Polícia Militar do Rio invade prédio e desaloja famílias com brutalidade

Foto: Midia Informal
Terreno da Telerj estava há pelo menos 10 anos vazio; polícia utiliza arma de fogo durante o despejo

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   O dia começou com cenas de guerra e barbárie para milhares de pessoas que ocupavam um terreno abandonado da Telerj, atual Oi, na Zona Norte do Rio, neste 11 de abril. A polícia deslocou um contingente de 1600 policias para cumprir uma ordem de reintegração de posse contra cinco mil pessoas que ocupavam a área desde o dia 31 de março. A ação, que começou por volta das 6h da manhã, resultou em dezenas de feridos, inclusive crianças. Cápsulas de fuzil pelo chão denunciavam que não foram apenas utilizados armamento “não letal”.

   A truculência policial contra os moradores contou com helicóptero despejando bombas de gás lacrimogêneo, numa ação que lembra muito o despejo da PM de Alckmin na ocupação do Pinheirinho, há dois anos. Tal como ocorreu em São José dos Campos (SP), os moradores denunciavam que foram expulsos pela polícia com ameaças, não conseguindo sequer recuperar seus pertences dentro dos barracos. Uma retroescavadeira do Bope, por sua vez, punha abaixo as moradias, enquanto a repressão ocorria do lado de fora do prédio.
Policial saca arma de fogo durante repressão a moradores (Ag Brasil)
Cenas de barbárie
   Para chegar ao prédio desocupado não foi fácil. A maior parte dos acessos estava bloqueada pela Polícia Militar, mesmo para moradores que se identificavam e apresentavam comprovantes de residência. O clima de tensão na região era combinado com o espetáculo midiático dos grandes veículos de imprensa, que insistiam na linha editorial de “restabelecimento da ordem”, chamando os moradores de “invasores” e “vândalos”.

   O RJTV 1ª edição, da Rede Globo, quase um diário oficial da cidade, dizia que a ação havia sido pacífica. Não foi o que eu vi. O que presenciei foram pessoas desesperadas, muitas aos prantos, após terem sido covardemente agredidas e humilhadas. Muitos integrantes do Batalhão de Choque da PM e do Bope ostentavam armas de grosso calibre em frente a uma população desarmada e desamparada. Essa mesma PM, que “sumiu” com o pedreiro Amarildo Dias de Souza, que assassinou a trabalhadora Claudia da Silva Ferreira, e que pratica os seguidos autos de resistência.

   Próximo a um supermercado da região, a prefeitura do Rio organizou um arremedo de cadastro dos moradores expulsos da Favela da Telerj, onde coletava apenas o primeiro nome e um telefone para contato. E mais nada. Revoltados, os moradores desalojados seguiram para a porta da Prefeitura do Rio e prometiam passar o final de semana acampados por lá até que o prefeito Eduardo Paes negocie e ofereça alguma alternativa.

   "Acompanhamos a desocupação da favela da Telerj e ouvimos muitos relatos de arbitrariedades", afirmou Aderson Bussinger, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e militante do PSTU. "Presenciei muitas pessoas feridas por balas de borracha, uma senhora idosa na UPA Sampaio ferida não, ouvi relatos de mães que tiveram filhos agredidos", disse, informando ainda que a Comissão de Direitos Humanos irá preparar um relatório apurando as denúncias de abuso policial.

“Tem que baixar o sarrafo mesmo”
   Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio, 27 pessoas foram presas durante a desocupação. Um jornalista do Globo chegou a ser detido enquanto tentava filmar a ação da PM com o celular, que foi confiscado e roubado por um policial. Entre os inúmeros feridos, um morador ficou cego de um olho ao ser atingido por um disparo de bala de borracha. Após a ação, pelo menos três crianças foram hospitalizadas.

   Em outra frente, moradores da Providência, Horto, Vila Autódromo e outras comunidades que têm sofrido com as remoções realizadas pelo estado ocuparam o prédio da Defensoria Pública exigindo a saída de Nilson Bruno Filho, Defensor Público Geral do Estado. Nilson tem atuado como aliado do prefeito Paes nos casos de remoções arbitrárias para as obras da Copa e Olimpíadas.

   O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, por sua vez, apoiou a ação e disse que "foi feito o que tinha que ser feito". Um diretor administrativo da secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos foi ainda mais direto e expôs com clareza como pensa esse governo. "Tem que baixar o sarrafo mesmo", escreveu Antony Faria La Ruina em uma rede social.

Uma dura rotina
   A repressão ao povo pobre e negro do Rio de Janeiro virou uma rotina. Não se trata mais de uma ação desmedida de alguns governantes desmiolados ou fruto de devaneio de um comandante de batalhão. Mas uma política consciente, orquestrada por toda cúpula dos três poderes fluminenses (Executivo, Legislativo e Judiciário) para beneficiar a especulação imobiliária e garantir as obras da Copa e das Olímpiadas. O terreno da Telerj está abandonado há cerca de 20 anos. A ação de reintegração de posse foi solicitada pela companhia telefônica Oi, empresa que possui valor de mercado superior a R$ 6,5 bilhões, e que foi a aposta do então governo Lula na criação de uma “supertele” nacional.

   A ação de reintegração de posse e a brutalidade da Polícia Militar contra os moradores mostraram ainda o verdadeiro caráter dessa polícia, comprometida com os interesses das grandes empresas e utilizada pelos governos para atacar o povo pobre e negro das periferias. Essa polícia tem que acabar!

Tréplica do PSTU à Nova Democracia: queremos os vídeos na íntegra!

Muito curioso o vídeo da Nova Democracia a respeito das gravações divulgadas pelo PSTU sobre a invasão à sede do partido.

Reclamam de manipulação das imagens e mostram trechos mínimos das suas 6 câmeras, como disse o Patrick Granja que havia ali. Nenhum trecho de confusão, apenas declaração dos membros do PSTU que estavam enclausurados em sua própria sede. Chegam a mostrar um Black Bloc jogando bola inocentemente com uma criança diante da sede do partido.

Daniel Cruz, do Coletivo Mariachi, diz que a sede do PSTU parece uma prisão. O PSTU é um partido revolucionário que sempre foi e continua sendo perseguido pelo Estado. Depois de junho, diversos militantes, em especial no Rio Grande do Sul, tiveram suas casas vasculhadas pela polícia e hoje respondem a inquéritos policiais por formação de quadrilha (veja aqui: http://www.pstu.org.br/node/20454). Algumas sedes regionais do partido no nordeste do país foram arrombadas e tiveram documentos roubados. Menos mal que o PSTU do Rio de Janeiro tem uma grade de proteção. Ela serve para defender a integridade do local de ataques da polícia e de ataques como o que o partido sofreu no dia 1º. Se não houvesse grades, sabe-se lá o que teria acontecido.

Dizem que o partido se liga ao que há de pior na política brasileira: PT, PSDB, CUT, Força Sindical. Vale lembrar que os trabalhadores da Europa fizeram, no último período, várias greves gerais, inclusive uma greve continental. Isto é o que queremos fazer aqui. Greves gerais causam muito mais prejuízos à burguesia nacional e internacional do que vidraças de bancos partidas, caixas eletrônicos danificados, ou roletas da estação de trem destruídas. A bem da verdade, elas são imediatamente substituídas e, o que é pior, por trabalhadores explorados. Mas como fazer uma greve geral no país, se os metalúrgicos do ABC - que foram protagonistas nas lutas contra a ditadura - hoje são dirigidos pela CUT? Se os petroleiros são, em sua maioria, dirigidos pela FUP? A tática do PSTU é chamar as centrais sindicais para as lutas e colocá-las contra a parede. Ou bem elas são obrigadas por suas bases a lutar, a entrar em greve, ou então recusam a luta e são flagrantemente desmascaradas. Cabe, aos partidos e organizações de esquerda, fazer este chamado e denunciar as direções. Este é o método ensinado pelo marxismo - a aposta no movimento de massas e o rechaço às ações isoladas individuais. Faremos uma greve geral no país sem as bases da CUT? Sem as bases dirigidas pelo PT e PCdoB? Mas, apesar da explicação metodológica, é bom também lembrar que, no dia 11 de julho de 2013, no ensaio de greve geral ocorrida no país, os Black Blocs estiveram presentes em grande número. É bom lembrar que no dia 1º de abril, antes da invasão, a FIP, os Black Blocs e o MEPR, estiveram todos marchando na Av. Rio Branco junto com a CTB e a CUT. E, muito embora a acusação seja leviana, estas mesmas organizações não se incomodam em aliar-se ao coletivo Fora do Eixo, que tem ligação umbilical com o governo federal. Sobre os problemas que cercam o coletivo e, de tabela, a Mídia Ninja, vale a leitura: http://blogconvergencia.org/blogconvergencia/?p=1660

Mesmo com a edição de imagens, que passa longe de representar o compromisso da mídia independente, o vídeo em questão acaba mostrando cenas que contradizem todo o seu discurso. No minuto 2:50, um dos midiativistas se desespera com uma pedra lançada contra a sede do PSTU vinda da rua. As imagens, mesmo cortadas e desconexas, mostram o portão da sede do partido completamente danificado. A propósito, a imagem da grade explica como o interior da sede foi danificado. Mesmo de fora dela, do corredor do prédio, se pode alcançar - com pedras ou objetos longos - a livraria que funciona dentro do partido. Mas, é claro, para chegar a quebrar a vidraça e danificar o interior da sede, é preciso realmente estar portando tais objetos e lançá-los contra a mesma. Não é exatamente nada sobrenatural, como diz Bruno Matiazzo.

Aliás, o mesmo Bruno diz que sentiu sua integridade física gravemente ameaçada mas, se se repara bem no áudio dos pequenos trechos do vídeo, se pode ouvir alguém dizendo que ele pode entrar. Não há sequer uma palavra com tom de voz alterado proferido contra ele por quaisquer membros do PSTU (e, se houvesse imagens ou áudio dessas palavras, é de se supor, pelo método de edição do vídeo, que elas seriam fartamente explorado na obra). O PSTU, novamente, não ameaçou ninguém.

André Migueis, representante da Mídia Independente Coletiva, diz:

"Quando chegamos lá, o que estava ocorrendo mesmo era mais uma algazarra" [aqui entram as imagens do Black Bloc, mascarado, jogando bola inocentemente em frente à sede do partido]. "Nada muito maior do que isso. [...] Uma vidraça foi quebrada, pularam uma grade, e realmente nada mais do que isso."

Como assim, nada mais do que isso? Mas isso não é o suficiente? Pessoas estranhas invadem a sede do partido pulando uma grade fechada, quebram uma vidraça, fazem uma algazarra, e tudo bem, nada demais? Quer dizer, André, que alguém entra em sua casa pulando os muros, quebra suas vidraças e promove uma algazarra, e você serve um cafezinho? Convida o invasor a sentar em sua sala e bater um papo? A propósito, foi isso que o PSTU fez com o outro André, o da FIP, quando ele, sozinho, chegou a sede gritando por algum esclarecimento a respeito das supostas agressões sofridas por membros da FIP - que o vídeo divulgado pelo PSTU coloca por terra.

André Migueis também diz, mais tarde, que a pessoas que estavam lá, estavam para acalmar a situação? Ora, mas que situação? Certamente havia uma briga entre os próprios militantes do PSTU, e os mascarados pularam as grades para correr em socorro do partido, é isso? Ou havia mesmo uma situação de tensão nos corredores do edifício? As contradições são realmente notáveis.

Mas culpam o PSTU pelo acontecido. "Querem se promover e denegrir a imagem dos movimentos sociais e das mídias alternativas", dizem. Mas o PSTU não fez nada. Estava em sua sede e foi surpreendido pela chegada de várias pessoas estranhas ao local, mascaradas, fazendo algazarra. O que dirão? Que o partido orquestrou tudo aquilo? Pagou àqueles homens para encenarem uma invasão e, assim, poder acusar as organizações que se responsabilizaram pelo ataque? Que o PSTU pagou ao André para dizer que era da FIP?

Thiago Dezan, da Mídia Ninja, afirma que o que aconteceu lá é muito pequeno perto do que ele vivencia nas ruas. Está redondamente enganado. Pois se do ponto de vista objetivo há coisas muito piores acontecendo todos os dias nesta cidade e neste país - e o PSTU as reconhece, pois está envolvido em várias das mais profundas crises sociais -, elas partem via de regra do Estado. Não se pode considerar menor a invasão a um partido combativo da esquerda que luta cotidianamente contra estas mesmas crises, em especial se esta invasão vem de grupos que também se dizem da esquerda. O cerceamento das liberdades políticas - parta do Estado, dos fascistas ou de pretensos esquerdistas - é um dos perigos mais graves pelos quais o país pode passar. Vale lembrar que o ato realizado no dia da invasão relembrava as vítimas do período em que, pela última vez, os partidos políticos tiveram suas liberdades cerceadas. Isso não é um problema menor, é preciso repetir.

O PSTU não criminaliza quaisquer coletivos de mídia independente, tampouco seus trabalhos. Mas não se deve confundir a mídia independente com o que a Nova Democracia expressa em seus últimos posicionamentos. O que eles querem - a FIP, o Black Bloc, o MEPR - é que o PSTU lhes passe um cheque em branco, que não coloque publicamente suas profundas diferenças políticas e organizativas, como viemos fazendo insistentemente desde junho do ano passado. O estalinismo inaugurou essa temeridade que é impedir a manifestação das diferenças entre as organizações. Já passou da hora desta tradição acabar. Nós não nos furtaremos a continuar expressando nossas diferenças políticas e denunciar quaisquer equívocos por parte destes coletivos, especialmente se eles representam prejuízo aos cada vez mais tímidos espaços da democracia no país.

Neste sentido, é preciso também condenar contundentemente o posicionamento final do vídeo, que faz coro aos acontecimentos do dia 20 de junho, quando muitos exigiram aos partidos de esquerda que abaixassem suas bandeiras e quando os militantes destes mesmos partidos, em especial do PSTU, foram covardemente agredidos por grupos fascistas. O PSTU não abaixou suas bandeiras naquela ocasião, e não as abaixará agora. Lutamos heroicamente contra os fascistas e garantimos a segurança de todos os militantes sociais ali presentes. Tivemos 10 hospitalizados, mas valeu a pena lutar. Defenderemos nosso direito à existência com a sanha dos revolucionários. É lamentável reivindicar a negação aos partidos e tentar igualar, mesmo que minimamente, o PSTU a partidos da ordem burguesa como PT e PSDB. A bem da verdade, o jogo da direita e da polícia é exatamente este: enterrar a sete palmos do chão todos os partidos que combatem, há muitos e muitos anos, as excrescências do capitalismo neste país e no mundo.

Por fim, reiteramos nosso desafio. A Nova Democracia continua sem divulgar as imagens que tem do momento da invasão. Queremos ver todas as imagens, na íntegra. Esta é a única maneira de apurar exatamente o que ocorreu naquele dia. Tudo o que tínhamos em mãos está publicado na internet e, caso tenhamos algo mais, também publicaremos. Fica aqui o convite aos coletivos que ali estavam para que publiquem as imagens de suas 6 câmeras. Até agora, pudemos ver menos de um minuto de imagens difusas e que não mostram nada além de um ataque covarde e irresponsável à sede do PSTU.

Amanhã vai ser outro dia. 

Veja aqui de novo o vídeo da invasão de nossa sede:


Vídeo de esclarecimento da invasão à sede do PSTU

Vídeo de esclarecimento da invasão à sede do PSTU. 

Reiteramos nosso desafio: queremos ver as imagens captadas pela Nova Democracia durante a depredação. 

Amanhã vai ser outro dia.

Ato político de solidariedade ao PSTU denuncia ataque sofrido pelo partido

Cerca de 200 pessoas participaram do ato, que teve a participação de entidades, partidos e lideranças das lutas populares

Arthur Gibson,da redação Rio

Entidades, ativistas e partidos de esquerda prestam apoio ao PSTU
Nesta quinta-feira, dia 2 de abril, realizou-se na sede o Sindpetro-RJ um vitorioso ato político de apoio e solidariedade ao PSTU. Um dia antes, após o ato de “descomemoração” dos 50 anos do golpe militar, um grupo de militantes da FIP atacou a sede estadual do PSTU quebrando vidraças e a proteção da porta em uma tentativa de invasão para agredir os militantes do partido. Fazendo ameaças, o grupo só se dispersou definitivamente após a chegada de grande número de militantes e simpatizantes do PSTU, bem como militantes do PSOL e PCB.
Já há algumas semanas o PSTU fazia a convocação para um importante debate sobre a participação das grandes empresas no golpe e na sustentação do regime militar. Como parte da “descomemoração” dos 50 anos do golpe, a atividade buscava fortalecer a luta pela reparação aos perseguidos políticos e pela punição dos envolvidos com os crimes da ditadura. O criminoso ataque forçou uma mudança às pressas no tema da atividade, mas longe de diminuir, aumentou a sua participação.

Entidades e partidos de esquerda prestam apoio ao PSTU
A mesa do ato político já dava a mostra que a solidariedade ao PSTU refletia o respeito que o partido tem dentre as organizações de esquerda e aqueles que estiveram à frente das principais lutas dos últimos anos. Compuseram a mesa Cyro Garcia, presidente do PSTU; Ana Cristina, dirigente do PSOL; Benevenuto Daciolo, líder da luta dos bombeiros do RJ; Célio e Bruno, lideranças do movimento grevista dos garis do Rio; Américo Astuto, membro do Conselho Consultivo da Comissão da Verdade da ALESP; Eduardo Serra, dirigente do PCB; Florinda, professora e dirigente do SEPE e Aderson Bussinger, da comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.
A fala de abertura foi feita por Cyro Garcia, que leu a nota oficial do PSTU (leia aqui) e destacou que o partido reivindica que as divergências entre a esquerda devem ser tratadas dentro dos espaços do movimento: ”Esse não é o método do movimento operário, esse é o método do stalinismo. Uma coisa é a divergência política outra coisa é o que aconteceu ontem na nossa sede”.
Américo Gomes, que faria a palestra marcada anteriormente sobre a relação das empresas com a ditadura militar fez questão de afirmar a necessidade de denunciar o ataque ao PSTU. Ele também discutiu a necessidade de avançar na campanha pela punição dos agentes do estado que cometeram crimes em nome da ditadura: “punir o passado significa dar exemplo pro presente”.

Entidades, ativistas e partidos de esquerda prestam apoio ao PSTU
O dirigente do movimento dos bombeiros, Benevenuto Daciolo, um dos mais aplaudidos da noite, destacou o apoio do PSTU à luta da categoria e deu um depoimento emocionado: “conheço o PSTU há três anos e tenho uma admiração muito grande por vocês. Quando o Cyro me ligou ontem à noite, imediatamente, me prontifiquei a ajudar. Estou junto com vocês.”
Ana Cristina leu uma nota aprovada pela executiva do PSOL: “lamentamos profundamente que tenha acontecido no dia 1 de abril, quando ‘descomemorávamos’ o golpe empresarial-militar, um ataque com métodos fascistas”.
Eduardo Serra, do PCB, fez sua fala um breve histórico da dura perseguição sofrida pelo seu partido durante a ditadura. Durante o ato do dia 1º de abril o PCB foi atacado e teve suas bandeiras confiscadas pela PM. ”O PSTU incomoda a burguesia porque é um partido que vai pra rua, vai pro enfrentamento, organiza os trabalhadores. Consideramos a agressão feita a sede do PSTU uma agressão ao PCB”, disse Eduardo Serra.
O ponto alto do ato foi a fala dos dirigentes da greve dos garis, Célio e Bruno, que falaram da experiência da luta: “foi de grande importância para a nossa luta o apoio dos movimentos sociais e de pessoas como o Cyro do PSTU, do PSOL que estavam ali solidários à nossa causa. É muito importante a unificação da classe trabalhadora. Hoje temos um governo do PT e eles deixam que a PM batam nos trabalhadores estamos vivendo uma democracia que por trás dela, tem uma ditadura”.
Estiveram presentes cerca de 200 pessoas entre eles representantes da ANEL, do MML, da CSP-Conlutas, dirigentes da greve operária do COMPERJ, dentre outros. A comissão de direitos humanos da OAB deve lançar nota denunciando o ataque ao PSTU. Sônia Lúcio, dirigente do ANDES leu nota do sindicato em apoio ao PSTU e já foi solicitado a todas as Associações Docentes do RJ que fizessem o mesmo. O SINDSCOPE também aprovou repúdio ao ataque e solidariedade ao PSTU.

“PSTU seguirá nas lutas e não se deixará intimidar”
O PSTU vai seguir impulsionando uma ampla campanha de denúncia contra o ataque sofrido pelo partido. Chamamos todas as entidades dos movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, e organizações de tradição democrática a repudiar a agressão ao PSTU.
Como deixou claro Cyro Garcia em sua fala de encerramento, o PSTU seguirá nas lutas e não se deixará intimidar: “a historia de nossa organização não começou ontem, nosso partido se formou em plena ditadura militar. Esse partido que não se curvou em nenhum momento não vai se curvar diante dos ataques feitos ao nosso partido por alguns integrantes da FIP. Somos os mais intransigentes defensores da auto-organizações da classe trabalhadora”. Não defendemos a ideia que o monopólio da violência é do Estado. Da mesma forma que nos organizamos pra enfrentar os nazi-fascistas ano passado vamos seguir organizados pra nos defender. Não estamos nas ruas de junho pra cá. Estar nas ruas e nas lutas é parte do DNA do PSTU. Nosso método é o de tratar as divergências através da polêmica pública, nos espaços do movimento. Mas não vai ser um grupelho que vai nos intimidar”.

Nota oficial do PSTU sobre o atentado à sua sede no Rio de Janeiro

Justamente no dia em que relembrávamos todos os crimes cometidos pela ditadura militar e todos aqueles que tombaram para construir um mundo livre da opressão e exploração, fomos atacados pela FIP, que cumpriu o papel da polícia e do governo neste 1º de abril

No dia 1º de abril, após o ato de “descomemoração” dos 50 anos do golpe militar no Brasil, a sede do PSTU Rio sofreu um atentado criminoso.

Integrantes da Frente Independente e Popular (composta pelo MEPR, organizações anarquistas e independentes), como eles mesmos se intitularam, tentaram arrombar a nossa sede e arremessaram destroços de madeira entre as grades do portão que acabaram por estourar a vidraça de uma de nossas salas. Além disso, lançaram da rua uma pedra portuguesa que quebrou o vidro da varanda do andar onde está localizada a sede do PSTU. Foram cerca de 15 integrantes da FIP que ingressaram no prédio na tentativa de invasão e mais 30 aguardavam fora dele. Uma covardia total.

Durante a tentativa de invasão ameaçaram o nosso presidente estadual Cyro Garcia, que estava no interior do local, e afirmaram que seríamos obrigados a dormir ali foragidos dentro de nossa própria sede para que não fossemos espancados em nossa saída à rua.

A agressão se assemelha muito aos métodos utilizados pelos fascistas e neonazistas contra as organizações operárias, como também às práticas stalinistas do século XX que perseguiam política e fisicamente àqueles que ousavam criticar a linha oficial de Moscou.

Realmente somos totalmente diferentes da FIP e das organizações que a compõe. Temos outro método, política, concepção e, sobretudo, outra moral. Nascemos na luta contra a burocratização do estado soviético e os expurgos stalinistas. A democracia operária para nós é um princípio. Para o PSTU, não vale tudo para derrotar os nossos adversários no campo da esquerda. Não vale a mentira. O PSTU não agrediu absolutamente ninguém. Aqueles que se disseram agredidos foram vistos no IFCS sem quaisquer marcas de agressão. Inclusive, o mesmo membro da FIP que depredou a sede, foi recebido em seu interior pela nossa militância minutos antes de iniciar o conflito.

Nossas diferenças não são de hoje. Na greve da educação municipal, integrantes da FIP desenharam, em um cartaz, uma dirigente do Sepe na forca. Nesta mesma assembleia, levaram lutadores de academia para intimidar os educadores. Nossos dirigentes são constantemente insultados nas passeatas com xingamentos como “pelego”, “vendido”, “ladrão”. O prédio de nossa sede foi pichado com os seguintes dizeres: “-P2TU + Black Bloc”.

Somos totalmente conscientes que a FIP é heterogênea e que, inclusive, alguns de seus integrantes já se solidarizaram conosco e condenaram a tentativa de agressão . A esses nos cabe o nosso agradecimento e respeito. Sabemos também que há anarquistas que são contra essa prática odiosa. Nesta nota oficial, estamos denunciando aqueles que participaram direta ou indiretamente da ação, como também aqueles que se omitem ou escrevem posts desastrosos nas redes sociais. No entanto, responsabilizamos a FIP e as organizações partícipes, porque foi assim que os agressores se identificaram. Os conhecemos bem, sabemos seus nomes e todos sabem que são parte da FIP. Aguardamos pronunciamentos oficiais de todas as organizações que se reivindicam de esquerda sobre o ocorrido.

Os ataques contra o PSTU se justificam na realidade porque nunca demos um cheque em branco aos Black Blocs, FIP etc. Não concordamos com suas ações, métodos e concepções. O debate político e o conflito de ideias sempre foi uma tradição no movimento operário. Marx, Engels, Lenin e Trotsky escreveram artigos e até livros para polemizar contra seus adversários políticos que se localizavam dentro do marco da própria esquerda. Dirigentes anarquistas dos séculos XIX e XX também cansaram de polemizar publicamente contra os marxistas. Mas a FIP e, principalmente, o MEPR escolhem o caminho mais fácil e despolitizado: caluniam e denunciam de “P2” todos aqueles que discordam de suas diretrizes. Quem introduziu essa má tradição no movimento operário foi stalinismo, que tentou calar todos aqueles que denunciavam os privilégios da casta burocrática da ex-URSS e China.

Justamente no dia em que relembrávamos todos os crimes cometidos pela ditadura militar e todos aqueles que tombaram para construir um mundo livre da opressão e exploração, fomos atacados pela FIP, que cumpriu o papel da polícia e do governo neste 1º de abril.

A nossa corrente no Brasil tem mais de 40 anos de trabalho na classe operária e na juventude. Sobrevivemos aos anos de chumbo e também à democracia burguesa. Enfrentamos os neonazistas no dia 20 de junho de 2013 em defesa das bandeiras da esquerda e de todo militante social. Não estamos e nunca seremos intimidados por aqueles que não têm história alguma. Respeitem as nossas tradições!

Já iniciamos uma ampla campanha no movimento social organizado para condenar e banir essa prática injustificável. Não pararemos até que votemos em todas as categorias e entidades o rechaço a essa monstruosidade digna dos militares.

Amanhã será outro dia. 

Direção PSTU Rio de Janeiro


Vejam fotos da agressão a nossa sede:



50 anos do golpe militar: 50 anos de Impunidade


por Mariana Rio, da juventude do PSTU Rio

Hoje é dia 1 de abril, dia da mentira. Também hoje, há 50 anos, foi instalado o regime civil-militar brasileiro que se estendeu de 1964 á 1985 e perseguiu, prendeu, torturou e assassinou milhares de jovens e trabalhadores.
Nos últimos dias, diferentes jornais e emissoras de TV vem fazendo especiais sobre o golpe. Várias atividades estão acontecendo para marcar a data e atos de rua irão acontecer em diferentes cidades.
Até hoje, muito do que ocorreu no período de 1964 a 1985 ainda permanece obscuro. Não sabemos de fato nossa historia, há décadas a sociedade brasileira vem travando uma batalha por sua memória e parte considerável dos arquivos da ditadura permanece fechada. A comissão da verdade, que poderia cumprir um papel histórico de reparar e regatar a memória de milhares de brasileiros que foram atingidos pelo regime militar, mostrou-se insuficiente, não tem verba, não tem apoio do governo para desenvolver o trabalho e não possui poder de julgar.
O último balanço realizado pela Comissão da Verdade aponta pelo menos 50 mil atingidos direta ou indiretamente em seus direitos e cerca de 400 mortos, isso sem contar os milhares de indígenas que foram violados e mortos e as mortes provocadas pelo modelo de desenvolvimento econômico imposto, que proporcionou a população mais pobre um péssimo sistema de saúde e de saneamento públicos e que mantiveram altíssimas taxas de mortalidade infantil durante todo o período. Com um forte apoio das potências imperialistas, especialmente dos EUA, o golpe brasileiro aprofundou a desigualdade e a pobreza no país. A desnacionalização da economia brasileira aumentou a hegemonia norte-americana no território brasileiro.

São 50 anos de impunidades são 50 anos de criminalização dos movimentos sociais, dos pobres, das organizações de esquerda.

Diferente do que aconteceu em outros países da América Latina, o Estado brasileiro fez a opção de esconder seus ossos no armário. O Brasil promulga uma anistia ampla e irrestrita, e nenhum torturador do regime foi punido, nenhuma empresa ou empresário, emissora de TV ou jornal, que colaborou com os militares, ninguém foi punido por seus crimes. Hoje, parte da estrutura de repressão montada pelos militares para perseguir, prender e torturar seus opositores segue viva. A mesma polícia militar que comete atrocidades há 50 anos, tortura e mata trabalhadores e jovens diariamente nas favelas e periferias das grandes cidades.
Hoje, vivemos uma escalada de repressão forte dos governos, com a famigerada Lei de Segurança Nacional voltando a ser aplicada e novas leis sendo criadas para criminalizar os trabalhadores e jovens.
Ato hoje "descomemora" os 50 anos do golpe de 1964.
Foto: RB
Resgatar a história do regime civil-militar não é apenas lembrar de um passado distante, mas também olhar para o futuro. Nossa sociedade é doente, tem feridas que nunca cicatrizarão: para que nunca mais volte a acontecer, é fundamental curar nossas feridas históricas e garantir justiça, reparação e punição a todos os agentes do Estado que cometeram crimes e aos empresários e empresas que financiaram a ditadura.
Nesse contexto a memória, verdade e justiça se torna uma tarefa de todos que desejam revoluciona nossa sociedade.
Julgar para reparar, punir para não repetir!

PSTU Convida: 50 anos do golpe militar no Brasil e o financiamento das empresas à ditadura (2/4, quarta-feira)




No momento em que se completam 50 anos do golpe militar no Brasil, o Pstu Rio convida a todas e todos para debater sobre os grandes grupos econômicos que investiram e lucraram com a ditadura cívico-militar brasileira.

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