destruir a carreira de professores para estes urubus da educação pública é parte decisiva para ocuparem espaços, lucrando com isso, dentro das escolas. Para eles a escola pública não precisa de profissionais que educam, que ensinam, que produzem e reproduzem conhecimento, ou seja professoras e professores. Para os urubus onde estudam filhos e filhas da classe trabalhadora bastam pessoas capazes de criar condições de aprendizagem. Assim substituir professores por tutores, ou criar professores polivalentes, aplicadores de métodos pré fabricados e padronizados, comprados no mercado por rios de dinheiro é um passo importante para seus objetivos de mercado.
De outro lado estão os profissionais da educação na defesa da escola pública, na defesa de uma educação pública e de qualidade. Nessa luta batalham por ter o apoio da população. Mas é uma batalha desigual. Os grandes meios de comunicação, como a Globo, jogam o tempo todo ao lado dos governos, tentando criar condições para enfraquecer a luta dos educadores. Em contrapartida dos mais diversos setores chegam cartas e moções de solidariedade e apoio à luta em defesa da educação pública.
Lula se reúne com o carrasco da educação pública
Ainda é inicial, mas educadores e população começam a estranhar o silencio da Presidenta da República, quando seus aliados, Sergio Cabral e Eduardo Paes, atuam de forma tão feroz contra homens e mulheres responsáveis por educar parcela considerável dos filhos e filhas da classe trabalhadora e do povo pobre. Não por acaso na manifestação de apoio à luta da educação que reuniu mais de 50 mil pessoas, na segunda-feira 7 de outubro, uma das faixas carregadas trazia escrito: “E aquela Dilma que ia mudar o mundo agora assiste a tudo em cima do muro."
Mas não se trata apenas do silêncio da Presidenta. Logo após ao verdadeiro massacre sofrido pelas educadoras e educadores (30 de setembro), o ex presidente Lula visitou o Rio de Janeiro. Sua visita não foi para levar solidariedade e apoio às educadoras e educadores, que haviam sido atacados brutalmente pela PM (Policia Militar) de Cabral, a pedido de Eduardo Paes. Lula foi ao Rio de Janeiro reunir-se com o algoz da escola pública. Reuniu-se com Sergio Cabral. O objetivo da conversa não foi cobrar de seu aliado que tratasse com respeito aos educadores, atendendo suas reivindicações. Lula foi ao Rio falar com Cabral sobre as eleições de 2014. De fato o ex Presidente Lula deve um pedido de desculpas formal à categoria de profissionais da educação do Rio de Janeiro.
Guerreiras e guerreiros da educação pública
Os profissionais da educação sabem que lutam por sua sobrevivência como categoria profissional. O “Plano”, aprovado por Paes na Câmara de Vereadores, não passa de mal disfarçada reforma administrativa. Entre outras coisas legaliza o professor polivalente, ao criar a nomenclatura de Professor de Ensino Fundamental para lecionar do 1° ao 9° ano. De fato a nefasta ideia por trás disso é o professor dar aulas das mais diferentes disciplinas, para as mais diferentes faixas etárias. Por exemplo professores de geografia dando aulas de matemática, e assim por diante.
Nas reuniões com responsáveis, e também nos atos e passeatas, é comum ouvir-se que não é só pelo salário, é em defesa da educação pública. É por dignidade. Neste duro enfrentamento a categoria vai aprendendo a confiar em suas forças. Descobre seus aliados, mas define que mesmo apoiadores devem se submeter aos métodos de luta da categoria.
O destino dessa luta não se definiu. Estes bravos e heroicos homens e mulheres tratam a si mesmos de forma orgulhosa por guerreiras e guerreiros da educação pública. Enfrentam inimigos poderosos, mas arrancam forças para seguir adiante na justeza da luta e no apoio que recebem.
Seguem fazendo assembleias com milhares de pessoas. Seguem realizando atos onde a criatividade está sempre presente. Em suas manifestações continuam pautando seus objetivos e questionando seus inimigos. Nas assembleias e nas ruas continuam cantando: “Educação na rua qual é sua missão?
Conquistar mais dinheiro pra saúde e educação!
Educação na rua o que é que você faz?
Fora Cabral e Eduardo Paes!”