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Nota de pesar: Companheiro Washington Costa, presente!

Washington na época em que presidiu a CUT-RJ
É com extremo pesar que recebemos a triste notícia que faleceu na madrugada desta segunda-feira (dia 19/5) o companheiro Washington Costa.
Washington sempre esteva presente nas lutas dos trabalhadores, defendendo o classismo e o socialismo. Em praticamente todas elas estivemos ombro a ombro, mesmo pertencendo a correntes políticas diferentes, seja no interior da Central Única dos Trabalhadores (CUT), seja no interior do PT (Partido dos Trabalhadores) onde enfrentávamos a direção majoritária que levou o PT e a CUT a traírem a classe trabalhadora brasileira.
Metalúrgico, participou das históricas lutas da década de 1980, chegando a presidir o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro e a integrar a executiva nacional da CUT. Sua militância também foi decisiva para a formação da CUT-RJ, onde chegou  a ser presidente na mesma gestão em que eu fui secretário-geral.
Atualmente era professor de Mecânica Automotiva no Cefet-RJ, atuando destacadamente nas recentes lutas e greves dos docentes federais e chegando a ser presidente da ADCEFET. Militante e dirigente do PSOL, sua relação conosco do PSTU sempre foi fraterna.
Seu falecimento nos atinge ainda mais por fazerem parte de nossas fileiras o seu filho Zé (Educação) e seus sobrinhos Nayara (Juventude) e Yuri (Correios).
O velório será realizado no cemitério Jardim da Saudade de Sulacap a partir das 17 horas de hoje e o enterro será realizado nesta terça-feira (dia 20/5), no mesmo local, às 11h.
Companheiro Washington, presente!
Cyro Garcia
Presidente Estadual PSTU-RJ

A morte de DG: o dia em que o morro desceu, e não era carnaval

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, ela se incendeia com indignação; foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e DG

Lucas Viana, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU


   No último dia 21, Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, foi mais um negro assassinado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de janeiro (RJ). A vítima, que era dançarino do programa Esquenta, da Rede Globo, foi encontrada com sinais de tortura e baleado numa creche no morro Pavão-Pavãozinho. A polícia, num primeiro momento, alegou que o dançarino, ao fugir de um tiroteio, havia morrido em decorrência de uma queda.

   A PM esperou que isso fosse o suficiente para calar e intimidar a população local. Entretanto, a comunidade não hesitou em descer o morro e ocupar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana para denunciar os abusos e o genocídio que as polícias vêm promovendo, além de exigir justiça às vítimas e o fim das UPPs.

Era só mais um Silva
“Era trabalhador, pegava o trem lotado
Tinha boa vizinhança, era considerado
E todo mundo dizia que era um cara maneiro
(...) E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família, ele não irá dormir”

(“Era só mais um Silva”)

   DG, não por coincidência, tinha sobrenome Silva e havia encenado, em Junho de 2013, sua própria morte no curta-metragem Made in Brazil, de Wanderson Chan, que ilustra o triste cenário das comunidades ocupadas pelas UPPs, onde jovens negros, trabalhadores e pais de família são diariamente abordados, intimidados, agredidos e mortos de maneira arbitrária, com a desculpa de serem confundidos com traficantes.

   Segundo o Instituto de Segurança Pública, de 2007 a 2012, foram registrados 553 desaparecimentos nas 18 primeiras comunidades pacificadas no Rio. Só em 2010 foram 119 desaparecidos, número que aumenta ano após ano e coloca em alerta a população negra e periférica do Rio, que hoje encara a luta contra as UPPs como a luta pela sua própria sobrevivência. Depois de Amarildo, nenhuma morte passa sem que o morro desça às ruas e exija justiça.

Pavão-Pavãozinho: o dia em que o morro desceu
   O fato de a comunidade do Pavão-Pavãozinho descer até Copacabana evidencia o novo momento político em que vivemos. Em junho, o aumento das tarifas do transporte foi o estopim para que a população percebesse que as ruas são o espaço para as transformações reais na sociedade. Hoje, quando a periferia sangra pelas mãos das UPPs, no dia seguinte ela se incendeia com a indignação da população. Foi o que aconteceu com Amarildo, Douglas, Claudia e agora com DG.

   Não há dúvidas, apesar da negligência nas perícias e investigações, de que se tratou de mais um assassinato cujo responsável é o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) com sua política de segurança pública, que é a principal responsável pelo genocídio da população negra em curso. Tudo isso é evidenciado quando se lê cartazes feitos por moradores do Pavão nas manifestações, como “A maquiagem da UPP é o sangue dos inocentes”; “Hugo Leonardo (...) foi tido como bandido na mídia por calúnia dos policiais (...), e DG, Edilson e Amarildo são outras vítimas da UPP. Queremos Justiça!”; “Fora UPP”; “PM assassina”. Atualmente, tão essencial quanto a luta por transporte, saúde, educação e outros direitos sociais, o que se ouve nas ruas, por parte da população negra é a reivindicação por permanecer viva e pelo direito ao futuro.

   Trata-se, em termos gerais, da luta contra a ideologia racista e do sistema que rebaixa os negros à categoria de coisas, que permitiu que fossem escravizados e mercantilizados por quase 400 anos no Brasil e que, hoje, faz com que sejam “carne barata” no mercado de trabalho, além de “justificar” o descaso do governo e da elite com o genocídio da população negra.

O mito da democracia racial e as lágrimas de crocodilo de Pezão
   O governador Pezão convidou a mãe de DG, Maria de Fátima da Silva, para uma reunião, que foi prontamente recusada pela técnica em enfermagem: “Nenhum político vai se projetar em cima da imagem do meu filho. Existem outros crimes iguais ao do meu filho que não foram solucionados até agora, como o da auxiliar de serviços gerais, Claudia da Silva Ferreira, que caiu no esquecimento (…). Eu quero uma polícia correta e digna na rua e não uma polícia assassina. E não homens armados, tendo a população como inimiga. Eu quero que ela [a polícia] aja com rigor e traga à tona a verdade desse caso”.

   A atitude louvável de Maria de Fátima vai no sentido oposto ao amplamente difundido mito da democracia racial, cujo centro é acreditar que negros e brancos possuem as mesmas oportunidades, os mesmos riscos ou que ocupam postos de igualdade na sociedade e que,por isso, todos os conflitos sociais e raciais podem ser resolvidos com um grande acordo entre a “casa grande” e a “senzala”.

   Um exemplo desse mito é o próprio programa de televisão em que DG trabalhava, o Esquenta, que espetaculariza a pobreza, a colocando como mais um produto a ser vendido e consumido, além de exibir um mundo que, na prática, não existe: onde brancos e negros convivem harmoniosamente, sem as relações de opressão ou exploração que existem na sociedade. Ou como se essas relações não fossem relevantes, como o exemplo clássico da empregada negra que samba alegremente com a patroa branca, o que não é verdade.

   No programa do último domingo, 27, que homenageou DG, a democracia racial atacou mais uma vez: o assunto da violência foi tratado de maneira abstrata, como se todos ali, de Regina Casé a Carolina Dieckman, sofressem o mesmo risco que DG e a população negra e periférica de morrerem assassinados. Ou como se um episódio do programa com condolências de globais, como Pedro Bial ou Jô Soares, fossem suficientes para fazer justiça ao caso específico do dançarino, e não a resolução do problema de conjunto, que é, entre outras coisas, a desmilitarização das polícias e a retirada das UPPs das favelas.

   Além disso,  não é verdade que Pezão, ao chamar a reunião com Maria de Fátima, estava preocupado em garantir que este e outros casos semelhantes se solucionassem ou que o genocídio da população negra se encerre. Pelo contrário, mediante a falência da política das UPPs e da revolta generalizada que faz com que a população desça do morro em protesto, Pezão aceita com gratidão a ajuda do governo de Dilma Rousseff, que ocupou, desde o início de abril, com suas Forças Armadas, o complexo da Maré.

   Portanto, mediante esta situação, não é possível conciliar a “senzala” com a “casa grande”, pois são polos com interesses opostos. De um lado, os governos fazem de tudo para garantir a Copa do Mundo para inglês ver, intensificando a ocupação das favelas e morros, para conter a população que quer lutar contra as injustiças sociais, sendo uma delas o seu próprio genocídio. De outro lado, está a população preta das periferias, como a de Pavão-Pavãozinho, que dão um exemplo de luta e resistência. Os ventos de junho seguem soprando em nosso país.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Transformar o luto em luta
   Para além do grito de justiça pelo essencial, que é a investigação rigorosa, afastamento e punição dos policiais envolvidos na morte de DG e em outros casos de desaparecimento e morte das centenas de moradores das comunidades ditas pacificadas, é uma questão urgente a retirada imediata das UPPs das favelas e morros do Rio.

   A principal desculpa para que os governos de Pezão e Dilma ocupem hoje as favelas e morros é a guerra às drogas, mas esta é uma política que, a cada dia, anuncia o seu próprio fracasso por ser a causa direta do genocídio da população pobre e preta das periferias, além do seu encarceramento em massa.

   Se o governo está realmente interessado em acabar com o tráfico, fazer justiça a DG e garantir a vida e o futuro da população negra, deve haver uma inversão de prioridades: ao invés de se investir mais de R$ 30 bilhões com a Copa das injustiças, deve se investir nos direitos sociais mais básicos, como saúde, transporte, educação e cultura, além da urgente legalização das drogas e desmilitarização das polícias.

   Entretanto, se Pezão e Dilma não estão dispostos a ouvir as ruas, o Pavão-Pavãozinho e os pretos da periferia de conjunto estão dispostos a transformar o luto em luta e fazer um novo junho acontecer, mas dessa vez com a inspiração em Palmares.

Chegou a hora de varrer o prefeito Paes!

Foto: Rodrigo Noel.
Mais um dia agitado na "Cidade Maravilhosa"

Por Rodrigo Noel

   O Rio de Janeiro é hoje o palco de uma das principais lutas a nível nacional. Pelo claro enfrentamento com a burocracia sindical, a grande mídia e o aparato repressivo de Paes/Cabral, a greve dos trabalhadores da Comlurb vem mostrando claramente que é possível vencer.

   Na foto que abre este breve informe, um grupo de trabalhadores animavam os centenas de trabalhadores que se concentravam na porta da prefeitura. Eles exigiam a abertura de negociações com vistas as reivindicações por melhores condições de trabalho e reajuste salarial digno.

   Depois de terem esperado por tempo suficiente e não serem sido recebidos pelos assessores da administração municipal, os garis se juntaram a outros companheiros e aos milhares caminharam pelas principais avenidas do Centro do Rio. As cenas que seguiam eram de muita disposição pra luta por parte dos trabalhadores e, das calçadas e prédios, muitos trabalhadores aplaudiam, em sinal de solidariedade, os bravos lutadores que caminhavam pelas ruas da cidade.

"Companheiro Gildo, presente!" 
   Na madrugada de 7/10/2000 o companheiro Gildo da Rocha, dirigente sindical dos garis do Distrito Federal, estava organizando um piquete da greve dos garis quando foi assassinado pela polícia. Mesmo tendo sido atingido por trás, os policiais civis que efetuaram o disparo tentaram incriminá-lo dizendo que este portava armas e drogas, mas dois meses depois toda a farsa foi desmontada após laudo criminalístico. Um dos acusados de efetuar os disparos contra Gildo morreu em um acidente e o outro foi inocentado pela justiça, mesmo com sua comprovada participação na morte do companheiro. Também por isso devemos cobrir os companheiros garis do Rio de Janeiro de solidariedade, pois nem mesmo com o sindicato de sua categoria eles podem contar e ainda têm que lutar contra a campanha feita pela grande mídia pela privatização da Companhia Municipal de Limpeza Urbana - Comlurb.

Presidente da Comlurb manda a população guardar o lixo em casa
    Em mais uma das declarações absurdas dadas pela administração de Eduardo Paes, o presidente da Comlurb, Vinicius Roriz, pediu aos moradores do Rio que não coloquem seus lixos na rua, mas que os guardem em suas casas. Isso é um sinal de que a cúpula da companhia responsável pela limpeza urbana não pretende ceder nos próximos dias e que o caos permanecerá na cidade, contando inclusive com o auxílio de capitães-do-mato da pm, guarda municipal e supervisores da companhia que coagiram centenas de trabalhadores para retomares seus postos de trabalho.

A luta continua
   Novos atos estão marcados para os próximos dias e a mobilização da categoria segue forte. Mesmo com a grande campanha de todo aparato da prefeitura, do próprio sindicato da categoria e das organizações Globo para criminalizar a greve, o apoio da população é muito grande e não para de aumentar. Os baixos salários, as precárias condições de trabalho e a justeza das reivindicações da categoria explicam em muito a solidariedade e o apoio a greve que cada vez mais tem aumentado, e deve contar com a adesão a partir de segunda-feira (10) dos Agentes de Preparação de Alimentos (APA), também vinculados a COMLURB.

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Atualizado às 15:50h (8/03)

Embratel demite Carlos Augusto, ativista sindical e representante dos empregados

Atitude da empresa foi claramente retaliação política


Da redação


Numa clara atitude de agressão ao direito democrático de expressão e participação sindical, a Embratel demitiu, na última sexta-feira, 10, o engenheiro Carlos Augusto Machado, empregado da empresa há quase 39 anos, ex-dirigente do sindicato da categoria no Rio de Janeiro e representante dos empregados no Conselho Deliberativo do fundo de pensão Telos. O motivo alegado foi uma suposta reestruturação em curso na empresa, que se prepara para a fusão com a Claro, do mesmo grupo econômico da Embratel.
Mas tal reestruturação atingiu, até agora, apenas Carlos Augusto, com histórico profissional respeitado na empresa, poucos meses depois de ter se encerrado seu período de estabilidade sindical. A demissão ocorreu logo após ele ter participado ativamente da última campanha salarial da categoria em dezembro de 2013, posicionando-se contra a proposta da empresa, e de ter contestado na Telos, em janeiro de 2014, o fechamento do Plano de Previdência privada existente desde 1998 e a criação de um novo plano com perdas de vários benefícios para os empregados. Não foram apenas coincidências. Estes foram os verdadeiros motivos da demissão.
A Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) foi privatizada em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e é hoje uma empresa do Grupo América Móvil, controlado pelo milionário mexicano Carlos Slim, considerado o segundo homem mais rico do mundo pelo último levantamento da revista Forbes. O grupo controla, também no Brasil, a Claro, operadora de celular, e a NET TV a cabo. Do grupo Embrapar, integrado pela Embratel, fazem parte ainda a Claro TV (TV por assinatura), a Star One (satélites), a Primesys e a BrasilCenter (Call center). O atual presidente da Embratel é o mexicano José Formoso Martinez.
Lutar não é crime
Num país governado há anos por um presidente vindo do movimento sindical e por uma presidente que participou da luta contra a ditadura, é de se questionar onde ficam os direitos de expressão e manifestação dos trabalhadores. Depois de tantas lutas pelos direitos democráticos, participar de uma assembleia, defender os direitos dos trabalhadores, manifestar-se contra injustiças e más condições de trabalho ainda é considerado como crime ou faltas graves pelas empresas.
Em atitudes como esta da Embratel, fica evidente que a realidade dentro das empresas é muito diferente do discurso de “valorização dos empregados” que elas tentam propagandear. Nestas horas, se revela que o debate democrático, o direito de expressão e participação sindical dos empregados não é sequer tolerado. Não chegamos ainda a um patamar civilizado de relações de trabalho. Vigora nas empresas um autoritarismo que age para intensificar cada vez mais a exploração, retirar direitos dos empregados e multiplicar os resultados para os acionistas.
Hoje, a realidade do país está mudando. As manifestações de junho de 2013 estão aí para provar. Cada vez mais as pessoas querem ter respeitado seus direitos a uma vida melhor. E para isso é necessário que os direitos de expressão também sejam respeitados e não reprimidos e criminalizados. Uma atitude como esta da Embratel é um claro desrespeito ao direito de manifestação e organização sindical. Por isso, precisa ser combatido e denunciado.
O Sinttel-Rio, sindicato dos trabalhadores em telecomunicações no Rio, e outras organizações sindicais e políticas vão cobrar da empresa, nos próximos dias, a reversão da demissão. Chamamos a todos a denunciar esta atitude da Embratel e a se somar a esta luta.
Provisoriamente, e-mails sobre o assunto poderão ser encaminhados ao Sinttel-Rio (sinttelrio@sinttelrio.org.br), para redirecionamento à Embratel.
CARLOS AUGUSTO MOREIRA MACHADO, engenheiro pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ingressou na Embratel em março de 1975. Foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do RJ (Sinttel-Rio) no período no 1990-1992 e 2002-2012, Presidente da Associação dos Empregados da Embratel (AEBT-RJ) entre 1996-2002, e da Comissão Nacional de Negociação dos Empregados da Embratel entre 1996-2012. Também é representante eleito pelos empregados da Embratel na Telos, fundo de pensão da empresa, desde 2001 até hoje, seja como efetivo ou suplente no Conselho Deliberativo. Participou do Partido dos Trabalhadores (PT) desde sua fundação até 1992, onde integrava a corrente Convergência Socialista. Em 1994 ingressou no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), do qual participa atualmente. Tem 60 anos.

PSTU faz campanha de solidariedade as vítimas das chuvas de Macaé

O PSTU esteve no Morro de Santana, local onde morreu o pequeno Tiago e muitos moradores perderam tudo o que tinham após as fortes chuvas do dia 02/12/13 em Macaé. Tragédias como essa vitimaram milhares no Morro do Bumba em Niterói, na Região Serrana do Rio e na Baixada Fluminense no início do ano. Essas catástrofes não são naturais, tratam-se da pior consequência da exclusão social e da falta de investimentos nas periferias de todas as cidades brasileiras.



Veja também: Sabrina Luz entrevista Marcos, morador do Morro de Santana, Macaé-RJ
Sabrina Luz entrevista Marcos Francisco dos Reis, morador do Morro de Santana-Macaé, que ajudou a socorrer seus vizinhos: um casal com 4 filhos, uma das crianças era Tiago, de 6 anos, que infelizmente morreu. Toda a solidariedade aos desabrigados! Essa tragédia não é natural.

PSTU presta solidariedade aos desabrigados das chuvas de Macaé


Os militantes do PSTU estiveram na manhã desta terça-feira, 03/12, no Colégio Ancyra Pimentel para levar uma primeira doação do partido aos desabrigados das chuvas de Macaé. “A solidariedade aos desabrigamos é o mínimo que podemos fazer. Convocamos todos os nossos companheiros a organizarem em seus locais de trabalho e com os amigos, uma rede de coleta para ajudar essas famílias”, afirmou, o petroleiro Mateus Ribeiro.

Sabrina Luz, coordenadora do SEPE-Macaé e militante do PSTU, também esteve presente nesta manhã no Colégio Ancyra levando solidariedade aos desabrigados e afirma: “Estamos articulando como SEPE a campanha de doações para os desabrigados, mas é importante destacar: a tragédia causada pelas chuvas não é natural! É consequência da falta de investimentos na periferia da cidade, é causada pela miséria que obriga milhares de pessoas a terem que viver em lugares perigosos. Para que este sofrimento não se repitam Aluízio precisa iniciar emergencialmente um plano de construção de bairros populares planejados, com plena infraestrutura urbana e os primeiros beneficiados devem ser os desabrigados”

Inquérito afirma que Amarildo foi assassinado após tortura

Pedreiro foi torturado com choques elétricos e asfixiamento pela polícia, aponta investigação




A resposta para a pergunta que tomou conta do país e ficou estampada em faixas e cartazes país afora, e até mesmo no exterior, continua uma incógnita. Não sabemos onde está Amarildo, mas fica cada vez mais claro o que aconteceu com ele. Inquérito policial sobre o seu desaparecimento dá conta daquilo que todos já imaginavam: Amarildo de Souza foi assassinado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, num dos contêiners em que funciona a unidade. A revelação foi divulgada nesse dia 2 pelo jornal O Globo. Amarildo está desaparecido desde o dia 14 de julho.
A investigação da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, que provocou o indiciamento de 10 policiais incluindo o então comandante da unidade, major Edson Santos, revela ainda que o pedreiro foi morto durante uma sessão de tortura com choques elétricos e asfixia. O fato de o pedreiro ser epilético pode ter ajudado em sua morte. Os policiais foram indiciados por tortura seguido de morte e ocultação de cadáver. A investigação apurou ainda que testemunhas desse crime estavam sendo vítimas de coação e intimidação pela polícia, além de tentativa de suborno.
O major Edson teria desviado R$ 30 mil da UPP para subornar duas testemunhas, mãe e filho, para que confirmassem a versão da polícia de que Amarildo havia sido capturado por traficantes. O policial alugou um apartamento para os dois fora da favela e havia prometido uma mesada de R$ 2 mil, mas as testemunhas voltaram atrás e acabaram confessando o suborno. O inquérito pede a prisão preventiva dos indiciados para evitar ainda mais prejuízos às investigações. O Ministério Público, por sua vez, deve apresentar denúncia contra os policiais até esta sexta-feira.
Assassinato mostra a face da UPP e da PM
O próprio relatório da polícia afirma que a tortura é prática comum na UPP da Rocinha.  O assassinato de Amarildo, cujos detalhes brutais estão sendo revelados agora, evidencia mais uma vez o caráter repressivo das UPP’s. O domínio dos traficantes é trocado pela opressão, o esculacho, a tortura e o assassinato sistemático por parte da polícia contra os moradores pobres dos morros e favelas.
Mostra ainda o papel dessa Polícia Militar, um entulho autoritário dos tempos da ditadura cujo papel se resume a reprimir os movimentos sociais, como vemos agora no Rio, e assassinar a população negra, pobre e marginalizada das periferias. O assassinato de Amarildo de Souza coloca na ordem do dia a exigência do fim da Polícia Militar, por uma única polícia civil, desmilitarizada e controlada pela população para defender seus interesses. 

Caso Amarildo: Campanha de solidariedade à família é lançada pela CSP-Conlutas


A justiça do Rio de Janeiro, orientada pelo governo Cabral, ao se negar a reconhecer a morte presumida do pedreiro Amarildo, força a família a viver em condições precárias.

André Oliveira, do Rio.

Com medo da polícia, a mulher de Amarildo e seus seis filhos foram morar na casa de familiares. Lá são 17 pessoas dividindo uma pequena casa no morro da Rocinha. Segundo matéria publicada no UOL  no dia 26 de agosto, Elisabete e os filhos dormem num quartinho minúsculo, e quando chove todos têm de se abrigar na sala para fugir da chuva e dos ratos que passam por cima do cômodo sem forro.

A alimentação é garantida pelas doações que chegam de fora, pois a família está passando por extrema dificuldade financeira. Em declaração nesta matéria do UOL, Elisabete comenta: "Quando meu marido era vivo, ele ganhava pouco, mas tinha carteira assinada e se esforçava. Um mês dava um chinelo para um filho, outro mês para o outro e assim ia." Por conta repercussão do caso, os filhos e sobrinhos não conseguem trabalho, o que agrava mais ainda a situação.

CSP-Conlutas lança campanha financeira de solidariedade
Frente a isso, a CSP-Conlutas decidiu fazer uma campanha de solidariedade ativa à família e lançou no último dia 25, no Fórum Sindical que está organizando a paralisação nacional do dia 30 de agosto, uma campanha de solidariedade. No mesmo dia já conseguiu apoio financeiro dos sindicatos e movimentos presentes. 

O principal objetivo desta campanha é apresentar a questão para todos os sindicatos, movimentos sociais e obter o máximo de apoio à família. As pessoas e entidades interessadas devem entrar em contato com a CSP-Conlutas do Rio de Janeiro pelo telefone (21) 2509-1856 (falar com Myrian ou Júlio Condaque) ou através do seguinte e-mail: cspconlutas-rj@cspconlutas.org.br.

Vamos seguir exigindo a reparação financeira por parte do estado
Porém, essa campanha não isenta a responsabilidade do estado do Rio de Janeiro e do governo Cabral. Vamos seguir na ruas e nas redes sociais exigindo explicações sobre o desaparecimento do Amarildo e a reparação da família pelos danos causados. 

Portanto, essa campanha é ao mesmo tempo de solidariedade à família do Amarildo e de cobrança ao governador Cabral e ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, por este bárbaro crime cometido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Assista aqui a entrevista da família concedida ao Opinião Socialista

Versos: Somos Todos Amarildo!

"Onde está Amarildo é o grito que não vai ser calado no Rio e no Brasil até que surja a verdade."

Assista emocionante vídeo-poesia de Atnágoras Lopes, operário da construção civil e membro da coordenação nacional da CSP-Conlutas.

Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massas

Por Henrique Canary

Certa vez, Margaret Thatcher, a primeira-ministra mais odiada da história da Inglaterra, afirmou: “Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos.” Diante de nossos olhos, em uma única frase, vemos resumida toda a filosofia neoliberal, reacionária e burguesa que domina o mundo há quase três séculos. Desde que o capitalismo existe, as classes dominantes e seus pensadores tentam nos convencer exatamente desta ideia: a de que os meus interesses como indivíduo são opostos aos interesses da sociedade como um todo. E quando esses interesses entram em conflito, o que deve prevalecer são os interesses individuais, mesmo em detrimento de toda a sociedade. É a filosofia perfeita para justificar a propriedade privada e o lucro individual.

Assim, a necessidade de “manter as vias livres” para que carros particulares possam circular é a justificativa mais importante para a repressão exercida pela PM de São Paulo durante os atos contra o aumento. Não importa se são 12 mil nas ruas por uma causa justa. O que importa é que os indivíduos devem poder passar com seus carros. A luta dos movimentos sociais sempre foi por romper com essa lógica: por organizar os explorados e oprimidos; dar a eles a noção da igualdade de seus interesses; estruturar suas forças; dar estabilidade, continuidade e alcance à sua luta; combater a ideologia liberal-individualista.

Liberalismo burguês: a verdadeira filosofia do anarquismo
O anarquismo é hoje uma força influente nos movimentos contra o aumento das passagens em todo o país. Sua ideia central é a defesa de um movimento “horizontal”, formado apenas por “indivíduos”, sem partidos ou sindicatos, sem qualquer organização, estrutura e estabilidade. Essa ideia parece muito boa, mas é muito ruim. O movimento contra o aumento precisa da classe trabalhadora para vencer, precisa atrair os movimentos sociais organizados, e é justamente aí que a “horizontalidade” e a “individualização” do movimento exibem seus limites.

Gostemos ou não, a dura realidade é que os trabalhadores são explorados, oprimidos e alienados pelo capitalismo. Por isso, quando dispersos em “individualidades”, os trabalhadores podem muito pouco, ou quase nada. Um “indivíduo” trabalhador, sozinho, não conquista um aumento salarial, não enfrenta o patrão, não pára uma fábrica, não ocupa uma rua ou uma praça, não coloca a linha de produção para funcionar. Tudo o que os trabalhadores fazem – seja no trabalho ou na luta econômica e política – o fazem de maneira coletiva e organizada. Só podem fazer assim porque isso é da natureza de sua classe. Somente quando se organizam e se submetem conscientemente à disciplina de um coletivo, quando entrelaçam seus braços em um piquete e resistem coletiva e disciplinadamente à investida dos fura-greve – somente aí é que os trabalhadores começam a adquirir algum “poder”, alguma liberdade.

A “liberdade individual”, tal como defendida pelo liberalismo e pelo anarquismo, pode ser uma boa ideia para as classes médias da sociedade. São elas que lutam pela própria sobrevivência de modo sempre individual, com seus pequenos empreendimentos comerciais e empregos competitivos. Mas para a classe operária, as coisas são diferentes. A força dos trabalhadores está em sua organização, mais do que em seu número ou em suas individualidades.

Por isso, o surgimento de simples sindicatos só foi possível historicamente graças a uma luta prolongada contra a burguesia. Partidos políticos operários, então – pior ainda. Se contabilizarmos a história geral de todo o movimento operário mundial, na maior parte do tempo os partidos operários estiveram na ilegalidade. Em larga escala histórica, a existência de partidos operários legais é uma exceção. O direito dos trabalhadores à organização foi arrancado a ferro e sangue e é uma gigantesca vitória sobre o inimigo de classe. E a burguesia entende isso.

No Brasil, que vive em uma “democracia” há quase trinta anos, as pessoas tem uma tendência a desvalorizar essa enorme conquista. Os partidos estão desgastados e a maioria deles abusou da paciência dos trabalhadores, é verdade. Mas não seria justo aplicar a todos os partidos a mesma medida que a burguesia quer impor aos movimentos sociais como um todo: semi-proibí-los, escondê-los, forçá-los a se manifestar apenas em situações específicas, torná-los insignificantes perante as grandes massas, desmoralizá-los. Ou não é justamente isso que a mídia e os governos tentam fazer com o movimento em geral?

O “apartidarismo”: supressão da liberdade, sob gritos de liberdade
Assim, há nos movimentos contra o aumento uma ideia que é muito difundida: a de que partidos políticos não deveriam levar bandeiras, não deveriam se manifestar em atos e passeatas. A justificativa é sempre a mesma: “a união de todos”. Mas há um problema nessa justificativa. Como “unir” todo mundo se se proíbe alguns de se manifestarem, de expressarem, por meio de uma bandeira, o que pensam do mundo e as causas que apoiam?

Ora, o movimento de massas lutou muito no passado, entre outras coisas por democracia e liberdades políticas. Muito sangue foi derramado e muitos lutadores tombaram para que houvesse hoje no Brasil um mínimo de liberdade pelo menos para fundar um partido político e levantar uma bandeira em praça pública.

Mas alguns setores anarquistas cumprem um papel verdadeiramente vergonhoso. Tentam proibir, inclusive por meio da força física, que os militantes dos partidos políticos exerçam uma liberdade elementar: a liberdade de expressão, de levantar uma bandeira, de dizer “nós apoiamos este movimento”. Não é exatamente por essa mesma liberdade que estamos nas ruas neste exato momento? Não lutamos pelo direito de poder lutar?

Suponhamos que seja proibido aos militantes de partidos políticos levantarem suas bandeiras. Afinal, nem todos os que participam da passeata são, por exemplo, do PSTU. Muito bem. Mas fica a pergunta: e se os militantes LGBT resolverem apoiar a causa e levarem suas belas bandeiras coloridas? Serão proibidos de lavantá-las? Faremos com eles o que os setores mais reacionários da sociedade fazem? Os expulsaremos da manifestação? Afinal, nem todos os que participam da passeata são homossexuais e a causa LGBT não contempla toda a passeata! Vamos agir da mesma forma que agem Marco Feliciano e Silas Malafaia? “Mas o movimento LGBT não é um partido!”, dirão alguns. Muito bem. Mas é uma causa. É uma ideia. É um sonho, da mesma forma que o socialismo. A bandeira vermelha é o símbolo deste sonho.

Ou então: se os militantes do MST levarem suas bandeiras, serão também proibidos de levantá-las? Por acaso o  MST não é também um movimento social tão organizado e legítimo quanto os partidos políticos? Ou o MTST? Ou a bandeira negra da Anarquia? Ou a bandeira lilás da luta das mulheres? Ou do movimento negro? Vamos forçar todos a baixarem suas bandeiras? Não é exatamente a diversidade de bandeira e opiniões que faz um movimento forte? Não são todos os movimentos sociais também e ao mesmo tempo movimentos políticos? Ou se há uma diferença entre esses dois tipos de movimento, quem determina quais os movimentos são puramente “sociais” e quais são “políticos”? Onde está esta fronteira tão bem definida que alguns companheiros dizem enxergar? Quem decidirá quais bandeiras baixar e quais não? Tudo isso não parece um pouco... autoritário? Não seria mais democrático e lógico admitir simplesmente que todos podem e devem levar suas bandeiras e tornar com isso a passeata tão colorida que ninguém ouse dizer que o movimento pertence a essa ou àquela organização?
Lutar contra as bombas... e as ideias do inimigo!
A ideologia “apartidária”, pregada pelos anarquistas (e muitas vezes apoiada por setores sinceros e bem intencionados do movimento) parece muito progressiva, mas é muito reacionária. É a ideologia mais conservadora que existe porque é o liberalismo levado às últimas consequências: só admite indivíduos; ignora o caráter necessariamente coletivo e necessariamente organizado das ações da classe trabalhadora. Com isso, o movimento cai no jogo malandro das classes dominantes e se enfraquece, pois expulsa de antemão da luta o ator mais importante de toda e qualquer transformação social mais profunda: a classe trabalhadora e suas organizações.

Não é à toa que os governos e a imprensa sempre se remetem ao fato de que existem, supostamente, “partido infiltrados” neste e naquele movimento. Querem fazer as pessoas acreditar que só são válidos os movimentos individuais, sem qualquer organização. Querem ver as pessoas dispersas. Se para isso usarão bombas de gás lacrimogêneo ou ideias – tanto faz. Enquanto isso, eles mesmos (os governantes e a imprensa) têm seus próprios partidos, os financiam e os protegem. Que nobres! Que sacrifício fazem! Se “sujam” com a política para que as pessoas não tenham que se sujar! Ao quererem proibir a participação de partidos nas mobilizações de massas, os anarquistas só jogam água neste moinho burguês; combatem as bombas do inimigo, mas inalam e se contaminam de suas ideias.

Além disso (e para piorar), é por terem essa visão individualista ao extremo, que os setores anarquistas são, em geral, os primeiros a romper a disciplina do coletivo. Caem nas provocações da polícia e decidem por sua própria conta realizar ações que só prejudicam a luta e desmoralizam a todos, como danificar estações de metrô, se enfrentar com trabalhadores do comércio e do transporte e um longo etc. Para os anarquistas, portanto – liberdade individual irrestrita!; para os militantes dos partidos – baixem as bandeiras! Como Luis XIV, o rei da França que dizia ser ele próprio a encarnação do Estado (“O Estado sou eu”, dizia), os anarquistas agem segundo um princípio parecido, o mesmo de Margaret Thatcher, o mesmo do liberalismo: o de que só existe o indivíduo e (vejam que sorte!) o indivíduo... sou eu!

Fernando Soares, jornalista militante sofre agressão homofóbica

Foto: GT Rede das Impactadas.
Na noite de 18 de maio estava acontecendo um fraternal encontro pelo aniversário de um do amigo do jornalista. O local foi na Sinuca do Bico, no centro da cidade, entre a Rua Riachuelo e a Rua do Resende.

Segundo testemunhas, foram em torno de 5 homens os agressores, eles já vinham provocando o grupo do jornalista falando entre outras agressões homofóbicas como que entre eles só tinha “viado”. No momento em que Fernando estava no banheiro foi espancado sofrendo uma concussão cerebral e fratura da mandíbula. Hoje espera por uma cirurgia, por conta de um coágulo formado em decorrência da agressão.

Condenamos este tipo grupos homofóbicos, racistas e até nazistas que vem realizando a agressões recentes. Contra Fernando essa violência é mais grave ainda por que ele mesmo é militante contra a criminalização das lutas de milhares de moradores que enfrentam a política de despejo de Paes e Cabral.

Por Setorial de Movimentos Populares da CSP-Conlutas RJ

CSP-CONLUTAS CONVOCA ATO DE 1º DE MAIO ORGANIZADO PELOS MOVIMENTOS SOCIAIS, NESTA 4a ÀS 10 H, NA TIJUCA.

Participe do Primeiro de Maio de Luta de 2013 - Contra a privatização da cidade, dos bens e dos serviços públicos. 

Organizado por movimentos sociais, organizações, diretórios estudantis, sindicatos e associações de luta do Rio de Janeiro, o Primeiro de Maio este ano terá sua concentração na Praça Afonso Pena, na Tijuca, de onde faremos uma caminhada até o Complexo do Maracanã, um dos maiores símbolos da cidade, que está sendo vendido a preço de banana em um processo arbitrário e cheio de irregularidades. A ideia é transformar um espaço público que serve à população em mais um shopping center que garantirá grandes lucros a um empresário.

Mas não é só o Maraca: em nome da Copa e das Olimpíadas, o governo do estado e a prefeitura do Rio estão vendendo a nossa cidade. Saúde, Educação, Moradia, Cultura, Meio Ambiente, Transporte e outros direitos estão sendo reduzidos a negócios lucrativos. O Aterro do Flamengo, outro símbolo, corre o risco de parar nas mãos de Eike Batista, assim como o Maracanã. As OSs dominam cada vez mais a saúde e a educação. Não há concursos públicos para admissão de mais médicos e professores, que sofrem com baixos salários e péssimas condições de trabalho. Quem precisa destes e de outros serviços enfrenta filas constantes e infra-estrutura precária. É assim nos transportes, onde empresas e máfias controlam o sistema e cobram preços abusivos. Enquanto isso, teatros municipais vão fechando as portas.

Em todo o país não é muito diferente. Vivemos hoje uma onde de privatizações e de apoio irrestrito às ações de empreiteiras e outras grandes empresas. No norte do estado do Rio, trabalhadores são expulsos de suas casas e sofrem com os impactos socioambientais do Porto do Açu. O governo federal lamentavelmente comanda a venda de portos, aeroportos e de setores estratégicos das telecomunicações. A recém criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) quer transformar os Hospitais Universitários em espaços de lucro, mas para nós Saúde e Educação não são mercadoria. E, pra piorar, o governo está leiloando o petróleo do país, uma das nossas maiores fontes de riqueza, que poderia gerar investimentos em serviços públicos de qualidade. Não dá pra aceitar! O Petróleo tem que ser nosso!

Trabalhadores, vamos mostrar a cidade e o país que queremos: políticas efetivamente públicas e direitos iguais para todos!

PRIMEIRO DE MAIO DE LUTA - CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA CIDADE, DOS BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS

QUANDO: DIA PRIMEIRO DE MAIO, 10H
ONDE: PRAÇA AFONSO PENA, TIJUCA


Veja a programação dos atos de luta pelo Brasil neste 1º de maio aqui

Funcionalismo de Volta Redonda aprova continuidade da greve


Elton Correa e Juliette Guarino, direto de Volta Redonda

Votação massiva aprova continuidade da greve

No final da tarde de hoje, 25 de março, o funcionalismo público de volta redonda, juntamente com os trabalhadores da educação municipal aprovaram a continuidade da greve que vai entrar para seu 28º dia.


Durante a tarde, o prefeito reuniu-se com parlamentares do estado do Rio de janeiro e recebeu uma comissão dos trabalhadores em greve. O objetivo foi encontrar uma saída para o impasse.

A assembleia unificada do funcionalismo aprovou medidas emergenciais para abrir novamente as negociações. Exige-se de imediato que o prefeito Antonio Francisco Neto (PMDB) incorpore os R$ 200,00 pagos de abono no salário dos trabalhadores. Em seguida, conceda aumento de 10% nos salários.

Essas medidas emergenciais não anularia a luta pela implantação do plano de Cargo, Carreira e Salários (PCCS) que atualmente encontra-se na justiça.

Caso o prefeito conceda essas reivindicações, os trabalhadores voltariam a reunir em assembleia para decidir o futuro do movimento, marcado para amanha (26/03), podendo suspender temporariamente a paralisação. No entanto, existe um consenso no comando unificado de que os trabalhadores devem ficar em “estado de greve” até a execução do PCCS, marcado para o mês de julho deste ano.

Após a assembleia que avaliou o encontro, aprovou-se uma passeata pelo bairro comercial do Aterrado. Estudantes se juntaram ao movimento dando apoio e gritando palavras de ordem. Uma grande marcha animada, como há tempos na se via na “cidade do aço”, percorreu várias ruas ganhando o apoio e a simpatia da população.

Oradores se revezavam no carro de som, com destaque para os companheiros da CSP-Conlutas e do PSTU que faziam uma ponte entre as reivindicações mais sentidas do funcionalismo e a necessidade de engrossar a marcha nacional à Brasília no dia 24 de abril contra a política econômica do governo Dilma e o Acordo Coletivo Especial-ACE.

Servidores em greve seguem acampados em frente a prefeitura

Juventude do PSTU-RJ: Aldeia Maracanã Despejada: Sergio Cabral mostra sua truculência em nome dos grandes empreiteiros!


Nota da Juventude do PSTU-RJ


• Como a maioria de vocês já deve estar sabendo, a Aldeia Maracanã foi invadida hoje. A PM do Rio de Janeiro, a mando de Sergio Cabral e Eduardo Paes (e com a conivência de Dilma) retirou de dentro da Aldeia os índios, os apoiadores, os jornalistas. Para realizar tal empenho a mesma usou de uma violência desproporcional: muitos policiais, armados até os dentes, utilizando sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, além dos helicópteros, caveirão e mais.
Toda essa violência é utilizada para defender interesses que talvez não sejam conhecidos por todos. Talvez nem todos saibam, mas o interesse por trás da derrubada da Aldeia Maracanã é político e também monetário. O interesse monetário é mais fácil de perceber: derrubar a Aldeia e se apropriar de um terreno que está avaliado em 60 milhões. Essa desocupação é coerente com o resto da privatização do Maracanã, que engloba também destruir a escola municipal Friedenreich e o parque aquático Julio Delamare. O interesse político está em derrotar a mobilização, dizimar a confiança na luta daqueles que resistem firmemente e desmoralizar os ativistas. Mostrar a todos que sonhar não vale a pena.
É necessário também dizer os motivos de Cabral para fazer isso. Cabral age dessa forma violenta para defender os interesses de uma parte bem pequena da população: os empresários. As montadoras de Eike Batista (IMX), Norberto Odebrecht Junior (Odebrecht SA) e Sergio Lins Andrade (Andrade Gutierrez SA) estão todas ganhando rios de dinheiro com a privatização do Maracanã e a destruição e reconstrução do seu entorno. Estamos falando de cifras grandes: Eike recebeu 2,4 milhões do Governo do Estado; a Odebrecht recebeu 3 milhões de recursos públicos (sobretudo pelo BNDES) e a Andrade Gutierrez SA ganhou 7 bilhões (também BNDES). E é claro, estas mesmas ajudaram Sergio Cabral e Paes a se elegerem, contribuindo com cifras também gordas.
Os movimentos sociais têm uma necessidade: juntar suas forças e apresentar uma política única. Precisamos nos fortalecer coletivamente para, derrotarmos Cabral e seus aliados. Para tanto, teremos uma reunião de continuidade da Resistência às 10 horas amanhã no SEPE.
É MUITO importante a presença de todos lá. Queremos que cada entidade estudantil, cada sindicato, cada movimento de luta contra as opressões, cada movimento popular, cada grupo ou coletivo jovem e cada partido político que estão na luta em defesa da Aldeia Maracanã venham se somar. Não podemos seguir tocando as lutas de maneira fragmentada: a chave para a vitória é a nossa unidade.
Nós aprendemos com a nossa história: aprendemos com a desocupação das comunidades, aprendemos com a prisão do Emicida em defesa da Ocupação Eliana Silva, e, sobretudo, aprendemos com o massacre do Pinheirinho. E continuamos dizendo: quem luta não tá sozinho. E não podemos estar cada um na nossa ilha, ou cada um na sua aldeia.
Reunião de Resistência da Aldeia Maracanã – Amanhã (23/03) às 10 horas no SEPE-RJ
SEPE-RJ : Rua Evaristo da Veiga, 55 - 8º andar - Centro - Rio de Janeiro/RJ

Juventude do PSTU RJ

Batalhão de Choque desocupa Aldeia do Maracanã


Ação da PM foi marcada pela violência e truculência contra índios e ativistas de movimentos sociais que estavam no local

Da Redação: www.pstu.org.br

Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiram, na manhã desta sexta-feira, 22 de março, a Aldeia Maracanã. A operação que contou com cerca de 200 policiais, carros blindados e diversas viaturas da PM desocupou o antigo Museu do Índio, retirando a força e de forma truculenta centenas de índios e ativistas dos movimentos sociais que estavam no local. Durante a remoção, sete pessoas foram detidas e dezenas ficaram feridas em decorrência da repressão policial.

O mandado de desocupação expedido pela Justiça Federal venceu no último dia 20 e o despejo dos indígenas estava autorizado desde ontem, quando o governador Sérgio Cabral deu um ultimato, reafirmando o pedido pela imediata desocupação do terreno.

Ainda na madrugada, a polícia cercou o prédio e impediu a entrada de novos ativistas na aldeia. A atuação truculenta do batalhão do Choque começou desde então. Qualquer aproximação do prédio era respondida com spray de pimenta e tiros de bala de borracha. Os ativistas que se concentravam próximo a aldeia em solidariedade aos indígenas eram removidos brutalmente e bombas de efeito moral também foram lançadas contra os manifestantes. Por volta do meio dia, quando os indígenas faziam um canto de despedida, a polícia invadiu e retirou os indígenas que ocupavam o prédio desde 2006. Durante a invasão, ativistas fecharam uma pista da Radial Oeste, mas foram dispersos pela bomba de efeito moral lançada pela polícia.

Em resposta à desocupação e a truculência da polícia, movimentos sociais e partidos políticos convocam uma reunião para organizar a luta em defesa dos índios neste sábado, 23 de março, às 10h, no SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação).

De Cabral a Cabral...
A desocupação da Aldeia do Maracanã é mais uma das políticas de remoção para atender às demandas das empreiteiras nas grandes obras para a Copa do Mundo. Em outubro de 2012, o governador Sérgio Cabral anunciou mudanças no entorno do Maracanã para que o estádio pudesse receber a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. De acordo com o projeto, o Maracanã passará a pertencer à iniciativa privada, com leilão agendado para abril deste ano, que deverá montar uma estrutura para receber os megaeventos, como a construção de um estacionamento e um shopping.

Para garantir aos empresários os quase três bilhões de lucros com a privatização do Maracanã, o governador quer destruir o prédio histórico de relevante importância para preservação da cultura indígena, a aldeia Maracanã, uma escola pública considerada modelo e um complexo esportivo, utilizado por atletas e pela comunidade do bairro.

Em nome das empreiteiras, Cabral, com o apoio de Dilma, expulsou dezenas de indígenas que, bravamente, resistem pela manutenção da sua cultura, e pretende destruir o prédio histórico, do século 19, que já abrigou o Serviço de Proteção ao Índio, sediou o Museu do Índio e, hoje, era considerado um foco de resistência da cultura indígena em pleno centro do Rio de Janeiro.
 

PSTU PROTESTA CONTRA ATENTADO NA OAB-RJ.

 

No dia 7 de março a OAB RJ foi vítima de um atentado. Uma bomba explodiu nas escadarias da Instituição em uma clara tentativa de intimidar a Comissão da Verdade.


A cidade do Rio de Janeiro foi surpreendida na tarde do dia 7 de março com um covarde atentado a bomba cometida na sede da OAB da cidade. A bomba explodiu entre o oitava e o nono andar e o prédio teve de ser evacuado. Os bombeiros e o esquadrão antibombas encontraram outros dois artefatos explosivos na sede. Denúncia anônima realizada ao Corpo de Bombeiros, por alguém que se identificava como “militar da reserva”, dava conta que o atentado tinha um motivo: a instalação da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro.

O PSTU vem a público denunciar e condenar de forma veemente esse atentado perpetrado por setores que não querem que venham à tona a verdade sobre toda a tortura e repressão praticadas pela última ditadura militar contra aqueles que lutavam por democracia e contra o saque do imperialismo no país. Foram milhares de operários, estudantes e trabalhadores rurais que sofreram todo tipo de abuso, prisões, estupros, demissões, espancamentos, mortes e desaparecimentos.

A ditadura militar governou o país durante 20 anos e se utilizou do Estado para produzir uma guerra suja. Mas não foi só o Estado que colaborou para as torturas e assassinatos, dezenas de empresas financiaram este absurdo, inclusive multinacionais e vários órgãos de imprensa, além de fazendeiros que doaram recursos para a repressão. Tanto os torturadores quanto os que os financiaram permanecem impunes.

Exigimos da presidente Dilma, também torturada neste período, que não coloque mais sinal de igual entre aqueles que torturaram e assassinaram em nome de uma ditadura e aqueles que deram sua vida na luta contra ela. Esse atentado na sede da OAB-RJ só vem confirmar o que o PSTU afirma: a impunidade faz com que os torturadores sigam organizados e, mais ainda, confiantes de que estão livres, apesar de todas as barbaridades que cometeram. Por isso Dilma e o PT têm uma enorme responsabilidade, pois são coniventes com esse acordo espúrio.

O PSTU, que foi construído por muitos militantes e grupos que lutaram contra a ditadura, como a Convergência Socialista, exige de Dilma a apuração e a prisão dos envolvidos nesse atentado no Rio de Janeiro. Sabemos que a Comissão da Verdade que está sendo instalada sofrerá todas as pressões para não ir até o final, mas vamos pressioná-la para que nenhum caso de tortura fique sem esclarecimento e que sejam, enfim, punidos.

Apesar do atentado, os torturadores e os defensores do regime militar não estão tão fortes assim, muito pelo contrário, sabem que no país inteiro cresce o sentimento por Justiça. Não aceitaremos que nossos irmãos e companheiros que sofreram na luta contra a ditadura militar brasileira sejam desrespeitados por acordos cuja finalidade é a de proteger empresas e militares golpistas. Em outros países, não só os chefes militares que mandaram reprimir e torturar o povo foram para a cadeia, mas também os seus executores. No Norte da África, milhões de trabalhadores estão saindo às ruas por democracia e derrubam antigos ditadores. Aqui não pode ser diferente.

A nossa dor, a nossa tristeza e o nosso sangue não são diferentes dos nossos irmãos argentinos, colombianos, uruguaios ou árabe. Fazemos um chamado para que todos aqueles que concordem com esta posição a cerrarem fileiras com o PSTU para que, juntos, exijamos a prisão, o confisco dos bens e punição exemplar para todos os torturadores, golpistas, assim como os seus financiadores. Por uma Comissão da Verdade que investigue e que vá até o final para punir os que tanto mal fizeram ao nosso país. Basta de bombas, intimidações e ditadores. Tortura nunca mais!


Os defensores do regime militar não querem passar a história do Brasil a limpo.

O PSTU exige de Dilma a prisão de todos os torturadores e militares envolvidos em crimes da ditadura.



Ameaça neonazista no Rio de Janeiro


Da redação local

Ameaça aos militantes "vermelhos"
 remete a jargões da época do nazismo
 Na semana do 8 de março, dia internacional de luta da mulher trabalhadora, o bairro da Lapa foi coberto por cartazes de uma organização neonazista denominada Combat 18 – Divisão RJ. O “18” é derivado das iniciais de Adolf Hitler. O “A” e o “H” são a primeira e oitava letras do alfabeto latino.
Em uma clara tentativa de intimidar e provocar os movimentos sociais, muitos dos cartazes foram afixados nas colunas do prédio onde está situado o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um dos cartazes afirma: “Comunistas e subversivos, o Combat 18 está de olho em vocês.(...) Ninguém será poupado!!!(...) Estejam preparados pois a única alternativa para vocês é a MORTE!!! (...) Lixo vermelho a sua hora chegou”.
Original da Inglaterra, o Combat 18 tem seções em alguns países do mundo, entre eles o Brasil. É o braço armado do National Front, partido inglês de extrema direita nacionalista, fundado na década de 70. Nas eleições de 1979 recebeu mais de 190 mil votos. Em 2010 apresentou 17 candidaturas nas eleições gerais e 18 nas locais, não obtendo uma única representação. Possui ligações com os famosos torcedores hooligans e uma rede de bandas que promovem músicas neonazistas, o Blood&Honour (sangue e honra).
Na cidade do Rio de Janeiro, o Combat 18 tem aproximadamente cinco ou seis membros e não possui absolutamente qualquer lastro social. É um grupo de classe média que esconde seus rostos e são covardes contra aqueles que julgam inferiores. O blog da Divisão RJexibe os textos “Códigos da Raça Ariana”; os “25 pontos do Partido Nacional-Socialista Alemão (1920)”; imagens de espancamentos de moradores de rua negros; cartazes de agitação; além de inúmeras “teorias” raciais e antissemitas.
Diante de tais ameaças, o PSTU define que:
Aqui as ameaças fascistas
são contra mulheres e LGBT's
Em primeiro lugar: não toleraremos qualquer tipo de provocação, ameaça ou intimidação aos nossos e aos demais militantes de esquerda, movimentos sociais, ou de qualquer organização democrática.
Segundo: procuraremos demais partidos operários, partidos e entidades democráticas em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONGs, quilombos, organizações LGBTs, movimentos sociais e parlamentares para fazer uma ampla campanha antineonazista.
Terceiro: Iremos também prestar queixa na polícia. Por mais que o Combat 18 não tenha expressão social, o PSTU entende que devemos nos precaver de qualquer inciativa desse grupo. 
Por último, o Combat 18 não conhece as tradições do movimento operário. Somos sobreviventes da Guerra Civil Espanhola e dos campos de concentração nazistas na II Guerra Mundial; vencemos as ditaduras na América Latina nas décadas de 60, 70 e 80; resistimos aos torturadores do regime militar. Sob a bandeira da Liga Operária e da Convergência Socialista lutamos contra a ditadurano Brasil. Em nome daqueles que lutaram e deram a vida combatendo os fascistas, não toleraremos qualquer tipo de ameaça à nossa organização.
Nos reconhecemos em cada militante que luta contra os planos de austeridade na Europa, ou contra as ditaduras no Norte da África e Oriente Médio. Somos homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades, de todas as orientações sexuais e livres de todos os tipos de preconceitos. Nós somos grandes e não admitiremos que toquem em um só de nossos militantes.



Juventude do PSTU esteve no Acampamento Internacional de Observadores aos Guarani-Kaiowá

Militância presenciou a situação dramática da etnia Guarani-Kaiowá


VANESSA MONTEIRO CUNHA, DE SÃO PAULO 


Comunidades indígenas estão cada vez mais encurraladas pela expansão do agronegócio
• O ano de 2012 passa a compor a história dos Guarani-Kaiowá nos marcos de um grande drama. Confinados em terras cada vez menores, sob a mira dos pistoleiros e a omissão do governo federal, encontram-se em luta não só pelas condições necessárias para a manutenção de sua cultura, mas para a sobrevivência de cada um de seus membros. A carta dos indígenas da comunidade de Pyelito Kue - datada de outubro de 2012 – na qual declararam que iriam resistir até o fim à ação de despejo, comoveu grande parcela da sociedade e ganhou repercussão nacional e internacional.


Com o intuito de dar visibilidade à luta dos Guarani-Kaiowá por suas terras originárias, denunciar o etnocídio declarado e expandir a rede de solidariedade, foi realizado, nos dias 22 de dezembro de 2012 a 5 de janeiro de 2013, o Primeiro Acampamento Internacional de Observadores aos Guarani-Kaiowá, na aldeia Takwara, município de Juti/MS. O acampamento, composto por aproximadamente 30 pessoas, contou com a participação de diversas organizações e movimentos sociais, tais como Luta Popular, CSP-Conlutas, ANEL, Tribunal Popular da Terra, Associação de Geógrafos do Brasil (AGB), PSTU, PSOL, entre outros. A presença de um observador da Catalunha gerou repercussão e sensibilizou uma parcela da juventude catalã que realizou, no último dia 18, um ato em solidariedade aos Guarani-Kaiowá em frente à embaixada brasileira. Além disso, notícias acerca do acampamento foram publicadas em cinco jornais europeus durante a sua realização.



Nós, da juventude do PSTU, estivemos presentes e podemos avaliar, dado a experiência ombro a ombro com os Guarani-Kaiowá que, desde a repercussão gerada em outubro do ano passado até hoje, nada mudou.



Ao latifúndio tudo, aos povos indígenas nada
A etnia Guarani-Kaiowá sofre, há mais de meio século, com a expropriação sistemática de suas terras originárias. Em 1988, com o advento da Constituição, formalizou-se a obrigatoriedade do Estado na demarcação e homologação das terras devolutas aos povos indígenas, que as têm como direito inalienável. No entanto, esta não é só uma tarefa descumprida. O que existe, nos últimos anos, é o processo contrário. 



Por um lado, governantes buscam aplicar emendas constitucionais que colocam em cheque este direito, como a PEC 215, que propõe que a demarcação e homologação das terras indígenas e quilombolas sejam realizadas diretamente pelo Congresso Nacional e não pelo poder executivo. Por outro, fazendeiros fazem ocupações ilegais e contam com a omissão da justiça federal. Atualmente, dos 9700 hectares reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) à comunidade Guarani-Kaiowá da aldeia Takwara, apenas 90 são ocupados, todo o restante foi tomado para o plantio de soja e cana. Ao longo do acampamento, os indígenas deixaram bastante clara a centralidade da terra para sua sobrevivência: sem terra não há educação, saúde, moradia e sua própria história.



O cotidiano de guerra dos Guarani - Kaiowá
À medida que aumenta a resistência dos povos indígenas na luta pelas suas terras tradicionais, aumenta também a violência por parte dos fazendeiros, jagunços e do próprio Estado. Nos últimos nove anos, foram registrados 273 assassinatos a lideranças Guarani-Kaiowá. Dentre os quais se encontra o assassinato de Marcos Veron, em 2003, que ocorreu em meio à tortura, perseguição e estupro de indígenas, como represália à luta que se conformava com maior força desde 2001. Desta forma, assassinatos, ameaças e o altíssimo grau de suicídio, em particular entre a juventude, configuram o cenário constante de medo. Durante uma das expedições que realizamos nas terras da takwara, nos deparamos com um jagunço a cavalo, de espingarda nas costas, que foi coibido pela nossa presença. Esta situação expressa – ainda que muito pouco – a violência cotidiana. 



Esta não é, contudo, a única forma sob a qual se manifesta a violência nas aldeias. O confinamento se agrava com o fato de que as poucas terras ocupadas pelos indígenas possuírem uma parcela significativa improdutiva ao plantio, o que se combina com o extermínio da biodiversidade por conta do agronegócio. Em uma reunião, apenas com as mulheres da aldeia, as indígenas nos relataram com bastante dor como a ocupação das terras tem interferido no cotidiano da comunidade. As águas estão contaminadas, a caça e o plantio são precários, a fome é generalizada. Há relatos de crianças com tuberculose, ainda em fase de amamentação, obrigadas a se alimentar apenas com mandioca e água, devido à escassez. 



Também tem sido cada vez mais recorrente uma série de doenças – tais como intoxicação, tuberculose e câncer – perante as quais pouco ou quase nada podem fazer. Os remédios extraídos da mata, cultivados por conhecimento secular, já não se encontram como antes. O povo Guarani – Kaiowá sofre com a fome, com a moradia absolutamente precária (barracões de madeira ou apenas lona), bem como com a falta de recursos para garantir a educação às crianças. A única escola existente na aldeia Takwara nunca foi inaugurada, a infraestrutura é frágil a ponto de, nas tempestades, os telhados voarem. Não há manutenção e a maioria dos materiais necessários aos alunos é paga pelos próprios professores da aldeia, que recebem um salário de aproximadamente R$600,00. 



Governo Dilma e órgãos representativos na outra margem... 
Toda essa miséria não corresponde, no entanto, ao relato da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão governamental responsável pela questão indígena. Segundo a FUNAI, cestas básicas seriam enviadas quinzenalmente; as casas seriam de alvenaria; a educação de qualidade e a saúde acompanhada por agentes da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), com médicos que visitam as aldeias duas vezes por semana. Atualmente, a FUNAI cumpre um desserviço aos povos indígenas ao, por um lado, mascarar a situação real das comunidades e, por outro, ainda quando faz algum tipo de exigência ao governo, se mantém descolada das lutas pela retomada de terras. Estas foram as principais denúncias feitas pelas próprias lideranças. 



Neste momento, está sendo analisado um projeto na Câmara, em conjunto com a FUNAI, que prevê acordo entre índios e agronegócio. Esta medida abre margem para o agenciamento de indígenas ao trabalho semiescravo nas lavouras, exploração historicamente utilizada em nosso país. Diferentemente do que coloca Nelson Padovani (PSC-PR), autor do projeto, não é possível conciliar os interesses do agronegócio e dos povos indígenas.



O governo Dilma tem também sua parcela de culpa no drama social dos Guarani-Kaiowá, que se aproxima da barbárie. Durante o governo Dilma, cresceram a violência por parte do Estado aos indígenas e se reduziu o orçamento para a regularização fundiária destes territórios. As ordens de despejo vêm diretamente da Justiça Federal, as homologações também. Portanto, é diretamente responsabilidade de Dilma o aprofundamento do quadro lamentável de violência e criminalização do povo Guarani – Kaiowá. De acordo com Araldo Veron, cacique e professor da aldeia, somente a resistência garantirá as terras.



"Eu estou completamente desacreditado neles [governo PT], porque não adianta falar ‘Dilma, eu quero que você demarque nossa terra! Dilma, eu quero que você homologue nossa terra!’ (...) Não adianta, ela é só uma figura, não vai fazer nada. Se nós, índios kaiowá e guarani, não fizermos a retomada mesmo, do nosso jeito e da nossa vontade, ela não vai fazer nada. Nós vamos partir pra luta e não vamos desanimar. O que quero dizer a ela é que, querendo ou não, vamos fazer a retomada de nossas terras, nem que para isso seja derramado mais sangue de lideranças.”



Resistência e luta Guarani – Kaiowá 
Mal viramos as costas à terra vermelha da Takwara, seguiram-se os ataques. Dia 6 de janeiro, os arredores da aldeia foram incendiados, sob a suspeita de ação criminosa. No dia 26 de janeiro, os indígenas perderam cerca de 20 hectares devido a um novo incêndio na aldeia, amedrontando toda a população. Dia 27, o cacique Ademir Salina, liderança da aldeia Remanso, no município de Japorã/MS, sofreu ameaça de morte. 



Assim, a resistência aos ataques de seus inimigos e a luta pela retomada de suas terras sagradas, onde viveram seus antepassados, seguirão bravamente. Seguirão resistindo e lutando enquanto o governo mantiver sua política de privilégio ao agronegócio e aos latifundiários, ignorando as reivindicações históricas do movimento indígena. Esta é a única forma de retomarem, junto com a tekoha (terra), a perspectiva de uma vida digna às próximas gerações, onde possam seguir produzindo e reproduzindo sua cultura.