Trabalhadores da saúde se mobilizam contra o desmonte da saúde federal no RJ

Trabalhadores da Saúde Federal
 novamente no NERJ 
Dirley Santos , da Redação

Os trabalhadores da Saúde Federal do Rio de Janeiro, estiveram, na manhã desta quarta-feira (14/01), novamente no NERJ (Núcleo Estadual do Rio de Janeiro) exigindo explicações do governo federal frente a estadualização-privatização. 

A mobilização dos trabalhadores arrancou uma audiência com representantes do Ministério da Saúde. De acordo com Cíntia Teixeira, trabalhadora da saúde e militante da CSP-Conlutas/RJ, "O governo desmentiu a estadualização, mas nós cobramos uma nota oficial contra a entrega para as OS's". também foi exigida uma posição contra o despejo do núcleo sindical dos servidores do Hospital Cardoso Fontes. 

Ainda segundo Cíntia "o governo federal tem que assumir a sua responsabilidade perante o sistema público de saúde", pois está claro que o atual sistema de regulação de leitos não funciona e por conta disso pessoas estão morrendo nas UPA's.

A categoria realizará nova assembléia no dia 22/01 (5a feira) para organizar a campanha salarial deste ano e a continuidade da luta contra estadualização-privatização.

Fotos: Cíntia Teixeira

Trabalhadores da Saúde Federal
protestam em frente ao NERJ

Trabalhadores da Saúde Federal em audiência com o governo federal


Lutaremos! Visando a privatização, governos realizam manobra e atacam a saúde federal

CSP-Conlutas/RJ 

O governo federal em parceria com o governo estadual do RJ fazem uma manobra em estadualizar os 6 hospitais federais entregando a gestão para as OSs ou fundações. Há dois anos a CSP-Conlutas e Fórum de Saúde seguem denunciado os contratos com as OSs que somam por ano 2 bilhões de reais.

E o que vemos é a continuidade com faltas de leitos e demora nos atendimentos ambulatoriais e cirurgias. Falta de insumos e manutenção das edificações das unidades, e farsa do sistema SISREG (Sistema de Regulação de Internações).

A luta contra a EBSERH vem fortalecendo trincheiras sendo necessário que os trabalhadores se reorganizem para barrar mais esta tentativa de privatização.

Ato dos trabalhadores do Hospital de Ipanema contra a privatização (6/01/41)

Confira abaixo a matéria de O Dia do RJ:

Transferência para o estado de hospitais federais de Rio está sendo negociada
Pezão discute com ministro da saúde detalhes relacionados ao repasse de fundos para o manutenção das unidades

Por Fernando Molica

Rio – A transferência ao estado dos seis hospitais federais de Rio está sendo negociada pelo governador Pezão e o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ambos concordam com a medida, mas ainda discutem detalhes relacionados ao repasse de recursos do ministério e serviço das unidades.

O orçamento anual dos seis hospitais — Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores — chega a R$ 4,5 bilhões. O estado quer garantir o recebimento desta verba por muitos anos.

Problemas
Apesar do orçamento generoso, os hospitais federais enfrentam muitos problemas — 600 de seus leitos foram fechados nos últimos anos, obras intermináveis prejudicam o atendimento no Andaraí e em Bonsucesso.

Contrato de gestão
A administração dos hospitais caberia a organizações sociais (como o caso do Instituto do Cérebro) ou à Fundação Saúde, ligada ao estado. Haveria um contrato de gestão para determinar metas a serem cumpridas.

Integração
Pezão quer uma integração entre as redes federal, estadual e municipal; não está descartada a possibilidade de o estado ficar também com institutos como o de ortopedia (Into). Pela proposta, a prefeitura ficaria com o atendimento básico: em 2015, receberia do Estado os dois postos de atendimento e poderá assumir os hospitais Rocha Faria e Albert Schweitzer.

Reunião
No dia 7, Chioro, Pezão e Eduardo Paes terão uma reunião em Brasília.

Saiba mais http://cspconlutas.org.br/

2015: ano novo, velhos problemas

Para banqueiros e empresários bilhões!

Para os trabalhadores insegurança, aumento de tarifas, arrocho e demissões!

Foto de Sandro Vox (O Dia)

Nem bem o ano se inicia e, nós, trabalhadores, só temos péssimas notícias. O governo Dilma, para atender aos banqueiros ou para pagar a dívida baixou um tarifaço na energia elétrica, elevação de juros, mini-reforma na Previdência Social, ameaça de abertura do capital da Caixa Econômica Federal, demissões em massa na indústria e montadoras.

Aqui no Rio de Janeiro, não é diferente. O governador Pezão anuncia cortes de 25% no orçamento dos serviços públicos. Só estarão preservadas as despesas com as obras das Olimpíadas. A saúde, educação e saneamento vão minguar ainda mais no nosso estado.  

E , para piorar, do dia para a noite se anuncia aumento da passagem de ônibus para R$3,40. O principal argumento de Eduardo Paes é a necessidade de custeio da implementação de ar condicionado nos ônibus, e a manutenção da gratuidade para idosos e estudantes.

O que Paes não diz é que os empresários do transporte nunca ganharam tanto: só de impostos foram 69 milhões por ano (33 milhões de ISS e 36 de IPVA).

Para nós ,trabalhadores, não há nenhum refresco. Os reajustes dos últimos 20 anos superam a inflação do período. Aqui no Rio, a tarifa custava R$ 0,35 em julho de 1994, quando o plano Real entrou em vigor. Levando em consideração a inflação acumulada desde então, a passagem deveria estar em R$ 2,12. Mesmo assim, os serviços estão cada vez piores, com ônibus lotados, calor e acidentes constantes, colocando os passageiros e trabalhadores do transporte sob risco de morte, como mostra o acidente gravíssimo com o trem da supervia, que deixou 200 feridos.

Transporte público é um direito: com qualidade e livre acesso

Infelizmente, na mão de empresários, o sistema de transporte vira um grande negócio. Para os governos os lucros milionários dos donos de empresas são sagrados. É preciso mudar as regras desse jogo.  O aumento de tarifas já atinge 11 capitais e em todas elas estão sendo organizadas manifestações. A unidade é fundamental neste momento para reverter o aumento das passagens!
Aqui no Rio, a Manifestação será realizada no dia 09, próxima sexta-feira, a partir das 17h, na Cinelândia.
  • Nenhum aumento nas passagens!
  • Passe-livre para estudantes e desempregados, rumo à tarifa zero!
  • Auditória pública nas contas das empresas de ônibus!
  • Estatização do transporte público sobre controle dos trabalhadores!

Não à estadualização dos hospitais federais!

Através de uma manobra dos governos federal e estadual, estão propondo estadualizar os 6 hospitais federais do RJ: Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores, com a possibilidade ainda do Into ser incluído nessa lista.

O governo do estado é disparado o pior entre os três níveis que compõem o sistema público de saúde, tanto no atendimento à população como para os servidores. A administração do estado, não custa lembrar, é responsável pelo fechamento do Iaserj e do Hospital São Sebastião, no Caju. No estado, são poucos os servidores estatutários, já que as OS, fundações e cooperativas respondem hoje por grande parte das administrações das unidades. Atualmente, a soma desses contratos totaliza R$ 2 bilhões de reais.  Na prática, a estadualização significará a privatização da gestão das Unidades, permitindo correr ainda mais dinheiro para as mãos das OSs – Organizações Sociais “sem fins lucrativos”  e Fundações.
É fundamental barrar esta que parece ser uma “simples mudança” de gestão, pois impacta a vida de milhões de pessoas e a situação funcional de milhares de servidores.  
Chamamos a unidade de todos os Sindicatos e entidades do movimento . Não admitiremos mais este ataque dos governos Dilma e Pezão. A SAÚDE FEDERAL NÃO ESTÁ A VENDA !!

Uma resposta a Magnoli: O PSTU faz oposição de esquerda e classista ao governo Dilma (PT)

Em recente artigo no jornal O Globo, o articulista Demétrio Magnoli afirmou que o PSTU seria “uma sublegenda informal do PT”. Neste texto esclarecemos nosso posicionamento sobre o governo do PT e respondemos ao jornalista, que costuma não ter nenhum rigor com as informações que veicula.






O PSTU posicionou-se pelo voto nulo no 2º turno das eleições presidenciais por não considerar o voto no “mal menor” um voto útil para a classe trabalhadora. Claro está que a oposição de direita, Aécio Neves (PSDB), nunca foi e nunca será solução para a classe trabalhadora, justamente por ser representante mor dos banqueiros. Mas, alertávamos então, que as alianças e compromissos do PT com banqueiros, empreiteiras, multinacionais, agronegócio e inúmeros partidos e personalidades de direita, não apenas impediriam as mudanças que a maioria dos trabalhadores, do povo e da juventude necessita, como levariam a cortes nos gastos sociais para beneficiar banqueiros e empresários. Jogariam a crise, mais uma vez, sobre as costas dos trabalhadores, com arrocho nos salários, demissões e retirada de direitos. Votar em Aécio ou Dilma seria legitimar esses ataques ou nutrir a ilusão de que as coisas poderiam ser melhores, em vez de preparar-se para a luta enquanto eles preparavam o assalto ao bolso dos pobres para dar aos ricos.

Dilma ganhou as eleições por pouco, apelando para um discurso à esquerda, buscando o voto dos trabalhadores, dos pobres, dos oprimidos, “contra os banqueiros”, prometendo que não mexeria em direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”.

O 2º mandato de Dilma (PT) mal começou, porém, e sua prática demonstra que o discurso da campanha só visava ganhar votos e as eleições. O ministério escolhido por Dilma está todo montado para retirar dinheiro dos pobres para dar aos ricos. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do Bradesco, serviria como uma luva também a um governo Aécio Neves, ou qualquer outro do PSDB. O ministro da Educação, Cid Gomes, é escolado em aviltar os professores já tão maltratados por todos os governos há tanto tempo. É dele a frase, proferida aos professores do Ceará, de que professor deveria trabalhar por amor e não por salário. Por aí logo vamos ver o real significado do bordão lançado por Dilma em seu discurso de posse: “Brasil, pátria educadora”. A ministra da Agricultura é Kátia Abreu, uma das maiores expoentes do agronegócio no Brasil.

As primeiras medidas tomadas significam tirar R$ 18 bilhões do bolso dos trabalhadores e dos pobres para dar aos banqueiros. Diga-se de passagem, nesta tarefa estão empenhados os governos das três esferas, independente dos partidos, ou seja, presidente, governadores, prefeitos e seus respectivos legislativos. Os aumentos de passagens de ônibus e de tarifas são outro assalto aos nossos bolsos.

A primeira medida do governo Dilma retira direitos trabalhistas e previdenciários: restringe o seguro-desemprego, ataca as pensões, o abono salarial e o auxílio-doença. Retira R$ 18 bilhões, montante igual a 70% de todo dinheiro destinado ao Bolsa Família no ano passado,  para aumentar o dinheiro a ser destinado ao pagamento de juros da dívida pública aos bancos. Da mesma maneira como fazia o PSDB quando era governo, o PT diz que não está retirando direitos, apenas “corrigindo distorções”. A maior distorção existente no Brasil é ter mais de 40% de todo o Orçamento federal comprometido com pagamento de juros a agiota e banqueiros. Mas esta distorção o governo defende, afinal, esta “distorção” governa o governo e o país.

Não há como “enfrentar a direita” sem colocar-se na oposição ao governo
Que a oposição de direita, o PSDB, seus aliados e até uma minoria tão inexpressiva quanto ruidosa que defende a volta da ditadura militar, necessitam ser combatidos, não há dúvida. Mas, daí a concluir que “enfrentar a ofensiva da direita” e defender “nenhum direito a menos” ou os “direitos dos trabalhadores” é combater apenas a oposição burguesa e colocar-se no campo do governo Dilma (PT), é um erro garrafal.

Este posicionamento significa colocar-se como refém de um setor da direita contra outro setor e, na prática, aceitar perder direitos para os ricos. Ou toda a “direita” encontra-se ao lado de Aécio Neves do PSDB? Por acaso o ministro da Fazenda de Dilma, ou Kátia Abreu, ou Cid Gomes, ou Sarney, Maluf, Delfim Neto, o PMDB, o PP e tantos outros partidos e personalidades de direita desse país não se encontram justamente no campo do governo do PT? E não é justamente o governo do PT com seus aliados banqueiros, ruralistas, empresários, que estão governando e retirando nossos direitos?

Para defender o lado dos trabalhadores e dos pobres deste país é preciso enfrentar os interesses dos banqueiros, do agronegócio, das multinacionais, das empreiteiras e daqueles que os representam, ou seja, o governo Dilma (PT) e a oposição de direita (PSDB), assim como governadores, prefeitos, Congresso, etc. É necessário organizar a luta unificada contra todos eles e não ficar refém de um lado contra o outro. É necessário libertar a classe trabalhadora dessa polarização binária, para que ela volte a ter voz própria e força. Enquanto estiver atrelada a um dos campos que representam os interesses dos de cima, os de baixo não terão seus interesses organizados, estarão indefesos e o Brasil continuará sendo um dos países mais desiguais e injustos do mundo.

CUT, MST e UNE precisam romper com o governo 

Organizações sindicais e movimentos populares ligados ao PT e ao PCdoB – como a CUT, UNE, MST, e outros, compartilham a idéia de que para defender e avançar em seus direitos, os trabalhadores e a juventude devem lutar contra a direita que ataca o governo Dilma.

Em recente reunião chamada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), ocorrida em 17 de dezembro em São Paulo, este debate veio à tona e a reunião terminou sem decidir nada, além de uma nova reunião em 19 de janeiro. Presentes neste espaço, a CUT, UNE, MST, CMP e o próprio PT (além de outras organizações governistas) defenderam a idéia de que a tarefa central dos trabalhadores e suas organizações é combater a oposição de direita e que, para isto, é necessária a união de todos. Uma primeira tarefa seria cobrar dos “direitistas” do Congresso Nacional a Reforma Política, defendida por estes setores como a saída para todas as aflições da classe trabalhadora brasileira. A Reforma Política, aliás, é também defendida pelo governo e praticamente por todos os setores representados no Congresso Nacional, incluindo o PSDB.

A CSP-Conlutas, também presente na reunião, cobrou um posicionamento sobre o ajuste fiscal anunciado pela presidenta Dilma, e teve como resposta o silêncio. Cobrou ainda que a CUT retirasse a proposta de PPE (Plano de Proteção ao Emprego) que apresentou ao governo – porque rebaixa salários. Proposta, aliás, rechaçada pelos operários da Volkswagen de São Bernardo do Campo em assembléia no mês passado. Os representantes da CUT disseram que essa proposta era “coisa da imprensa”. Já o dirigente do PSOL presente à reunião chegou a afirmar que “não era o caso de discutir ali as nossas diferenças”, pois “já as conhecíamos”. O importante era lutar por “reformas populares e nenhum direito as menos”.

O representante da CSP-Conlutas ali presente, no entanto, não fez essas cobranças por sectarismo e sim porque existem ataques evidentes do governo aos direitos dos trabalhadores. Precisava saber se a CUT, a UNE, o MST e outras organizações governistas que ali estavam tinham disposição de romper com o governo para defender os direitos dos trabalhadores ameaçados pelo ajuste fiscal e demais medidas do governo Dilma (PT) com seus aliados de direita.
Como disse Zé Maria, do PSTU em recente artigo a este site (clique aqui para ver o artigo) : “Enganam-se aqueles que julgam que ignorar estas contradições é melhor para ‘construir a unidade’. De qual unidade estamos falando? Da unidade para lutar em defesa dos direitos dos trabalhadores? Estamos 100% a favor. E esta luta, para ser conseqüente terá de enfrentar sim, a direita tradicional do país representada pelo PSDB. Terá sim de denunciar e lutar contra a direitalha que domina o Congresso Nacional. Mas, para ser conseqüente, terá de começar por lutar contra o governo do PT, pois é este governo que está anunciando e tomando medidas concretas contra os direitos dos trabalhadores. Ou não é? A falta de clareza num debate como este não ajuda a unidade”.

Uma versão governista e inverídica de uma suposta “Frente de Esquerda”

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou na edição de 26 de dezembro matéria intitulada “Atos pós-eleição estimulam movimentos sociais a articularem ‘frente de esquerda’” (clique aqui pra ler). 
O jornal destaca as posições dos setores governistas que estavam na reunião de 17 de dezembro como se fossem resoluções da mesma, quando esta não conseguiu chegar a nenhuma decisão, a não ser marcar uma nova reunião para o dia 19 de janeiro deste ano.

Mas a matéria ecoa a versão de que aquela reunião convocada e coordenada pelo MTST e da qual participaram diversas entidades sindicais e populares, dentre elas a CSP-Conlutas, teria dado a largada para a criação de um movimento “para promover manifestações e pressionar o Congresso e governo a adotar agenda considerada progressista, em resposta ao avanço de mobilizações associadas ao conservadorismo”. Tal “frente popular de esquerda”, diz o jornal, vai “buscar espaço dentro do governo Dilma para projetos que estejam em sintonia com a agenda da esquerda, como reforma agrária e regulação da mídia”.  Raimundo Bonfim, da CMP, teria dito:“Vamos fazer a disputa dentro do governo”.  Já o ex-deputado Renato Simões (PT-SP) declarou que  “a outra missão da frente de esquerda será enfrentar na rua o golpismo” representado, segundo ele, “por grupos que pedem o impeachment de Dilma”. 

Com o argumento de evitar a volta da direita, as propostas destes setores e organizações governistas procuram blindar o governo Dilma.

A próxima reunião, do dia 19 de janeiro, terá de definir o real caráter deste espaço.

Lula e o MTST

Veio reforçar essa versão sucessivas notícias veiculadas pela Folha de S. Paulo e outros meios de comunicação, em que Lula, posando para foto ao lado de Guilherme Boulos, do MTST, dizia que o governo e o PT  precisavam se reaproximar dos movimentos sociais. Em vídeo, chegou a falar em recuperar o espaço à esquerda perdido pelo PT (chegando a citar as rupturas do PSTU, do PSOL e de Marina), sem conseguir esconder o objetivo real de tal preocupação: a disputa das eleições de 2018. Os gestos de Lula em relação ao MTST têm o objetivo de ocupar ao mesmo tempo o espaço de governo e de “oposição de esquerda”, contendo o legítimo descontentamento dos trabalhadores e da juventude, dentro dos limites aceitáveis para seus aliados de direita.

A imprensa, aliás, vem fomentando uma versão de que Lula estaria defendendo um governo “mais à esquerda” e um PT “mais separado do governo”. Ora, ora, mas como se a escolha de um banqueiro como Levy para o ministério da Fazenda foi do próprio Lula?

Porém, de alguma maneira, estas notícias reforçavam a versão dos governistas de dita reunião.

Em 28 de dezembro, o MTST divulgou uma nota em que diz que o movimento “vem esclarecer que não participa de qualquer frente de apoio ao governo. Estamos sim participando da articulação junto com a CUT, PSOL, MST, UNE e outras organizações da esquerda no sentido de construir uma frente de lutas com a plataforma de Reformas Populares para o país”... “Nosso objetivo é avançar nas mobilizações contra qualquer ataque aos direitos sociais e por uma pauta unitária de esquerda. Também enfrentar as ofensivas da direita brasileira. Mas para isso entendemos que é necessária a total independência em relação ao governo.”

Concordamos com Zé Maria, quando afirma em artigo a este site, que tal nota veio num bom sentido, mas que ainda é um pouco curta politicamente. Isso porque, se corretamente fala de forma clara da defesa dos direitos dos trabalhadores, quando aponta o inimigo a ser enfrentado não vai além de nomear a “direita brasileira”.
Nós estamos 100% a favor de enfrentar o Congresso Nacional e toda corja de direitistas. Do PSDB, passando por Alckmin até Bolsonaro. Mas não podemos nos calar perante o governo Dilma. Não derrotaremos o ajuste fiscal enfrentando apenas o Congresso e a oposição de direita, quando quem está editando as Medidas Provisórias com o dito ajuste é o governo do PT.  Da mesma maneira que a Reforma Agrária e Urbana, o fim das privatizações, das terceirizações e da precarização geral do trabalho não poderão ser conquistadas enfrentando apenas a parte da direita que está na oposição ao governo e não enfrentando o próprio governo, aliado de outra parte.

Por isso, concordamos uma vez mais com o artigo de Zé Maria quando diz: “Está certo, portanto, o MTST, quando fala que é preciso “independência em relação ao governo”. Mas é preciso agregar que estamos diante de um governo claramente a serviço dos interesses do grande empresariado (o próprio MTST já escreveu isso várias vezes). E a única forma de praticar a independência frente a um governo como esse é numa luta sem trégua contra ele. Só assim, efetivamente, será possível estar ao lado dos trabalhadores, defendendo seus direitos e interesses. Esta não é uma discussão sobre semântica. É o debate que a esquerda da CUT levantou dentro da central, antes da ruptura que ocorreu em 2004 (que gerou a Conlutas). A direção da CUT dizia – e diz até hoje – que a central deve ter “independência em relação ao governo. E em nome disso tem a pratica que todos conhecemos”.

É preciso avançar na unidade para lutar em defesa dos interesses dos trabalhadores contra o governo do PT e contra a direita. A CUT, a UNE, o MST e demais organizações populares devem ser chamadas a esta luta. Mas para lutar de verdade em defesa da classe trabalhadora será preciso romper com o governo. Para vencer é preciso saber contra quem estamos lutando.

Este dilema vai voltar a se colocar na reunião do dia 19.

 A CSP-Conlutas e outras entidades e movimentos que fazem parte do Espaço Unidade de Ação estão convocando uma reunião para final de janeiro justamente para avançar na construção da unidade de todos que quiserem lutar.

A ação independente dos trabalhadores, da juventude e do povo é que pode garantir mudanças, e é ela também que poderá construir uma alternativa de esquerda e classista ao governo do PT com a direita, e à oposição de direita capitaneada pelo PSDB.

Demétrio Magnoli e a falta de rigor



No artigo intitulado “Esquerda Palaciana”, publicado no 1º de janeiro no jornal O Globo, o articulista deste jornal e da Folha de S. Paulo, Demétrio Magnoli (ex-militante da extrema-esquerda do PT: a antiga “Libelu”, ligada na época à Organização Socialista Internacionalista e ao jornal O Trabalho) afirma que o PSTU faria parte de uma “Frente de Esquerda” com objetivo de “fazer a disputa dentro do governo” e teria aceitado assim, junto com o PSOL, a condição “de sublegenda informal do PT”.  Informação obtida, segundo ele, de Raimundo Bonfim, integrante da Central de Movimentos Populares (CMP).

Escreve Demétrio: “ ‘A frente de esquerda’ articulada duas semanas atrás numa reunião no Largo São Francisco, em São Paulo, é o veículo para a soldagem de partidos, centrais sindicais e movimentos sociais ao governo de Dilma Roussef. É, ainda, de um modo menos direto, uma ferramenta da candidatura presidencial de Lula da Silva em 2018. O conclave contou com representantes do PT e do PC do B, partidos governistas, mas também do PSOL e do PSTU. No Largo São Francisco, os dois partidos aceitaram a condição de sublegendas informais do PT. Lá estava a CUT, que obedece ao comando lulista, mas também a Intersindical, um pequeno aparelho do PSTU”.

Se fossem corretas as informações que dá o articulista, estaria também correta sua conclusão. Ocorre que Demétrio Magnoli tem o péssimo costume de não checar a veracidade das informações que reproduz ou utiliza em seus artigos.

No 1º turno das eleições, o mesmo jornalista, por desinformação ou má fé, ou com o intuito de desqualificar o PSTU e lançá-lo na mesma vala das legendas de aluguel, “noticiou” que o PSTU “sobrevivia com o dinheiro do fundo partidário”, quando, na verdade, esse partido é o único que defende a extinção do fundo, chegando a realizar uma consulta ao STF sobre a possibilidade de abrir mão desse recurso. É ainda espantoso o grau de desinformação e desconhecimento de coisas tão corriqueiras, vindo de alguém que já foi um quadro da esquerda. Tal é o caso, por exemplo, do desconhecimento acerca das centrais sindicais e dos setores que nelas atuam, ao ponto de afirmar que a Intersindical seria um “aparelho do PSTU” quando até as pedras sabem que o PSTU não tem qualquer participação na Intersindical.

O hoje articulista da Folha de S. Paulo e do Globo, se não age por má-fé, poderia pelo menos ser um pouco mais rigoroso ou cuidadoso com o que escreve. Afinal, qualquer leitor medianamente inteligente sabe que não faz nenhum sentido que um partido chame o voto nulo no 2º turno das eleições (como fez o PSTU) para, logo em seguida, justamente quando Dilma (PT) decreta todas suas maldades impopulares, tornar-se “sublegenda informal” do PT, como quer o ex-esquerdista.  

Se ele pretende redimir-se de seu passado de esquerda e atacar suas antigas ideologias, poderia fazê-lo de maneira mais honesta, sem inventar ou distorcer fatos, ou pelo menos checando versões e informações.

Nenhum dia de mandato para Jair Bolsonaro!



Bolsonaro atacou ferozmente a deputada Maria do Rosário (PT) no Congresso Nacional se utilizando do machismo para amedrontar e intimidar a parlamentar. Este sujeito banaliza a vida das mulheres e contribui para a violência machista que a cada duas horas faz com que uma mulher seja morta no país. Bolsonaro é conhecido por destilar seu ódio contra as mulheres, negros e LGBTs. É um reconhecido defensor da ditadura militar para garantir os interesses dos ricos e poderosos e representa o que há de mais abjeto na política brasileira. O projeto político do PT de governar com a burguesia vem favorecendo a própria direita: Bolsonaro é do PP, partido da base aliada do governo federal. O PT prometeu mudanças nas últimas eleições, mas no essencial dá sequência aos 12 anos que já estão no poder. Isto é comprovado mais uma vez pela escolha dos ministérios (Katia Abreu no Ministério da Agricultura e Joaquim Levy no Ministério da Fazenda); o escândalo da Petrobras arquitetado pela cúpula petista e demagogicamente utilizado pelo também corrupto PSDB; e a política econômica que segue garantindo os interesses das grandes empresas, bancos e latifundiários. 

Todos os movimentos, ativistas, partidos, coletivos e entidades comprometidas com a luta por um mundo mais justo e igualitário devem repudiar as declarações de Bolsonaro, exigindo a cassação do mandato e sua punição.

Diante desta tarefa de unir os lutadores contra os resquícios da ditadura e o machismo, nos causou muitíssima estranheza a foto onde o deputado Daciolo, deputado federal eleito pelo PSOL-RJ, aparece ao lado de Bolsonaro. É público e notório que o PSTU apoiou a luta dos bombeiros e neste processo tivemos oportunidade de estreitar relações com Daciolo, inequivocamente a grande liderança daquele movimento. Os bombeiros sentiram na pele a repressão do Bope durante a greve de 2011 na ocupação do Quartel Central.

Ocorre que Daciolo se envolveu numa polêmica quando corretamente se manifestou contra violência contra as mulheres no ato político de diplomação.
Após esta manifestação houve nas redes sociais uma tempestade de declarações em defesa de Bolsonaro e em crítica ao Daciolo, ao PSOL, à esquerda e as iniciativas de repúdio as declarações hediondas de Bolsonaro. Posteriormente postaram uma foto em que Daciolo aparece ao lado de Bolsonaro.

Tudo isso é agravado pelo fato do próprio Daciolo estar divulgando um vídeo onde propõe que um general das Forças Armadas assuma o cargo de ministro da Defesa. Nesta declaração cita os baixíssimos investimentos nas Forças Armadas em comparação com países centrais e atribui a isto o alto índice de violência. Divergimos categoricamente de Daciolo.

Sabemos que Daciolo sofre uma pressão enorme de sua  base social, que o elegeu com mais de 50 mil votos, e por isso, infelizmente, tentou se retratar diante das alas mais conservadoras das Forças Armadas. Ao nosso ver, Daciolo acertou em cheio quando protestou contra a violência contra a mulher e se equivocou enormemente ao sinalizar querer se conciliar com um filhote dos anos de chumbo. 

Discordamos categoricamente da necessidade de se ter um general como ministro. Este fato remonta a época da ditadura. Defender mais verbas para as Forças Armadas como solução para o problema da violência é gerar mais militarização das favelas, mais mortes e confrontos armados. O problema da violência é um problema social. Precisa ser tradado com oferta de empregos decentes, salários dignos, educação e saúde pública, de qualidade, legalização das drogas para acabar com o tráfico, acesso à arte, cultura, lazer e esporte.

Defendemos a mais ampla democracia para os praças das Forças de Segurança. Chega de ditadura nos quartéis! Os praças deveriam ter o direito de se organizarem politicamente, criar sindicatos e lutar por suas reivindicações como a eleição dos seus próprios comandantes. Tudo isso na perspectiva da desmilitarização da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. E de fazer com que os soldados, cabos e sargentos, entendam que o problema do país é que os generais, junto com os governos, vêm entregando nossas riquezas para a elite do país e aos países imperialistas. Os generais, governos, megaempresários, todos os ricos e poderosos, tem o mesmo interesse que é defender seus lucros e privilégios, enquanto o povo pobre e trabalhador é brutalmente explorado e oprimido. Vemos isso nas fábricas, nos canteiros de obras, nos estaleiros, nas ruas e também nos quartéis. A saída não é um governo militar, dos generais, como foi na ditadura militar, mas sim um governo dos trabalhadores sem os patrões.


Por fim, acreditamos que a eleição de Daciolo expressou a heroica luta dos bombeiros e seu mandato deve ter esta marca. Consideramos fundamental que os movimentos sociais não titubeiem na luta contra as declarações machistas de Bolsonaro. A tarefa de qualquer parlamentar de esquerda é se opor categoricamente a este indivíduo que defende a volta da ditadura militar e o interesse das elites.

Liberdade para Igor Mendes e todos os presos políticos!

PSTU - RJ

1 - A Polícia Civil, com o aval da Justiça, desencadeou nova investida repressiva contra os movimentos ligados aos trabalhadores. Foi preso no último dia 3 de dezembro o militante do MEPR e da FIP Igor Mendes e expedido mandato de prisão contra Elisa Quadros (Sininho) e Karlayne Moraes. Os três respondiam em liberdade a processo que criminaliza sua participação nas lutas ocorridas em 2013 e 2014 no Rio de Janeiro e foram presos pelo simples fato de terem comparecido a uma atividade pública do movimento.

2 – Esta nova investida busca continuar a política de repressão aos movimentos sociais. Passadas as eleições os governos Dilma (PT) e Pezão (PMDB) já iniciam seus mandatos mostrando um claro rumo em direção a uma política de defesa dos interesses dos banqueiros e grandes empresários que financiaram suas campanhas. As primeiras medidas tomadas apontam para uma política econômica que beneficia os ricos, reduzindo gastos públicos e corroendo salários. Diante das inúmeras demonstrações de luta que a classe trabalhadora e a juventude brasileira deram nos últimos meses é fundamental para o projeto dos governos continuar a repressão aos movimentos sociais, restringindo o direito de lutar e perseguindo os que lutam.

3 - Diante deste cenário é fundamental o total repúdio e irrestrita solidariedade aos perseguidos políticos. Os trabalhadores não devem depositar nenhuma confiança nas informações veiculadas pela grande imprensa que sempre se coloca ao lado dos ricos e poderosos e distorce os fatos para incriminar os que lutam em nosso país. Não devemos ter também nenhuma confiança na Justiça. Na mesma semana em que manda prender ativistas pelo simples fato de terem comparecido a uma atividade político-cultural pública, a justiça solta PMs que estupraram mulheres no Jacarezinho. As Polícias, a Imprensa, a Justiça e os governos estadual e federal são parceiros na perseguição aos que estão na luta. Apenas a nossa mobilização poderá fazer com que recuem em sua política de criminalização.

4 – Alertamos aos trabalhadores e movimentos sociais para a necessidade de se defender da repressão crescente por parte dos governos Dilma (PT) e Pezão (PMDB). É necessário construir políticas de defesa contra a repressão nas nossas entidades e organizações. Os trabalhadores e a juventude vêm demonstrando uma grande disposição para lutar por seus direitos e, diante dos ataques que os governos preparam, devemos ter muito mais lutas pela frente. É necessário, portanto, combater a repressão e preparar as lutas que virão.

Exigimos:

- Liberdade para Igor Mendes e todos os presos políticos!


- Chega de repressão! Lutar é um direito, Lutar não é crime!   

Sobre a reunião da Esquerda Socialista e a unidade da esquerda

     Diversos intelectuais, algumas correntes do PSOL e ativistas independentes, vêm se reunindo em um espaço denominado reunião da esquerda socialista para discutir balanço das eleições, conjuntura atual e tarefas para a esquerda. A principal tarefa proposta pelo espaço é a busca da unidade da esquerda socialista. Essa nota explica o porquê de não participarmos deste espaço.  Respeitamos imensamente os companheiros envolvidos nessas reuniões e sabemos que estão com as maiores das boas intenções, mas é um dever nosso apresentar claramente nossas opiniões.

     A eleição comprovou o início de uma ruptura da classe trabalhadora com o PT. O aumento da bancada da direita é fruto do aumento da abstenção do voto e a diminuição dos votos do PT, ou seja, expressa a maior polarização social existente em nosso país desde as jornadas de junho, levando em conta a contraofensiva ideológica da burguesia após as lutas. Entretanto, não vivemos uma onda conservadora, mas sim um novo momento na disputa da consciência da classe trabalhadora que começa a romper com o PT. As eleições não resolveram os principais problemas abertos em junho nem tampouco serviu para estabilizar a situação política no país. A situação econômica ruindo, o forte sentimento de mudança presente nas eleições e a insatisfação generalizada com as péssimas condições de vida colocam novas dificuldades para os governos. Enquanto isso, a classe trabalhadora vem se preparando para defender seus direitos.

     Nesse sentido é verdade que a esquerda deve se unir, mas, principalmente e urgentemente, na luta concreta e cotidiana dos trabalhadores e jovens. Já começou a luta pela agua em São Paulo que poderá ter reflexos no Rio de Janeiro. Além disso, há um processo de maior instabilidade nos empregos com possibilidade de grandes demissões na indústria. As campanhas salarias serão mais duras. Há ainda o aumento do preço da energia elétrica, gasolina e passagens que penalizará os trabalhadores com uma escalada da inflação e do custo de vida.

     O PSTU sempre considerou estratégico para a emancipação da classe trabalhadora a construção de frentes únicas no movimento de massas que reunisse o conjunto dos explorados e oprimidos com seus diversos partidos e movimentos sociais desde que nos marcos da irrestrita independência da classe trabalhadora, ou seja, sem a participação dos patrões e com o método de democracia operaria. Só assim poderemos superar parte dos problemas da realidade hoje: Unificando as lutas, organizando-as conjuntamente e aprofundando as discussões sobre o programa, ou seja, a saída estratégica para o país. Desde a fundação da Conlutas em 2004, passando pelo Conclat que buscou unificar a Conlutas e a Intersindical em 2011, nossos esforços foram sempre para a construção deste tipo de frente única no movimento.  Em junho de 2013 nos esforçamos na construção do fórum de lutas contra o aumento das passagens, plenária classista e outros meios de conformarmos unidades mais solidas nas lutas. Reiteramos aqui nosso compromisso com esta unidade nas lutas e na construção de ferramentas que sirvam para organizar as lutas da classe trabalhadora, por isso reforçamos o chamado ao fortalecimento da CSP-Conlutas que é também integrada por setores do PSOL.

     Infelizmente, não é disso que se trata a reunião da esquerda socialista. A unidade da esquerda proposta é abstrata, construída superestruturalmente e descolado das lutas dos trabalhadores. Não temos claro seu programa e nos preocupa que seja uma discussão antecipada sobre frente eleitoral. O primeiro problema que surge é que de fato esta não é a principal discussão a ser feita no momento. O segundo é que cada organização discute suas táticas eleitorais internamente e tem direito de aplicar a que lhe convir. Não ficamos a vontade em discutir uma tática eleitoral com dois anos de antecedência. Por ultimo, não cremos que o principal problema da esquerda seja a sua falta de unidade eleitoral, mas sim seu afastamento da classe operária, sua fragilidade programática, o afastamento do marxismo-revolucionário e a perda da estratégia da revolução socialista. A eleição é apenas um aspecto da atuação dos partidos de esquerda. Ao elevarmos este aspecto como estratégico, discutindo dois anos antes qual tática adotar, é um sintoma de que a conclusão política sobre os erros do petismo não foram de fato apreendido por nós. Colocar a frente eleitoral como a solução dos problemas da esquerda é fechar os olhos para os reais e profundos problemas. Dito isto, ainda não temos posição sobre as eleições de 2016, quando for o momento oportuno discutiremos internamente e tornaremos publica se nossa posição será pela frente ou não.

     Mais equivocado ainda seria discutir qualquer tipo de unidade programática, construção de bloco político como expressão desta unidade abstrata dos partidos de esquerda ou qualquer coisa do tipo. Por que?  Porque nossas organizações expressam programas e projetos políticos diferentes. Estamos em partidos separados porque temos avaliações distintas sobre as saídas para o país não só hoje, mas historicamente. Não levar em conta estas diferenças ou tentar jogá-las para debaixo do tapete seria construir uma discussão em si oportunista. Chamar a unidade abstrata seria esconder as diferenças políticas claras.
Caso sejamos convidados para debater sobre a situação do país ou da esquerda teríamos o prazer de mandar nossos representantes como tantas vezes fizemos, mas não nos parece também que seja esse o objetivo do espaço.

     Repetimos: Respeitamos a historia de luta de muitos camaradas presentes na reunião e defendemos a mais ampla unidade da esquerda para lutar, construindo organizações de massas onde os trabalhadores participem com seus partidos de forma independente da burguesia.

Rio de Janeiro – 13\11\2014