PSTU na TV: os governos não ouviram as vozes das ruas

Programa semestral de 5 minutos vai ao ar na próxima terça-feira, 3 de dezembro, em rede nacional de televisão

Raíza Rocha, da Redação



Nesta terça-feira (3), às 20:30, horário de Brasília, a televisão brasileira terá uma programação diferente. Uma opinião socialista invadirá a telinha para falar com os trabalhadores brasileiros sobre a atual situação do país após as grandes mobilizações de junho. O que mudou no país? Os governos ouviram as ruas? Se conseguimos reduzir as tarifas, é possível conquistar mais? O programa semestral do PSTU dedicará os seus 5 minutos em rede nacional para falar das maiores mobilizações que sacudiram o país nos últimos vinte anos e que colocou na defensiva os governos municipais, estaduais e federal.

Durante todo o programa, o PSTU vai demonstrar que a situação que indignou milhares no Brasil continua a mesma.  O país continua um dos mais desiguais do mundo, os serviços públicos permanecem à míngua e os governos continuam entregando as riquezas do país para o capital privado e estrangeiro, a exemplo do leilão da Bacia de Libra. A palavra de ordem mais ouvida das ruas "Tem dinheiro para a Copa mas não tem pra saúde e educação"  parece não ter chegado aos ouvidos dos governos que mantém os gastos exorbitantes com os megaeventos enquanto os trabalhadores morrem nas filas dos hospitais e os nosso professores continuam desvalorizados.

A resposta dos governos às reivindicações foi repressão e criminalização dos lutadores. Na tentativa de retomar o controle das ruas, perdido desde junho, ativistas são indiciados, presos e perseguidos, inclusive, nos moldes da recente ditadura militar que viveu o país. No programa semestral, o PSTU trará um relato de um dos seus militantes que teve a casa invadida pela polícia militar por estar a frente das mobilizações pelo passe livre em Porto Alegre. Matheus Gomes responde hoje a processo por "formação de quadrilha" pelo simples fato de lutar. Em cadeia nacional, o PSTU exigirá dos governos o fim das prisões políticas e da perseguição aos que lutam.

O partido vai dizer que os governos não mudaram, mas o país não é mais o mesmo. Os trabalhadores e a juventude reconheceram a sua força ao derrubar as tarifas do transporte público e ao colocarem os governos contra a parede. "Os governos não mudaram? Então, em 2014, vamos voltar às ruas", promete Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU, em programa que será veiculado na próxima terça.

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Coordenação Nacional da CSP-Conlutas aprova chamado a uma plenária unificada em 2014

Plenária teria como objetivo armar e organizar os trabalhadores para as mobilizações do ano que vem
Da redação*



Entre os dias 22 e 24 de novembro, entidades sindicais, populares e estudantis de várias partes do país se reuniram em São Paulo para a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas. Entre as principais resoluções aprovadas pela coordenação está o chamado à realização de uma plenária conjunta para 2014, a fim de armar os trabalhadores para as mobilizações do próximo ano.

O chamado será dirigido aos setores que desenvolveram diversas atividades comuns com a CSP-Conlutas este ano, no âmbito do “Espaço Unidade de Ação”.  São setores como a "CUT Pode Mais", Feraesp (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado), Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins ) e o setor majoritário da Condsef (Confederação Nacional dos Servidores Públicos Federais).

Dentre as tarefas colocadas a essa articulação estaria uma forte intervenção na Cúpula dos Bric's (Brasil Rússia , Índia, e Chiva) e do Bird (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que ocorre em Fortaleza no final de março. Além das entidades que compõem já o "Espaço Unidade de Ação", essas iniciativas seriam levadas a outras organizações que já estão se mobilizando para a cúpula, como o Jubileu Sul e o Comitê Nacional do Atingidos pela Copa.

A resolução aprovada pela coordenação destaca "a importância dessas movimentações pelos elementos que sinalizam seu potencial, podendo essa ação vir a ganhar peso e visibilidade na luta contra o modelo econômico aplicado em nosso país, nas manifestações e nas mobilizações que deverão ocorrer durante o ano de 2014, em particular no período da Copa do Mundo". O ano que vem "será de muita luta social e não apenas um ano de eleições", avalia Carlos Sebastião, o Cacau, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. "Temos que unificar essas lutas, por um programa alternativo para transformações mais profundas", defende.

Novo ano, Novos desafios
A reunião da coordenação fez uma avaliação da conjuntura nacional e internacional, marcado por um lado pelo agravamento da crise e dos ataques e, por outro, de um amplo conjunto de ações de resistência dos trabalhadores. Desde antes de junho, a central, junto com outras entidades, protagonizara mobilizações importantes, como a marcha a Brasília em agosto que reuniu  algo como 25 mil pessoas contra a política econômica do governo Dilma e o projeto de flexibilização das leis trabalhistas que propunha o ACE (Acordo Coletivo Especial), elaborado pela CUT e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Após as jornadas de junho que tomaram conta do país, a CSP-Conlutas empreendeu uma política de inserir a classe trabalhadora, de forma organizada, nessas mobilizações. Para isso,  encabeçou ações como o dia de greve geral em 11 de julho e o dia nacional de paralisações no 30 de agosto. Infelizmente, por conta da política das direções das centrais como CUT e Força Sindical, temerosas de se enfrentarem com o governo, tais iniciativas não tiveram continuidade. No entanto, 2014 promete reviver um importante ascenso das lutas, e novos desafios estarão colocados.

"A CSP-Conlutas estará chamada a cumprir um papel superior numa nova conjuntura de lutas que, acreditamos, poderá ganhar novo impulso em meados do primeiro semestre, podendo se repetir, antes e durante a Copa do Mundo, as manifestações que vivemos em 2013", avalia a resolução aprovada pelos dirigentes da central.

Contra a criminalização
Outra importante resolução da reunião da coordenação nacional foi uma ampla campanha contra todo o processo de repressão e criminalização dos movimentos sociais que se recrudesce no último período. Em várias partes do país, ativistas estão sendo presos e processados por lutarem, chegando ao absurdo caso de, em São Paulo, um delegado desencavar a Lei de Segurança Nacional para prender um casal de manifestantes. 

*Com informações da CSP-Conlutas

Atividades marcam Dia da Consciência Negra no RJ

"A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor, Candeia
O tempo que o Samba viver
O sonho não vai se acabar
E ninguém vai esquecer, Candeia"


(O sonho não acabou,  Luis Carlos da Vila)


No 20 de novembro, o Quilombo Raça e Classe e o Luta Popular, entidades filiadas à CSP-Conlutas, participaram e ajudaram a construir diversas atividades em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Dia começou na Amendoeira, em São Gonçalo

comunidade debate na Amendoeira
A primeira atividade ocorreu logo cedo no bairro de Amendoeira, na cidade de São Gonçalo. Representantes do Quilombo Raça e Classe, do movimento o Luta Popular e da CSP-Conlutas realizaram uma conversa com a comunidade local. O objetivo da atividade foi iniciar a reconstrução da associação de moradores do bairro que vem tocando algumas lutas específicas.
Após o debate os participantes fizeram uma confraternização comendo um delicioso angu e regada a uma cervejinha gelada, para refrescar o intenso calor.

Samba de resistência nos subúrbios cariocas
Já do outro lado da Baía de Guanabara também foi dia de combater a farsa da democracia racial rolou debate e atividades culturais. Na comunidade do Jacarezinho e no tradicional subúrbio carioca de Osvaldo Cruz rolaram debates e atividades culturais.
A negrada, com raça e classe, trocou inúmeras idéias sobre a questão racial no Brasil e no mundo, em especial sobre a violência contra a juventude negra e a preservação da cultura afro.
No Buraco do Galo o dia contou com muito samba de raiz, mostrando toda a resistência da tradição cultural dos negros brasileiros. Tudo isso acompanhado de uma bela feijoada e uma cerveja gelada.

tradicional roda de samba no Buraco do Galo

Neste dia 21/11 tem Marcha da Periferia nas ruas do Rio
Já nesta quinta-feira, 21/11, ocorrerá nas ruas do centro da cidade a Marcha da Periferia. Uma passeata seguirá da Candelária até o busto de Zumbi, lembrando os guerreiros e guerreiras De palmares. A concentração está marcada às 17 horas.

Agenda da Marcha da Periferia com Raça, Classe e Gênero no Rio de Janeiro

19 de Novembro
NOVA IGUAÇU
Marcha da Periferia com Raça e Classe e os Comerciários no Calçadão de Nova Iguaçu a partir das 10:00 h. 

20 de Novembro
SÃO GONÇALO 
No dia da Consciência Negra a Associação de Amigos e Moradores da Amendoeira organiza um evento onde será comemorada a data e apresentada à população a CSP - Conlutas, o Quilombo RaçaeClasse e também o Luta Popular.

Eventohttps://www.facebook.com/events/240281122795990/?ref_dashboard_filter=upcoming&source=1

"Consciência Negra no Quilombo do Jacaré". Favela do Jacarezinho.

"Feijoada de Zumbi do Buraco do Galo", na tradicional Roda de Samba do Buraco do Galo, em Osvaldo Cruz.

Atividade Cultural no Chapéu Mangueira, de 10 às 17 horas.

21 de Novembro
RIO DE JANEIRO
2a MARCHA DA PERIFERIA - Em 2013 a Marcha da Periferia, que traz como tema “PELOS AMARILDOS… DA COPA EU ABRO MÃO”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros Movimentos de Opressões, Sociais, Estudantis e Entidades Sindicais. 
Passeata da Candelária até o busto de Zumbi dos Palmares; Concentração às 17h. 

Abertura do I Seminário Nacional da FENAJUFE de Combate ao Racismo e de Identidade Negra no Judiciário Federal e MPU -  19:00h.  O seminário ocorrerá até o dia 23/11.
22 de Novembro
JAPERI
 “JAÇARAUPERI” Ato político e cultural pelo Dia da Consciência Negra, na Praça Olavo Bilac, em Engenheiro Pedreira/Japerí, a apartir das 16 horas.

24 de Novembro
RIO DE JANEIRO
"Dandaras de Luta", atividade no Bar do Rumba, na Favela do Jacarézinho, a partir das 12 horas.

25 de Novembro
RIO DE JANEIRO 
Passeata pelo Dia Latino-americano e Caribenho de luta contra a violência contra a mulher, concentração na Candelária a partir das 16 horas.

"Mesa da Questão Racial", no auditório da Faculdade Nacional  Direito FND/UFRJ – próximo ao Campo de Santana, a partir das 16 horas.

26 de Novembro
RIO DE JANEIRO
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência", na Sede do PSTU – Rua da Lapa, 180 sb lj/Lapa, a partir das 18:30 horas.

NOVA IGUAÇU
Debate "Raça, Classe, Gênero e a Violência" – O Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e Região organizará um debate na terça, dia 26 de Novembro, às 19h, no estacionamento ao lado do Sindicato (Rua Dr. Barros Jr., 396, Centro de Nova Iguaçu) em conjunto com o movimento Quilombo Raça e Classe e a CSP-Conlutas.




27 de Novembro
BELFORD ROXO
Atividade sobre a questão racial no SEPE Belford Roxo (à confirmar o formato).

Veja calendário de atividades completo aqui 


fontes: Quilombo Raça e Classe e CSP- Conlutas

As duas prisões de José Dirceu

“Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não terá, para sempre, perdão, visto que é réu de pecado eterno.” (Matheus 3:29)


Felipe Demier

Às vésperas do aniversário da República, o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou a prisão de José Dirceu, entre outros condenados pelo chamado “crime do mensalão”. Ao se apresentar na sede da Polícia Federal em Brasília, o ex-dirigente máximo do Partido dos Trabalhadores (PT) ergueu o punho cerrado, repetindo, assim, o gesto que ele próprio fizera, algemado, antes de embarcar, em setembro de 1969, num avião da Força Aérea Brasileira (FAB) – que conduziria para o México os militantes de esquerda trocados pelo embaixador norte-americano (sequestrado pela guerrilha antiditatorial brasileira). Mas o José Dirceu preso em 2013 não é senão uma caricatura daquele de 1969. O gesto permaneceu, mas o homem mudou, e muito.
Dirceu fora preso em 1968, em Ibiúna, interior de São Paulo, quando da fracassada tentativa de realização do XXX Congresso da União Brasileira dos Estudantes (UNE). Trocado pelo embaixador norte-americano, foi banido do país e buscou asilo em Cuba. Corajosamente, voltou em 1971, no fastígio da ditadura empresarial-militar, e viveu aqui clandestinamente por cerca de oito anos (tendo retornado a Cuba nesse meio tempo para fazer uma cirurgia plástica que melhor o disfarçasse dosgendarmes brasileiros). Com a anistia, em 1979, assumiu sua verdadeira identidade e se engajou na formação do PT. Dirceu foi, assim, um dos responsáveis pela construção daquela que foi, durante aproximadamente uma década, uma poderosa ferramenta política de luta do proletariado brasileiro. Portador de distintas concepções programáticas (reformistas e revolucionárias, grosso modo), mas unificado em torno das práticas cotidianas, o PT desempenhou na década de 1980 o papel de condutor e organizador político das lutas dos trabalhadores do país.
Fiel ao seu nascedouro, o partido era alimentado e alimentava as principais mobilizações operárias do país, carregando sempre as bandeiras da independência de classe dos trabalhadores e do fim da ditadura militar (1964-1985). Diretamente responsável pela fundação, em 1983, da maior central sindical da história do país, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o PT mantinha também ligações orgânicas com a reorganização dos trabalhadores do campo, que se traduziria na criação, em 1984, do movimento dos trabalhadores rurais sem-terra, o MST. Depois de quase duas décadas, importantes setores das massas trabalhadoras da cidade e do campo acordavam do pesadelo iniciado em 1964. Entretanto, nessa nova fase de seus combates os trabalhadores brasileiros contavam com um instrumento político incomparavelmente superior às que possuíram na etapa populista.
Por mais que entre os defensores de uma feição reformista para o PT, como Dirceu, existissem aqueles mais suscetíveis às pressões do Estado capitalista, durante quase toda a década de 1980 o partido manteve seu eixo eleitoral-parlamentar subordinado à sua atuação no movimento operário-popular. Isso significa dizer que a participação do PT nos processos eleitorais se realizava como uma forma de expressão, na esfera institucional, das demandas do movimento popular organizado. As políticas defendidas pelos candidatos petistas possuíam um forte lastro com as propostas defendidas pelos setores mais conscientes da classe trabalhadora. A prática política do PT se ancorava, portanto, na atuação de seus militantes junto aos trabalhadores, que naquele momento avançavam qualitativamente em sua organização sindical e política. Assim, os cargos públicos obtidos pelos candidatos do partido eram encarados como mandatos pertencentes aos setores populares que organizadamente haviam construído as candidaturas de suas lideranças sociais e políticas. Diferentemente do que ocorreria depois, os organismos de base do partido gozavam de um relativo controle sobre os parlamentares eleitos, o que diminuía consideravelmente as chances de que estes últimos se “autonomizassem” das bandeiras políticas com as quais haviam se eleito e adotassem as práticas de congraçamento que imperavam (e imperam) no Congresso Nacional, como o “mensalão” (certamente não inventado pelo PT). Nos anos 1980, não foram poucos os burgueses e seus prepostos políticos que perderam noites de sono em função do PT. Provavelmente, Dirceu estava entre os protagonistas dos pesadelos noturnos.
As eleições municipais de 1988 começariam a alterar significativamente a natureza e o funcionamento do partido. Além de aumentar em seis vezes o número de vereadores eleitos em 1982, o PT elegeu seus candidatos em 36 prefeituras. Contudo, pela primeira vez, o PT conquistava prefeituras de peso e visibilidade nacional, como as de Porto Alegre (RS), Vitória (ES) e São Paulo (SP), a maior cidade da América do Sul.[1] Ampliavam-se consideravelmente as áreas de fronteiras do partido com o Estado. Ocupando postos executivos, PT experimentava agora o papel de administrador das instituições republicanas brasileiras, e via-se imerso em estruturas historicamente consolidadas por negociatas, corrupção e outras práticas de governo do capitalismo. Por detrás do sonho dos reformistas do PT, liderados por Dirceu, de implementar uma “outra forma de governar” (o modo petista de governar), iniciava-se, de forma localizada, a experiência do PT como gerente do capitalismo brasileiro, posição que o partido ocupa, desde 2003, em âmbito nacional. O aumento significativo das zonas de interseção entre o PT e o Estado brasileiro se constituiu no principal fator da degeneração partidária. Iniciada substancialmente nas eleições municipais de 1988, a ocupação de postos e cargos públicos pelos dirigentes petistas estendeu-se em nível estadual ao longo da década seguinte, aumentando a dependência material do partido perante o Estado capitalista. A administração de recursos financeiros do Estado por parte de dirigentes petistas, em grande parte adeptos de concepções não-revolucionárias, criou as condições propícias à formação de uma camarilha burocrática, liderada por Lula e Dirceu. Centenas, e depois milhares de militantes, foram afastados de seus locais de atuação (fábricas, escolas, bancos, hospitais etc.) e absorvidos por gabinetes parlamentares e secretarias públicas. Reuniões e acordos com empresários e banqueiros tornaram-se suas novas tarefas. Surgiu, como declarou César Benjamin, um contexto “muito favorável à burocratização, cuja lógica capturou milhares de quadros: parlamentares, prefeitos, assessores, ou pessoas desejosas de vir a ser parlamentares, prefeitos e assessores”.[2]
O aumento de arrecadação do partido, acarretado pela sua imbricação com as instituições estatais (contribuição dos parlamentares, doações burguesas etc.), ao mesmo tempo em que proporcionava uma extensão e maior eficácia das tarefas cotidianas da militância, deixava muito claro de onde provinham os recursos que permitiam esse salto organizativo. Os reformistas liderados por Dirceu, que sempre tiveram a faca na mão, tinham agora também o queijo, do qual poderiam fazer uso das fatias para cooptar parcela substantiva dos militantes. Na disputa entre revolucionários e reformistas no interior do PT, os últimos começaram a adquirir, a partir de 1988, as condições materiais que lhes proporcionariam, em breve, a vitória final. Colhiam os frutos, sozinhos e a seu modo, dos faustos eleitorais construídos por toda a militância no dia-a-dia junto à classe trabalhadora. Somaram-se a essa inserção do partido no aparato estatal brasileiro outros aspectos que contribuíram para a inflexão política sofrida pelo PT, os quais, por razões de espaço, não poderemos discutir aqui.[3]
Em 1992, um PT já significativamente adulterado em relação ao seu conteúdo original enfrentaria seu primeiro grande teste político. Quando as massas juvenis saíram às ruas para derrubar Fernando Collor de Mello, e quando sua queda era quase inevitável, a direção petista, com Dirceu à frente, encarregou-se de se mostrar como alicerce da institucionalidade democrático-liberal, defendendo a posse do Vice-Presidente Itamar Franco, apresentando, assim, limites claros ao movimento contestatório. Não satisfeitos, Dirceu e cia. não hesitaram em expulsar a Convergência Socialista (CS) devido ao “grave crime” cometido pela corrente: defender o “Fora Collor” quando a direção do PT ainda não havia aderido a esta bandeira. Em termos históricos (no que se refere à história do Partido dos Trabalhadores), tal expulsão significou o início de um processo de exclusão dos setores militantes que não mais poderiam ser tolerados por um PT que se tornava a cada dia mais adaptado à ordem do capital. Esse processo de expurgo teria fim pouco mais de dez anos depois com a expulsão dos “radicais”, desta vez pelo também “grave crime” de terem votado contra a reforma neoliberal da Previdência levada a cabo pelo governo Lula em 2003. No meio do caminho (isto é, entre 1992-2003), muitas correntes e elementos da esquerda partidária ou se afastaram do partido, ou se adaptaram também ao aparato estatal e subordinaram-se à cúpula dirigente comandada por Dirceu.
Dirceu foi, assim, um dos principais responsáveis tanto pela construção do PT, quanto pela sua degeneração em um “partido da ordem” executor de contrarreformas, as quais vêm incontinentemente atacando os direitos dos trabalhadores. Dirceu, portanto, é culpado (sem direito aos tais “embargos infringentes”) por ter conduzido a expropriação da classe trabalhadora de sua mais importante ferramenta política na história republicana brasileira. Dirceu prestou, com isso, um inestimável serviço à burguesia brasileira. Quando girou o PT à direita nos anos 1990, e quando se apresentou, anteontem, na sede da Polícia Federal, ele já não era mais o arguto garoto de Ibiúna, nem tampouco o intrépido revolucionário que escapava pelas ruas de São Paulo e do Paraná das mãos dos sádicos torturadores e assassinos financiados pelo empresariado nacional e internacional. Dirceu já era, já é, outro, e, do ponto de vista da esquerda socialista, se tornou indefensável. Não cabe recurso.
Ocorre, entretanto, que foi não o transformismo do PT[4] o crime pelo qual Dirceu foi parar atrás das grades nesse aniversário da República. Do mesmo modo, não parece ter sido o seu envolvimento em atividades ilícitas e corruptas o real motivo de sua condenação pelo STF, composto de insignes figuras como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Afinal de contas, o tribunal em questão já absolveu ilibados políticos como Collor e Malluf (aliados atuais do PT, vale apontar), nada fez a respeito dos obscuros processos de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso e, não satisfeito, já anunciou que não vai anular a votação da reforma da Previdência, a qual, segundo o próprio tribunal, foi aprovada de forma fraudulenta. É como agarrar o ladrão, prendê-lo, mas deixá-lo em posse do dinheiro que roubara da vítima. Incrível a dialética jurídica do STF…
A nosso ver, Dirceu está pagando pelo crime de, uma vez encerrado o transformismo do PT, ter sido o principal criador e timoneiro de uma monstruosa máquina partidária capaz de gerir o capitalismo brasileiro melhor, e mais seguramente, do que as próprias representações políticas tradicionais da burguesia brasileira, máquina essa que, por isso, se tornou quase invencível no jogo eleitoral da democracia liberal. Ex-guerrilheiro, vindo “de fora” dos círculos dominantes, no melhor estilo outsider, Dirceu, para garantir o sono tranquilo da burguesia brasileira, deu um golpe de mestre nos partidos políticos que essa mesma burguesia brasileira criara. Ao seguir pagando religiosamente a dívida externa, reproduzindo a concentração de renda, freando a reforma agrária e esfacelando os serviços públicos e direitos sociais (para garantir a taxa de lucro das grandes corporações financeiras, industriais e do agronegócio), o PT fez do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) uma oposição sem programa e sem sentido. Parafraseando o Marx, pode-se dizer que é triste o partido que, na oposição, vê o seu programa ser implementado pelo adversário. Contudo, por estratégia de dominação social num país que contava com índices obscenos de desemprego, o PT, ao aceder ao governo federal, aumentou o crédito para o mercado consumidor, ampliou significativamente a distribuição de migalhas via bolsa-família e abriu concursos públicos, angariando, com tais medidas, um alargamento de sua base social-eleitoral. Do ponto de vista do próprio capital, não há, racionalmente, melhor forma de gestão da ordem capitalista contrarreformista.
Contudo, se Dirceu logrou conquistar para o PT o apoio do grande capital (que nos pleitos eleitorais financia mais este partido do que seus concorrentes – convém assinalar), parece não ter sido perdoado pelos chefes políticos da burguesia e seus aliados midiáticos. Vertebrado subjetivamente pelos editoriais jornalísticos, o burguês comum, tomado isoladamente, com sua mentalidade tacanha e mesquinha, não é capaz de uma visão política estratégica para sua classe, e não se reconhece na figura de um administrador de “esquerda” do capitalismo, que outrora pegou em armas contra o Estado e que, há relativamente pouco tempo, empunhava bandeiras vermelhas e defendia greves. O burguês ordinário porta-se, assim, com José Dirceu tal qual um nobre o faz com um arrivista plebeu que cativou o coração de sua bela filha: não havendo opção, o galante pode até ser aceito na casa, mas não é da família e, na primeira crise conjugal, há que ser posto pra fora de onde nunca deveria ter entrado. Por mais que tenha prestado enormes serviços à burguesia brasileira, Dirceu não é um lídimo filho dela e, do mesmo modo que uma empregada doméstica pode até jantar na mesa da sala, mas não deve dar pitacos nas temáticas encetadas na refeição, Dirceu não deveria ter ousado mostrar aos políticos da classe dominante como realmente se defende os interesses desta. Esperto, capaz e jactancioso, Dirceu talvez tenha ido longe demais nos serviços prestados à nossa oligárquica burguesia.
Assim, pela segunda vez em sua vida, José Dirceu foi para o cárcere. Mas a história, como se sabe, só se repete como farsa. Se, na primeira prisão, Dirceu era um revolucionário que tenazmente enfrentava a ditadura burguesa, na segunda adentrou a cela na condição de um político burguês togado rejeitado pela própria burguesia que cortejara e ajudara. Além de vingativa, a burguesia brasileira é, por demais, ingrata. José Dirceu foi vítima do próprio regime democrático-liberal que ajudou a consolidar no país. Com a domesticação do PT, ajudou enormemente a burguesia brasileira, mas, tendo ido além e feito do partido um vitorioso eleitoral contumaz contra os partidos genéticos dessa mesma burguesia, não foi salvo pelos imparciais juízes desta. Para os da esquerda socialista, não há o que lamentar, mas tampouco o que comemorar. Deixemos que Arnaldo Jabor e consortes procurem os seus para as histéricas libações nos grandes salões. Os anseios de justiça de uma classe trabalhadora traída por Dirceu não podem ser realizados pelo mesmo STF que encerrou, pela chantagem, a greve dos professores do Rio de Janeiro, e que, dia sim, dia não, põe em liberdade figuras como Daniel Dantas e o assassino de Dorothy Stang. Os nossos desejos não podem ser confundidos com os de outrem, sob pena de perdermos nossa própria identidade. Não pode haver substitucionismo político-jurídico nesse caso. Regozijar-se com a punição de um inimigo pelas mãos de outro (quiçá pior) não é senão alimentar uma reacionária sanha inquisitória que, ao fim e ao cabo, pode nos ter como alvo principal.
[1] A única capital governada pelo PT anteriormente havia sido Fortaleza (CE), quando Maria Luiza Fontenelle, em 1985, foi eleita prefeita. Ainda que Fortaleza já fosse uma capital importante e até meso maior que Porto Alegre e Vitória, a experiência da administração petista permanecia, até os faustos eleitorais de 1988, como algo isolado.
[2] Entrevista de César Benjamin in DEMIER, Felipe. As transformações do PT e os rumos da esquerda no Brasil. Rio de Janeiro: bom texto, 2003, p. 12.
[3] Quanto a isso, ver DEMIER, Felipe. “Das lutas operárias às reformas reacionárias: uma proposta de periodização para a história do Partido dos Trabalhadores” in História e Luta de Classes, nº 5, 2008.
[4] Quanto ao transformismo do PT, ver a brilhante obra de COELHO, Eurelino. Uma esquerda para o Capital: o transformismo dos grupos dirigentes do PT (1979-1998). Feira de Santana/São Paulo: UEFS/Xamã, 2012.

Rumo à 2ª Marcha Nacional da Periferia com o Quilombo Raça e Classe

Com o tema “Pelos Amarildos... da Copa eu abro mão”, marcha acontece em várias cidades e estados do Brasil

A Marcha da Periferia foi uma semente plantada em 2006 por membros do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”.  Essa iniciativa decorreu da percepção dos integrantes desta organização de que os conflitos entre a juventude negra estavam se deslocado dos enfrentamentos entre os bairros para o interior dos bairros. A esse processo passaram a chamar de “Guerra Interna” e identificar como uma clara política de Estado para controle social da juventude negra e pobre. 

Cabe lembrar, entretanto, que desde 1989 o Quilombo Urbano já realizava os festivais de Hip Hop na semana da Consciência Negra como um momento de confraternização entre a juventude das periferias de São Luís em homenagem a Zumbi de Palmares e outras referências históricas do povo negro, e de coroamento das atividades políticas e culturais que o Quilombo Urbano e outros grupos de Hip Hop realizavam nas comunidades pobres e negras durante todo ano.


Sendo assim, os festivais de Hip Hop foi o embrião das Marchas da Periferia.   Nos primeiros anos de sua realização, as ações da Marcha da Periferia ficaram limitadas ao Hip Hop e algumas entidades do movimento popular e das esquerdas maranhense. Entretanto, a partir de 2011, a Marcha da Periferia ganhou uma dimensão nacional impulsionado pelo Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e fortalecida pelas entidades sindicais, movimentos populares, de opressões e estudantis filiados à CSP- Conlutas – Central Sindical e Popular. Em 2013, a Marcha da Periferia, que traz como tema “Pelos Amarildos... da Copa eu abro mão”, acontecerá em várias cidades e estados do Brasil, em muitos com a adesão e fortalecimento de outros movimentos de opressões, sociais, estudantis e entidades sindicais.

Por que devemos marchar na periferia?

Na introdução brasileira do livro “Miséria das Prisões” o sociólogo francês Wacquant (1999) afirma que existe uma “ditadura pura” instalada nos bairros pobres do nosso país. E não é exagero. O Estado de exceção conforme demonstra Agamben (2003) tem se tornado uma regra geral contra os pobres em todo o mundo. Por isso, mesmo que a ideia de Estado mínimo deve ser relativizada, pois se ele é mínimo no campo das políticas sociais está cada vez mais robustecido em sua ponta repressora.


Enquanto os governos neoliberais dos últimos vinte anos “satanizavam” o Estado provedor do bem estar social, para que o mesmo fosse exorcizado do meio da classe trabalhadora, o investimento em segurança pública crescia assustadoramente. Em 2008, o investimento em repressão cresceu 15%, o equivalente a R$ 47,6 bilhões segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Por outro lado, basta verificar o contingente de indivíduos aprisionados no Brasil nos últimos anos. Dados divulgados pelo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apontam que nos últimos cinco anos o número de presos no Brasil cresceu 37%.  Temos na atualidade o terceiro mais populoso sistema carcerário do mundo com 494.598 presos, perdendo apenas para Estados Unidos que têm 2.297.400 presos e a China com 1.620.000, países esses que possuem uma população muito superior a nossa.


Não precisa ser analista político para constatar que os direitos constitucionais da democracia burguesa, especialmente o direito à vida, fica postado no “pé dos morros” ou nas fronteiras dos bairros de periferia, apenas as polícias entram nessas localidades com força total.


Por ano, mais de 25 mil jovens continuam sendo mortos por armas de fogo no Brasil, a grande maioria são negros e muitos mortos por policias. Juntas, as policias de São Paulo e do Rio de Janeiro matam mais do que aquela que é considerada a polícia mais violenta do mundo, a de Nova Iorque.  Se já não bastasse o etnocídio (eliminação cultural) da população negra via ideologia do branqueamento, o Estado brasileiro tem intensificado o genocídio (eliminação física) da população afro-brasileira que reside nos bairros pobres.


Em quase todos os estados brasileiros existem bairros de maioria negra ocupados pela Força de Segurança Nacional. Uma das mais propagandeadas políticas do governo Dilma na área de segurança pública é a nacionalização das UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadoras).


O caso do Ajudante de Pedreiro Amarildo de Souza, negro e morador da favela da Rocinha no Rio de Janeiro, onde tudo leva a crê que foi sequestrado, torturado e assassinado por policiais de uma UPP instalada naquela comunidade, é um exemplo cabal do caráter racista e repressor desse tipo de política de Estado, que é parte do processo de criminalização da pobreza e de extermínio da população negra.


A realização dos “grandes eventos” no Brasil como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 tem a intensificado o processo de criminalização da pobreza e do extermínio da população negra. Centenas de milhares de famílias que residiam em comunidades próximas aos locais onde esses jogos serão realizados já foram, autoritariamente, removidas.


Mas não só a população negra e pobre de maneira geral sofre esse processo, é necessário também silenciar os movimentos sociais que nascem do interior dessas camadas sociais com o objetivo de enfrentar e reverter tais situações. Por todo o Brasil, centenas de lideranças comunitárias, quilombolas, camponesas, ambientalistas e advogados estão marcados para morrer, algumas das quais já perderam suas vidas.  Nos bairros pobres qualquer manifestação popular é criminosamente associada pelos governos e pela grande mídia ao tráfico de drogas e ao crime organizado, enquanto os crimes cometidos pelo Estado policial contra seus moradores é quase sempre divulgados como resultado de enfretamento entre “bandidos” e policiais.


Por outro lado, salta aos olhos os pomposos gastos dos diversos governos com as obras faraônicas da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O 1,5 bilhão de reais que seriam destinados aos megaeventos se transformou em fabulosos 45 bilhões, conforme anuncia o próprio governo federal.  Esses gastos contrastam com a situação de pobreza da maioria da população que padecem com a destruição dos serviços públicos básicos como educação, saúde, moradia e mobilidade social. Essa contradição foi a causa principal das jornadas de junho e das paralisações nacionais das centrais sindicais em agosto e setembro que levaram milhões de pessoas às ruas por todo o país.


 Considerando a situação limite em que se encontra a massa negra proletarizada do Brasil e a “derrama” de dinheiro público aos empresários dos megaeventos, definiu-se como temática para a Marcha Nacional da Periferia de 2013: “Pelos Amarildos, da Copa eu abro mão”. O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe faz o chamado a todos os setores combativos da classe trabalhadora, dos movimentos negro, quilombola, indígena, mulheres, estudantil, popular independente dos governos e patrões para construir, organizar e participar da construção da Marcha da Periferia numa perspectiva de Raça, Classe, Gênero e Socialista, buscando organizar, formar e responder as demandas de luta da classe trabalhadora negra e pobre do Brasil!


Atos que já estão organizados

Dia 20 de Novembro – Minas Gerais
Dia 20 de Novembro – São Paulo
Dia 21 de Novembro – Rio de Janeiro
Dia 22 de Novembro – Alagoas
Dia 22 de Novembro -  Maranhão

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Polícia mata cinco pessoas por dia no Brasil


O abismo social entre negros e brancos continua

Anarquismo e Marxismo, o debate segue

Por Susana Gutierrez, diretora do SEPE e dirigente do PSTU 
  
Lemos com atenção o artigo do professor doutor Wallace dos Santos de Moraes intitulado de “As reais diferenças entre os Black Blocs e o PSTU” e achamos importante aprofundar o debate de algumas questões levantadas pelo professor. Partiremos primeiro de nossos acordos: o Estado é fonte inesgotável de opressão e repressão contra seus inimigos e está a serviço de uma determinada classe social. Marxistas e anarquistas coincidem também na eliminação e destruição desse Estado e a construção de uma sociedade auto-organizada de produtores livres.

Um segundo acordo é a caracterização dos Black Blocs do Rio de Janeiro como uma frente heterogênea, onde convivem organizações anarquistas, ativistas independentes (talvez a maioria) e até partidos que se reverenciam pelo “presidente Mao Tse Tung”. Enfim, todos unidos contra a repressão policial, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, entre outras bandeiras.

Infelizmente, nossos acordos terminam por aqui.
  
Sobre a greve da educação: profissionais da educação e população juntos na luta contra Paes e Cabral 
  
Para o PSTU a greve da educação no Rio de Janeiro foi histórica, não pela sua derrota como parece opinar o professor doutor Wallace dos Santos, mas sim pela sua vitória. Cabral e Paes saíram deste processo em frangalhos, e a categoria dos profissionais da educação municipal se reencontrou com a luta e com ela mesma. Redescobriram-se enquanto classe e identificaram seus inimigos.

Quem tomou as decisões sobre os rumos da greve da educação foram os próprios profissionais da educação. A isso chamamos de democracia operária.

Muito mais que o reajuste total de 15% conquistado ou o fim da portaria que permitia a remoção forçada de profissionais que não aceitassem as ordens das direções das escolas, o maior ganho dessa greve foi a recuperação da confiança da categoria. Passamos 19 anos sem greve e, agora, nos sentimos dispostos a encarar quem quer que seja.

Apesar do ataque à categoria através do PCCR de Paes e Costin, nenhum profissional da educação retornou a escola de cabeça baixa. Nossa luta levou a população às ruas em defesa da educação. E, hoje, o prefeito carrega um enorme desgaste. Nenhuma campanha eleitoral vale mais que a força de uma categoria disposta a mudar a sua realidade. Todas as propagandas, os milhões em financiamento de campanha, apoio de Lula, da Dilma e do PT, tudo isso foi posto em cheque com a greve da educação. Hoje, a população sabe qual o caminho para enfrentar os governos. E este caminho é a luta! 

Foto: Paollo Rodajna.
  
Refrescando a memória: a armadilha do STF 
  
A luta do Rio contagiou o país e desencadeou greves em Goiás, Pará, Paraíba, Paraná, Sergipe, Mato Grosso e Tocantins. Diante da nacionalização do movimento e da passeata com 70 mil pessoas nas ruas do Centro do Rio, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, convocou uma audiência de conciliação entre as partes, onde propôs o fim da greve no estado e no município do Rio e, em contrapartida, anularia qualquer punição ou desconto aos educadores em luta, desde que repusessem os dias parados. As reivindicações da categoria, bem como a revogação do miserável do PCCR de Eduardo Paes passaram longe da cabeça do ministro. Nota-se que o STF entrou na disputa, não para intermediar a favor dos educadores como muitos pensavam, mas sim para colocar fim ao movimento e convencer a população de que o governo estava disposto a negociar. 

Após a audiência com o STF veio à tona uma pergunta: o SEPE estava certo ou errado em assinar o acordo? Em primeiro lugar, sabemos que o acordo não contempla nossas reivindicações. A pauta pedagógica não foi atendida e não temos nenhuma ilusão nos GTs da prefeitura. Depois, é fundamental lembrar que o acordo estava condicionado a sua aprovação em assembleia. Por último, esta audiência era mais um capítulo desta luta, que foi acompanhada atentamente pela população. 

Sendo assim, havia apenas duas opções de escolha: ou o sindicato levava o acordo à avaliação em assembleia, ou se retirava da audiência pondo fim à mesa de negociação do STF. Caso a segunda opção fosse tomada, o SEPE não permitiria que a categoria decidisse os rumos desta negociação. E, principalmente, impediria que os grevistas opinassem sobre qual seria a melhor política naquele momento para a disputa da consciência da população carioca. Por isso, opinamos que ao assinar o acordo, o sindicato possibilitou a categoria decidir democraticamente todos os rumos desta greve. 
  
Por que foi correto encerrar a greve? 
  
Foto: Paollo Rodajna
Muitos critérios são considerados para continuar ou interromper uma greve: a conjuntura do país; o atendimento à pauta de reivindicações; a força do movimento; a popularidade do governo; o apoio da sociedade etc. Mas o fator mais importante de todos é a adesão da categoria. Não se pode fazer uma greve sem os trabalhadores mobilizados e com suas atividades profissionais paralisadas. Esse é o critério fundamental. O acordo no STF foi ruim? Sim, foi péssimo. A pauta de reivindicação foi atendida? Não. O governo sabia da retração do movimento. Uma greve que obteve índices de adesão de mais de 80% em seu auge, encontrava-se em um momento limite de sua sustentação. O pior dos cenários seria seguir na greve com pouca força e penalizar a vanguarda com corte de ponto ou inquérito administrativo. 

Quase todas as assembleias regionais do SEPE, com exceção de apenas uma, votou pelo fim da greve. A assembleia geral dividida e polarizada também era um demonstrativo que a greve entrava em uma nova fase. Por tudo isso, sem medo de errar, afirmamos que a decisão de suspensão da greve foi correta. 
  
Sobre o levante de Kronstadt 

Muito nos alegra em fazer o debate nos debruçando sobre a história e a teoria. Já que o professor doutor tomou para si a defesa dos marinheiros de Kronstadt e disparou com suas palavras contra o estatismo de Lenin e Trotsky, optamos em polemizar com a teoria anarquista, para onde parece se inclinar o professor. Não seria de bom grado debater com os maoístas a respeito do caráter feudal do campo brasileiro que só existe em suas férteis imaginações, por exemplo. 

Poderíamos também rebater as acusações contra os bolcheviques nos utilizando de tropeços indeléveis dos anarquistas espanhóis, que ocuparam postos chaves do Estado burguês dirigido pela Frente Popular na Espanha na década de 30. Certamente gritariam: “Não nos representam!”. Tudo bem. Para evitar uma guerra de citações e não cometer injustiças, deixaremos de lado os crimes políticos dos anarquistas durante o século XX, mas não podemos nos calar diante da total incompreensão e superficialidade do professor Wallace sobre o levante de Kronstadt. Trata-se de uma agitação liberal radical que uniu anarquistas, social-revolucionários, mencheviques, a grande imprensa capitalistas, e posteriormente endossada pelos stalinistas. 

Para analisar o levante de Kronstadt, devemos nos debruçar pacientemente em algo que custa muito caro aos anarquistas do século XXI: o seu caráter de classe. As revoluções geram polarizações sociais extremas. De um lado está a burguesia e seus aliados, agarrados em seu aparato estatal em decomposição, que utiliza todas as suas armas militares e ideológicas para manter o status quo. De outro, está o proletariado revolucionário e seus aliados, em uma luta heroica para fazer a roda da história girar. O problema é que os “aliados” de ambos os lados estão permanentemente em disputa e podem se sentir atraídos tanto pela burguesia quanto pelo proletariado. As classes médias, o campesinato e as camadas populares não podem ter um projeto de sociedade próprio. Ficam a mercê das classes sociais principais e suscetíveis a mudar de posição em cada curva da luta de classes. A dificuldade reside justamete na compreensão de que as classes intermediárias podem ser determinantes para ambos os lados imporem seus projetos históricos. 

A luta entre a cidade e o campo não terminou com a tomada do poder pelos bolcheviques em outubro de 1917. Pelo contrário. Houve momentos em que a revolução foi ameaçada pelos kulaks, que chantageavam o governo revolucionário boicotando o abastecimento de comida das cidades famintas pela guerra civil. 

Os anarquistas agitam uma falsificação onde os bolcheviques supostamente teriam ordenado o fuzilamento daqueles mesmos marinheiros que garantiram a insurreição de outubro. Nada mais falso. O professor da academia afirma que “os bolcheviques, com sua ditadura do proletariado, seu aparato estatal centralista, perseguiram, prenderam e exterminaram os que queriam o aprofundamento da Revolução”. Será? 

A guerra civil na Rússia deixou a composição social e os personagens políticos de Kronstadt totalmente irreconhecíveis. Os valorosos marinheiros de 1917 estavam em outras frentes de batalha contra os brancos em Moscou e na Ucrânia, deixando para trás um espaço ocupado em sua maioria por mercenários especuladores, que usavam da chantagem e da barganha para arrancar benefícios próprios do abastecimento da faminta Petrogrado.  

Se em 1917 e 1918, os marinheiros foram um dos destacamentos mais avançado da revolução, em 1921 Kronstadt era apenas uma caricatura contrarrevolucionária composta por elementos desmoralizados e hostis a ditadura do proletariado. Isso tornou-se evidente quando marinheiros da Latvia e Estônia, desejosos em retonar para suas pátrias burguesas, se uniram a “Frota do Báltico” como “voluntários”. 

O levante de Kronstadt não foi o único episódio dessa natureza antes da consolidação do poder soviético. A hostilidade do campo em alimentar à cidade, por exemplo, promoveu o movimento do anarquista Makhno, que saqueou trens destinados às fábricas e ao Exército Vermelho, e fuzilou comunistas. Tudo isso em nome de “aprofundar a revolução”, quando na verdade se apoiava na burguesia e pequena-burguesia rural contra o “estatismo e o autoritarismo dos bolcheviques”. 

Terminamos essa parte do debate com as palavras do revolucionário russo, León Trotsky: “Somente uma pessoa completamente superficial pode ver nos bandos de Makhno ou na revolta de Kronstadt uma luta entre os princípios abstratos do anarquismo e o “socialismo de Estado”. Na realidade, estes movimentos foram convulsões da pequena-burguesia camponesa que desejava, evidentemente, libertar-se do capital, mas que, ao mesmo tempo, não aceitava subordinar-se à ditadura do proletariado. A pequena-burguesia não sabe concretamente o que quer, e em virtude de sua posição não pode sabê-lo. Essa é a razão pela qual encobriu tão facilmente suas petições e esperanças, ora com a bandeira anarquista, ora com a populista, ora simplesmente com a “Verde”. Opondo-se ao proletariado, tentou, sob todas estas bandeiras, retroceder a roda da revolução”.  Para a infelicidade de muitos, o levante ao invés de atrair a atenção dos trabalhadores da cidade, os repeliu. Logo perceberam que o que estava em jogo era o novo Estado que estavam construindo com tanto sacrifício.  
  
Todos os partidos são iguais?      
               
O autor do artigo citado ainda faz um esforço imensurável para juntar os “líderes dos partidos governistas”, “partidos de oposição” e os “monopólios de comunicação”, todos juntos contra aquilo de ele chama de “ação direta”. Não satisfeito completa: “Todos, embora em aparente e até feroz oposição, almejam os mesmos objetivos: ocupar os palácios de governos, comandar as forças de repressão, ocupar as câmaras e assembleias e ser venerado todos os dias pelos monopólios da comunicação”. Usa inclusive das mesmas acusações de Paes e Cabral contra a direção do SEPE, “aparelhada pelo PSTU, PSOL (determinadas correntes), PT e outros partidos”. O professor universitário tenta resistir em vão, mas cai na tentação de fazer coro com a ideologia reacionária contra os partidos políticos, quando sabemos que essa ideologia perpetua o poder nas mãos do PT, PCdoB, PMDB, PSDB e tantos outros. Provavelmente estava nas ruas em junho gritando “ Sem partido!”. 

De fato, seria mais fácil para o autor colocar um sinal de igual entre todos os partidos, mas para sua infelicidade o PSTU é diferente, e ele sabe disso. 

Tivemos 13 camaradas presos em Bangu em 2011 na visita de Obama ao Rio de Janeiro; fizemos uma campanha de solidariedade classista aos atingidos e desabrigados de Nova Friburgo e região; estivemos juntos com os bombeiros pintando a cidade de vermelho e iniciando ali uma campanha política muito vitoriosa pelo Fora Cabral; no dia 20 de junho de 2013 na avenida Presidente Vargas enfrentamos os neonazistas e defendemos a coluna dos movimentos sociais onde havia muitos anarquistas; na desocupação da Câmara dos Vereadores o professor Gustavo Kelly (militante do PSTU) foi eletrocutado seguidas vezes para defender a categoria e em seguida foi detido; tivemos ainda mais dois militantes presos em Bangu na mesma cela dos companheiros do “Ocupa Câmara”; estávamos juntos com os anarquistas enfrentando o Exército na Barra da Tijuca contra a privatização do leilão do Campo de Libra; e por último, para não molestar a paciência do leitor com inúmeros exemplos, a Convergência Socialista (principal corrente na formação do PSTU) foi reconhecida pelo Estado brasileiro como organização perseguida e reprimida pela ditadura militar. 

Enumeramos essa longa lista de fatos para perguntar ao professor Wallace dos Santos: o PSTU é realmente igual aos demais partidos? O PSTU condena a ação direta e deseja ocupar os palácios de governo como fazem o PT e PCdoB? Poxa, professor, a realidade não se encaixa em seu esquema simplista. A luta de classe é mais complexa do que parece. De fato, temos muitas diferenças, mas talvez a principal seja a forma como fazemos as polêmicas. Com a palavra o professor doutor.  

Repressão e Democracia

por Júlio Anselmo, da Juventude do PSTU Rio


   Muitos ativistas, diante da absurda escalada da repressão policial, imediatamente comparam o momento atual com a ditadura militar ou Estado de Exceção. Isso é fruto da ideia de que na democracia não há repressão às lutas. Mas a realidade mostra que isso não é verdade: a democracia burguesa reprime, e violentamente. Não bastou termos derrubado a ditadura, pois está comprovado que o Estado, mesmo na democracia, só serve aos interesses dos ricos e poderosos, se configurando numa ditadura velada sobre os trabalhadores. Não há outro nome! O que vemos é a repressão da democracia burguesa. Este é o Estado democrático de direito quando os trabalhadores e jovens se levantam.

Contra a repressão e a criminalização da luta dos trabalhadores!

Desde junho, vimos cenas chocantes da brutalidade e truculência da polícia militar. Numa tentativa de acabar com as crescentes mobilizações, que seguem questionando os interesses dos ricos e poderosos, os governos lançam uma brutal repressão contra os que lutam. Juntos com o poder judiciário estão numa força tarefa para perseguir os ativistas. Buscam supostos mecanismos legais para prendê-los, se utilizando da espionagem e monitoramento, numa das maiores ondas repressivas desde a redemocratização.
Os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – de PSDB, PMDB e PT – prendem ativistas nas passeatas ou em suas casas recorrendo à lei de segurança nacional da ditadura ou à absurda Lei de Organização Criminosa sancionada por Dilma em Agosto. Agora, o ministro da justiça tenta nacionalizar a repressão, utilizando a Policia Federal e propondo a ampliação das penas aos manifestantes. Lembremos ainda o papel nefasto da presidente  Dilma que, além de cúmplice dos ataques à luta dos estudantes e trabalhadores, fez o mesmo para garantir a venda do Pré-Sal, enviando o Exército e a Força Nacional para reprimir os protestos. O PT usa a violência estatal para entregar nossas riquezas naturais às multinacionais.

Defender a democracia dos ricos ou questioná-la profundamente?

O PSOL diz¹ que numa democracia é inadmissível a repressão policial. Nas passeatas ouvimos seus militantes cantando: “Lutar não é crime; Democracia de verdade não reprime”. Com franqueza e honestidade queremos iniciar uma discussão na esquerda para contribuir com o debate sobre as alternativas ao capitalismo.
Dizer que a democracia burguesa não reprime é embelezá-la. É por meio das palavras tentar torná-la o que ela não é, nem jamais poderia ser.  Essa é a finalidade dos reformistas, que defendem irrestritamente a democracia burguesa, numa estratégia de melhorar a sociedade, aos poucos, a partir de pequenas conquistas parlamentares. Com o aumento da repressão, os reformistas clamam pela defesa ou aperfeiçoamento das instituições da democracia. Para se justificar forjam uma suposta ofensiva ditatorial na sociedade. Entretanto, atualmente, não há uma luta entre democracia versus ditadura, mas sim o aumento da polarização entre as classes sociais, com uma luta encarniçada entre os trabalhadores e a burguesia. Aqui não se trata de defender a democracia burguesa, mas sim de questioná-la profundamente. Exigir a radicalização da democracia ou a reforma política-eleitoral não basta, pois isso reforça a hipocrisia e dissimulação da burguesia, perpetuando a exploração e opressão sobre os trabalhadores.
A posição do PSOL fica mais evidente nas opiniões do Deputado Estadual Marcelo Freixo: Temos que disputar uma concepção de sociedade que não pode negar os canais democráticos. Destruir o prédio da ALERJ não muda a péssima qualidade dos deputados que trabalham dentro da ALERJ. O que muda é o fortalecimento do processo democrático”². E o que a sociedade quer, principalmente, é uma maior radicalidade na participação popular nas decisões governamentais"³. “A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força⁴. Fica claro, a opinião de Freixo, de que as transformações se darão através das eleições, iniciativas parlamentares e o respeito as instituições do regime democrático. Esquecem que esta foi a tônica do falido projeto do PT, que se mostrou inviável, já que a burguesia é quem controla o poder econômico e político da sociedade.
Parece que não entendem que esta democracia não atende aos trabalhadores. Os liberais dizem que somos iguais perante a lei, mas é verdade também que a burguesia contrata os melhores advogados, compram juízes e que as leis são feitas para lhes beneficiar. Há uma suposta liberdade de expressão, mas não dizem que é a burguesia que detém os veículos de imprensa com grande circulação. Dizem que a democracia é liberdade. Mas os trabalhadores não têm a liberdade de deixar de trabalhar todos os dias para participar da vida política. Podemos reivindicar, mas, já é sabido por todos, que uma hora ou outra, chegará a polícia para reprimir. Essa é a democracia dos ricos que os reformistas nas horas mais agudas da luta de classes, ao longo da história, insistem em tentar salvar, salvando junto a dominação burguesa.

Em defesa das liberdades democráticas: ditadura nunca mais!

O imperialismo em nome da democracia declara guerras por lucros, domina os povos por todo o mundo e explora cada dia mais os trabalhadores. Vários setores da esquerda passaram a adotar a defesa da democracia como valor universal, ajudando o imperialismo a esconder-se atrás deste discurso para melhor sustentar sua dominação e exploração, iludindo os trabalhadores. Há também aqueles que em nome de um suposto enfrentamento com o imperialismo estão aliados as ditaduras mais sanguinárias da história como Assad na Síria, se colocando contra a luta do povo por democracia.
Defender a democracia burguesa quando estamos numa ditadura burguesa é muito progressivo, pois melhora as condições de mobilização dos trabalhadores, fortalecendo-os para questionarem a própria dominação burguesa. Democracia e ditadura são formas diferentes de dominação burguesa, e, portanto, não podem ser igualadas em uma análise marxista séria. Na democracia há melhores condições para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores.  Por isso também, defendemos amplas liberdades democráticas, que favoreçam a mobilização e emancipação dos trabalhadores, como: direito a manifestação, ao voto, aos trabalhadores construírem partidos, tempo igual de televisão entre os partidos, direito de criar sindicatos e de se sindicalizar, reforma agrária, desmilitarização das polícias, etc. A conquista das liberdades democráticas, ao longo da história, foram resultado das lutas da classe trabalhadora, da força do movimento operário e dos combates por ele travados. Tal fato, entretanto, não torna a democracia burguesa um regime socialmente neutro, e muito menos um regime favorável aos trabalhadores.
Lutamos implacavelmente contra as ditaduras burguesas, principalmente, aquelas sustentadas pelo imperialismo como na Síria. É motivo de orgulho, a Convergência socialista, organização que deu origem ao PSTU, ter seu papel reconhecido oficialmente na luta contra a ditadura. Isto é bem diferente de manter a luta dos trabalhadores nos marcos da democracia burguesa, defendendo-a e iludindo-os como fez o PT afirmando que a saída estratégia é a luta parlamentar.

Pelo poder dos trabalhadores!

A greve dos petroleiros, professores e demais categorias demonstram a força dos trabalhadores. As bombas e tiros provam que não há saída por dentro do sistema capitalista! Não há possibilidades de conciliação entre os interesses dos trabalhadores e da burguesia. Quem diz que governa para todos, tenta disfarçar que governa para os ricos. Está demonstrado pela realidade que para as nossas reivindicações serem satisfeitas temos que transformar radicalmente a sociedade. A única alternativa estratégica é a luta revolucionária contra a burguesia e a tomada do poder político pelos trabalhadores, construindo suas próprias instituições e organismos democráticos de auto-governo. Não queremos apenas maior participação popular nas decisões governamentais, como afirma Freixo, queremos que os trabalhadores decidam tudo. Contra as promessas de reformas políticas ou eleitorais, feitas por demagogos, supostamente, democratas, a saída é a revolução socialista dos explorados e oprimidos.  Só assim será possível exterminar a dominação burguesa que condena a humanidade a dor, miséria e sofrimento.