Sobre o reconhecimento do “Estado palestino”

Pela derrota de EUA e Israel na ONU!

RONALD LEÓN, DA LIT-QI



• A luta histórica do povo palestino contra o Estado nazista-sionista de Israel, que é parte central da luta de todos os povos do mundo contra a dominação imperialista de conjunto, novamente se encontra no centro da polêmica mundial.

   O atual líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, apresentou no dia 23 de setembro, diante o Conselho de Segurança da ONU uma demanda para o reconhecimento oficial da Palestina como Estado independente, com plenos e idênticos direitos de todas as demais nações. Este status lhe permitiria, por exemplo, denunciar perante a justiça internacional a ocupação de seus territórios por forças sionistas. Na atualidade a Palestina tem, dentro da ONU, um status que não é de Estado, mas sim de entidade “observadora permanente”.

   Essa proposta defendida pelas autoridades palestinas encontra grande simpatia e expectativa não só no mundo árabe, mas também no conjunto da esquerda e do ativismo mundial. No entanto, é preciso colocar com clareza que essa proposta, além de ser escandalosamente limitada, abandona as reivindicações históricas do povo palestino. A proposta de Abbas à ONU propõe conformar um “mini-Estado” palestino cujas fronteiras serão anteriores a de 1967, e com um território compreendido por Gaza, Cisjordânia e a parte de Jerusalém, como capital. Ou seja, é, de fato, uma capitulação a Israel, pois legitima o roubo dos territórios palestinos que usurparam os sionistas em 1948. Segundo publicações da rede de TV Al Jazeera, o presidente Abbas aceitou condições como a permanência dos colonos israelenses que ocupam Cisjordânia, e que esse novo Estado palestino não possua Forças Armadas próprias. Aceitou que até uma força militar da OTAN (Aliança Militar do Atlântico Norte) seja colocada no seu território.

   Outro elemento importante, é que Abbas só faz essa proposta neste momento devido à impressionante pressão do processo revolucionário que sacode ao mundo árabe, historicamente simpatizante da causa palestina. Basta ver a recente manifestação contra a embaixada de Israel no Egito.

   No entanto, apesar de todas as limitações que tem a reivindicação de Abbas, o imperialismo norte-americano e obviamente Israel se opõem categoricamente à proposta. Barak Obama já anunciou que os EUA recusarão a ideia de um Estado independente palestino e que, se for necessário, farão valer seu direito ao veto. O presidente norte-americano declarou ainda, de forma enganosa, que a "paz não chegará mediante declarações e resoluções na ONU (…). Em último caso, são os israelenses e os palestinos, e não nós, os que devem chegar a um acordo sobre as questões que lhes dividem: as fronteiras e a segurança, os refugiados e Jerusalém”.

   Com sua acostumada hipocrisia, acrescentou, ao mesmo tempo, que ambos os setores têm “aspirações legítimas". No mesmo sentido, o próprio Abbas declarou e chamou Israel a que reconheça um Estado palestino e não a "perder a oportunidade para a paz".

   Nós, da LIT-QI, não mudamos absolutamente em nada nossa posição histórica, que parte da necessidade da destruição do Estado nazista-sionista de Israel como condição indispensável para que exista paz na região. Reivindicamos uma Palestina livre, laica, democrática e não racista. Nunca haverá paz enquanto exista o Estado genocida de Israel, na medida em este é um enclave, um estado Policial dos interesses imperialistas na região. Também não mudamos nossa caracterização sobre a direção política palestina atual: a ANP é uma direção absolutamente entreguista e que trai as bandeiras históricas de seu povo.

   Por tudo isso não pode existir e nem conviver “pacificamente” dois Estados. Israel nasceu como um instrumento da contrarrevolução no Oriente Médio. Foi concebido e sustentado pelas potências imperialistas e Stalin. Nós não confiamos de forma alguma na ONU. Sabemos que as decisões votadas nesse espaço nunca poderão servir como solução de fundo para a questão palestina. Tanto é aasim, que a ONU (que hoje pretende atuar como juiz supremo para conceder ou não o direito dos palestinos a ter um Estado) foi a que dividiu Palestina em novembro de 1947, lhe roubando o 54% de seu território em favor de Israel. Nessa época, foram expulsos de suas terras ancestrais mais de 700 mil palestinos, suportando uma série de ofensivas assassinas, no qual o novo Estado nazista-sionista arrasava e massacrava populações inteiras em seu afã de se consolidar. Desde então, o povo palestino vive confinado em campos de refugiados em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e em outras dezenas de outros países.

Estamos pelo voto favorável ao novo Estado palestino
   Nós da LIT-QI estamos pela derrota da posição dos EUA e de Israel nesta votação que se realizará na ONU. Nossa posição parte de um momento em que ocorrerá uma votação sobre uma questão muito concreta (o reconhecimento ou não o novo Estado palestino). O imperialismo está negando a Palestina os direitos básicos que têm outras nações. O direito a um Estado independente palestino pode está gerando uma série de mobilizações na Palestina e em outros pontos do mundo árabe. Por isso, nos posicionamos pelo direito democrático e pela derrota do imperialismo ianque e de Israel nessa votação. Isto não significa, porém, que concordemos com a proposta de Abbas. No entanto, é claro que uma derrota do imperialismo e do sionismo nessa votação, fortaleceria o processo revolucionário árabe e enfraqueceria Israel, muito questionado na região.

   Israel, em razão dos golpes da revolução árabe, encontra-se a cada vez mais isolado. Recebeu golpes no Egito, que se expressou no episódio da embaixada israelense; outro com o afastamento da Turquia, que antes era um de seus principais aliados na área; e outro na Jordânia.  Esses golpes colocaram Israel em uma situação complexa. A tarefa é, por meio das mobilizações a nível internacional e nacional, isolar o Estado sionista cada vez mais. Sabemos que a solução real e a satisfação às reivindicações palestinas não passam pelas negociações, nem ao menos pela ONU. No entanto, podemos aproveitar o fato de que se esteja discutindo a questão para gerar ou potencializar processos de mobilização, além de redobrar esforços na campanha contra Israel.

   É nesse marco que devemos seguir impulsionando a campanha mundial de boicote e pelas sanções contra Israel à qual se somaram inúmeras organizações palestinas e não palestinas, desde 2005. Apesar de seus limites, ao não propor a destruição do Estado de Israel, a campanha coloca objetivos muito progressivos, como o direito de retorno para todos os refugiados palestinos e o fim de todas as agressões israelenses e do bloqueio a Gaza. Ademais, é imperioso exigir em todos os países a ruptura de relações diplomáticas e comerciais com os sionistas.

   Não obstante, insistimos e seguimos sustentando que a única maneira de defender realmente os direitos do povo palestino é lutar pela bandeira original da antiga OLP (Organização para a Libertação da Palestina): a luta pela destruição do Estado de Israel e a construção de um Estado Palestino laico, democrático e não racista, em todo o território de Palestina.

Mordaça: Anatel fecha 60 rádios em 2 semanas

Por Rodrigo Noel, de Niterói
Funcionários contam com 'apoio' de 2 agentes da Polícia Federal fortemente armados e do reitor da UFRJ para confiscar transmissores da Rádio Pulga
Se fosse possível resumir em apenas uma palavra o que tem sido esse primeiro ano de governo Dilma, usaríamos REPRESSÃO. No início da tarde de hoje recebemos o triste informe da invasão do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ por quatro funcionários da ANATEL para confiscar o transmissor da Rádio Pulga, um dos vários movimentos culturais e de divulgação de informação contra-hegemônica presente há mais de 20 anos na universidade. Os funcionários e agentes da PF não contavam sequer com autorização judicial, assim como ocorreu com a Rádio Interferência, que funcionava no campus da Praia Vermelha.

Apesar da solidariedade de diversos estudantes que estavam presentes no momento, a chegada de representantes da Defensoria Pública e representantes de entidades do movimento social, não foi possível evitar o confisco dos equipamentos da rádio. Essa foi mais uma ação de repressão da ANATEL à comunicação livre e popular que conta com mais de 60 emissoras fechadas em menos de 2 semanas, segundo a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária-SP.

Há uma semana funcionários da Anatel tentaram o mesmo com a Rádio Muda, que funciona dentro da Unicamp, em Campinas-SP. Os estudantes usaram da boa criatividade e guardaram os transmissores ao perceberem a movimentação de agentes da PF pelo campus. Os homens, que chegaram em carro preto e vidros escuros, se negaram a fornecer o nome completo aos estudantes.

Aos amigos...
   Essa mesma Anatel, que distribui uma série de benesses para as teles através do Plano Nacional de Banda Larga (que de larga não tem nada) e é tão complacente com as tarifas abusivas é a mesma que reinaugura a censura no Brasil ao impedir a comunicação popular e a liberdade de expressão.

   A gestão do ministro Paulo Bernardo neste primeiro ano do governo Dilma tem se mostrado uma continuidade da política de repressão a comunicação popular e fechamento de rádios comunitárias Brasil adentro. Durante os dois mandatos de Lula fechou-se mais rádios até mesmo que no governo FHC, segundo dados do coletivo Intervozes.

   Durante a ação na UFRJ ninguém foi preso. Até o momento nenhum integrante da Rádio Pulga foi indiciado e os equipamentos apreendidos foram levados para a Delegacia Fazendária da Polícia Federal no Rio, na Praça Mauá. Além de demonstrar toda solidariedade aos ativistas que lutam por uma comunicação mais democrática, precisamos denunciar esse tipo de ação repressora da Anatel.

Editado às 9:33 24/09/2011

A Imbecilidade dos que pensam que os operários são imbecis

Por Rafael Nunes, do Rio de Janeiro

   Estivemos hoje na porta do Maracanã levando nossa solidariedade para os trabalhadores operários da construção pesada, que reconstroem o maior e mais famoso estádio brasileiro. Trabalhadores que têm entrado constantemente em greves e enfrentam gigantescas corporações corruptas, governos e pelegos em busca de dignidade e reconhecimento. Aqueles operários, que são largamente conhecidos como “peões de trecho”, largam famílias às vezes em outros estados e vão buscando empregos onde aparecem. Lançam-se nas estradas brasileiras e só param onde conseguem um trabalho e quase sempre temporários e precarizados. Suportam condições físicas e psicológicas extremamente desfavoráveis para sobreviverem e guardam poucas perspectivas de grandes mudanças em suas vidas. Economizam o quanto podem e moram quase que na totalidade em favelas, locais esses onde devemos prestar muita atenção. Esses milhões de brasileiros natos são nada mais nada menos que boa parte dos responsáveis pela construção de todas as riquezas desse país e inversamente a essa realidade são os mais explorados e tragicamente desvalorizados como pessoas.

   Conversando bem cedo na entrada das obras com alguns deles, identificamos uma solidariedade e unidade que dificilmente vemos em outros setores, principalmente nos da classe média. A luta de cada um dentro das obras repercute até para os que, ao lado de fora, tentam uma chance de começar a batalhar também. Apesar de serem obrigados a mudar constantemente de canteiros de obras e empreiteiras, seja pelas péssimas condições de trabalho ou demissões constantes, guardam toda uma experiência e maturidade que levam para qualquer lugar. Então esses guerreiros sabem bem com quem estão lidando. Sejam as empreiteiras que arrecadam milhões e gozam de todos os privilégios do estado e dos governos fantoches ou muitos sindicatos, frágeis e voláteis, que estão mais interessados em acabar com as mobilizações e greves, do que representar a categoria e levar as lutas até as conquistas necessárias. Traições essas que infelizmente, saltaram enormemente com as sucessivas capitulações, apoios e participações desses, nos governos de Lula, Dilma e Cabral no Rio.

   Os trabalhadores do Maracanã, assim com os da construção civil de Belém, Fortaleza, de Jirau, Santo Antonio, Suape ou nas obras do Estádio do Mineirão em Belo Horizonte, estão promovendo uma onda de greves que está sacudindo o país contra as humilhações, os desrespeitos e a superexploração. Devemos dedicar o mais amplo e irrestrito apoio a esses heróis e indignarmos com a situação dos operários do Maracanã, que são obrigados a trabalhar com alto risco de vida e não possuem médicos nas obras e nem planos de saúde, ficam o dia inteiro nas construções e a comida que é servida vem sempre estragada ou com larvas, trabalham numa obra onde os gastos com as empreiteiras serão astronômicos, em mais de 1 bilhão de reais enquanto recebem parcos R$ 1.180,00 de salário e possuem ainda um vale fome de apenas R$ 100,00. Se não bastasse a superexploração, ainda, estapafurdiamente, são obrigados a sofrerem humilhações e assédios morais por superiores e engenheiros.

   A clareza programática que surgia em cada conversa, com cada operário, nos animava a perceber que todas as ideologias, criadas pelo Sindicato do Consorcio, de que as obras do Estádio da final da Copa do Mundo, deveriam encher de orgulho aqueles trabalhadores, vinham ao chão. Uma imbecilidade das empreiteiras pensarem que aqueles trabalhadores são tão ingênuos assim. A análise da situação econômica e política do país assim como o papel que cumpre as empreiteiras e os sindicatos pelegos mostram em alto e bom som que os operários da construção pesada do Maracanã sabem identificar os problemas e através das greves mostram muito bem como buscar as soluções.

Rio precisa de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista nas eleições

É preciso unir os que lutam nas eleições municipais, sem Fernando Gabeira ou qualquer outro candidato da burguesia
Por Alexandre Barbosa, do Rio Janeiro (RJ)
    
    Escândalos de corrupção no governo federal, atitudes ditatoriais do governador Sergio Cabral (PMDB) e desmandos nas prefeituras. Essa é a realidade política marcante hoje do Rio de Janeiro.

    A presidente Dilma, em menos de um ano, perdeu cinco ministros em escândalos de corrupção. Sergio Cabral abre mão de cobrar bilhões de reais em impostos de seus amigos empresários. Gastou R$ 1 bilhão de reais na reforma do Maracanã, mas não atende as reivindicações do funcionalismo público estadual. Age como um verdadeiro ditador, reprimindo aqueles que lutam por seus direitos. Mandou prender centenas de bombeiros, se enfrentou com profissionais da educação em greve, cortou salário dos serventuários da justiça estadual e, depois, foi obrigado a pagar.

    Os serviços públicos vão de mal a pior, o transporte e a saúde são um caos. A política de segurança é genocida. Mata a população negra e os trabalhadores pobres nas comunidades do Rio. Agora, Cabral quer privatizar a saúde com as OS (Organizações Sociais) que administrariam a saúde em lugar do Estado.

    Já o prefeito Eduardo Paes (PMDB), segue os passos de Cabral. Promove remoções de comunidades de forma arbitrária favorecendo a especulação imobiliária. Ataca a Previdência dos servidores públicos municipais, com a PL 1005, que exime a responsabilidade do Tesouro Municipal sobre as aposentadorias e pensões que ficam sem garantias concretas de serem pagas. As empresas privadas de ônibus têm lucros absurdos com serviços de péssima qualidade.
    
FRENTE DE ESQUERDA PARA ORGANIZAR OS TRABALHADORES
    Diante de tanto abandono, os trabalhadores e o povo pobre do Rio de Janeiro precisam de uma alternativa nas lutas e nas eleições de 2012. O PSTU propõe aos companheiros do PSOL e do PCB a construção de uma Frente de Esquerda Socialista, com um programa classista e socialista. Um programa de oposição de esquerda à oposição burguesa, e também a Dilma, Cabral e seus cúmplices nos municípios. Um Frente que organize o povo pobre para lutar contra os desmandos dos governos de plantão.
    
UNIR OS QUE LUTAM
    Para nós, essa frente não pode ter a presença de nenhum representante de partidos burgueses (os partidos dos ricos e poderosos) ou que façam parte dos governos federal, estadual ou municipais. Devemos ter uma posição firme contra a política de (in) segurança e as UPPs (Unidades Pacificadoras) do governo Cabral. Também é muito importante que a Frente de Esquerda seja financiada pelos trabalhadores, sem nenhum tostão de empresas ou empresários.

    Precisamos unir os que lutam nas ruas juntos com professores, bombeiros, profissionais da saúde e o povo pobre contra os ricos e poderosos. Por isso, essa Frente pode e deve ser construída de forma democrática, com participação dos ativistas, respeitando o peso social dos partidos e organizações envolvidas.
    
Gabeira e o PV não são aliados dos trabalhadores
    Recentemente, o site de noticias JB informou que Marcelo Freixo, deputado estadual do PSOL, e Fernando Gabeira (PV) estavam se reunindo para tentar fechar um acordo para as eleições de 2012. Na última eleição ao governo do estado, Fernando Gabeira esteve aliado a Cesar Maia (DEM) e a José Serra (PSDB). Na verdade, esse movimento de Gabeira em direção à direita reacionária já existe há um bom tempo. Como deputado, ele votou pela quebra do monopólio do petróleo da Petrobras, contra os interesses da classe trabalhadora brasileira. Gabeira, em um debate em 2010, polemizando com o candidato do PSOL que o chamara de “ex-Gabeira”,  disse que o socialismo fracassou e que para governar são necessárias alianças.

    Como se não bastasse, seu partido é dominado por gente como Sarney Filho, filho do notório presidente do Senado, símbolo da corrupção do país, e sempre envolvido nas maracutaias do governo de plantão.

    O PV é uma legenda de aluguel, que abriga todo tipo de oportunistas dispostos a se cobrir com a bandeira “ecológica” para, na verdade, chegar ao poder e obter privilégios. Existem membros do PV no governo federal, em governos estaduais e municipais do PSDB, do PT e outros partidos em todo o país. Mesmo Marina Silva, que esteve no governo do PT e flertou com a oposição burguesa, não agüentou ficar nesse partido.

    Será que a militância do PSOL acha que a solução para resolver os problemas da classe trabalhadora e da juventude é se juntar ao PV de Sarney Filho e Gabeira? Claro que não.

    Ao invés de procurar Gabeira, propomos ao deputado Marcelo Freixo que convoque plenárias da esquerda socialista e do movimento social organizado para debater e preparar um programa dos trabalhadores para a cidade do Rio. O PSTU acredita que a melhor opção para a classe trabalhadora do Rio é a conformação da Frente de Esquerda. Achamos que é possível chegar a um acordo programático que preserve a independência de classe. Vamos nos esforçar para isso. No entanto, se não for possível vamos apresentar uma alternativa de esquerda, socialista e classista para juventude e a classe trabalhadora carioca.

PSTU convida para debate nesta 6ª

A crise econômica mundial e a luta da classe trabalhadora

Com
André Bucaresk
(economista da Petrobras)

Heitor Fernandes
(trabalhador dos Correios e dirigente da FNTC)

16 de setembro . sexta-feira . 18h
Rua da Lapa, 180, sobreloja, Centro - Rio.

Trabalhadores dos Correios aprovam greve em todo o país


CSP-Conlutas

• Greve por tempo indeterminado! Essa foi a resposta que os trabalhadores dos Correios deram à direção da empresa na noite desta terça-feira (13), em assembléias realizadas por todo país. A categoria deixou explicito que não aceitará a proposta rebaixada da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) de apenas R$ 800 de abono sem aumento real.

Dos 35 sindicatos filiados à Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), 34 já informaram que estão em greve. As assembléias expressaram a disposição de luta. Em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, havia mais de 6 mil trabalhadores decididos pela greve.


Trabalhadores dos Correios de Pernambuco aprovam greve

Para um dos representantes da FNTC (Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios), que faz oposição à Fentect, Geraldo Rodrigues, o Geraldinho, a empresa, após 50 dias de enrolação, acreditou que propondo um abono de R$ 800, a ser pago na sexta-feira próxima, dia 16/09, iria desmobilizar os trabalhadores e evitaria a paralisação. “A ECT quebrou a cara, a categoria não só repudiou a proposta da empresa como demonstrou nas assembléias que não vai aceitar proposta rebaixada”, enfatizou Rodrigues.

Segundo o membro da FNTC, os sindicatos governistas ligados à CUT e à CTB, pressionados pela a categoria, tiverem de dar um “giro à esquerda” e radicalizar. “Sabemos que vão tentar acabar com a greve o mais rápido possível. Os sindicatos da FNTC foram os primeiros a decretar a greve e rejeitar a proposta rebaixada da empresa e seguiremos com esta postura até que nossas reivindicações sejam atendidas”, finalizou.


Outra reivindicação que a FNTC luta para que seja um dos eixos da greve é o veto de Dilma à MP 532, aprovado pelo Congresso, que abre o capital da estatal e inicia, na prática, a privatização da empresa.

A empresa até o momento não apresentou nova proposta para a categoria. Nesta quarta-feira (14) acontece nova assembleia nacional para dar encaminhamentos à greve.

LEIA MAIS
  • Trabalhadores dos Correios em Pernambuco cruzam os braços


  • Editorial: Você concorda com a privatização dos Correios?

  • Programa Quinzenal - Privatização dos Correios DIGA NÃO

    Sergio Cabral reprime protestos, para aprovar projeto que avança na privatização da Saúde

    Projeto de Lei 767/2011, enviado à Alerj pelo governador Sérgio Cabral, autoriza a gestão privada da rede estadual por meio das Organizações Sociais. Para garantir a aprovação do projeto, governo convocou a PM e o batalhão de choque, que impediram a entrada e agrediram os manifestantes contrários a privatização da saúde pública no Rio de Janeiro.

    Alessandra Camargo, do Rio de Janeiro (RJ)


    • A situação da saúde no Estado do Rio de Janeiro é uma vergonha. Os servidores estaduais são obrigados a trabalhar em vários empregos para poder pagar suas contas e dar dignidade a sua família. Já a população sofre com a falta de atendimento, medicamentos, profissionais e leitos. Ainda sim, a saúde recebeu mais um duro ataque do governo estadual, com aprovação do PL 767/2011 nesta terça-feira, 14 de setembro.

    O projeto havia sido enviado em regime de urgência pelo governador Sérgio Cabral, para que tivesse uma votação única. Chegou a entrar na pauta de votação em agosto, mas recebeu 307 emendas, um recorde na história da Alerj. E enfrentou a resistência dos ativistas e profissionais da saúde, que ocuparam as galerias da Alerj e gritavam “privatização é coisa de ladrão”. Contudo, após uma série de reuniões a portas fechadas do governador com os deputados, o projeto de lei retornou a votação, e foi aprovado nesta terça-feira.

    A votação foi folgada, com 49 votos a favor e somente 12 contra. Enquanto do lado de dentro os deputados entregavam a rede estadual aos empresários da saúde, do lado de fora estavam os manifestantes, impedidos de entrar. Gritavam incansavelmente, chamando Cabral de “fascista, covarde e ladrão”. Na tentativa de impedir a entrada dos deputados para a votação, os manifestantes fizeram uma corrente humana que só foi rompida pela policia e pelos seguranças com muita truculência, socos, empurrões e spray de pimenta nos olhos.

    Em um dos diversos atos de covardia e violência que marcaram a intervenção da política e dos seguranças da Alerj, um manifestante foi aprisionado,por cerca de 30 minutos no interior da Alerj. Ao sair, tinha ferimentos vísiveis, em consequência de agressões. O mesmo foi coagido pela polícia para evitar repercussão, principalmente junto à imprensa, sendo expulso do local.

    Veja aqui o vídeo com imagens da violência



    Privatização
    As Organizações Sociais (OS´s) são empresas privadas que administram os serviços públicos

    14 DE SETEMBRO NA UFRJ: Seminário 140 anos da Comuna de Paris




  • Seminário 140 anos da Comuna de Paris
    18h às 20h
    Mesa 2. “O poder popular e as organizações dos trabalhadores”
    Com Nikos Seretakis (KKE - PC Grécia), Valério Arcary (IFSP) e Gilmar Mauro (MST)
    Entrada livre e gratuita (sem inscrição prévia)
    Local: salão Pedro Calmon, UFRJ, 2º andar (Av. Pasteur, 250, Urca, campus da Praia Vermelha)
    Rio de Janeiro





  • Evento nos dias 14 e 15 de setembro. 





  • Veja programação completa



  • Grito dos Excluídos e protestos contra a corrupção marcam o 7 de setembro

    Em pelo menos 17 capitais, protestos contra a corrupção e o Grito dos Excluídos roubam a cena dos desfiles oficiais

    Da Redação

     Já se foi o tempo em que a data da comemoração da Independência era marcada pelos desfiles oficiais, tão promovidos pela ditadura. Em 2011, além dos protestos do já tradicional Grito dos Excluídos, que reúne as reivindicações dos movimentos sociais e partidos de esquerda, ocorreram em todo o país manifestações contra a corrupção e a “farra” dos políticos. Contra o cenário propagandeado por boa parte da imprensa e o governo, milhares de pessoas foram às ruas mostrando que há motivos para reclamar.

    Enquanto o Grito é organizado por entidades dos movimentos sociais e populares, os atos contra a corrupção foram impulsionados de forma espontânea pela Internet, reunindo principalmente jovens. Marcados através do Facebook, as manifestações expressaram a indignação pelos recentes escândalos de corrupção e impunidade no Congresso e no governo, e a corrupção espalhada pelas mais variadas instituições. As bandeiras variaram de “Fim do voto secreto”, “Contra o aumento a deputados” a “Fora Teixeira”, referindo-se ao atual presidente da CBF.

    Descontentamento nas ruas
    Em São Paulo a 17ª edição do Grito dos Excluídos reuniu cerca de 1500 pessoas e entidades como a Pastoral Operária, Intersindical, CSP-Conlutas, MST, ANEL, e a base de categorias como bancários, professores, servidores públicos, além de ativistas de movimentos populares e de setores da igreja q eu mantem trabalho com populações de rua. Com o lema ‘Pela Vida Grita a Terra, por direitos todos nós’, os manifestantes se concentraram na Praça da Sé e seguiram em passeata até a Praça da Independência.



    No mesmo momento, na Av Paulista, centenas de pessoas se concentraram na MASP para um protesto contra a corrupção. A manifestação, que reuniu majoritariamente a juventude, durou o dia todo e chegou a contar, segundo a imprensa, com mil pessoas. Bastante heterogênea, o ato contou com a participação da ANEL, de estudantes que reivindicavam o grupo de hackers Anonymous, entre outras organizações.

    Já em Brasília houve o maior ato contra a corrupção, que chegou a reunir, segunda a própria Policia Militar, 25 mil pessoas. A cidade foi o foco da Marcha Nacional Contra a Corrupção, evento criado no Facebook. Com faixas contra a corrupção e a absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo dinheiro do ‘mensalão do DEM’, os brasilienses ofuscaram a comemoração do 7 de setembro na capital. Os manifestantes pediram o fim do voto secreto e a punição dos corruptos.



    Em Minas o Grito e o ato contra a corrupção confluíram num único ato na Praça da Liberdade, no centro de Belo Horizonte e, à tarde, na Praça da Assembleia, reunindo dezenas de manifestantes. Já na capital gaúcha, o protesto contra a corrupção reuniu 300 pessoas no Largo dos Açorianos, e percorreu as ruas do centro de Porto Alegre até o Parque da Redenção. Em determinado momento, a manifestação chegou a atrair parte das pessoas que assistiam o desfile oficial.

    LEIA MAIS

  • A direita e a desconfiança dos partidos
  • Por uma segunda independência

    No dia 7 de setembro, dia da independência, há desfiles militares, declarações dos governos e muitas outras cerimônias solenes. Mas o Brasil é verdadeiramente independente?

    Como falar de uma verdadeira independência se a economia brasileira nunca foi tão dependente? Cerca de 60% das empresas brasileiras estão nas mãos de estrangeiros. As multinacionais controlam os setores de ponta da indústria, como indústria automobilística, alimentos e bebidas, eletroeletrônico, farmacêutico, indústria digital, petroquímica, telecomunicações. Avançaram muito em setores em que antes não existiam ou eram fracas como na construção civil, campo, comércio varejista e bancos.

    Como falar de independência se metade de tudo o que o país arrecada em impostos e taxas é entregue aos bancos nacionais e estrangeiros? O governo Dilma está entregando neste ano R$ 954 bilhões de reais (49,15% do orçamento federal) aos bancos como pagamento da dívida pública. No orçamento previsto para 2012, já se prevê pagar R$ 1,02 trilhão (47,9%) do orçamento. Para que se tenha uma idéia, o pagamento de todos os salários do funcionalismo corresponde a apenas 9,59% desse orçamento.

    É como se um trabalhador fosse obrigado a entregar metade de tudo o que ganha todos os meses a um banco. Toda a vida desse trabalhador estaria determinada pelo pagamento dessa dívida. É o que se passa com nosso país. Trabalhamos, mesmo sem saber disso, para enriquecer ainda mais os bancos nacionais e estrangeiros. E são esses bancos que determinam a política econômica do governo. Não é por acaso que o Brasil tem as mais altas taxas de juros de todo o mundo.

    Como falar de independência se tropas brasileiras ocupam militarmente o Haiti. Essa ocupação foi "pedida" por Bush (quando era presidente dos EUA) a Lula. As tropas não cumprem nenhuma função "humanitária", como é divulgado. Desde que começou a ocupação militar não existem notícias de qualquer melhoria na área de saúde, educação ou de saneamento. Na verdade, os soldados ajudam a sustentar um plano econômico a serviço das fábricas norte-americanas têxteis instaladas nesse país, que pagam R$ 110 por mês de salários. As greves são reprimidas pelas tropas de ocupação, dirigidas por soldados brasileiros. Como dizia Lênin, não pode ser livre um país que oprime outro país. As tropas brasileiras oprimem o povo haitiano a serviço da exploração norte-americana.

    Não se pode comemorar o 7 de setembro como a "independência do país". O que se deve fazer é chamar os trabalhadores e a juventude a lutar por uma segunda e verdadeira independência, a libertação do país do domínio imperialista.



  • Veja a programação do 17º Grito dos Excluídos em todo o país 


  • Juventude do PSTU lança Manifesto contra a corrupção 
  • Privatização dos Correios: você concorda com isso?

    Os trabalhadores que apóiam Dilma estão de acordo com a privatização dos Correios?


     Você é um trabalhador que apóia o governo. Sabe que uma das diferenças marcadas pelas campanhas eleitorais de Lula contra Alckmin em 2006 e Dilma contra Serra em 2010 foi a questão das privatizações. O PT atacou as privatizações de FHC e alertou para a possibilidade de que, caso Serra ganhasse, as estatais que restam poderiam ser privatizadas.

    Capa

    Mas você sabia que a presidente Dilma, junto com o PT e o PCdoB, está nesse momento privatizando os Correios? A transformação da estatal em Correios S.A. já foi votada na Câmara e no Senado, bastando a assinatura de Dilma para se transforme em lei.

    Você acha correto Dilma privatizar uma das estatais mais importantes? O governo não pode defender essa medida nem sequer com uma das desculpas usadas pelo governo FHC. O PSDB dizia que o dinheiro ganho com as privatizações seria revertido em saúde e educação, o que se comprovou uma mentira completa. A situação da saúde e educação vem piorando a cada dia, e o dinheiro acabou nos bolsos corruptos dos políticos do PSDB.

    Diziam ainda que a administração da iniciativa privada é mais “competente” que a estatal. Depois da grave crise do capitalismo iniciada em 2008 fica difícil sustentar essa besteira. Muitas das grandes empresas estão ameaçadas de falência. Mesmo com toda a burocracia ligada ao capital privado que administra as estatais, pode-se comprovar o dinamismo de uma Petrobras, a eficiência dos Correios. Não é por acaso que os Correios são uma das instituições mais respeitadas do país. Caso seja concretizada a privatização, a qualidade dos serviços vai cair, porque a empresa vai buscar centralmente o lucro, e vai deixar de lado as operações com os setores mais pauperizados.

    Durante a campanha eleitoral, nós do PSTU alertamos que o PT não explicava porque mantinha no governo Lula as privatizações dos governos FHC. Porque Lula não revogou as privatizações fraudulentas da Vale do Rio Doce, da CSN e Embraer? Nós dissemos que Lula tinha acordo com elas e por isso não as revogava. Isso não passava pela cabeça dos defensores do PT.

    E agora? O governo Dilma já tinha privatizado os aeroportos do país. E está privatizando os Correios. É a maior privatização da história dos governos petistas. Vai ficar ao lado das privatizações da Vale, CSN e Embraer como uma das maiores de todos os tempos no país.

    Os trabalhadores dos Correios estão em campanha salarial. Os que defendem a CSP- Conlutas estão juntando a defesa de seu reajuste salarial com a campanha política contra a Correios S.A. Os trabalhadores dos Correios, assim como todos no país, devem se somar à campanha pela exigência de que Dilma vete essa privatização. 



    Leia também: Sindicalistas são detidos por protestarem contra MP dos 'Correios SA' no Senado

    Governo corta mais 10 bi e sobe superávit primário

    Governo anuncia aumento do superávit e cortes de mais R$ 10 bi

    Medida visa "preparar" o país para a recessão internacional que se desenha



    O acidente com o bondinho causou na população um misto de tristeza e indignação

    O acidente com o bondinho no último sábado, que levou cinco pessoas à morte e mais de cinquenta feridos causou na população um misto de tristeza e indignação

    O acidente com o bondinho no último sábado, que levou cinco pessoas à morte e deixou mais de cinquenta feridos, causou na população um misto de tristeza e indignação. Tristeza pelas vidas perdidas e indignação por saber que tudo isso poderia ter sido evitado. Não apenas esse último acidente, mas também as mortes da professora Andrea de Jesus (2009) e do turista Charles Damien (2011).

    Os bondinhos, que foram tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural em 1988, são os últimos meios de transporte que se mantiveram estatais. O governo do estado é o responsável pela administração e manutenção do bonde, que cumpre um papel fundamental no bairro, transportando a população ao centro da cidade por um preço acessível (R$ 0,60), além de ser um cartão postal e ponto turístico da cidade. Entretanto, não fosse a constante pressão da comunidade, os bondes já teriam sido privatizados ou extintos.

    O projeto de privatização dos bondes de Santa Teresa reproduz o processo de privatização das empresas públicas, como a Vale, a CSN, as companhias telefônicas, de luz etc. Para convencer a opinião pública, antes de privatizar precisa sucatear. A diferença é que desta vez, o sucateamento que prepara a privatização trouxe mortos e feridos.

    Mas a luta dos moradores de Santa Teresa não para por aí. Quem vive no bairro sabe do péssimo estado de conservação dos bondes. Pequenos acidentes, paradas para ajeitar o cabo elétrico e recolhimento de carros eram problemas constantes. Apenas três bondes, entre os catorze existentes, circulavam no bairro. Entendendo todos esses problemas como reflexo de um grave descaso do governo, a comunidade vem fazendo denúncias, apresentando propostas e reivindicando soluções. A mobilização da comunidade chegou a movimentar a Câmara dos Vereadores, o Ministério Público Estadual e o CREA, que produziram diversos tipos de documentos comprovando a grave situação dos bondes e determinando providências urgentes.

    Nada disso foi suficiente. O secretário de Transportes, Júlio Lopes, seguiu ignorando denúncias e determinações judiciais. Os acidentes fatais ocorridos em 2009 e 2011 tampouco tiveram como consequência uma atuação mais responsável do governo. Hoje, a consequencia de tantos desacertos está no sofrimento dos familiares de João, Ivone, Claudia, Maria Eduarda e do motorneiro Nelson.

    A culpa é do morto?