Prisões políticas e democracia: uma contradição?

Júlio Anselmo, PSTU-Rio




Há diversas prisões e indiciamentos de ativistas por todo o país. Vivemos a maior onde repressiva desde o fim da ditadura. Esta dura realidade exige de todos os que estão na luta a mais completa solidariedade. O PSTU é parte ativa da luta contra a criminalização de qualquer ativista. Entendemos que o ataque ao direito de luta e manifestação atinge ao movimento de conjunto. Todos que estamos nesta mesma trincheira de luta devemos estar prontos a denunciar toda arbitrariedade, construir a solidariedade entre os que estão na luta e garantir a mobilização para derrotar a atual ofensiva repressiva.

Entretanto, diante deste cenário, muitos ativistas apressadamente afirmam que vivemos um Estado de Exceção ou que está se perdendo o Estado Democrático de Direito. De fato, as cenas se parecem com a ditadura, mas o fato é que vivemos uma democracia burguesa. E os que estão na cadeia são os presos políticos da democracia.

A democracia não é contraditória com repressão e criminalização das lutas, pelo contrário, as pressupõe. A diferença entre ditadura e democracia burguesa são os mecanismos utilizados pelo regime para reprimir as manifestações. Mas ambos regimes são igualmente burgueses e atendem aos interesses dos ricos e poderosos. Por isso, a democracia burguesa sem repressão não existe. Pois para conter a mobilização dos trabalhadores é preciso ter dispositivos repressivos prontos e preparados na democracia. Mas também ficou demonstrado com estas prisões, que a burguesia não titubeará em defender seus interesses com unhas e dentes, instalando regimes de exceção se assim julgar necessário. Hoje, não vivemos uma transição para um Estado de Exceção. Mas, simplesmente, está sendo revelado o verdadeiro caráter dessa suposta democracia. Este é o Estado e a democracia dos ricos e poderosos, enquanto que para os trabalhadores é uma verdadeira ditadura velada! Todos que se levantam contra as injustiças e desigualdades sociais são automaticamente condenados e difamados, não importa pelo o que.

A democracia burguesa é um mecanismo muito hábil em enganar o povo. Vejam vocês que enquanto o Estado Democrático de Direito realiza prisões políticas escandalosas, demonstrando sua verdadeira face, uma parte importante dos ativistas considera que a luta pela libertação dos presos políticos é uma luta em defesa da democracia ou do Estado Democrático de Direito. Ou seja, mesmo quando a luta é claramente contra a democracia burguesa, há um senso comum no ativismo de que devemos defender a democracia. Estes equívocos são compartilhados entre os reformistas e a ultra esquerda. Por exemplo, Marcelo Freixo ao comentar a soltura disse que esta seria uma vitória do Estado Democrático de Direito. E o nome do comitê que vem organizando os atos contra as prisões é “Comitê Contra o Estado de Exceção”. Apesar de serem equívocos diferentes, revelam um mesmo conteúdo e uma mesma capitulação diante das ilusões da democracia.


Defender a democracia dos ricos ou questioná-la profundamente?

Dizer que há uma luta contra um Estado de Exceção, que a democracia burguesa não reprime e que a soltura dos presos é uma vitória da democracia; é embelezá-la. É, por meio das palavras, tentar torná-la o que ela não é, e nem jamais poderia ser. Essa é a finalidade dos reformistas, que defendem irrestritamente a democracia burguesa, numa estratégia de melhorar a sociedade, aos poucos, a partir de pequenas conquistas parlamentares.

Com o aumento da repressão, os reformistas e setores da FIP clamam pelo aperfeiçoamento das instituições da democracia. Para se justificar, forjam uma suposta ofensiva ditatorial na sociedade. Entretanto, atualmente, não há uma luta entre democracia versus ditadura, mas sim o aumento da polarização entre as classes sociais, com uma luta encarniçada entre os trabalhadores e a burguesia. Aqui não se trata de defender a democracia burguesa, mas sim de questioná-la profundamente. Exigir a radicalização da democracia ou a reforma política-eleitoral como fazem setores da FIP não basta, pois isso reforça a hipocrisia e dissimulação da burguesia, perpetuando a exploração e opressão sobre os trabalhadores.

A posição do PSOL fica mais evidente nas opiniões do Deputado Estadual Marcelo Freixo (clique nas falas para ler as matérias): Temos que disputar uma concepção de sociedade que não pode negar os canais democráticos. Destruir o prédio da ALERJ não muda a péssima qualidade dos deputados que trabalham dentro da ALERJ. O que muda é o fortalecimento do processo democrático. Disse ainda que “a sociedade quer, principalmente, é uma maior radicalidade na participação popular nas decisões governamentais". A solução para a corrupção não vai ser através de aulas de moral e cívica ou religião, mas através da reforma política, pauta que pode a qualquer momento voltar com força”, completou. Fica claro, na opinião de Freixo, que as transformações se darão através das eleições, de iniciativas parlamentares e do respeito às instituições do regime democrático. Esquecem que esta foi a tônica do falido projeto do PT, que se mostrou inviável, já que a burguesia é quem controla o poder econômico e político da sociedade.

Parece que não entendem que esta democracia não atende aos trabalhadores. Os liberais dizem que somos iguais perante à lei, mas é verdade também que a burguesia contrata os melhores advogados, compram juízes e que as leis são feitas para lhes beneficiar. Há uma suposta liberdade de expressão, mas não dizem que é a burguesia que detém os veículos de imprensa com grande circulação. Dizem que a democracia é liberdade. Mas os trabalhadores não têm a liberdade de deixar de trabalhar todos os dias para participar da vida política. Podemos reivindicar, mas, já é sabido por todos, que uma hora ou outra, chegará a polícia para reprimir. Essa é a democracia dos ricos que os reformistas nas horas mais agudas da luta de classes, ao longo da história, insistem em tentar salvar, salvando junto a dominação burguesa.


Em defesa das liberdades democráticas!



O imperialismo em nome da democracia declara guerras por lucros, domina os povos por todo o mundo e explora cada dia mais os trabalhadores. Vários setores da esquerda passaram a adotar a defesa da democracia como valor universal, ajudando o imperialismo a esconder-se atrás deste discurso para melhor sustentar sua dominação e exploração, iludindo os trabalhadores. Há também aqueles que em nome de um suposto enfrentamento com o imperialismo estão aliados às ditaduras mais sanguinárias da história como Assad na Síria, se colocando contra a luta do povo por democracia.


Defender a democracia burguesa quando estamos numa ditadura burguesa é muito progressivo, pois melhora as condições de mobilização dos trabalhadores, fortalecendo-os para questionarem a própria dominação burguesa. Democracia e ditadura são formas diferentes de dominação burguesa, e, portanto, não podem ser igualadas em uma análise marxista séria. Na democracia há melhores condições para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores.  Por isso também, defendemos amplas liberdades democráticas, que favoreçam a mobilização e emancipação dos trabalhadores, tais como: direito à manifestação, ao voto, aos trabalhadores construírem partidos, tempo igual de televisão entre os partidos, direito de criar sindicatos e de se sindicalizar, reforma agrária, desmilitarização das polícias, etc. A conquista das liberdades democráticas, ao longo da história, foram resultado das lutas da classe trabalhadora, da força do movimento operário e dos combates por ele travados. Tal fato, entretanto, não torna a democracia burguesa um regime socialmente neutro, e muito menos um regime favorável aos trabalhadores.

Lutamos implacavelmente contra as ditaduras burguesas, principalmente, aquelas sustentadas pelo imperialismo como na Síria. É motivo de orgulho o fato de que a Convergência Socialista, organização que deu origem ao PSTU, ter seu papel reconhecido oficialmente na luta contra a ditadura. Isto é bem diferente de manter a luta dos trabalhadores nos marcos da democracia burguesa como fez o PT, afirmando que a saída estratégia é a luta parlamentar. Em países com regime democrático, não adianta lutarmos para democratizar a democracia, pois enquanto o poder estiver nas mãos da burguesia este será o Estado deles.


Por um governo dos trabalhadores, sem patrões!



A greve dos garis, rodoviários, metroviários, operários da construção civil e demais categorias demonstram a força dos trabalhadores. As bombas e tiros provam que não há saída por dentro do sistema capitalista! Não há possibilidades de conciliação entre os interesses dos trabalhadores e da burguesia. Quem diz que governa para todos, tenta disfarçar que governa para os ricos. Está demonstrado pela realidade que, para as nossas reivindicações serem satisfeitas, temos que transformar radicalmente a sociedade. A única alternativa estratégica é a luta revolucionária contra a burguesia e a tomada do poder político pelos trabalhadores, construindo suas próprias instituições e organismos democráticos de auto-governo.


Não queremos apenas maior participação popular nas decisões governamentais, como defendem Freixo e setores da FIP, queremos que os trabalhadores decidam tudo, através de seus organismos de democracia operária. Contra as promessas de reformas políticas ou eleitorais, feitas por demagogos, supostamente, democratas, a saída é a revolução socialista dos explorados e oprimidos.  Só assim será possível exterminar a dominação burguesa que condena a humanidade a dor, miséria e sofrimento.


Atos reivindicando democracia agitaram o Rio nesta terça-feira

Manifestações democráticas contrastaram com ofensiva dos governos e da grande mídia

Por Rodrigo Noel e Rodrigo Barrenechea, do Rio de Janeiro


   A manhã de hoje começou agitada no Rio. Com um ato marcado pela ampla unidade dos setores democráticos da política fluminense, a OAB-RJ recebeu em sua sede, no Centro do Rio, o ato "Em defesa da democracia - Contra a criminalização da liberdade de manifestação". O auditório da seccional ficou pequeno. Ali estavam parlamentares de esquerda, ativistas de direitos humanos, jovens estudantes, sindicalistas, militantes feministas, advogados e toda uma gama de bravos lutadores e lutadoras que estavam ali em defesa da democracia, em defesa do direito a reunião e organização política.

   Os informes e relatos de arbitrariedades promovidos pelo Governo do Estado do RJ são alarmantes. Vão desde a invasão a casa de militantes sem mandado de busca, com confisco de livros e documentos pessoais, até inquéritos intermináveis, no intuito de perseguir politicamente aqueles que defendem uma sociedade mais justa e fraterna.
Cyro Garcia
(por celular)

   Em sua fala, o presidente do PSTU-RJ, nosso companheiro Cyro Garcia, contextualizou a repressão que vivemos nos dias atuais: "O Rio de Janeiro vive com mais intensidade esse recrudescimento da criminalização dos movimentos sociais, mas esse é um processo nacional. Em Porto Alegre nosso companheiro Matheus Gordo teve sua casa invadida, documentos e livros confiscados e é acusado de formação de quadrilha. Em São José dos Campos (interior de SP), o companheiro Renatão foi processado pela mesma juíza que ordenou o massacre do Pinheirinho, por organizar um tradicional bloco de carnaval do sindicato dos metalúrgicos da região".

   Ao final do ato, foram organizadas comissões de diálogo com os movimentos sociais, de profissionais do Direito e outra comissão que reúne os parlamentares, a fim de organizar a luta em defesa da democracia nos mais diversos âmbitos de atuação. Antes de encerrar a atividade, chegou a todos e todas a informação que a ALERJ (Assembleia Legislativa do RJ) acabara de abrir um inquérito disciplinar contra a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) por esta ter dado carona a advogada Eloisa Samy ao sair do Consulado do Uruguai, onde foi pedir asilo ontem.

Mídia criminaliza e faz o serviço sujo dos governos


   Em matéria publicada no jornal O Globo, são feitas acusações a diversos sindicatos, como o Sepe e o Sindipetro, de envolvimento com os ativistas acusados. Além de notoriamente inverídica, a reportagem tem perigosas implicações para a relação entre meios de comunicação e liberdades democráticas.
   Segundo O Globo, a investigação da polícia civil "revelou indícios do envolvimento de sindicatos no financiamento de protestos". Tais indícios "foram usados para abrir um novo inquérito, com o objetivo de chegar aos financiadores". Ainda, segundo a reportagem, foram lançados coquetéis molotov contra os integrantes da Força Nacional de Segurança.
   Vamos primeiro às respostas dos sindicatos: o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), em nota, refuta as acusações do jornal, afirmando que suas reivindicações são elaboradas pelo conjunto da categoria dos educadores, por meio de assembleias. Ainda, que nelas não constam "apoio do sindicato à atos violentos e de dilapidação do patrimônio público ou privado"; por fim, que nada é decidido de forma secreta ou clandestina, já que as reivindicações "são amplamente divulgadas pela imprensa do sindicato, através da sua página oficial do SEPE/RJ na internet ou quando a Coordenação Geral é chamada para entrevista". Já o Sindipetro-RJ, em nota assinada por seu secretário-geral, Emanuel Cancella, rejeita "as distorções trazidas na matéria 'A conexão sindical' do Jornal O Globo desta terça-feira, 22 de julho, que busca criminalizar movimentos sociais e manchar o nome e a história de luta da nossa entidade". Além disso, diz que a suposta ajuda dada a manifestantes na verdade se tratava de auxílio dado a atos políticos legais, como "o protesto contra o leilão de Libra e outras manifestações, como os atos contra a privatização do Maracanã, em defesa da Aldeia Maracanã, contra a demolição da Escola Municipal Friedenreich, do Célio de Barros e do Parque Aquático Julio Delamare. Consideramos legítimo o apoio a livre expressão dos movimentos sociais na luta por direitos sociais e por uma vida melhor. Nada disso é proibido pelas leis brasileiras". Por fim, na nota o Sindipetro questiona a ética editorial da reportagem, "que deu um péssimo exemplo de jornalismo ao publicar matéria baseada em inverdades e sem ouvir a versão dos fatos do alvo de seu ataque, neste caso, nós do Sindipetro-RJ".
   Quanto às escolhas da matéria, um aspecto da nota assinada por Cancella é sintomático: a falta de provas sobre a suposta violência dos manifestantes contra a Força Nacional de Segurança, no ato contra o leilão de Libra, na Barra da Tijuca. "Diferente do que fala a matéria, também vale destacar que a violência no ato contra o leilão de Libra partiu da força policial. Temos toda a manifestação gravada e nos colocamos a disposição para comprovar essa grande inverdade da matéria". Ou seja, a reportagem de O Globo não apenas não ouviu todas as partes envolvidas, como não foi a fundo na apuração dos fatos. Nós, do Pstu Rio, estivemos presentes ao ato e não vimos nem coquetéis molotov nem que a violência tenha partido dos manifestantes. Ao contrário, foi a FNS que investiu contra os ativistas, que pouco fizeram além de se proteger das bombas de gás e balas de borracha.
   Cabe então perguntar: o que deseja o jornal O Globo com essa linha editorial? A sua tão propalada "isenção" pode ser levada à sério diante de acusações sem fundamento? Sua "imparcialidade" leva a que só um dos lados da questão seja ouvida? Ou se trata de validar o intento de criminalizar os movimentos sociais por meio de um discurso que diz quem vai às passeatas é "vândalo" e que sindicatos, fóruns de ativistas ou partidos são "quadrilhas"?

À noite, ato cultural pede libertação dos presos políticos


   No fim do dia, outra manifestação, realizada também no centro do Rio, pediu pela liberdade aos presos políticos. Reunidos em frente ao Tribunal de Justiça, os ativistas lavaram a escadaria do prédio, em protesto às prisões arbitrárias e em alusão do caso de Rafael Braga. Ele, preso por supostamente portar explosivos e detido no complexo penitenciário de Bangu, estaria na verdade levando detergente em sua mochila.
   Apesar da forte presença policial, o ato - que marchou do TJ até a Cinelândia, onde um show foi feito - transcorreu em calma. A propósito da presença da PM, chegou a nosso conhecimento que uma profissional de imprensa ligada à esquerda foi continuamente provocada pelos policiais, que diziam a ela que "isso não ia dar em nada", "que todo mundo ia mofar na cadeia", entre outras afrontas.
   Também presente no ato à noite, Cyro Garcia falou da criminalização dos movimentos sociais e da necessidade de se desmilitarizar a polícia. "Exigimos liberdade imediata a todos os lutadores da classe trabalhadora e arquivamento dos processos em curso!", disse.

Chega de perseguição! Que os diretores da AFINCa retirem todos os processos contra Tatianny Araújo!

                                            Por Alessandra Camargo, do Rio de Janeiro

Desde junho de 2013 vivemos no país um processo de acirramento da luta de classes, marcado por uma onda de protestos e greves. Os governos ao invés dar voz e ouvidos aos anseios populares, preferem utilizar a polícia e a Justiça para reprimir e criminalizar os movimentos e o ativismo. Assim, trabalhadores são reprimidos, perseguidos, demitidos, processados e indiciados criminalmente por ousarem lutar por melhores condições de vida.

Os ventos de junho também sopraram sobre os trabalhadores da Saúde Federal do Rio de Janeiro que neste ano fizeram uma greve histórica. O objetivo do movimento paredista foi derrotar a política do governo de aumento da jornada de trabalho de 30 para 40 horas semanais, sem contrapartida salarial, por meio da implantação do ponto eletrônico e, com isso, abrir caminho para a privatização. Segundo o governo tal medida visava a “moralização da saúde pública”, como se os trabalhadores fossem os responsáveis pelo subfinanciamento, privatização, corrupção, sucateamento, falta de insumos e profissionais, entre outras mazelas do SUS. Mas os servidores não aceitaram pagar essa conta e partiram para a luta, paralisaram os serviços não essenciais e tomaram as ruas e gabinetes (governo e direções), quase que cotidianamente até que o governo fosse derrotado.

Em meio ao processo de mobilização os servidores do Instituto Nacional do Câncer no Rio de Janeiro (INCa) também bradaram após décadas de silêncio. Uma rebelião de base tem denunciado a privatização da Instituição e reivindicando o direito à jornada de 30h semanais, e ainda melhores relações no trabalho, explicitamente um combate ao assédio moral.

Outras bandeiras de lutas têm sido levantadas, especialmente com relação à demanda por ampliação de vagas na creche. É sabido que a saúde é um setor majoritariamente composto por mulheres trabalhadoras, e o direito à creche urge. No INCa nossa companheira Tatianny Araújo tem desbravado com protagonismo esta luta, pois sempre teve no feminismo um traço marcante de sua militância, e não seria diferente em seu local de trabalho. 

Infelizmente em meio à luta da classe, existem aqueles que se localizam contrários a ela e consequentemente aos trabalhadores. Este é o papel assumido pela burocratizada direção da Associação de Funcionários do INCa (AFINCa) que além da inércia em torno do movimento da Saúde Federal se coloca constantemente em lado oposto aos interesses dos servidores do INCa, e  toma para si o papel de perseguidora daqueles que se contraponham ao governo e a direção.

Tal postura indignou os servidores associados que publicitaram sua decepção com a atual gestão, em meio público, como redes sociais. Em que pese exageros, o possível uso inadequado de adjetivos e às divergências políticas existentes no movimento, nada justifica utilizar tais publicações para judicializar a luta e criminalizar trabalhadores da base da associação, substituindo a disputa de ideias na arena politica pela sentença de um juiz. E mais, nenhum argumento legalista explica requerer dinheiro da base, de quem trabalha para assegurar seu sustento e de sua família.  

Ainda assim, o fato é que hoje existe um processo criminal e seis processos civis, movidos pelos seis diretores da AFINCa contra a companheira Tatianny Araújo, por danos morais, pois os mesmos sentiram-se ofendidos com uma crítica postada em rede social. Em números isso corresponde há um montante de R$ 173.760,00 sendo que cada diretor da atual gestão da AFINCa pretende ser contemplando com R$ 28.960,00.

Coincidentemente a judicialização ocorreu não após a publicitação do post (março/2014), mas posteriormente a denúncias de que diretores da AFINCa teriam sido favorecidos pela direção do INCa na distribuição das vagas da creche (maio/2014) em detrimento dos demais servidores.

Tal “munição” jurídica deveria ser utilizada pela direção da AFINCa contra aqueles que exploram e oprimem os trabalhadores do INCa e querem privatizar o Instituto, um patrimônio do SUS que está prestes a ser entregue aos empresários da saúde por meio da Empresa Pública - "novo modelo de gestão" para o INCa. 

Não podemos admitir ataques aos direitos democráticos de manifestação e liberdade de opinião. Nem que a direção da AFINCa faça coro com iniciativas de criminalização promovidas pelos governos e pela burguesia contra aqueles que lutam, como nas demissões dos metroviários de São Paulo, os processos aos ativistas do Bloco de Lutas de Porto Alegre, o corte de salários na educação e ainda as prisões de ativistas por protestarem no Rio de Janeiro.
Diretores eleitos para encaminhar o pleito dos trabalhadores não podem impunemente assumir o papel de algozes dos mesmos. Não se conquistará melhores condições e relações de trabalho ou ainda, não se construirá uma sociedade justa e igualitária se não erguermos organizações políticas totalmente independe dos patrões (direções) e do governo. E a atual direção da AFINCa tem provado não servir a esses propósitos.
Chega de criminalização! Chega de perseguição! Lutar é direito, não é crime!
Que os diretores da AFINCa retirem todos os processos contra Tatianny Araújo!
Solidariedade aos que lutam! Toda solidariedade à companheira Tatianny Araújo!

Pela liberdade imediata dos presos políticos de Dilma e Pezão

   Pelo fim da polícia militar e da política de repressão dos governos! 

Na manhã deste sábado (12) estão sendo cumpridos 60 mandados de prisão contra trabalhadores e estudantes. Enquanto a máfia dos ingressos da FIFA permanece livre, cerca de 20 ativistas já estão presos

   Os governos mostram qual é o verdadeiro legado da Copa: repressão, supressão de direitos democráticos e remoções. Até o momento, cerca de 20 mandados de prisão provisória, com duração de até cinco dias, já foram cumpridos. Entre os presos, estão dois menores de idade. Os ativistas presos foram retirados de suas casas e levados em camburões, sob a mira de armas de grosso calibre, para a “Cidade da Polícia”, no Jacarezinho (Zona Norte do Rio). Um grupo será transferido ainda hoje para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste da capital.

   Há denúncias de que prerrogativas dos advogados que estão na “Cidade da Polícia” estão sendo desrespeitadas. Os midiativistas presentes no local foram impedidos de participar de uma coletiva de imprensa organizada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Somente a mídia tradicional, conivente com os governos de plantão, que dependem das verbas institucionais para aumentar seus lucros, e que apoiaram o famigerado golpe civil-militar de 64, puderam participar do espetáculo montado.

   Para continuarem com sua onda repressiva, os governos contam com a conivência da mídia tradicional. Na Band News FM foi relatado que na casa de um dos presos, um professor, foi encontrada uma máscara de gás, como se fosse algo perigoso, na verdade quase um objeto de uso obrigatório nas manifestações de rua pela capital fluminense, dada a quantidade de bombas de gás lacrimogênio que é jogada a esmo pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Na Rede Globo a chamada para o o jornal vespertino não foi diferente, ao tratar como “vândalos” aqueles que lutam.

   Fazemos esta denúncia não por concordar com as ações e os métodos dos grupos políticos a que pertencem os ativistas presos. Mas, não podemos admitir ataques aos direitos democráticos de manifestação e liberdade de opinião. Acreditamos que essa ação faz parte de uma onda repressora de Dilma (PT), Pezão/Cabral (PMDB) e Alckmin (PSDB), contra aqueles que lutam, como aconteceu nas demissões dos metroviários de São Paulo, com o corte de salários na educação do Rio de Janeiro e os processos aos ativistas do Bloco de Lutas de Porto Alegre, como Matheus 'Gordo', militante do PSTU.

Chega de dinheiro para a FIFA! Exigimos mais dinheiro para saúde, transporte, moradia e educação!

Toda solidariedade aos presos e perseguidos por lutar no Rio e em todo país!

Lutar não é crime, lutar é um direito!

Dayse Oliveira (PSTU) inicia campanha em bairros operários do Rio

A candidata ao governo do estado estava acompanhada do candidato a presidente da república Zé Maria

Da redação,


Este domingo (6) foi o primeiro dia para os candidatos na eleição 2014 apresentarem oficialmente as candidaturas. O PSTU escolheu localidades com grande concentração de trabalhadores para iniciar a disputa eleitoral. No Rio de Janeiro, além da candidata a governadora Dayse Oliveira e da vice Marília Macedo; do candidato a senador Heitor Fernandes e de Cyro Garcia, candidato a deputado federal; as atividades contaram com a presença do candidato a presidente da República, Zé Maria. 
Candidatos fazem caminhada 
pela feira de Alcântara-SG
A campanha iniciou cedo, às 9h, na Feira de Alcântara, na cidade de São Gonçalo, residência de Dayse e de grande parte dos operários do Comperj, um dos maiores pólos petroquímicos do país, onde foram protagonizadas greves e mobilizações operárias. 
Nós escolhemos estar ao lado dos operários desde o início de nossa campanha. Nosso partido está a serviço da luta dos trabalhadores, que constroem as riquezas do país, mas não vêem mudança em suas vidas”, afirmou Zé Maria. O candidato apoiou desde o início as mobilizações do Comperj, assim como fez com a luta dos operários das obras da Copa, da construção civil, dos garis, metroviários, educadores e demais categorias. 
À tarde, os candidatos do PSTU fizeram uma caminhada pelo bairro da Maré, ao lado de militantes e apoiadores do partido. “Conversamos com a população e percebemos a insatisfação com os governantes. A opressão sofrida pela população negra, moradora das favelas ficou escancarada pelos casos de Amarildo, Claudia e Douglas. As UPPs e a política de segurança dos governos federal e estadual não mudaram, mas aprofundaram essa realidade. Estamos ao lado dos moradores das comunidades, contra a criminalização da pobreza”, esclareceu Dayse Oliveira. 
Além dos postulantes às vagas majoritárias, os candidatos a deputados estaduais do Rio de Janeiro também marcaram presença na atividade. Todos trabalhadores. Entre eles, petroleiros, trabalhadores dos Correios, profissionais da educação e operários. 
Nesta segunda-feira (7), o PSTU fará sua segunda atividade de campanha, mais uma vez ao lado dos trabalhadores. Farão uma panfletagem às 6h, nos estaleiros navais do bairro do Caju. 

Veja as imagens:
Veja vídeo da atividade

No primeiro dia de campanha, Zé Maria (PSTU) estará em bairros operários do Rio de Janeiro


PSTU iniciará sua campanha eleitoral em bairros operários do Rio

Da Redação,
Os locais escolhidos foram a Feira de Alcântara, no município de São Gonçalo e a Comunidade da Maré, na capital fluminense. A atividade também é parte do lançamento das candidaturas do PSTU no estado, com a professora Dayse Oliveira a governadora e a servidora Marília Macedo como vice.
Zé Maria, Dayse e Marília estarão acompanhados de Heitor Fernandes, que concorre a uma vaga no Senado; do presidente do PSTU no RJ e candidato a deputado federal, Cyro Garcia; além dos postulantes a deputados estaduais, militantes e simpatizantes do partido.
“Nossas candidaturas estão focadas na classe operária. Tanto a cidade de São Gonçalo, onde resido, quanto a Maré, concentram uma grande quantidade de trabalhadores que sentem no dia a dia a consequência de políticas que privilegiam os ricos, gastos com a Copa, no lugar de investimentos em transporte, saúde, educação, moradia e direitos aos trabalhadores”, opinou Dayse Oliveira.
A escolha das duas cidades não foi à toa. Município com a segunda maior população do estado, São Gonçalo é moradia de grande parte dos trabalhadores do Comperj, que protagonizaram algumas das principais greves e manifestações operárias do país nos últimos anos e tiveram apoio de Zé Maria e do PSTU. Já a capital fluminense, concentrou lutas de categorias importantes, como garis, rodoviários, educadores e juventude.
“As manifestações e greves que sacudiram o Brasil mostraram que a população não está satisfeita. Tem muita coisa errada, e é preciso mudar. A riqueza do país tem que ficar na mão de quem trabalha, e não na mão de quem explora. Não pode ser que as obras dos estádios da Copa tenham ultrapassado os R$ 8 bilhões, enquanto as pessoas morram nas filas dos hospitais. Colocamos nossas candidaturas a serviço dessas bandeiras”, afirmou Zé Maria.
Na Maré, a população sofre, cotidianamente, com a militarização da comunidade através da ocupação das UPPs e por isso foi palco de grandes mobilizações em 2013. “O caso Amarildo na Rocinha escancarou para a sociedade o que significa a presença das UPPs nas comunidades. A defesa da desmilitarização da polícia está na ordem do dia. Nossa candidatura estará ao lado dos moradores da comunidade contra a repressão e a criminalização da pobreza”, completou o candidato.
Calendário:
> A partir das 10h, Zé Maria, candidatos do PSTU e militantes farão uma caminhada na Feira de Alcântara, em São Gonçalo.
> Às 13h, visitarão a Comunidade da Maré, na capital fluminense.

Sobre a condenação do PSTU por defender a campanha do "Fora Cabral"


Já corre na imprensa que a pedido de Sérgio Cabral e de Pezão (PMDB) o TRE RJ condenou o PSTU a pagar uma multa de R$25 mil. O motivo foi a campanha política "Fora Cabral", desenvolvida pelo PSTU. Segundo o relator do processo o partido teria "ultrapassado os limites da liberdade de expressão".

A luta contra o governo Cabral/Pezão ganhou fôlego a partir da experiência feita pelos trabalhadores com este governo. Um governo marcado por escândalos de corrupção, pela militarização das favelas e pela repressão aos movimentos sociais. O povo trabalhador do RJ assistiu indignado Sérgio Cabral fazendo farra no exterior com empresários corruptos. Se solidarizou com os bombeiros grevistas que foram presos e com os professores que foram tratados com choque elétrico, gás e tiros por Cabral. Esteve de luto pelo assassinato de Amarildo, Claudia e DG, vítimas de uma política desastrosa de segurança pública. O povo trabalhador fez a experiência com Cabral/Pezão. E decidiu que ele devia deixar o governo.

Milhões foram às ruas do Rio de Janeiro em 2013. Qualquer pessoa que tenha minimamente se informado sobre estas manifestações sabe que, no Rio de Janeiro, a principal exigência dos trabalhadores nas ruas foi "Fora Cabral". A popularidade do governador caiu a níveis desmoralizantes. Acuado, cinicamente deu entrevistas pedindo clemência, implorando que os manifestantes parassem de fazer atos em frente a sua casa. Ao mesmo tempo, impôs uma dura repressão às manifestações.

O PSTU foi o partido que deu voz a esta demanda dos trabalhadores. Transformou a exigência das ruas pelo "Fora Cabral" em uma verdadeira campanha política. Levou esta discussão a todas as categorias de trabalhadores onde esteve presente. Ajudou a organizar as manifestações que o movimento social do RJ convocou pelo "Fora Cabral". Este para Cabral e Pezão foi o nosso grande crime.

Derrotado, com a carreira politica inviabilizada a ponto de sequer poder ser candidato a nada, Cabral ataca o PSTU. A condenação do nosso partido mostra os limites da democracia em que vivemos. Uma democracia onde os representantes dos ricos como Cabral podem tudo. Podem violentar professores e bombeiros, podem privatizar o patrimônio do povo, podem impor a ocupação militar das favelas com as UPPs, podem continuar no poder mesmo que os trabalhadores os odeiem. Mas instituições como os sindicatos e os partidos como o PSTU são punidos por dar voz à maioria trabalhadora.

A perseguição que sofre o PSTU a mando de Cabral e Pezão é um verdadeiro atentado ao direito de manifestação. Quer dizer que um governante não pode ter seu mandato questionado? É um crime defender a saída de um governante do poder? Vamos negar uma das mais importantes páginas de nossa história, como foi o caso do Fora Collor? A condenação hoje recai sobre o PSTU, mas na verdade trata-se de uma restrição do direito de manifestação, um atentado contra as liberdades democráticas.

Por fim, o PSTU ainda não foi formalmente notificado da decisão do TRE RJ, mas tomará as medidas judiciais cabíveis tão logo isto aconteça. Independente disto reafirmamos nosso compromisso com as lutas dos trabalhadores. Nossa corrente política foi parte da luta contra ditadura militar, esteve presente nas principais greves e manifestações de trabalhadores dos últimos 40 anos no Brasil. Sabemos muito bem que a cada avanço de nossa luta novos mecanismos repressivos serão utilizados contra os trabalhadores. Chamamos os movimentos sociais a se posicionar contra qualquer restrição do direito de manifestação ou da liberdade de expressão e a continuar firmes na luta.


04 de Julho de 2014, Direção do PSTU RJ