Mostrando postagens com marcador Greve da educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Greve da educação. Mostrar todas as postagens

Profissionais de educação do RJ foram covardemente reprimidos na tarde desta 4ª

Ato na porta da prefeitura do Rio contou com mais de
500 pessoas. Foto: Divulgação/SEPE-RJ.
6 pessoas ficaram feridas. Um professor teve que passar por procedimento cirúrgico no ombro

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Os trabalhadorxs da educação do RJ seguem seu calendário de mobilização da greve, votado em assembleia da categoria, apesar da tentativa de intimidação por parte da justiça estadual. Na tarde de hoje (28), cerca de 600 trabalhadores saíram de suas casas, apesar da chuva e da justa greve dos rodoviários, e foram para a porta da prefeitura e da secretaria estadual de educação para pressionar os governos Pezão e Paes a negociarem com a categoria.

   A quantidade desproporcional de policiais criou um clima desnecessário de tensão e propício para confusão. Depois de saírem em um ato unificado da frente da prefeitura do Rio até a porta da secretaria estadual de educação, os educadores foram covardemente reprimidos pela Tropa de Choque da PM com uso de gás de pimenta, cassetetes, empurrões com escudos, entre outras arbitrariedades. Veja aqui algumas imagens da repressão.

   Ainda assim, os trabalhadores conseguiram chegar a porta do órgão estadual, onde permaneceram em vigília, e continuaram cantando palavras de ordem enquanto uma reunião acontecia dentro da secretaria. Uma professora (Aluana) foi presa por colar um adesivo da campanha salarial na porta da secretaria e levada para a delegacia. A alegação: desacato. Após muitas horas de espera e pressão na delegacia, e com auxílio do SEPE/RJ, a professora foi liberada.

   Pezão, mesmo estando pouco tempo a frente do governo, demonstra que aprendeu bem na cartilha de Cabral: negociar jamais, manda a polícia militar reprimir, prender, espancar, atirar.

   Os únicos responsáveis pelo caos na educação do RJ são o prefeito Paes e o governador Pezão! Cassetete não é lápis! Para acabar com a greve, os governantes devem atender as reivindicações da categoria e respeitar os trabalhadores em seu direito de livre manifestação e organização política.

Veja também:

Atualizado às 5:00h 29/05

Continua a greve unificada da educação no Rio

Por Dirley Santos, redação Rio

Assembleia lotada decide pela continuidade da greve unificada
















No dia em que completaram 10 dias em greve cerca de 3 mil profissionais de educação das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro decidiram em uma lotada assembleia, realizada no Clube Hebraica (Zona Sul do Rio), pela continuidade da sua greve unificada da categoria.
A categoria segue exigindo a imediata abertura de negociação tanto por parte do governador Luiz Fernando Pezão quanto do prefeito Eduardo Paes (ambos do PMDB). Foi decidido também que a próxima assembleia será no dia 30 de maio (sexta-feira), às 11h, em local a confirmar.

Passeata recebe apoio da população e de rodoviários
Educadores rumos aos palácios
Após deliberarem pelas próximas atividades (veja calendário em destaque) os educadores do Rio promoveram uma grande passeata até o Palácio da Guanabara, sede do governo do estado, e em seguida até o Palácio da Cidade, em Botafogo, sede da prefeitura do Rio.
A Polícia Militar procurou a todo momento dificultar o andamento da manifestação ora tentando controlar a passeata ora bloqueando totalmente as vias, principalmente a Avenida Pinheiro Machado. Ficou evidente que o objetivo da PM era não permitir que a categoria se aproximasse da frente do Palácio Guanabara.
Contudo durante todo o trajeto os educadores receberam um forte apoio da população, mesmo daqueles que estavam presos no congestionamento provocado pelo impasse com a PM. Inclusive um motorista rodoviário, demonstrando muita coragem e solidariedade, cruzou seu ônibus na pista em apoio aos manifestantes.
Finalmente depois de toda a confusão provocada pela truculência da PM e do governo uma comissão formada pela direção do Sepe e representantes da base conseguiu entrar e se reunir com Cláudio Marques, o chefe de Gabinete da Casa Civil.

Depois do Pezão, indo atrás do Eduardo Paes
Acabada a reunião com o chefe de Gabinete da Casa Civil a manifestação seguiu em direção ao Palácio da Cidade, em Botafogo. A PM novamente bloqueou a passagem por uma meia hora, impedindo os profissionais de se aproximarem.
Pela insistência dos manifestantes o acesso acabou liberado e os educadores conseguiram chegar até a frente do palácio, mas infelizmente não havia na sede nenhuma autoridade para receber uma comissão do Sepe. Mas a direção do sindicato informou que o prefeito Eduardo Paes se comprometeu a receber o sindicato na próxima quarta-feira, dia 28/05.
Para encerrar o dia de protesto e a longa marcha unificada os profissionais de educação em greve aproveitaram para realizar no local um ato público em defesa da educação pública. Afinal, a luta segue e já nesta sexta-feira, 23/5, ocorrerá um protesto durante audiência pública para discussão do orçamento da educação municipal na Câmara de vereadores.

Rolezinho para recepcionar a seleção
Como parte do seu calendário de greve os profissionais de educação deliberam pela realização de um “rolezinho da educação” no dia da chegada da seleção brasileira em Teresópolis, na próxima segunda-feira, dia 26/5. O objetivo é mostrar aos governos, a CBF e a Fifa que “Na copa vai ter luta!”.
A categoria está planejando uma recepção para a seleção, no aeroporto do Galeão, e depois a ida até a Granja do Comary, em Teresópolis, onde o elenco ficará concentrado. A preparação da atividade já conta com a adesão de centenas de pessoas, que estão confeccionando faixas e cartazes com dizeres contra os desmandos da copa, em defesa da educação pública e por melhores condições de vida e trabalho para os trabalhadores em geral.

Fortalecer as greves e unificar as lutas em todo o país

Apoio popular demonstra força da greve da educação
Educadores, garis, rodoviários, trabalhadores da construção civil e sem-tetos ... Assim como no Rio diversas categorias e movimentos sociais estão se mobilizando pelo país afora. Os trabalhadores e a juventude brasileira querem mudanças no país!
É este o contexto da preparação da jornada de mobilizações convocada para o dia 12 de junho, dia do primeiro jogo da Copa do mundo.
Vamos unir todas as lutas numa grande jornada de greves, ocupações e manifestações para exigir mudanças de verdade no país, com melhores salários, recursos públicos para atender as necessidades da população, o fim da violência policial e da criminalização da luta social.

Chega de privilégios e dinheiro para a FIFA, empreiteiras, bancos e grandes empresas nacionais e multinacionais! A mudança vem das ruas!
Fortalecer e unificar as lutas! 12 de junho é dia de greves, ocupações e manifestações de rua!

Anarquismo e Marxismo, o debate segue

Por Susana Gutierrez, diretora do SEPE e dirigente do PSTU 
  
Lemos com atenção o artigo do professor doutor Wallace dos Santos de Moraes intitulado de “As reais diferenças entre os Black Blocs e o PSTU” e achamos importante aprofundar o debate de algumas questões levantadas pelo professor. Partiremos primeiro de nossos acordos: o Estado é fonte inesgotável de opressão e repressão contra seus inimigos e está a serviço de uma determinada classe social. Marxistas e anarquistas coincidem também na eliminação e destruição desse Estado e a construção de uma sociedade auto-organizada de produtores livres.

Um segundo acordo é a caracterização dos Black Blocs do Rio de Janeiro como uma frente heterogênea, onde convivem organizações anarquistas, ativistas independentes (talvez a maioria) e até partidos que se reverenciam pelo “presidente Mao Tse Tung”. Enfim, todos unidos contra a repressão policial, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, entre outras bandeiras.

Infelizmente, nossos acordos terminam por aqui.
  
Sobre a greve da educação: profissionais da educação e população juntos na luta contra Paes e Cabral 
  
Para o PSTU a greve da educação no Rio de Janeiro foi histórica, não pela sua derrota como parece opinar o professor doutor Wallace dos Santos, mas sim pela sua vitória. Cabral e Paes saíram deste processo em frangalhos, e a categoria dos profissionais da educação municipal se reencontrou com a luta e com ela mesma. Redescobriram-se enquanto classe e identificaram seus inimigos.

Quem tomou as decisões sobre os rumos da greve da educação foram os próprios profissionais da educação. A isso chamamos de democracia operária.

Muito mais que o reajuste total de 15% conquistado ou o fim da portaria que permitia a remoção forçada de profissionais que não aceitassem as ordens das direções das escolas, o maior ganho dessa greve foi a recuperação da confiança da categoria. Passamos 19 anos sem greve e, agora, nos sentimos dispostos a encarar quem quer que seja.

Apesar do ataque à categoria através do PCCR de Paes e Costin, nenhum profissional da educação retornou a escola de cabeça baixa. Nossa luta levou a população às ruas em defesa da educação. E, hoje, o prefeito carrega um enorme desgaste. Nenhuma campanha eleitoral vale mais que a força de uma categoria disposta a mudar a sua realidade. Todas as propagandas, os milhões em financiamento de campanha, apoio de Lula, da Dilma e do PT, tudo isso foi posto em cheque com a greve da educação. Hoje, a população sabe qual o caminho para enfrentar os governos. E este caminho é a luta! 

Foto: Paollo Rodajna.
  
Refrescando a memória: a armadilha do STF 
  
A luta do Rio contagiou o país e desencadeou greves em Goiás, Pará, Paraíba, Paraná, Sergipe, Mato Grosso e Tocantins. Diante da nacionalização do movimento e da passeata com 70 mil pessoas nas ruas do Centro do Rio, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, convocou uma audiência de conciliação entre as partes, onde propôs o fim da greve no estado e no município do Rio e, em contrapartida, anularia qualquer punição ou desconto aos educadores em luta, desde que repusessem os dias parados. As reivindicações da categoria, bem como a revogação do miserável do PCCR de Eduardo Paes passaram longe da cabeça do ministro. Nota-se que o STF entrou na disputa, não para intermediar a favor dos educadores como muitos pensavam, mas sim para colocar fim ao movimento e convencer a população de que o governo estava disposto a negociar. 

Após a audiência com o STF veio à tona uma pergunta: o SEPE estava certo ou errado em assinar o acordo? Em primeiro lugar, sabemos que o acordo não contempla nossas reivindicações. A pauta pedagógica não foi atendida e não temos nenhuma ilusão nos GTs da prefeitura. Depois, é fundamental lembrar que o acordo estava condicionado a sua aprovação em assembleia. Por último, esta audiência era mais um capítulo desta luta, que foi acompanhada atentamente pela população. 

Sendo assim, havia apenas duas opções de escolha: ou o sindicato levava o acordo à avaliação em assembleia, ou se retirava da audiência pondo fim à mesa de negociação do STF. Caso a segunda opção fosse tomada, o SEPE não permitiria que a categoria decidisse os rumos desta negociação. E, principalmente, impediria que os grevistas opinassem sobre qual seria a melhor política naquele momento para a disputa da consciência da população carioca. Por isso, opinamos que ao assinar o acordo, o sindicato possibilitou a categoria decidir democraticamente todos os rumos desta greve. 
  
Por que foi correto encerrar a greve? 
  
Foto: Paollo Rodajna
Muitos critérios são considerados para continuar ou interromper uma greve: a conjuntura do país; o atendimento à pauta de reivindicações; a força do movimento; a popularidade do governo; o apoio da sociedade etc. Mas o fator mais importante de todos é a adesão da categoria. Não se pode fazer uma greve sem os trabalhadores mobilizados e com suas atividades profissionais paralisadas. Esse é o critério fundamental. O acordo no STF foi ruim? Sim, foi péssimo. A pauta de reivindicação foi atendida? Não. O governo sabia da retração do movimento. Uma greve que obteve índices de adesão de mais de 80% em seu auge, encontrava-se em um momento limite de sua sustentação. O pior dos cenários seria seguir na greve com pouca força e penalizar a vanguarda com corte de ponto ou inquérito administrativo. 

Quase todas as assembleias regionais do SEPE, com exceção de apenas uma, votou pelo fim da greve. A assembleia geral dividida e polarizada também era um demonstrativo que a greve entrava em uma nova fase. Por tudo isso, sem medo de errar, afirmamos que a decisão de suspensão da greve foi correta. 
  
Sobre o levante de Kronstadt 

Muito nos alegra em fazer o debate nos debruçando sobre a história e a teoria. Já que o professor doutor tomou para si a defesa dos marinheiros de Kronstadt e disparou com suas palavras contra o estatismo de Lenin e Trotsky, optamos em polemizar com a teoria anarquista, para onde parece se inclinar o professor. Não seria de bom grado debater com os maoístas a respeito do caráter feudal do campo brasileiro que só existe em suas férteis imaginações, por exemplo. 

Poderíamos também rebater as acusações contra os bolcheviques nos utilizando de tropeços indeléveis dos anarquistas espanhóis, que ocuparam postos chaves do Estado burguês dirigido pela Frente Popular na Espanha na década de 30. Certamente gritariam: “Não nos representam!”. Tudo bem. Para evitar uma guerra de citações e não cometer injustiças, deixaremos de lado os crimes políticos dos anarquistas durante o século XX, mas não podemos nos calar diante da total incompreensão e superficialidade do professor Wallace sobre o levante de Kronstadt. Trata-se de uma agitação liberal radical que uniu anarquistas, social-revolucionários, mencheviques, a grande imprensa capitalistas, e posteriormente endossada pelos stalinistas. 

Para analisar o levante de Kronstadt, devemos nos debruçar pacientemente em algo que custa muito caro aos anarquistas do século XXI: o seu caráter de classe. As revoluções geram polarizações sociais extremas. De um lado está a burguesia e seus aliados, agarrados em seu aparato estatal em decomposição, que utiliza todas as suas armas militares e ideológicas para manter o status quo. De outro, está o proletariado revolucionário e seus aliados, em uma luta heroica para fazer a roda da história girar. O problema é que os “aliados” de ambos os lados estão permanentemente em disputa e podem se sentir atraídos tanto pela burguesia quanto pelo proletariado. As classes médias, o campesinato e as camadas populares não podem ter um projeto de sociedade próprio. Ficam a mercê das classes sociais principais e suscetíveis a mudar de posição em cada curva da luta de classes. A dificuldade reside justamete na compreensão de que as classes intermediárias podem ser determinantes para ambos os lados imporem seus projetos históricos. 

A luta entre a cidade e o campo não terminou com a tomada do poder pelos bolcheviques em outubro de 1917. Pelo contrário. Houve momentos em que a revolução foi ameaçada pelos kulaks, que chantageavam o governo revolucionário boicotando o abastecimento de comida das cidades famintas pela guerra civil. 

Os anarquistas agitam uma falsificação onde os bolcheviques supostamente teriam ordenado o fuzilamento daqueles mesmos marinheiros que garantiram a insurreição de outubro. Nada mais falso. O professor da academia afirma que “os bolcheviques, com sua ditadura do proletariado, seu aparato estatal centralista, perseguiram, prenderam e exterminaram os que queriam o aprofundamento da Revolução”. Será? 

A guerra civil na Rússia deixou a composição social e os personagens políticos de Kronstadt totalmente irreconhecíveis. Os valorosos marinheiros de 1917 estavam em outras frentes de batalha contra os brancos em Moscou e na Ucrânia, deixando para trás um espaço ocupado em sua maioria por mercenários especuladores, que usavam da chantagem e da barganha para arrancar benefícios próprios do abastecimento da faminta Petrogrado.  

Se em 1917 e 1918, os marinheiros foram um dos destacamentos mais avançado da revolução, em 1921 Kronstadt era apenas uma caricatura contrarrevolucionária composta por elementos desmoralizados e hostis a ditadura do proletariado. Isso tornou-se evidente quando marinheiros da Latvia e Estônia, desejosos em retonar para suas pátrias burguesas, se uniram a “Frota do Báltico” como “voluntários”. 

O levante de Kronstadt não foi o único episódio dessa natureza antes da consolidação do poder soviético. A hostilidade do campo em alimentar à cidade, por exemplo, promoveu o movimento do anarquista Makhno, que saqueou trens destinados às fábricas e ao Exército Vermelho, e fuzilou comunistas. Tudo isso em nome de “aprofundar a revolução”, quando na verdade se apoiava na burguesia e pequena-burguesia rural contra o “estatismo e o autoritarismo dos bolcheviques”. 

Terminamos essa parte do debate com as palavras do revolucionário russo, León Trotsky: “Somente uma pessoa completamente superficial pode ver nos bandos de Makhno ou na revolta de Kronstadt uma luta entre os princípios abstratos do anarquismo e o “socialismo de Estado”. Na realidade, estes movimentos foram convulsões da pequena-burguesia camponesa que desejava, evidentemente, libertar-se do capital, mas que, ao mesmo tempo, não aceitava subordinar-se à ditadura do proletariado. A pequena-burguesia não sabe concretamente o que quer, e em virtude de sua posição não pode sabê-lo. Essa é a razão pela qual encobriu tão facilmente suas petições e esperanças, ora com a bandeira anarquista, ora com a populista, ora simplesmente com a “Verde”. Opondo-se ao proletariado, tentou, sob todas estas bandeiras, retroceder a roda da revolução”.  Para a infelicidade de muitos, o levante ao invés de atrair a atenção dos trabalhadores da cidade, os repeliu. Logo perceberam que o que estava em jogo era o novo Estado que estavam construindo com tanto sacrifício.  
  
Todos os partidos são iguais?      
               
O autor do artigo citado ainda faz um esforço imensurável para juntar os “líderes dos partidos governistas”, “partidos de oposição” e os “monopólios de comunicação”, todos juntos contra aquilo de ele chama de “ação direta”. Não satisfeito completa: “Todos, embora em aparente e até feroz oposição, almejam os mesmos objetivos: ocupar os palácios de governos, comandar as forças de repressão, ocupar as câmaras e assembleias e ser venerado todos os dias pelos monopólios da comunicação”. Usa inclusive das mesmas acusações de Paes e Cabral contra a direção do SEPE, “aparelhada pelo PSTU, PSOL (determinadas correntes), PT e outros partidos”. O professor universitário tenta resistir em vão, mas cai na tentação de fazer coro com a ideologia reacionária contra os partidos políticos, quando sabemos que essa ideologia perpetua o poder nas mãos do PT, PCdoB, PMDB, PSDB e tantos outros. Provavelmente estava nas ruas em junho gritando “ Sem partido!”. 

De fato, seria mais fácil para o autor colocar um sinal de igual entre todos os partidos, mas para sua infelicidade o PSTU é diferente, e ele sabe disso. 

Tivemos 13 camaradas presos em Bangu em 2011 na visita de Obama ao Rio de Janeiro; fizemos uma campanha de solidariedade classista aos atingidos e desabrigados de Nova Friburgo e região; estivemos juntos com os bombeiros pintando a cidade de vermelho e iniciando ali uma campanha política muito vitoriosa pelo Fora Cabral; no dia 20 de junho de 2013 na avenida Presidente Vargas enfrentamos os neonazistas e defendemos a coluna dos movimentos sociais onde havia muitos anarquistas; na desocupação da Câmara dos Vereadores o professor Gustavo Kelly (militante do PSTU) foi eletrocutado seguidas vezes para defender a categoria e em seguida foi detido; tivemos ainda mais dois militantes presos em Bangu na mesma cela dos companheiros do “Ocupa Câmara”; estávamos juntos com os anarquistas enfrentando o Exército na Barra da Tijuca contra a privatização do leilão do Campo de Libra; e por último, para não molestar a paciência do leitor com inúmeros exemplos, a Convergência Socialista (principal corrente na formação do PSTU) foi reconhecida pelo Estado brasileiro como organização perseguida e reprimida pela ditadura militar. 

Enumeramos essa longa lista de fatos para perguntar ao professor Wallace dos Santos: o PSTU é realmente igual aos demais partidos? O PSTU condena a ação direta e deseja ocupar os palácios de governo como fazem o PT e PCdoB? Poxa, professor, a realidade não se encaixa em seu esquema simplista. A luta de classe é mais complexa do que parece. De fato, temos muitas diferenças, mas talvez a principal seja a forma como fazemos as polêmicas. Com a palavra o professor doutor.  

Repressão e Democracia

por Júlio Anselmo, da Juventude do PSTU Rio


   Muitos ativistas, diante da absurda escalada da repressão policial, imediatamente comparam o momento atual com a ditadura militar ou Estado de Exceção. Isso é fruto da ideia de que na democracia não há repressão às lutas. Mas a realidade mostra que isso não é verdade: a democracia burguesa reprime, e violentamente. Não bastou termos derrubado a ditadura, pois está comprovado que o Estado, mesmo na democracia, só serve aos interesses dos ricos e poderosos, se configurando numa ditadura velada sobre os trabalhadores. Não há outro nome! O que vemos é a repressão da democracia burguesa. Este é o Estado democrático de direito quando os trabalhadores e jovens se levantam.

Contra a repressão e a criminalização da luta dos trabalhadores!

Desde junho, vimos cenas chocantes da brutalidade e truculência da polícia militar. Numa tentativa de acabar com as crescentes mobilizações, que seguem questionando os interesses dos ricos e poderosos, os governos lançam uma brutal repressão contra os que lutam. Juntos com o poder judiciário estão numa força tarefa para perseguir os ativistas. Buscam supostos mecanismos legais para prendê-los, se utilizando da espionagem e monitoramento, numa das maiores ondas repressivas desde a redemocratização.
Os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – de PSDB, PMDB e PT – prendem ativistas nas passeatas ou em suas casas recorrendo à lei de segurança nacional da ditadura ou à absurda Lei de Organização Criminosa sancionada por Dilma em Agosto. Agora, o ministro da justiça tenta nacionalizar a repressão, utilizando a Policia Federal e propondo a ampliação das penas aos manifestantes. Lembremos ainda o papel nefasto da presidente  Dilma que, além de cúmplice dos ataques à luta dos estudantes e trabalhadores, fez o mesmo para garantir a venda do Pré-Sal, enviando o Exército e a Força Nacional para reprimir os protestos. O PT usa a violência estatal para entregar nossas riquezas naturais às multinacionais.

Defender a democracia dos ricos ou questioná-la profundamente?

O PSOL diz¹ que numa democracia é inadmissível a repressão policial. Nas passeatas ouvimos seus militantes cantando: “Lutar não é crime; Democracia de verdade não reprime”. Com franqueza e honestidade queremos iniciar uma discussão na esquerda para contribuir com o debate sobre as alternativas ao capitalismo.
Dizer que a democracia burguesa não reprime é embelezá-la. É por meio das palavras tentar torná-la o que ela não é, nem jamais poderia ser.  Essa é a finalidade dos reformistas, que defendem irrestritamente a democracia burguesa, numa estratégia de melhorar a sociedade, aos poucos, a partir de pequenas conquistas parlamentares. Com o aumento da repressão, os reformistas clamam pela defesa ou aperfeiçoamento das instituições da democracia. Para se justificar forjam uma suposta ofensiva ditatorial na sociedade. Entretanto, atualmente, não há uma luta entre democracia versus ditadura, mas sim o aumento da polarização entre as classes sociais, com uma luta encarniçada entre os trabalhadores e a burguesia. Aqui não se trata de defender a democracia burguesa, mas sim de questioná-la profundamente. Exigir a radicalização da democracia ou a reforma política-eleitoral não basta, pois isso reforça a hipocrisia e dissimulação da burguesia, perpetuando a exploração e opressão sobre os trabalhadores.
A posição do PSOL fica mais evidente nas opiniões do Deputado Estadual Marcelo Freixo: “Temos que disputar uma concepção de sociedade que não pode negar os canais democráticos. Destruir o prédio da ALERJ não muda a péssima qualidade dos deputados que trabalham dentro da ALERJ. O que muda é o fortalecimento do processo democrático”². “E o que a sociedade quer, principalmente, é uma maior radicalidade na participação popular nas decisões governamentais"³. “A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força”⁴. Fica claro, a opinião de Freixo, de que as transformações se darão através das eleições, iniciativas parlamentares e o respeito as instituições do regime democrático. Esquecem que esta foi a tônica do falido projeto do PT, que se mostrou inviável, já que a burguesia é quem controla o poder econômico e político da sociedade.
Parece que não entendem que esta democracia não atende aos trabalhadores. Os liberais dizem que somos iguais perante a lei, mas é verdade também que a burguesia contrata os melhores advogados, compram juízes e que as leis são feitas para lhes beneficiar. Há uma suposta liberdade de expressão, mas não dizem que é a burguesia que detém os veículos de imprensa com grande circulação. Dizem que a democracia é liberdade. Mas os trabalhadores não têm a liberdade de deixar de trabalhar todos os dias para participar da vida política. Podemos reivindicar, mas, já é sabido por todos, que uma hora ou outra, chegará a polícia para reprimir. Essa é a democracia dos ricos que os reformistas nas horas mais agudas da luta de classes, ao longo da história, insistem em tentar salvar, salvando junto a dominação burguesa.

Em defesa das liberdades democráticas: ditadura nunca mais!

O imperialismo em nome da democracia declara guerras por lucros, domina os povos por todo o mundo e explora cada dia mais os trabalhadores. Vários setores da esquerda passaram a adotar a defesa da democracia como valor universal, ajudando o imperialismo a esconder-se atrás deste discurso para melhor sustentar sua dominação e exploração, iludindo os trabalhadores. Há também aqueles que em nome de um suposto enfrentamento com o imperialismo estão aliados as ditaduras mais sanguinárias da história como Assad na Síria, se colocando contra a luta do povo por democracia.
Defender a democracia burguesa quando estamos numa ditadura burguesa é muito progressivo, pois melhora as condições de mobilização dos trabalhadores, fortalecendo-os para questionarem a própria dominação burguesa. Democracia e ditadura são formas diferentes de dominação burguesa, e, portanto, não podem ser igualadas em uma análise marxista séria. Na democracia há melhores condições para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores.  Por isso também, defendemos amplas liberdades democráticas, que favoreçam a mobilização e emancipação dos trabalhadores, como: direito a manifestação, ao voto, aos trabalhadores construírem partidos, tempo igual de televisão entre os partidos, direito de criar sindicatos e de se sindicalizar, reforma agrária, desmilitarização das polícias, etc. A conquista das liberdades democráticas, ao longo da história, foram resultado das lutas da classe trabalhadora, da força do movimento operário e dos combates por ele travados. Tal fato, entretanto, não torna a democracia burguesa um regime socialmente neutro, e muito menos um regime favorável aos trabalhadores.
Lutamos implacavelmente contra as ditaduras burguesas, principalmente, aquelas sustentadas pelo imperialismo como na Síria. É motivo de orgulho, a Convergência socialista, organização que deu origem ao PSTU, ter seu papel reconhecido oficialmente na luta contra a ditadura. Isto é bem diferente de manter a luta dos trabalhadores nos marcos da democracia burguesa, defendendo-a e iludindo-os como fez o PT afirmando que a saída estratégia é a luta parlamentar.

Pelo poder dos trabalhadores!

A greve dos petroleiros, professores e demais categorias demonstram a força dos trabalhadores. As bombas e tiros provam que não há saída por dentro do sistema capitalista! Não há possibilidades de conciliação entre os interesses dos trabalhadores e da burguesia. Quem diz que governa para todos, tenta disfarçar que governa para os ricos. Está demonstrado pela realidade que para as nossas reivindicações serem satisfeitas temos que transformar radicalmente a sociedade. A única alternativa estratégica é a luta revolucionária contra a burguesia e a tomada do poder político pelos trabalhadores, construindo suas próprias instituições e organismos democráticos de auto-governo. Não queremos apenas maior participação popular nas decisões governamentais, como afirma Freixo, queremos que os trabalhadores decidam tudo. Contra as promessas de reformas políticas ou eleitorais, feitas por demagogos, supostamente, democratas, a saída é a revolução socialista dos explorados e oprimidos.  Só assim será possível exterminar a dominação burguesa que condena a humanidade a dor, miséria e sofrimento.


Mais de 50 MIL ocupam as ruas pela educação e contra a repressão



15/10/2013. Dia do Professor com dezena  milhares de pessoas no centro do Rio de Janeiro e diversos atos em todo país em apoio à greve da educação. 
 A cidade do Rio de Janeiro assistiu a mais uma grande manifestação em defesa da educação pública. Desde o final da tarde, educadores, estudantes e diversas categorias foram se concentrando na Candelária e seguiram em direção à Cinelândia. 
 A categoria estava presente com blusas e cartazes que expressavam sua indignação e exigiam seus direitos. Entidades do movimento social, como CSP-Conlutas, MST, diversos sindicatos e partidos políticos levaram o seu apoio à esta combativa greve da educação. 
        As greves do município, do estado e da Faetec encontram-se no seu terceiro mês. O governo Cabral segue intransigente e não negocia. Enquanto Paes tenta enganar a categoria e a população ao apresentar um plano de carreira que não contempla a maioria dos profissionais da rede e por isso é repudiado pelos educadores do município.
 Se a greve se prolonga até hoje, é por inteira responsabilidade desses governos. E a população está percebendo isso. Em recente pesquisa publicada no Extra, 86% da população concorda com a greve da educação.  
 Ontem podia-se sentir esse apoio com adesão das pessoas que saíram do trabalho e se incorporaram na manifestação e com as luzes das janelas dos prédios da avenida Rio Branco piscando enquanto o ato passava.
  Com isso, os educadores do Rio de Janeiro têm dado uma lição de combatividade e coerência, mostrando compromisso com a educação pública. Por isso, conforme Vera Nepomuceno afirmou, "o Dia do Professor virou o Dia do Profissional da Educação em Luta!".
Black Blocs e ação isolada: um desserviço à luta
Infelizmente, mais uma vez após o encerramento do ato a Cinelândia virou uma praça de guerra, com PM’s atirando bombas de efeito moral e disparando tiros com armas letais e Black Blocs arremessando pedras e quebrando bancos, orelhões etc. Nós temos feito constantemente esse debate, e faremos mais uma vez com a franqueza necessária. As ações isoladas não são a tática mais eficaz para combater Cabral e Paes.
E o pior é que esses governos, a mídia e o empresariado aproveitam disso para tentar desmoralizar e criminalizar a forte greve da educação. Vimos isso na semana passada, quando, depois de um ato vitorioso, que lotou a Avenida Rio Branco, os jornais e a tevês pautaram as ações de uma minoria e esconderam a grandiosa manifestação que reuniu milhares de pessoas. Essas ações isoladas dos chamados Black Blocs prestam um desserviço ao movimento. E não contribuem para aglutinar mais pessoas em defesa da greve da educação.
Hoje lamentavelmente isso se repetiu. Os governos tentaram jogar a população contra a greve. Afastar as pessoas das manifestações e aumentar a repressão contra os educadores. Nas primeiras notícias que estão circulando, a grande imprensa esconde o ato, e nas ruas do centro a PM de Cabral aumentou a repressão.
A PM acabou violentamente com o acampamento em frente à Câmara de Vereadores e prendeu mais de 200 pessoas nesta noite. Muitas delas nem estavam envolvidas com os enfrentamentos com a Tropa de Choque. Essas pessoas foram levadas para delegacias em bairros distantes do centro da cidade. Há também relatos de manifestantes baleados por armas de foto disparadas pela polícia.
 Vitória da mobilização: Liminar  suspende corte de ponto dos profissionais da educação 
           O Sepe conquistou ontem uma liminar que impede o corte de ponto dos profissionais da educação em greve. Segundo decisão do ministro Fux do STF, o governo estadual fica impedido de realizar cortes até o dia 22/10, quando será realizada uma audiência em Brasília entre o sindicato e o governo. Outra decisão judicial revoga a cassação da licença sindical do Sepe, que havia sido uma tentativa de desmoralizar a entidade.
           Nossa tarefa é não sair das ruas! Solidariedade ativa à greve da educação. Amanhã será maior!. Vamos aumentar a pressão sobre os governos Cabral e Paes pelo atendimento imediato das reivindicações dos educadores.

Ô, A EDUCAÇÃO PAROU...

Fora Cabral, vá com Paes está na boca do povo
foto: Paollo Rodajna
Governador Sergio Cabral, a pedido do Prefeito Eduardo Paes, reprime violentamente educadores do Rio de Janeiro

Miguel Malheiros e Susana Gutierrez do Rio de Janeiro

            São combatidos ferozmente com bombas, armas químicas (gaz lacrimogêneo e spray de pimenta), choques elétricos e pauladas.  Contra esta categoria já foram lançados os seguranças da ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro); o Batalhão de Choque da Policia Militar. Suspeita-se que já tiveram de enfrentar, inclusive, milicianos. Sem dúvida são homens e mulheres que amedrontam os governos de Cabral e Eduardo Paes.
            Mas quem são estas pessoas que tiram o sono do governador do Rio e do prefeito da capital? Pelo que lutam? Que armas possuem para contra eles serem lançados brutais aparatos de repressão?
            Estão armados com ideias e argumentos. Sua causa é justa, defendem a escola pública e a querem de qualidade. São cozinheiras, cozinheiros, auxiliares de creche, porteiras e porteiros, agentes educacionais, professoras e professores. São profissionais da educação do estado e da prefeitura do Rio de Janeiro. Nas assembleias, e nas ruas dão corpo ao SEPE (Sindicato Estadual de Profissionais da Educação), gritando a plenos pulmões: “O SEPE somos nós, nossa força, nossa voz.”
            Há uma duríssima luta em curso no Rio de Janeiro. De um lado os governos de Cabral e Paes. Governos do PMDB com o PT, sustentados e apoiados pelo PCdoB. A mesma coalizão do governo federal. Este é o lado dos que querem aprofundar os ataques à escola pública, avançando na transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. Avançando nos planos de transformar professores em monitores de turmas, em tutores.
            Para as fundações e ONG’s privadas é fundamental que os ataques de Paes e Cabral tenham sucesso. Estão de olho nos milhões de reais que podem ganhar com a produção de apostilas; de provas externas - como o SAERJ ou prova Brasil. Com a produção de aulas prontas e padronizadas, sem respeitar a diversidade de saberes. Sem respeitar as distintas origens e formações sociais no Estado ou mesmo na cidade do Rio de Janeiro. Para estes pouco importa se o mesmo modelo de aula é aplicado para estudantes moradores em uma favela, ou na Zona Rural do estado. Afinal, para estes, o que importa são os milhões de reais que podem lucrar.
            Destruir a carreira de professores para estes urubus da educação pública é parte decisiva para ocuparem espaços, lucrando com isso, dentro das escolas. Para eles a escola pública não precisa de profissionais que educam, que ensinam, que produzem e reproduzem conhecimento, ou seja professoras e professores. Para os urubus onde estudam filhos e filhas da classe trabalhadora bastam pessoas capazes de criar condições de aprendizagem. Assim substituir professores por tutores, ou criar professores polivalentes, aplicadores de métodos pré fabricados e padronizados, comprados no mercado por rios de dinheiro é um passo importante para seus objetivos de mercado.
            De outro lado estão os profissionais da educação na defesa da escola pública, na defesa de uma educação pública e de qualidade. Nessa luta batalham por ter o apoio da população. Mas é uma batalha desigual. Os grandes meios de comunicação, como a Globo, jogam o tempo todo ao lado dos governos, tentando criar condições para enfraquecer a luta dos educadores. Em contrapartida dos mais diversos setores chegam cartas e moções de solidariedade e apoio à luta em defesa da educação pública.

                 Lula se reúne com o carrasco da educação pública
            Ainda é inicial, mas educadores e população começam a estranhar o silencio da Presidenta da República, quando seus aliados, Sergio Cabral e Eduardo Paes, atuam de forma tão feroz contra homens e mulheres responsáveis por educar parcela considerável dos filhos e filhas da classe trabalhadora e do povo pobre. Não por acaso na manifestação de apoio à luta da educação que reuniu mais de 50 mil pessoas, na segunda-feira 7 de outubro, uma das faixas carregadas trazia escrito: “E aquela Dilma que ia mudar o mundo agora assiste a tudo em cima do muro."
            Mas não se trata apenas do silêncio da Presidenta. Logo após ao verdadeiro massacre sofrido pelas educadoras e educadores (30 de setembro), o ex presidente Lula visitou o Rio de Janeiro. Sua visita não foi para levar solidariedade e apoio às educadoras e educadores, que haviam sido atacados brutalmente pela PM (Policia Militar) de Cabral, a pedido de Eduardo Paes. Lula foi ao Rio de Janeiro reunir-se com o algoz da escola pública. Reuniu-se com Sergio Cabral. O objetivo da conversa não foi cobrar de seu aliado que tratasse com respeito aos educadores, atendendo suas reivindicações. Lula foi ao Rio falar com Cabral sobre as eleições de 2014. De fato o ex Presidente Lula deve um pedido de desculpas formal à categoria de profissionais da educação do Rio de Janeiro.

              Guerreiras e guerreiros da educação pública
            Os profissionais da educação sabem que lutam por sua sobrevivência como categoria profissional. O “Plano”, aprovado por Paes na Câmara de Vereadores, não passa de mal disfarçada reforma administrativa. Entre outras coisas legaliza o professor polivalente, ao criar a nomenclatura de Professor de Ensino Fundamental para lecionar do 1° ao 9° ano. De fato a nefasta ideia por trás disso é o professor dar aulas das mais diferentes disciplinas, para as mais diferentes faixas etárias. Por exemplo professores de geografia dando aulas de matemática, e assim por diante.
            Nas reuniões com responsáveis, e também nos atos e passeatas, é comum ouvir-se que não é só pelo salário, é em defesa da educação pública. É por dignidade. Neste duro enfrentamento a categoria vai aprendendo a confiar em suas forças. Descobre seus aliados, mas define que mesmo apoiadores devem se submeter aos métodos de luta da categoria.
             O destino dessa luta não se definiu. Estes bravos e heroicos homens e mulheres tratam a si mesmos de forma orgulhosa por guerreiras e guerreiros da educação pública. Enfrentam inimigos poderosos, mas arrancam forças para seguir adiante na justeza da luta e no apoio que recebem.
            Seguem fazendo assembleias com milhares de pessoas. Seguem realizando atos onde a criatividade está sempre presente. Em suas manifestações continuam pautando seus objetivos e questionando seus inimigos. Nas assembleias e nas ruas continuam cantando: “Educação na rua qual é sua missão?
Conquistar mais dinheiro pra saúde e educação!
Educação na rua o que é que você faz?

Fora Cabral e Eduardo Paes!”

Vitória da greve! Justiça suspende sessão fraudulenta da Câmara que aprovou o Plano de Cargos, Carreiras e Salários



Passeata 07/10/2013 em defesa da educação
Foto Paollo Rodajna
Na tarde do dia 11 a juíza Roseli Nalin, da 5ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça, concedeu uma liminar em ação de nove vereadores de oposição suspendendo a sessão da Câmara do Rio que aprovou a lei que criou o novo plano de cargos e salários dos professores. Segundo parecer da magistrada “o exercício do direito da maioria parlamentar decidir não pode, jamais, em uma sociedade que se pretende plural, livre e democrática, ser realizado em uma situação de exceção à normalidade que impeça a garantia do valor da democracia”.


Essa decisão é uma vitória da greve. Mostra a sua força e justeza. E vem ao encontro do sentimento da maioria da população do Rio de Janeiro que, ao lado dos profissionais da educação, repudiou a forma arbitraria e repressiva com que foi realizada essa votação. Eduardo Paes e os vereadores da situação, com o auxilio da PM de Cabral, sitiaram a cidade e reprimiram violentamente os manifestantes que queriam acompanhar a sessão da Câmara Vereadores .

A ação truculenta de Paes e Cabral não ficou sem resposta. Cinquenta mil foram às ruas e repudiaram a repressão de Paes e Cabral e demonstraram que a pauta dessa greve vai além da questão salarial. A luta é por uma educação pública de qualidade, sem meritocracia, ong´s e fundações. Afinal de contas, educação não rima com mercadoria e repressão.

Dia 15 vai ser maior! No dia do professor temos uma tarefa importante. Fazer a maior e mais bela manifestação em defesa da greve dos educadores e a exigência que Paes atenda às reinvindicações da categoria.

Somos todos educadores!  

A quem beneficia as ações do Black Blocs?

PSTU- RJ

   Rio de Janeiro, 7 de outubro. Uma multidão se aglutina pelo Centro da cidade e segue em passeata pela Av. Rio Branco. A passeata é tão grande que não é possível ver seu início nem seu final. Naquele dia, mais de 50 mil pessoas saíram às ruas para defender os profissionais da educação contra os ataques de Sérgio Cabral e Eduardo Paes.

   Acuados, o governador e o prefeito são forçados a desistir momentaneamente da repressão. A polícia permaneceu em grande parte aquartelada, e as ruas por algumas horas foram apenas dos trabalhadores, demonstrando a força das massas. Já ao final, ocorre o episódio que ganharia destaque nos telejornais e nas conversas dos trabalhadores: Black Blocs (BBs) e PMs se enfrentam isoladamente em frente à Câmara Municipal. Começam a repressão e o quebra-quebra
 
Uma tática a serviço de qual objetivo?
   Antes de tudo, reafirmamos que nossa crítica política aos grupos Black Blocks não muda em nada a defesa que fazemos destes ativistas e grupos contra a repressão da polícia e da justiça burguesa.  São lutadores, que muitas vezes se equivocam, mas são lutadores. E para nós é um princípio defender todos os lutadores contra a repressão dos governos burgueses.

   Contudo, não confundimos essa defesa com o acordo com as ações dos Black Blocs. Quem defende que a esquerda não pode debater/criticar a ela própria foi, historicamente, o stalinismo.

   Muitos companheiros honestos argumentam conosco que o Black Bloc é uma tática de defesa das passeatas. No entanto, esta não tem sido a realidade no Rio.

   Temos acordo de que é necessário organizar a defesa das manifestações. Esta é uma necessidade que surge da ação violenta da polícia, a mando dos governos. Queremos organizar a defesa das passeatas para proteger fisicamente os que estão nelas e derrotar as pretensões dos governos em desatar a repressão.

O que é mais eficaz na luta contra Cabral e Paes? A ação isolada de uma minoria
ou a presença de 50 mil pessoas marchando pelas ruas de centro?

   Nosso grande objetivo deve ser trazer um número cada vez maior de pessoas às ruas. Na passeata do dia 7 de outubro, a PM se retirou das ruas não por conta da presença do Black Blocks, mas porque havia 50 mil pessoas na Av. Rio Branco. Quanto mais massivas forem as passeatas, mais dificuldades a PM terá em reprimir o movimento. Mas as ações dos Black Blocs acabam por esvaziar as futuras mobilizações.

   Os BBs devem explicar por qual motivo a mídia não mostra uma só imagem dos 50 mil em marcha, mas gasta horas de seus telejornais para exibir as depredações e ações isoladas. A mídia seleciona essas imagens com dois objetivos: amedrontar a classe trabalhadora para que não se some às mobilizações; e para criminalizar a luta dos educadores.


   A tônica da atuação do Black Bloc no Rio é o enfrentamento permanente com a polícia e a depredação por meio da ação individual ou de pequenos grupos. Achamos isso completamente errado. Tais ações poderiam ser corretas se realizadas com o conjunto dos trabalhadores e não com um grupo pequeno de vanguarda.

   Alguns grupos anarquistas (não todos eles, é importante que se diga) acham que isso serve de exemplo para a juventude oprimida, que os seguirão em suas ações rumo ao fim do capitalismo e do Estado burguês. Isso é um equívoco e só acaba afastando as massas.


   Muito longe de serem fruto da “revolta popular”, estas ações conscientemente organizadas tentam substituir a ação das massas na rua. Por isso não estão preocupados com a mobilização crescente da classe trabalhadora e sim com suas próprias ações.

   Não estamos discutindo a ação espontânea de trabalhadores perante uma injustiça. Por exemplo, os moradores de uma favela quando descem e quebram o comércio de luxo diante da morte de um jovem negro da comunidade. Estamos discutindo a ação política consciente de grupos que organizam os Black Blocks. E estes grupos erram ao fazer política sem se levar em conta o que a classe pensa, mesmo discordando dela. Tomando como um exemplo, se a grande maioria dos trabalhadores acha que a greve não é o melhor instrumento de luta, não podemos fazer a greve sem eles, mesmo que queiramos.

   A repressão dos movimentos sociais é política de Estado no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. A polícia e o governo sabem que tem superioridade militar sobre nós, por isto, sempre que possível, buscam a repressão. Se não podemos por hora derrotar militarmente a repressão, existem momentos em que é possível derrotá-la politicamente, forçando o governo e a polícia a recuarem. O dia 7 de outubro foi emblemático neste sentido. A maioria da população havia sido ganha para defender os educadores contra Paes e Cabral. O repúdio aos governos era tamanho que a PM foi orientada a não intervir, nem sequer um efetivo militar considerável foi mobilizado. Diante desta retumbante vitória um grupo Black Bloc resolveu destruir a Câmara Municipal e seus arredores, provocando a repressão. Ao organizarem uma ação contrária às deliberações do Sindicato e da categoria, esse grupo Black Bloc contribui para enfraquecer as entidades dos trabalhadores.

   Esta ação poderia ter jogado no lixo todo o trabalho político da categoria e do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação) em ganhar a população para o seu lado e colocar o governo na defensiva. Cada trabalhador que é ganho pelo governo contra a greve dos professores significa uma bala a mais que o governo consegue disparar sobre nós.

   Queremos chamar os militantes que estão construindo a luta cotidianamente, inclusive aqueles que organizam o Black Bloc no Rio, a fortalecer a luta dos educadores. Chamamos também a organizar coletivamente a defesa das manifestações e planejar as ações dos atos em conjunto com a categoria e sua entidade, o Sepe, e a não fazer nenhuma ação contrária as deliberações dos professores.

✔  Lutar não é crime, lutar é direito! Contra a repressão aos movimentos sociais;
✔  Em defesa de todo ativista atacado pela repressão ou perseguido pelo Estado;
✔  Construir a autodefesa dos trabalhadores em luta;
✔  Pela desmilitarização da Polícia Militar, pelo fim da PM;
✔  Pela construção de uma polícia de caráter civil, eleita democraticamente e controlada pela comunidade.