Advogado de diretos humanos sofre atentado no Haiti!
Advogado de estudantes presos por missão das Nações Unidas sofre atentado
Repressão é comandada por forças de pacificação da ONU, lideradas pelo Brasil; Estudantes presos protestavam pela lei de reajuste no salário mínimo
24/09/2009
Tatiana Lotierzo
Campanha Latino Americana pelo Direito à Educação - Clade
Patrice Florvilus, advogado e ativista de direitos humanos, foi vítima de um atentado no dia 14 de agosto. Ele vinha recebendo ameaças de pessoas não-identificadas desde o dia 10, quando se comprometeu a defender legalmente, junto aos tribunais haitianos, cinco estudantes presos injustamente pela polícia e pela Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) na segunda semana do mês. Em comunicado público, ele explica a grave situação de seu país, que culminou na prisão dos jovens.
Os estudantes presos protestavam devido à não promulgação da lei que determina um reajuste no salário mínimo. A lei foi aprovada em abril de 2009 pelo Congresso Nacional, mas até agora não foi publicada oficialmente pelo governo haitiano. Os protestos contra a atitude do governo não são um fato recente no país, assim como a repressão contra os manifestantes. “Já nos meses de maio e junho, a polícia e a MINUSTAH intervieram violentamente para reprimir manifestações estudantis, chegando ao extremo de violar os prédios da Faculdade de Medicina, o que é proibido pela Constituição”, diz o comunicado. Também foram atacadas as faculdades de Ciências Humanas, Etnologia e a Escola Nacional de Normalistas, que forma professores e professoras para o ensino fundamental.
Desde o início dos conflitos, Florvilus vem denunciando as violações aos direitos humanos e apoiando as pessoas detidas, tanto através da mídia, como no Palácio da Justiça. Na sexta-feira, dia 14, quando voltava do Palácio da Justiça e do escritório do procurador do governo, o advogado e as pessoas que o acompanhavam foram surpreendidos com um ataque inesperado. “Acredito que seja um ato de intimidação contra a luta a favor do direito de protestar e a luta pela descriminalização dos movimentos sociais”, declara. No dia 18 de agosto, três dos estudantes foram liberados depois de uma investigação e da ação judicial. O advogado tentou obter um habeas corpus, mas sem resultados concretos.
“O povo haitiano necessita do apoio de todos e todas para ajudá-lo nesse momento bastante difícil em sua historia. Entendo que, em nível regional, em toda América Latina, podemos gerar uma força midiática de denúncia dessa situação, já não tanto por minha segurança pessoal, mas sim pela própria luta dos e das estudantes no Haiti. São urgentes as ações de denúncia pública”, declara Florvilus, no comunicado.
Diante do aumento da repressão ao povo haitiano, está sendo realizada uma campanha internacional de repúdio à repressão e de exigência pela retirada imediata das tropas da ONU naquele país, encabeçada pelas tropas brasileiras.
Assine a moção abaixo:
As Entidades Sindicais, do Movimento Estudantil e Popular, parlamentares e personalidades políticas vêem, por meio desta moção, repudiar veementemente o crescimento vertiginoso da repressão contra o heróico povo do Haiti, desferidas pelas Tropas de Ocupação da ONU, chefiadas pelo Exército brasileiro.
Nos últimos dias as justas manifestações pelo reajuste do salário mínimo, que é o menor do Continente Americano, foram duramente reprimidas pela Minustah, nome dado as tropas de ocupação naquele país.
Já existem dezenas de presos e feridos, especialmente as lideranças das manifestações, com destaque para dirigentes do movimento estudantil haitiano, que estão sendo agredidos e detidos dentro do Campus Universitário.
Da mesma forma, responsabilizamos o Governo brasileiro por estas ações inaceitáveis, que ferem a Soberania Nacional do Haiti e revelam a verdadeira natureza da ocupação militar daquele país – reprimir violentamente as manifestações dos trabalhadores, dos estudantes e do povo pobre haitiano pelo seu direito a autodeterminação e atendimento de suas justas reivindicações.
Intensificaremos no Brasil as ações da campanha de exigência ao Governo Lula de retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti.
São Paulo, 19 de agosto de 2009.
Coordenação Nacional de Lutas - CONLUTAS
As mensagens podem ser encaminhadas para os endereços abaixo:
1- Ministério das Relações Exteriores
celsoamorim@mre.gov.br
jmaia@mre.gov.br
2- Coordenação Nacional de Lutas – CONLUTAS: secretaria@conlutas.org.br
Repressão brasileira no Haiti se intensifica
Estudantes e operários estão presos em condições desumanas por terem participado de passeata pelo aumento do salário mínimo
Franck Seguy, do Haiti*
A repressão burguesa no Haiti está se fortalecendo ao longo das semanas. O Brasil dos ricos, das empresas que precisam da mão-de-obra haitiana barata está fazendo tudo que pode para manter a sua neocolonização no Haiti. O seu braço armado – a Minustah – rouba, estupra, mata com a total garantia de imunidade.
A repressão chega a uma dimensão extraordinária. Cinco estudantes estão presos nas piores condições por a única razão: participaram de uma passeata ao lado dos operários a favor da publicação de uma lei de reajuste salarial. Estes estudantes estão proibidos de receber visitas de familiares.
Em apenas uma semana, 14 pessoas foram presas. Guerchang Bastia, 21 anos, estudante de Sociologia e membro da Associação Universitária Dessaliniana (ASID), Patrick Joseph, 36 anos, membro do comitê para o fortalecimento do bairro de Duvivier (KRD), e oito operários foram presos por terem participado de uma manifestação operária no dia 10 de agosto a favor da publicação da lei sobre o reajuste salarial de 200 gourdes (42 gourdes = um dólar).
Os presos não estão recebendo comida e não são julgados nem condenados. Não têm direito de receber seus advogados. Tudo isso está acontecendo graças à contribuição do Brasil através de seu exército que comanda as forças de ocupação (Minustah). Um dos estudantes presos na Penitenciária Nacional está em greve de fome.
Dois dias depois, na quarta-feira, 12, Edouard Edwight, membro da ASID, foi preso ao voltar do seu estágio para casa. Hérold César, estudante de Comunicação, foi preso no momento em que ia para a universidade. Joseph Valcin foi preso após ter sido asfixiado com gás lacrimogêneo pelas tropas brasileiras e pela polícia haitiana dentro da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Estadual do Haiti.
Anne Lesperance, estudante em Serviço Social, foi presa no mesmo dia 12 de agosto. Ela foi libertada após ter resistido à tentativa de estupro por parte das forças armadas.
É preciso uma campanha nacional no Brasil pela Liberdade imediata para os estudantes e operários presos. Livre direito de manifestação. Aumento imediato do salário. Fora as tropas estrangeiras do Haiti!
A nossa luta é internacional.
Mensagens de solidariedade ao povo haitiano e de repúdio à repressão podem ser encaminhadas para os endereços abaixo:
Plataforma das organizações haitianas de direitos humanos (POHDH)
pohdh@yahoo.fr
Rede nacional de defesa dos direitos humanos do Haiti
rnddh@rnddh.org
Comitê de advogados pelo respeito das liberdades individuais
carlihotline@yahoo.fr
Gabinete do Primeiro Ministro do Haiti
primature@list.primaturehaiti.org
Ofício de Proteção da Cidadania
opc-haiti@hotmail.com
COM CÓPIA PARA:
Alter Presse – alterpresse@medialternatif.org (www.alterpresse.org)
ASID – asiddesalin@yahoo.fr
Conlutas – conlutas@conlutas.org.br
É mais do que urgente mobilizarmos o mais breve possível e conscientizarmos o Brasil todo. Estamos contando com seu total apoio, camaradas.
*Franck Séguy é haitiano e militante da Asosyasyon Inivèsitè ak Inivèsitèz Desalinyèn (Asid) do Haiti.
Franck Seguy, do Haiti*
A repressão burguesa no Haiti está se fortalecendo ao longo das semanas. O Brasil dos ricos, das empresas que precisam da mão-de-obra haitiana barata está fazendo tudo que pode para manter a sua neocolonização no Haiti. O seu braço armado – a Minustah – rouba, estupra, mata com a total garantia de imunidade.
A repressão chega a uma dimensão extraordinária. Cinco estudantes estão presos nas piores condições por a única razão: participaram de uma passeata ao lado dos operários a favor da publicação de uma lei de reajuste salarial. Estes estudantes estão proibidos de receber visitas de familiares.
Em apenas uma semana, 14 pessoas foram presas. Guerchang Bastia, 21 anos, estudante de Sociologia e membro da Associação Universitária Dessaliniana (ASID), Patrick Joseph, 36 anos, membro do comitê para o fortalecimento do bairro de Duvivier (KRD), e oito operários foram presos por terem participado de uma manifestação operária no dia 10 de agosto a favor da publicação da lei sobre o reajuste salarial de 200 gourdes (42 gourdes = um dólar).
Os presos não estão recebendo comida e não são julgados nem condenados. Não têm direito de receber seus advogados. Tudo isso está acontecendo graças à contribuição do Brasil através de seu exército que comanda as forças de ocupação (Minustah). Um dos estudantes presos na Penitenciária Nacional está em greve de fome.
Dois dias depois, na quarta-feira, 12, Edouard Edwight, membro da ASID, foi preso ao voltar do seu estágio para casa. Hérold César, estudante de Comunicação, foi preso no momento em que ia para a universidade. Joseph Valcin foi preso após ter sido asfixiado com gás lacrimogêneo pelas tropas brasileiras e pela polícia haitiana dentro da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Estadual do Haiti.
Anne Lesperance, estudante em Serviço Social, foi presa no mesmo dia 12 de agosto. Ela foi libertada após ter resistido à tentativa de estupro por parte das forças armadas.
É preciso uma campanha nacional no Brasil pela Liberdade imediata para os estudantes e operários presos. Livre direito de manifestação. Aumento imediato do salário. Fora as tropas estrangeiras do Haiti!
A nossa luta é internacional.
Mensagens de solidariedade ao povo haitiano e de repúdio à repressão podem ser encaminhadas para os endereços abaixo:
Plataforma das organizações haitianas de direitos humanos (POHDH)
pohdh@yahoo.fr
Rede nacional de defesa dos direitos humanos do Haiti
rnddh@rnddh.org
Comitê de advogados pelo respeito das liberdades individuais
carlihotline@yahoo.fr
Gabinete do Primeiro Ministro do Haiti
primature@list.primaturehaiti.org
Ofício de Proteção da Cidadania
opc-haiti@hotmail.com
COM CÓPIA PARA:
Alter Presse – alterpresse@medialternatif.org (www.alterpresse.org)
ASID – asiddesalin@yahoo.fr
Conlutas – conlutas@conlutas.org.br
É mais do que urgente mobilizarmos o mais breve possível e conscientizarmos o Brasil todo. Estamos contando com seu total apoio, camaradas.
*Franck Séguy é haitiano e militante da Asosyasyon Inivèsitè ak Inivèsitèz Desalinyèn (Asid) do Haiti.
Campanha pela reestatização da Embraer
Comitê pela Reestatização da Embraer prepara ações e exige a reintegração imediata dos demitidos
A 5ª reunião do Comitê debateu e deliberou sobre iniciativas de organização e mobilização para a audiência pública, que será realizada no Senado, em Brasília, no próximo dia 4/08 e discutirá a situação econômica da Embraer, seu controle acionário, seus contratos e o tema das 4.270 demissões, que inclusive irá a julgamento, no TST (Tribunal Superior do Trabalho), no próximo dia 10 de Agosto.
A audiência, requerida pelo Senador Eduardo Suplicy, contará com a presença de representantes da diretoria da empresa, Sindicato dos Metalúrgicos de SJC e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para as entidades que compõem o comitê (centrais sindicais e movimentos sociais) o objetivo é comprovar que não há razão econômica que justifique essa demissão em massa, considerando as centenas de milhões de lucro da empresa e os cerca de 20 bilhões recebidos, via BNDES, nos últimos 10 anos e, pior ainda, pelo fato de que, após as demissões, mais de R$ 700 milhões terem sido repassados novamente. Ou seja, continua-se utilizando dinheiro público para financiar uma empresa que mantém demissões.
No julgamento referente às demissões, que ocorrerá em Brasília, no próximo dia 10 de Agosto, a mobilização será ainda maior e contará com uma caravana organizada pelo Comitê e Sindicato dos Metalúrgicos de SJC, que prepara a ida de uma delegação de demitidos. A expectativa é que o TST garanta a reintegração de todos os demitidos e desfaça, assim, a injustiça provocada pela arbitrariedade e ganância da direção da Embraer.
Como parte da preparação dessas atividades haverá no dia 30/07, às 5h, uma assembléia no portão de entrada da Embraer. Outra assembléia com os demitidos na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de SJC será realizada na mesma data, às 16h, e contará com a presença de representantes do Comitê pela Reestatização da Embraer.
No dia 1º de agosto haverá uma panfletagem no centro da cidade de SJC como parte da e luta a favor da reintegração dos demitidos e reestatização da Embraer.
Resistência Hondurenha, eles não passarão!
Honduras resiste - 2º dia
Dirceu Travesso, da Secretaria Executiva da Conlutas, direto de Honduras
• Honduras Resiste – 47 – 2 *
47 dias de Resistência Contra o Golpe e 2 dias de minha estadia
13 de Agosto de 2009
Durante a marcha da quinta-feira, aparece em cada detalhe, conversa, palavra de ordem ou ruas, a história deste país e de como continua colocada a mesma questão de séculos, a dominação colonial.
Nas paredes as marcas dos últimos dias. A quantidade de fast foods internacionais espalhados pela cidade, com suas logo marcas imensas chama a atenção. O “Popeye” completamente incendiado, Mac Donalds, Burger Kings, Pizzas Huts e outros com seus vidros completamente quebrados. Todos pichados . “Fuera Golpistas”, “Fuera Gorilleti”, trocadilho com o nome de Micheletti, o presidente do Congresso Nacional que assumiu a presidência com o golpe militar e Gorilas, como eram chamados os militares golpistas de outros tempos. Mais a frente Gorilletti vira Pinochelletti em outra “pintada” (pichação). As cores das cadeias de fast food, que aqui são isentas de qualquer imposto, com seus vidros quebrados e as pichações viram um mosaico embaralhando os embates que se travam.
Na Marcha, durante as conversas, o tema da dominação colonial, aparece de várias formas. De onde vem o nome da moeda local, Lempira. Esta palavra estranha, que em cotação atual precisariam de 20 Lempiras para U$ 1, é o nome do líder indígena, de uma das inúmeras tribos descendentes dos maias na região, que em 1537consegue unir cerca de 200 diferentes chefes para expulsar os invasores espanhóis. Depois de muita luta e resistência, ao aceitar participar de uma Conferencia de Paz e reafirmar sua posição de continuar lutando pela retirada dos invasores foi assassinado à traição. Com sua morte, os espanhóis conseguem a rendição de mais de 30.000 guerreiros que Lempira havia unificado.
Caminhando um pouco mais e outra “pintada” onde aparece o rosto de um bispo católico com seus símbolos e o número 666 (o número da Besta) inscrito em sua testa. Vem a a palavra de ordem de repúdio ao “Cardenal”: “Cardenal, cardenal, nunca serás Papa, Bestia Infernal”. Mais uma vez a igreja mantém sua coerência institucional histórica secular. Ao lado dos exploradores. Por mais que figuras como Monsenhor Romero, bispo Salvadorenho assassinado pela ditadura nos anos 80 e outros tenham aparecido como parte da história da resistência o papel da igreja se mantém.
A figura de Morazan, General Francisco Morazan, figura nacional histórica da luta pela independência. Uma luta travada em dois sentidos : pela independência nacional e pela unidade centro americana, contra a divisão artificial em distintos países promovida pelos impérios, sempre apoiados em oligarquias regionais.A independência em relação à Espanha, conquistada em 1821. Fazendo parte até 1823 do Império Mexicano quando se soma a recém fundada Províncias Unidas da América Central. Em 1838 esta experiência de unidade sofre uma derrota e é dissolvida. Morazan é a figura mais destacada na luta pela manutenção da unidade centro americana. A Bandeira de Honduras até hoje permanece com 5 estrelas em referencia a luta pela unidade do que eram as províncias, Guatemala, El Salvador, Cost a Rica, Nicarágua e Honduras. O Panamá foi fundado posteriormente dividindo a Colômbia. Unidade reestabelecida militarmente na segunda metade do século XIX, quando “piratas” dos EUA tentam invadir as terras Meso Americanas.
Estes episódios históricos, vão revelando a constância da luta pela independência nacional e contra a divisão artificial imposta sempre pelos dominadores com aliados internos.
Assim aparece na conversa sobre a grande manifestação do dia 05 de Julho, quando cerca de 100.000 hondurenhos marcharam até o aeroporto e que outras cerca de 200.000 pessoas não conseguiram chegar bloqueados em estradas para não chegarem a capital. Foram esperar “Mel”, como é conhecido o presidente deposto Manuel Zelaya, para recolocà-lo no governo, de onde fora deposto uma semana antes. A maior manifestação desde 1954, ano da Greve Geral Bananeira .A grande greve geral dos trabalhadores da Banana, que derrotou a Industria Bananeira Imperialista que dominava a região. Os países da America Central eram conhecidos como Republicas de Banana pelo grau de dominação colonial exercido pela United Fruit Corporation. Orgulho de uma greve geral que marcou uma mudança na correlação de forca s em toda a região.
O orgulho do grupo negro com seus atabaques, tocando, cantando e dançando no meio da marcha, que são parte da OFRANEH, Organização Fraternal Negra de Honduras. E logo fazem questão de se identificar como da etnia Garífona, identidade afro indígenas de origem em São Vicente, nas Ilhas Canárias, desde 1797 vivendo em Honduras. E completam, lutamos pelo direito as nossas terras, a nossa cultura e nossos valores constantemente usurpados pelo imperialismo. E segue a marcha na mistura dos ritmos dos povos explorados.
No encerramento do ato ao falar sobre a presença da Conlutas e nosso apoio como parte da Solidariedade Internacional de Classe vem os agradecimentos, os abraços fortes e o outra parte da historiam no comentário de uma ativista : que Honduras poderia agora pagar caro pelo papel que cumpriu nos anos 80 de servir de base militar imperialista para o financiamento, treinamento e organização dos “contra”, setores paramilitares de direita, treinados diretamente pelo imperialismo para derrotar as revoluções em curso na região. A divisão regional tantas vezes imposta pelo imperialismo, se utilizando de lacaios locais, aparece como uma vergonha que não pertence aos que lutam. Digo que os que receberam e ajudaram os yanques e os contras sao os mesmos que agora estao com o golpe. E que eles, nas ruas, são os que continuam a historia heróica de nicaragüenses e salvadorenhos, vanguarda da luta daquele período.
Em Tegucigalpa foi um dia sem repressão como dos dias anteriores. A manifestação com cerca de 5.000 manifestantes, passou em frente ao Ministério Público com uma Comissão da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado sendo recebida para exigir a libertação dos presos e a punição aos militares e policiais que estão reprimindo. A resposta, que o Ministério Público não tinha conhecimento de nenhum caso de violação de direitos humanos. Depois do Ministério Publico a manifestação terminou em frente a Rádio Globo, ameaçada de fechamento por se opor ao golpe.
Neste mesmo dia houve repressão violenta mais uma vez em San Pedro Sula onde foi realizada uma manifestação com bloqueio na estrada que vai daí, principal cidade industrial do país ao principal porto de Tegucigalpa. A justiça mais uma vez com seu caráter de classe “não sabe” das cerca de 30 pessoas mortas a balas de fuzis nas madrugadas de Tegucigalpa desde o golpe, das centenas de detidos, dos 27 já processados e que permanecem presos, das centenas dos feridos. Como um gesto de repúdio a cegueira, terminei o dia, em uma visita ao deputado Melvin Ponces, anti golpista, internado em um Hospital da cidade. Nas manifestações do dia 12, Ponce foi espancado pelos militares golpistas. Braço quebrado, duas cirurgias, hematomas e lesões. Nada que a justiça burguesa possa ver.
O tema da independência nacional continua colocado dramaticamente para a região. Como tantas vezes nas últimas décadas, novamente surgem momentos em que se coloca a possibilidade de discutir um projeto nacional de independência e soberania. Defender a democracia e exigir a volta do presidente eleito Mel Zelaya, contra o golpe militar, não pode se confundir em abrir mão da independência de classe dos trabalhadores e camponeses. Mel Zelaya é um burguês latifundiário que momentaneamente esta em conflito com outros setores de sua classe. Até mesmo de seu partido, o Partido Liberal, o mesmo partido de Micheletti, o golpista. Exigir sua volta não pode confundir com apoiar uma figura burguesa, latifundiário, membro do Partido Liberal.
Reconstituir Zelaya ao governo é uma medida para derrotar os golpistas. E derrotar aos golpista é garantir a prisão e punição de todos os envolvidos no golpe, é garantir a convocação da Assembléia Nacional Constituinte onde se discuta a reforma agrária, a política econômica, a relação com o imperialismo e seu TLC. Zelaya, presidente que aprovou o TLC não pode levar adiante um programa que signifique o confisco de suas terras e o ataque aos negócios de sua classe.
Durante as últimas décadas o debate sobre a relação da luta pela independência nacional e o papel de setores “progressivos burgueses” se colocou de maneira dramática na região. As alianças com esses setores, abrindo mão da construção de organizações e de um programa de classe, independente que questione suas propriedades mais cedo ou mais tarde levam à derrota. Quando o movimento em seu processo de lutas objetivas, colocam para estes senhores uma escolha de classe: expropriar ou defender a grande propriedade privada, sua origem e seus interesses de classe definem seu lado.
Caminhamos juntos na luta para derrotar os golpistas, reconduzir Zelaya e garantir as liberdades democrática com a punição dos Golpistas e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. Mas sem nos confundirmos que para levar adiante de maneira coerente a luta pela independência nacional e contra fascistas golpistas sócios menores do imperialismo, só a construção de um pólo classista independente e um programa que questione a grande propriedade privada, das multinacionais ou de seus agentes internos.
Retirado do Portal - www.pstu.org.br
Dirceu Travesso, da Secretaria Executiva da Conlutas, direto de Honduras
• Honduras Resiste – 47 – 2 *
47 dias de Resistência Contra o Golpe e 2 dias de minha estadia
13 de Agosto de 2009
Durante a marcha da quinta-feira, aparece em cada detalhe, conversa, palavra de ordem ou ruas, a história deste país e de como continua colocada a mesma questão de séculos, a dominação colonial.
Nas paredes as marcas dos últimos dias. A quantidade de fast foods internacionais espalhados pela cidade, com suas logo marcas imensas chama a atenção. O “Popeye” completamente incendiado, Mac Donalds, Burger Kings, Pizzas Huts e outros com seus vidros completamente quebrados. Todos pichados . “Fuera Golpistas”, “Fuera Gorilleti”, trocadilho com o nome de Micheletti, o presidente do Congresso Nacional que assumiu a presidência com o golpe militar e Gorilas, como eram chamados os militares golpistas de outros tempos. Mais a frente Gorilletti vira Pinochelletti em outra “pintada” (pichação). As cores das cadeias de fast food, que aqui são isentas de qualquer imposto, com seus vidros quebrados e as pichações viram um mosaico embaralhando os embates que se travam.
Na Marcha, durante as conversas, o tema da dominação colonial, aparece de várias formas. De onde vem o nome da moeda local, Lempira. Esta palavra estranha, que em cotação atual precisariam de 20 Lempiras para U$ 1, é o nome do líder indígena, de uma das inúmeras tribos descendentes dos maias na região, que em 1537consegue unir cerca de 200 diferentes chefes para expulsar os invasores espanhóis. Depois de muita luta e resistência, ao aceitar participar de uma Conferencia de Paz e reafirmar sua posição de continuar lutando pela retirada dos invasores foi assassinado à traição. Com sua morte, os espanhóis conseguem a rendição de mais de 30.000 guerreiros que Lempira havia unificado.
Caminhando um pouco mais e outra “pintada” onde aparece o rosto de um bispo católico com seus símbolos e o número 666 (o número da Besta) inscrito em sua testa. Vem a a palavra de ordem de repúdio ao “Cardenal”: “Cardenal, cardenal, nunca serás Papa, Bestia Infernal”. Mais uma vez a igreja mantém sua coerência institucional histórica secular. Ao lado dos exploradores. Por mais que figuras como Monsenhor Romero, bispo Salvadorenho assassinado pela ditadura nos anos 80 e outros tenham aparecido como parte da história da resistência o papel da igreja se mantém.
A figura de Morazan, General Francisco Morazan, figura nacional histórica da luta pela independência. Uma luta travada em dois sentidos : pela independência nacional e pela unidade centro americana, contra a divisão artificial em distintos países promovida pelos impérios, sempre apoiados em oligarquias regionais.A independência em relação à Espanha, conquistada em 1821. Fazendo parte até 1823 do Império Mexicano quando se soma a recém fundada Províncias Unidas da América Central. Em 1838 esta experiência de unidade sofre uma derrota e é dissolvida. Morazan é a figura mais destacada na luta pela manutenção da unidade centro americana. A Bandeira de Honduras até hoje permanece com 5 estrelas em referencia a luta pela unidade do que eram as províncias, Guatemala, El Salvador, Cost a Rica, Nicarágua e Honduras. O Panamá foi fundado posteriormente dividindo a Colômbia. Unidade reestabelecida militarmente na segunda metade do século XIX, quando “piratas” dos EUA tentam invadir as terras Meso Americanas.
Estes episódios históricos, vão revelando a constância da luta pela independência nacional e contra a divisão artificial imposta sempre pelos dominadores com aliados internos.
Assim aparece na conversa sobre a grande manifestação do dia 05 de Julho, quando cerca de 100.000 hondurenhos marcharam até o aeroporto e que outras cerca de 200.000 pessoas não conseguiram chegar bloqueados em estradas para não chegarem a capital. Foram esperar “Mel”, como é conhecido o presidente deposto Manuel Zelaya, para recolocà-lo no governo, de onde fora deposto uma semana antes. A maior manifestação desde 1954, ano da Greve Geral Bananeira .A grande greve geral dos trabalhadores da Banana, que derrotou a Industria Bananeira Imperialista que dominava a região. Os países da America Central eram conhecidos como Republicas de Banana pelo grau de dominação colonial exercido pela United Fruit Corporation. Orgulho de uma greve geral que marcou uma mudança na correlação de forca s em toda a região.
O orgulho do grupo negro com seus atabaques, tocando, cantando e dançando no meio da marcha, que são parte da OFRANEH, Organização Fraternal Negra de Honduras. E logo fazem questão de se identificar como da etnia Garífona, identidade afro indígenas de origem em São Vicente, nas Ilhas Canárias, desde 1797 vivendo em Honduras. E completam, lutamos pelo direito as nossas terras, a nossa cultura e nossos valores constantemente usurpados pelo imperialismo. E segue a marcha na mistura dos ritmos dos povos explorados.
No encerramento do ato ao falar sobre a presença da Conlutas e nosso apoio como parte da Solidariedade Internacional de Classe vem os agradecimentos, os abraços fortes e o outra parte da historiam no comentário de uma ativista : que Honduras poderia agora pagar caro pelo papel que cumpriu nos anos 80 de servir de base militar imperialista para o financiamento, treinamento e organização dos “contra”, setores paramilitares de direita, treinados diretamente pelo imperialismo para derrotar as revoluções em curso na região. A divisão regional tantas vezes imposta pelo imperialismo, se utilizando de lacaios locais, aparece como uma vergonha que não pertence aos que lutam. Digo que os que receberam e ajudaram os yanques e os contras sao os mesmos que agora estao com o golpe. E que eles, nas ruas, são os que continuam a historia heróica de nicaragüenses e salvadorenhos, vanguarda da luta daquele período.
Em Tegucigalpa foi um dia sem repressão como dos dias anteriores. A manifestação com cerca de 5.000 manifestantes, passou em frente ao Ministério Público com uma Comissão da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado sendo recebida para exigir a libertação dos presos e a punição aos militares e policiais que estão reprimindo. A resposta, que o Ministério Público não tinha conhecimento de nenhum caso de violação de direitos humanos. Depois do Ministério Publico a manifestação terminou em frente a Rádio Globo, ameaçada de fechamento por se opor ao golpe.
Neste mesmo dia houve repressão violenta mais uma vez em San Pedro Sula onde foi realizada uma manifestação com bloqueio na estrada que vai daí, principal cidade industrial do país ao principal porto de Tegucigalpa. A justiça mais uma vez com seu caráter de classe “não sabe” das cerca de 30 pessoas mortas a balas de fuzis nas madrugadas de Tegucigalpa desde o golpe, das centenas de detidos, dos 27 já processados e que permanecem presos, das centenas dos feridos. Como um gesto de repúdio a cegueira, terminei o dia, em uma visita ao deputado Melvin Ponces, anti golpista, internado em um Hospital da cidade. Nas manifestações do dia 12, Ponce foi espancado pelos militares golpistas. Braço quebrado, duas cirurgias, hematomas e lesões. Nada que a justiça burguesa possa ver.
O tema da independência nacional continua colocado dramaticamente para a região. Como tantas vezes nas últimas décadas, novamente surgem momentos em que se coloca a possibilidade de discutir um projeto nacional de independência e soberania. Defender a democracia e exigir a volta do presidente eleito Mel Zelaya, contra o golpe militar, não pode se confundir em abrir mão da independência de classe dos trabalhadores e camponeses. Mel Zelaya é um burguês latifundiário que momentaneamente esta em conflito com outros setores de sua classe. Até mesmo de seu partido, o Partido Liberal, o mesmo partido de Micheletti, o golpista. Exigir sua volta não pode confundir com apoiar uma figura burguesa, latifundiário, membro do Partido Liberal.
Reconstituir Zelaya ao governo é uma medida para derrotar os golpistas. E derrotar aos golpista é garantir a prisão e punição de todos os envolvidos no golpe, é garantir a convocação da Assembléia Nacional Constituinte onde se discuta a reforma agrária, a política econômica, a relação com o imperialismo e seu TLC. Zelaya, presidente que aprovou o TLC não pode levar adiante um programa que signifique o confisco de suas terras e o ataque aos negócios de sua classe.
Durante as últimas décadas o debate sobre a relação da luta pela independência nacional e o papel de setores “progressivos burgueses” se colocou de maneira dramática na região. As alianças com esses setores, abrindo mão da construção de organizações e de um programa de classe, independente que questione suas propriedades mais cedo ou mais tarde levam à derrota. Quando o movimento em seu processo de lutas objetivas, colocam para estes senhores uma escolha de classe: expropriar ou defender a grande propriedade privada, sua origem e seus interesses de classe definem seu lado.
Caminhamos juntos na luta para derrotar os golpistas, reconduzir Zelaya e garantir as liberdades democrática com a punição dos Golpistas e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte. Mas sem nos confundirmos que para levar adiante de maneira coerente a luta pela independência nacional e contra fascistas golpistas sócios menores do imperialismo, só a construção de um pólo classista independente e um programa que questione a grande propriedade privada, das multinacionais ou de seus agentes internos.
Retirado do Portal - www.pstu.org.br
O BLOG DO PSTU REGIONAL RIO
Prezados camaradas:
O PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado é um partido diferente; de luta, socialista e revolucionário. Um partido de militantes que luta todos os dias contra o capitalismo e por um Governo dos Trabalhadores.
Este é o blog do PSTU Rio, uma importante ferramenta virtual a serviço das lutas reais dos trabalhadores e pela revolução socialista em nosso país e no mundo!
Sejam todos, bem-vindos!
• O PSTU é sem dúvida um salto no caminho da construção de um partido revolucionário no Brasil, mas nossa história (e de nossa corrente internacional - a LIT-QI) está estreitamente unida à luta da classe trabalhadora brasileira e mundial nos últimos 30 anos.
Confira algumas datas importantes nas origens de nosso partido.